quarta-feira, 30 de março de 2011

DESCOBERTO NA AUSTRIA QUADRO DE D. SEBASTIÃO PERDIDO HÁ 400 ANOS

O Museu Rietberg, em Zurique, Suíça, inaugura amanhã a exposição "Marfins Cingaleses do Século XVI", que tem em destaque uma tela com um retrato inédito de D. Sebastião, da autoria de Alonso Sanchez Coello, pintada na corte portuguesa em 15...62 e cujo paradeiro era ignorado desde há quatro séculos.

Na verdade, a obra estava na Áustria, no castelo Schonberg, mas erradamente identificada com um nobre austríaco. 

Em simultâneo, serão mostrados na exposição dois outros quadros da mesma época, que retratam a rua Nova dos Mercadores de uma Lisboa pré-pombalina. As duas telas foram encontradas numa casa senhorial inglesa e não estavam identificadas com ...Lisboa.

Todos os quadros foram restaurados e limpos a expensas do Museu Rietberg e foi a partir dessa operação que se tornou possível a sua identificação.

Numa das salas do museu foi reconstituída a estrutura do casco de uma caravela portuguesa. No interior, serão expostas peças de marfim e projetadas imagens dos dois elefantes levados para Lisboa e depois para Viena.
 No geral, a mostra de Zurique reúne peças de marfim esculpidas em Ceilão em meados do século XVI. Na sua grande maioria pertenceram ao acervo de Catarina de Áustria, rainha de Portugal entre 1525 e 1578.

Em 1506 o...s portugueses chegaram a Ceilão, hoje Sri Lanka, e estabeleceram relações comerciais muito fortes com o reino de Kotte no sul de Ceilão. A partir desse encontro passaram a chegar à Europa produtos tão ricos e diversificados como elefantes, madeiras preciosas, especiarias ou pedras de âmbar. Um exemplo particularmente fascinante desse negócio estabelecido é proporcionado pelos ricos marfins pertencentes à colecção de Catarina de Áustria e que constituem um dos destaques da exposição.

Os marfins agora exibidos em Zurique eram parte de ofertas diplomáticas à corte de Lisboa e não só revelam as capacidades artísticas dos homens que trabalhavam este material em Kotte, como testemunham as invulgares relações políticas e culturais existentes à época entre Portugal e Ceilão. De alguma forma constituem, também, uma demonstração da grandeza e do poder da corte portuguesa e de Portugal como potência marítima, que tinha o seu centro asiático estabelecido em Goa.

Por outro lado recordam-nos o dinamismo daquele que foi o primeiro país da Ásia a ter uma embaixada na Europa. Em 1542, o primeiro embaixador de Ceilão, Sri Radaraska Pândita, um religioso de Kotte, chegava a Lisboa para assim materializar as excelentes relações existentes entre os dois países.

Algumas das peças foram cedidas por colecções privadas e nunca foram antes expostas ao público.

A mostra inclui ainda obras pertencentes a mais de 30 museus de várias partes do mundo e tem o apoio do Estado português através do Instituto Camões.

Fonte: Jornal Expresso

APELO – REFLEXÃO 2001

Como país quase milenário que somos, os momentos difíceis que Portugal atravessa não podem impedir o optimismo com que todos devemos encarar onosso  futuro colectivo. Neste momento Portugal passa uma hora grave edifícil, mas que  pode  também tornar-se uma hora de esperança.

Estamos em vésperas de uma eleição do Chefe de Estado. AConstituição  caracteriza o cargo de Presidente da República como o derepresentante de todos  os Portugueses, atribuindo-lhe as funções degarantir a independência nacional,  a unidade do estado, o regularfuncionamento das instituições democráticas e um  papel moderador nosconflitos sociais ou de natureza político-partidária.

Ele será, em teoria, “presidente de todos os portugueses”. Mas aeleição  presidencial depende – como todos bem sabemos – dos partidospolíticos que  escolhem ou apoiam o candidato e de grupos de interessesque viabilizam  financeiramente a respectiva campanha eleitoral. Háaqui contradições insanáveis  que mesmo uma grande personalidade apenassuperaria   transitoriamente, dado  tratar-se de um vício do sistema.

