sexta-feira, 29 de abril de 2011

OUTRO TEMPO, OUTRA KATE

 
A 21 de Maio de 1662 casou-se com Carlos II, aquela que até hoje, seria a última Rainha da Grã-Bretanha com o nome de Catarina. Desde cedo se lhe referiam como Kate, tal como agora é popularmente conhecida a futura consorte de Guilherme de Gales. O casamento foi cuidadosamente tratado e se para Portugal significou a garantia da independência em boa hora restaurada no 1º de Dezembro de 1640, para os britânicos marcou decisivamente, o momento da ascensão imperial que levaria a Union Jack a todo o planeta. Não será muito ousado afirmar que essa segurança proporcionaria a Portugal, a manutenção de um império ultramarino que chegaria ao nosso tempo e hoje significa a presença da língua portuguesa em quatro continentes.
 
Os noticiários têm passado constantes imagens do movimento em torno do enlace daquele que num futuro ainda distante, será o monarca do nosso mais antigo - talvez o único, constante, teimoso e verdadeiro - aliado. A esmagadora maioria entusiasmar-se-á por um espectáculo que segundo os cânones ingleses, surge como uma obra de cinema avidamente seguida por dois mil milhões de espectadores. Se uns tantos criticam o evidente dispêndio de somas destinadas a uma organização que zela para que tudo surja impecavelmente disposto e apresentado, muitos já pasmam com o caudal de ouro que entra nos cofres do Estado. Materialmente, a Monarquia consiste num esplendoroso negócio para a Grã-Bretanha e em qualquer loja de rua amontoam-se souvenirs que podem atingir preços exorbitantes, adquiridos por coleccionadores em todo o mundo. É certo que se o kitsch e a irreverência são parte integrante no conjunto da oferta, há que notar a extraordinária qualidade de peças que vão desde as faianças à joalharia, vestuário e acessórios. O famoso By Appointment of H.M. The Queen, consiste numa inesgotável fonte de receitas para o Exchequer e paralelamente, nota-se a existência de uma próspera indústria que dá trabalho a um importante contingente de cidadãos. A Monarquia é sinónimo de Grã-Bretanha e de Commonwealth e o fraquíssimo e quase caricato "movimento republicano", não passa de uma curiosidade ao nível de anedota cockney.
 
Para incredulidade dos observadores do continente, a Coroa goza de um imenso prestígio dentro e fora das fronteiras do país, pois soube ser nas horas difíceis, o essencial esteio daquela união popular que permitiu vencer todas as adversidades, por mais gravosas que pudessem apresentar-se. A uma jornalista espantada dizia a Rainha Isabel, a mãe da actual monarca, que "os londrinos esperam ver-me sempre firme e bem apresentada, eles querem ter a certeza de que a Rainha está ali, que não teme nem foge". Se as palavras não foram precisamente as mesmas que aqui deixamos, foi esta a mensagem transmitida. Londres vivia os meses terríveis do blitz imposto pela Luftwaffe e a constante presença de Jorge VI e de Isabel nas ruas de Londres, levaria Hitler a considerar a soberana, como "a mulher mais perigosa da Europa". Para os britânicos, canadianos, neo-zelandeses, australianos, sul-africanos, jamaicanos e tantas outras populações daquilo que conhecemos como Commonwealth, o Palácio de Buckingham foi o centro de uma certa ideia de um mundo livre que para sempre queriam preservar. Os símbolos contam e pelo que se vê, estão longe, muito longe de desaparecerem. Um exemplo é a evidente alegria que varre todo o país, onde os entusiastas colocam ombro a ombro britânicos, as comunidades imigrantes e muitos milhares de turistas que acorreram à capital do Reino Unido.
 
Amanhã veremos uma cerimónia sem igual, um eco que o passado também já viu desfilar pelas ruas de Lisboa. Imagens de bom gosto, de um imenso orgulho de mostrar ao mundo aquilo que a Grã-Bretanha tem de melhor. Algumas carruagens, talvez bem modestas se compararmos com a quase acintosa qualidade e requinte daquelas que mal conservamos no Museu dos Coches, serão o foco de todos os olhares e mostrando a quem quiser ver, a não cedência perante modas efémeras ou à ausência de convicções de uns tantos ressabiados que diante dos televisores, não deixarão de proferir uns tantos ditos jocosos. Não perdendo sequer uma imagem, contentar-se-ão no ensimesmar de rancores e porque disso estamos seguros, de uma inveja larvar que é bem um sintoma de vários desesperos e desgraças que geralmente recaem sobre as pobres cabeças que dizem governar.
 
