segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O CASTELO DE LANHOSO NA "REVISTA DOS CENTENÁRIOS"

Por ocasião da realização da Exposição do Mundo Português, em 1940, foi publicada a “Revista dos Centenários” cuja edição de Janeiro incluiu um artigo da autoria de Jorge Larcher alusivo aos castelos de Bragança e Póvoa de Lanhoso. Nesse artigo que fazia parte de uma série dedicada aos castelos de Portugal, o autor escreveu o seguinte a propósito do castelo de Lanhoso:
“Além do castelo de Bragança, de que ligeiramente nos ocupámos, breves referências vamos dedicar ao castelo da Póvoa de Lanhoso, do qual só resta, como recordação gloriosa desse passado distante, a torre de menagem coroada de ameias, a única parte do castelo que conseguiu escapar à fúria devastadora dos homens e do tempo.
Impossível fixar a data da sua construção, mas supões-se, e não sem fundamento, que a origem desta fortificação venha dos tempos romanos pelos emementos que têm sido encontrados por aquelas imediações.
Devia ter sido fortaleza importante, pois nela se recolheu D. Tereza, quando não podendo resistir à perseguição das forças de sua irmã, que lhe havia declarado guerra, se acolheu à sombra destas muralhas, que não tardaram a ser cercadas pelas forças de D. Urraca.
Valeu-lhe nesta terrível situação Fernando Peres, que, com D. Gelmires, arcebispo de Compostela, não deixando escapar a ocasião que se lhes oferecia para disputarem com D. Paio alguns bens que pretendiam alcançar procuraram assim lançar a divisão entre as forças de D. Urraca.
Ignora-se a forma como D. Gelmires actuou. O que é certo é que foi preso, mas, apesar dessa decisão, D. Urraca achou mais prudente, temendo talvez a influência de tão irreconciliável inimigo, estabelecer as pazes com sua irmã, fazendo-lhe grandes concessões.
A este castelo está ligada uma lenda, na realidade de grande intensidade dramática, história de amores mal fadados, que aqui teve o seu epílogo.
D. Rodrigo Pereira de Barredo, fidalgo de alta nobreza, teve um dia a secreta e desoladora notícia de que sua mulher traía a fidelidade conjugal.
O nobre fidalgo, depois de ter a certeza de tão desagradável informação, uma noite, fechou de surpresa todas as portas, de modo que ninguém pudesse escapar à cruel punição que reservava a todos que considerava culpados, e pegou fogo ao castelo, que ardeu completamente, morrendo abrasados pelas chamas todos que nele se encontravam.
Qualquer destes castelos do norte, de tão remota fundação, foram vigilantes sentinelas e resistentes obstáculos que contribuíram para a libertação do solo português e para a afirmação da nossa Independência, que em breves meses se vai comemorar, condignamente, em todas as terras de Portugal”.

HÁ SEIS SÉCULOS A DINASTIA DE AVIS ERA RECONHECIDA POR CASTELA

A 31 de Outubro de 1411 foi assinado em Ayllon um tratado de paz entre os reinos de Castela e de Portugal, que também incluía a França e Aragão. Este tratado foi ratificado pelos dois Reis. Contudo, quando D. João II de Castela atingiu a maioridade, foi feita uma nova ratificação do tratado, a 30 de Abril de 1423, onde estiveram presentes os embaixadores portugueses D. Fernando de Castro e o doutor Fernando Afonso. Era ainda o reflexo dos problemas vividos entre as duas mais importantes coroas ibéricas durante a crise de 1383-1385.
Estas tréguas eram extremamente importantes para Portugal, pois permitiam a manutenção da praça de Ceuta. Mas a paz definitiva só foi alcançada pelo Tratado de Medina del Campo, assinado a 30 de Outubro de 1431. D. João I, o monarca português, enviou a Castela, como seus embaixadores, Pedro e Luís Gonçalves Malafaia, assistidos pelo doutor Rui Fernandes e pelo secretário Rui Galvão.
Antes desta data, o período de paz conseguido pelas citadas tréguas entre os dois reinos permitiu retomar o povoamento das zonas raianas e fixar as populações. Permitiu igualmente, como nos diz Gomes Eanes de Zurara, implementar o comércio nas áreas fronteiriças, com a retoma das seculares relações de vizinhança entre as povoações dos dois lados.
 
