segunda-feira, 4 de abril de 2011

DEUS, PÁTRIA E REI

Sem Deus e a Pátria, para a Filosofia política portuguesa, o Rei é um fantasma, uma sombra, carimbo ou chancela, títere ou absurdo. Onde falta Deus, o Rei é como uma árvore sem raíz, casa sem alicerce, poder sem legitimidade; onde falta a Pátria, o Rei não tem razão de ser, porque precisamente o conceito de Pátria é incompleto, se lhe falta aquilo que torna indispensável a existência da Realeza hereditária. Estas três verdades são irredutíveis; porque se, sem Deus, a Pátria é um mito, sem o Rei, nem o poder de Deus encontra o seu legítimo executor, no mundo da Política, nem a Pátria possui o elo que prende eficazmente, através dos tempos, as gerações, e as torna solidárias ou colaboradoras na procura normal dos seus destinos. É por isto que me oponho sempre ao lugar-comum estafado da «Pátria ao alto!», muito da predilecção de certos pataratas, e não considero doutrinariamente monárquico o que o repete e aplaude.

(...)

E rejeito o lugar-comum, não porque subalternize a Pátria, é evidente; mas porque não distingo a Pátria da Realeza, visto a Pátria portuguesa ter sido obra da Realeza hereditária. Há quem não goste de que se diga isto e de que se escreva isto. Mas os que não gostam fariam melhor se, em vez de não gostarem, estudassem a História do seu País...

ALFREDO PIMENTA (1882 — 1950)




Alfredo Pimenta (1882-1950), escritor, historiador foi uma das personalidades mais polémicas do meio cultural português da primeira metade do século XX. Formado em Direito, e com uma intervenção marcante na vida política nacional, foi nas lides literárias que se distinguiu. Deixou uma extensa bibliografia, onde abundam estudos de filosofia política, história, crítica e poesia. Foi colaborador de numerosos jornais e revistas nacionais e estrangeiras .

Destacou-se também como pensador contra-revolucionário. Vindo do Anarquismo, acaba Católico Tradicionalista e Monárquico. Homem de rupturas, gerou à sua volta poucos consensos e muitos desconsensos.

Para os que queiram conhecer mais e melhor as variadas facetas de um dos maiores vultos da Cultura portuguesa, Mestre Alfredo Pimenta, podem descarregar os ficheiros em pdf do Arquivo Municipal Alfredo Pimenta, em: - Casa de Sarmento -

DA DIGNIDADE DA POLÍTICA

A crise da Política vem de Maquiavel: não apenas distinta, mas separada da Religião, deixou de ser «arte régia» para se reduzir a mera técnica. A partir daí, todas as desgraças lhe podiam acontecer – desde a insuportável arrogância, até à definitiva humilhação.

Quando Pascal, aceitando o golpe cartesiano e apoiando-se em terminologia matemática, estabelece a teoria das «ordens», faz da helénica «arte régia», já abençoada pelo Espírito de Cristo, nada mais que um «reino da concupiscência». Falsa imagem, ou caricatura, do «Reino da Caridade», a que só Deus preside, a Política não vai além de um pobre sistema de relações entre o Príncipe, que é dono dos bens desejados pelos súbditos, e os pobres súbditos, cuja condição se define pelo desejo desses bens.
O Iluminismo, que transforma as mentalidades, preparando a era das ideologias, confunde as realidades e os problemas, diviniza o humano, humaniza o divino, e destrói a ordem das faculdades humanas.

Quando o imenso progresso das ciências físicas torna mais necessário um sistema de valores, é que o antropocentrismo de raiz renascentista rejeita a tradição teocêntrica. Então, o homem individual deixa de ser olhado como pessoa, sede e fonte de valores espirituais, imagem e semelhança do Criador, para surgir, ou como sol absoluto, ou como simples átomo da natureza.

A política perdeu, assim, a sua dignidade. O individualismo filosófico vai conduzir, quer ao liberalismo inquieto, quer ao totalitarismo massificante.

A humanidade de hoje tem necessidade de tomar consciência dos valores políticos, integrados num autêntico humanismo. Como ensinou S. Tomás de Aquino, a Política deve – e pode – preparar as comunidades para a salvação. Não tem poder salvífico; mas é propedêutica da salvação.

