quinta-feira, 31 de março de 2011

HÁ DISCRIMINAÇÃO E MESMO AFASTAMENTO DOS MONÁRQUICOS NOS ESPAÇOS DE INFORMAÇÃO E DISCUSSÃO

Fonte: Jornal Público de 27/03/2011

Nos dias 1 e 2 de Fevereiro deste ano de 2011, a Rádio e Televisão de Portugal voltou a exibir, no seu primeiro canal, a série em dois episódios (na verdade, é mais um telefilme em duas partes) «República», que antes havia sido exibida nos dias 4 e 5 de Outubro de 2010. A primeira exibição, é fácil de deduzir, foi feita para assinalar – e festejar – o centenário da implantação da república. E, agora, a repetição? Basta ver as datas: foi feita para assinalar – e festejar – mais um (o 103º) aniversário do Regicídio.
Esta decisão, de que o primeiro (ir)responsável é, obviamente, José Fragoso, actual director de programas da RTP 1, não é apenas uma provocação lamentável e de um mau gosto atroz; representa, antes de mais, uma nova demonstração da tese de que a República Portuguesa tem a sua causa principal num crime cruel – ou, dito de outros modos, que aquela não teria sido possível sem aquele, que aquela deu justificação e legitimidade àquele. Essa tese foi, aliás, exuberante e formalmente «ratificada» a 1 de Fevereiro de 2008 na Assembleia... da República, quando a «maioria de esquerda» reprovou um voto de pesar pela morte de Dom Carlos e de Dom Luís Filipe proposto pelo deputado Miguel Pignatelli Queiroz. Alberto Martins, que era então presidente do grupo parlamentar do partido socialista, não poderia ter sido mais eloquentemente transparente: a aprovação teria sido «um voto contra a república». Depreende-se que a exaltação de um atentado terrorista, de um duplo assassinato, terá contribuido decisivamente para que o líder da bancada do PS tenha sido promovido, após as eleições legislativas de 2009, a ministro... da Justiça!
Alberto Martins também afirmou na mesma ocasião que «não nos cabe a nós julgar as pessoas na História, fazer qualquer juízo moral sobre a História ou reescrever a História». Sim, (tentar) reescrever a História coube, não ao parlamento, mas sim à Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República. E, nessa tarefa de propaganda, a RTP tem funcionado como um autêntico braço («armado») audiovisual da Comissão. É verdade que, desde o seu início, a estação de televisão do Estado sempre funcionou, com maiores ou menores variações, como a «voz do dono» do poder... fosse ele qual fosse. Porém, depois do 25 de Abril de 1974 a subjugação aos interesses instalados nunca pareceu tão grande como desde que José Sócrates é primeiro ministro... e que começou a operação de «branquemento» da república a pretexto dos 100 anos do regime. «Branqueamento» esse que, na Avenida Marechal Gomes da Costa, tem sido feito de duas formas principais. Uma, a produção e exibição de «ficção» em que um dos «lados da barricada» é sistematicamente (mesmo que subtilmente) enaltecido e valorizado em relação ao outro. Outra, a discriminação e mesmo o afastamento dos monárquicos nos espaços de informação e de discussão – processo em que o ponto culminante foi atingido a 4 de Outubro de 2010, em que nas emissões daquele dia dos programas «Sociedade Civil» (este na RTP 2) e «Prós e Contras» não esteve sentado às mesas qualquer opositor declarado da república; parece que na televisão pública se «aprendeu» com experiências anteriores, em que convidados monárquicos, quando não venciam inequívoca e invariavelmente os debates em que participavam, pelo menos não deixavam de desmascarar mentiras e de revelar verdades «inconvenientes».
Não se está a afirmar que todos os trabalhadores e colaboradores da RTP sejam cúmplices activos das regulares manobras de manipulação que nela se concretizam – e que, em alguns momentos, quase colocam a televisão oficial portuguesa na mesma (falta de) «categoria» das suas congéneres chinesa e norte-coreana. No entanto, sem dúvida que aparecem como espectadores (ou será «espetadores»?) passivos da crescente degradação da empresa, onde a aplicação do «acordo ortográfico» constitui disso o sinal mais recente. Quantos são os que lá se sentem envergonhados ao verem no ecrã, constantemente, «direto» e «Egito», entre outras aberrações linguísticas? Quem cala... consente.
Público Nº 7659, 2011/3/27
Visite Octávio dos Santos(*) no seu blogue OCTANAS

(*) Nasci em Lisboa a 16 de Abril de 1965. Segui Sociologia no ISCTE, onde fui um dos alunos a concluir o primeiro seminário (especialização) em comunicação daquela licenciatura. Iniciei-me no jornalismo em 1985 no jornal regional Notícias de Alverca. Estive nas revistas TV Mais e África Hoje, e ao serviço das revistas Cyber.Net, Inter.Face e Comunicações fui distinguido em 1998, 1999 e 2000 pelo Prémio de Jornalismo Sociedade da Informação - galardão que voltei a ganhar em 2009. Colaborei também, entre outros, com A Capital, Blitz, Diário de Notícias, Diário Digital, Diário Económico, Expresso, Fórum Estudante, O Diabo, Público, Seara Nova, Semanário, Tempo e Vértice. «Visões» foi a minha primeira obra editada - em 2003 em livro e em 2005 em disco. Em 2004 iniciei um projecto para a recriação em computador da Ópera do Tejo (destruída em 1755). Em 2006 foi editado o meu segundo livro, escrito com Luís Ferreira Lopes: «Os Novos Descobrimentos». Em 2008 é editado «A República Nunca Existiu!», colectânea de contos, de que fui o criador, organizador e um dos 14 participantes. Em 2009 foram editados: «Espíritos das Luzes»; e «Poemas» de Alfred Tennyson, que traduzi.octanas.blog@gmail.com

S.A.R. O SENHOR DOM DUARTE ESTARÁ PRESENTE NA INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO "SANTA JOANA HAC HORA" NO MUSEU DE AVEIRO, SÁBADO, DIA 16 DE ABRIL PELAS 16 HORAS


INAUGURAÇÃO SERÁ PRECEDIDA DE ALMOÇO NO HOTEL IMPERIAL ORGANIZADO PELA REAL ASSOCIAÇÃO DA BEIRA LITORAL

Daremos, brevemente, detalhes (horário, preço, telefone para inscrições, etc) sobre esse almoço que será aberto a todos que queiram confraternizar com S.A.R. O Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança. 

Após o almoço, estão todos convidados para a Inauguração da Exposição, que é uma iniciativa do Dr. Paulo de Miranda Catarino, presidente da Assembleia Geral da Real Associação da Beira Litoral. O Comissário da Exposição é o também nosso associado Gaspar de Melo Albino, vice-presidente da Assembleia Geral da RABL.

TRIBUTO AO CAVALO LUSITANO

PORTUGAL É MUITO MAIS QUE ESTE REGIME E NÃO PODERÁ SUCUMBIR COM ELE

Vivemos com despesas muito acima dos nossos rendimentos.
Famílias e Estado.
Mais de uma década sem desenvolvimento económico e com a despesa pública sempre a aumentar.

