segunda-feira, 28 de março de 2011

A LIÇÃO DE UM REI

E os republicanos acusaram o rei de não se preocupar com os problemas do país!...

Em 1892 o rei D. Carlos doou 20% (!) da sua dotação anual para ajudar o Estado e o País a sair da crise criada pelo rotativismo dos partidos (nada de novo, portanto).

Se calhar foi por isso que, mais tarde, o haviam de matar. Não se pode consentir que alguém dê, num país onde é costume tirar...

o melhor, se calhar, é ter cuidado...

Quando é que um republicano fez o mesmo ou algo parecido?

DECLARAÇÕES DE S.M. DOM CARLOS I AO JORNAL "LE TEMPS" EM 11 DE NOVEMBRO DE 1907

Rei Dom Carlos em 1907
 DECLARAÇÕES DE DOM CARLOS I

Declaraçõesprestadas por Dom Carlos ao Jornal de Paris Le Temps em 11 de Novembrode 1907 e publicadas em 14 de Novembro, sobre o governo de João Francoe os seus objectivos políticos.

Aentrevista dada por Dom Carlos ao jornal Le Temps em Novembro de 1907foi explosiva. A situação política portuguesa era vista na Europa comoperigosa. Acompanhada pelos graves problemas financeiros portugueses -o célebre deficit - que permitiam todos os cenários sobre as colóniasportuguesas, parecia que uma mudança de regime podia estar também naordem do dia.

Avinda a Lisboa do redactor principal do mais importante jornal francês,para relatar a situação e entrevistar o «ditador», como o jornalista ochamou, mostrava a importância do assunto. A entrevista a João Franco,em 3 de Novembro, não parece ter sossegado o jornalista. O problemafundamental era saber se João Franco se manteria na direcção doMinistério e se conseguiria manter o apoio do Rei, da Família Real, quese sabia não ser clara, e, note-se bem, do exército. A possibilidade deintervenção do exército contra o Rei e o seu Presidente do Conselho deMinistros era tão preocupante que a pergunta foi feita aos doisgovernantes e respondida por ambos da mesma maneira, declarando a sualealdade, mas sem nunca se falar da sua «opinião». Para responder atudo isto era preciso uma resposta clara do Rei. João Franco conseguiuque Galtier a obtivesse.

Aentrevista ficou célebre pela palavra que Dom Carlos proferiu sobre anecessidade de «carácter» do político que o Rei andava à procura paralhe entregar a governação do país. De acordo com as declarações do Reipareceu que João Franco o tinha e os outros políticos portugueses não.Como João Chagas, jornalista e político republicano, declarou a palavraimplicava que o Rei governava “contra todos os partidos e homens que oserviram.” Isto é, desde 1889, data da sua ascensão ao trono.

ORei, é claro, não queria dizer nada disso, mas ter aceite que a palavrafosse publicada, ou melhor, que João Franco, que ficou encarregue deverificar a versão a publicar, como ainda hoje é absolutamente normal,não tenha percebido que a palavra ia tornar-se uma bomba, foiinaceitável. Terá sido de propósito? Há contemporâneos que o afirmam e,de facto, a entrevista de João Franco não os desmente, quando nelaataca sistematicamente os seus pares. De facto, a afirmação do Reiparece vir no seguimento das declarações de João Franco sobre a faltade lealdade dos seus adversários.

Mas o mais grave da entrevista, de facto, não foi o problema do «carácter» dos políticos portugueses.

Oque assustou e preocupou realmente a classe política portuguesa foi oRei, pela primeira vez, desde o início do regime liberal, ter afirmadoser ele quem governava directamente («para conseguir realizar as minhasideias», «trabalhamos juntos»), e mesmo enquanto chefe de partido(«vamos certamente ter a maioria»).

Istosim, era inaceitável para os políticos liberais portugueses,possivelmente mesmo para os políticos monárquicos da Europa Ocidental.Era uma modificação sensível da tradição política portuguesa. De facto,não se governava «à inglesa» - a intenção expressa pelo presidente doConselho - com um Monarca dirigindo pessoalmente os «conselhos daCoroa». E foi sobretudo contra este programa político do Rei,apresentado na entrevista, que a maioria dos dirigentes políticos seinsurgiu. E ninguém o apoiou publicamente, mesmo no PartidoRegenerador-Liberal, no poder. De facto, a «gaffe» era enorme eindefensável.

