quinta-feira, 3 de novembro de 2011

XII FEIRA INTERNACIONAL DO CAVALO LUSITANO / FEIRA DE SÃO MARTINHO


Programa AQUI

Golegã e as origens da Feira do Cavalo

Caracterizada pela fertilidade de suas terras, pela abundância de pastos e pela beleza de suas paisagens marcadamente rurais, a Golegã mantém a arquitectura tradicional Portuguesa. Segundo vários autores, a Vila da Golegã teve origem no tempo de D. Afonso Henriques ou de D. Sancho I, quando uma mulher natural da Galiza e que residia em Santarém veio estabelecer-se com uma estalagem neste local. Que a Golegã já existia no século XV, parece não haver dúvidas, bem como depois de se haver estabelecido nela a dita Galega, ter passado a denominar-se Venda da Galega, Póvoa da Galega, Vila da Galega e mais tarde por corrupção de linguagem, "Golegã".

Feira do Cavalo da Golegã

Em 1571, tem início a actual Feira de São Martinho da Golegã, hoje também Feira Nacional do Cavalo e Feira Internacional do Cavalo Lusitano. A partir de 1833, e com o apoio dado pelo Marquês de Pombal, a feira começou a tomar um importante cariz competitivo, realizando-se concursos hípicos e diversas competições de raças. Os melhores criadores de cavalos concentravam-se então na Golegã. Em meados do século XVIII, teve o seu começo a Feira da Golegã, chamada até 1972 Feira de São Martinho, data a partir da qual passou a denominar-se Feira Nacional do Cavalo. É a Feira Nacional do Cavalo a mais importante e mais castiça de todas as feiras que no seu género se realizam em Portugal e no mundo. Aqui apresentam-se todos os criadores, com os seus belos exemplares, razão pela qual se transaccionam na Golegã os melhores puro-sangue criados no País, que são vendidos para vários pontos do globo, sendo o mais importante evento nacional Equestre e o maior entreposto comercial do Puro Sangue Lusitano, reconhecido mundialmente.(...)

Fonte: Wikipédia

GALIZA E PORTUGAL: UM SÓ POVO E UMA SÓ NAÇÃO!