As Monarquias servem sobretudo nos momentos difíceis. Hoje o Reino Unido aproveita esta oportunidade e durante horas a fio, beneficiará de uma publicidade comparável a um evento de nível mundial, estimulando a economia, arrecadando cabedais para o tesouro público e enchendo de contentamento negociantes, políticos e populares que anseiam por melhores tempos. As guerras, as discórdias partidárias, o difícil equilíbrio de poderes ou as crises económicas, causam perturbações à segurança dos Estados e assim sendo, a necessidade de referências comuns torna-se imperiosa. Não é um chefe de partido ou um exaltado mas efémero caudilho, quem conseguirá concitar a quase unânime aquiescência que aqueles momentos exigem. Os ingleses sabem-no bem, enquanto nós, portugueses, fazemos os possíveis para não reconhecer essa evidência. É que bem vistos os factos, também temos a "nossa Commonwealth", ainda tímida e hesitante, mas não menos promissora. Se quisermos. 
 
Catarina de Bragança, Rainha da Inglaterra, Escócia e Irlanda
 

quinta-feira, 28 de abril de 2011

EM REPÚBLICA SOMOS TODOS IGUAIS! SOMOS MESMO?


O Poder Soberano pertence sempre ao povo, seja qual for o regime – monárquico ou republicano. Mas, todos os Países precisam de ter representantes, um conjunto de pessoas que executam as leis, fazem as leis e provêem à regulação jurídica das  mesmas. E esses, sim, são nossos concidadãos eleitos para o efeito, para um Parlamento, e normalmente, o partido mais votado, forma governo. Mas, também é preciso um líder, um “árbitro” que não faça parte do jogo político-partidário, alguém que esteja acima de qualquer suspeita e aí, o povo, ao aclamar o Rei, através dos seus representantes no Parlamento, dá legitimidade democrática ao Monarca. Chama-se a isto o Pacto Social. Pelo que, em “Democracia Real”, não há castas, nem privilégios. Até porque o Rei reina até ao fim da vida e reinar trata-se de um serviço e não de um privilégio. Privilégio, é para quem se julga com direito a ser eleito presidente da república. E nem todos são iguais no processo electivo. E se nos referirmos à Igualdade de TODOS, basta, por exemplo, olharmos já apenas e só, para o próprio sistema eleitoral, que faz antes das eleições ocorrerem, os partidos “grandes” serem grandes (antes de se saber o resultado eleitoral que tiveram) e os partidos pequenos (antes de se saber o resultado que tiveram) – ou seja, até a nível partidário, nem todos são iguais à partida. Por outro lado, os candidatos a presidente da república, mesmo se forem independentes e que não tenham muito dinheiro, não terão as mesmas possibilidades de vitória e de divulgarem as suas causas do que aqueles que têm atrás de si uma máquina político-partidária. Pelo que, também há elites republicanas, logo não somos todos iguais. A Igualdade perante a Lei é uma coisa. O tratamento de igualdade para aspirar a ser Presidente da República é outra coisa completamente diferente. E entre ter um Chefe de Estado que já fez parte do jogo e que já foi “capitão de equipa”, prefiro ter um árbitro preparado desde a sua juventude para servir o seu País e não auferir mais do que lhe é devido para a Representação do Estado. Um Rei, por último, não aufere de nenhuma Pensão de Reforma.

A Monarquia tem esta virtude: permite-nos ser militantes ou apoiantes de qualquer partido político. Uma coisa não invalida a outra. Há Monárquicos da Esquerda à Direita. Se há regime que permitiu a fomentação de um olhar universal da Democracia, esse regime foi a Monarquia. Se há regime que não impede o referendo a si próprio, esse regime é a Monarquia.

