quarta-feira, 30 de novembro de 2011

DEUS, PÁTRIA, REI - A TRILOGIA DA NAÇÃO PORTUGUESA DEFINIDA POR D. NUNO ALVARES PEREIRA

DEUS-  O altíssimo princípio e dogma, origem e força de toda a autoridade, da fé e da moral.

PÁTRIA- Mais que um pouco de terra e um punhado de famílias; uma autêntica e profunda ideia, princípio espiritual, conceito elevado da terra e dos homens.

Estes passam; a ideia tem carácter de permanência; e só por isso as pátrias podem ressurgir sempre que se retorne à pureza primitiva dos princípios.

A Pátria é um pensamento a realizar-se na história; e esta é a vida dos povos; e estes têm a vida e o valor de cada um dos seus homens.

REI- a personificação do homem português, o representante da autoridade, o sinal visível da unidade do pensamento e amor nacionais.

Selo de D. Afonso Henriques


A respeito de D. NUNO pode pensar-se o que, para cada português devia constituir lei de formação HUMANA e CRISTÃ:

CADA HOMEM UM SERVIDOR;
CADA SERVIÇO, UMA DIGNIDADE;
CADA DIGNIDADE, UM DEVER;
CADA DEVER, UMA VITÓRIA.

D.NUNO faz parte daqueles santos VALORES que não esmorecem na história;

Os únicos que erguendo os olhos para outras claridades,
enchem os espíritos daquelas certezas absolutas e ardentes,
que ainda podem salvar a história e os homens da
mediocridade da vida e
renovar os caminhos da Verdade imutável;

Onde se encontram  os grandes construtores da civilização,

Os triunfadores infalíveis de ontem,
de hoje e de sempre.

por REX no Facebook

O NOSSO JOVEM PRÍNCIPE

"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."

Anónimo (recebido via e-mail)
Acrescentava:
No meio desta "governança" republicana, no centro das sucessivas injustiças a que os portugueses estão relegados, despejados ao esquecimento, desprotegidos e secundados existe um jovem Príncipe que, com apenas 14 anos, teve de se sacrificar por nós, abdicando da sua vida particular, dos seus interesses de miúdo, separando-se muito cedo do calor familiar de seus pais e do amor fraterno. Presentemente encontra-se só e por sua conta, tornando-se homem mas sobretudo um grande português (como apenas um emigrante sabe ser). É um estrangeiro em terras dos nossos mais antigos aliados. Sendo muitíssimo jovem, e num intensíssimo regime de aprendizagem, entrega-se ao estudo, ao trabalho, ao aperfeiçoamento e ao sacrifício, mas sobretudo prepara-se para nos servir.
Eu que passei por algo similar…entendo a dimensão da empresa. Apenas com duas importantes mas normais diferenças: Com custo mas fui em maioridade; Com custo mas com finalidades de rentabilidade própria e de autopromoção da minha vida. Tentando melhorar o País em que vivo…sim! Mas sem o alcance de uma entrega absoluta como a dele, como a do jovem Infante.
Eu, enquanto cidadão, e podendo ser só um, estou com ele e agradeço-lhe o que faz por mim enquanto português!
Viva o Príncipe da Beira, S.A.R., O Senhor Dom Afonso de Bragança que pela Santa Graça haverá de ser, para o bem de Portugal e dos Algarves, Açores e Madeira, Afonso VII!

PORTUGAL E A RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA NACIONAL


Painel existente na torre sineira da Igreja Matriz de Ponte de Lima evocativo da Restauração de 1640.



"Assentaram por conclusão que sábado, primeiro de Dezembro, com o menor rumor que fosse possível, se achassem todos juntos no paço, repartidos em vários postos, e que, tanto que o relógio desse nove horas, saíssem das carroças ao mesmo tempo. Sem haver dos confederados quem se arrependesse da determinação, ocuparam todos os postos destinados. Impacientes esperavam as nove horas, e como nunca o relógio lhes pareceu mais vagaroso, assim que deu a primeira e sem aguardarem a última, arrebatados do generoso impulso, saíram todos das carroças e avançaram ao paço. Neste tempo andava D. Miguel de Almeida, venerável e brioso, com a espada na mão gritando:

— Liberdade, portugueses! Viva El-Rei D. João, o Quarto!"

D. Luís de Meneses em História de Portugal Restaurado (adaptação)

Painel existente na torre sineira da Igreja Matriz de Ponte de Lima evocativo da Restauração de 1640

HOJE CELEBRA-SE O DIA DA RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL - 1º DE DEZEMBRO DE 1640


A Restauração foi um movimento histórico que levou Portugal à independência no 1º de Dezembro de 1640.
 
A morte de D. Sebastião (1557-1578) em Alcácer-Quibir, apesar da sucessão do Cardeal D. Henrique I (1578-1580), deu origem a uma crise dinástica. Nas Cortes de Tomar de 1580, Filipe II de Espanha é aclamado rei de Portugal (Filipe I de Portugal).
 
Filipe I e os seus sucessores, Filipe II e Filipe III, não respeitaram o que tinha ficado combinado nas Cortes de Tomar.
 
Os impostos aumentavam; a população empobrecia; os burgueses ficavam afectados nos seus interesses comerciais; a nobreza estava preocupada com a perda dos seus postos e rendimentos; o Império Português era ameaçado por Ingleses e Holandeses e os reis filipinos nada faziam.
 
A capital do Império passou a ser Madrid e Portugal foi governado como uma Província espanhola. Durante 60 anos ocuparam o país e o oprimiram.
 
Como é natural, os portugueses viviam descontentes e compreendiam que só uma revolução bem organizada lhes poderia trazer a libertação.
 
Assim, no dia 1 de Dezembro de 1640, um grupo de 40 bravos portugueses, os chamados de Conjurados dirigiram-se ao Paço da Ribeira onde estavam a Duquesa de Mântua, regente de Portugal, e o seu Secretário, Miguel de Vasconcelos. A Duquesa foi presa e o Secretário morto.
 
Portugal recuperou a sua Independência, e deixou de pertencer a uma potência estrangeira, sendo D. João IV, Duque de Bragança, aclamado Rei, com o cognome de "O Restaurador".

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UMA HEROÍNA DE 1640: DONA FILIPA DE VILHENA

D. Filipa de Vilhena armando os seus filhos cavaleiros-1801-quadro de óleo sobre tela de Vieira Portuense

Esta heróica senhora, cujo nome ficou célebre na história do país, nasceu em Lisboa onde também faleceu a 1 de Abril de 1651. Era filha de D. Jerónimo Coutinho, que foi nomeado vice-rei da Índia, mas não aceitou a nomeação.
 
