segunda-feira, 4 de julho de 2011

FEZ SÁBADO 79 ANOS QUE MORREU EL-REI DOM MANUEL II, O ÚLTIMO REI DE PORTUGAL

 
Forçado pelas circunstâncias a subir ao Trono em 1908, depois do trágico assassinato de seu Pai, El-Rei Dom Carlos e de seu Irmão mais velho O Príncipe Real Dom Luís Filipe, Dom Manuel II cumpriu os seus deveres de Rei com exemplar dedicação e elevadíssimo sentido de patriotismo, numa época muito conturbada para Portugal. No mesmo dia do golpe que nos impôs a república, o Monarca foi expulso do País, como se algum crime ou alguma traição tivesse cometido. Em contrapartida, foi substituído por "bandidos da pior espécie", cuja acção governativa se prolonga até hoje, com requintes de infâmias e malvadez. Cada povo tem o governo que merece...
 
Que descanse em paz!

AMANHÃ, EM SÃO VICENTE DE FORA


Durante décadas aprendeu a renegar tudo aquilo em que acreditava, almejando substituir aquele que fora o seu mentor. Governou Portugal, não teve coragem e não conseguiu uma transição como aquela que anos mais tarde se verificaria em Espanha. Por vezes intrigando e noutras procurando dramatizar, frequentemente minimizou os problemas da guerra e do desenvolvimento. Partiu para jamais voltar, vivo ou morto. Deixou bem expressa a sua vontade: voltar para Portugal? Nunca! Este português de nascimento foi Marcelo Caetano. Hoje o seu legado é palpável, pois o actual regime rotativo, é dominado pelos herdeiros que deixou em todos os postos relevantes do poder. A ANP é um resumo do PS e do PSD.

D. Maria Pia de Sabóia foi Rainha e chegando a este país na adolescência, aqui para sempre quis ficar. Sem a vontade ou a capacidade introspectiva daquela que seria a sua nora, conseguiu concitar a quase unanimidade do país, rendido ao seu sentido do dever e tão importante quanto a obrigação, à forma como soube praticar o seu ofício. Não foi dada a actos cuidadosamente ponderados e que visavam o futuro e o bem comum e em contraste com D. Amélia de Orleães, amava a etiqueta, os grandes actos públicos, possuindo aquele sentido de oportunidade que aqueles poderiam significar. Nos actos públicos, por vezes tornava-se numa expontânea e o povo amava-a por isso mesmo. Não se tratava da mera vaidade pessoal de quem se vira alçada a uma posição de discutível vantagem, sendo Portugal um país de escassos recursos e onde a estabilidade política era sempre posta em causa pelas paixões partidárias e efabulações de uma grandeza que não voltou. A Rainha talvez possa ser considerada como alguém que compreendeu a necessidade de uma proximidade com a população, sendo esta receptiva a demonstrações de atenção que de outra forma jamais chegariam. Passando o óbvio anacronismo, D. Maria Pia foi uma Rainha moderna nas relações públicas do Estado e hoje não estranharíamos a sua visibilidade e o cuidado que punha nas suas aparições públicas. Desde o estudar de tons da indumentária e as manifestações de respeito e deferência para com os mais humildes, até ao preciso local onde se ajoelharia em acção de graças - num momento cronometrado ao segundo e que conseguia um "inesperado" raio de sol que rasgava os vitrais e lhe iluminava a ruiva cabeleira -, a Rainha parece ter compreendido a psicologia das multidões. Será desnecessário mencionar as bem conhecidas obras de benemerência, o bom gosto que deixou nas residências onde viveu, ou o seu apego aos preceitos constitucionais que um dia a levariam a desabridamente enfrentar um espantado e prepotente marechal Saldanha.

D. Maria Pia quis ser portuguesa e soube sê-lo. No seu retrato oficial dispensou jóias e apenas se embelezou com as cores nacionais, bastando-lhe isso para mostrar quem era. Ao contrário de Marcelo Caetano, não intrigou para derrubar potenciais adversários, não enviou rapazes para a guerra, não mentiu e não quis fugir. Mais importante ainda, na hora da morte pediu que o seu leito fosse deslocado, de modo a que o seu derradeiro olhar partisse em direcção à sua pátria adoptiva, o distante Portugal.

