sexta-feira, 22 de julho de 2011

COLÓQUIO INTERNACIONAL "CISTER, OS TEMPLÁRIOS E A ORDEM DE CRISTO"


Convento de Cristo, Tomar

 30 de Setembro e 1 e 2 de Outubro de 2011

 Informações e Inscrições Online:  www.cister-templarios.ipt.pt

Publicado por Rui Paiva Monteiro em "Causa Monárquica"

QUEM FORAM ELES?



Sempre me divertiram essas republicanas susceptibilidades. Agora, tratou-se do caso do funeral de Otão de Habsburgo, onde um desconhecido Presidente vienense foi obrigado a comparecer, devido à presença de numerosos Chefes de Estado estrangeiros. A República austríaca, já suficientemente mesquinha quanto à sua nula identidade - foi proclamada em 1918, reivindicando a sua pronta adesão à Alemanha e sob o nome de Deutschösterreich - , não podia ficar de fora. Além da constante e quase obsessiva perseguição à pessoa do Grande Homem que há dias partiu deste mundo, a República austríaca vive em boa e regalada forma de parasitismo, às custas do legado dos Habsburgos. Desde Schönbrunn à Hofburg, do Ring à Ópera, do belíssimo edifício do Reichsrat aos grandes Museus e da valsa que se tornou no símbolo do país, tudo gira em torno da lembrança da dinastia daquele Império que foi o essencial elo do perdido equilíbrio europeu. Os Habsburgos estão presentes a cada esquina, em cada jardim ou praça. O país não medra sem eles, estejam ou não estejam sentados no trono. Mais que a presença das pedras e das telas ou o som das orquestras que transportam os turistas para um outro tempo cheio de memórias, os Habsburgos significam uma certa ideia de Europa que a República austríaca jamais conseguirá impor. Pior ainda, do seu democrático parlamento chegaram ecos de ódio "contra os estrangeiros" que um dia foram todos denominados de "portugueses", numa abusiva generalização que nem sequer tem em conta, a fraquíssima presença dos nossos nacionais naquele pequeno país.

Desde há um século, quem são os grandes nomes do Estado austríaco? Quem se lembra ou retém como saudosa evocação, o nome de um Presidente ou de um 1º Ministro? É preciso o recurso a uma dose cavalar de fosfoglutina para avivar a memória, principalmente quando as referências são tão escassas. Senão, vejamos:

Francisco José foi Kaiser durante a maior parte do século XIX e marcou indelevelmente o ocaso do Império, falecendo em 1916. Os seus retratos estão por todo o lado, dos cafés de Viena, Praga, ou Budapeste, às casas particulares. O velho Senhor concitou o respeito e saudade por um tempo em que o Império significava um certo esbater de fronteiras e a possibilidade da vida em comum.

O segundo austríaco, foi o sucessor Kaiser Carlos I, soberano efémero mas cujo patriotismo e grande dignidade são um exemplo. Este descendente de D. Nuno Álvares Pereira, é hoje um Beato da Igreja e a Áustria disso beneficia, no seguimento daqueles outros homens que se tornaram em símbolos dos seus países, como São Luís em França, Santo Estêvão na Hungria, São Venceslau na Boémia. Ainda há pouco tempo, Otão de Habsburgo dizia que jamais permitiria a trasladação de Carlos I, pois a Madeira tinha-o acarinhado nas horas trágicas da pobreza no exílio, protegendo a família e tornando aquele descendente dos Reis de Portugal, num dos seus. Por vontade da Casa de Áustria, o Beato Carlos I para sempre repousará na Igreja do Monte e isso interessa-nos enquanto portugueses. É talvez o elemento mais importante de proximidade entre o nosso país e a Áustria.

O terceiro austríaco com fama mundial, foi o Chanceler Adolfo Hitler, dispensando qualquer tipo de considerações.

O quarto, já na obscuridade bem própria dos políticos que não deixam marca notável, foi Kurt Waldheim. Quem dele ainda se recorda? Com um passado nebuloso e perdido no período de ocupação da Jugoslávia de 1941-44, Waldheim "reciclou-se" às mãos chantagistas da ditadura soviética, sendo um precioso peão que ascenderia a Secretário-Geral da ONU. Foi um dos mais terríveis inimigos de Portugal e sem honra ou glória, conseguiu alçar-se a Presidente da Áustria, para grande consternação de um mundo subitamente consciente da sua controversa personalidade. Já então se conhecia o seu passado bipolar e muitos aproveitaram o ajuste de contas por actos políticos no pós-guerra, nomeadamente aqueles praticados durante a sua permanência nas Nações Unidas.

