domingo, 4 de dezembro de 2011
sábado, 3 de dezembro de 2011
A RESTAURAÇÃO REVISITADA
por Mário Casa-Nova Martins
Conviria lembrar que os factos ocorridos em 1 de Dezembro de 1640 não aconteceram por acaso. Recorrendo a Vitorino Magalhães Godinho, em 1580 a coroa portuguesa foi usurpada à casa a que pertencia de juro e herdade, o ducado de Bragança, por Filipe II de Espanha. Os seus sucessores Filipe III e Filipe IV retiveram-na ilegalmente. Tal retenção não cria com o tempo, por prescrição, direito, e por isso não invalida, mero acto de força como é, a legitimidade dos duques a fundarem dinastia régia. Trata-se, portanto, fundamentalmente, de restituir o seu a seu dono, anulando a usurpação ocorrida sessenta anos antes, a fim de colocar no trono o único legítimo pretendente. A união dinástica fizera-se pela força, mas jurando os monarcas espanhóis respeitar as leis, foros e costumes do Reino de Portugal, cuja coroa ficaria unida na mesma cabeça às coroas castelhana e aragonesa, mas cujo senhorio permanecia independente. Porém, já o próprio Filipe II de Espanha começou a faltar aos compromissos jurados, o seu sucessor resvalou para a tirania, na qual caiu sem rebuços Filipe IV. Situa-se por alturas de 1620 a mudança radical que tende a apagar os privilégios do Reino de Portugal e a levá-lo, para além da unidade dinástica, à unificação institucional. Portanto, os Conjurados de 1640 visam o regresso à forma legítima de Estado e Governo anterior a 1580, ou pelo menos a 1620, pondo termo à tirania, em que tinham soçobrado os soberanos da dinastia espanhola.
A historiografia durante o período filipino desempenhou papel fundamental na preservação da Identidade Nacional. A importância dos Jesuítas, dos Crúzios e dos Cistercienses, através da palavra e da escrita, foi determinante para que as elites mantivessem bem viva a ideia independentista. De facto, seguindo Hernâni Cidade, o «sentimento autonomista» passou a iluminar o quadro histórico-cultural dos Filipes. O orgulho nacional exprimiu-se num labor «inconsciente» que, pelos anos de 1620-1630, se transformou em formas de «resistência» literária, na constante evocação dos heróis antigos e dos fastos seculares da Pátria. A «Monarchia Lusitana» é a obra mais notável desse tempo, fruto do labor dos Monges de Alcobaça, e é a primeira tentativa de uma história integral da Nacionalidade, buscando as raízes de Portugal e as linhas dessa continuidade histórica. Dividida em oito partes, começa por defender a identidade étnica e territorial de Portugal e da Lusitânia e descreve a corografia e a história desta desde a criação do mundo até à morte de Pedro I. Frei Bernardo de Brito, Frei António Brandão, Frei Francisco Brandão e Frei Manuel dos Santos foram os seus obreiros, e Alcobaça transformou-se no principal centro da autonomia cultural portuguesa. Como escreve Veríssimo Serrão, inspirada pela realeza filipina, a «Monarchia Lusitana» cumpriu o mesmo papel nas horas difíceis da Restauração, animando os espíritos na sobrevivência da Pátria.
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Nas vésperas do 5 de Outubro de 1910, as correntes contrárias à Monarquia desenvolveram inúmeras e contínuas campanhas culturais, fundamentalmente a partir do Ultimato, com o objectivo de divulgar a ideia republicana. António Ventura, na sua obra, «Anarquistas, Republicanos e Socialistas - As convergências possíveis», estuda a actuação destas correntes de pensamento entre 1892 e 1910 na luta contra o regime monárquico, e é permanente a tentativa de formarem elites culturais que venham a permitir conquistar o poder político, como, aliás, veio a acontecer. Enquanto os políticos do Rotativismo se entretinham em estéreis debates nas Cortes e a promoverem eleições caciqueiras, sucediam-se no campo adverso à Causa Monárquica a publicação de jornais, livros e panfletos, a tradução de obras doutrinárias em voga, conferências e a constituição de associações cívicas. A Monarquia foi perdendo o apoio das elites e, não seria despiciendo dizer-se que, por aquela época, Portugal era uma Monarquia sem monárquicos.