Uma nota curiosa: em Itália em 1946, foi a Monarquia que organizou o Referendo e há quem diga que ficaram votos por contar, porque a Monarquia estava a galopar para uma vitória. Curiosamente, é a República Italiana no seu último artigo Constitucional – que impede um referendo sobre a titularidade do regime. Qual é o regime mais democrático, qual é? É como em Portugal, artigo 288b da Constituição, é “inalterável a forma republicana de governo”. E por que não pode antes ser inalterável a “forma democrática de governo”? Quando segundo algumas sondagens cerca de 30% dos Portugueses aceitariam uma Monarquia…. Haverá Portugueses de primeira e segunda categoria? Ou não seremos todos iguais?

Ou só se pode pugnar pela Igualdade quando convém a “uma casta”?

Pelo que, entende-se, em conclusão que nem em República há Igualdade. Igualdade como muitos a entendem, seria termos todos os mesmos rendimentos e a mesma posição social e os mesmos estudos. Simplesmente, é uma ilusão, uma utopia. Os Portugueses podem ser todos Iguais perante a Lei, mas a Representação do Estado, tem que estar, em Democracia, ligada à elite Politico-partidária e a Chefia do Estado, tem que servir para chamar a atenção que não podemos exagerar. Que o Melhor de todos os Portugueses, pelo seu Mérito seja o nosso Primeiro-ministro. Que o melhor de cada Concelho seja Presidente da Câmara, que o melhor de uma Freguesia seja o Presidente da Junta, que o melhor de uma Região Autónoma seja Presidente do Governo Regional. Mas a Chefia do Estado, tem que estar acima de qualquer suspeita e logo não pode entrar no jogo político-partidário, porque a Democracia tem que ser protegida, por alguém devidamente preparado para a servir e com o Ceptro reinar com Justiça, com a Coroa suportar o Peso do Dever do Serviço, com o Manto Real, perceber as duras responsabilidades de representar toda uma Comunidade Nacional, a sua História, as suas Tradições, a sua Identidade, o Próprio Estado, de que os Cidadãos são Contribuintes.

A Monarquia não é um privilégio. É um serviço.

A República é um privilégio. E como qualquer privilégio, tem os seus efeitos perversos.

Publicado por David Garcia em "PDR-Projecto Democracia Real"

VELHAS CAUSAS, NOVAS FRACTURAS


No âmbito dum destacável sobre a família real inglesa, a "jornalista fracturante" Fernanda Câncio, honra lhe seja feita, assina hoje no diário de Notícias este interessante artigo sobre o posicionamento dos monárquicos portugueses quanto ao assunto. Ao pretender, como é seu timbre, uma abordagem ao assunto por uma perspectiva supostamente “alternativa”, escolheu como interlocutores, e muito bem, dois monárquicos de esquerda, o Professor Mendo Castro Henriques presidente do Instituto da Democracia Portuguesa (IDP) e o socialista monárquico Rui Monteiro. É assim que este artigo constitui um serviço pela causa monárquica, ao difundir a sua natureza intrinsecamente transversal e suprapartidária do movimento, fora dos habituais clichés passadistas ou “aristocratinos”, para utilizar uma expressão do professor José Adelino Maltez. A causa realista é muito maior do que cada um dos seus protagonistas: é nacional, e tem 800 anos. 

publicado por João Távora em "Corta-fitas"

COMO ENCHER OS COFRES PÚBLICOS

Os ingleses têm experiência, sabem o que fazem e são profissionais exímios. Os cofres do Estado vão enchendo, as fábricas não têm mãos a medir, o património do Estado está perfeitamente restaurado e é com orgulho exibido, os hotéis abarrotam de turistas e encontram-se lotados num raio de 300 km em redor de Londres.

Mais emprego, mais vendas para todo o mundo, uma colossal promoção do Reino Unido em todo o planeta. A unidade do país está mais forte que nunca e os britânicos estouram de entusiasmo. Eis a verdade do casamento real.

Por cá, ficamo-nos com os discursos garante-buchas dos do costume. Em suma, não aprendemos.