Passam cem anos desde a sua morte. Exige-se uma reparação à mulher que não culpou o país pelo assassinato do filho e do neto, pelos enxovalhos a que a baixa política panfletária submeteu o marido e a ela própria. A 5 de Outubro de 1910, perguntava espantada porque razão partia, sabendo que em Portugal estaria segura, acontecesse o que acontecesse. Conhecia a população que aprendera a ver naquela Rainha uma grandeza passada e teve aquele sentido do servir que após a sua presença no pináculo do Estado, apenas a sua nora conseguiu durante algumas décadas manter incólume.

Não bastará uma simples e discreta trasladação à "maneira da 2ª República". Exige-se mais, pois tratar-se-á da justiça reparadora. O regresso da rainha D. Maria Pia a Portugal, deverá ser um grande momento de reconciliação dos portugueses consigo próprios, no exemplo da soberana que tendo nascido estrangeira, soube ser mais patriota que muitas consideradas luminárias de tempos passados e do presente. Como em todos os momento difíceis, quer-se grandeza e o sentido da plena compreensão da nossa História. Apenas isso.

Amanhã, 5 de Julho de 2011, será um dia de reparação. Em S. Vicente de Fora, naquele lugar onde um dia será definitivamente recolhida, reunir-se-ão aqueles que não querem nem podem esquecer. Nesta hora de todas as ameaças, o exemplo de D. Maria Pia serve de lição. Saibamos merecê-la.

MORREU UM GRANDE HOMEM, POR OTTO CZERNIN

SS.AA.II. Os Imperadores Carlos I e Zita com o filho
Morreu um grande homem Morreu ontem, dia 3 de Julho de 2011, o Arquiduque Otto de Habsburgo, com 98 anos de idade. Com apenas 10 anos de idade assistiu à morte de seu pai, o último imperador do Império Austro-húngaro exilado na ilha da Madeira, após o fim da Primeira Guerra Mundial em Abril de 1922. Formou-se em Louvaina, viveu em toda a Europa, foi deputado independente durante mais de 20 anos pela CDU (União Democrática Cristã) da Baviera na pós-guerra e fundou o movimento europeu Pan-Europa. Conheceu ao longo da sua longa carreira política todos os grandes líderes do século XX tais como Churchil, Roosevelt, De Gaulle, Franco e Salazar. Desde o primeiro minuto que se recusou a apertar a mão a Hitler, o que lhe valeu várias tentativas de assassinato. Conhecia a história da Europa como ninguém, e tal como há 60 anos o preocupava o renascer da Alemanha nazi, hoje preocupava-o o crescimento político e militar da ex. URSS. O meu pai teve o privilégio de trabalhar com ele vários anos aquando do exílio de ambos durante a II Guerra Mundial em Washington, e eu tive o privilégio de o poder acompanhar durante a sua última visita a Portugal, em Janeiro de 2005 em Lisboa. Nesses 5 dias, tive lições de bondade, humildade, e sabedoria que dificilmente esquecerei, por muitas anos que viva. A sua memória ficará comigo durante muito tempo. Que Nosso Senhor acolha a sua boa alma, e que o seu exemplo frutifique através de todos aqueles que tiveram a honra e o prazer de o poder conhecer. O Arquiduque Otto de Habsburgo, tal como seu pai e sua mãe, deixa atrás de si, um rasto de luz e santidade. 
Otto Czernin 
Cascais, 4 de Julho de 2011

ÚLTIMA HORA: FALECEU S.A.I. O SENHOR ARQUIDUQUE OTÃO DE HABSBURGO

VIENA, Áustria, 4 Jul 2011 (AFP) -O herdeiro do último imperador da Áustria-Hungria, Otto de Habsburgo, faleceu nesta segunda-feira aos 98 anos na Baviera (Alemanha), onde morava, anunciou um porta-voz da família.
Nascido em 1912 e destinado a suceder o pai Carlos I, Otto de Habsburgo, que foi baptizado Otto de Habsburgo-Lorena, viveu muitos anos no exílio após a dissolução do império austro-húngaro em 1919.
Fez carreira como escritor e político. Otto se mudo para a Baviera nos anos 1950 e se filiou ao social-cristianismo do partido CSU depois de obter a nacionalidade alemã.
Poliglota e defensor da Europa, Otto de Habsburgo foi deputado do Parlamento Europeu de 1979 a 1999 e dirigiu o Partido Popular Europeu (PPE).

Fonte: Terra 

É com grande pesar que anunciamos o falecimento do Arquiduque Otto de Habsburgo. SAI faleceu ontem com a idade de 98 anos na sua residência de  Poking na Alemanha.