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Durante a Primeira República, foi importante, se não mesmo fundamental, o contributo doutrinário do Integralismo Lusitano para manter bem vivo o Ideal Monárquico. Ao falar das suas origens, escreve Jacinto Ferreira no livro «Integralismo Lusitano - Uma doutrina política de ideias novas»: _ Conta Hipólito Raposo que, logo a seguir ao aparecimento do primeiro número da «Nação Portuguesa», tendo encontrado no Chiado o seu amigo Dr. Coelho de Carvalho, que por sinal era republicano, este lhe disparou o seguinte discurso referido à revista que trazia na mão: _ “Com a minha autoridade de republicano, quero dizer-lhe, meu amigo, que nenhuma incursão ainda a República pôs em perigo, e todos os impulsos desse género só têm servido para afervorar e exaltar as várias espécies dos seus defensores. Mas o perigo verdadeiro aparece agora, aqui, nesta nova orientação de combate. Não se derrubam árvores atirando pedradas aos ramos; apenas cairão algumas folhas. O primeiro ataque sério à República, vejo-o eu nestas linhas. É o machado a dar golpes na própria raiz do sistema”.
O Integralismo Lusitano foi um movimento político, e é uma doutrina política e social. Surge numa época de aguda crise do Estado, fruto de outra mais profunda, a crise do Homem, e a sua primeira geração, a de 1914, exerceu um esforço no sentido de definir o poder político e a sua actividade própria. De raiz humanista, era contrário a um nacionalismo fechado e totalitário; oposto ao nominalismo, era tradicionalista, e tinha um limite e uma regra, a doutrina católica sobre o Homem, daí estar aparentado ao catolicismo social.
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O marxista António Gramsci defendia que para se alcançar o poder político, primeiro tinha que se conquistar o poder cultural. Por altura em que estas palavras foram proferidas, os Monárquicos Portugueses tinham no ano do Duplo Centenário a 1.ª Semana de Estudos Doutrinários, a que se seguiriam mais duas nos anos seguintes. A publicação dos documentos que as duas primeiras semanas produziram, foi importantíssima para a reformulação do pensamento monárquico. A doutrinação neles contida, teve farta aplicação no processo da sucessão de Óscar Fragoso Carmona, e durante o congresso da União Nacional nos finais de Novembro de 1951 em Coimbra, onde se colocou a questão do regime. Pena é, de acordo com o neo-integralista Henrique Barrilaro Ruas, que exista toda a documentação da terceira semana, e se aguarde há quase seis décadas a publicação.
Ainda durante a vigência da Segunda República, publicou-se durante os anos de 1949 e 1960 a revista «Cidade Nova», que exerceu uma influência profunda no pensamento português da época. Uma nova geração de pensadores monárquicos encetou um caminho, aberto pelas Semanas de Estudos Doutrinárias, que iria desembocar numa reestruturação político-ideológica das correntes do movimento monárquico.
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Por sua vez, já em plena Terceira República, as conferências no Grémio Literário, que decorreram entre 2 de Novembro e 14 de Dezembro de 1982 e de que resultou a edição do livro «Estudos sobre a Monarquia», contribuíram para que a ideia de Monarquia entrasse na modernidade. A longa introdução é como que o «ponto da situação» da praxis monárquica ao tempo das conferências. Os textos dos conferencistas e o debate subsequente, geraram a doutrina que tem acompanhado novas gerações monárquicas, porque lançaram sementes de forma que as elites actuais conheçam e aceitem o Ideal. Agora, falta definir a Monarquia dos próximos século e milénio.
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A par destas realizações de carácter cívico, a edição livresca tem sido uma actividade importante, se bem que irregular. As obras das Edições Gama, da Biblioteca do Pensamento Político, ou das Edições Cultura Monárquica, formaram as consciências de muitos monárquicos, para quem a cultura é uma arma de arremeço por excelência.