Empréstimos bancários induziram e suportaram esta loucura.
As famílias vão à falência de uma forma discreta, mas dramática…só desde o princípio do ano declararam a sua insolvência em tribunal mais de mil famílias.
A comunicação social dá apenas destaque ao problema nacional…o Estado português segue o mesmo rumo de insolvência de muitas famílias de portugueses.
Sonhamos demasiado alto e os nossos governantes foram incapazes de terem o bom senso de travar sonhos inconsistentes.
A nossa dívida atinge hoje valores superiores a 100% do PIB…nunca na história de Portugal tivemos uma crise financeira tão grave e as anteriores deram origem a revoluções penosas.
O Estado Previdência, o Estado que tudo a todos, garantia…esta foi a ilusão que nos condenou…um Estado que absorve 50% da riqueza produzida e que ainda tem necessidade absoluta e permanente de recorrer ao crédito externo.
Um Estado despesista, que sufoca a economia e as famílias, que matem uma postura de novo riquismo, continuando a viver sem contenção e com atitudes inconcebíveis de parcerias público privadas, que são autênticos massacres às finanças públicas e bónus de Natal para algumas empresas privadas.
Não só não há qualquer coerência nesta situação, como não há qualquer proposta concreta para sair dela.
O Chefe de Estado pede desenvolvimento, através das exportações…como se não soubesse que o ambiente político, fiscal e jurídico, português impossibilita totalmente essa possibilidade.
Os Partidos políticos dividem-se na sua utopia.
Os auto apelidados de esquerda, que insistem no reforço do Estado como entidade dominante da vida das famílias e como promotor da economia…os outros, aqueles que têm ambições de poder, são incapazes de falar a verdade, tementes das consequências eleitorais.
Prisioneiros destas limitações, discutimos a austeridade que nos impõem os nossos credores.
Não se discute a essência da questão… a divida soberana e a estagnação económica.
As medidas que são propostas e impostas…a austeridade, os sacrifícios e a quebra de direitos, também os violentos e sucessivos aumentos de impostos, têm apenas o objectivo da continuação da saga do aumento do nosso endividamento e promovem a nossa estagnação económica.
Sacrifícios sem qualquer garantia de melhoria da situação portuguesa, pelo contrário com fortes probabilidades de nos levar para a bancarrota.
Irresponsabilidade total.
Não temos nenhum estadista á altura do grave momento que enfrentamos, talvez o mais dramático de toda a nossa história.
Não temos no actual espectro partidário nenhuma organização política, capaz de assumir uma atitude de responsabilidade e de verdade. Capaz de mobilizar a nação através de um plano consistente e coerente … um projecto de salvação nacional.
Os portugueses irão para eleições sem conhecerem a realidade da situação portuguesa…uma autêntica indução política à inconsciência colectiva. Uma fraude.
Perante esta situação exigia-se do Chefe de Estado duas atitudes.
1- Uma auditoria externa às contas públicas do Estado, pré eleitoral, para esclarecimento integral da situação e das responsabilidades;
2- Uma exigência aos partidos políticos para um acordo de regime e de emergência, que caso não fosse possível ou viável, justificaria um Governo de iniciativa presidencial.
Mas o Chefe de Estado, não tem esta envergadura… um reformado, dependente, fraco e também com muitas responsabilidades no cartório.
A mesquinhez tomou conta de Portugal, só pequenos homens conseguem sobreviver neste triste e pantanoso ambiente político, em que se deixou reduzir esta República.
Portugal é muito mais do que este regime e não poderá sucumbir com dele.
Um fraco rei, torna fraco um forte povo.
Está na altura de mudar de rei.
José J. Lima Monteiro Andrade.

LE PRINCE CHARLES RENCONTRE LE DUC ET LA DUCHESSE DE BRAGANCE

Au Palais de Montserrat à Sintra, le prince de Galles a rencontré le duc et la duchesse de Bragance. Dom Duarte et son épouse Isabel assistaient également au dîner donné par le Président Cavaco Silvo au Palais de Queluz.

 
Principe Carlos reuniu-se com o Duque e a Duquesa de Bragança
No Palácio de Montserrat, em Sintra, o Príncipe de Gales reuni-se com o Duque e a Duquesa de Bragança . Dom Duarte e sua esposa também participou no jantar oferecido pelo Presidente Cavaco Silva no Palácio de Queluz.
(Copyright photo : Getty images)


REAL AUTOMÓVEL CLUB DE PORTUGAL

Afundação do Real Automóvel Club de Portugal remonta ao dia 15 de Abrilde 1903, data em que foi aprovado o projecto dos respectivos Estatutose em que foram eleitos, por aclamação, os primeiros corpos gerentes.
OReal ACP, passaria a ter existência legal a 31 de Maio, aquando daaprovação dos seus Estatutos pelo Governador Civil de Lisboa, figurandocomo Presidente Honorário, S.M., El-Rei Dom Carlos, comoVice-Presidente Honorário, O Príncipe Real, Dom Luíz Filipe e comoPresidente Perpétuo da Assembleia Geral, S.A., O Infante Dom Afonso.
O emblema do Real ACP seria aprovado em sessão de 7 de Junho desse mesmo ano, apresentando a particularidade de ter sido desenhado pelo punho do próprio Rei Dom Carlos.
EmNovembro de 1907, por ocasião do Congresso da Associação Internacionaldos Automóveis Clubes reconhecidos, foi criada a Comissão DesportivaInternacional, ficando o Real ACP nela representada por um Delegado,posição que ainda hoje se mantém.
Em1908, em sinal de luto pelo assassinato do Rei Dom Carlos e do PríncipeDom Luiz Filipe, o Real ACP não realizou corridas nem concursos, masprosseguiu a sua acção no que se refere à luta em prol dos direitos dosautomobilistas. Durante o período que antecedeu a república, o Real ACPobteve ainda outros benefícios importantes, conseguindo que o Governomandasse reparar várias estradas e construir novos troços. (...)
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Impressionante!Mais um objecto e neste caso o emblema do Real Automóvel Club dePortugal desenhado pelo próprio Rei Dom Carlos, encontra-se paraleilão,: aqui

Junho de 1907, em Gouveia

Quandotudo se prepara já para a sua grande viagem a África, Dom Luiz Filipeaproveita para conduzir o automóvel, uma das Suas mais entusiásticaspaixões. A velocidade agradava-Lhe. Na foto tirada em Gouveia, OPríncipe Real tem a seu lado o 9º Visconde de Asseca, Salvador Correiade Sá e Benevides, Seu oficial às ordens.

Do livro, Família Real - Album de Fotografias, de Eduardo Nobre.

GERAÇÃO DA ESPERANÇA – OPINIÃO DE ARTUR OLIVEIRA

quarta-feira, 30 de março de 2011

HOJE: S.A.R. O SENHOR DOM DUARTE DE BRAGANÇA APRESENTA JACK SOIFER

Apresentação de “Como Sair da Crise - Baixo Tejo e Beiras”,”Como Sair da Crise - Centro”, “O Futuro do Turismo”. 31 de Março às 18h30 na FNAC Chiado

AMANHÃ: COLÓQUIO BERNARD LONERGAN “OS VALORES NÃO SÃO MENTIRA”

Por ocasião do lançamento em Portugal da obra “Insight – Um ensaio sobre o conhecimento humano, de Bernard Lonergan (1904-1984), “considerado por muitos intelectuais o mais sofisticado filósofo do séc. XX”, segundo a revista TIME, o CEFI da Universidade Católica Portuguesa promove, no dia 1 de Abril próximo, um Colóquio intitulado “Os valores não são mentira”, que se propõe aprofundar questões sobre a crise presente na perspectiva da Filosofia, da Economia e da Teologia. O evento será transmitido online, de forma a alcançar um público global.

