quarta-feira, 30 de março de 2011

AMANHÃ: COLÓQUIO BERNARD LONERGAN “OS VALORES NÃO SÃO MENTIRA”

Por ocasião do lançamento em Portugal da obra “Insight – Um ensaio sobre o conhecimento humano, de Bernard Lonergan (1904-1984), “considerado por muitos intelectuais o mais sofisticado filósofo do séc. XX”, segundo a revista TIME, o CEFI da Universidade Católica Portuguesa promove, no dia 1 de Abril próximo, um Colóquio intitulado “Os valores não são mentira”, que se propõe aprofundar questões sobre a crise presente na perspectiva da Filosofia, da Economia e da Teologia. O evento será transmitido online, de forma a alcançar um público global.

TEXTO DE NICOLAU SANTOS PUBLICADO NA REVISTA “UP” DA TAP

Nicolau Santos
Eu conheço um país que em 30 anos passou de uma das piores taxas de mortalidade infantil (80 por mil) para a quarta mais baixa taxa a nível mundial (3 por mi.)

Que em oito anos construiu o segundo mais importante registo europeu de dadores de medula óssea, indispensável no combate às doenças leucémicas. Que é líder mundial no transplante de fígado e está em segundo lugar no transplante de rins.

Que é líder mundial na aplicação de implantes imediatos e próteses dentárias fixas para desdentados totais.

Eu conheço um país que tem uma empresa que desenvolveu um software para eliminação do papel enquanto suporte do registo clínico nos hospitais (Alert), outra que é uma das maiores empresas ibéricas na informatização de farmácias (Glint) e outra que inventou o primeiro antiepilético de raiz portuguesa (Bial).

Eu conheço um país que é líder mundial no sector da energia renovável e o quarto maior produtor de energia eólica do mundo, que também está a construir o maior plano de barragens (dez) a nível europeu (EDP).

Eu conheço um país que inventou e desenvolveu o primeiro sistema mundial de pagamentos pré-pagos para telemóveis (PT), que é líder mundial em software de identificação (NDrive), que tem uma empresa que corrige e detecta as falhas do sistema informático da Nasa (Critical) e que tem a melhor incubadora de empresas do mundo (Instituto Pedro Nunes da Universidade de Coimbra)

Eu conheço um país que calça cem milhões de pessoas em todo o mundo e que produz o segundo calçado mais caro a nível planetário, logo a seguir ao italiano. E que fabrica lençóis inovadores, com diferentes odores e propriedades anti-germes, onde dormem, por exemplo, 30 milhões de americanos.

Eu conheço um país que é o «state of art» nos moldes de plástico e líder mundial de tecnologia de transformadores de energia (Efacec) e que revolucionou o conceito do papel higiénico(Renova).

Eu conheço um país que tem um dos melhores sistemas de Multibanco a nível mundial e que desenvolveu um sistema inovador de pagar nas portagens das auto-estradas (Via Verde).

Eu conheço um país que revolucionou o sector da distribuição, que ganha prémios pela construção de centros comerciais noutros países (Sonae Sierra) e que lidera destacadíssimo o sector do «hard-discount» na Polónia (Jerónimo Martins).

Eu conheço um país que fabrica os fatos de banho que pulverizaram recordes nos Jogos Olímpicos de Pequim, que vestiu dez das selecções hípicas que estiveram nesses Jogos, que é o maior produtor mundial de caiaques para desporto, que tem uma das melhores selecções de futebol do mundo, o melhor treinador do planeta (José Mourinho) e um dos melhores jogadores (Cristiano Ronaldo).

Eu conheço um país que tem um Prémio Nobel da Literatura (José Saramago), uma das mais notáveis intérpretes de Mozart (Maria João Pires) e vários pintores e escultores reconhecidos internacionalmente (Paula Rego, Júlio Pomar, Maria Helena Vieira da Silva, João Cutileiro).