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Em Bergson, o homem completo é aquele que pensa como homem de acção e age como homem de pensamento. O futuro de Portugal dependerá, sempre, do que as suas gentes quiserem. Para que no tempo futuro o sistema monárquico regresse a Portugal, como todos nós desejamos, há que formar elites culturais. Depois de ganha a batalha da cultura, a Monarquia poderá voltar e florescer.
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Um Futuro promissor para Portugal, será um Portugal Monárquico que crie riqueza para o Povo, que fomente a justiça social, e que o novo Rei seja a esperança da Nação que neste século festejará o nono centenário de uma independência conquistada pelo Rei Fundador, e perpetuada pelos sucessores.
Portugal terá que ser uma Monarquia Constitucional, em que o primeiro Rei da Quinta Dinastia será escolhido pelo Povo.
Bibliografia
Dicionário de História de Portugal - Direcção de Joel Serrão
Estudos sobre a Monarquia - Conferências no Grémio Literário, Lisboa 1984
Ferreira, A. Jacinto - Integralismo Lusitano, uma doutrina política de ideias novas, Lisboa 1991
Monarchia Lusitana - Imprensa Nacional, Casa da Moeda, 1973-1989
I Semana de Estudos Doutrinários - Discursos, Teses e Intervenções, Coimbra MCLX
II Semana de Estudos Doutrinários - Discursos, Teses e Intervenções, Coimbra MCLXI
Ruas, Henrique Barrilaro - A Liberdade e o Rei, Lisboa, 1971
Serrão, Joaquim Veríssimo - História de Portugal, Verbo
Ventura, António - Anarquistas, Socialistas e Republicanos em Portugal, As convergências possíveis (1892-1910), Lisboa, Junho de 2000
Fonte: Alameda Digital
Publicada porReal Associação do Médio Tejo
1 DE DEZEMBRO DE 2011: S.A.R., A SENHORA DUQUESA DE BRAGANÇA À SAÍDA DA IGREJA DE SÃO DOMINGOS
S.A.R., A Senhora Dona Isabel à saída da Missa celebrada na Igreja de São Domingos
O dia amanheceu alegre e claro, tal como em 1640. As cerimónias tiveram inicio pelo meio dia com a celebração de uma Missa celebrada na Igreja de São Domingos que foi presidida por S.A.R., A Senhora Duquesa de Bragança. Seguiram-se as habituais cerimónias de homenagem aos Restauradores, e a seguir, uma sessão solene no Palácio da Independência.
Publicada porMaria Menezesem Família Real Portuguesa
COMEMORAÇÕES DO 1º DE DEZEMBRO EM LISBOA - 2011

O içar da nossa Bandeira

Luís Lavradio, Sérgio Rau da Silva e Duarte Seabra Calado na tribuna de honra nos Restauradores

Aline Gallasch-Hall e João Mattos E Silva na tribuna de honra dos Restauradores

João Mattos e Silva e Duarte Seabra Calado no momento da deposição da coroa de flores da RAL no Monumento aos Restauradores

João Mattos e Silva e Duarte Seabra Calado no momento da deposição da coroa de flores da RAL no Monumento aos Restauradores

O Presidente da Causa Real, Dr. Luís Lavradio no final das cerimónias sendo entrevistado pelo Jornal O Expresso

Ruben Magalhães era o portador da única bandeira Monárquica que se via nos Restauradores
Publicada porReal Associação do Médio Tejo
RUI RAMOS: A BANCARROTA DE 1892 FOI UM TRAUMA PARA PORTUGAL

A crise financeira de 1892 ficou marcada na memória de sucessivos governos e regimes em Portugal como um sinal de que recorrer aos mercados internacionais para investir internamente pode pôr em causa a soberania do país. Uma ideia que ficou até ao 25 de Abril.
O historiador Rui Ramos apresentou no Congresso da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações, a sua leitura da crise de 1890-92. Em entrevista, destaca os paralelos entre a actual situação e a vivida há 120 anos e explica o impacto que a bancarrota teve nas opções políticas dos governos ao longo do século seguinte.
Usa a crise de 1890-92 para compreender a crise actual. Porquê?