Por um compreensível desconhecimento, grande parte dos portugueses possui um entendimento errado em relação à identidade da Galiza e das gentes galegas, classificadas de "espanhóis" e confundindo-as com os demais povos peninsulares. Aliás, tal como sucede em relação à língua portuguesa que é o idioma da Galiza e que também é erradamente confundida com o castelhano que é a língua oficial de Espanha, também ela impropriamente por vezes designada por "espanhol". Na realidade e para além dos portugueses, a Península Ibérica é habitada por gentes de culturas e idiomas tão distintos como os vascos, os catalães, os asturianos e finalmente, os galegos e portugueses que possuem uma língua e uma identidade cultural comum, apenas separados em consequência das vicissitudes da História. A Espanha, afinal de contas, não representa mais do que uma realidade supranacional, cada vez mais ameaçada pelas aspirações independentistas dos povos que a integram.
Com as suas quatro províncias - Corunha, Lugo, Ourense e Pontevedra - e ainda alguns concelhos integrados na vizinha Astúrias, a Galiza constitui com Portugal a mesma unidade geográfica, cultural e linguística, o que as tornam numa única nação, embora ainda por concretizar a sua unidade política. Entre ambas existe uma homogeneidade que vai desde a cultura megalítica e da tradição céltica à vetusta Gallaécia e ao conventus bracarensis, passando pelo reino suevo, a lírica galaico-portuguesa, o condado portucalense e as sucessivas alianças com os reis portugueses, as raízes étnicas e, sobretudo, o idioma que nos é comum - a língua portuguesa. Ramon Otero Pedrayo, considerado um dos maiores escritores do reintegracionismo galego, afirmou um dia na sua qualidade de deputado do parlamento espanhol que "a Galiza, tanto etnográfica como geograficamente e desde o aspecto linguístico, é um prolongamento de Portugal; ou Portugal um prolongamento da Galiza, tanto faz". Teixeira de Pascoaes foi ainda mais longe quando disse que "...a Galiza é um bocado de Portugal sob as patas do leão de Castela". Não nos esqueçamos que foi precisamente na altura em que as naus portuguesas partiam à descoberta do mundo que a Galiza viveu a sua maior repressão, tendo-lhe inclusivamente sido negada o uso da língua galaico-portuguesa em toda a sua vida social, incluindo na liturgia, naturalmente pelo receio de Castela em perder o seu domínio e poder assistir à sua aproximação a Portugal.
No que respeita à sua caracterização geográfica e parafraseando o historiador Oliveira Martins, "A Galiza d'Aquém e d'além Minho" possui a mesma morfologia, o que naturalmente determinou uma espiritualidade e modos de vida social diferenciados em relação ao resto da Península, bem assim como uma diferenciação linguística evidente. Desse modo, a faixa atlântica e a meseta ibérica deram lugar a duas civilizações diferentes, dando a primeira origem ao galaico-português de onde derivou o português moderno e a segunda ao leonês de onde proveio o castelhano, actualmente designado por "espanhol" por ter sido imposta como língua oficial de Espanha, mas consignado na constituição espanhola como "castelhano". Não foi naturalmente por acaso que Luís Vaz de Camões, justamente considerado o nosso maior poeta possuía as suas raízes na Galiza. Também não é sem sentido que também o poeta Fernando Pessoa que defendeu abertamente a "anexação da Galiza", afirmou que "A minha Pátria é a Língua Portuguesa".
De igual modo, também do ponto de vista étnico as raízes são comuns a todo o território que compreende a Galiza e o nosso país, com as naturais variantes regionais que criam os seus particularismos, obviamente mais próximas do Minho, do Douro Litoral e em parte de Trás-os-Montes do que em relação ao Alentejo e ao Algarve, mas infinitamente mais distanciados relativamente a Castela e outras regiões de Espanha.
No seu livro "A Galiza, o galego e Portugal", Manuel Rodrigues Lapa afirma que "Portugal não pára nas margens do Minho: estende-se naturalmente, nos domínios da língua e da cultura, até às costas do Cantábrico. O mesmo se pode dizer da Galiza: que não acaba no Minho, mas se prolonga, suavemente, até às margens do Mondego". Torna-se, pois, incompreensível que continuemos a tratar o folclore e a etnografia galega como se de "espanhola" se tratasse, conferindo-lhe estatuto de representação estrangeira em festivais de folclore que se pretendem de âmbito internacional, quando na realidade deveria constituir uma participação assídua nos denominados festivais nacionais. Mais ainda, vai sendo tempo das estruturas representativas do folclore português e galego se entenderem, contribuindo para um melhor conhecimento mútuo e uma maior aproximação entre as gentes irmãs da Galiza e de Portugal. O mesmo princípio aliás, deve ser seguido pelos nossos compatriotas radicados no estrangeiro, nomeadamente nos países da América do Sul onde as comunidades portuguesas e galegas possuem uma considerável representatividade numérica. Uma aproximação e um entendimento que passa inclusivamente pelo cyberespaço e para a qual a comunidade folclórica na internet pode e deve prestar um inestimável contributo.
Afirmou o escritor galego Vilar Ponte na revista literária "A Nossa Terra" que "os galegos que não amarem Portugal tão pouco amarão a Galiza". Amemos, pois, também nós, portugueses, como um pedaço do nosso sagrado solo pátrio, essa ridente terra que se exprime na Língua de Camões - a Galiza !

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A LUZ AO FUNDO DO TÚNEL

E de repente ficamos a saber que temos a maior reserva de ferro da Europa, que há interessados credíveis em a explorar, que isso implica obras na modernização do transporte ferroviário abandonado, que os portos de Leixões e Aveiro terão de ter obras de reformulação.

Surge o ouro no Alentejo, o gás natural no Algarve, o petróleo em Peniche, que sabemos agora, não teve apetência empresarial de exploração por duvidosas questões ambientais, levantadas por grupos de pressão favorecidos na sua capacidade de intervenção pela comunicação social.

Ficou claro também, que de repente que a União Europeia aceita a alteração do TGV, para uma via rápida de mista (mercadorias e passageiros) o que transforma o porto de Sines como a principal porta europeia para entrada e escoamento comercial, depois da próxima abertura do canal do Panamá…ficamos a saber também que afinal o porto de Algeciras estava já ligado à Europa através da via ferroviária com bitola europeia e assim percebemos melhor a razão do acordo Ibérico feito pelo governo de Sócrates e as vantagens económicas evidentes que adviriam para Espanha.

