sexta-feira, 29 de abril de 2011

S.A.R. O SENHOR DOM DUARTE EM CONVERSA COM JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS

DOMINGO É O DIA DA BEATIFICAÇÃO DE JOÃO PAULO II

João Paulo II: «Um coração universal»

Padre Manuel Morujão, porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, recorda exemplo de vida do Papa que será beatificado no próximo domingo

Lisboa, 29 abr 2011 (Ecclesia) – O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) recorda João Paulo II como uma figura “simples” mas que, pela sua “profunda interioridade”, conseguia tocar a todos com o seu testemunho de Deus.
Em declarações ao Programa da Igreja Católica, esta quinta-feira, na Antena 1, o padre Manuel Morujão destaca um Papa que, ao longo do seu pontificado (1978 – 2005), foi ouvido “por gente da direita e da esquerda, por democratas e ditadores, por ateus e representantes de diversas religiões”.
“Isto demonstra que foi um coração universal, tinha uma palavra para todos, respeitosa, que acolhia os valores das culturas que visitava, e por isso é alguém que merece ser colocado como modelo” sustenta o sacerdote.
O secretário da CEP aponta ainda para o “realismo de vida” que também “dá verdade à santidade” de Karol Wojtyła, nascido na Polónia em 1920, no seio de uma sociedade marcada pelas agruras da Primeira Guerra Mundial.
Ele próprio conviveria, na sua juventude, com a invasão das tropas alemãs e russas, durante a Segunda Guerra Mundial, e com os campos de concentração nazi construídos em território polaco.
(emissão 28-04-2011)
“Viveu as vicissitudes de qualquer cidadão, o que lhe dá um estatuto particular porque viveu grandes dificuldades. Não teve um berço de ouro nem viveu um mar de rosas” refere o sacerdote jesuíta, para quem estas experiências moldaram o modo como João Paulo II contribuiu para a paz em diversos países, sendo um “profeta que levantava a sua voz para defender os mais fracos”.
Tendo tido oportunidade de acompanhar, no Vaticano, os últimos dias de vida de João Paulo II, em 2005, quando o Papa já estava limitado pela doença de Parkinson, o padre Morujão diz que aquilo que mais o impressionou foi “um homem que aceitava a doença, não se eximia de mostrar que era velho e doente”, em que “a sua limitação assumida era uma força”.
Uma força que depois continuava a falar ao coração das outras pessoas que “abeiravam-se dele” e “sentiam que era uma pessoa de família que estava mal”.
O Papa João Paulo II vai ser beatificado no próximo domingo, dia 1 de maio, no Vaticano, uma cerimónia para a qual são esperadas várias centenas de milhares de pessoas.
A beatificação foi anunciada a 14 de janeiro, depois da publicação do decreto que comprovava um milagre atribuído à intercessão de Karol Wojtyla, relativo à cura da religiosa francesa Marie Simon-Pierre, que sofria da doença de Parkinson.
O Vaticano já escolheu o dia 22 de outubro para a celebração da memória litúrgica do futuro beato, data da missa de início do pontificado do Papa polaco, e vai permitir que, no primeiro ano após a beatificação, seja possível celebrar uma “missa de agradecimento a Deus” em locais e dias “significativos”, por decisão de cada bispo diocesano.