Otão é o homem que transversalmente corta o tempo de todos os precedentes, desde a conhecida foto de criança que abraça as pernas do tio-bisavô, até à saga dos exílios - que foram muitos - e da generosidade da dádiva de uma Europa que ele quis diferente e que hoje lamentamos não se ter erguido por cobiça de muitos, desrespeito dos vorazes burocratas e frustração das bem instaladas nulidades que nos comandam.

São estes, os homens de Estado que o século XX austríaco marcou. Consegue recordar-se de outros?

Como Otão dizia, "as feridas do dinheiro nunca são mortais. As políticas, sim".

Nuno Castelo-Branco

S.A.R., DOM DUARTE NA FORÇA AEREA PORTUGUESA - 1968

D. Duarte Duque de Bragança
S.A.R., O Senhor Dom Duarte Pio de Bragança foi incorporado na Força Aérea Portuguesa, em 4 de Janeiro de 1968, frequentando o curso de piloto de helicópteros na Base Aérea nº 3, Tancos.

ÚLTIMOS DIAS: MERCADO MEDIEVAL DE ÓBIDOS


quinta-feira, 21 de julho de 2011

O PAI DO MONSTRO

Olhando hoje para as declarações do Senhor Chefe de Estado  vejamos alguns resultados das aulas que deu durante estes anos ao povo Português. Algum do historial pode ser lido AQUI

Mas o mais grave é este senhor vir dizer publicamente o que disse. A década de 90 foi essencialmente uma década de destruição do escudo de forma a que Portugal fosse um dos fundadores do UEM, União Económica e Monetária, ou seja embora se argumente que de 1985 a 1992 houve crescimento económico a verdade é que as medidas tomadas nesta altura como desinflação não só retirou o crawling peg da panóplia de instrumentos à disposição dos governos portugueses como implicou um significativo reforço do valor cambial do escudo. O câmbio estabelecido entre 1990 e 1992 acabou por ser aquele com que o país aderiu ao 2000 ao Euro que aliás já tinha sido confirmado no Tratado de Maastricht em 1991, e parece ter sido fixado a um nível demasiado elevado para a competitividade das exportações portuguesas.
Os governos que lhe seguiram limitaram-se a seguir o que já tinha sido feito e cumprir os acordos estabelecidos no quadro da UEM, quando o Euro entrou em 2002 em Portugal o Governo de Guterres foi o simples executor da aula de Economia do Pai do Monstro. Se há um responsável pela moeda que asfixia o nosso país … esse tem um nome.

Juntando o X e o Y da equação perguntamos “mas afinal o pai do Monstro acha que o povo tem  Alzeimer ?” O senhor  professor de Economia é do tempo em que os professores não tinham avaliação … todos nós sabemos que a Economia não é uma ciência, se fosse utilizava métodos comprovados sem ter a necessidade de os executar para obter resultados. A Economia não é a Matemática que aplica pressupostos, ou Axiomas como verdades aceites por todos sem terem a devida prova dos mesmos … Não há verdades absolutas na Economia … e as que não são em Matemática podem levar séculos a serem provadas sem que ponham em causa as Liberdades e Garantias de um Povo.

Agora o problema que se volta a por é o problema do Regime, numa Monarquia Constitucional o Chefe de Estado nunca na sua magistratura teria a sua legitimidade em causa tendo em conta o seu passado anterior. Numa Monarquia Constitucional os Parlamentos ou Cortes verificam ao pormenor a capacidade de alguém poder vir a ser o Chefe de Estado, no caso concreto Rei. Há exemplos pré-1910 em Portugal de Reis e Rainhas que foram destituídos do cargo por serem considerados inaptos, exemplo Rainha D.Maria I. No momento actual fala-se de que os responsáveis pelo estado da economia portuguesa deviam ir a tribunal e serem julgados, penso que é óbvio que as culpas não morrem solteiras e tal é injusto que seja apontado principalmente ao anterior governo, aliás são mais que óbvias as provas da paternidade do Pai do Monstro.

