sábado, 26 de março de 2011

CORO DE CÂMARA ANÇÃ-BLE


O "Ançã-Ble", constituído por uma família de Ançã (de onde retira o nome pelo qual se designa num jogo de palavras que dispensa explicações), é um conjunto vocal que se tem dedicado à música sacra portuguesa, com natural incidência sobre o período áureo (séc. XVI-XVII) - segundo uma classificação comumente aceite - da música vocal em Portugal. Tem-se apresentado em público com uma frequência regular, destacando-se os recitais por ocasião do Congresso do P.e António Vieira, em Coimbra, do duplo Congresso do P.e Anchieta, em Coimbra e São Paulo (Brasil), bem como um na Catedral de Tuy, e do Congresso sobre Damião de Góis. Mais recentemente, participou na edição de discos com música inédita de Coimbra e "Damiana Musica". 

A actividade mais regular do Ançã-Ble tem-se desenvolvido desde 1995 numa colaboração progressiva entre o Instituto Português de Santo António, em Roma, onde tem anualmente realizado recitais de música sacra portuguesa, num esforço persistente de divulgação da música portuguesa. Estes recitais têm compreendido uma grande percentagem de primeiras audições modernas de obras recolhidas e transcritas pelo director do Ançã-Ble em arquivos portugueses e romanos, numa linha de aprofundamento do conhecimento das seculares e fecundas relações entre Itália e Portugal.

JORNAL A GUARDA: O REGRESSO DA BANDEIRA AZUL E BRANCA

Opaís fica realmente dividido em dois: a norte do rio Vouga a bandeirade Portugal é azul e branca e o regime é monárquico. A sul a bandeira éverde-rubra e o regime é republicano. É o período da história conhecidocom Monarquia do Norte ou o Reino da Traulitânia. Em 1919 foram apenasvinte e cinco dias de restauro parcial da monarquia.

O general Paiva Couceiro, militar que se destacou na defesa damonarquia durante a revolução republicana de 5 de Outubro de 1910, foium dos poucos monárquicos que não se conformou com a implantação darepública. Exilou-se na Galiza, com outros monárquicos e, a partirdali, procurou combater o regime republicano pelas armas.

A partir de Espanha organizou um exército, embora pequeno, pararestaurar a monarquia em Portugal. Pretendia a realização de umplebiscito popular e a restauração da Carta Constitucional de 1826 eassim mostrar que existia uma alternativa monárquica para Portugal.

Fez várias incursões no país. A primeira foi exactamente um ano após aimplantação da república. Teve um impacto e significado simbólicos poislimitou-se a conseguir hastear a bandeira azul e branca em Vinhais. Asegunda deu-se em 1912, já teve mais resultados pois o exércitomonárquico penetrou em Valença, Vila Verde e Chaves. Seguem-se algunslevantamentos populares em Cabeceira de Bastos, Celorico de Bastos,Fafe e Vieira do Minho. Não obstante, as forças republicanasneutralizam a incursão, que assim termina com a fuga dos monarquistaspara Espanha.

Uma terceira tentativa seria mais marcante. No ano de 1919, PaivaCouceiro volta a invadir o norte do país, chegando ao Porto. Nestacidade, a Junta Militar do Norte proclama a monarquia no dia 19 deJaneiro. A bandeira azul e branca é hasteada, após uma parada militar ecanta-se o Hino da Carta Constitucional (O hino monárquico). Os chefesdesta restauração são Luís de Magalhães, Sollari Allegro, Conde deAzevedo, Visconde do Banho e o Coronel Silva Ramos. A Junta Governativado Reino, junto ao Governo Civil do Porto, ficou sob o comando deHenrique Mitchell de Paiva Couceiro. Quase todas as cidades do norteaderem à causa real, com a excepção de Chaves.

Mesmo na capital, a Junta Militar quer aderir ao movimento iniciado anorte, mas não se obtém unanimidade. Em Lisboa vai ter algumaimportância o movimento “Integralismo Lusitano”. Alguns dos seusmembros aderem à causa e resolvem tomar o posto TSF de Monsanto paraestabelecer contacto com o norte e assim coordenar a luta. A revoltaeclode no dia 22 de Janeiro. Sob o comando de Aires de Ornelas, umgrupo de algumas dezenas de militares hasteia a bandeira monárquica noForte de Monsanto. Os republicanos reagem com rapidez e eficácia.Graças ao seu número e apoio rapidamente conseguem a capitulação dosmonárquicos. No entanto, a revolta no país só terminou no dia 13 deFevereiro, com a entrada dos exércitos republicanos no Porto.