Aentrevista que, parece, tinha em vista assegurar aos «mercadosfinanceiros» e às grandes potências a estabilidade governamental(«pretendo mantê-lo», «estou muito satisfeito com ele.») e a lutacontra o deficit («vamos restaurar o equilíbrio orçamental e acabaremoscom o défice») levou ao aumento da luta política, e à tentativa degolpe de Estado patrocinada pelos progressistas dissidentes e osrepublicanos em Janeiro de 1908, e, devido às medidas repressivaspreparadas pelo governo, finalmente, à morte do Rei, em Fevereiro.

Um drama que, segundo a célebre frase de Karl Marx, se for repetido será como comédia...
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«Precisava de uma vontade sem vacilação para conseguir realizar as minhas ideias»

VISITA A PORTUGAL
Declarações de S. M. Dom Carlos I
Lisboa, 11 de Novembro
É evidente que o Sr. João Franco1só permanece no poder por vontade do Rei. Até quando e em que medida éque esta confiança se manterá? Tenho ouvido muitas vezes dizer emLisboa que Dom Carlos I tinha mostrado o seu cansaço e o desejo deacabar com a ditadura. Concluindo-se que daqui a pouco tempo o novodirigente dos regeneradores, o Sr. Júlio de Vilhena2, – escolhido em 12 de Novembro para substituir o falecido Sr. Hintze Ribeiro –, seria chamado a formar um Gabinete.

Certamente,no círculo próximo do Rei, na própria Família Real, o Sr. João Francoconta, se não com inimigos, pelo menos com adversários declarados. ARainha-Mãe Dona Maria Pia, por exemplo, segundo se diz, não perdoa aoPrimeiro-Ministro ter humilhado a Casa de Bragança na questão dosadiantamentos3 e de a ter colocado, a Mãe do Rei, numa situação financeira difícil. O Rei partilhará os sentimentos da Senhora Dona Maria Pia?

SóEle pode responder a esta pergunta. Mas, como colocá-la? Como é quealguém se pode permitir pensar que, numa audiência com o Rei, osgrandes problemas não serão interditos? Quando soube que Dom Carlosestava disposto a receber-me4,tentei encontrar maneira de passar das fórmulas de gentileza e cortesiapara a questão política. Não descobri nenhuma maneira, e quando apanheide novo o comboio para Cascais, confiei o meu destino aos caprichososdeuses do acaso.

A Cidadela5, a residência da corte, é um conjunto de prédios baixos, alojamentos, depósitos, casa do Rei6,cercadas por uma parede que lembra as construções maciças de Windsor. Acasa do Rei não é nada majestosa e é baixa, as salas de tecto baixo.Levado por um camareiro, fui levado ao primeiro andar, a um quartogrande e luminoso, com vista para o mar. O centro está ocupado por umagrande mesa, cheia de livros e de papéis. Painéis de madeira e deazulejos cobrem as paredes, uma lareira em madeira clara esculpida estácolocada entre duas janelas amplas com vista para a baía de Cascais. ORei, diante da mesa, recebe-me com simplicidade e um sorriso. Vem tercomigo e leva-me para uma das grandes janelas.

Calçadocom botins amarelos e polainas curtas de couro, veste calças verdes,como “épinards à la creme”, e um casaco azul-escuro. É o traje paraabrir um parlamento de caçadores ou de atiradores aos pombos. A gravataroxa tem um alfinete com uma pedra-da-lua rodeada de brilhantes. DomCarlos fuma um enorme charuto. Fala o francês sem sotaque e com umafacilidade notável.

Estavaa tentar encontrar uma maneira de fazer a mudança de assunto. O Reiencontrou-a, suprimindo-a. Desde as primeiras palavras, senti que SuaMajestade queria entrar no tema cadente da actualidade. Não há dúvidaque quis, intencionalmente, prestar declarações ao Le Temps7 que considera úteis ao país. Eu relato-as exactamente de acordo com a sua concisão e importância.

«Seique o senhor já viu muita gente. E que teve muitas conversas. Conhece oproblema. Tem de perceber que tudo está calmo em Lisboa, como no País.Só os políticos estão agitados, e têm razão para estar, de acordo com oseu ponto de vista, acrescentou o Rei, sorrindo. Discute-se muito,fazem muito barulho, assim como na Câmara.»