Casou com o 5º conde de Atouguia, D. Luís de Ataíde, que morreu, deixando-a com 2 filhos: D. Jerónimo de Ataíde e D. Francisco Coutinho. Senhora resoluta e briosa, teve conhecimento de todos os preparativos da revolução de 1 de Dezembro de 1640, e aconselhou a seus filhos que a ela aderissem e partilhassem os perigos de seus irmãos em fidalguia e em nacionalidade.
 
Na madrugada de 1 de Dezembro, mostrando realmente uma resolução mais que humana, armou ela própria os seus dois filhos cavaleiros, e mandou-os combater pela pátria, dizendo-lhes que não voltassem senão honrados com os louros da vitória.
 
O drama de Garrett, intitulado D. Filipa de Vilhena, ainda mais contribuiu para idealizar esta figura feminina, que ficou sendo como um símbolo enérgico do patriotismo.
 
D. Filipa de Vilhena foi chamada ao paço pela nova rainha de Portugal, D. Luísa de Gusmão, e recebeu o cargo de camareira-mor e de aia do príncipe D. Afonso, mais tarde el-rei D. Afonso VI

1º DE DEZEMBRO

O alcaide de Olivença, pretende recriar os violentos eventos que conduziram à ocupação daquela vila pelas tropas espanholas comandadas por Godoy. Sabendo-se algo acerca das brutalidades cometidas contra a população oliventina - desde o momento da ocupação até à autêntica política de erradicação identitária ao longo de dois séculos -, não deixa de ser absurda, esta paródia engendrada pelo PP espanhol.
Se existisse alguém com coluna vertebral na Câmara Municipal de Lisboa, a edilidade promoveria já no próximo 1º de Dezembro, uma "reconstituição histórica" da defenestração de Miguel de Vasconcelos. Candidatos a actores não faltariam, pois "Vasconcelos" há-os de sobra, de Belém a S. Bento.
Nuno Castelo-Branco

O 1º DE DEZEMBRO SOBREVIVEU À 1ª REPÚBLICA SENDO O FERIADO CIVIL MAIS ANTIGO

O 1.º de Dezembro é o feriado civil mais antigo: sobreviveu à I República austera em festividades, ao Estado Novo que só recuperou os "dias santos" em 1952 e à chegada da democracia, que nunca aboliu feriados mas acrescentou vários ao calendário.
Menos de uma semana após a revolução republicana de 1910, um decreto acabou com os feriados religiosos e institui apenas cinco dias de 'folga nacional': o 1.º de Janeiro (transformado em Dia da Fraternidade Universal), o 31 de Janeiro (data da revolta republicana no Porto, em 1891), o 5 de Outubro (Dia da República), o 1.º de Dezembro (Dia da Independência e da Bandeira) e o 25 de Dezembro (que passou a Dia da Família).
O mesmo decreto permitia aos municípios escolherem um dia de celebração local, estando aqui a origem dos feriados municipais.
Os republicanos só aceitavam uma celebração civil vinda da monarquia: o 1.º de Dezembro, que celebra a restauração da Independência em relação a Espanha em 1640.
Este é um feriado nascido na segunda metade do século XIX, pela mão da então Comissão Nacional 1.º de Dezembro, mais tarde Sociedade Histórica da Independência Nacional, criada em 1861 como reacção "a um movimento iberista".
Com a chegada da República, reduzem-se assim a cinco os feriados nacionais. Mas esta austeridade durou pouco e, lentamente, foram-se acrescentando dias de ócio ao calendário, até aos actuais 13 (seis civis e sete religiosos).
Logo em 1912, os republicanos criam o 3 de Maio, para celebrar a descoberta do Brasil. E em 1929, já sob a ditadura que levaria ao Estado Novo, o feriado municipal de Lisboa passa a nacional, nascendo aqui o 10 de Junho, que começou por ser o Dia de Camões e Portugal, passou a Dia de Camões, de Portugal e da Raça em 1944 e é, desde, 1978, o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades.
"Curiosamente", sublinha Reis Torgal, o Estado Novo demorou décadas a mexer nos feriados e, em particular, a recuperar os religiosos, os "dias santos". Só o faz depois da assinatura da Concordata com a Santa Sé, em 1940, e o Ano Santo de 1951.
Mesmo o feriado da Imaculada Conceição, que é formalizado em 1948, é celebrado durante anos como o Dia da Consagração de Portugal a Nossa Senhora.
"Não se celebrava o dogma. O salazarismo manteve sempre a separação entre Estado e Igreja, apesar da grande influência da Igreja. Os feriados eram sempre celebrações cívicas", afirma o historiador.
Em 1952, Salazar acaba com o 31 de Janeiro e o 3 de Maio e junta três festas católicas à Imaculada Conceição (8 de Dezembro), ao Natal e ao 1.º de Janeiro, assim nascendo o Corpo de Deus (móvel), o 15 de Agosto (Assunção de Maria) e o Dia de Todos os Santos (1 de Novembro).
Os responsáveis pelo 25 de Abril de 1974 foram ainda mais rápidos do que os primeiros republicanos e, dois dias depois da Revolução dos Cravos, a data do golpe militar já era feriado, assim como o 1.º de Maio, o Dia do Trabalhador.
A democracia fez nascer mais dois feriados nacionais religiosos: a Sexta-feira Santa (em 1976) e o Domingo de Páscoa (em 2003).
Religiosos ou civis, republicanos ou monárquicos, os feriados mantêm uma característica: foram sempre associados a dias de ócio, sem trabalho, segundo Reis Torgal.

DOM DUARTE PREOCUPADO COM PERDA DE SOBERANIA


Duque de Bragança compara "a actual e humilhante dependência" de Portugal face aos seus credores à crise financeira que o país enfrentou e que levou à queda da monarquia

Duque de Bragança aproveita o Jantar dos Conjurados para dizer que Portugal atravessa uma das maiores crises e que "aumentou a vulnerabilidade à perda da sua independência".
"Portugal atravessa uma das maiores crises da sua longa vida". É com esta frase que D. Duarte abre a sua mensagem anual aos monárquicos, no Jantar dos Conjurados, na noite de quarta-feira, no Centro Cultural de Belém.
No tradicional jantar que junta os monárquicos portugueses na véspera das comemorações do Dia da Restauração da Independência, Duarte Nuno de Bragança menciona a possibilidade de ser este um dos feriados a extinguir pelo Governo.
Considerando o 1.º de Dezembro "o dia que mais deveria unir todos os portugueses", aproveita a oportunidade para se referir às consequências da actual crise.