Nos últimos 200 anos, Portugal encontrou situações de ruptura ou de ameaça de ruptura de pagamentos, mas, na maior parte dos casos, tiveram origem em guerras. A crise de 1890-92 tem em comum com a crise actual o facto de se desenvolver em tempo de paz. E a de estar articulada com políticas cujo objectivo deveria ter sido o desenvolvimento do país: grandes investimentos, aumento da despesa pública e expansão do Estado. Há esse paralelismo, que leva a que a crise de 1890-92 seja das mais interessantes para reflectir sobre a situação actual.
Que outras semelhanças existem?
Com 120 anos de diferença, existe em comum um sistema representativo estável, com dois grandes partidos a alternarem pacificamente no poder. Temos governos que, até ao momento da crise, abriram um pouco da economia ao exterior e renunciaram ao controlo da moeda. No caso actual, o euro, no passado, o sistema de câmbios do padrão-ouro, que fazia com que, na prática, a moeda que circulava em Portugal fosse a libra inglesa.
Teve o mesmo papel que o euro actualmente?
Era uma moeda internacional que não era controlada pelo Governo e que, portanto, facilitou muito a circulação de capitais para dentro e fora do país, dando acesso ao Governo e aos particulares em Portugal a um crédito mais barato, a crédito europeu. Portanto, também temos isso em comum. Em ambas as crises, isto levou a um grande endividamento do Estado.
E a envolvente externa?
É também semelhante. Portugal tinha beneficiado, nas décadas de 1860 e 1870, com a globalização. O país tinha-se conseguido integrar na primeira onda de globalização através da venda de alimentos para o Norte da Europa e da emigração, por via das remessas. Mas na década de 80 a globalização começa a integrar novos países, alguns deles mais competitivos e que desalojam os produtos portugueses dos mercados do Norte da Europa. E, por causa da revolução republicana no Brasil, as remessas de emigrantes secam. Para agravar a situação, há uma crise internacional provocada por uma bancarrota na Argentina que faz com que haja uma retracção do crédito na Europa. O Estado não se consegue financiar, há uma série de bancos que vão à falência. O Estado tenta ajudá-los e agrava ainda mais a situação. Há cortes de salários de funcionários, suspensão de investimentos públicos.
Tudo semelhante ao que se passa actualmente...
Há toda uma série de analogias que nos permitem pensar que há, em Portugal, problemas recorrentes. Temos uma pequena economia que só consegue crescer integrando-se nos mercados globais, mas que pode ser apanhada pelas mudanças desses mercados globais.
E diferenças? Há algumas entre as duas crises?
Há grandes diferenças, é claro. O país é muito diferente hoje em dia do que era há 120 anos. Neste momento, temos uma população que depende do Estado e o Estado com um tamanho que pouco tem em comum com o de há 120 anos. Nessa altura, a despesa pública não pesaria mais do que 10%.
Como é que as autoridades portuguesas reagiram? Com austeridade?
Há também aqui uma diferença. A opção tomada não foi apenas a da austeridade, foi uma opção de sair daquele enquadramento internacional em que Portugal se encontrava. Abandonou o padrão-ouro e passou a ter, na prática, uma moeda inconvertível. Foi como se, com as devidas distâncias, tivéssemos saído do euro.
Esse abandono surgiu após uma tentativa de resolução da crise pela austeridade?
Pela austeridade e por ajudas financeiras. Em 1892, Oliveira Martins estava como ministro das Finanças e há bancos internacionais que estão disponíveis para ajudar Portugal, mas que querem contrapartidas. Essas contrapartidas são austeridade para o equilíbrio das contas e garantias de que determinados rendimentos serão cativados para pagar os juros desses empréstimos. E o que acontece é que o chefe do Governo, José Dias Ferreira, acha que isso põe em causa a soberania nacional e prefere ir para aquilo que toda a gente vai considerar uma bancarrota, ou seja, uma suspensão parcial, mas unilateral do pagamento da dívida.
Foi uma decisão para evitar o prolongamento da austeridade?
Foi sobretudo uma decisão política. A austeridade continuou e até aumentou depois, mas preferiu enfrentar-se a crise com a prata da casa, com os recursos do país e dispensando a ajuda externa. Enfrentou-se a crise através do isolamento, o país fechou-se mais. Teve consequências positivas para alguns. Por exemplo, para a indústria de cereais alentejana, que, contando com um sistema de protecção alfandegária que impedia a concorrência internacional, atravessou uma época boa. E que foi paga pelas populações pobres da cidade, que tinham o pão mais caro da Europa.