Nuno Castelo-Branco

OS INGLESES NÃO BRINCAM EM SERVIÇO



Afinal as monarquias provam ter maior capacidade de renovação do que se esperaria à primeira vista, para grande desespero da Causa Republicana em terras de Sua Majestade

Há 30 anos atrás, Lady Diana Spencer viajou do Palácio de Buckingham para a  Catadral St Paul para se casar com Charles, o Príncipe de Wales. Naquela época, foi o maior evento televisivo da história, visto por 750 milhões de pessoas no mundo inteiro.  Em comparação com a multidão que seu filho receberá em 29 de Abril, isso não é nada. A cerimónia mudou muito pouco – a pompa e as circunstâncias não evoluíram através dos séculos – mas existirão mudanças profundas sobre a forma como o evento será gravado e consumido…muito aquém  da utilidade que a união terá para o futuro da Monarquia Britânica

A estimativa é que mais de 2 mil milhões de pessoas ligarão suas televisões para ver o Príncipe William casar com a sua namorada de longa data, Kate Middleton. Adicionemos mais os 400 milhões que verão pela internet ou ouvirão pelo rádio e teremos 35% da população mundial. Ainda há os 800.000 observadores que ficarão do lado de fora do Palácio de Buckhingham no dia do evento, muitos deles ligados ao Twiter ou no Facebook, ou tirando fotos com telemoveis.

Especialmente no Reino Unido (obviamente), mas também nos Estados Unidos, o evento é uma explosão de mídia sem precendentes. Apesar de o casamento real ser apenas sinos, beijos coreografados e chapéus altos em tom pastel,( e durar apenas 6 horas) todas as principais emissoras americanas então achando maneiras de introduzir em sua programação coisas tão absurdas como reality showssobre o casamento, documentários, e até dois filmes feitos especialmente para a TV.

A ligação á narrativa de cinderela é óbvia e atrai principalemente a audiência feminina. Kate Middleton, uma reles “plebéia”, chegou a ser apelidada de Waity Katy (Katy a espera), devido aos 8 anos de namoro com o Príncipe William que pareciam não ir a lugar nenhum. Mas agora ela será protagonista de um verdadeiro conto de fadas moderno, ao finalmente se juntar a família real britânica, uma plebeia oriunda da classe média entre a Alta Nobreza Britânica.Houvesse melhor publicidade na abertura da Casa Real às aspirações de linear igualdade social e o Reino Unido seria uma República

Nos EUA, a Republica mais poderosa do Planeta,onde há canais de TV a cabo especializados em casamento, será exibida uma programação de 109 horas de duração, com direito a um guia de “Como Casar com um Príncipe”.  William e Kate são mais “celebridades”, no estilo americano, do que o Príncipe Charles, por exemplo, que era percebido como mais discreto. William é moderno e Kate, além de ser extremamente bonita, não pertence originalmente a realeza. É uma história que as pessoas só estão acostumadas a ver em filmes.

A obsessão americana vai tão longe que existe até um reality show onde americanas “plebéias” são mandadas para uma espécie de acampamento no Reino Unido, onde são treinadas para conquistar indivíduos de sangue azul, e competem por um título real e uma dança com um verdadeiro príncipe. A Sra. Middleton virou uma espécie de ex-oprimida, com a qual os americanos conseguem se identificar. Sua família era rica e ela nunca passou por nenhum tipo de dificuldade, mas mesmo assim, todos os programas tendem a elogiar a sua “origem humilde” e sua “ascenção a realeza”…um upgrade de Diana (que era aristocrata) em imagem ao comum dos britânicos .A Casa Real nunca esteve tão próxiam dos plebeus.

A famosa rede CNN cobrirá o evento com nada menos do que 125 pessoas, entre repórteres, câmeras e pessoal; o número fica ainda mais exagerado quando se compara com os míseros 50 indivíduos enviados ao Japão, Tunísia e Líbia.A realeza pode fascinar muitas pessoas, mas eles não são incondicionalmente amados no seu próprio País onde 18% da população de afirma republicana e as tendências separatistas de parte de regiões como a Escócia ganham terreno de dia para dia Muitos britânicos já estão reclamando da exagerada carga de cobertura da mídia, que está vendendo até sacolas de vômito com a foto dos noivos sorridentes. Sendo de conhecimento comum que a família real britânica não tem relevância política efectiva, será que o evento justifica todo esse circo midiático, e também, será que após todo o drama da Princesa Daiana, ele ainda reflete o interesse do público?