Soberania ameaçada
"A soberania de Portugal está gravemente ameaçada" diz D. Duarte, considerando que a História tem demonstrado que "sempre que o país ficou enfraquecido aumentou a vulnerabilidade à perda da sua independência".
O duque de Bragança compara mesmo "a actual e humilhante dependência" do país face aos seus credores à crise financeira que Portugal enfrentou e que levou à queda da monarquia.
D. Duarte vê nesta crise sinais de que cada vez mais os portugueses "não se revêem no modelo de representatividade política em vigor" e aponta como caminhos para melhorar a situação económica nacional o aprofundamento das relações com os países lusófonos.
"Acredito que a CPLP deveria evoluir para uma Confederação de Estados Lusófonos", defende.
Fonte: Expresso
S.A.R. o Senhor Dom Duarte contra extinção do feriado de 1 de Dezembro

O chefe da casa real portuguesa, Duarte Pio, afirmou hoje que a soberania de Portugal está ameaçada, considerando que a extinção do feriado do 1.º de Dezembro desvaloriza o dia que mais devia unir os portugueses.
"A soberania de Portugal está gravemente ameaçada", disse Duarte Pio no discurso comemorativo da Restauração da Independência, proferido em Lisboa, defendendo que o país atravessa "uma das maiores crises da sua longa vida".
Para o herdeiro da casa real, a actual crise constitui um risco para a soberania já que a história mostra que "sempre que o país ficou enfraquecido, aumentou a vulnerabilidade à perda da sua independência".
Independência que, para Duarte Pio, está a ser desvalorizada "por alguns", face "à ameaça de extinção do feriado evocativo do dia que mais devia unir os portugueses".
O feriado de 1.º de Dezembro, que assinala a restauração da independência de Portugal face a Espanha em 1640, é um dos quatro que o Governo pretende extinguir como forma de aumentar a produtividade do país.
"A actual e humilhante dependência de Portugal dos credores internacionais é comparável à que resultou da crise financeira de 1890-1892", que "levou ao fim do regime da monarquia democrática", disse.
Em sua opinião "é urgente" criar um debate nacional para analisar os modelos económico e político "que estiveram na origem do depauperamento do Estado", até porque "é notório que os portugueses não se revêem no modelo de representatividade política em vigor".
"Porque não considerar outras formas de representação popular complementares, através de outro tipo de representantes mais directamente relacionadas com a população, por exemplo, oriundos dos municípios, modelo este com raízes mais profundas nas tradições históricas e culturais de Portugal", questionou.
Além disso, adiantou, deve-se incentivar a auto-suficiência económica, apostando nas actividades agrícolas e do mar.
Duarte Pio defendeu ainda a necessidade estratégica de aprofundar as relações com os países lusófonos, propondo a criação de um espaço económico comum aos países da CPLP que possa evoluir para uma confederação.
Criticando o "estilo de vida artificialmente cultivado nas últimas décadas", Duarte Pio afirmou ser necessária "uma rigorosa responsabilização moral", que julga dever começar com o esclarecimento pelos governantes sobre "o concreto destino dos avultados financiamentos resultantes dos compromissos assumidos pelo Estado ao abrigo do programa de assistência económica e financeira".
Ainda assim, Duarte Pio garantiu confiar na "força anímica do povo", em especial da juventude, para "restaurar Portugal".
"Acredito que os nossos governantes tirem conclusões dos erros passados e que tenham a inteligência e vontade de corrigir o que ainda for possível emendar, colocando Portugal acima dos interesses partidários", concluiu.
Fonte: DN


Público – Extinção do 1.º de Dezembro desvaloriza dia que mais devia unir os portugueses, diz Duarte Pio


O chefe da casa real portuguesa, Duarte Pio, afirmou nesta quarta-feira que a soberania de Portugal está ameaçada, considerando que a extinção do feriado do 1.º de Dezembro desvaloriza o dia que mais devia unir os portugueses.



“A soberania de Portugal está gravemente ameaçada”, disse Duarte Pio no discurso comemorativo da Restauração da Independência, proferido em Lisboa, defendendo que o país atravessa “uma das maiores crises da sua longa vida”.

Para o herdeiro da casa real, a actual crise constitui um risco para a soberania já que a história mostra que “sempre que o país ficou enfraquecido, aumentou a vulnerabilidade à perda da sua independência”.

Independência que, para Duarte Pio, está a ser desvalorizada “por alguns”, face “à ameaça de extinção do feriado evocativo do dia que mais devia unir os portugueses”.

O feriado de 1.º de Dezembro, que assinala a restauração da independência de Portugal face a Espanha em 1640, é um dos quatro que o Governo pretende extinguir como forma de aumentar a produtividade do país.

“A actual e humilhante dependência de Portugal dos credores internacionais é comparável à que resultou da crise financeira de 1890-1892”, que “levou ao fim do regime da monarquia democrática”, disse.

Em sua opinião “é urgente” criar um debate nacional para analisar os modelos económico e político “que estiveram na origem do depauperamento do Estado”, até porque “é notório que os portugueses não se revêem no modelo de representatividade política em vigor”.

“Porque não considerar outras formas de representação popular complementares, através de outro tipo de representantes mais directamente relacionadas com a população, por exemplo, oriundos dos municípios, modelo este com raízes mais profundas nas tradições históricas e culturais de Portugal”, questionou.

Além disso, adiantou, deve-se incentivar a auto-suficiência económica, apostando nas actividades agrícolas e do mar.

Duarte Pio defendeu ainda a necessidade estratégica de aprofundar as relações com os países lusófonos, propondo a criação de um espaço económico comum aos países da CPLP que possa evoluir para uma confederação.

Criticando o “estilo de vida artificialmente cultivado nas últimas décadas”, Duarte Pio afirmou ser necessária “uma rigorosa responsabilização moral”, que julga dever começar com o esclarecimento pelos governantes sobre “o concreto destino dos avultados financiamentos resultantes dos compromissos assumidos pelo Estado ao abrigo do programa de assistência económica e financeira”.

Ainda assim, Duarte Pio garantiu confiar na “força anímica do povo”, em especial da juventude, para “restaurar Portugal”.

“Acredito que os nossos governantes tirem conclusões dos erros passados e que tenham a inteligência e vontade de corrigir o que ainda for possível emendar, colocando Portugal acima dos interesses partidários”, concluiu.
Fonte Público

NA PASSAGEM DE MAIS UM ANIVERSÁRIO DA RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL


Caro Amigos e Companheiros Monárquicos:
 
Sabeis, desde há mais de 30 anos como penso, o que sempre defendi, o que sempre teimei em concluir acerca de certas posturas de “lutadores” pelo nosso Ideal.
 