Quais os impactos nos mercados?
Houve uma suspensão dos pagamentos em Junho de 1892. E isso levou a incidentes diplomáticos. Começam logo negociações com comissões de credores a partir de 1893 e em 1902 conseguiram um acordo para uma reestruturação da dívida. Tentaram transformar uma bancarrota numa reestruturação da dívida. Mesmo assim, Portugal não voltou em grande escala aos mercados financeiros internacionais.
Porquê?
Do lado português, havia uma grande dificuldade que eram as colónias portuguesas. Havia o receio de que os credores internacionais exigissem como penhor os rendimentos das alfândegas coloniais e que isso pudesse ser entendido como sacrificar a soberania sobre os territórios africanos. E portanto os governos sucessivamente optaram por uma estratégia de contenção de despesas e de austeridade, que de certa maneira começa em 1890 e dura até praticamente ao 25 de Abril, com um breve intervalo durante a Primeira Guerra Mundial. Obviamente que continua a haver operações financeiras portuguesas no exterior, mas houve uma opção de manter o país muito cauteloso em recorrer aos mercados, na medida em que a prioridade foi a de conservar a soberania.
Para essas sucessivas opções pelo isolamento e pela austeridade interna ao longo das décadas, que influência teve a crise de 1890-92?
A bancarrota de 1892 e a luz negativa que lançou sobre o chamado "fontismo" - sobre um período em que a economia portuguesa se tinha aberto ao exterior, em que o Estado tinha optado por uma despesa pública que julgava produtiva - marcou a governação do país até ao 25 de Abril. Os governos republicanos a partir de 1910 o que trazem é muito mais austeridade. A ideia era a de que a monarquia caiu, porque não tinha sabido administrar as finanças do Estado e a referência era obviamente a crise de 1890-92. Na crise houve gente a sugerir que uma das formas de resolvê-la era vender as colónias e, por isso, começou a associar-se a ideia de um determinado tipo de comportamento financeiro ao risco que se poderia pôr à soberania do país e ao património colonial. E isso marcou os vários governos e os vários regimes ao longo de quase cem anos. Acabou-se com isso por isolar o país e cortá-lo do recurso a meios financeiros que poderiam ter sido usados para investimento. É um trauma que ficou por muito tempo.
Que pistas pode dar essa crise para o que irá agora a acontecer?
Creio que nos permite perceber as consequências de uma opção de bancarrota e isolamento. As vantagens, mas as grandes desvantagens também.
Fonte: Mafra hoje
Para os mais desatentos: Rui Ramos
Publicada porPPM-Braga
TROCA DE OPINIÕES MONARQUIA OU REPÚBLICA, NO FACEBOOK
Tudo começou com base no vídeo anterior:
- Pedro RainhoE fantástico é eu poder escolher quem gasta o meu euro e os meus cinquenta e nove cêntimos (a serem realmente esses os valores)!há 4 horas · Gosto
- David N. M. Garcia Olá Pedro Rainho, o problema mais fantástico é ainda teres que suportar as pensões de reforma aos ex-presidentes … Somando ao sustento do actual PR, e dada a crise em que vivemos, começa a pesar no orçamento, digo eu..
Abraço.há 3 horas · Gosto - David N. M. Garcia Caro João Costa- A Monarquia não é incompatível com a Democracia. Aliás, se olharmos em Espanha, a Transição para a Democracia foi liderada pelo Rei Juan Carlos I e hoje o sistema Democrático Espanhol, não está em causa e tem toda a credibilidade, porque a crise, não é só em Espanha, mas em todo o lado. Vivemos hoje numa crise à escala global. Mas também acredito que as Monarquias estão melhor preparadas para enfrentar a presente crise do que muitas republicas… Cumprimentos.