Um olhar para o século que se fecha e para o milénio que se iniciamostra que  ao Chefe de Estado de Portugal se exige mais independênciado que aquela que a  natureza do actual regime de Chefia de Estadoproporciona – e mais visão  estratégica do que a revelada pelo debatede ideias dos actuais candidatos à  Presidência.

As transformações político-sociais em curso e os fenómenos inerentesà  globalização e massificação, cada vez mais exigem uma valorizaçãodos factores  locais, comunitários e ecológicos que, no caso portuguêse ao longo dos séculos,  consolidaram a Nação e conformaram o nossoterritório. A recente Cimeira  Europeia de Nice, na sequência doTratado de Amsterdão, veio uma vez mais  comprovar que a Europa normalé a que resulta das negociações  intergovernamentais entre Estadossoberanos, deixando para segundo plano as  instâncias comunitárias.

O prestígio próprio e institucional do Chefe de Estado e aidentificação  espontânea e afectiva entre a comunidade e o seu representante máximo são cada  vez mais indispensáveis para oreconhecimento externo e para a vitalidade  interna do Povo europeu elusófono que somos.

Nestas circunstâncias, é necessário e legítimo que os portuguesesse  interroguem sobre se a Chefia do Estado deve apenas depender, comoa actual  Constituição estabelece, de um acto eleitoral cada vez maisartificial e  divorciado da Nação – ou se, pelo contrário, deveráprocessar-se mediante uma  escolha que seja simultaneamente ética,cultural e histórica, legitimada por consenso popular e assente na sualigação às raízes de Portugal.

É evidente que, na sua maioria, os portugueses não são nemmonárquicos nem  republicanos. Mas, chamados a debate, querem “o bem darepública” (no sentido  clássico do bem comum) e convidados à reflexãoreconhecem que a Instituição Real  que observam noutros Estadoseuropeus é a melhor garantia de equidistância  perante as demaisinstituições públicas. Com efeito, o Chefe de Estado Real  emana daNação e não de grupos de interesse.

Não é sensato que o país continue a desperdiçar esse tesouro queoutros povos  souberam preservar: a independência e a dignidadeinstitucional do Chefe do  Estado por meio das instituiçõesmonárquicas. O monarca tem, de facto, condições  para promover comeficácia e isenção a solidariedade nacional e a independência  do poderjudicial e das Forças Armadas, bem como para projectar a nossa representação externa com prestígio e continuidade.

Por isso, no contexto da presente campanha presidencial – quedeveria ser uma  hora de verdade sobre as grandes orientações da vidapública nacional, -  lançamos um apelo: que se promovam as condiçõesdemocraticamente requeridas para  uma transição de regime na Chefia deEstado. Dom Duarte de Bragança pode, como  ninguém, servir Portugalnesse cargo. As  circunstâncias ditarão os  procedimentos.

Em qualquer circunstância, geracional ou constitucional, alegitimidade  democrática estará sempre nas mãos do Povo  português. Ointeresse do País deve  sobrepor-se ao interesse das facções e aoimobilismo dos preconceitos. É esta a  nossa reflexão e apelo no iníciodo novo milénio.

Viva a Democracia! Viva o Rei! Viva Portugal!

Este Apelo 2001 é uma iniciativa proposta à subscrição dePortugueses que o desejem e concordem com os seus termos. Ossubscritores serão, no futuro próximo, convidados a participarem emnovas iniciativas de intervenção política  em ambiente de independênciapartidária. Os aderentes aceitam que os seus nomes  sejam incluídos nadivulgação que será feita deste  documento na comunicação social ouinternet.

São primeiros subscritores:

Gonçalo Ribeiro Telles,
Henrique Barrilaro Ruas,
Mendo Castro Henriques,
Luís Filipe Coimbra,
Bento Morais Sarmento,
José Adelino Maltez.