Henrique Barrilaro Ruas - (este artigo constitui o último texto publicado em vida do autor, in Lusitana Antiga Liberdade, Terça-feira, 24 de Junho de 2003)

JORNAL "A BOLA" - HONRADA DERROTA PARA REI VER

Foot Ball Clube do Porto e Football Club Lisbonense defrontaram-se em jeito de Porto-Lisboa. Para disputa de uma taça oferecida por D. Carlos

Em Fevereiro de 1894, Guilherme Pinto Basto aceitou, enfim, o repto de António Nicolau de Almeida. Mas, visionário, tentou colocar a fasquia mais alta, convencendo o Rei D. Carlos a patrocinar o jogo entre as equipas de Lisboa e do Porto. Aquiesceu o rei, oferecendo para disputa uma taça com o seu próprio nome e exigindo apenas que o match fosse incluído no programa oficial das festas comemorativas do Centenário Henriquino, organizadas, no Porto, em homenagem à memória do Infante D. Henrique. A 17 de Março, o «Diário Illustrado» publicou o regulamento da Taça D. Carlos I, que tinha como legenda «Football Championship das Cidades de Portugal». Seria disputada entre teams representativos das cidades de Portugal, e nos campos das cidades que a ganhassem pela última vez, sendo entregue à cidade que a ganhasse em três anos consecutivos.

Exigência real (em nome de um nacionalismo ameaçado por vários flancos) que «pelo menos, teriam de ser portugueses, devidamente comprovados, seis jogadores de cada team representativo» e que só poderiam «tomar parte nos desafios da Taça D. Carlos I os jogadores que pertencessem oficialmente a qualquer clube da cidade com três meses de antecedência».

Mais se preceituava: que no caso de empate, ter-se-ia de jogar novamente no mesmo ano, até que um team ficasse vencedor e que «a cidade detentora do precioso troféu só teria que o defender uma vez por ano, e apenas contra o team que tivesse sido vencedor das outras cidades».

A instituição e disputa da Taça D. Carlos I atingiu tal notoriedade entre a colónia inglesa da época que mereceu relato na «Ilustraded Sporting & Dramatic New», prestigiada revista de Londres, relato ilustrado com uma imagem da equipa do Football Club Lisbonense.

Mais um bocadinho a pedido da rainha

A 2 de Março de 1894 fez-se o jogo. No Campo Alegre, onde os ingleses do Porto jogavam, amiúde, o futebol. Os jogadores de Lisboa, «capitaneados» e seleccionados por Guilherme Pinto Basto, seguiram viagem de comboio para o Porto. À partida, uma despedida entusiástica. 14 horas durou a viagem. Pela noite dentro. Três horas após o desembarque, na Campanhã, o jogo, no campo pertencente ao Oporto Cricktet and Law-Tennis Club. Estava marcado para as três da tarde, mas começaria um quarto de hora depois.

Segundo as crónicas da época, para além de se exaltar o facto de o Rei D. Carlos, a Rainha D. Amélia e os príncipes assistirem ao jogo, afiançava-se que «o terreno do jogo, esplêndido para o cricket, não era dos melhores para a prática do futebol, por descair bastante defronte das balizas».

Pouca consideração tiveram D. Carlos, D. Amélia, D. Afonso e D. Manuel já que, segundo o «Diário Illustrado», «Suas Majestades chegaram ao fim da partida. A pedido de Sua Majestada a Rainha, jogou-se mais 10 minutos, sendo previamente estabelecido que não teriam influência no resultado do match que se tinha acabado de jogar».

Tarde chegaram e para boas-vindas nenhum toque nacionalista. Antes pelo contrário. Nas páginas de «O Sport», o primeiro jornal desportivo de Portugal, o registo da recepção, em tom que não permitia margem para dúvidas, vincando, inclusivamente, a falta de ambiente oficial para a propaganda do futebol e ainda o reflexo político bem quente do Ultimato na população do Porto, sobretudo depois da revolta dos republicanos de 31 de Janeiro: «Às 4 h e 13, Suas Majestades e Altezas, acompanhadas pela sua comitiva, entraram no Campo Alegre, sendo recebidos pelo cônsul e consulesa de Inglaterra, no meio dos mais entusiásticos hurras levantados pelas pessoas presentes. Continuando o jogo, 4 minutos depois de Suas Majestades e Altezas chegarem ao campo, os forwards de Lisboa marcaram um goal». Ironia muito mais subtil se encontraria nas páginas de «O Século», jornal já declaradamente simpatizante de ideais republicanos, que notou que «à entrada do campo, bem como à saída, as Majestades foram muito vitoriadas, principalmente por ingleses, pois quase todos os espectadores pertenciam à colónia inglesa».