- Pedro Rainhopode ser uma coisa minha, mas não aprecio uma discussão em torno da representatividade democrática (ou de modelos políticos) feita com base em argumentos ‘economicistas’. Daí a provocação inicial
- David N. M. Garcia Yo Pedro Rainho- como uma vez te disse pessoalmente, é dificil discutir preconceitos. Em certas situações, os interesses de um País se sobrepõem aos interesses individuais. Nem tudo é perfeito, nem tudo é “cor-de-rosa” ou “laranja” ou “azul e amarelo”, ou “vermelho”, etc… A meritocracia, que é um valor eminentemente republicano, também existe nas Monarquias Democráticas, que são “Republicas Coroadas”. O Primeiro-ministro Sueco, num discurso no Parlamento, por ocasião dos 70 anos do Rei da Suécia, disse a seguinte frase “Nós somos uma republica, mas o Rei é o melhor servidor da nossa república”. E portanto, ele mesmo sendo Socialista, e portanto, militante de um partido que se considerou sempre republicano, hoje, considera, que é perfeitamente possível ser-se republicano e viver em Monarquia. O que acontece numa Monarquia Democrática é que a Monarquia e a República acabam por não ser antagónicas, mas sim complementares, porque, os Eleitos pela Nação estão no Parlamento e a Maioria forma Governo. O próprio Monarca ascende ao Trono, com o consentimento dos representantes da Nação – tal como foi em Portugal, tal como é nos Países Baixos, na Bélgica, na Noruega, etc. Esta ligação entre uma Instituição Nacional verdadeiramente guardiã dos valores fundamentais que todos nós hoje cultivamos, incluíndo os Príncipes e Reis, com a República, isto é, o Bem Comum de Todos, e o Governo desse mesmo Bem Comum, através dos melhores, sem dúvida, cria maior confiança pública.
- Pedro Rainho”em certas situações”, como se vigorar um sistema republicano ou um sistema monárquico em Portugal fosse coisa para escolher hoje e trocar amanhã? bom, tal como te respondi, da primeira vez que classificaste o meu discurso de “preconceituoso”, isso é tão verdadeiro quanto eu dizer-te que a defesa que fazes do sistema monárquico é antiquada ou old-fashion… são concepções diferentes de Estado, David. Como disse, e vais perdoar-me que insista, o “consentimento dos representantes da nação” não me chegam para que a tal meritocracia que defendes seja imediatamente posta de parte por razão superior de um direito hereditário. Não aceito esse valor supremo. Preconceituoso da minha parte? Seja. Há formas mais democráticos de defesa dos “valores fundamentais”, não estando eu certo de que valores são esses e da sua universalidade.
- David N. M. GarciaO problema Pedro, é o facto de hoje, a Constituição da III República Portuguesa, impedir a livre escolha entre Monarquia e República. Se defendemos a Democracia, como sistema, hás-de concordar comigo que é injusto, é um insulto até, o facto de os Portugueses, nós todos, Contribuintes e Cidadãos de Plenos Direitos e Deveres, deveríamos poder escolher livremente e em consciência, se queremos viver em Monarquia ou República. Não há definições perpétuas ou regimes perpétuos. Tudo se adequa a uma época e a um povo. Por outro lado, não me parece que a Monarquia seja algo do passado. Ainda recentemente, mais uma vez, saíu o Relatório do Plano das Nações Unidas para o Desenvolvimento, em que se constata, mais uma vez, que as Monarquias continuam bem na frente. E não é só uma questão de PIB, é também de felicidade e confiança dos povos. Pelo que, tanto na racionalidade, como na emoção, a Monarquia vai bem à frente. Aliás basta ver, nos Países que têm Monarquias Democráticas na Europa, que em qualquer circunstância que marque a tradição do Povo em que a Família Real participe, o Povo sai em massa às ruas saudar a Família Real, que é a Representação de uma Tradição, na qual, a maioria se revê. Olha os Jubileus da Rainha Isabel II no Reino Unido, o Casamento do Príncipe William mais recentemente, os Casamentos do Príncipes de Espanha, o Dia Nacional na Noruega, a entronização da Rainha Beatriz da Holanda e o Casamento do Principe Herdeiro da Holanda; momentos de grande dor, em que o Príncipe Filipe de Espanha esteve presente numa gigantesca manifestação