Tomamos também agora consciência pública que 1/3 do território nacional está em desertificação acelerada, através do alerta divulgado pelo Observatório Espacial Europeu…se bem que tal facto não tenha tido impacto na nossa comunicação social, porquanto levantaria problemas graves de consciência a políticos no activo. em particular ao senhor Presidente da Republica, responsável primeiro pelo estado lamentável de abandono da nossa actividade agrícola.

O sector primário… minas, energia, agricultura e pescas, é finalmente avaliado ainda apenas por alguns portugueses, como essência para o nosso arranque no caminho do desenvolvimento económico e da eliminação da dependência externa, que nos causou todo este empobrecimento brusco e violento.

A luz ao fundo do túnel é assim este pensamento estratégico, que a crise fez ressurgir.

O erro é hoje evidente…Portugal mesmo integrando uma União Europeia fulgurante no seu desenvolvimento, não poderia subsistir como Nação, preterindo o seu sector produtivo à visão de país eminente prestador de serviços.

A luz ao fundo do túnel é esta visão, triste é certo, de ouvir os “carrascos” da nossa produção agrícola e industrial, a falarem hoje na necessidade de consumir produtos nacionais.

Ainda haverá um largo caminho a percorrer para que esta pequena luz, ilumine os espíritos de políticos, sindicalistas e dirigentes patronais, que teimam a esquecer o pensamento económico estratégico, pois persistem em se manter bloqueados na exclusiva premissa do aumento da produtividade empresarial.

Os interesses particulares e de grupos corporativos, dominam ainda a mentalidade geral da economia portuguesa…os ganhos de produtividade estão bloqueados pela mentalidade sindical dominante, pela burocracia estatal, pelo enquadramento jurídico e pela ineficácia judicial. Muito tempo haveria que esperar pelas reformas essenciais que alterassem este enquadramento…mas o pensamento dominante persiste em acreditar que esta é a principal premissa do desenvolvimento.

Essa, e a injecção de dinheiro na economia…dinheiro emprestado e não criado.

É aqui, que está a verdadeira luz ao fundo do túnel…eliminar a nossa dinâmica de endividamento externo…pagar as nossas dívidas com dinheiro criado através da exploração dos nossos recursos naturais…sector primário.

Teremos ainda capacidade humana disponível para os sacrifícios inerentes à actividade mineira, à agricultura e às pescas?

Esta dúvida coloca-se no meu espírito, mas tenho esperança que o sofrimento que hoje muitos já sentem também irá ocasionar uma outra mudança na mentalidade dos portugueses…não é possível continuar a beneficiar dos direitos, sem deveres e esforço.

O Ministro da economia anunciou como provável o maior investimento de sempre realizado em Portugal através da cedência de exploração das minas de Moncorvo…há muitos outros projectos e finalmente Portugal começa a entender as suas próprias potencialidades.

O porto de Sines tem mais condições que o porto de Algeciras…o “papalvo” já fugiu para Paris.

A esperança de voltarmos a ter esperança, veio associada a esta crise e a mudança que ela determinará na nossa mentalidade será a condição determinante para que a nossa saudade do passado histórico se atenue, perante a luz que se alguns já visionam ao fundo do túnel.

José J. Lima Monteiro Andrade 

QUE TAMANHO TEM A ALMA DO PRESIDENTE DESTA REPÚBLICA?

"Tudo vale a pena quando a alma não é pequena" afirma hoje no Brasil o homem que representa a república e a ver pelo historial da nossa república, representa-a na perfeição.