TEXTO DE NICOLAU SANTOS PUBLICADO NA REVISTA “UP” DA TAP

Nicolau Santos
Eu conheço um país que em 30 anos passou de uma das piores taxas de mortalidade infantil (80 por mil) para a quarta mais baixa taxa a nível mundial (3 por mi.)

Que em oito anos construiu o segundo mais importante registo europeu de dadores de medula óssea, indispensável no combate às doenças leucémicas. Que é líder mundial no transplante de fígado e está em segundo lugar no transplante de rins.

Que é líder mundial na aplicação de implantes imediatos e próteses dentárias fixas para desdentados totais.

Eu conheço um país que tem uma empresa que desenvolveu um software para eliminação do papel enquanto suporte do registo clínico nos hospitais (Alert), outra que é uma das maiores empresas ibéricas na informatização de farmácias (Glint) e outra que inventou o primeiro antiepilético de raiz portuguesa (Bial).

Eu conheço um país que é líder mundial no sector da energia renovável e o quarto maior produtor de energia eólica do mundo, que também está a construir o maior plano de barragens (dez) a nível europeu (EDP).

Eu conheço um país que inventou e desenvolveu o primeiro sistema mundial de pagamentos pré-pagos para telemóveis (PT), que é líder mundial em software de identificação (NDrive), que tem uma empresa que corrige e detecta as falhas do sistema informático da Nasa (Critical) e que tem a melhor incubadora de empresas do mundo (Instituto Pedro Nunes da Universidade de Coimbra)

Eu conheço um país que calça cem milhões de pessoas em todo o mundo e que produz o segundo calçado mais caro a nível planetário, logo a seguir ao italiano. E que fabrica lençóis inovadores, com diferentes odores e propriedades anti-germes, onde dormem, por exemplo, 30 milhões de americanos.

Eu conheço um país que é o «state of art» nos moldes de plástico e líder mundial de tecnologia de transformadores de energia (Efacec) e que revolucionou o conceito do papel higiénico(Renova).

Eu conheço um país que tem um dos melhores sistemas de Multibanco a nível mundial e que desenvolveu um sistema inovador de pagar nas portagens das auto-estradas (Via Verde).

Eu conheço um país que revolucionou o sector da distribuição, que ganha prémios pela construção de centros comerciais noutros países (Sonae Sierra) e que lidera destacadíssimo o sector do «hard-discount» na Polónia (Jerónimo Martins).

Eu conheço um país que fabrica os fatos de banho que pulverizaram recordes nos Jogos Olímpicos de Pequim, que vestiu dez das selecções hípicas que estiveram nesses Jogos, que é o maior produtor mundial de caiaques para desporto, que tem uma das melhores selecções de futebol do mundo, o melhor treinador do planeta (José Mourinho) e um dos melhores jogadores (Cristiano Ronaldo).

Eu conheço um país que tem um Prémio Nobel da Literatura (José Saramago), uma das mais notáveis intérpretes de Mozart (Maria João Pires) e vários pintores e escultores reconhecidos internacionalmente (Paula Rego, Júlio Pomar, Maria Helena Vieira da Silva, João Cutileiro).

O leitor, possivelmente, não reconhece neste país aquele em que vive ou que se prepara para visitar. Este país é Portugal. Tem tudo o que está escrito acima, mais um sol maravilhoso, uma luz deslumbrante, praias fabulosas, óptima gastronomia. Bem-vindo a este país que não conhece: PORTUGAL.

Há que relembrar que nem tudo é mau. Que na escuridão que nos envolve reluzem estrelas inflamadas pelos "nossos valores de sempre". O que seria se conseguíssemos resgatar "a dignidade do Estado"...
VIVA O REI! VIVA PORTUGAL!
(Fonte: Página da "Causa Real" no Facebook)

ÉTICA REPUBLICANA VERSUS ÉTICA MONÁRQUICA

(…) Quando, por exemplo, o Ministério da Justiça paga 72.000 euros auma procuradora do Ministério Público contra o parecer da PGR e de umantigo secretário de Estado- o antecessor daquele que assinou-,levanta-se uma suspeita séria e legítima. Se a procuradora em causafosse a mulher de um ministro japonês, este demitia-se imediatamente.Sendo a mulher do ministro português da Justiça abre-se um inquérito, oqual há-de apurar certamente que tudo se passou dentro da mais estritalegalidade.

É a isto que se chama ética republicana, muito diferente da ética no Japão que, como se sabe, é uma monarquia.

- Fernando Madrinha, no Expresso do passado sábado.

DESCOBERTO NA AUSTRIA QUADRO DE D. SEBASTIÃO PERDIDO HÁ 400 ANOS

O Museu Rietberg, em Zurique, Suíça, inaugura amanhã a exposição "Marfins Cingaleses do Século XVI", que tem em destaque uma tela com um retrato inédito de D. Sebastião, da autoria de Alonso Sanchez Coello, pintada na corte portuguesa em 15...62 e cujo paradeiro era ignorado desde há quatro séculos.

Na verdade, a obra estava na Áustria, no castelo Schonberg, mas erradamente identificada com um nobre austríaco. 

Em simultâneo, serão mostrados na exposição dois outros quadros da mesma época, que retratam a rua Nova dos Mercadores de uma Lisboa pré-pombalina. As duas telas foram encontradas numa casa senhorial inglesa e não estavam identificadas com ...Lisboa.

Todos os quadros foram restaurados e limpos a expensas do Museu Rietberg e foi a partir dessa operação que se tornou possível a sua identificação.

Numa das salas do museu foi reconstituída a estrutura do casco de uma caravela portuguesa. No interior, serão expostas peças de marfim e projetadas imagens dos dois elefantes levados para Lisboa e depois para Viena.
 No geral, a mostra de Zurique reúne peças de marfim esculpidas em Ceilão em meados do século XVI. Na sua grande maioria pertenceram ao acervo de Catarina de Áustria, rainha de Portugal entre 1525 e 1578.

Em 1506 o...s portugueses chegaram a Ceilão, hoje Sri Lanka, e estabeleceram relações comerciais muito fortes com o reino de Kotte no sul de Ceilão. A partir desse encontro passaram a chegar à Europa produtos tão ricos e diversificados como elefantes, madeiras preciosas, especiarias ou pedras de âmbar. Um exemplo particularmente fascinante desse negócio estabelecido é proporcionado pelos ricos marfins pertencentes à colecção de Catarina de Áustria e que constituem um dos destaques da exposição.