em Madrid, junto do Povo, contra o Terrorismo, a popularidade da Coroa Britânica no Canadá e na Austrália, etc. Todos estes países são realidades onde a Monarquia é um facto, onde aliás a Monarquia já foi referendada, como na Austrália e ganhou, e são casos de sucesso e não me parece que sejam países ultrapassados. Portugal, ou melhor, a República Portuguesa – como diplomaticamente o nosso país é reconhecido – não só está bem atrás desses países, mas continua a descer e já foi ultrapassada por países que nunca pensaríamos que atingissem esse facto. Pelo que, um Candidato a Presidente, se não tiver apoio partidário nunca irá a lado nenhum e não faz sentido, quereremos ter um regulador do confronto partidário, com alguém que já foi “capitão de equipa”. Um Rei, está acima do conflito e serve o seu país, sem ordenados, sem pensões de reforma, e só pensa em servir o seu País, sim toda a sua vida, mas numa Monarquia Constitucional, o Rei não é nenhum Ditador, como alguns Países republicanos que têm autênticos Ditadores, casos do Irão, da China, de Cuba, etc. Sim, não estão na Europa, mas não deixam de existir. Regimes de Partidos Ùnico, republicanos. E ainda há outros Países na Europa, que impuseram também a República e não permitem o Referendo ao Regime, caso da Alemanha, Itália, França, Austria, entre outros. Mas sim, a República da Irlanda é um exemplo de que, quando uma República quer, pode ser aberta a outros regimes democráticos, como a Monarquia. Mas o caso da Irlanda é particular, dado que, a sua independência foi também adversa à Coroa Britânica, tal como os Estados Unidos. Abraço.
- David N. M. Garcia Já agora, que mal tem um Povo querer manter uma Tradição Antiga, como a Instituição Real, no contexto de uma Democracia Parlamentar? O povo será atrasado mental? Havia um sociólogo que dizia “Um Povo sem Memória, é um Povo sem Futuro” – E aqui só estamos a falar de Futuro, mas se não soubermos preservar o que de melhor temos, que é a nossa Identidade e Tradições, não demonstramos ter amor próprio como Povo quase milenar e estarmos condenados. Disse.
O LIBERTADOR DA PÁTRIA
No Primeiro de Dezembro vale bem a pena recordar um dos maiores portugueses de sempre, que dedicou a vida à restauração da independência de Portugal, hoje celebrada.
D. António Luís de Meneses, 3º Conde de Cantanhede, nasceu ainda no final do século XVI em data que não se pode precisar. Participou activamente na conjura contra o domínio espanhol e em 1 de Dezembro de 1640 ajudou a tomar de assalto o Paço da Ribeira e a expulsar a Duquesa de Mântua, que governava Portugal em nome de Felipe IV. Nesse mesmo dia, após a aclamação de el-rei D. João IV, o Conde foi nomeado coronel das tropas restauradoras.
Criou em Coimbra um regimento com 1660 homens, que ficou famoso pela bravura e eficácia nos incessantes confrontos com os espanhóis ao longo da raia.
A fama não passou despercebida a D. Luisa de Gusmão, a rainha regente por menoridade de D. Afonso VI, que solicitou a sua partida em socorro de Elvas, cercada por um poderoso exército espanhol de 3000 homens comandados pelo general Luis Mendez de Haro. A 14 de Janeiro de 1659 deu-se a grande batalha das linhas de Elvas, durante a qual o Conde de Cantanhede e os seus homens desbarataram por completo as tropas inimigas.
Pelo feito glorioso de Elvas, D. António Luís de Meneses foi agraciado em 1661 com o título de Marquês de Marialva, a que mais tarde seriam acrescentados juro e herdade.
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| Armas dos Senhores e Condes de Cantanhede e Marqueses de Maraialva |
Na sequência de um período de disputa política, el-rei D. Afonso VI e o plenipotenciário Conde de Castelo Melhor substituíram-no no comando do Alentejo pelo Conde de Vila Flor, o mesmo que o Marquês de Marialva libertara do cerco de Elvas. Mas após a tomada de Évora por D. João de Áustria, bastardo de Felipe IV, o Marquês é novamente chamado a combater no Alentejo ao comando de um numeroso exército de voluntários. Consegue recuperar a cidade de Évora com o Conde de Vila Flor e entra pela Extremadura espanhola, conquistando Valência de Alcântara.