João Paulo II: Embaixador na Santa Sé lembra «grande amigo» dos portugueses

Manuel Fernandes Pereira recebeu grupo de bispos portugueses

Octávio Carmo, enviado da Agência ECCLESIA ao Vaticano
Roma, 29 abr 2011 (Ecclesia) – O embaixador de Portugal junto da Santa Sé, Manuel Fernandes Pereira, afirmou hoje em Roma que o Papa João Paulo II foi um “grande amigo” dos portugueses.
Em declarações à Agência ECCLESIA e à Lusa, após ter recebido vários membros do episcopado católico de Portugal, o diplomata diz que as várias viagens do Papa Wojtyla ao país contribuíram para que “os portugueses vissem nele um grande amigo”.
Manuel Fernandes Pereira vai marcar presença na cerimónia de beatificação de João Paulo II, marcada para o próximo domingo, no Vaticano.
O embaixador luso junto da Santa Sé recorda “a ligação entre um Papa polaco e Portugal, cujos povos têm uma grande devoção” à Virgem Maria.
O “trágico atentado” de 13 de maio de 1981 viria, segundo Manuel Fernandes Pereira, a reforçar esses laços.
Este responsável valorizou, por outro lado, o facto de João Paulo II ter começado a falar português, em intervenções públicas, “desde cedo”.
“Via-se que fazia isso com satisfação”, acrescenta, destacando a valorização da língua portuguesa nas cerimónias oficiais do Vaticano, nas quais é habitualmente utilizada.
A cerimónia do próximo domingo vai contar com pelo menos 87 delegações oficiais, incluindo a representação portuguesa, com a presença do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado.
Para Manuel Fernandes Pereira, essa participação justifica-se com a dimensão “universal” da figura de João Paulo II.
Quanto ao encontro de hoje com bispos portugueses que se encontram em Roma, por estes dias, o embaixador português falou em “honra e satisfação” pela oportunidade de os ter podido receber.
O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), padre Manuel Morujão, sublinha à Agência ECCLESIA o “clima familiar” com que decorreu este momento, no qual marcaram presença uma dezena de pessoas, incluindo o presidente da Conferência, D. Jorge Ortiga, e o novo bispo nomeado de Coimbra, D. Virgílio Antunes, entre outros.
Além da beatificação de João Paulo II, os presentes tiveram oportunidade de recordar a visita de Bento XVI a Portugal, em maio de 2010.
O presidente da CEP agradeceu o convite e o acolhimento recebido, explicitando a missão de serviço da Igreja, particularmente dos bispos de serem também «servos dos servos».
Além dos bispos e do secretário da CEP, marcaram presença o reitor do Colégio Pontifício Português, o reitor do Instituto Português de Santo António em Roma e o Conselheiro Eclesiástico da embaixada portuguesa.
A missa da beatificação decorre na Praça de São Pedro, a partir das 10:00 (menos uma hora em Lisboa), com entrada livre ao local a partir das 05:30.
João Paulo II esteve no Santuário de Fátima em 1982, 1991 e, pela última vez, em 2000, altura em que beatificou os videntes Francisco e Jacinta Marto.
Nessas três visitas, sempre no mês de maio, passou ainda por Braga, Coimbra, Lisboa, Porto, Vila Viçosa, Açores e Madeira, somando-se uma escala técnica no aeroporto de Lisboa (2 de Março de 1983), a caminho da América Central.

Em declarações à Agência ECCLESIA o responsável que se encontra em Roma refere que se “nota muitos peregrinos para assistir à beatificação de João Paulo”, mas o “número é inferior” ao do funeral do antecessor de Bento XVI.

Segundo dados fornecidos pela Secretaria-Geral do Episcopado estarão presentes vários bispos portugueses: D. Jorge Ortiga, D. Manuel Felício, D. António Marto, D. José Policarpo, D. Jacinto Botelho, D. Albino Cleto, D. António Carrilho, D. Serafim Ferreira e o recém-nomeado bispo de Coimbra, D. Virgílio Antunes.

Fonte: Agência ECCLESIA


 
O Papa João Paulo II vai ser Beatificado no próximo domingo, mas as cerimónias prolongam-se por três dias e contam com uma ligação directa a Fátima, que Karol Wojtyla visitou três vezes.
 
A Beatificação terá várias etapas, dentro e fora do Vaticano, e culmina com o rito presidido por Bento XVI, a 1 de Maio. O actual Papa preside, por norma, às cerimónias de Canonização (proclamação de um novo santo) e esta será apenas a segunda Beatificação que celebra.
 
O corpo de João Paulo II vai ser trasladado a 29 de Abril para junto do túmulo de São Pedro (séc. I), considerado o primeiro Papa da Igreja Católica, nas grutas do Vaticano, passando para o altar da confissão, dentro da Basílica, onde vai ser exposto aos fiéis, depois da conclusão do rito de beatificação.
 
O programa completo das celebrações ligadas à beatificação inicia-se a 30 de abril com uma vigília ao ar livre, no Circo Máximo de Roma, momento em que haverá uma ligação em directo a cinco locais de culto dedicados à Virgem Maria, em todo o mundo, incluindo o Santuário de Fátima.
 
A missa da Beatificação decorre na praça de São Pedro, a partir das 10h00 (menos uma hora em Lisboa), podendo os fiéis entrar, livremente, a partir das 5h00.
 