Os marfins agora exibidos em Zurique eram parte de ofertas diplomáticas à corte de Lisboa e não só revelam as capacidades artísticas dos homens que trabalhavam este material em Kotte, como testemunham as invulgares relações políticas e culturais existentes à época entre Portugal e Ceilão. De alguma forma constituem, também, uma demonstração da grandeza e do poder da corte portuguesa e de Portugal como potência marítima, que tinha o seu centro asiático estabelecido em Goa.

Por outro lado recordam-nos o dinamismo daquele que foi o primeiro país da Ásia a ter uma embaixada na Europa. Em 1542, o primeiro embaixador de Ceilão, Sri Radaraska Pândita, um religioso de Kotte, chegava a Lisboa para assim materializar as excelentes relações existentes entre os dois países.

Algumas das peças foram cedidas por colecções privadas e nunca foram antes expostas ao público.

A mostra inclui ainda obras pertencentes a mais de 30 museus de várias partes do mundo e tem o apoio do Estado português através do Instituto Camões.

Fonte: Jornal Expresso

APELO – REFLEXÃO 2001

Como país quase milenário que somos, os momentos difíceis que Portugal atravessa não podem impedir o optimismo com que todos devemos encarar onosso  futuro colectivo. Neste momento Portugal passa uma hora grave edifícil, mas que  pode  também tornar-se uma hora de esperança.

Estamos em vésperas de uma eleição do Chefe de Estado. AConstituição  caracteriza o cargo de Presidente da República como o derepresentante de todos  os Portugueses, atribuindo-lhe as funções degarantir a independência nacional,  a unidade do estado, o regularfuncionamento das instituições democráticas e um  papel moderador nosconflitos sociais ou de natureza político-partidária.

Ele será, em teoria, “presidente de todos os portugueses”. Mas aeleição  presidencial depende – como todos bem sabemos – dos partidospolíticos que  escolhem ou apoiam o candidato e de grupos de interessesque viabilizam  financeiramente a respectiva campanha eleitoral. Háaqui contradições insanáveis  que mesmo uma grande personalidade apenassuperaria   transitoriamente, dado  tratar-se de um vício do sistema.

Um olhar para o século que se fecha e para o milénio que se iniciamostra que  ao Chefe de Estado de Portugal se exige mais independênciado que aquela que a  natureza do actual regime de Chefia de Estadoproporciona – e mais visão  estratégica do que a revelada pelo debatede ideias dos actuais candidatos à  Presidência.

As transformações político-sociais em curso e os fenómenos inerentesà  globalização e massificação, cada vez mais exigem uma valorizaçãodos factores  locais, comunitários e ecológicos que, no caso portuguêse ao longo dos séculos,  consolidaram a Nação e conformaram o nossoterritório. A recente Cimeira  Europeia de Nice, na sequência doTratado de Amsterdão, veio uma vez mais  comprovar que a Europa normalé a que resulta das negociações  intergovernamentais entre Estadossoberanos, deixando para segundo plano as  instâncias comunitárias.

O prestígio próprio e institucional do Chefe de Estado e aidentificação  espontânea e afectiva entre a comunidade e o seu representante máximo são cada  vez mais indispensáveis para oreconhecimento externo e para a vitalidade  interna do Povo europeu elusófono que somos.

Nestas circunstâncias, é necessário e legítimo que os portuguesesse  interroguem sobre se a Chefia do Estado deve apenas depender, comoa actual  Constituição estabelece, de um acto eleitoral cada vez maisartificial e  divorciado da Nação – ou se, pelo contrário, deveráprocessar-se mediante uma  escolha que seja simultaneamente ética,cultural e histórica, legitimada por consenso popular e assente na sualigação às raízes de Portugal.

É evidente que, na sua maioria, os portugueses não são nemmonárquicos nem  republicanos. Mas, chamados a debate, querem “o bem darepública” (no sentido  clássico do bem comum) e convidados à reflexãoreconhecem que a Instituição Real  que observam noutros Estadoseuropeus é a melhor garantia de equidistância  perante as demaisinstituições públicas. Com efeito, o Chefe de Estado Real  emana daNação e não de grupos de interesse.

Não é sensato que o país continue a desperdiçar esse tesouro queoutros povos  souberam preservar: a independência e a dignidadeinstitucional do Chefe do  Estado por meio das instituiçõesmonárquicas. O monarca tem, de facto, condições  para promover comeficácia e isenção a solidariedade nacional e a independência  do poderjudicial e das Forças Armadas, bem como para projectar a nossa representação externa com prestígio e continuidade.

Por isso, no contexto da presente campanha presidencial – quedeveria ser uma  hora de verdade sobre as grandes orientações da vidapública nacional, -  lançamos um apelo: que se promovam as condiçõesdemocraticamente requeridas para  uma transição de regime na Chefia deEstado. Dom Duarte de Bragança pode, como  ninguém, servir Portugalnesse cargo. As  circunstâncias ditarão os  procedimentos.

Em qualquer circunstância, geracional ou constitucional, alegitimidade  democrática estará sempre nas mãos do Povo  português. Ointeresse do País deve  sobrepor-se ao interesse das facções e aoimobilismo dos preconceitos. É esta a  nossa reflexão e apelo no iníciodo novo milénio.

Viva a Democracia! Viva o Rei! Viva Portugal!

Este Apelo 2001 é uma iniciativa proposta à subscrição dePortugueses que o desejem e concordem com os seus termos. Ossubscritores serão, no futuro próximo, convidados a participarem emnovas iniciativas de intervenção política  em ambiente de independênciapartidária. Os aderentes aceitam que os seus nomes  sejam incluídos nadivulgação que será feita deste  documento na comunicação social ouinternet.

São primeiros subscritores:

Gonçalo Ribeiro Telles,
Henrique Barrilaro Ruas,
Mendo Castro Henriques,
Luís Filipe Coimbra,
Bento Morais Sarmento,
José Adelino Maltez.

Fonte Unica Semper Avis

AMANHÃ: ALMOÇO DA REAL TERTÚLIA TAUROMÁQUICA D. MIGUEL I

Após uma ausência de três meses em terras do Brasil, Manuel Andrade Guerra, presidente do Directório da Real Tertúlia Tauromáquica D. Miguel I, acaba de convocar todos os contertulianos para um almoço de convívio informal, festejando a Primavera, no próximo dia 1 de Abril, sexta-feira, no restaurante/cervejaria "Solmar" em Lisboa, no qual, sugere o jornalista, "procuraremos, com a boa disposição habitual, esquecer por umas horas a triste situação do País que amamos, saboreando uma almoçarada ainda a preço antigo!". Vamos nisso!

terça-feira, 29 de março de 2011

"NÃO ERA BONITO PORTUGAL TER UM REI?"