Numa Monarquia Constitucional actual e moderna como as Europeias o passado do actual Chefe de Estado nunca lhe daria direito ao trono, nem que fosse da família real.

Paiva Monteiro
Algum do historial pode ser lido AQUI

ACTUALIDADE DE RAMALHO ORTIGÃO

Combater apenas o analfabetismo do povo por meio de escolas primárias e de escolas infantis sem religião e sem Deus, não é salvar uma civilização, é derruí-la pela base por meio do pedantismo da incompetência, da materialização dos sentimentos e do envenenamento das ideias. Quem ignora hoje que foi a perseguição religiosa e o domínio mental da escola laica o que retalhou e fraccionou em França a alma da nação? Quem é que nesse tão amado, tão generoso e tão atribulado país não está vendo hoje objectivar-se praticamente o profético aforismo de Le Bon: «É sobretudo depois de destruídos os deuses que se reconhece a utilidade deles!»
 
[...]
 
Em Portugal somos hoje um povo medonhamente deseducado pela inepta pedagogia que nos intoxica desde o princípio do século XIX até os nossos dias.
 
O Marquês de Pombal teve a previsão desta crise quando por ocasião da expulsão dos jesuítas ele procurou explicar que o aniquilamento da Companhia de Jesus não decapitaria a educação nacional porque os eruditos padres da Congregação do Oratório vantajosamente substituiriam como educadores os jesuítas expulsos.
 
Com a influência intelectual dos oratorianos, introdutores do espírito criticante de Port Royal na renovação da mentalidade portuguesa, condisse realmente o advento de um dos mais brilhantes períodos da nossa erudição.
 
Vieram, porém, mais tarde os revolucionários liberais de 34, os quais condenaram, espoliaram e baniram os padres da Congregação do Oratório como Pombal espoliara e banira os padres da Companhia de Jesus.
 
A obra liberal de 1834 – convém nunca o perder de vista – foi inteiramente semelhante à obra republicana de 1910. Nos homens dessas duas invasões é idêntico o espírito de violência, de anarquismo e de extorsão. Dá-se todavia entre uns e outros uma considerável diferença de capacidade.
 
Os de 34, de que faziam parte Herculano, Garrett e Castilho, eram espíritos oriundos da Academia da História, da livraria das Necessidades e do colégio de S. Roque.
 
Tinham tido por mestres ou por companheiros de estudo homens tais como António Caetano de Sousa, o autor da História Genealógica; Barbosa Machado, o autor da Biblioteca Lusitana; Bluteau e os colaboradores do seu Vocabulário; Santa Rosa de Viterbo, o autor do Elucidário; João Pedro Ribeiro, o admirável erudito iniciador dos altos estudos da nossa história e precursor de Herculano; António Caetano do Amaral, o infatigável investigador da História da Lusitânia; D. Frei Caetano Brandão, seguramente o mais elevado espírito e a mais formosa alma que deitou o século XVIII em Portugal; o padre Cenáculo, o mais prodigioso semeador de bibliotecas; o padre António Pereira de Figueiredo, o autor do famoso Método de estudar; Félix de Avelar Brotero, o insigne naturalista; o polígrafo abade Correia da Serra, e outros que não menciono porque teria de reproduzir um copioso catálogo se quisesse dar mais completa ideia do que foi a cultura portuguesa nessa fase da nossa evolução literária.
 
Os novos revolucionários de 1910, com excepção honrosa dos que não sabem ler, não tiveram por decuriões senão os seus predecessores revolucionários liberais de 34. E daí para trás - o que quer dizer daí para cima - nunca abriram um livro com medo da infecção clerical, porque todos eles acreditam com fetichistico ardor que o clericalismo é o inimigo, segundo a fórmula célebre com que o príncipe de Bismarck conseguiu sugestionar Gambetta para o irremediável desmembramento moral da França.
 
Ramalho Ortigão, em carta dirigida a João do Amaral em 1914.
(In Ramalho Ortigão, Últimas Farpas, 1911-1914, Lisboa, Clássica Editora, 1993, pp. 159sqq)