Não será ocasião de tecer críticas, muito menos de julgar o passado, presente e futuro de certas correntes de opinião do chamado eufemisticamente “Movimento Monárquico Português”. Nem tão pouco me assumirei como portador de uma Verdade Insofismável, muito menos do líder de qualquer corrente ou movimento de pensamento ideológico original. Nunca tive essa pretensão. Mas tenho, sempre tive, muitas reticências, dúvidas, decepções acerca de uma unidade de acção conducente a uma Restauração que TODOS NÓS desejamos, estou certo.
 
Também sabeis há muito as dúvidas que sempre me assolaram o espírito acerca de certas organizações que, pelo que fui observando através dos tempos, pouco ou nada contribuíram para uma imagem que fosse efectivamente apelativa aos portugueses em geral, maxime aqueles que, por falta de educação política e ideológica, por estupidez ou inércia, por falsos doutrinadores ou tão-somente por inveja, vêem na Monarquia algo relacionado com um passado odioso e por valores associados a fidalguias e desprezo pelos mais desprotegidos.
 
Foi este o legado de uma doutrinação republicana, papagueada durante cerca de 100 anos, pelo que se torna difícil fazer entender aos ignorantes (para não referir os de má-fé) que a Monarquia deu a Portugal as suas mais gloriosas páginas; e que essa mesma Monarquia, mesmo que cometendo erros (qual o Regime que os não comete?), forneceu aos portugueses uma imagem de respeito, admiração e até inveja, que nunca os 100 anos de República conseguiram sequer aproximar-se dela.
 
Por tudo isto, e porque mantenho a minha visão de que somente através de uma verdadeira Revolução de Mentalidades se conseguiria a Restauração, e que nunca será através de jantares ou meras reuniões pseudo-conspirativas que esse objectivo será alcançado, somente poderei deixar aqui a minha palavra e o meu abraço de uma Solidariedade e Respeito aos que ainda verdadeira e desinteressadamente mantêm uma Esperança no dia de uma Restauração da Monarquia em Portugal.
 
Porque é preciso reiterar que acredito ainda haver hoje referências incontornáveis, de personalidades respeitadas, de monárquicos de gema, de uma coragem, abnegação e teimosia a que somente os ignorantes ou invejosos poderão tecer dúvidas.
 
Porque com esses aprendi a amar ainda mais este Ideal.
 
Porque com eles aprendi a ser mais complacente, mas também muitas vezes mais teimoso na defesa de uma Caminho comum.
 
Esta pode assim ser entendida como a MINHA HOMENAGEM a esses MONÁRQUICOS!
 
Porque foi nessas horas que eu descobri a Grandeza e a Profundidade do nosso Ideal. Foi enfim nessas horas que eu enfim constatei o quanto me HONRA a sua Amizade e Companheirismo.
 
Por tudo isto, aqui e agora, como sempre, estarei ao vosso lado, solidário e confiante de que nada nem ninguém destruirá o Ideal que nos fez Companheiros.
 
Bem hajam por tudo isto e pela vossa Fé, Perseverança e Fidelidade aos Ideais e à Amizade!
 
Quero deixar aqui o meu testemunho de uma disponibilidade para um "Repensar" de um Futuro Político que, na minha opinião, merece Reflexão urgente entre os que pensam ser possível agregar esforços num “Grande Projecto Comum”.
 
Estou pronto a pensar, discutir, formular conceitos e estratégias, ouvir opiniões interessadas. Acima de tudo, estarei Solidário num Grande Movimento que congregue personalidades prestigiadas capazes de Sentir o Interesse e Urgência de elaborar uma Alternativa que venha dar maior crédito à Politica em Portugal, que consiga cativar de novo o Povo Português para a necessária Intervenção Cívica e Política.
 
Aqui estou, fiel aos meus Ideais, mas também teimosamente pensando ser urgente uma Meditação acerca de um Futuro construído com Inteligência, Sagacidade e Capacidade Efectiva de Intervenção Política e Social.
 
Hoje, como ontem, nada se constrói solidamente com amadorismos mais ou menos bem intencionados, muito menos em matéria política. Somente uma estratégia bem elaborada e construída com bases consistentes e cuidadosamente elaboradas.
 
Aqui fica a minha disponibilidade. Aqui fica ainda a minha Esperança num Futuro para um Portugal Restaurado na sua Dignidade e Orgulho. Aqui fica enfim o meu testemunho de Fidelidade ao meu Ideal de Sempre.

Fernando de Sá Monteiro
(Ex-presidente do PPM)

AMANHÃ: CERIMÓNIAS DO 1º DE DEZEMBRO NA SHIP-SOCIEDADE HISTÓRICA DA INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL

A Direcção da Sociedade Histórica da Independência de Portugal convida a todos os interessados a estarem presentes nas Cerimónias Comemorativas da Restauração da Independência, que se realizam em Lisboa. Estas cerimónias encerram o 150.º aniversário Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP).
Dia 1 de Dezembro de 2011
11H00 -  Içar das Bandeiras - No Palácio da Independência;
12H00 - Missa Solene invocativa ao 1º de Dezembro de 1640 - Na Igreja Paroquial de Santa Justa, no Largo de São Domingos;
16H00 - Homenagem aos Conjurados - na Praça dos Restauradores;
17H00 - Inauguração da Exposição Lusitânia Pátria Minha - pintora Maria Sobral Mendonça. - No Palácio da Independência;
18H00 - Assinatura do Livro de Honra da SHIP - No Palácio da Independência.

HOJE: RÉCITA 1º DEZEMBRO

Quarta-feira, 30 Novembro 21H30, preço 3 €

O 1º de Dezembro simboliza a independência de Portugal em 1640 após 40 anos de domínio Filipino. Reza a história que os estudantes do Colégio de S. Paulo, foram na altura os primeiros a dar as boas vindas ao Rei D. João IV saindo à rua com o intuito de comemorar a restauração da independência. Deu-se, então, inicio a uma tradição que se viria a celebrar todos os anos.

Foi em 1868 que se começou a festejar este aniversário em moldes muito semelhantes aqueles em que ainda hoje é celebrado: o carácter académico progressivamente associado às comemorações evocativas da restauração da república na cidade de Braga.

Trata-se de reavivar a memória de uma data marcante para os estudantes bracarenses. A adopção desta velha tradição pelos estudantes da Universidade do Minho tem um significado especial: representa o assumir de uma identidade, cultura e tradições próprias que nos diferencia de outras academias e uma aproximação genuína a um marco histórico da cidade de Braga.

A Associação Académica da Universidade do Minho tem vindo a reavivar a tradição e a realizar os festejos em homenagem aos patriotas do 1º de Dezembro e aos estudantes da cidade de Braga. Para tal, traz este ano aos palcos do Teatro Circo, a récita do 1º Dezembro que contará com a presença dos grupos culturais da Universidade do Minho.