O jornal, apesar de se fazer representar por Samuel Benoliel, então o mais afamado repórter fotográfico português, não deu grande amplitude à crónica do desafio, no que se poderá considerar mais um sinal de antipatia, desprezo ou desconfiança pública por tudo o que tivesse conotação ou raiz britânica. Como o futebol.

A última notícia e o letargo

Como resultado do jogo ficou a vitória dos lisboetas, por 1-0. Apesar de dois golos marcados. O primeiro fora apontado quando faltavam 14 minutos para o intervalo e insolitamente anulado. «A bola, marcado um pontapé de canto, bateu no braço de A. Nugentt, um dos defesas do Porto, entrando, de ricochete, nas redes do Norte. A equipa portuense contestou a validade do ponto, por motivo de ter havido mão antes, mão que não fora denunciada, ou que pelo menos o referee não julgou intencional. Eduardo Ferreira Pinto Basto considerou válido o goal, mas o jogo não recomeçou a meio do campo. Não contou pois. O único ponto regido, o segundo do encontro, foi marcado às 4 horas e 19 minutos.»

Não consta das crónicas o nome do marcador do golo. Sabe-se, apenas, que mereceu ser classificado de esplêndido e que para a sua marcação contribuíram Afonso e Carlos Vilar, Rankin e Paiva Raposo. Mas, segundo o «Diário Illustrado», parece que os postes das balizas não se encontravam à distância legal um do outro e que a trave não estava à devida altura. Sobre a equipa do Porto, um simpático comentário: «A equipa é de primeira ordem, distinguindo-se, todavia, Geock, que, quando na Escócia, era o seu primeiro guarda-redes.» Por especificar ficavam os nomes de outros jogadores porque o seu cronista, assumindo, humildemente, o pecadilho, aquiesceu não os «distinguir pelos nomes», apesar de saber e acentuar que um dos seus jogadores, «o mais novo dos Kendalls, tinha apenas 15 anos».

O «Sport», salientando igualmente a prestação de Geock, mas também a de Artur Dagge e Mac Millen, vaticinava: «Se o grupo de Lisboa que, para o ano de 1895, tiver de defender a taça, não se treinar e não tiver muito cuidado na escolha dos jogadores que dele devem fazer parte, decerto bem difícil lhes será poder vencer o match, pois que, à equipa que vimos jogar pelo Porto, a única coisa que lhe notámos foi a falta de treinos, que, no que, estamos certos, não descurarão de futuro, a fim de poderem ganhar a taça, para o ano.»
Oito dias depois, em correspondência do Porto para Lisboa, «O Sport» publicava a seguinte notícia: «Depois do match entre Lisboa e Porto nada tem havido de notável no futebol. Apenas no domingo, 11 de Março, alguns sócios do Foot Ball Club do Porto estiveram no campo do antigo hipódromo de Matosinhos, treinando-se durante duas horas.»

De facto, entre os jogadores que representaram o F. C. Porto, no jogo contra Lisboa, estavam alguns dos que se treinaram pela primeira vez em Matosinhos, como jogadores e fundadores do Foot Ball Club do Porto: A. Nugent, Alfredo Kendall, Eduardo Kendall, Mac Kechnie e F. H. Ponsonby. Ou seja, mais um sinal que prova que o Foot Ball Club do Porto existia e jogava. Foi, contudo, a última notícia publicada referindo-se de forma directa e inequívoca ao Foot Ball Club do Porto de António Nicolau de Almeida. O que pressupõe, desde logo, longo (de 12 anos) e misterioso letargo. Que só sinais dos tempos podem explicar…

Fonte : A Bola
Publicado pelo Portista Rui Monteiro no blogue "Causa Monárquica"

domingo, 3 de abril de 2011

CASTELOS E FORTALEZAS DE PORTUGAL

SE O PRESIDENTE APELAR, OS MONÁRQUICOS SERÃO OS PRIMEIROS


Do suicidário jogo a que os partidos se têm entregado, pouco resta quanto ao respeito votado por uma população revoltada e em crescente desespero. O Sr. Cavaco Silva apela agora a uma necessária "união de todos" para vencer a crise. Não tem outra escolha.