Desgastado, o regime monárquico ganha o charme renovado de William e Kate. Os dois formam um casal bonito, jovem e dos tempos atuais. A noiva, nascida em berço simples, sem qualquer parente na aristocracia, vai levar um pouco da Inglaterra comum para o Palácio de Buckingham. É uma fábula que se repete depois de mais de 350 anos, quando James , duque de York, se casou com Anne Hyde.

O historiador inglês Andrew Roberts afirma que a realeza se beneficiou com aquela união. “Foi um tremendo sucesso. Anne Hyde trouxe à realeza uma nova espécie de determinação e bom senso”, declarou.

É Kate Middleton, agora, quem entra para a história. A britânica arrebatou o coração do príncipe herdeiro, o segundo na linha de sucessão ao trono, com os atributos que se espera de uma futura rainha: a elegância e o estilo, o sorriso franco, a espontaneidade e principalmente a firmeza. Imitada por milhares de jovens, perseguida pelos paparazzi, Catherine Middleton produz continuamente noticia.O caso não é novo para os portugueses..também o casamento em 1995 de D. Duarte com D. Isabel de Herédia trouxe ímpeto renovado à Causa monárquica.O povo gosta de festas Reis e princesas, mas o efeito politico vai muito além do que a vista pode vislumbrar, basta vislumbrar a lista de convidados para adivinhar que tudo se estende no terreno da politica externa e interna especificamente britânicas, incluindo a  desculpa politicamente correcta de que não se trata de um casamento de Estado para deixar de lado qualquer confusão

Photobucket 

Não tenhamos qualquer sombra de ingenuidade o Príncipe William passa de adolescente tímido a principal rosto da nova Coroa Britânica e o Reino Unido ultrapassa airosamente a eminência de colapso social que hoje ameaça a velha Europa das revoluções.Se hoje Irlandeses ,gregos ou portugueses desconfiam dos seus representantes, os britânicos nunca se sentiram tão próximos da Casa Real …que pasme-se, não tem qualquer poder politico efectivo.
 

POPULARIDADE DA MONARQUIA – A FAMA DE UMA FAMÍLIA INGLESA

A fama de uma família inglesa
Isabel II acaba de completar 85 anos e a sua popularidade entre os britânicos é superior a 80%. Mas por estes dias todos os olhares se concentram no seu neto William.

A bandeira britânica está hasteada no Palácio de Buckingham, o que significa que Isabel II está em casa. Mas é no espectáculo do render da guarda e nos militares com o seu fato de gala e chapéu de pêlo de urso que os milhares de turistas se concentram. É, provavelmente, o mais perto que vão estar da Rainha. A monarca acaba de completar 85 anos e a sua popularidade entre os britânicos é superior a 80%. Mesmo os que não ligam muito à monarquia reconhecem o trabalho que Isabel II tem feito ao longo de quase 60 anos no trono.

“Não sou a maior fã da monarquia, mas sou da forma como a Rainha tem desempenhado o seu papel”, conta Pauline Brazier, enquanto aproveita a sombra de St. James Park, numa Sexta-Feira Santa em que as temperaturas ultrapassam os 26 graus em Londres. “Penso que é bom tê-la por perto, apesar das críticas de que custa muito aos cofres dos contribuintes”, acrescenta esta reformada. “Além disso, será que haveria assim tanta gente em Buckingham se não fosse a Rainha?”, questionou.

Isabel II pode estar no trono, mas por estes dias todos os olhares concentram-se no seu neto William. Dentro de menos de uma semana, o filho do príncipe Carlos e de Diana vai casar com Catherine Middleton. E os súbditos de Sua Majestade estão radiantes. “Tem sido um motivo de orgulho para o País e para os britânicos”, diz Pauline, que cresceu com Isabel II no poder e mal se lembra de quando o rei Jorge VI morreu. Kate, essa, nunca será uma Diana. “Ela era um ícone, nunca mais vai haver outra como ela.”

“Diana era muito mais popular do que a família real. Era ela que todos amavam, que todos queriam ver e com quem todos queriam estar”, afirmou o perito em relações públicas Max Clifford à AFP. De facto, segundo uma sondagem de há quatro anos, a morte da princesa Diana, em 1997, foi o acontecimento que mais marcou a actual visão que os britânicos têm da família real (o terceiro acontecimento da lista foi o casamento de Carlos e Diana).