O leitor, possivelmente, não reconhece neste país aquele em que vive ou que se prepara para visitar. Este país é Portugal. Tem tudo o que está escrito acima, mais um sol maravilhoso, uma luz deslumbrante, praias fabulosas, óptima gastronomia. Bem-vindo a este país que não conhece: PORTUGAL.

Há que relembrar que nem tudo é mau. Que na escuridão que nos envolve reluzem estrelas inflamadas pelos "nossos valores de sempre". O que seria se conseguíssemos resgatar "a dignidade do Estado"...
VIVA O REI! VIVA PORTUGAL!
(Fonte: Página da "Causa Real" no Facebook)

ÉTICA REPUBLICANA VERSUS ÉTICA MONÁRQUICA

(…) Quando, por exemplo, o Ministério da Justiça paga 72.000 euros auma procuradora do Ministério Público contra o parecer da PGR e de umantigo secretário de Estado- o antecessor daquele que assinou-,levanta-se uma suspeita séria e legítima. Se a procuradora em causafosse a mulher de um ministro japonês, este demitia-se imediatamente.Sendo a mulher do ministro português da Justiça abre-se um inquérito, oqual há-de apurar certamente que tudo se passou dentro da mais estritalegalidade.

É a isto que se chama ética republicana, muito diferente da ética no Japão que, como se sabe, é uma monarquia.

- Fernando Madrinha, no Expresso do passado sábado.

DESCOBERTO NA AUSTRIA QUADRO DE D. SEBASTIÃO PERDIDO HÁ 400 ANOS

O Museu Rietberg, em Zurique, Suíça, inaugura amanhã a exposição "Marfins Cingaleses do Século XVI", que tem em destaque uma tela com um retrato inédito de D. Sebastião, da autoria de Alonso Sanchez Coello, pintada na corte portuguesa em 15...62 e cujo paradeiro era ignorado desde há quatro séculos.

Na verdade, a obra estava na Áustria, no castelo Schonberg, mas erradamente identificada com um nobre austríaco. 

Em simultâneo, serão mostrados na exposição dois outros quadros da mesma época, que retratam a rua Nova dos Mercadores de uma Lisboa pré-pombalina. As duas telas foram encontradas numa casa senhorial inglesa e não estavam identificadas com ...Lisboa.

Todos os quadros foram restaurados e limpos a expensas do Museu Rietberg e foi a partir dessa operação que se tornou possível a sua identificação.

Numa das salas do museu foi reconstituída a estrutura do casco de uma caravela portuguesa. No interior, serão expostas peças de marfim e projetadas imagens dos dois elefantes levados para Lisboa e depois para Viena.
 No geral, a mostra de Zurique reúne peças de marfim esculpidas em Ceilão em meados do século XVI. Na sua grande maioria pertenceram ao acervo de Catarina de Áustria, rainha de Portugal entre 1525 e 1578.

Em 1506 o...s portugueses chegaram a Ceilão, hoje Sri Lanka, e estabeleceram relações comerciais muito fortes com o reino de Kotte no sul de Ceilão. A partir desse encontro passaram a chegar à Europa produtos tão ricos e diversificados como elefantes, madeiras preciosas, especiarias ou pedras de âmbar. Um exemplo particularmente fascinante desse negócio estabelecido é proporcionado pelos ricos marfins pertencentes à colecção de Catarina de Áustria e que constituem um dos destaques da exposição.

Os marfins agora exibidos em Zurique eram parte de ofertas diplomáticas à corte de Lisboa e não só revelam as capacidades artísticas dos homens que trabalhavam este material em Kotte, como testemunham as invulgares relações políticas e culturais existentes à época entre Portugal e Ceilão. De alguma forma constituem, também, uma demonstração da grandeza e do poder da corte portuguesa e de Portugal como potência marítima, que tinha o seu centro asiático estabelecido em Goa.

Por outro lado recordam-nos o dinamismo daquele que foi o primeiro país da Ásia a ter uma embaixada na Europa. Em 1542, o primeiro embaixador de Ceilão, Sri Radaraska Pândita, um religioso de Kotte, chegava a Lisboa para assim materializar as excelentes relações existentes entre os dois países.