Eugénia Carvalho
100 anos

«DELICADA.Nunca perde de mão o lencinho com que seca o suor nervoso de falar coma jornalista. Ri-se muito entre o solta e o tímida. Mulher de fé, erauma operária (...). Não passa sem o seu copo de água morna com limão emjejum e assume-se monárquica: "Não era bonito Portugal ter um rei?"
(...)
EugéniaCarvalho também encontrou o seu porto seguro na casa acolhedora quedivide com a filha, septuagenária. Tem cem anos e quatro meses e diz arir que está "cada vez mais nova!" Amigas, mãe e filha tratam-se portu. Nasceu em Celorico de Bastos, perdeu o pai tinha 18 meses. A mãemorreu com 89 anos. "Muito caprichosa com o trabalho doméstico",recorda que cantava quando tratava de tudo. Em menina, não lembra debrincar, mas "de aprender a costura". Namorou por carta e garante quenunca discutiu com o marido. Teve três filhos, em casa, um já faleceu.Tem 10 netos e 15 bisnetos, o mais pequenino com sete meses.
Trabalhoucomo costureira, fazia roupa de homem para as lojas. Sempre comeu detudo, nunca fez nenhum exercício especial, para além da lida domésticae da luta da vida. Os filhos nasceram em casa. Nunca foi ao médico,quando era nova. Comeu sempre muito arroz porque o marido gostava.Também nunca faltou "a sopinha de legumes". Dorme no primeiro andar esobe as escadas sozinha. Só não vai à igreja todos os dias porque nãotem boleia. Assume-se monárquica, embora tenha nascido no dia daimplantação da República. E diz: "Estou feliz, não tenho queixas. Vivisempre satisfeita."»

in Revista Única, 12/03/2011, págs. 55-56 (artigo: Eles estão para lá dos 100!).

COLÓQUIO BERNARD LONERGAN “OS VALORES NÃO SÃO MENTIRA"


Porocasião do lançamento em Portugal da obra “Insight – Um ensaio sobre oconhecimento humano, de Bernard Lonergan (1904-1984), “considerado pormuitos intelectuais o mais sofisticado filósofo do séc. XX”, segundo arevista TIME, o CEFI da Universidade Católica Portuguesa promove, nodia 1 de Abril próximo, um Colóquio intitulado “Os valores não sãomentira”, que se propõe aprofundar questões sobre a crise presente naperspectiva da Filosofia, da Economia e da Teologia. O evento serátransmitido online, de forma a alcançar um público global.
 
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A MULHER RURAL NUM MODELO DE AGRICULTURA FAMILIAR


Jornal “Diário do Minho” de 21 de Março de 2011, pág. 23

A mulher rural num modelo de agricultura familiar

Ossinais de pobreza em Portugal estão muito associados ao mundo rural,onde existe uma privação de indicadores mínimos de conforto, onde osrendimentos são insuficientes em virtude da população rural possuirmuito baixos níveis de qualificação profissional e onde são visíveisoutros fenómenos de exclusão social associados aos movimentosmigratórios da população rural, ao envelhecimento da mesma, às difíceiscondições de concorrência do mercado cada vez mais competitivo esubjugado à disciplina comunitária, aos efeitos nefastos da politica desubsídios ao sector, à redução da produção num país, que vive à mercêde alimentos alheios, ao consumo desenfreado de recursos naturais paracrescimento urbano e à concentração urbana e suburbana, onde temcrescido novos grupos de risco de pobreza e exclusão social.
Quandose fala em agricultura, facilmente afiguramos uma mulher com umsemblante enrijecido pelo tempo, uma enxada gasta e apurada na mão euma criança polvilhada de terra e queimada pelo sol.
Aactualidade mostra-nos que esta imagem não está longe do que era há 50anos atrás, onde uma forte persistência de uma economia camponesa,baseada na família, na pequena propriedade, nas técnicas rudimentares esujeita a flutuações agravadas pelos maus anos agrícolas e pela elevadatendência de crescimento da taxa de natalidade, onde a emigraçãoconstituía um fenómeno social de compensação a uma economia deficitáriae onde o principal destino dos movimentos migratórios era a Europa,resultaram na partida dos homens e na permanência das mulheres.
Esteprocesso de “feminização” da agricultura iniciou-se na década de 80,onde a actividade agrícola assumia um cariz secundário, marginal e atédesprestigiante. A mulher substituía a mão-de-obra masculina, desviadapara outros sectores de actividade, através de uma sobrecarga detrabalho, dado que era a ela, que ficavam entregues o trabalho doscampos e os animais, para além do trabalho doméstico, dos filhos emuitas vezes dos familiares mais idosos.
Sãoestas mulheres que por questões de ordem social e económica, viram naagricultura uma forma de enfrentar despesas, afastando-se por isso, daescola e do ensino e colocando de lado sonhos e ambições. Tendo sidoesta fragilidade educativa e a ausência de infra-estruturas sociais eeconómicas - saneamento básico, creches, escolas, transporte públicos,centros de saúde, apoios sociais e técnicos -, na maioria dos casos, umfactor imediato para o débil desenvolvimento da actividade agrícolaenquanto negócio e para muitas das situações de pobreza e exclusãosocial da “mulher rural”.
Aentrada de Portugal na Comunidade Europeia e a consequente abertura dasfronteiras à livre circulação de pessoas, mercadorias e bens, ainstituição da PAC (Política Agrícola Comum), a desertificação dasaldeias do interior do país, resultado da emigração para outros paísese o êxodo para as grandes cidades à procura de melhores condições devida, o envelhecimento da população agrícola, activou o esgotamento domodelo de agricultura familiar tendo este deixado de ser, por si só, ummeio de subsistência para muitas famílias portuguesas.
Como início do novo milénio, e por isso mesmo, convictos de novosdesafios, damos conta, afinal, de que a vida em meio rural ainda estáviva e é maioritariamente feminina, e que o modelo de produção familiaré a única agricultura que mata a fome, garante a soberaniaalimentar, evita o êxodo rural para as cidades, que estão a tornar-seinabitáveis, e protege a harmonia essencial com a natureza.
Chegamosentão ao momento de entendermos que estamos perante um novo paradigmade ruralidade, assente numa agricultura de produção e conservação,articulada com uma nova contextualização sócio-educativa, de “regressoà terra” ou à agricultura familiar, como alternativa aos caos social eeconómico da sociedade imperante e como meio de produção para a famíliae para a própria localidade, contribuindo, também, para odesenvolvimento nacional e a sustentabilidade humana.
Ser“mulher rural” não é, nem nunca foi fácil, por isso merecem elogio,admiração e muito respeito, por isso revigoro a ideia de que A MELHOR SUSTENTABILIDADE NO MUNDO É AQUELA QUE A MULHER OFERECE À HUMANIDADE ATRAVÉS DOS FILHOS QUE A IMORTALIZAM.
(fonte: Boaventura Sousa Santos)
Sílvia Oliveira
(Deputada Municipal do PPM)

SS.AA.RR. OS SENHORES DUQUES DE BRAGANÇA PRESENTES NO BANQUETE EM HONRA DO PRÍNCIPE DE GALES E DA DUQUESA DA CORNUALHA, NO PALÁCIO DE QUELUZ


segunda-feira, 28 de março de 2011

A LIÇÃO DE UM REI

E os republicanos acusaram o rei de não se preocupar com os problemas do país!...

Em 1892 o rei D. Carlos doou 20% (!) da sua dotação anual para ajudar o Estado e o País a sair da crise criada pelo rotativismo dos partidos (nada de novo, portanto).

Se calhar foi por isso que, mais tarde, o haviam de matar. Não se pode consentir que alguém dê, num país onde é costume tirar...

o melhor, se calhar, é ter cuidado...

Quando é que um republicano fez o mesmo ou algo parecido?