“Nosúltimos dias da Legislatura, a situação tornou-se impossível. Eranecessário que a «bagunça», não há outra palavra, acabasse. Não podiadurar. Não sei para onde íamos. Foi então que dei ao Sr. Franco meiosde governar. Fala-se da sua ditadura, mas os outros partidos, aquelesque mais gritam, também me pediram uma ditadura. Para lha conceder,exigi garantias de firmeza8.Precisava de uma vontade sem vacilação para conseguir realizar asminhas ideias. O Sr. Franco foi o homem que eu desejava. Há muito tempoque o tinha em vista. No momento oportuno, chamei-o. O que faz a forçadele é que tem fé nele próprio, na sua estrela, e, nas horas de crise,essa confiança é uma ajuda preciosa. A sua inteligência iguala a suavontade; “é mais esperto do que se pensa."

“Estamosde acordo, plenamente de acordo. Trabalhamos juntos. Tem toda a minhaconfiança. Ao contrário do que pensam ser as minhas intenções, pretendomantê-lo. Estou muito satisfeito com ele." «Está a ir muito bem.» Istovai durar, é preciso que dure no interesse nacional. Faremos eleiçõesquando for tempo, sem obedecer às coacções, às intimações que nosdirigem. Vamos certamente ter a maioria. O país aprovará a política doSr. Franco. Vamos restaurar o equilíbrio orçamental e acabaremos com odéfice.»

Emtodos os países, para fazer uma revolução, tem que se ter o exércitoconsigo. No entanto, o Exército Português está sujeito à Constituição eé fiel ao seu Rei. Lealmente, ficará ao meu lado. A maioria dosoficiais são meus camaradas Servi com eles, conhecem-me. Não tenho amenor dúvida sobre a sua devoção.

"Tudoo que empreendi, o que eu estou a fazer hoje em dia é do interesse domeu país. Certamente que (o Rei sorri) preferia «que me deixassemtranquilo.» Mas continuo no meu posto.

"Conheçoo meu país, conheço bem o tabuleiro eleitoral, há dezoito anos que aquiestou. Portugal precisa de calma; trabalha e pede que a ordem e a pazsejam preservadas. Dou-me conta, onde quer que vá, que o meu povo estácomigo. Quando as eleições nos derem uma maioria forte e a“normalidade" for restabelecida, o remédio extraordinário, que acheinecessário para uma situação extraordinária, não terá mais razão deser. Nunca me esqueci, um momento que fosse, quais são os meus deverespara com a minha coroa e o meu querido país.»

Oque me impressionou foi a facilidade e a clareza com que o Rei me falouda situação política. Acho desnecessário acrescentar, dado o modo eforma da sua intervenção, que Dom Carlos I me autorizou, convidou-memesmo, a publicar as suas palavras. Não relatei os detalhes e osdesvios à conversa, que sendo provavelmente pitorescos ou picantes,teriam tirado o carácter que deve manter uma declaração rápida esóbria, que reafirma e esclarece as intenções do Rei.
Joseph Galtier
Le Temps, Quinta-feira 14 de Novembro de 1907.
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1.JoãoFerreira Franco Pinto Castelo Branco (1855-1929). Formou governo emMaio de 1906 enquanto dirigente do novo Partido Regenerador-Liberal ecom o apoio do Partido Progressista. As medidas reformistas quepromoveu tiveram a oposição de vários sectores da sociedade queprovocaram a saída do governo dos ministros progressistas. A partirdesse momento em minoria na Câmara dos Deputados, teve de ter o apoiodo Rei Dom Carlos para continuar a governar, já que passou a governar“em ditadura”, isto é, não só legislando sem as Câmaras estaremreunidas, mas por meio de decretos que necessitam somente da aprovaçãodos tribunais.
2.JúlioMarques de Vilhena (1845-1928). Deputado, ministro e governador doBanco de Portugal, dirigiu o Partido Regenerador a seguir à morte deHintze Ribeiro em Agosto de 1907. Nunca presidiu um governo.
3.Discutidosem Novembro de 1906, João Franco apresentou na Câmara dos Deputados osdocumentos que mostravam os adiantamentos que o Estado tinha feito àCasa Real por conta da Lista Civil. Os últimos adiantamentos tinhamservido para pagar as obras de iluminação dos palácios reais, masserviram à oposição progressista e aos republicanos como arma dedesgaste político do Rei. João Franco acabou com o problema por meio deum encontro de contas e do aumento de dotação da Lista. Mas fê-lo emDitadura, não tendo o apoio expresso da classe política para o fazer, oque aumentou o desconforto da Família Real.
4.Aentrevista foi apoiada por João Franco que tinha sido entrevistadopreviamente pelo Le Temps em 3 de Novembro, sendo a entrevistapublicada no jornal do dia 12, por isso no dia seguinte à entrevistadada pelo Rei.
5.ACidadela de Cascais foi utilizada durante os meses de Setembro eOutubro como residência de férias da Família Real a partir de 1871.
6.A antiga residência do governador da fortaleza que Dom Luís adoptou a residência de férias em 1870.
7.Ojornal diário Le Temps foi criado em 1861 por um jornalista francêsliberal e protestante, aproveitando a liberalização do regime imperialde Napoleão III iniciado em Dezembro de 1860, até essa época, umaditadura militar como a criada pelo seu tio, o primeiro Napoleão.Tornou-se o mais importante jornal francês durante a Terceira República(1870-1940). Deixou de se publicar em 1942, devido à falta de papel naFrança ocupada pelo Exército Alemão. Acusado de colaboração com oocupante, em 1944 a redacção será ocupada e o material de impressãorequisitado, dando origem ao Le Monde, criado por um antigo jornalistado Le Temps, Hubert Beuve-Méry, que manteve o aspecto gráfico do antigojornal.
8."Caractère"no texto francês. Foi uma das palavras mais discutidas da entrevista. Oque queria o Rei dizer com esta palavra? Que os dirigentes políticosportugueses não tinham carácter? Provavelmente não. O termo francêsimplica mais coragem e firmeza do que personalidade. A frase seguinteparece claramente apontar para a primeira versão, quando fala de«vontade sem vacilação».
Fonte: Le Temps, Quinta-feira 14 de Novembro de 1907.