O Arquiduque Otto (ou Otão) de Habsburgo (Reichenau an der Rax, em 20 de Novembro de 1912) era o actual chefe da casa dinástica de Habsburgo e filho mais velho de Carlos da Áustria, último Imperador da Áustria e último Rei da Hungria, e de sua esposa, Zita de Bourbon-Parma. Foi membro do Parlamento Europeu pelo partido União Social Cristã da Baviera (CSU) e presidente da União Internacional Pan-Europeia.

Foi baptizado Francisco José Otto Roberto Maria António Carlos Max Henrique Sexto Xavier Félix Renato Luís Caetano Pio Inácio da Áustria (em alemão, Franz Joseph Otto Robert Maria Anton Karl Max Heinrich Sixtus Xaver Felix Renatus Ludwig Gaetan Pius Ignatius von Österreich).

SAI  nasceu perto de Viena, em Reichenau an der Rax, na Baixa Áustria.

Em Novembro de 1916, Otto se tornou príncipe-herdeiro do Império Austro-Húngaro quando seu pai, o arquiduque Carlos, ascendeu ao trono. Entretanto, em 1918, no final da Primeira Guerra Mundial, ambas as monarquias foram abolidas e substituídas pelas repúblicas da Áustria e da Hungria. A família imperial foi forçada ao exílio, apesar de Carlos nunca ter abdicado do trono. Note-se que a Hungria voltou a ser uma monarquia, mas Carlos foi impedido de reinar. Em seu lugar, o trono foi mantido vago e criou-se uma regência permanente sob o almirante Miklós Horthy, até 1944.

A família Imperial passou os anos seguintes na Suíça e, mais tarde, mudou-se para a ilha da Madeira, onde Carlos veio a falecer prematuramente em 1922. Com isso, e apenas aos dez anos de idade, o Arquiduque Otto passou a ser o pretendente ao trono, situação que permaneceu até ontem. Enquanto isso, o parlamento austríaco oficialmente expulsou a dinastia Habsburgo e confiscou todas as propriedades da Coroa Imperial pelo ato Habsburgergesetz de 3 de abril de 1919.

Em 1935, Otto graduou-se em Ciência Política e Ciências Sociais pela Universidade Católica de Leuven.


Em 1940, Otto foi uma das dezenas de milhares de pessoas a quem o cônsul português Aristides de Sousa Mendes concede o visto de saída da França, no momento da invasão nazi.

S.A.I. era bisneto de Sua Majestade o Rei Dom Miguel I e trineto de Sua Majestade a Rainha D. Maria II (mãe de D. Maria Ana de Bragança)

A SS AA RR os Senhores Duques de Bragança, primos do Imperador Otão, A Real Associação da Beira Litoral apresenta os votos de sentidos pêsames.

domingo, 3 de julho de 2011

APRESENTAÇÃO DO PROJECTO DEMOCRACIA REAL

O Projecto Democracia Real é uma Plataforma em prol da Monarquia Parlamentar e Democrática para Portugal. Administrado por uma Comissão Administrativa, que tem profunda Lealdade ao Chefe da Casa Real Portuguesa, Sua Alteza Real, o Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança e a quem lhe vier legitimamente a suceder.

Por outro lado, o Projecto Democracia Real não é nenhum Partido Político. É uma plataforma, da sociedade civil, monárquica, tolerante e democrática o mais abrangente possível. São bem-vindos ao PDR os Portugueses das mais variadas ideologias político-partidárias, porque, a questão central é apenas uma: A Monarquia para o futuro de Portugal e assim, não se tratará aqui de debater ideologias partidárias e programas dos partidos, mas sim, discutir, a Monarquia, enquanto Instituição Secular, Representativa do Estado e como funciona em Democracia, ao serviço do Bem Comum de todos os Portugueses, Europeus e de outras partes do Mundo.

Aqui a Dignidade da Pessoa Humana é sagrada, não importa a sua ideologia política, o seu credo religioso, a sua orientação sexual, a sua origem social, o seu clube desportivo, etc. O que conta a aqui é o facto da Instituição Monárquica ser efectivamente representativa de todos. Assim, o PDR – Projecto Democracia Real, também segue totalmente esta linha, que a Monarquia tão bom exemplo nos dá, onde reina hoje nos Países mais evoluídos e democráticos do mundo.

