quinta-feira, 26 de maio de 2011

CARTA ABERTA AOS CABEÇAS DE LISTA QUE CONCORREM EM VIANA DO CASTELO (E NÃO SÓ)


Considerando que nenhuma geração tem o direito de impor às gerações futuras as suas leis;

Considerando que uma grande parte dos eleitores portugueses gostaria de se pronunciar sobre a forma de organização do Estado;

Considerando que há defensores do regime monárquico em todos os partidos políticos;

Considerando que os portugueses têm o direito de escolher se querem viver em monarquia ou em república e que esse direito não lhes pode ser vedado por uma imposição anti-democrática;

a REAL ASSOCIAÇÃO DE VIANA DO CASTELO pretende saber se os cabeças de lista de todos os partidos concorrentes à Assembleia da República pelo círculo eleitoral do distrito de Viana do Castelo concordam com

1. a alteração da redacção da alínea b) do artigo 288º da CRP, substituindo-se a expressão ‘’ forma republicana’’ por "forma democrática" de organização do Estado;
 
2. a realização de um referendo sobre República ou Monarquia.

Por isso, Senhor Candidato, dê-nos a sua opinião, com brevidade, de preferência até ao próximo dia 30 de Maio, para a divulgarmos aos nossos associados.
 
Obrigado!

A Direcção da Real Associação de Viana do Castelo

quarta-feira, 25 de maio de 2011

ENTREVISTA DE PAULO ESTEVÃO, DO PPM, À RTP

NACIONALISMO TOTALITÁRIO?

Sim. (...) Porque tudo pela Nação, nada contra a Nação. A Nação acima de tudo? Evidentemente. Acima de Deus e acima do Rei? A pergunta revela estupidez em quem a formule. Porque eu não concebo a Nação nem independente de Deus, nem independente do Rei. Sem Deus, é a Nação sem alma; sem Rei, é a Nação acéfala. Porque assim penso, sou nacionalista totalitário, e coloco a Nação acima de tudo – que é como quem diz: coloco acima de tudo, – Deus, a Pátria e o Rei.

Alfredo Pimenta in Três Verdades Vencidas: Deus, Pátria, Rei.

ALBERTO DO MÓNACO CONVIDOU 4000 PESSOAS PARA A BODA

O príncipe e Charlene Wittstock casam a 2 de Julho perante um número recorde de convidados. A lua-de-mel será no país natal da noiva, na África do Sul.

Cerca de 4000 convidados assistirão lado a lado ao casamento do príncipe Alberto do Mónaco. O gabinete de Turismo do principado divulgou ontem o número de presenças que assistirão, a 2 de Julho, ao casamento religioso do monarca com a namorada.

Michel Bouquier, responsável pelo turismo do Mónaco, revelou ainda que os noivos irão passar a lua-de-mel no país natal de Charlene Wittstock. Será também nessa altura que acontecerá a terceira festa do casamento, para familiares e amigos da futura princesa monegasca.

Ao invés do que aconteceu por ocasião do casamento do príncipe William com Kate Middleton, no Mónaco não estarão à venda os tradicionais souvenirs com os rostos dos príncipes. O palácio optou por estabelecer contratos publicitários com a Montblanc (marca da caneta com a qual os noivos assinarão o livro de honra do palácio) e a Lexus (fabricante automóvel que produziu o carro híbrido no qual os noivos se deslocarão durante o cortejo nupcial). 
 

ESCÂNDALOS E LUTAS PELO PODER

 
O recente escândalo de Dominique Strauss-Kahn, acusado por uma criada de hotel de violação, está a preencher páginas de jornais e tempos de antena das televisões. Por se tratar de um crime sexual, e por DSK, como é conhecido no seu país de origem, ser à data dos acontecimentos director-geral do FMI e, mais importante ainda, provável candidato ao Palácio do Eliseu.

O tratamento deste caso tem todos os ingredientes para captar a atenção dos consumidores de notícias de escândalos: dinheiro, política e sexo. Tal como as histórias que envolveram o Presidente Clinton ou o primeiro-ministro italiano, mas aqui com a grande diferença de haver uma acusação de violência, o que torna o ex-ocupante da Sala Oval e o “cavaliere” Berlusconi em quase meninos de coro.

A notícia causou um terramoto em França, sobretudo no Partido Socialista, que via nele – inclusive mercê de sondagens que o davam como vencedor das eleições presidenciais de 2012 – o grande trunfo para recuperar a Presidência da República que desde François Mitterrand lhe tem escapado. Aliás, se o acusado pertencesse a um partido de direita, o abalo seria igual e as reacções semelhantes. Mas, imediatamente, o PS francês, ainda que oficiosamente, lançou a tese da cabala, o “complot”, que nós portugueses tão bem conhecemos da história política recente, para justificar a acusação. Sem, pelo menos de forma clara, nela implicar o partido do actual presidente, deixando no ar a possibilidade de serem países não europeus a quererem ocupar o lugar mais importante do FMI, os socialistas não deixam de dizer, pelas vozes de dirigentes menores, que DKS caiu numa armadilha para o afastar da corrida presidencial.