O anúncio do nome de João Paulo II como novo Beato vai acontecer pouco depois do início da missa, numa cerimónia que inclui a apresentação do pedido formal de Beatificação pelo cardeal Agostino Vallini, vigário-geral do Papa para a diocese de Roma. Segue-se a leitura da biografia de João Paulo II e a fórmula recitada por Bento XVI, na qual se faz o anúncio da data da festa litúrgica, concluindo-se com o descerramento do retrato do novo Beato e colocação das relíquias junto ao altar.
 
O Vaticano escolheu o dia 22 de Outubro para a celebração da memória litúrgica do futuro Beato, data da missa de início do pontificado do Papa polaco, e vai permitir que, no primeiro ano após a Beatificação, seja possível celebrar uma "missa de agradecimento a Deus" em locais e dias "significativos", por decisão de cada bispo diocesano.
 
Na segunda-feira, 2 de Maio, na Praça de São Pedro, às 10:30, será celebrada uma Eucaristia em honra do novo Beato presidida pelo Cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano.
 
A sepultura dos restos mortais de João Paulo II no andar principal da Basílica vai ser feita de forma privada, no mesmo dia 2, na capela de São Sebastião, localizada na nave da basílica do Vaticano, junto da famosa 'Pietà' de Miguel Ângelo.
 
João Paulo II morreu a 2 de Abril de 2005 com 84 anos. Durante as cerimónias fúnebres, muitos fiéis na Praça São Pedro gritaram: "Santo subito!" (Santo já!).
 
Normalmente, o Vaticano respeita um período de cinco anos após a morte para iniciar o processo de Beatificação. No entanto o caso do Papa foi mais rápido devido à "reputação de Santo atribuída ao papa João Paulo II em vida, na morte e após a morte", segundo explicou a Santa Sé em comunicado.
 
A Beatificação foi anunciada a 14 de Janeiro, depois da publicação do decreto que comprovava um milagre atribuído à intercessão de João Paulo II, Karol Wojtyla (1920-2005). Trata-se da cura da religiosa francesa Marie Simon-Pierre, que sofria de Parkinson, tal como João Paulo II.
 
Uma vez beatificado, e para que o Papa polaco se torne Santo, será preciso que um segundo milagre lhe seja atribuído.
 
Económico com Lusa
Encontro da Família Real com S.S., O Papa João Paulo II, em Março de 2003, pela 2ª vez.
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João Paulo II: Ampola com sangue é a relíquia escolhida para a Beatificação
 
Relicário será exposto aos fiéis durante a celebração do próximo dia 1 de Maio. Cidade do Vaticano, 26 abr 2011 (Ecclesia) – Uma ampola com sangue de João Paulo II vai ser exposta como relíquia no rito de Beatificação do Papa polaco, marcado para o próximo dia 1 de Maio, anunciou hoje o Vaticano.
 
Em comunicado, refere-se que o Departamento para as Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice (DCLSP) preparou um “relicário” em que será apresentado o sangue, recolhido aquando dos últimos dias de vida de Karol Wojtyla (1920-2005), tendo em vista uma eventual transfusão.
 
A missa da beatificação decorre na praça de São Pedro, a partir das 10:00 (menos uma hora em Lisboa), podendo os fiéis entrar, livremente, a partir das 05:00.
 
O anúncio do nome de João Paulo II como novo beato vai acontecer pouco depois do início da missa, numa cerimónia que inclui a apresentação do pedido formal de beatificação pelo cardeal Agostino Vallini, vigário-geral do Papa para a diocese de Roma.
 
Segue-se a leitura da biografia de João Paulo II e a fórmula recitada por Bento XVI, na qual se faz o anúncio da data da festa litúrgica, concluindo-se com o descerramento do retrato do novo beato e colocação da relíquia junto ao altar.
 
Uma relíquia é um objeto preservado com o propósito de ser venerado religiosamente: uma peça associada a uma história religiosa, um objeto pessoal, partes do corpo de um santo ou de um beato.
 
As relíquias são usualmente guardadas em recetáculos próprios chamados relicários.
 
O sangue de João Paulo II recolhido para o centro de transfusões do hospital «Bambino Gesú», em Roma, acabou por ficar guardado em quatro recipientes.
 
Dois deles foram entregues ao secretário particular do Papa polaco, o actual Cardeal Stanislaw Dziwisz, e os outros dois ficaram no referido hospital, que cederá agora uma ampola ao DCLSP.
 