A Comissão Coordenadora do PDR – Projecto Democracia Real
Blog http://ppf21.wordpress.com
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JORNAL DIÁRIO DO MINHO: POBREZA INFANTIL

Jornal "Diário do Minho" de 24 de Junho, pág. 20

Pobreza Infantil

Em 2010, a palavra pobreza infantil passou a estar diariamente nos media, mas isso deveu-se às comemorações do “ano europeu contra a pobreza e exclusão social”, hoje passados seis meses sabe-se que a taxa de pobreza infantil em Portugal aumentou, apresentando a oitava maior taxa (16,6%) de pobreza infantil entre os 34 países da OCDE com uma média de 12,7%, ficando atrás de Israel, do México, da Turquia, dos Estados Unidos, da Polónia, do Chile e de Espanha. [i]
Ser criança pobre é ter falta de alimento e risco de desnutrição, ausência de higiene e de cuidados com a saúde, maior vulnerabilidade a doenças e risco acrescido de morte prematura, não ter acesso à escola, ter deficiente aproveitamento escolar, e por consequência défice de qualificação para acesso ao trabalho e à participação na sociedade, quando chegar à idade adulta, ter habitação insalubre, sobrelotada e sem condições de conforto, ser explorada por via do trabalho infantil e consequente violação do direito de brincar e ser criança, maior perigo de vitimização por tráfego humano ou exploração sexual, maior risco de propensão à delinquência e a comportamentos associas, não ter família, não conhecer o seu pai ou a sua mãe; viver em famílias desestruturadas, estar exposta, desde tenra idade, à violência doméstica, ao tráfico ilícito ou à dependência das drogas, ser olhada com desprezo ou comiseração humilhante por professores, colegas e vizinhos, viver na insegurança permanente, possuir uma baixa auto-estima e não ter razões e estímulos para alimentar sonhos de um futuro esperançoso. Em síntese ser criança pobre “ (…) é uma luta diária pela sobrevivência, (…) para estas crianças, a infância como o tempo de crescer, aprender a brincar e sentir segurança não tem, na realidade, nenhum significado”[ii]
Paradoxalmente à situação descrita e concretamente vivida, ao longo do século passado, foi crescendo a consciência colectiva acerca dos direitos das crianças, afirmando-se mesmo que a pobreza infantil constitui uma grave violação de direitos humanos fundamentais.
Desde 1924, tem figurado na agenda política das instâncias internacionais a preocupação com os direitos da criança. Naquela data, a então Liga das Nações, que viria dar origem à ONU (Organização das Nações Unidas), adoptou a designada declaração de Genebra sobre os Direitos da Criança, tendo a comunidade internacional de então assumido o compromisso de promover os direitos da criança à sobrevivência, à saúde, à educação, à protecção e à participação.
Em 1959, a ONU deu um novo passo e aprovou a “Declaração dos Direitos da Criança”. Dela Constam 10 artigos que dizem respeito àquilo que deve ser feito para que as crianças sejam felizes e saudáveis.
Mais recentemente, em 1989, a Assembleia-Geral das nações Unidas aprova a Convenção sobre os Direitos da Criança, a qual viria a ser ratificada pela quase generalidade dos países membros.
Hoje, em 192 países do mundo, a sobrevivência, o desenvolvimento e a protecção da criança não são questões opcionais deixadas à generosidade das pessoas individuais, das organizações ou dos estados, mas sim um compromisso político firmado ao mais alto nível, que deve ser concretizado em leis positivas de cada país e na criação de instituições apropriadas para a defesa e promoção do bem-estar, havendo mesmo uma Comissão ad hoc criada no âmbito da ONU para acompanhar o cumprimento desta Convenção por parte dos diferentes países.
Quando, em 2001, se firma o Pacto do Milénio e se fixam objectivos e metas de desenvolvimento com vista à erradicação da pobreza no mundo, também se atribui importância máxima aos factores relacionados com o combate à pobreza infantil.
A par desta realidade, também em Portugal se tem desenvolvido esforços que, directa ou indirectamente, visam prevenir a pobreza infantil e atenuar as suas consequências mais gravosas. Destacam-se os progressos realizados no plano jurídico (a criança como sujeito de direitos e o reconhecimento do superior interesse da criança quando estejam em causa situações de conflitualidade de interesses); no plano da saúde materno-infantil e dos cuidados de saúde primários; no plano da educação, designadamente em matéria de educação de infância ou de sucesso escolar; no plano da assistência social com o fornecimento de alimentação, serviços de protecção de crianças em risco, rendimento social de inserção, tendo em conta a presença de crianças no agregado familiar, entre outros apoios a crianças provenientes de famílias carenciadas.