Neste caso lamentável, não faço juízos de valor sobre as atitudes “mulherengas” de Strauss-Kahn em que é reincidente, nem condenações prematuras, quando a Justiça ainda não se pronunciou definitivamente. Se tivesse que fazer acusações seria ao espectáculo montado em primeira mão pelo sistema penal dos EUA que fere a dignidade humana, e mesmo os criminosos confessos a têm, pelos meios de comunicação social para quem estes casos são uma forma fácil de vender o produto e para os leitores “voyeurs” que, como as hienas, se alimentam do esterco.

Mas, ao reflectir sobre este caso, não posso deixar de concluir que a simples enunciação da tese de “complot” – que pode muito bem ter existido – envolvendo um eventual candidato à Chefia do Estado francês, revela que a luta pelo poder, ainda que efémero, para o cargo de presidente da república, vem revelar que mesmo para a mais alta magistratura das repúblicas – que representam os seus países e os respectivos Estados, interna e externamente e deveriam ser a referência política das democracias – todas as formas de afastar ou diminuir possíveis adversários são possíveis, mesmo as ilícitas, pela legalidade ou pela ética. A chefia do Estado, pela sua importância nacional e política, não pode estar à mercê de lutas que a diminuem e põem em causa dignidade da função e de quem a encarna.

João Mattos e Silva in Diário Digital (23-Mai-2011)

terça-feira, 24 de maio de 2011

LE TEMPS - A REALEZA VAI SALVAR A DEMOCRACIA

O príncipe herdeiro da coroa holandesa Willem Alexander, a Rainha Beatriz, a princesa Margarida e o seu marido saúdam a multidão, em Haia, no Dia do Príncipe 2010  (a 21 de setembro).
O príncipe herdeiro da coroa holandesa Willem Alexander, a Rainha Beatriz, a princesa Margarida e o seu marido saúdam a multidão, em Haia, no Dia do Príncipe 2010 (a 21 de Setembro).

Para lá do conto de fadas e do “estrelato” dos membros de famílias reais que tanto agrada às revistas cor-de-rosa, os monarcas europeus continuam a desempenhar um importante papel simbólico: à semelhança da Rainha Beatriz da Holanda podem servir de baluarte contra o nacionalismo limitativo de populistas como Geert Wilders.
 

A monarquia – constitucional, evidentemente, e não despótica – tem ainda qualidades redentoras? Os argumentos contra a manutenção de reis e rainhas são essencialmente racionais. Não é razoável, nestes tempos democráticos, atribuir uma atenção especial a certas pessoas exclusivamente na base da sua família de nascimento. Devemos realmente admirar e amar as monarquias modernas, como a Casa britânica de Windsor, e mais agora, simplesmente porque uma nova princesa foi extraída da classe média?

A monarquia tem um efeito infantilizador. Basta observar como adultos geralmente razoáveis são reduzidos a bajulações impressionantes quando lhes é concedido o privilégio de tocar uma mão real que se lhes estende. Nas grandes manifestações monárquicas, como o casamento real de Londres, milhões de pessoas tecem sonhos infantis de casamentos de “contos de fadas”. O mistério envolvendo uma imensa riqueza, nascimento nobre e grande exclusividade é enormemente apoiado pelos meios de comunicação globais, que fazem a promoção desses rituais.

Pode-se sempre argumentar que a digna pompa da Rainha Isabel II é preferível à grandiloquência sórdida de um Silvio Berlusconi, de uma Madonna ou de um Cristiano Ronaldo. De facto, a monarquia – a britânica, em particular – vai-se reinventando através da adopção de algumas das características mais comuns da celebridade moderna, dos mundos do espectáculo e do desporto. E os mundos da realeza e das glórias populares sobrepõem-se muitas vezes.

Beckham e Victoria vivem o sonho da realeza

David Beckham e a sua esposa e ex-estrela pop Victoria, por exemplo, vivem o seu próprio sonho de realeza, imitando alguns dos seus aspectos mais espalhafatosos. Também eles estiveram entre os convidados mais privilegiados, neste recente casamento real. Da mesma forma, numa Grã-Bretanha que tem imensos músicos proeminentes, o favorito da Corte é Elton John.

Infantil ou não, há uma sede profunda e partilhada de viver por procuração a vida dos reis, das rainhas e de outras estrelas cintilantes. A mera qualificação dessas pessoas como extravagância ostentadora inútil revela uma falta de perspectiva para um mundo de sonhos brilhantes, que deve permanecer completamente fora do alcance, pois é precisamente isso que muitas pessoas procuram nele.