Algumas das peças foram cedidas por colecções privadas e nunca foram antes expostas ao público.

A mostra inclui ainda obras pertencentes a mais de 30 museus de várias partes do mundo e tem o apoio do Estado português através do Instituto Camões.

Fonte: Jornal Expresso

APELO – REFLEXÃO 2001

Como país quase milenário que somos, os momentos difíceis que Portugal atravessa não podem impedir o optimismo com que todos devemos encarar onosso  futuro colectivo. Neste momento Portugal passa uma hora grave edifícil, mas que  pode  também tornar-se uma hora de esperança.

Estamos em vésperas de uma eleição do Chefe de Estado. AConstituição  caracteriza o cargo de Presidente da República como o derepresentante de todos  os Portugueses, atribuindo-lhe as funções degarantir a independência nacional,  a unidade do estado, o regularfuncionamento das instituições democráticas e um  papel moderador nosconflitos sociais ou de natureza político-partidária.

Ele será, em teoria, “presidente de todos os portugueses”. Mas aeleição  presidencial depende – como todos bem sabemos – dos partidospolíticos que  escolhem ou apoiam o candidato e de grupos de interessesque viabilizam  financeiramente a respectiva campanha eleitoral. Háaqui contradições insanáveis  que mesmo uma grande personalidade apenassuperaria   transitoriamente, dado  tratar-se de um vício do sistema.

Um olhar para o século que se fecha e para o milénio que se iniciamostra que  ao Chefe de Estado de Portugal se exige mais independênciado que aquela que a  natureza do actual regime de Chefia de Estadoproporciona – e mais visão  estratégica do que a revelada pelo debatede ideias dos actuais candidatos à  Presidência.

As transformações político-sociais em curso e os fenómenos inerentesà  globalização e massificação, cada vez mais exigem uma valorizaçãodos factores  locais, comunitários e ecológicos que, no caso portuguêse ao longo dos séculos,  consolidaram a Nação e conformaram o nossoterritório. A recente Cimeira  Europeia de Nice, na sequência doTratado de Amsterdão, veio uma vez mais  comprovar que a Europa normalé a que resulta das negociações  intergovernamentais entre Estadossoberanos, deixando para segundo plano as  instâncias comunitárias.

O prestígio próprio e institucional do Chefe de Estado e aidentificação  espontânea e afectiva entre a comunidade e o seu representante máximo são cada  vez mais indispensáveis para oreconhecimento externo e para a vitalidade  interna do Povo europeu elusófono que somos.

Nestas circunstâncias, é necessário e legítimo que os portuguesesse  interroguem sobre se a Chefia do Estado deve apenas depender, comoa actual  Constituição estabelece, de um acto eleitoral cada vez maisartificial e  divorciado da Nação – ou se, pelo contrário, deveráprocessar-se mediante uma  escolha que seja simultaneamente ética,cultural e histórica, legitimada por consenso popular e assente na sualigação às raízes de Portugal.

É evidente que, na sua maioria, os portugueses não são nemmonárquicos nem  republicanos. Mas, chamados a debate, querem “o bem darepública” (no sentido  clássico do bem comum) e convidados à reflexãoreconhecem que a Instituição Real  que observam noutros Estadoseuropeus é a melhor garantia de equidistância  perante as demaisinstituições públicas. Com efeito, o Chefe de Estado Real  emana daNação e não de grupos de interesse.

Não é sensato que o país continue a desperdiçar esse tesouro queoutros povos  souberam preservar: a independência e a dignidadeinstitucional do Chefe do  Estado por meio das instituiçõesmonárquicas. O monarca tem, de facto, condições  para promover comeficácia e isenção a solidariedade nacional e a independência  do poderjudicial e das Forças Armadas, bem como para projectar a nossa representação externa com prestígio e continuidade.