A Santa Sé refere que o sangue se encontra em estado líquido, explicando o facto com a presença de “uma substância anticoagulante presente nas provetas, no momento da extração”.
 
A Beatificação de João Paulo II, a1 de Maio, no Vaticano, será presidida pelo seu sucessor, Bento XVI, que vai apresentar o Papa polaco aos católicos como modelo de vida e intercessor junto de Deus, passados pouco mais de seis anos após a sua morte.
 
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Várias iniciativas assinalam em Fátima a Beatificação de João Paulo II
 
Fátima, Santarém, 27 Abril (Lusa) -- A Beatificação de João Paulo II vai ser assinalada no Santuário de Fátima, que o Papa visitou por três vezes, com várias iniciativas no fim-de-semana, estando o momento alto das celebrações reservado para dia 13 de Maio.
 
"Fátima não podia ficar alheia a este acontecimento da Beatificação de um Papa que lhe esteve tão intimamente unido", justificou o Bispo da Diocese de Leiria-Fátima, António Marto.
 
No sábado, a partir das 20:00, numa organização do Vicariato de Roma que terá transmissão para todo o mundo através do Centro Televisivo do Vaticano, o Santuário vai participar numa vigília de oração, cabendo aos peregrinos que se encontrarem em Fátima a recitação do último mistério do rosário.
 
De Margarida Cotrim (LUSA) © 2011 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
 

SANTA RAIVINHA ANTI-MONÁRQUICA

Calculo as cólicas, cãibras estomacais, ranger de dentes e erupções que hoje acometerão por esse mundo fora o grande partido da inveja anti-monárquica. Hoje, a Santa Liga da micro burguesia dos "direitos" e das "conquistas" do "somos todos iguais" estará indisposta. Mais abespinhada, a multidão de patetas endinheirados que se perguntarão "o que é que eles têm a mais ?" "Com que direito, só por serem príncipes, merecem tanta atenção ?" Há dois ou três anos, em Banguecoque, frequentando alguns meios "farang", sobretudo americanos, angustiados pela monarquia tailandesa deles não querer saber para nada, apercebi-me da real expressão do anti-monarquismo da maioria dos ditos republicanos. Trata-se, pura e simples, de inveja: inveja por terem dinheiro e não poderem comprar um lugar na Casa Real, inveja por saberem que a monarquia está acima dos negócios, dos lóbis e até da macaqueação snob - isto é, Sans Noblesse - que dá pelo nome de "alta sociedade".

SÃO TEOTÓNIO CELEBRA JUBILEU DA MORTE DO SEU PADROEIRO

São Teotónio está a celebrar o Jubileu da morte do seu padroeiro e um dos eventos inseridos nestas celebrações promovidos por esta Paróquia do Baixo Alentejo será uma conferência no próximo dia 14 de Maio, cujo tema será a importância do primeiro Santo Português na História da Igreja e de Portugal no seu tempo e o que representa este Homem transcendental para a actualidade, os conferencistas serão: o Ex.mo Rev Doutor António de Jesus Ramos Dig. Professor do Seminário Maior de Coimbra e Ex.mo Doutor Ulisses Rolim Dig. Grão Prior da Real Confraria de S. Teotónio de Évora, a conferência realiza-se no auditório da Caixa Agrícola desta vila e a entrada é livre... 
Fonte: FACEBOOK de Vitória Freire

São Teotónio

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
São Teotónio (D. Telo) (Ganfei, Valença, 1082 - Coimbra, 18 de Fevereiro de 1162) foi um religioso português do século XII, tendo sido canonizado pela Igreja Católica
Formado em teologia e filosofia em Coimbra e Viseu, tornou-se prior da Sé desta última cidade em 1112. Foi em peregrinação a Jerusalém, e ao regressar quiseram-lhe oferecer o bispado de Viseu, o que recusou.

Tornou-se um dos aliados do jovem infante Afonso Henriques na sua luta contra a mãe, Teresa de Leão, dizendo a lenda que teria chegado a excomungá-la. Mais tarde, seria conselheiro do então já rei Afonso I de Portugal.