Alguns compreenderão a necessidade do apelo desesperado, na urgência do acalmar de querelas estéreis e que pelo claro sinal de luta pela manutenção de privilégios quantas vezes imerecidos, não merecerá grande atenção por parte de um povo defraudado.

A crise económica, o suspeito desastre das contas públicas, a corrupção, a justiça que se tornou barregã de torpezas, a ruína de um modelo que jamais foi de crescimento e o descalabro financeiro, são encarados quase como se de fatalidades se tratassem num país habituado a escutar estórias, intrigas e boatos acerca do vizinho.

Se existe algo que os portugueses não suportam, é a intervenção estrangeira. Não aquela que se decide na penumbra de gabinetes de agências financeiras ou de bancos extra-fronteiras, mas a que hoje surge às escâncaras, sem pudor e orada numa tribuna parlamentar de um longínquo edifício imponente e bastante simbólico. Foram apenas duas ou três fazes cortantes, secas e ditas sem medida, sinal de desespero por uma situação que poderá atingir os mais profundos interesses daqueles que muito têm feito por aquilo que se designa de Europa. É justo reconhecê-lo, embora o dislate soe a declaração de supremacia, por estas latitudes inaceitável. 

Cavaco Silva deseja apelar à unidade nacional? Pois faça-o sem demora e nem sequer precisará de procurar muito, para que as frases  já por todos ansiadas, sejam proferidas com naturalidade, dado o momento. Não se trata da gravidade decorrente de uma derrota militar de penosas consequências, mas de remédio seguro. Esta é mesmo uma daquelas horas transcendentes em que será necessário colocar à prova, o sentido que ainda se pode dar à reivindicação da nacionalidade.

Bem poderão os políticos evocar Pombal, Fontes, Costa, Salazar, Soares, Eanes e tantos outros de transitória glória  e decidido confinamento a um sector que a certo tempo, foi o vencedor de contenda interna e possível de dirimir por uma maioria, por muito escassa que ela fosse. Se Cavaco Silva optar pela evocação dessas pequenas crises, onde o armazém de mercadorias surge como a coisa primeira a salvar, pouco sucesso terá.  Ninguém procurará assimilar como suas, as presidenciais palavras. 

A nossa história teve outras crises, essas sim, de imorredoura memória e que para sempre suscitarão aquele sobressalto essencial, sem o qual as hipóteses de ressurreição, de antemão se condenam a um fracasso. Os nomes dos homens que encabeçaram os destinos do país naqueles momentos de morte anunciada, são conhecidos e ícones tão simbólicos daquilo que é Portugal, como a bandeira ou o hino. 

Em 1941, um desesperado José Estaline não recorreu a Lenine, ao proletariado internacional ou aos militantes do partido, para acender a chama patriótica de gentes temerosas do seu despótico poder e famintas de uma liberdade que não conheciam. Estaline evocou a Santa Rússia de outrora, Pedro o Grande, Alexandre Nevski, Catarina II - uma alemã -, Suvorov e Kutuzov, os grandes vultos que eram o símbolo de uma Rússia que ele próprio, o ditador vermelho, ajudara a aniquilar. Os russos compreenderam o que estava em jogo. Definitivamente, não se tratava da sobrevivência do regime e dos apparatchiks que refocilavam nas benesses exclusivistas que o sistema lhes prodigalizava. Quando Estaline pronunciou os Grandes de outros tempos, foi com assombro que os russos souberam estar na iminência do total esmagamento da sua pátria. O que se seguiu ao apelo, é conhecido.  

Sem exagero podemos dizer que Portugal está hoje num plano semelhante ao daquele dia em que se finou de adiantada velhice, o Cardeal-Rei D. Henrique I. Sem sucessor, ele próprio o exemplo de uma pátria exangue e farta de fumos tão inebriantes quão enganosos, era mais que nunca, o visível corpo da pátria no seu próprio, naquela união que em tempos felizes, fora aparelho da força da unidade e do querer. Portugal foi-se, porque assim o quis, sem escolha ou ânimo para contrariar a fatalidade.