INAUGURAÇÃO, EM ÉVORA, DO SALÃO DE FILATELIA "MONARQUIA VERSUS REPÚBLICA"


Amanhã, dia 1 de Dezembro, vai realizar-se em Évora mais um Dia do Selo.

No Hotel D. Fernando, pelas 10h00 será inaugurado o Salão de Filatelia "Monarquia versus República".

Estarão expostas ao público seis colecções, sendo três representativas da filatelia no período monárquico.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

TRANSIÇÃO PARA A MONARQUIA

A monarquia não é uma ideologia.  É uma filosofia de regime com um Rei imparcial chefe de estado, símbolo da nação e garante do equilíbrio político. A ideologia em qualquer regime monárquico constitucional é contemplada em campanhas nas eleições legislativas, autárquicas e europeias.

O Rei só tem duas ideologias: Portugal e o povo Português, sejam eles quem forem, sem qualquer excepção. Portanto o Rei é servido por monárquicos da esquerda á direita e católicos e não católicos.

Assim se faz nas monarquias desenvolvidas e assim terá que ser feito em Portugal, pois  se quisermos a transição para a monarquia, esta terá que ter o apoio de todas as principais forças do espectro político da esquerda á direita onde se encontram vários monárquicos. 

Tentar instrumentalizar a instituição real para apenas um quadrante político é prejudicar o esforço da transição e para isso já temos os republicanos.

Artur de Oliveira

EL-REI D. CARLOS I - A HISTÓRIA DE UM DOS PIONEIROS MUNDIAIS NO ESTUDO DA OCEANOGRAFIA

 
1901- EL-Rei D.Carlos no Iate Amélia IV

D. Carlos nasceu em Lisboa, no Palácio da Ajuda, a 28 de Setembro de 1863. Filho de D. Maria de Sabóia e de D. Luís I, foi educado para ser rei, tendo revelado desde muito cedo uma forte aptidão para as artes, para o desporto e ainda para a observação da natureza. Herda de seu pai a paixão pelo mar que se irá reflectir na sua obra artística e científica.

A 22 de Maio de 1886 casa com D. Amélia de Orleães, filha dos Condes de Paris, de quem teve dois filhos: o Príncipe D. Luís Filipe e o infante D. Manuel, que viria a ser o último rei de Portugal.

Com a morte do pai, em 19 de Outubro de 1889, é confrontado com grandes dificuldades sociais e políticas que encara com coragem e lucidez. No entanto, apesar do destaque que adquiriu a nível científico, tanto nacional como internacionalmente, não foi capaz de resolver os graves problemas políticos resultantes, por um lado, de uma profunda crise interna, e por outro, pelo ambiente internacional, favorável ao desaparecimento das monarquias na Europa.

A 1 de Fevereiro de 1908, quando a Família Real regressava de Vila Viçosa com destino a Lisboa, sofre um atentado em pleno Terreiro do Paço.

D. Carlos é vitimado, bem como o seu filho mais velho, o Príncipe herdeiro D. Luís Filipe. D. Manuel, o segundo filho, é aclamado Rei de Portugal. Dois anos mais tarde é implantada a República e a Família Real abandona o país com destino a Inglaterra.

Campanhas Oceanográficas

D. Carlos de Bragança, rei de Portugal entre 1889 e 1908, dedicou-se com assinalável sucesso a um conjunto diversificado de actividades de que se destacam a Arte e alguns ramos da Ciência, tal como a Ornitologia e a Oceanografia. Neste campo pode mesmo considerar-se como um dos pioneiros mundiais, tendo deixado uma obra de reconhecido mérito. Influenciado pelo crescente interesse do Homem pelo estudo do mar registado no século passado, D. Carlos decidiu explorar cientificamente o nosso mar.

Depois de uma cuidadosa preparação, em 1 de Setembro de 1896, nasceu a Oceanografia portuguesa, quando D. Carlos iniciou, a bordo do seu primeiro iate “Amélia”, uma série de campanhas ao longo da costa atlântica de Portugal que se prolongariam até 1906-1907.

Além do interesse científico, D. Carlos preocupou-se também em estudar os recursos marinhos vivos da costa portuguesa, tendo por objectivo maximizar o rendimento da indústria e do comércio da pesca. Esta era uma das mais significativas actividades económicas do país que, atravessando uma crise política e financeira grave, herdara para governar. Em 1898, dedicou-se, em especial, à investigação sobre pescas marítimas, tendo inclusivamente publicado o seu estudo sobre “A Pesca do Atum no Algarve”, editado pela Imprensa Nacional, Lisboa, em 1899.

A vocação precoce de D. Carlos pela Oceanografia foi incentivada por personalidades de renome internacional, entre as quais, o príncipe Alberto do Mónaco, que adiante se falará mais detalhadamente, Júlio Verne e a equipa notável de cientistas franceses do navio oceanográfico “Travailleur”, de entre os quais se destaca Albert Girard.

Aos 19 anos, D. Carlos tinha lido todos os trabalhos de investigação oceanográfica dessa famosa equipa francesa, constituída pelo marquês de Folin, Léon Vaillant, Edmond Perrier, Alphonse Milne Edwards, Antoine Marion e Paul Fischer, e tivera a oportunidade de a conhecer pessoalmente numa recepção no paço real da Ajuda, aquando da terceira campanha do “Travailleur” nas águas costeiras portuguesas, no Verão de 1882.

Conta-se que sendo ainda um jovem adolescente conhecera também o escritor francês, Júlio Verne, quando este, já rico e famoso, realizou, em 1876, uma série de viagens pelo Mundo, a bordo do seu iate que fez escala em Lisboa.

Durante essa escala na capital, proporcionou-se uma recepção a Júlio Verne, no paço real da Ajuda.

Assim, D. Carlos teve a oportunidade de ouvir deleitado e trocar impressões com Júlio Verne, o autor de uma das suas obras preferidas, “As Vinte Mil Léguas Submarinas”. Essa obra marcou-o profundamente, de tal forma que veio a dar o nome de “Nautilus” à sua primeira embarcação à vela que recebera como presente do rei D. Luís I, seu pai, e despontou nele a motivação pelo estudo dos abismos oceânicos da costa portuguesa, como veio a efectuar posteriormente ao largo de Setúbal.