UM EMPREGO HISTÓRICO PARA D. MANUEL II, REI DESTRONADO

COISAS NOCIVAS À CAUSA MONÁRQUICA

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No processo das evoluções humanas,muitos costumes foram descartados e substituídos por práticas e visõesmais justas, e no campo da religião isto se verificou diversas vezes.

Entretanto, sempre houve os altos ebaixos, e muitas distorções ocorreram. Enquanto os espanhóis ocupavam oImpério Azteca, imponto o Catolicismo e proibindo os sacrifícioshumanos (costume que não justifico), na Europa, sobretudo na própriaEspanha, luziam as fogueiras da “santa” inquisição, espalhando naspraças públicas o cheiro da carne queimada dos “hereges”, muitos dosquais eram católicos fidelíssimos (lembremos Savonarola e GiordanoBruno), que, por terem-se rebelado contra certos excessos da Igreja ousimplesmente por causa de intrigas desonestas, eram condenados à mortepelo fogo.

Será que isso é muito diferente dossacrifícios ritualísticos que os povos centro-americanos aindapraticavam? Não eram as fogueiras do “santo ofício” uma forma européia– e pseudo- cristã – de manter vivo o sacrifício ritual primitivo,justificando hipocritamente essa barbárie como uma “purificação daalma”?

Há que se fazer a devida distinçãoentre o sentido original da palavra Cristianismo (a mensagem doChristos, o Ungido, o Príncipe da Paz) e a forma deformada e farisaicacom que o catolicismo corrompido o caracterizou.

Em meio aos debates dos gruposMonarquistas pela Internet, está havendo, por parte de algunsparticipantes, uma postura reacionária que idealiza o mundo “cristão”,europeu e ocidental como se fosse a nata da humanidade. Há comentáriosque parecem ter sido escritos por pessoas que adormeceram no front dasCruzadas e despertaram no limiar do Século XXI, ainda com o ardordaqueles tempos medievos…

Tais comentários, além de insensatos,são prejudiciais à Causa Monárquica, primeiro porque propõem coisasanacrônicas, primitivas e felizmente irrealizáveis em nossos dias;segundo porque espantam os simpatizantes, embargando novas adesões edificultando (senão impossibilitando) a realização da grande meta que éa Restauração do Império do Brasil.

Os leigos, os neófitos que seinteressam pela Monarquia embarcam num de nossos grupos de discussão edeparam com convites ao fundamentalismo, ao fanatismo religioso, àexclusão humana, e logo a imagem da Monarquia toma, perante eles, aforma desenhada pelo preconceito antimonárquico, isto é, a da coisamais retrógrada e estapafúrdia em termos de política.

Ante a visão de um novato, a impressãoque mais grava é a negativa. Conquanto que haja muitos comentáriossensatos, a mensagem fanática prende mais a atenção, reforçada pelopreconceito já existente, e os possíveis novos Monarquistas debandam.

É preciso refletir sobre isto.