Há uns anos numa reportagem da RTP sobre, se não estou em erro, a monarquia espanhola a repórter encerrava a peça com a frase “só a título de curiosidade saiba que a monarquia custa a cada espanhol 19 cêntimos, a presidência da república em Portugal custa a cada português 1 euros e 58 cêntimos e em termos de transferência de orçamentos, o governo espanhol transfere para a casa real quase 9 milhões de euros, o governo português transfere para a presidência da república quase 16 milhões de euros”. Eu acrescento ainda que a rainha do Reino Unido custa a cada britânico 80 cêntimos. Esta reportagem é, se não me engano, de 2005, altura em que a crise ainda não batia com força e entretanto a Casa Real Espanhola reduziu o seu orçamento, estando actualmente nos 8 milhões (menos um milhão do que em 2005). A ideia partiu do próprio rei que solicitou a redução do seu orçamento visto que a sua pátria estava em dificuldades. É isso que faz um rei, adapta-se, preocupa-se, gasta menos. Já o nosso presidente também se preocupa. Demonstra-o com frases como "ninguém está imune aos sacrifícios" e, para o provar, fica entre os chefes de Estado mais gastadores da Europa, necessitando de 500 empregados no seu palácio, contra os 300 e 200 dos palácios dos monarcas do Reino Unido e Espanha, respectivamente. Além disto fez-se acompanhar por um séquito de 23 pessoas, nas quais se incluíam mordomo, médico pessoal, enfermeira, 12 seguranças privados, entre outros “criados” essenciais, ao Brasil, e agora afirma “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”... se a dele fosse grande faria como fez aquele rei que assassinámos a tiro, em 1908, e pedia ao parlamento para lhe retirar 20% da dotação da Casa Civil. Dava o exemplo porque “o exemplo vem de cima” e "ninguém está imune a sacrifícios" mas pelos vistos ele não é ninguém... ele é o representante deste regime que, desde que nos foi imposto (e nunca legitimado), nada mais tem feito do que enganar e explorar os portugueses... Outros países europeus, que ficaram presos ao terror que é a monarquia, como o Reino Unido, a Holanda, a Suécia, a Dinamarca, o Luxemburgo, são agora sociedades evoluídas, igualitárias, as melhores democracias do mundo, de acordo com os rankings da ONU. Nós fomos forçados a evoluir e a aceitar a modernidade da República sob ameaças e torturas, e agora temos o que “escolhemos” e merecemos.
Hoje Cavaco afirma "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena". E eu pergunto: de que tamanho é a alma do presidente desta república? Penso que seja do tamanho da legitimidade, honestidade e seriedade da mesma república.
Sara Jofre

SUA MAJESTADE, EL REI DOM MIGUEL I E A SUA DESCENDÊNCIA

IDP: PROGRAMA FÓRUM ALENTEJO, 5 E 6 DE NOVEMBRO


terça-feira, 1 de novembro de 2011

ENCONTRARAM O PAI DO MONSTRO

À medida que a crise avança na sociedade portuguesa, ferindo como uma lâmina os mais frágeis (Portugal tem 2,5 milhões de trabalhadores que ganham entre 700 e 800 euros e as medidas de austeridade vão transformá-los em novos pobres, informava o “Público”), anda meio mundo à procura da paternidade do monstro, aquele que, dizem, engravidou o Estado de funcionários públicos e afins. E falam dele, uns como entidade abstracta, como faz o Primeiro-Ministro, Passos Coelho, outros como um fenómeno mais difícil de encontrar do que o de Loch Ness, o outro monstro do nosso imaginário literário e do cinema.

Afadigam-se nessa tarefa ciclópica, colossal, de pesquisar a realidade, e muitos são incapazes de decifrar os mistérios insondáveis por onde o monstro escapa, apesar dos vestígios materiais da sua presença serem muitos e variados.

Vasco Pulido Valente, que é bom detective e percebe os movimentos pendulares da sociedade portuguesa, caracterizou não só a tipologia do monstro – como descobriu o pai da extravante criatura.

O analista lembrou que “Passos Coelho, num acesso incompreensível, sugeriu que se investigasse quem “estava na origem” de “encargos” para a sociedade portuguesa que obviamente se não podiam sustentar e defendeu a responsabilização dos culpados”.

Como quem esclarece quem é o pai da criança, Vasco Pulido Valente escreve: “Em meados de 2005, Miguel Cadilhe acusou Cavaco de ser o principal culpado pelo aumento da “massa salarial da função pública”, que já representava naquela altura 15 por cento do PIB. Pior ainda, Cadilhe denunciou Cavaco como o inspirador “directo” do monstro e seu “pai” quase exclusivo.

Como se vê, Pedro Passos Coelho escusa de se cansar na sua simpática procura da “origem” e dos “culpados” da crise. Basta que se meta no carro e pergunte em Belém pelo sr. Presidente da República, se ele não andar ocupado a tratar do monstro, com que na aparência se reconciliou. Afinal de contas, por feio e repugnante que pareça, o monstro é filho dele. Muito dele.” Está desfeito o mistério.Estamos safos.

 - Fernando Paulouro Neves  in Jornal do Fundão