Mas há um outro lado, mais sombrio, nesse desejo irresistível: o de ver os seus ídolos arrastados na lama pelos tablóides, em mexericos maliciosos, antecâmaras de divórcio, etc. É o lado vingativo da adulação, como se a humilhação da adoração dos ídolos devesse ser contrabalançada pelo prazer perante a sua derrocada.

Submeter as pessoas que nascem em famílias reais, ou que se casam com elementos delas, a viver num aquário, constantemente expostas, como actores ou actrizes de intermináveis telenovelas lamechas, onde as relações humanas são deformadas e danificadas por absurdas regras de protocolo, é uma forma terrível de crueldade. A actual Imperatriz do Japão e a nora, ambas provenientes de famílias não-aristocráticas, sofreram depressões nervosas por conta disso.

Monarcas dão ao povo noção de continuidade

Da mesma forma, as estrelas de cinema são frequentemente vítimas de alcoolismo, drogas e depressão; mas pelo menos essas escolheram a vida que levam. O que não é o caso dos reis e rainhas. O príncipe Carlos de Inglaterra podia ter sido muito mais feliz como jardineiro, mas nunca teve sequer opção.

Um elemento a favor dos monarcas é que dão ao seu povo uma noção de continuidade, o que pode ser útil em tempos de crise ou de mudanças radicais. Graças ao Rei de Espanha, o pós-franquismo foi feito com estabilidade e sem rupturas bruscas. Durante a Segunda Guerra Mundial, os monarcas europeus mantiveram vivas as noções de esperança e de unidade dos seus súbditos sujeitos à ocupação nazi.

Mas há ainda outro aspecto. As monarquias são frequentemente populares junto das minorias. Os judeus contaram-se entre os súbditos mais leais ao Imperador Austro-Húngaro. Francisco José I defendeu-os, quando os alemães antissemitas os ameaçaram. Segundo ele, judeus, alemães, checos e húngaros eram todos seus súbditos, onde quer que vivessem, do modesto “shtetl” de província às grandes capitais, como Budapeste ou Viena. Isso ajudou a proporcionar alguma protecção às minorias, numa época em que o nacionalismo étnico estava a crescer.

Nesse sentido, a monarquia é um pouco como o Islão ou a Igreja Católica: todos os crentes são supostamente iguais perante Deus, o Papa ou o Imperador – daí a atracção que exercem sobre os pobres e os marginalizados.

Rainha acusada de ser anti-holandesa

E é também isso que permite explicar uma certa animosidade contra a monarquia por parte de alguns populistas de extrema-direita. O dirigente dos populistas holandeses, Geert Wilders, por exemplo, denunciou a Rainha Beatriz, em várias ocasiões, pelo seu “esquerdismo”, o seu elitismo e o seu multiculturalismo. À semelhança da nova onda de populistas por todo o mundo, Wilders promete entregar o país aos seus seguidores, acabar com a imigração (especialmente de muçulmanos) e devolver à Holanda o seu carácter puramente holandês, seja qual for o significado que isso tenha. Beatriz, como Francisco José, recusa-se a fazer uma distinção étnica e religiosa dos seus súbditos. É isso que pretende transmitir quando prega a tolerância e a compreensão mútua. Para Wilders e os seus apoiantes é um sinal de que ela protege os estrangeiros, que apoia os muçulmanos. Para eles, a Rainha é praticamente uma anti-holandesa.

Obviamente, como em todas as famílias reais europeias, as origens da família real holandesa são muito misturadas. O surgimento de reis e rainhas como figuras especificamente nacionais é um desenvolvimento histórico relativamente recente. Os impérios eram constituídos por muitas nações. A Rainha Victoria, essencialmente de sangue germânico, não se considerava apenas a Rainha dos Britânicos, mas também de malaios e de muitos outros povos.

Esta tradição democrática para se manter acima das tensões redutoras de um nacionalismo étnico podem ser o melhor argumento para manter os regimes monárquicos por mais algum tempo. Agora que muitos países europeus estão cada vez mais misturados em termos étnicos e culturais, resta aprender a viver em conjunto. 
Se os monarcas podem ensinar isso aos súbditos, só temos de agradecer aos reis e rainhas que subsistem.
 
© Project Syndicate (Twitter: @ProSyn)


Publicado por Rui Paiva Monteiro em  "Causa Monárquica"

O PAÍS MAIS FELIZ DO MUNDO É UMA MONARQUIA CONSTITUCIONAL

Qual é o país mais feliz do Mundo? Segundo um estudo de uma universidade britânica, esse país é a Dinamarca. Surpreendidos? Não há razão para surpresas, afinal de contas a Dinamarca é uma Monarquia Constitucional! Vejam o vídeo e comparem (tal como é sugerido no filme) com o que temos por cá! (Rubrica ‘Histórias do Mundo’ do ‘Jornal da Noite’ da SIC do dia 21 de Abril de 2010).

Para Portugal a solução é simples e mora em Sintra, mesmo que alguns de "nós" (o Poder instalado) fiquem...menos contentes.

Ricardo Gomes da Silva - Monarquia