Não obstante os esforços desenvolvidos pelo Estado a que deve acrescentar-se todo o investimento realizado por parte de um vasto conjunto de instituições de solidariedade social, quer no que se refere à eficiência dos recursos disponíveis, quer à implementação de boas práticas, a pobreza infantil continua a ser uma preocupante e crescente realidade no nosso país, agravada pela crise em que a falta de emprego, precariedade e os baixos salários estão na origem da pobreza entre a população activa mais jovem, precisamente aquela que tem crianças a cargo.
Sendo a pobreza infantil um fenómeno complexo e multifacetado que reclama uma acção concertada em várias frentes e aos diferentes níveis, talvez importe recordar que a erradicação da pobreza infantil, é um dever indissociável da cidadania e da vida democrática, cabendo, não só ao Estado, mas também às pessoas e às instituições, promover a sua defesa e o seu cumprimento efectivo.
Quanto ao Estado e aos órgãos de governação, compete-lhes garantir condições de vida básicas a todos os cidadãos e, por maioria de razão, às populações mais vulneráveis, entre as quais se encontram as crianças, cabendo-lhes fazer acções junto das famílias, reforçando os seus meios de subsistência e competências para ultrapassar as respectivas situações de pobreza, quer directamente, através de serviços específicos e de políticas públicas adequadas, quer indirectamente, através da contratualizando de projectos e programas com entidades de solidariedade social de maior proximidade, prevenindo e erradicando, assim, a pobreza infantil nos territórios em que estas mesmas entidades exercem a sua acção.
Atribuir o principal papel na erradicação da pobreza infantil ao Estado não dispensa, nem atenua, a responsabilização do Poder Autárquico. Este, ao nível local, deve tomar para si um papel pró activo, na identificação, prevenção e eliminação da pobreza infantil existente no respectivo território, fazendo apelo aos recursos que o Estado disponibiliza para esta finalidade e complementando-os, na certeza de que toda a comunidade beneficiará do crescimento saudável da sua população mais jovem. A este propósito recorde-se a existência de redes sociais a nível concelhio como uma ferramenta de intervenção privilegiada para a prevenção e erradicação da pobreza infantil, pois dispõe de meios para promover a definição de objectivos e metas prioritárias de erradicação da pobreza infantil no respectivo território, assim como, dispõem de meios para assegurar a monitorização das acções programadas e a respectiva avaliação de resultados, para além de, nelas terem assento, além da autarquia (presidente ou quem este designe para o representar), os responsáveis pelos agrupamentos de escolas, serviços de saúde, segurança social., polícia, justiça, etc.
Mas, também o cidadão individualmente não deve passar ao lado da problemática da pobreza infantil, como se esta fosse responsabilidade exclusiva das respectivas famílias, das instituições, do Estado ou das Autarquias. Tratando esta realidade uma violação de direitos humanos, a denúncia e a procura de soluções de uma forma solidária é dever de todos e de cada um de nós, por isso, há que tomar consciência de que estamos perante um problema de cidadania e de comportamento democrático socialmente responsável impondo-se, assim, um modo mais incisivo de actuação na sociedade.
Por último, cabe notar que a perspectiva da pobreza infantil como violação de direitos humanos requer que as próprias crianças, logo que o seu desenvolvimento pessoal o permita, tenham participação activa nas decisões que lhes digam respeito e nas intervenções que afectam o seu bem-estar e o seu desenvolvimento, pelo que deverão ser encorajadas e apoiadas pelos adultos que tenham conhecimento das privações de que são vítimas, facultando-lhes as indispensáveis ferramentas de defesa e protecção.
A existência da pobreza infantil significa uma dupla tragédia, para a criança que vê prejudicado o seu desenvolvimento físico, intelectual, social e consequentemente, tem comprometido o seu futuro; para a sociedade, porque ao não preservar e desenvolver o seu capital humano, transfere por negligência, custos sociais para as gerações vindouras.

Sílvia Oliveira
Deputada Municipal pelo P.P.M. na Assembleia Municipal de Braga


[i] “Doing better for families”, relatório publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), em 2011.
[ii] “Situação da infância”, relatório publicado pela UNICEF em 2006.

FOTOS: SS.AA.RR., OS SENHORES DUQUES DE BRAGANÇA NO CASAMENTO PELA IGREJA CATÓLICA DE S.A.S., OS PRÍNCIPES DO MÓNACO

Foto: Day Life


SS.AA.RR., Os Senhores Duques de Bragança à chegada ao Casamento Real de S.A.S., Os Príncipes do Mónaco. - Foto: Caras


Foto: Hola


Durante a Missa. - Foto: Princess Palace