Entretanto, foi de novo em peregrinação à Terra Santa, onde quis ficar; regressou porém a Portugal (1132), desta feita a Coimbra, onde foi um dos co-fundadores, juntamente com outros onze religiosos, do Mosteiro de Santa Cruz (adoptando a regra dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho), do qual se tornou prior. Esta viria a ser uma das mais importantes casas monásticas durante a Primeira Dinastia.

Em 1152, renunciou ao priorado de Santa Cruz; em 1153 Alexandre IV quis fazê-lo bispo de Coimbra, o que uma vez mais recusou.

Morreu em 18 de Fevereiro de 1162, que é ainda hoje o dia em que é celebrado pela Igreja Católica. Foi sepultado numa capela da igreja monástica que ajudou a fundar, mesmo ao lado do local onde o primeiro rei de Portugal se fez sepultar.

Em 1163, um ano depois da sua morte, o Papa canonizou-o; São Teotónio tornava-se assim o primeiro santo português a subir ao altar, sendo recordado sobretudo por ter sido um reformador da vida religiosa nessa Nação nascente que então era Portugal; o seu culto foi espalhado pelos agostinianos um pouco por todo o Mundo. É o santo padroeiro da cidade de Viseu e da respectiva diocese; é ainda padroeiro da vila de Valença, sua terra natal. É também o Santo que dá nome a um colégio situado em Coimbra, chamado Colégio de São Teotónio. No concelho de Odemira, a mais extensa freguesia do país recebeu também o nome deste santo. Desta vila, São Teotónio é também o santo padroeiro, sendo as festividades religiosas realizadas anualmente no dia 18 de Fevereiro.

OUTRO TEMPO, OUTRA KATE

 
A 21 de Maio de 1662 casou-se com Carlos II, aquela que até hoje, seria a última Rainha da Grã-Bretanha com o nome de Catarina. Desde cedo se lhe referiam como Kate, tal como agora é popularmente conhecida a futura consorte de Guilherme de Gales. O casamento foi cuidadosamente tratado e se para Portugal significou a garantia da independência em boa hora restaurada no 1º de Dezembro de 1640, para os britânicos marcou decisivamente, o momento da ascensão imperial que levaria a Union Jack a todo o planeta. Não será muito ousado afirmar que essa segurança proporcionaria a Portugal, a manutenção de um império ultramarino que chegaria ao nosso tempo e hoje significa a presença da língua portuguesa em quatro continentes.
 
Os noticiários têm passado constantes imagens do movimento em torno do enlace daquele que num futuro ainda distante, será o monarca do nosso mais antigo - talvez o único, constante, teimoso e verdadeiro - aliado. A esmagadora maioria entusiasmar-se-á por um espectáculo que segundo os cânones ingleses, surge como uma obra de cinema avidamente seguida por dois mil milhões de espectadores. Se uns tantos criticam o evidente dispêndio de somas destinadas a uma organização que zela para que tudo surja impecavelmente disposto e apresentado, muitos já pasmam com o caudal de ouro que entra nos cofres do Estado. Materialmente, a Monarquia consiste num esplendoroso negócio para a Grã-Bretanha e em qualquer loja de rua amontoam-se souvenirs que podem atingir preços exorbitantes, adquiridos por coleccionadores em todo o mundo. É certo que se o kitsch e a irreverência são parte integrante no conjunto da oferta, há que notar a extraordinária qualidade de peças que vão desde as faianças à joalharia, vestuário e acessórios. O famoso By Appointment of H.M. The Queen, consiste numa inesgotável fonte de receitas para o Exchequer e paralelamente, nota-se a existência de uma próspera indústria que dá trabalho a um importante contingente de cidadãos. A Monarquia é sinónimo de Grã-Bretanha e de Commonwealth e o fraquíssimo e quase caricato "movimento republicano", não passa de uma curiosidade ao nível de anedota cockney.
 
