domingo, 4 de julho de 2010

COMENTÁRIO AO ARTIGO: "A INSUSTENTABILIDADE POLÍTICA. A MENTIRA PRESERVA A ILUSÃO"

Li com interesse o seu depoimento. As razões que aponta para a crise que nos afecta – a existência do Estado Providência e, por isso, a ” dispensabilidade de esforço”; o consumismo desenfreado do Estado, das empresas, dos cidadãos com o consequente recurso ao crédito e ao endividamento – à luz da história passada e da análise do presente, são questionáveis.

Constitui o cabal exemplo de como, orquestrada por incompetentes analistas, políticos sem escrúpulos e sagazes banqueiros, a mensagem de responsabilização quer da sociedade como um todo, quer de um sistema – o Estado Providência, que cidadãos anónimos, a pulso e à custa de grandes lutas, construiu - passou a fazer parte do inconsciente colectivo de um povo.

Mais grave ainda é o desconhecimento da História – da nossa História passada e recente. Não existia o Estado Providência, o consumismo e outros aspectos referidos, mas essa era a situação de Portugal em 1906, quando D. Carlos dá posse ao governo de João Franco. O Rei no discurso da coroa, para responder ao descalabro em que se encontrava o País aponta medidas reformistas para : as finanças (agravamento das despesas públicas cujo deficit em 1903 era de 37627 contos); independência do poder judicial; “desenvolvimento moral” dos municípios; descentralização administrativa; o fim das gratificações, abonos e vencimentos não orçamentados; a responsabilidade ministerial…e terminava - “larga é a obra reformadora de que o País carece e difícil e árdua a tarefa a executar”.

Então o Rei, era o árbitro que hoje não encontramos no Presidente da República, a única diferença face ao que experimentamos hoje, e contra ele conjuraram os republicanos. A República instalada na governação do País de 1910 aos nossos dias, não alterou, excepto num pequeno período, os condicionalismos existentes. Pelo contrário, agravou-os, mais recentemente, estabelecendo uma aliança com os interesses internacionais, adoptando modelos sociais e económicos que são estranhos (diria até contra natura) ao continente Europeu e a Portugal, podendo incorrer no perigo real de hipotecar, assim, o futuro dos portugueses e comprometer a sobrevivência da nossa memória colectiva, a da continuação da nossa História. Aconselho-vos, eventuais leitores, para melhor entendimento destes modelos, a ver os filmes/documentário de Michael Moore “ Capitalism: A Love Story" e “SICKO”. Neste último há o importante depoimento de um pensador inglês sobre o Estado Providência …

Isabel da Veiga Cabral
(Vice-Presidente da Real do Médio Tejo)

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