A situação de conflito latente com Castela, mantida até 1411, fez endividar o país com as despesas inerentes à guerra. Contudo, a fase vivida entre esta data e a assinatura definitiva do tratado de paz afastou por completo a ameaça de uma invasão castelhana, embora não tivesse desvanecido um permanente clima de tensão entre estes dois reinos.
Durante todo o reinado de D. João I, o país viveu sob esta ameaça latente e num clima de suspeição relativamente a Castela, embora Portugal tenha encontrado uma boa alternativa ao voltar-se para Marrocos e para o Atlântico, enquanto o rei de Espanha se ocupava da conquista de Granada, o último reduto muçulmano na Península.
Fonte: Infopédia

domingo, 30 de outubro de 2011

O QUE NOS INTERESSA!

Hoje um Rei não interessa a ninguém no actual sistema republicano porque fala com independência; Hoje um Rei não interessa a ninguém porque não tem cor partidária; Hoje um Rei não interessa a ninguém porque não tem facção; Hoje um Rei não interessa a ninguém porque não tem lobby; Hoje um Rei não interessa a ninguém porque fala de união de todos os portugueses e não em cultos de individualidades; Hoje um Rei não interessa a ninguém porque implicaria uma mexida nas mentalidades de todos, aquilo que usualmente chamo de mentalidade colectiva de uma Nação; Hoje um Rei não interessa a ninguém porque implicaria agitação nos lugares bem instalados de muitos; Hoje um Rei não interessa a ninguém porque mexeria no status quo; Hoje um Rei não interessa a ninguém porque não trás as equações mágicas que a república prometia e que, em vez de 767 anos de grandiosidade, apenas trouxeram trevas e tristeza; Hoje um Rei não interessa a ninguém porque traria a verdade de um difícil caminho de médio e longo prazo a trilhar, contrariando as fórmulas republicanas ilusoriamente facilitadoras para atingir objectivos.

Mas quem me conhece bem…sabe que não sou de “caminhos fáceis e rápidos”! Para mim, e mais que nunca, interessa-me e muito um Rei para o meu País! Quero começar a trabalhar desde agora (pois mais vale tarde do que nunca), numa Monarquia Constitucional, para a médio ou mesmo longo prazo almejar equiparar-me a um sueco, um norueguês, um dinamarquês, um canadense, etc. 


FOTOS: 143º ANIVERSÁRIO DA REAL ASSOCIAÇÃO HUMANITÁRIA DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE LISBOA - 18 DE OUTUBRO DE 2011

Chegada de S.A.R., Dom Duarte Pio às cerimónias do 143º aniversário.
Momento em que o anterior Guião é arreado pelo Porta Guião Chefe Paulo Vitorino, apradinhado por S.A.R., Dom Duarte Pio.
Já com o novo e real guardião de 1886
Entrega a S.A.R. Dom Duarte do Titulo de Sócio Honorário pelo Presidente da RAHBVLISBOA Dr. Pedro de Montargil, Visconde de Montargil. - Palácio de Quintela
S.A.R. Dom Duarte Pio entrega ao Duque de Palmela o Titulo de Sócio Honorário da RAHBVL - Palácio di Quintela.
Imposição por S.A.R. Dom Duarte Pio da Medalha de Mérito da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa. - Palácio Quintela
Bolo de Aniversário
Fotos: Facebook
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FAMILIAR DA CASA DE POMARCHÃO ORIGINOU O PRIMEIRO LIVRO IMPRESSO NO BRASIL


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"A RAINHA SANTA" (C.1269-1336)

Rainha Santa Isabel - Milagre das rosas. Autor desconhecido Século XVI [1540-50] Óleo sobre madeira de carvalho 36 x 29 cm Museu Nacional de Machado de Castro, Coimbra

Filha de Pedro III de Aragão e de Dona Constança de Navarra, nasceu em Saragoça ou Barcelona e faleceu em Estremoz. Em 1288 casou por procuração em Barcelona com Dom Dinis. Acompanhou o rei, nos primeiros anos de casada, nas suas deslocações através do país e a fama da sua bondade granjeou-lhe a simpatia do povo, sendo-lhe atribuído o episódio conhecido por “Milagre das Rosas”. Desempenhou o papel de medianeira nas lutas entre Dom Dinis e o seu irmão Dom Afonso e entre o rei e o príncipe herdeiro, futuro Dom Afonso IV. Em 1287 Dom Dinis doou à Rainha, Sintra e seus castelos que lhe ficaram a pertencer até 1300, passando depois, por sucessivas doações para o infante Dom Afonso (irmão de Dom Dinis) para Dona Isabel (sobrinha de Dom Dinis) e Dona Beatriz (mulher de Dom Afonso IV), tendo contudo a Rainha usufruído de todos os direitos e pertenças até ao fim da sua vida, em 1336. O culto do Espírito Santo teria sido introduzido pela “Rainha Santa” em Alenquer e Sintra, sendo ainda hoje as festas do Penedo, em Sintra, consideradas as mais fiéis ao ritual tradicional. A pedido de Dom Manuel I, Dona Isabel foi beatificada por Leão X em 1516.