É de recordar, neste contexto, o facto pouco divulgado sobre a estadia de Júlio Verne na casa de uma ilustre família portuguesa, no Dafundo. Aí, escreveu precisamente “As Vinte Mil Léguas Submarinas”, em 1870, tendo por horizonte a foz do Tejo. A sua anfitriã perguntou-lhe um dia, após ter lido a obra já concluída, porque razão não fizera nenhuma alusão à casa, onde se inspirara para escrever. Júlio Verne respondeu-lhe que lesse com mais atenção na medida em que a mesa de camilha da sua sala de estar, onde costumava escrever, não fora esquecida, sendo referida na obra como peça de mobiliário do submarino “Nautilus”.

D. Carlos, além dessa pequena embarcação à vela, berço dos seus sonhos de jovem navegador, o referido “Nautilus”, teve, mais tarde, sucessivamente quatro iates. Os três primeiros eram à vela e todos moviam-se por máquinas a vapor, tendo sido devidamente adaptados para as campanhas oceanográficas. Chamaram-se “Amélia” em homenagem à rainha, sua consorte.

O “Amélia I” era pequeno e pouco estável; media 34 metros e deslocava 147 toneladas à velocidade de 9 a 10 nós. O “Amélia II” fez as campanhas de 1897 a 1898; era um pouco maior, media 45 metros e deslocava 301 toneladas à velocidade de 10 a 11 nós. O “Amélia III” era grande e estável, tendo permitido as campanhas oceanográficas mais prolongadas, as de 1899 a 1901. Dispunha inclusivamente de um laboratório a bordo. Media 55 metros e deslocava 650 toneladas à velocidade de 12 a 14 nós.

O último, o “Amélia IV”, sem velas mas o maior, mais luxuoso e rápido de todos, realizou não só as visitas régias, como aos Açores e à Madeira, como também as campanhas de 1901 a 1907. Media 70 metros, deslocava 1370 toneladas à velocidade de 15 nós. Na sua categoria estava muito próximo do famoso “Princesse Alice II” do príncipe Alberto de Mónaco, medindo esse iate 73 metros, deslocando 1394 toneladas e tendo efectuado as campanhas oceanográficas de 1898 a 1910.

Sempre que partia para as campanhas oceanográficas, D. Carlos sentia-se imensamente feliz ao leme desses iates “Amélia”, sulcando as águas indómitas do Atlântico para desvendar, com a persistência própria de um cientista, os segredos profundos do oceano. Então, era o rei digno da gesta audaciosa de um povo de navegadores, granjeando também para Portugal o pioneirismo da Oceanografia.

A fim de melhor realizar as expedições científicas, D. Carlos adaptou os seus iates. Por exemplo, no “Amélia III” mandou transformar a sala de fumo em laboratório, pintado de branco e bem equipado. A bordo iam também instrumentos de precisão para os seus estudos oceanográficos como, entre outros, termómetros de inversão “Negretti & Zambra”, densímetros e flutuadores derivantes para estudar as correntes marítimas. Os iates iam munidos de armamento, como peças de artilharia, na medida em que nessa época as expedições longínquas eram arriscadas, de espingardas de caça para obtenção de espécies ornitológicas e de canhões lança-arpão para captura de cetáceos.

A costa portuguesa é efectivamente uma das mais atractivas para ser estudada, devido à presença de canhões submarinos profundos a poucas milhas da terra, tendo inclusivamente chegado a reconhecer a existência de profundos vales submarinos próximo da costa, na região do Cabo Espichel.

Esta característica torna-a quase única na Europa. D. Carlos estudou minuciosamente a topografia desses canhões, respectivos sedimentos e temperaturas, como revela a exactidão das suas notas e trabalhos escritos. O Rei é inclusivamente o autor da primeira carta batimétrica da zona do canhão de Setúbal, à escala 1/100 000, completada inclusivamente com a referência às espécies locais por ele estudadas.

Em 1898, D. Carlos incentivou a criação do Museu Oceanográfico, no Dafundo, junto ao rio Tejo e perto de Lisboa, tendo sido completado pelo Aquário Vasco da Gama, sendo ambos dos primeiros criados no Mundo. Além da exposição de espécies marinhas vivas no referido Aquário, o Museu foi enriquecido com o legado do Rei, ou seja, toda a sua colecção oceanográfica, bibliografia, documentação diversa incluindo trabalhos escritos sobre cartografia, hidrografia e ornitologia, apontamentos, notas pessoais, inventariação das espécies marinhas portuguesas, preparações microscópicas e instrumentação utilizada.

Divulgação científica

É de salientar o extraordinário papel desempenhado por D. Carlos no domínio da divulgação científica, fazendo chegar ao conhecimento público os resultados das suas campanhas oceanográficas, organizando exposições com o material zoológico recolhido ou ainda com instrumentos de uso corrente em oceanografia e aparelhos de pesca.

El-Rei senhor D. Carlos é justamente considerado uma individualidade artística, homem de ciência e habilíssimo em todos os exercícios físicos, tais como a caça, a pesca, equitação, etc. Espírito desde cedo muito culto, tem pelas belas artes a paixão dum verdadeiro artista, distinguindo-se especialmente na aguarela e no desenho a pastel. Em quase todas as exposições nacionais tem apresentado os seus apreciados quadros, alcançando as mais altas distinções. Ainda ultimamente, em 24 de Janeiro de 1905, se dignou Sua Majestade aceitar o diploma de académico de mérito que lhe conferiu a Academia Portuense de Belas Artes. Seria difícil dar uma lista completa das medalhas e diplomas de honra que El-Rei senhor D. Carlos tem recebido pelos seus trabalhos artísticos e científicos. Aos estudos oceanográficos tem Sua Majestade dedicado a mais particular atenção.

Os resultados dessas investigações receberam rasgados elogios de alguns sábios estrangeiros e constam dos quatro seguintes livros publicados: Yacht «Amelia» – Campanha oceanographica de 1896, Lisboa, 1897. Resultados das investigações scientificas feitas a bordo do yacht «Amelia» e sob a direcção de D. Carlos de Bragança ­Pescas maritimas – I – A pesca do atum no Algarve em 1898 (avec un resumé en français) – Lisboa 1899. Buletin des Campagnes Scientifiques accomplies sur le yacht «Amelia» par D. Carlos de Bragança ‑Vol. I – Rapport préliminaire sur les Campagnes de 1896 à 1900 – Fascicule I – Introduction – Campagne de 1896 – Lisbonne, 1902. Resultado das investigações scientificas feitas a bordo do yacht «Amelia» e sob a direcção de D. Carlos de Bragança – Ichthyologia – II – ­Esqualos obtidos nas costas de Portugal durante as campanhas de 1896 a 1903 (Texto em portuguez e francez) Lisboa 1904.

O mérito da sua obra foi internacionalmente reconhecido, como o demonstram os numerosos diplomas que lhe foram conferidos pelas mais prestigiadas instituições científicas da época.