DECLARAÇÕES DE S.M. DOM CARLOS I AO JORNAL "LE TEMPS" EM 11 DE NOVEMBRO DE 1907

Rei Dom Carlos em 1907
 DECLARAÇÕES DE DOM CARLOS I

Declaraçõesprestadas por Dom Carlos ao Jornal de Paris Le Temps em 11 de Novembrode 1907 e publicadas em 14 de Novembro, sobre o governo de João Francoe os seus objectivos políticos.

Aentrevista dada por Dom Carlos ao jornal Le Temps em Novembro de 1907foi explosiva. A situação política portuguesa era vista na Europa comoperigosa. Acompanhada pelos graves problemas financeiros portugueses -o célebre deficit - que permitiam todos os cenários sobre as colóniasportuguesas, parecia que uma mudança de regime podia estar também naordem do dia.

Avinda a Lisboa do redactor principal do mais importante jornal francês,para relatar a situação e entrevistar o «ditador», como o jornalista ochamou, mostrava a importância do assunto. A entrevista a João Franco,em 3 de Novembro, não parece ter sossegado o jornalista. O problemafundamental era saber se João Franco se manteria na direcção doMinistério e se conseguiria manter o apoio do Rei, da Família Real, quese sabia não ser clara, e, note-se bem, do exército. A possibilidade deintervenção do exército contra o Rei e o seu Presidente do Conselho deMinistros era tão preocupante que a pergunta foi feita aos doisgovernantes e respondida por ambos da mesma maneira, declarando a sualealdade, mas sem nunca se falar da sua «opinião». Para responder atudo isto era preciso uma resposta clara do Rei. João Franco conseguiuque Galtier a obtivesse.

Aentrevista ficou célebre pela palavra que Dom Carlos proferiu sobre anecessidade de «carácter» do político que o Rei andava à procura paralhe entregar a governação do país. De acordo com as declarações do Reipareceu que João Franco o tinha e os outros políticos portugueses não.Como João Chagas, jornalista e político republicano, declarou a palavraimplicava que o Rei governava “contra todos os partidos e homens que oserviram.” Isto é, desde 1889, data da sua ascensão ao trono.

ORei, é claro, não queria dizer nada disso, mas ter aceite que a palavrafosse publicada, ou melhor, que João Franco, que ficou encarregue deverificar a versão a publicar, como ainda hoje é absolutamente normal,não tenha percebido que a palavra ia tornar-se uma bomba, foiinaceitável. Terá sido de propósito? Há contemporâneos que o afirmam e,de facto, a entrevista de João Franco não os desmente, quando nelaataca sistematicamente os seus pares. De facto, a afirmação do Reiparece vir no seguimento das declarações de João Franco sobre a faltade lealdade dos seus adversários.

Mas o mais grave da entrevista, de facto, não foi o problema do «carácter» dos políticos portugueses.

Oque assustou e preocupou realmente a classe política portuguesa foi oRei, pela primeira vez, desde o início do regime liberal, ter afirmadoser ele quem governava directamente («para conseguir realizar as minhasideias», «trabalhamos juntos»), e mesmo enquanto chefe de partido(«vamos certamente ter a maioria»).

Istosim, era inaceitável para os políticos liberais portugueses,possivelmente mesmo para os políticos monárquicos da Europa Ocidental.Era uma modificação sensível da tradição política portuguesa. De facto,não se governava «à inglesa» - a intenção expressa pelo presidente doConselho - com um Monarca dirigindo pessoalmente os «conselhos daCoroa». E foi sobretudo contra este programa político do Rei,apresentado na entrevista, que a maioria dos dirigentes políticos seinsurgiu. E ninguém o apoiou publicamente, mesmo no PartidoRegenerador-Liberal, no poder. De facto, a «gaffe» era enorme eindefensável.

Aentrevista que, parece, tinha em vista assegurar aos «mercadosfinanceiros» e às grandes potências a estabilidade governamental(«pretendo mantê-lo», «estou muito satisfeito com ele.») e a lutacontra o deficit («vamos restaurar o equilíbrio orçamental e acabaremoscom o défice») levou ao aumento da luta política, e à tentativa degolpe de Estado patrocinada pelos progressistas dissidentes e osrepublicanos em Janeiro de 1908, e, devido às medidas repressivaspreparadas pelo governo, finalmente, à morte do Rei, em Fevereiro.

Um drama que, segundo a célebre frase de Karl Marx, se for repetido será como comédia...
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«Precisava de uma vontade sem vacilação para conseguir realizar as minhas ideias»

VISITA A PORTUGAL
Declarações de S. M. Dom Carlos I
Lisboa, 11 de Novembro
É evidente que o Sr. João Franco1só permanece no poder por vontade do Rei. Até quando e em que medida éque esta confiança se manterá? Tenho ouvido muitas vezes dizer emLisboa que Dom Carlos I tinha mostrado o seu cansaço e o desejo deacabar com a ditadura. Concluindo-se que daqui a pouco tempo o novodirigente dos regeneradores, o Sr. Júlio de Vilhena2, – escolhido em 12 de Novembro para substituir o falecido Sr. Hintze Ribeiro –, seria chamado a formar um Gabinete.

Certamente,no círculo próximo do Rei, na própria Família Real, o Sr. João Francoconta, se não com inimigos, pelo menos com adversários declarados. ARainha-Mãe Dona Maria Pia, por exemplo, segundo se diz, não perdoa aoPrimeiro-Ministro ter humilhado a Casa de Bragança na questão dosadiantamentos3 e de a ter colocado, a Mãe do Rei, numa situação financeira difícil. O Rei partilhará os sentimentos da Senhora Dona Maria Pia?

SóEle pode responder a esta pergunta. Mas, como colocá-la? Como é quealguém se pode permitir pensar que, numa audiência com o Rei, osgrandes problemas não serão interditos? Quando soube que Dom Carlosestava disposto a receber-me4,tentei encontrar maneira de passar das fórmulas de gentileza e cortesiapara a questão política. Não descobri nenhuma maneira, e quando apanheide novo o comboio para Cascais, confiei o meu destino aos caprichososdeuses do acaso.

A Cidadela5, a residência da corte, é um conjunto de prédios baixos, alojamentos, depósitos, casa do Rei6,cercadas por uma parede que lembra as construções maciças de Windsor. Acasa do Rei não é nada majestosa e é baixa, as salas de tecto baixo.Levado por um camareiro, fui levado ao primeiro andar, a um quartogrande e luminoso, com vista para o mar. O centro está ocupado por umagrande mesa, cheia de livros e de papéis. Painéis de madeira e deazulejos cobrem as paredes, uma lareira em madeira clara esculpida estácolocada entre duas janelas amplas com vista para a baía de Cascais. ORei, diante da mesa, recebe-me com simplicidade e um sorriso. Vem tercomigo e leva-me para uma das grandes janelas.

Calçadocom botins amarelos e polainas curtas de couro, veste calças verdes,como “épinards à la creme”, e um casaco azul-escuro. É o traje paraabrir um parlamento de caçadores ou de atiradores aos pombos. A gravataroxa tem um alfinete com uma pedra-da-lua rodeada de brilhantes. DomCarlos fuma um enorme charuto. Fala o francês sem sotaque e com umafacilidade notável.