Para incredulidade dos observadores do continente, a Coroa goza de um imenso prestígio dentro e fora das fronteiras do país, pois soube ser nas horas difíceis, o essencial esteio daquela união popular que permitiu vencer todas as adversidades, por mais gravosas que pudessem apresentar-se. A uma jornalista espantada dizia a Rainha Isabel, a mãe da actual monarca, que "os londrinos esperam ver-me sempre firme e bem apresentada, eles querem ter a certeza de que a Rainha está ali, que não teme nem foge". Se as palavras não foram precisamente as mesmas que aqui deixamos, foi esta a mensagem transmitida. Londres vivia os meses terríveis do blitz imposto pela Luftwaffe e a constante presença de Jorge VI e de Isabel nas ruas de Londres, levaria Hitler a considerar a soberana, como "a mulher mais perigosa da Europa". Para os britânicos, canadianos, neo-zelandeses, australianos, sul-africanos, jamaicanos e tantas outras populações daquilo que conhecemos como Commonwealth, o Palácio de Buckingham foi o centro de uma certa ideia de um mundo livre que para sempre queriam preservar. Os símbolos contam e pelo que se vê, estão longe, muito longe de desaparecerem. Um exemplo é a evidente alegria que varre todo o país, onde os entusiastas colocam ombro a ombro britânicos, as comunidades imigrantes e muitos milhares de turistas que acorreram à capital do Reino Unido.
 
Amanhã veremos uma cerimónia sem igual, um eco que o passado também já viu desfilar pelas ruas de Lisboa. Imagens de bom gosto, de um imenso orgulho de mostrar ao mundo aquilo que a Grã-Bretanha tem de melhor. Algumas carruagens, talvez bem modestas se compararmos com a quase acintosa qualidade e requinte daquelas que mal conservamos no Museu dos Coches, serão o foco de todos os olhares e mostrando a quem quiser ver, a não cedência perante modas efémeras ou à ausência de convicções de uns tantos ressabiados que diante dos televisores, não deixarão de proferir uns tantos ditos jocosos. Não perdendo sequer uma imagem, contentar-se-ão no ensimesmar de rancores e porque disso estamos seguros, de uma inveja larvar que é bem um sintoma de vários desesperos e desgraças que geralmente recaem sobre as pobres cabeças que dizem governar.
 
As Monarquias servem sobretudo nos momentos difíceis. Hoje o Reino Unido aproveita esta oportunidade e durante horas a fio, beneficiará de uma publicidade comparável a um evento de nível mundial, estimulando a economia, arrecadando cabedais para o tesouro público e enchendo de contentamento negociantes, políticos e populares que anseiam por melhores tempos. As guerras, as discórdias partidárias, o difícil equilíbrio de poderes ou as crises económicas, causam perturbações à segurança dos Estados e assim sendo, a necessidade de referências comuns torna-se imperiosa. Não é um chefe de partido ou um exaltado mas efémero caudilho, quem conseguirá concitar a quase unânime aquiescência que aqueles momentos exigem. Os ingleses sabem-no bem, enquanto nós, portugueses, fazemos os possíveis para não reconhecer essa evidência. É que bem vistos os factos, também temos a "nossa Commonwealth", ainda tímida e hesitante, mas não menos promissora. Se quisermos. 
 
Catarina de Bragança, Rainha da Inglaterra, Escócia e Irlanda
 

quinta-feira, 28 de abril de 2011

EM REPÚBLICA SOMOS TODOS IGUAIS! SOMOS MESMO?


O Poder Soberano pertence sempre ao povo, seja qual for o regime – monárquico ou republicano. Mas, todos os Países precisam de ter representantes, um conjunto de pessoas que executam as leis, fazem as leis e provêem à regulação jurídica das  mesmas. E esses, sim, são nossos concidadãos eleitos para o efeito, para um Parlamento, e normalmente, o partido mais votado, forma governo. Mas, também é preciso um líder, um “árbitro” que não faça parte do jogo político-partidário, alguém que esteja acima de qualquer suspeita e aí, o povo, ao aclamar o Rei, através dos seus representantes no Parlamento, dá legitimidade democrática ao Monarca. Chama-se a isto o Pacto Social. Pelo que, em “Democracia Real”, não há castas, nem privilégios. Até porque o Rei reina até ao fim da vida e reinar trata-se de um serviço e não de um privilégio. Privilégio, é para quem se julga com direito a ser eleito presidente da república. E nem todos são iguais no processo electivo. E se nos referirmos à Igualdade de TODOS, basta, por exemplo, olharmos já apenas e só, para o próprio sistema eleitoral, que faz antes das eleições ocorrerem, os partidos “grandes” serem grandes (antes de se saber o resultado eleitoral que tiveram) e os partidos pequenos (antes de se saber o resultado que tiveram) – ou seja, até a nível partidário, nem todos são iguais à partida. Por outro lado, os candidatos a presidente da república, mesmo se forem independentes e que não tenham muito dinheiro, não terão as mesmas possibilidades de vitória e de divulgarem as suas causas do que aqueles que têm atrás de si uma máquina político-partidária. Pelo que, também há elites republicanas, logo não somos todos iguais. A Igualdade perante a Lei é uma coisa. O tratamento de igualdade para aspirar a ser Presidente da República é outra coisa completamente diferente. E entre ter um Chefe de Estado que já fez parte do jogo e que já foi “capitão de equipa”, prefiro ter um árbitro preparado desde a sua juventude para servir o seu País e não auferir mais do que lhe é devido para a Representação do Estado. Um Rei, por último, não aufere de nenhuma Pensão de Reforma.