Fonte Unica Semper Avis

AMANHÃ: ALMOÇO DA REAL TERTÚLIA TAUROMÁQUICA D. MIGUEL I

Após uma ausência de três meses em terras do Brasil, Manuel Andrade Guerra, presidente do Directório da Real Tertúlia Tauromáquica D. Miguel I, acaba de convocar todos os contertulianos para um almoço de convívio informal, festejando a Primavera, no próximo dia 1 de Abril, sexta-feira, no restaurante/cervejaria "Solmar" em Lisboa, no qual, sugere o jornalista, "procuraremos, com a boa disposição habitual, esquecer por umas horas a triste situação do País que amamos, saboreando uma almoçarada ainda a preço antigo!". Vamos nisso!

terça-feira, 29 de março de 2011

"NÃO ERA BONITO PORTUGAL TER UM REI?"

Eugénia Carvalho
100 anos

«DELICADA.Nunca perde de mão o lencinho com que seca o suor nervoso de falar coma jornalista. Ri-se muito entre o solta e o tímida. Mulher de fé, erauma operária (...). Não passa sem o seu copo de água morna com limão emjejum e assume-se monárquica: "Não era bonito Portugal ter um rei?"
(...)
EugéniaCarvalho também encontrou o seu porto seguro na casa acolhedora quedivide com a filha, septuagenária. Tem cem anos e quatro meses e diz arir que está "cada vez mais nova!" Amigas, mãe e filha tratam-se portu. Nasceu em Celorico de Bastos, perdeu o pai tinha 18 meses. A mãemorreu com 89 anos. "Muito caprichosa com o trabalho doméstico",recorda que cantava quando tratava de tudo. Em menina, não lembra debrincar, mas "de aprender a costura". Namorou por carta e garante quenunca discutiu com o marido. Teve três filhos, em casa, um já faleceu.Tem 10 netos e 15 bisnetos, o mais pequenino com sete meses.
Trabalhoucomo costureira, fazia roupa de homem para as lojas. Sempre comeu detudo, nunca fez nenhum exercício especial, para além da lida domésticae da luta da vida. Os filhos nasceram em casa. Nunca foi ao médico,quando era nova. Comeu sempre muito arroz porque o marido gostava.Também nunca faltou "a sopinha de legumes". Dorme no primeiro andar esobe as escadas sozinha. Só não vai à igreja todos os dias porque nãotem boleia. Assume-se monárquica, embora tenha nascido no dia daimplantação da República. E diz: "Estou feliz, não tenho queixas. Vivisempre satisfeita."»

in Revista Única, 12/03/2011, págs. 55-56 (artigo: Eles estão para lá dos 100!).

COLÓQUIO BERNARD LONERGAN “OS VALORES NÃO SÃO MENTIRA"


Porocasião do lançamento em Portugal da obra “Insight – Um ensaio sobre oconhecimento humano, de Bernard Lonergan (1904-1984), “considerado pormuitos intelectuais o mais sofisticado filósofo do séc. XX”, segundo arevista TIME, o CEFI da Universidade Católica Portuguesa promove, nodia 1 de Abril próximo, um Colóquio intitulado “Os valores não sãomentira”, que se propõe aprofundar questões sobre a crise presente naperspectiva da Filosofia, da Economia e da Teologia. O evento serátransmitido online, de forma a alcançar um público global.
 