Publicado por Rui Monteiro no blogue "Causa Monárquica"

domingo, 27 de março de 2011

O IMPÉRIO PORTUGUÊS FOI O PRIMEIRO IMPÉRIO GLOBAL

"ImpérioPortuguês" é a designação comum dada ao conjunto dos territóriosultramarinos ocupados e administrados por Portugal a partir do inícioséculo XV até ao século XX. O termo "Império Português", no entanto,nunca foi usado oficialmente. A designação oficial mais utilizada parao conjunto dos territórios ultramarinos portugueses foi simplesmente"Ultramar Português". Já a designação "Império Colonial Português" foioficial, mas apenas durante um breve período, de 1930 a 1951. O ImpérioPortuguês foi o primeiro império global da história, com um conjunto deterritórios repartidos por cinco continentes sob soberania portuguesa,resultado das explorações realizadas na Era dos descobrimentos. Foi omais duradouro dos impérios coloniais europeus modernos, já que apresença portuguesa fora da Europa abrangeu quase seis séculos. Foigovernado pela Casa de Avis por cerca de cento e cinquenta anos, depoispor sessenta anos, pela Casa de Habsburgo, posteriormente pela Casa deBragança por trezentos anos, e a partir de 1910 foi governado pelaRepública Portuguesa. Convenciona-se o início do Império como sendo aconquista de Ceuta em 1415. Já o final do Império, consoante o critérioutilizado, pode ser considerado o ano de 1975 - independência da maiorparte dos territórios -, o ano 1999 - fim da administração portuguesade Macau, o último território ultramarino ainda administrado de factopor Portugal - ou o ano de 2002 - data da independência de Timor-Leste,último território ultramarino considerado de jure sob soberania portuguesa. (fonte wikipedia).
Publicado por Mário Neves in "Fidelíssimo"

QUAL O PROGRAMA MONÁRQUICO?

Insistentemente interroga-se de vários lados, até de onde menos seria de prever, sobre o programa político, económico e social da Monarquia. Pede-se a modos que a redacção de um estatuto constitucional a adoptar numa futura Restauração.

Isto revela um grande equívoco que é necessário desfazer.

O que caracteriza a forma política monárquica é confiar a chefia do Estado a uma Dinastia, na pessoa de um Rei.
 
A essência da Monarquia é a Realeza. É esta a sua base imutável, o seu princípio indiscutível.
Os sistemas, em seus vários aspectos, têm sido e são mutáveis e variados com os tempos. Vão evolucionando, vão-se adaptando às exigências de cada época. Nem poderia ser de outra maneira.
 
O sistema é, portanto, discutível, o que equivale a dizer que não há um sistema único e pré-determinado. Compete à Nação, em qualquer altura, escolhê-lo e conservá-lo ou modificá-lo, conforme as circunstâncias e o interesse comum o ditarem.
 
O Rei ouve a Nação e, como seu mais fiel intérprete e primeiro servidor, guarda e defende a legitimidade constitucional.
 
É esta uma das liberdades que a Monarquia como regime nos assegura. Só os ditadores ou os déspotas impõem um sistema segundo a sua vontade.
 
O Poder Real, porque é independente e superior às discussões dos sistemas, porque é estável e contínuo, permite como nenhum outro as maiores liberdades, as mais arrojadas experiências administrativas, sociais e económicas, sem prejuízo da ordem e da autoridade.
 
Exposta nestes termos a verdade da doutrina monárquica, compreende-se que o Rei seria a última pessoa a pronunciar-se por um determinado sistema concreto e que, nem os responsáveis pela causa monárquica, nem ninguém, podem sobrepor-se ao que é um direito inalienável da Nação.
 
Cada um de nós, como cidadão português, pode, e deve, naturalmente, formular as suas opiniões e pugnar por elas; o que não é lícito é identificar a Realeza com o sistema da sua preferência. O Rei é de todos, repete-se.
 
Numa restauração do Poder Real, só um caminho haveria a seguir: convocar Cortes Gerais, amplamente e autenticamente representativas, e adoptar-se a Constituição que nesta fosse escolhida.
 
Não temos, portanto, que antecipadamente falar de um sistema político, económico e social como programa de uma futura Monarquia e ainda menos como condição do Rei. Temos, sim, de reclamar o Poder Real como a mais segura fiança de um regime nacional.
 
Mário Saraiva, Razões Reais, Lisboa, Universitária Editora (3ª ed. revista e aumentada), 2002, p. 87.
 

CAVACO SILVA: "ADORO ANDAR DE COMBOIO"

A memória dos portugueses é curta mas a sua gestão é "danosa". Aqui fica para a refrescar!