sábado, 29 de outubro de 2011

UMA QUESTÃO DE SOBERANIA

A soberania do povo não é ilimitada. Ela está delimitada pela justiça e pelos direitos dos indivíduos. A vontade de um povo não pode fazer com que aquilo que é justo vire injusto e vice-versa. Em segundo lugar, pode-se afirmar que a demonstração clara de certos princípios constitui a sua melhor garantia de aceitação universal.

Ora, se reconhecermos que a soberania tem limites, ninguém, em sã consciência, ousará reivindicar o poder ilimitado, nem tão pouco condiciona-lo aos interesses de um determinado grupo ou elite.
Para Benjamin Constant “ a soberania não pode ficar nas mãos dos que exercem o poder, pois a tendência de todo governo constituído é a sua auto-preservação. A soberania, portanto, deve ser limitada desde fora do poder pela própria sociedade”. Mas também afirma que “numa sociedade fundada na soberania do povo, é evidente que nenhum indivíduo, classe nenhuma, tem o direito a submeter o resto à sua vontade particular; mas é falso que a sociedade, no seu conjunto, possua sobre os membros uma soberania sem limites”, da mesma forma que “Um poder republicano que se renova periodicamente, não é um ser aparte, não impressiona em nada a imaginação, não tem direito à indulgência para os seus erros, já que buscou o posto que ocupa e não tem nada mais precioso que defender do que a sua autoridade, comprometida quando é atacado o seu ministério, integrado por homens como ele e dos que sempre é solidário”.

Numa altura em que Portugal se encontra inserido numa comunidade europeia, o conceito de soberania, revela-se agora de importância crucial. Daí, a necessidade de um poder “neutro”, que desde sempre foi característica da monarquia constitucional.

Para o mesmo pensador: “A monarquia constitucional oferece-nos esse poder neutro, tão necessário para o exercício normal da liberdade. O Rei, num país livre, é um ser aparte, superior à diversidade de opiniões, sem outro interesse que a manutenção da ordem e da liberdade, sem poder jamais cair na condição comum, inacessível, portanto, a todas as paixões que tal condição faz nascer e a todas as que a perspectiva de a ela voltar alimenta no coração dos agentes que estão investidos de uma potestade passageira. Essa augusta prerrogativa da realeza deve infundir, no espírito do monarca, uma calma e, na sua alma, um sentimento de tranquilidade, que não podem ser património de nenhum indivíduo situado numa posição inferior. O monarca flutua, por assim dizer, por cima das agitações humanas e constitui um grande acerto da organização política ter criado, no seio mesmo dos dissentimentos sem os quais nenhuma liberdade é possível, uma esfera inviolável de segurança, de majestade, de imparcialidade, que permite a eclosão desses dissentimentos sem nenhum perigo, desde que não excedam certos limites, e que, quando aquela se anuncia, ponha-lhe término por meios legais, constitucionais e não arbitrários. Todo esse imenso benefício perde-se se o poder do monarca for rebaixado ao nível do poder executivo, ou se for elevado este ao nível do monarca”.

Assim, ao contrário de certas correntes de pensamento monárquicas da nossa “praça”, a instituição régia, na prática da monarquia constitucional, posto que os seus poderes são delimitados, dá-lhe, no entanto, um perfil de salvaguarda da estabilidade política, tirando do soberano a pecha de ser um poder arbitrário, revestindo-o, em compensação, de uma auréola moral que se sobrepõe à luta rasteira pelo poder.

É verdade que hoje não existem cruzados, mas há inconformados.

Hoje, há gente disposta a lutar pela monarquia constitucional, independentemente dos feudos; que não presta vassalagem a ninguém, nem tão pouco personifica a sua causa, porque essa causa é ancestral, é a origem do mundo, a essência da identidade dum povo. Essa causa é Monarquia!

Abel Ferreira