Mas a monarquia aprendeu a lição, tornando-se menos distante (pelo menos em aparências). A prova disso é o uso que faz das novas tecnologias, desde o Facebook ao YouTube, plataformas que serão usadas para a transmissão do casamento de William e Kate e que apelam a um público mais jovem. Mas são também essas as armas utilizadas pelos grupos antimonarquia, como o Republic, que estão a aproveitar a oportunidade para recolher apoios. “Alguns republicanos sugeriram que devíamos simplesmente ignorar o casamento e manter a cabeça baixa por alguns meses”, escreveu Graham Smith, porta-voz do Republic, num artigo de opinião no seu site. Mas o grupo fez precisamente o contrário, aproveitando para gerar publicidade, organizando a sua própria festa de rua em Londres, no dia do enlace. Resultado, desde o anúncio do noivado, o número de membros do Republic duplicou, ultrapassando mais de 14 mil apoiantes. E a caneca “I’m not a royal mug” (não sou uma caneca real) é um sucesso.

Fonte: DN

O SOL NUNCA SE PÕE PARA ISABEL II

O sol nunca se põe põe para Isabel II
Há mais monarquias do que monarcas. É que a rainha de Inglaterra também é soberana de países como o Canadá, a Austrália e a Jamaica.

Foi nos tempos da rainha Vitória que o Império Britânico atingiu o seu apogeu, estendendo-se do Canadá às Fiji, da Jamaica à Austrália, com Nigéria, Quénia e Índia pelo meio. Com justiça, os britânicos do século XIX argumentavam que nas terras da Coroa o sol nunca se punha. Ora, a descolonização acabou com os últimos impérios, e do britânico não restam hoje senão confetes como Gibraltar, as Malvinas ou Pitcairn. Mas Isabel II, a trineta de Vitória, pode continuar a reivindicar que nos seus domínios o sol nunca se põe: é que o prestígio dos monarcas ingleses sobreviveu ao fim da era colonial, e se Nigéria ou Índia preferiram ser repúblicas, já o Canadá, a Austrália ou a Nova Zelândia optaram por continuar a ter como chefe do Estado uma cabeça coroada.

Por culpa de Isabel II, o mundo tem assim 44 monarquias, mas 29 monarcas. Por exemplo, todas as monarquias das Américas têm a rainha de Inglaterra como titular. Aliás, os seus 135 milhões de súbditos espalham-se por três continentes e têm direito a atenções especiais. Aos 85 anos, Isabel II já não viaja tanto como no passado, mas desde que foi entronizada, em 1952, fez sempre questão de ser figura presente nos países que a reverenciam. Aliás, no primeiro ano de reinado visitou logo Jamaica e Nova Zelândia. E no ano seguinte foi à Austrália. A viagem mais recente aconteceu no ano passado, com uma ida ao Canadá. Ao longo do reinado, a monarca visitou já 24 vezes esse país.

Faltam quatro anos a Isabel II para bater o recorde de Vitória como a monarca inglesa mais duradoura. A trisavó reinou entre 1837 e 1901, e os seus tempos até passaram a ser conhecidos como era vitoriana. Mas a longevidade de Isabel II não lhe dá mesmo assim o título de monarca há mais tempo no trono. Essa honra cabe ao rei Bhumibol, que subiu ao trono tailandês em 1946.

Mas se a rainha de Inglaterra é a recordista em número de súbditos, hoje em dia a monarquia mais populosa é o Japão, com 128 milhões de habitantes. Akihito, que pertence à mais antiga das dinastias, é o único imperador entre os monarcas contemporâneos: além de reis, existem príncipes, grão-duques, sultões e emires. Todos juntos, reinam sobre 553 milhões de pessoas, menos de um décimo da humanidade.

Apesar de terem campeões de popularidade, como Isabel II ou Juan Carlos de Espanha, os monarcas são cada vez menos. Desde o final da I Guerra Mundial, quando desapareceram os impérios alemão, russo, austro-húngaro e otomano, as repúblicas têm vindo a ganhar terreno. E a última derrota das monarquias foi há três anos, quando o Nepal trocou o rei por um presidente. Mas a tendência não assusta Isabel II: dos seus domínios, só a Austrália possui um forte movimento republicano, e mesmo este admite que enquanto a actual soberana viver a mudança de sistema não acontecerá.

Fonte: SOL