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A MULHER RURAL NUM MODELO DE AGRICULTURA FAMILIAR


Jornal “Diário do Minho” de 21 de Março de 2011, pág. 23

A mulher rural num modelo de agricultura familiar

Ossinais de pobreza em Portugal estão muito associados ao mundo rural,onde existe uma privação de indicadores mínimos de conforto, onde osrendimentos são insuficientes em virtude da população rural possuirmuito baixos níveis de qualificação profissional e onde são visíveisoutros fenómenos de exclusão social associados aos movimentosmigratórios da população rural, ao envelhecimento da mesma, às difíceiscondições de concorrência do mercado cada vez mais competitivo esubjugado à disciplina comunitária, aos efeitos nefastos da politica desubsídios ao sector, à redução da produção num país, que vive à mercêde alimentos alheios, ao consumo desenfreado de recursos naturais paracrescimento urbano e à concentração urbana e suburbana, onde temcrescido novos grupos de risco de pobreza e exclusão social.
Quandose fala em agricultura, facilmente afiguramos uma mulher com umsemblante enrijecido pelo tempo, uma enxada gasta e apurada na mão euma criança polvilhada de terra e queimada pelo sol.
Aactualidade mostra-nos que esta imagem não está longe do que era há 50anos atrás, onde uma forte persistência de uma economia camponesa,baseada na família, na pequena propriedade, nas técnicas rudimentares esujeita a flutuações agravadas pelos maus anos agrícolas e pela elevadatendência de crescimento da taxa de natalidade, onde a emigraçãoconstituía um fenómeno social de compensação a uma economia deficitáriae onde o principal destino dos movimentos migratórios era a Europa,resultaram na partida dos homens e na permanência das mulheres.
Esteprocesso de “feminização” da agricultura iniciou-se na década de 80,onde a actividade agrícola assumia um cariz secundário, marginal e atédesprestigiante. A mulher substituía a mão-de-obra masculina, desviadapara outros sectores de actividade, através de uma sobrecarga detrabalho, dado que era a ela, que ficavam entregues o trabalho doscampos e os animais, para além do trabalho doméstico, dos filhos emuitas vezes dos familiares mais idosos.
Sãoestas mulheres que por questões de ordem social e económica, viram naagricultura uma forma de enfrentar despesas, afastando-se por isso, daescola e do ensino e colocando de lado sonhos e ambições. Tendo sidoesta fragilidade educativa e a ausência de infra-estruturas sociais eeconómicas - saneamento básico, creches, escolas, transporte públicos,centros de saúde, apoios sociais e técnicos -, na maioria dos casos, umfactor imediato para o débil desenvolvimento da actividade agrícolaenquanto negócio e para muitas das situações de pobreza e exclusãosocial da “mulher rural”.
Aentrada de Portugal na Comunidade Europeia e a consequente abertura dasfronteiras à livre circulação de pessoas, mercadorias e bens, ainstituição da PAC (Política Agrícola Comum), a desertificação dasaldeias do interior do país, resultado da emigração para outros paísese o êxodo para as grandes cidades à procura de melhores condições devida, o envelhecimento da população agrícola, activou o esgotamento domodelo de agricultura familiar tendo este deixado de ser, por si só, ummeio de subsistência para muitas famílias portuguesas.
Como início do novo milénio, e por isso mesmo, convictos de novosdesafios, damos conta, afinal, de que a vida em meio rural ainda estáviva e é maioritariamente feminina, e que o modelo de produção familiaré a única agricultura que mata a fome, garante a soberaniaalimentar, evita o êxodo rural para as cidades, que estão a tornar-seinabitáveis, e protege a harmonia essencial com a natureza.
Chegamosentão ao momento de entendermos que estamos perante um novo paradigmade ruralidade, assente numa agricultura de produção e conservação,articulada com uma nova contextualização sócio-educativa, de “regressoà terra” ou à agricultura familiar, como alternativa aos caos social eeconómico da sociedade imperante e como meio de produção para a famíliae para a própria localidade, contribuindo, também, para odesenvolvimento nacional e a sustentabilidade humana.
Ser“mulher rural” não é, nem nunca foi fácil, por isso merecem elogio,admiração e muito respeito, por isso revigoro a ideia de que A MELHOR SUSTENTABILIDADE NO MUNDO É AQUELA QUE A MULHER OFERECE À HUMANIDADE ATRAVÉS DOS FILHOS QUE A IMORTALIZAM.
(fonte: Boaventura Sousa Santos)
Sílvia Oliveira
(Deputada Municipal do PPM)

SS.AA.RR. OS SENHORES DUQUES DE BRAGANÇA PRESENTES NO BANQUETE EM HONRA DO PRÍNCIPE DE GALES E DA DUQUESA DA CORNUALHA, NO PALÁCIO DE QUELUZ