Estavaa tentar encontrar uma maneira de fazer a mudança de assunto. O Reiencontrou-a, suprimindo-a. Desde as primeiras palavras, senti que SuaMajestade queria entrar no tema cadente da actualidade. Não há dúvidaque quis, intencionalmente, prestar declarações ao Le Temps7 que considera úteis ao país. Eu relato-as exactamente de acordo com a sua concisão e importância.

«Seique o senhor já viu muita gente. E que teve muitas conversas. Conhece oproblema. Tem de perceber que tudo está calmo em Lisboa, como no País.Só os políticos estão agitados, e têm razão para estar, de acordo com oseu ponto de vista, acrescentou o Rei, sorrindo. Discute-se muito,fazem muito barulho, assim como na Câmara.»

“Nosúltimos dias da Legislatura, a situação tornou-se impossível. Eranecessário que a «bagunça», não há outra palavra, acabasse. Não podiadurar. Não sei para onde íamos. Foi então que dei ao Sr. Franco meiosde governar. Fala-se da sua ditadura, mas os outros partidos, aquelesque mais gritam, também me pediram uma ditadura. Para lha conceder,exigi garantias de firmeza8.Precisava de uma vontade sem vacilação para conseguir realizar asminhas ideias. O Sr. Franco foi o homem que eu desejava. Há muito tempoque o tinha em vista. No momento oportuno, chamei-o. O que faz a forçadele é que tem fé nele próprio, na sua estrela, e, nas horas de crise,essa confiança é uma ajuda preciosa. A sua inteligência iguala a suavontade; “é mais esperto do que se pensa."

“Estamosde acordo, plenamente de acordo. Trabalhamos juntos. Tem toda a minhaconfiança. Ao contrário do que pensam ser as minhas intenções, pretendomantê-lo. Estou muito satisfeito com ele." «Está a ir muito bem.» Istovai durar, é preciso que dure no interesse nacional. Faremos eleiçõesquando for tempo, sem obedecer às coacções, às intimações que nosdirigem. Vamos certamente ter a maioria. O país aprovará a política doSr. Franco. Vamos restaurar o equilíbrio orçamental e acabaremos com odéfice.»

Emtodos os países, para fazer uma revolução, tem que se ter o exércitoconsigo. No entanto, o Exército Português está sujeito à Constituição eé fiel ao seu Rei. Lealmente, ficará ao meu lado. A maioria dosoficiais são meus camaradas Servi com eles, conhecem-me. Não tenho amenor dúvida sobre a sua devoção.

"Tudoo que empreendi, o que eu estou a fazer hoje em dia é do interesse domeu país. Certamente que (o Rei sorri) preferia «que me deixassemtranquilo.» Mas continuo no meu posto.

"Conheçoo meu país, conheço bem o tabuleiro eleitoral, há dezoito anos que aquiestou. Portugal precisa de calma; trabalha e pede que a ordem e a pazsejam preservadas. Dou-me conta, onde quer que vá, que o meu povo estácomigo. Quando as eleições nos derem uma maioria forte e a“normalidade" for restabelecida, o remédio extraordinário, que acheinecessário para uma situação extraordinária, não terá mais razão deser. Nunca me esqueci, um momento que fosse, quais são os meus deverespara com a minha coroa e o meu querido país.»

Oque me impressionou foi a facilidade e a clareza com que o Rei me falouda situação política. Acho desnecessário acrescentar, dado o modo eforma da sua intervenção, que Dom Carlos I me autorizou, convidou-memesmo, a publicar as suas palavras. Não relatei os detalhes e osdesvios à conversa, que sendo provavelmente pitorescos ou picantes,teriam tirado o carácter que deve manter uma declaração rápida esóbria, que reafirma e esclarece as intenções do Rei.
Joseph Galtier
Le Temps, Quinta-feira 14 de Novembro de 1907.
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1.JoãoFerreira Franco Pinto Castelo Branco (1855-1929). Formou governo emMaio de 1906 enquanto dirigente do novo Partido Regenerador-Liberal ecom o apoio do Partido Progressista. As medidas reformistas quepromoveu tiveram a oposição de vários sectores da sociedade queprovocaram a saída do governo dos ministros progressistas. A partirdesse momento em minoria na Câmara dos Deputados, teve de ter o apoiodo Rei Dom Carlos para continuar a governar, já que passou a governar“em ditadura”, isto é, não só legislando sem as Câmaras estaremreunidas, mas por meio de decretos que necessitam somente da aprovaçãodos tribunais.
2.JúlioMarques de Vilhena (1845-1928). Deputado, ministro e governador doBanco de Portugal, dirigiu o Partido Regenerador a seguir à morte deHintze Ribeiro em Agosto de 1907. Nunca presidiu um governo.
3.Discutidosem Novembro de 1906, João Franco apresentou na Câmara dos Deputados osdocumentos que mostravam os adiantamentos que o Estado tinha feito àCasa Real por conta da Lista Civil. Os últimos adiantamentos tinhamservido para pagar as obras de iluminação dos palácios reais, masserviram à oposição progressista e aos republicanos como arma dedesgaste político do Rei. João Franco acabou com o problema por meio deum encontro de contas e do aumento de dotação da Lista. Mas fê-lo emDitadura, não tendo o apoio expresso da classe política para o fazer, oque aumentou o desconforto da Família Real.
4.Aentrevista foi apoiada por João Franco que tinha sido entrevistadopreviamente pelo Le Temps em 3 de Novembro, sendo a entrevistapublicada no jornal do dia 12, por isso no dia seguinte à entrevistadada pelo Rei.
5.ACidadela de Cascais foi utilizada durante os meses de Setembro eOutubro como residência de férias da Família Real a partir de 1871.
6.A antiga residência do governador da fortaleza que Dom Luís adoptou a residência de férias em 1870.
7.Ojornal diário Le Temps foi criado em 1861 por um jornalista francêsliberal e protestante, aproveitando a liberalização do regime imperialde Napoleão III iniciado em Dezembro de 1860, até essa época, umaditadura militar como a criada pelo seu tio, o primeiro Napoleão.Tornou-se o mais importante jornal francês durante a Terceira República(1870-1940). Deixou de se publicar em 1942, devido à falta de papel naFrança ocupada pelo Exército Alemão. Acusado de colaboração com oocupante, em 1944 a redacção será ocupada e o material de impressãorequisitado, dando origem ao Le Monde, criado por um antigo jornalistado Le Temps, Hubert Beuve-Méry, que manteve o aspecto gráfico do antigojornal.
8."Caractère"no texto francês. Foi uma das palavras mais discutidas da entrevista. Oque queria o Rei dizer com esta palavra? Que os dirigentes políticosportugueses não tinham carácter? Provavelmente não. O termo francêsimplica mais coragem e firmeza do que personalidade. A frase seguinteparece claramente apontar para a primeira versão, quando fala de«vontade sem vacilação».
Fonte: Le Temps, Quinta-feira 14 de Novembro de 1907.