Por isso, no contexto da presente campanha presidencial – quedeveria ser uma  hora de verdade sobre as grandes orientações da vidapública nacional, -  lançamos um apelo: que se promovam as condiçõesdemocraticamente requeridas para  uma transição de regime na Chefia deEstado. Dom Duarte de Bragança pode, como  ninguém, servir Portugalnesse cargo. As  circunstâncias ditarão os  procedimentos.

Em qualquer circunstância, geracional ou constitucional, alegitimidade  democrática estará sempre nas mãos do Povo  português. Ointeresse do País deve  sobrepor-se ao interesse das facções e aoimobilismo dos preconceitos. É esta a  nossa reflexão e apelo no iníciodo novo milénio.

Viva a Democracia! Viva o Rei! Viva Portugal!

Este Apelo 2001 é uma iniciativa proposta à subscrição dePortugueses que o desejem e concordem com os seus termos. Ossubscritores serão, no futuro próximo, convidados a participarem emnovas iniciativas de intervenção política  em ambiente de independênciapartidária. Os aderentes aceitam que os seus nomes  sejam incluídos nadivulgação que será feita deste  documento na comunicação social ouinternet.

São primeiros subscritores:

Gonçalo Ribeiro Telles,
Henrique Barrilaro Ruas,
Mendo Castro Henriques,
Luís Filipe Coimbra,
Bento Morais Sarmento,
José Adelino Maltez.

Fonte Unica Semper Avis

AMANHÃ: ALMOÇO DA REAL TERTÚLIA TAUROMÁQUICA D. MIGUEL I

Após uma ausência de três meses em terras do Brasil, Manuel Andrade Guerra, presidente do Directório da Real Tertúlia Tauromáquica D. Miguel I, acaba de convocar todos os contertulianos para um almoço de convívio informal, festejando a Primavera, no próximo dia 1 de Abril, sexta-feira, no restaurante/cervejaria "Solmar" em Lisboa, no qual, sugere o jornalista, "procuraremos, com a boa disposição habitual, esquecer por umas horas a triste situação do País que amamos, saboreando uma almoçarada ainda a preço antigo!". Vamos nisso!

terça-feira, 29 de março de 2011

"NÃO ERA BONITO PORTUGAL TER UM REI?"

Eugénia Carvalho
100 anos

«DELICADA.Nunca perde de mão o lencinho com que seca o suor nervoso de falar coma jornalista. Ri-se muito entre o solta e o tímida. Mulher de fé, erauma operária (...). Não passa sem o seu copo de água morna com limão emjejum e assume-se monárquica: "Não era bonito Portugal ter um rei?"
(...)
EugéniaCarvalho também encontrou o seu porto seguro na casa acolhedora quedivide com a filha, septuagenária. Tem cem anos e quatro meses e diz arir que está "cada vez mais nova!" Amigas, mãe e filha tratam-se portu. Nasceu em Celorico de Bastos, perdeu o pai tinha 18 meses. A mãemorreu com 89 anos. "Muito caprichosa com o trabalho doméstico",recorda que cantava quando tratava de tudo. Em menina, não lembra debrincar, mas "de aprender a costura". Namorou por carta e garante quenunca discutiu com o marido. Teve três filhos, em casa, um já faleceu.Tem 10 netos e 15 bisnetos, o mais pequenino com sete meses.
Trabalhoucomo costureira, fazia roupa de homem para as lojas. Sempre comeu detudo, nunca fez nenhum exercício especial, para além da lida domésticae da luta da vida. Os filhos nasceram em casa. Nunca foi ao médico,quando era nova. Comeu sempre muito arroz porque o marido gostava.Também nunca faltou "a sopinha de legumes". Dorme no primeiro andar esobe as escadas sozinha. Só não vai à igreja todos os dias porque nãotem boleia. Assume-se monárquica, embora tenha nascido no dia daimplantação da República. E diz: "Estou feliz, não tenho queixas. Vivisempre satisfeita."»

in Revista Única, 12/03/2011, págs. 55-56 (artigo: Eles estão para lá dos 100!).