1385 teve D. João I e de um quase certo desabar da obra já centenária, surgiu um outro Portugal que em pouco mais de um século, para sempre marcaria as páginas da história mundial. 1640 teve aquele D. João IV que tudo arriscou e tudo  nos conseguiu, erguendo um outro império bem diferente daquele que o precedera e que bem vistos os factos, ainda existe, pujante e vastíssimo. 

Não sendo um Rei, mas um Presidente de que jamais beneficiará daquele dito incansavelmente repetido por todos aqueles que procuram situar eventos num determinado tempo - ..."no reinado do Rei D...." -, Cavaco Silva encontra-se em clara desvantagem. Apesar disso, ao invocar alguns nomes, os portugueses finalmente perceberão o que em verdade está em causa: a existência do país.

Sabemos a quem poderá pedir um auxílio que jamais lhe será regateado.

Nuno Castelo-Branco

Fonte: Blogue "Estado Sentido"

O DISCURSO DO PRESIDENTE

 
O recente discurso da dissolução de Cavaco Silva pareceu-me sóbrio, realista, pacificador. Perante a trágica conjuntura qye atravessamos isso não chega: foram as palavras certas proferidas pela pessoa errada, que encontra anticorpos ou indiferença na grande maioria dos portugueses. Esse é o nosso maior drama, com a soberania penhorada à Europa e o País de joelhos perante os credores. A falta que hoje nos faz hoje uma reserva moral, uma simbologia inspiradora, uma Instituição independente, ou uma "ficção" benigna, aglutinadora. 
 
Ai Portugal, Portugal!
 
Publicado por João Távora no blogue da Real Associação de Lisboa

FUTEBOL CLUBE DO PORTO - O PORQUÊ DAS CORES DA MONARQUIA


Catulo Gadda tinha sido um bom jogador num dos principais clubes de Itália – e quando deu o primeiro pontapé deixou toda a gente boquiaberta: «a bola atravessara o campo no seu máximo comprimento». Logo ali assinou proposta, ficou a fazer parte do Grupo do Destino. Monteiro da Costa achou que o Grupo do Destino era pequeno para o sonho que desatara, que era hora de clube que « não se confundisse apenas com um grupo de rapazes bem dispostos, na fronteira da folia ou da libertinagem» – e decidiu: «O nosso futuro clube deve chamar-se Foot Ball Club do Porto, por os seus fundadores serem na sua quase totalidade tripeiros natos, a sua sede na cidade do Porto e o principal desporto a que se vai dedicar – o futebol.» Porém, como outros desportos, conforme o seu projecto, seriam praticados, tratou de acrescentar à denominação duas mais abrangentes palavras: Sociedade Desportiva. Que sim, disseram, sem pestanejar, todos os outros. Estranho foi que sendo Monteiro da Costa, republicano nunca disfarçado, anunciasse que as cores do clube seriam as da «bandeira da Pátria» – azul e branco, como nos dias de António Nicolau de Almeida. Houve quem replicasse – e sugerisse as da cidade. Sugestivo, Monteiro da Costa ripostou – que não, que seriam as bandeira porque «tinha esperança de que o futuro clube havia de ser grande, não se limitando a defender o bom-nome da cidade, mas também o de Portugal em pugnas desportivas contra estrangeiros». E assim aprovado, entre aplausos ruidosos, todo o «grandioso projecto» de José Monteiro da Costa. E com os fundos recolhidos pelo Grupo do Destino para a participação com um carro alegórico no cortejo de Carnaval do Clube dos Fenianos financiaram-se as despesas de lançamento do FC Porto, Sociedade Desportiva – e sobretudo com isso se fez no Campo da Rainha o primeiro relvado que houve no futebol português. E ao FC Porto coube igualmente o primeiro desafio contra equipa estrangeira: o Real Fortuna de Vigo – o que se perdeu na usura do tempo foi o resultado desse primeiro jogo…

Fonte : A Bola 
Publicado pelo Portista Rui Monteiro no blogue "Causa Monárquica"