UM EMPREGO HISTÓRICO PARA D. MANUEL II, REI DESTRONADO

COISAS NOCIVAS À CAUSA MONÁRQUICA

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No processo das evoluções humanas,muitos costumes foram descartados e substituídos por práticas e visõesmais justas, e no campo da religião isto se verificou diversas vezes.

Entretanto, sempre houve os altos ebaixos, e muitas distorções ocorreram. Enquanto os espanhóis ocupavam oImpério Azteca, imponto o Catolicismo e proibindo os sacrifícioshumanos (costume que não justifico), na Europa, sobretudo na própriaEspanha, luziam as fogueiras da “santa” inquisição, espalhando naspraças públicas o cheiro da carne queimada dos “hereges”, muitos dosquais eram católicos fidelíssimos (lembremos Savonarola e GiordanoBruno), que, por terem-se rebelado contra certos excessos da Igreja ousimplesmente por causa de intrigas desonestas, eram condenados à mortepelo fogo.

Será que isso é muito diferente dossacrifícios ritualísticos que os povos centro-americanos aindapraticavam? Não eram as fogueiras do “santo ofício” uma forma européia– e pseudo- cristã – de manter vivo o sacrifício ritual primitivo,justificando hipocritamente essa barbárie como uma “purificação daalma”?

Há que se fazer a devida distinçãoentre o sentido original da palavra Cristianismo (a mensagem doChristos, o Ungido, o Príncipe da Paz) e a forma deformada e farisaicacom que o catolicismo corrompido o caracterizou.

Em meio aos debates dos gruposMonarquistas pela Internet, está havendo, por parte de algunsparticipantes, uma postura reacionária que idealiza o mundo “cristão”,europeu e ocidental como se fosse a nata da humanidade. Há comentáriosque parecem ter sido escritos por pessoas que adormeceram no front dasCruzadas e despertaram no limiar do Século XXI, ainda com o ardordaqueles tempos medievos…

Tais comentários, além de insensatos,são prejudiciais à Causa Monárquica, primeiro porque propõem coisasanacrônicas, primitivas e felizmente irrealizáveis em nossos dias;segundo porque espantam os simpatizantes, embargando novas adesões edificultando (senão impossibilitando) a realização da grande meta que éa Restauração do Império do Brasil.

Os leigos, os neófitos que seinteressam pela Monarquia embarcam num de nossos grupos de discussão edeparam com convites ao fundamentalismo, ao fanatismo religioso, àexclusão humana, e logo a imagem da Monarquia toma, perante eles, aforma desenhada pelo preconceito antimonárquico, isto é, a da coisamais retrógrada e estapafúrdia em termos de política.

Ante a visão de um novato, a impressãoque mais grava é a negativa. Conquanto que haja muitos comentáriossensatos, a mensagem fanática prende mais a atenção, reforçada pelopreconceito já existente, e os possíveis novos Monarquistas debandam.

É preciso refletir sobre isto.

Publicado por Rui Monteiro no blogue "Causa Monárquica"

domingo, 27 de março de 2011

O IMPÉRIO PORTUGUÊS FOI O PRIMEIRO IMPÉRIO GLOBAL

"ImpérioPortuguês" é a designação comum dada ao conjunto dos territóriosultramarinos ocupados e administrados por Portugal a partir do inícioséculo XV até ao século XX. O termo "Império Português", no entanto,nunca foi usado oficialmente. A designação oficial mais utilizada parao conjunto dos territórios ultramarinos portugueses foi simplesmente"Ultramar Português". Já a designação "Império Colonial Português" foioficial, mas apenas durante um breve período, de 1930 a 1951. O ImpérioPortuguês foi o primeiro império global da história, com um conjunto deterritórios repartidos por cinco continentes sob soberania portuguesa,resultado das explorações realizadas na Era dos descobrimentos. Foi omais duradouro dos impérios coloniais europeus modernos, já que apresença portuguesa fora da Europa abrangeu quase seis séculos. Foigovernado pela Casa de Avis por cerca de cento e cinquenta anos, depoispor sessenta anos, pela Casa de Habsburgo, posteriormente pela Casa deBragança por trezentos anos, e a partir de 1910 foi governado pelaRepública Portuguesa. Convenciona-se o início do Império como sendo aconquista de Ceuta em 1415. Já o final do Império, consoante o critérioutilizado, pode ser considerado o ano de 1975 - independência da maiorparte dos territórios -, o ano 1999 - fim da administração portuguesade Macau, o último território ultramarino ainda administrado de factopor Portugal - ou o ano de 2002 - data da independência de Timor-Leste,último território ultramarino considerado de jure sob soberania portuguesa. (fonte wikipedia).
Publicado por Mário Neves in "Fidelíssimo"

QUAL O PROGRAMA MONÁRQUICO?

Insistentemente interroga-se de vários lados, até de onde menos seria de prever, sobre o programa político, económico e social da Monarquia. Pede-se a modos que a redacção de um estatuto constitucional a adoptar numa futura Restauração.

Isto revela um grande equívoco que é necessário desfazer.

O que caracteriza a forma política monárquica é confiar a chefia do Estado a uma Dinastia, na pessoa de um Rei.
 
A essência da Monarquia é a Realeza. É esta a sua base imutável, o seu princípio indiscutível.
Os sistemas, em seus vários aspectos, têm sido e são mutáveis e variados com os tempos. Vão evolucionando, vão-se adaptando às exigências de cada época. Nem poderia ser de outra maneira.
 
O sistema é, portanto, discutível, o que equivale a dizer que não há um sistema único e pré-determinado. Compete à Nação, em qualquer altura, escolhê-lo e conservá-lo ou modificá-lo, conforme as circunstâncias e o interesse comum o ditarem.
 
O Rei ouve a Nação e, como seu mais fiel intérprete e primeiro servidor, guarda e defende a legitimidade constitucional.
 
É esta uma das liberdades que a Monarquia como regime nos assegura. Só os ditadores ou os déspotas impõem um sistema segundo a sua vontade.
 
O Poder Real, porque é independente e superior às discussões dos sistemas, porque é estável e contínuo, permite como nenhum outro as maiores liberdades, as mais arrojadas experiências administrativas, sociais e económicas, sem prejuízo da ordem e da autoridade.
 
Exposta nestes termos a verdade da doutrina monárquica, compreende-se que o Rei seria a última pessoa a pronunciar-se por um determinado sistema concreto e que, nem os responsáveis pela causa monárquica, nem ninguém, podem sobrepor-se ao que é um direito inalienável da Nação.
 
Cada um de nós, como cidadão português, pode, e deve, naturalmente, formular as suas opiniões e pugnar por elas; o que não é lícito é identificar a Realeza com o sistema da sua preferência. O Rei é de todos, repete-se.
 
Numa restauração do Poder Real, só um caminho haveria a seguir: convocar Cortes Gerais, amplamente e autenticamente representativas, e adoptar-se a Constituição que nesta fosse escolhida.
 
Não temos, portanto, que antecipadamente falar de um sistema político, económico e social como programa de uma futura Monarquia e ainda menos como condição do Rei. Temos, sim, de reclamar o Poder Real como a mais segura fiança de um regime nacional.
 
Mário Saraiva, Razões Reais, Lisboa, Universitária Editora (3ª ed. revista e aumentada), 2002, p. 87.