Mas o apogeu dos feitos do bravo militar estava ainda para vir. Em Junho de 1665, quando se dirigia para Vila Viçosa, então sitiada pelos espanhóis, tinha à sua espera 15000 infantes e 7600 cavaleiros comandados pelo general Caracena. A grande batalha, uma das maiores da nossa história, deu-se no dia 17, perto de Borba, num lugar chamado Montes Claros. O Marquês de Marialva e o Conde de Schomberg infligem uma pesada derrota ao inimigo que, com o moral destroçado, se vê forçado a solicitar a paz definitiva.
Dom António Luís de Meneses viria ainda a ser um dos principais negociadores do tratado entre Portugal e Espanha, assinado a 13 de Fevereiro de 1668, que pôs termo aos 28 anos da guerra da restauração.O Libertador da Pátria, como era então chamado, morreu a 16 de Agosto de 1675, com quase 80 anos de idade. Por seu pedido, o corpo foi sepultado em Cantanhede mas o coração ficou no convento de S. Pedro de Alcântara, em Lisboa, que o próprio Marquês mandara edificar em acção de graças à vitória de Montes Claros. Uns anos mais tarde, el-rei D. Pedro II mandou colocar o nobre coração junto do túmulo de D. João IV, em S. Vicente de Fora.
publicado por João Ferreira do Amaral em 31 da Armada
S.A.R. O SENHOR DOM DUARTE ESTARÁ PRESENTE NA HOMENAGEM A RIBEIRO TELLES DIA 6 DE DEZEMBRO
Homenagem – GONÇALO RIBEIRO TELLES
S.A.R. D. Duarte estará presente na Homenagem a Ribeiro Telles no próximo dia 6 de Dezembro, pelas 17:10 na Fundação Calouste Gulbenkian para dar o seu testemunho público sobre um “homem de serviço” ao País e aos portugueses.
“A Fundação Calouste Gulbenkian e o Centro Nacional de Cultura vão organizar no próximo dia 6 de Dezembro uma sessão de homenagem e reflexão dedicada ao Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles.
"SABEDORIA, COERÊNCIA, VISÃO: GONÇALO RIBEIRO TELLES"
Organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian e o Centro Nacional de Cultura, realiza-se no próximo dia 6 de Dezembro uma sessão de Homenagem e Reflexão dedicada ao Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, com início às 09:30.
S.A R., O Senhor Dom Duarte estará presente nesta homenagem a Ribeiro Telles pelas 17:10 na Fundação Calouste Gulbenkian onde prestará o seu depoimento a este grande Senhor.
Gonçalo Ribeiro Telles é Monárquico convicto, fundador do PPM, foi ministro de Estado e da Qualidade de vida, tendo então criado as zonas protegidas da Reserva Agrícola Nacional, da Reserva Ecológica Nacional e lançado as bases do Plano Director Municipal.
Quem quiser apreciar a sua obra, e perceber o seu génio criativo, passe uma destas tardes pelo Jardim Gulbenkian.
Gonçalo Ribeiro Telles, é uma figura pela qual tenho muita admiração, e um dos poucos políticos dos quais nos podemos orgulhar em Portugal. Espero que o tenhamos por muitos anos entre nós.
"Uma ideia fica: só se ama o que se conhece. E sem ouvir os sábios, estudar as ciências, ter visão comparativa, ninguém pode decidir seja o que for em que domínio for. E como não conhecem/estudam a sua terra, os políticos não podem amá-la, o que significa protegê-la. Ouvindo Ribeiro Telles, dei-me conta que a sua tão intensa relação de pertença só podia advir de ser ele monárquico: causa ou consequência disso, pouco importa!"
Vasco Medeiros Rosa
Publicada porMaria Menezesem Família Real Portuguesa
Fundação Calouste Gulbenkian
Avenida de Berna 45 A – 1067-001 Lisboa
Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão
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Rua Dr. Nicolau de Bettencourt
Transportes
Metro: São Sebastião, Praça de Espanha
Autocarros: 16/56/718/726/742/746/718
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