A Monarquia tem esta virtude: permite-nos ser militantes ou apoiantes de qualquer partido político. Uma coisa não invalida a outra. Há Monárquicos da Esquerda à Direita. Se há regime que permitiu a fomentação de um olhar universal da Democracia, esse regime foi a Monarquia. Se há regime que não impede o referendo a si próprio, esse regime é a Monarquia.

Uma nota curiosa: em Itália em 1946, foi a Monarquia que organizou o Referendo e há quem diga que ficaram votos por contar, porque a Monarquia estava a galopar para uma vitória. Curiosamente, é a República Italiana no seu último artigo Constitucional – que impede um referendo sobre a titularidade do regime. Qual é o regime mais democrático, qual é? É como em Portugal, artigo 288b da Constituição, é “inalterável a forma republicana de governo”. E por que não pode antes ser inalterável a “forma democrática de governo”? Quando segundo algumas sondagens cerca de 30% dos Portugueses aceitariam uma Monarquia…. Haverá Portugueses de primeira e segunda categoria? Ou não seremos todos iguais?

Ou só se pode pugnar pela Igualdade quando convém a “uma casta”?

Pelo que, entende-se, em conclusão que nem em República há Igualdade. Igualdade como muitos a entendem, seria termos todos os mesmos rendimentos e a mesma posição social e os mesmos estudos. Simplesmente, é uma ilusão, uma utopia. Os Portugueses podem ser todos Iguais perante a Lei, mas a Representação do Estado, tem que estar, em Democracia, ligada à elite Politico-partidária e a Chefia do Estado, tem que servir para chamar a atenção que não podemos exagerar. Que o Melhor de todos os Portugueses, pelo seu Mérito seja o nosso Primeiro-ministro. Que o melhor de cada Concelho seja Presidente da Câmara, que o melhor de uma Freguesia seja o Presidente da Junta, que o melhor de uma Região Autónoma seja Presidente do Governo Regional. Mas a Chefia do Estado, tem que estar acima de qualquer suspeita e logo não pode entrar no jogo político-partidário, porque a Democracia tem que ser protegida, por alguém devidamente preparado para a servir e com o Ceptro reinar com Justiça, com a Coroa suportar o Peso do Dever do Serviço, com o Manto Real, perceber as duras responsabilidades de representar toda uma Comunidade Nacional, a sua História, as suas Tradições, a sua Identidade, o Próprio Estado, de que os Cidadãos são Contribuintes.

A Monarquia não é um privilégio. É um serviço.

A República é um privilégio. E como qualquer privilégio, tem os seus efeitos perversos.

Publicado por David Garcia em "PDR-Projecto Democracia Real"

VELHAS CAUSAS, NOVAS FRACTURAS


No âmbito dum destacável sobre a família real inglesa, a "jornalista fracturante" Fernanda Câncio, honra lhe seja feita, assina hoje no diário de Notícias este interessante artigo sobre o posicionamento dos monárquicos portugueses quanto ao assunto. Ao pretender, como é seu timbre, uma abordagem ao assunto por uma perspectiva supostamente “alternativa”, escolheu como interlocutores, e muito bem, dois monárquicos de esquerda, o Professor Mendo Castro Henriques presidente do Instituto da Democracia Portuguesa (IDP) e o socialista monárquico Rui Monteiro. É assim que este artigo constitui um serviço pela causa monárquica, ao difundir a sua natureza intrinsecamente transversal e suprapartidária do movimento, fora dos habituais clichés passadistas ou “aristocratinos”, para utilizar uma expressão do professor José Adelino Maltez. A causa realista é muito maior do que cada um dos seus protagonistas: é nacional, e tem 800 anos. 

publicado por João Távora em "Corta-fitas"