Ao longo de doze anos de campanhas, D. Carlos foi reunindo uma colecção zoológica de incalculável valor histórico e científico que inclui animais conservados em meio líquido e naturalizados. Constituindo um valoroso contributo para o inventário faunístico da costa portuguesa, esta colecção tem vindo a servir de base à realização de diversos estudos científicos, nomeadamente sobre peixes e crustáceos.

A Colecção Oceanográfica D. Carlos I inclui ainda instrumentos oceanográficos utilizados durante as campanhas, bem como um extenso conjunto de documentação e bibliografia referentes à actividade científica desenvolvida pelo monarca.

Inicialmente foi sendo guardada no Palácio das Necessidades, com vista à criação de um Museu Oceanográfico. Após a morte do monarca, as colecções foram entregues em Fevereiro de 1910 à Liga Naval Portuguesa, que inaugurou a Secção Oceanográfica D. Carlos I do então Museu de Marinha, situado no Palácio dos Duques de Palmela, ao Calhariz. Mais tarde, com a extinção da Liga Naval Portuguesa em 1929, a colecção transita para o Museu Condes de Castro Guimarães, em Cascais, sendo doada por escritura pública notarial e por decreto-lei de 11 de Junho de 1935, ao Aquário Vasco da Gama de Biologia Marítima.

A Biblioteca Científica do Rei, incluindo verdadeiras preciosidades bibliográficas e constituindo um espólio de valor inimaginável, foi também oferecida nessa mesma altura.

Desde então, o Aquário Vasco da Gama tem sido responsável pela conservação deste fantástico património, parcialmente em exposição permanente ao público visitante desde 20 de Maio de 1943, por ocasião do 45º aniversário desta instituição, altura em que reabriu ao público o Museu Oceanográfico D. Carlos I.

A parte restante da Colecção mantém-se reservada, mas disponível para a consulta a efectuar por especialistas, com vista à realização de estudos científicos.

As sucessivas transferências da Colecção, desde o primitivo Museu no Palácio das Necessidades até ao Aquário Vasco da Gama, contribuíram para o desaparecimento de um número significativo de exemplares e a deterioração de muitos outros.

A parte da Colecção Oceanográfica D. Carlos I que hoje se encontra depositada nesta instituição, embora seja uma pálida amostra daquilo que deveria ter sido no tempo em que o monarca viveu, constitui um legado de incalculável valor histórico e científico, estreitamente ligado ao nascimento da moderna oceanografia em Portugal.


CARLOS I DE PORTUGAL E ALBERTO I DE MÓNACO A PAIXÃO PELO ATLÂNTICO

Em 1873, o príncipe soberano, Alberto I de Mónaco, com 25 anos de idade, tinha adquirido o seu primeiro iate “Hirondelle”. Nesse mesmo ano, fez escala em Lisboa e visitou a família real portuguesa, tendo conhecido o príncipe D. Carlos, com 10 anos, e o infante D. Afonso, seu irmão, com 8 anos. Ambos eram crianças e excelentes ouvintes das odisseias do príncipe de Mónaco.

Em 1879, quando o príncipe Alberto de Mónaco fez outra escala em Lisboa, teve a oportunidade de trocar impressões sobre os seus estudos oceanográficos com D. Carlos, que tinha 16 anos, revelava um entusiasmo por tudo o que fosse relacionado com o mar, a par do conhecimento excelente de várias línguas estrangeiras, sendo fluente em francês e inglês, das ciências naturais e do talento para a pintura e desenho. Durante essa escala, o jovem D.Carlos reproduziu correctamente a “crayon” o iate “Hirondelle” ancorado no Tejo.

Em 1885, o príncipe Alberto de Mónaco iniciou as suas campanhas oceanográficas que se realizaram ao longo de trinta anos. Sulcou frequentemente as águas do Mediterrâneo ao Atlântico, a bordo dos seus sucessivos quatro iates designados respectivamente “Hirondelle”, “Princesse Alice”, “Princesse Alice II” e “Hirondelle II”. Estes foram também convenientemente adaptados, incluindo salas transformadas em laboratórios, bem apetrechados com instrumentos específicos, os mais modernos de então, que lhe permitiram assegurar o prestígio internacional das suas investigações.

Em 1894, por ocasião de uma campanha oceanográfica com o seu segundo iate o “Princesse Alice”, o príncipe Alberto de Mónaco, acompanhado pela mulher, a princesa Alice, fez escala em Lisboa e visitou o já então rei D. Carlos I e a sua mulher, a rainha D. Amélia, que se encontravam no palácio da Pena, em Sintra.

Desse encontro entre duas pessoas admiráveis pela sua inteligência e sensibilidade, nasceu uma grande amizade, tendo em comum a paixão pelo mar, desporto, fotografia, ciência e tecnologia. Essa empatia foi reforçada, ao longo dos anos, através de uma troca de correspondência assídua entre D. Carlos e o Príncipe Alberto, informando reciprocamente sobre os progressos das respectivas investigações, nomeadamente no oceano Atlântico.

Com o decorrer do tempo, o rigor e a qualidade científica dos estudos de D. Carlos sobre a biodiversidade marinha, as correntes do litoral e as cartas batimétricas do “mar português”, permitiram-lhe o reconhecimento e a designação de “Monarca Sábio” pelo príncipe Alberto de Mónaco. É de recordar que o príncipe de Mónaco efectuou doze campanhas no Mar dos Açores que tanto o fascinava, numa perspectiva científica, pela extraordinária variedade e riqueza da fauna piscatória do Arquipélago açoriano. Por ali, navegou a bordo dos seus iates “Hirondelle” e, mais tarde, “Princesse Alice”, permitindo-lhe o conhecimento global da biodiversidade marinha, inclusive dos seus aspectos biogeográficos. Neste contexto, é de salientar a sua descoberta do banco “Princesse Alice”, a sul do Arquipélago dos Açores, pela importância para a pesca.

No mar dos Açores estudou ainda os grandes abismos oceânicos, como a famosa fossa “Hirondelle”, designada como o seu iate, sendo a mais profunda do Atlântico e situando-se entre as Ilhas de S. Jorge e Faial do Arquipélago açoriano.

Durante os referidos anos, em que o príncipe Alberto navegou no mar dos Açores, teve a oportunidade de fazer amizades no Arquipélago, nomeadamente na Ilha de São Miguel.

Entre os seus amigos açorianos, incluía-se o conde de Fonte Bella, Jacinto da Silveira de Andrade de Albuquerque Gago da Camara, que o costumava acompanhar, seguindo a bordo do seu iate ”Áquila”. Este era uma das maiores escunas portuguesas, com dois mastros, medindo 30 metros e deslocando 130 toneladas. Fora construído nos estaleiros de Ponta Delgada, na Ilha supracitada. Dispunha de uma decoração interior requintada e também de um laboratório.

O “Áquila” entrara ao longo dos seus mais de 20 anos de existência não só em campanhas oceanográficas mas também em regatas, sendo quase o único a arvorar e a prestigiar nessas competições o pavilhão de Portugal. A sua deslocação rápida, sulcando as águas com as velas enfunadas e deixando um rasto de espuma, assemelhava-se ao voo de uma águia, daí o seu nome. Era belo de se ver o ”Áquila” fundeado na baía de Cascais, tendo essa imagem sido imortalizada pelo rei D. Carlos numa das suas famosas aguarelas.

O príncipe Alberto de Mónaco rodeou-se também de uma equipa de cientistas de renome internacional, entre os quais, muito admirava, pelo seu saber e competência, um perito em Ciências Naturais, açoriano da Ilha de São Miguel, o coronel Francisco Afonso de Chaves, que fundou o Instituto de Meteorologia de Ponta Delgada. Este Instituto ostenta, ainda hoje, o seu nome.

As fotos dessas campanhas do príncipe Alberto acompanhado pelo conde de Fonte Bella e pelo coronel Francisco Afonso de Chaves, no mar dos Açores e em pleno oceano Atlântico, encontram-se presentemente expostas ao público no Museu Oceanográfico de Monte Carlo, criado no Mónaco, em 1910.

Dessa relação amistosa luso-monegasca perdura o nome de Açores numa das ruas centrais de Monte Carlo e, por sua vez, o de Avenida Príncipe Alberto de Mónaco, em Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, e Observatório Príncipe Alberto de Mónaco, na Horta, Ilha do Faial.

Em 1996, Portugal e o Mónaco celebraram conjuntamente o centenário da Oceanografia, prestando as devidas homenagens aos dois “Monarcas Sábios” que muito contribuíram para desvendar os segredos dos oceanos e mares da superfície aos abismos, neles procurando não só a origem da vida e a riqueza da biodiversidade marinha, como também as possibilidades de sobrevivência de náufragos e a previsão de tempestades em prol de uma navegação segura.

Assim, Carlos I de Portugal e Alberto I de Mónaco fundaram a Oceanografia e com ela abriram à Humanidade a última fronteira do Planeta, os Oceanos.



 
A bordo do Amélia II (da esquerda para a direita) D. Carlos I, Alberto Girard e o conde de Mafra escolhem os exemplares acabados de recolher numa das suas campanhas oceanográficas.

 
EL-REI D. Carlos I


 
Exposição de D. Carlos


 
Colecção de D. Carlos


 
Exposição de D. Carlos


 
Colecções de D. Carlos


 
“Campanha Oceanográfica de 1896”


 
Objectivos da Campanha


Objectivos da Campanha


 
1888- Primeiro iate “Amélia”


 

1897-Iate “Amélia” (II)


 

1899-Iate “Amélia” (III)


 
1901 - "Yacona" Iate Amélia IV


 
Interior de um navio oceanográfico, no início do século XX


 
Yacht-Amelia4

GRANDE PORTUGAL!

BISPO EMÉRITO DE AVEIRO DEFENDE "ECOLOGIA DA PESSOA HUMANA"

O Bispo Emérito de Aveiro reflecte sobre as violações da pessoa e diz que são mais graves que as violações da natureza que os grupos ambientalistas procuram salvaguardar. Na crónica desta semana, o Bispo Emérito aborda questões como o aborto e a violência em ambiente escolar para lembrar que são casos cada vez mais numerosos.
Em prol de uma ecologia da pessoa humana.
Os movimentos ecológicos acordaram, em comum, para a resposta à interpelação urgente de um sinal dos tempos, que se pode traduzir pelo grito de respeito e defesa da natureza criada, ameaçada e, em muitos casos, já destruída, pelos atropelos que contra ela muitas pessoas fazem. Justifica-se a preocupação, dado que se trata de um bem de todos e a todos necessário. O que já se conseguiu neste campo, sobretudo com as crianças e a gente mais nova, é impressionante. Muito é o que se tem feito através da educação nas escolas, das campanhas publicitárias e da multiplicação dos meios adequados e acessíveis que ajudam a respeitar ambiente natural e a saber classificar e recolher resíduos e desperdícios. Se recordarmos o que entre nós se passava há trinta ou quarenta anos, vemos uma diferença abissal neste aspecto, hoje com proveito para toda a gente.
Acontece, porém, que natureza criada é, também, a natureza humana, a pessoa concreta e, no respeito por ela, há ainda muito caminho para andar. É verdade que a defesa da natureza criada e do que ela comporta e significa faz-se em razão das pessoas. Mas não podem parar aí os cuidados comuns. Há, segundo o que vemos e sentimos, a urgência de uma defesa clara da natureza humana, ou seja, das pessoas concretas, frente às agressões graves contra as leis que regem a sua vida.
Pensemos, por exemplo, na distribuição, nos centros de saúde públicos, de anticonceptivos químicos que bloqueiam, interrompem e desviam o curso normal das leis da natureza, muitas vezes com consequências graves na saúde da mulher. Cientistas de grande valor internacional, defendem e provam que os métodos naturais, não por razões morais ou religiosas, mas por razões científicas provadas, são os únicos que respeitam a sequência normal das leis da natureza em relação à concepção de novas vidas.
Atento, desde há muitos anos, a este problema, nunca vi os movimentos de ecologistas preocupados com o que se faz em relação ao aborto e com a destruição das mulheres, protagonistas de primeira importância, humana e social, na procriação. Os raciocínios correntes são redutores e parece interessar mais a eficácia, o imediato sem esforço, que o respeito pela natureza humana e suas leis, em ordem à vida procurada e defendida. Dirão que a ciência tem, também, a sua palavra. Pois que a diga, ao serviço da vida, não da sua destruição.
As violações da pessoa humana são mais numerosas e graves que as violações da restante natureza. Delas passam ao lado muitos ecologistas, delas se ocupa o Estado com mezinhas jurídicas. A sociedade foi-se deixando anestesiar e para tudo encontra justificação? Kabril Gibran, um profeta dos tempos novos, escreveu: “Os homens não têm a felicidade nos lábios, nem a verdade nas suas entranhas, porque a felicidade é filha das lágrimas e a verdade é gerada pela dor”. Quando as pessoas não valem, todas as coisas sobram. Uma ecologia a favor da pessoa humana não pode ser fruto de facilidades, de distracções, de prazeres imediatos. É uma luta diária. A natureza é para as pessoas e são as pessoas que lhe dão sentido e valor consistente.