O país fica realmente dividido em dois: a norte do rio Vouga a bandeirade Portugal é azul e branca e o regime é monárquico. A sul a bandeira éverde-rubra e o regime é republicano. É o período da história conhecidocom Monarquia do Norte ou o Reino da Traulitânia. Foram apenas vinte ecinco dias de restauro parcial da monarquia, mas repletos de violênciae terror, sobretudo da parte dos monárquicos, que aproveitaram para“ajustes de contas” e retaliações pessoais. Este foi o motivo porque operíodo foi denominado de Reino da Traulitânia.

O regresso da bandeira azul e branca falhou principalmente por doismotivos: não contou com o apoio do rei D. Manuel II, que se encontravaexilado em Inglaterra, e não obteve o reconhecimento essencial depaíses como a Inglaterra e a Espanha.

Como consequência muitos oficiais foram afastados ou demitidos doexército, ficando Afonso Costa no domínio da política portuguesa.

Os defensores da monarquia foram os que mais sofreram com o rescaldo dogolpe. Verificam-se divisões entre os apoiantes de D. Manuel II, muitosdos quais consideram que o movimento foram feito à revelia do rei. O“Integralismo Lusitano” enviou uma delegação à Inglaterra para analisarestratégias para a futura luta monárquica. Voltam desiludidos com arecepção do rei e juntam-se à causa do reconhecimento de D. Duarte Nunode Bragança, neto de D. Miguel I, como legítimo herdeiro do tronoportuguês.

Nos mais de cem anos de República, foi a mais forte tentativa para restaurar a monarquia em Portugal.

 
Publicado por Rui Monteiro no blogue "Causa Monárquica"

UMA FACETA MENOS CONHECIDA DO REI DOM CARLOS

 
A Torre do Tombo mostra uma das facetas menos conhecidas do Rei D. Carlos, a de fotógrafo, numa exposição que é hoje inaugurada e que exibe pela primeira vez documentos do Arquivo da Casa Real.
 
D. Carlos I, fotógrafo amador é o título da exposição que apresenta 46 fotografias em reprodução digital, obtidas a partir dos originais da época, a maioria assinadas e legendadas pelo soberano, e integra ainda fotografias feitas pela rainha D. Amélia e pelos príncipes D. Luís Filipe e D. Manuel.
 
«Esta é uma faceta que é muito pouco conhecida de D. Carlos, apesar de se saber que o Rei era um interessado na fotografia», disse à Lusa o director da Torre de Tombo, Silvestre Lacerda.
 
«Estas imagens eram muito pouco conhecidas e têm a particularidade de todas estarem assinadas pelo Rei à excepção de umas dez», acrescentou.
 
As excepções são fotografias realizadas por D. Amélia (três), D. Luís Filipe (quatro) e D. Manuel (três).
 
«É curioso notar que outros membros da família real faziam fotografia», sublinhou o responsável.
 
As 46 imagens que constituem a exposição pertencem ao arquivo da Fundação da Casa de Bragança e mostram as campanhas oceanográficas do monarca, touradas de canastra, regatas em Paços de Arcos, a armação do atum no Algarve, e membros da família real.
 
Um dos interesses desta exposição de fotografia que esteve patente no verão passado no Paço Ducal de Vila Viçosa «é que se percebe perfeitamente que a fotografia serviu de apoio à pintura de D. Carlos», como faziam na Europa do tempo outros pintores.
 
Neste contexto surgem assim fotografias dos banhos em Cascais, da pesca do atum e do iate Amélia.
 
«Há um aspecto muito curioso que se nota que são as experiências pela mão do Rei, particularmente nas platinotypias (processo fotográfico antigo), que é o tempo da exposição utilizado para a realização das provas e quais os químicos usados, o que era na altura um segredo», salientou.
 
Segredos que a ciência também já desvendou relativamente a fotógrafos prestigiados da época como Carlos Relvas e a Martins Sarmento, referiu Silvestre Lacerda.
 
Segundo o director da Torre da Tombo, «demonstra-se também que o Rei estava a par em termos sociais daquilo que se fazia e daquilo que eram as inovações a diferentes níveis».
 
Relacionado com as fotografias será exibido o documentário D. Carlos, Oceanógrafo (1997), de Jorge Marecos Duarte e Sérgio Tréfaut, com narração, Luís Miguel Cintra, que utiliza fotografias tiradas pelo Rei.
 
Na área documental entre outros, será mostrado pela primeira vez ao público o pergaminho de 60X80cm relativo ao auto de juramento da Constituição de D. Carlos, assinado em Cortes por todos os dignitários.
 
Outro documento interessante é a certidão de nascimento de D. Carlos, mas sem o nome do recém-nascido ainda, e o contrato de casamento celebrado com a princesa Amélia de Orleães.
 
Segundo o responsável, com esta mostra, procura-se «estabelecer uma ponte entre a arte fotográfica praticada pelo soberano e o testemunho da sua própria vida e do seu tempo».
 
A exposição D. Carlos I, fotógrafo amador é inaugurada hoje às 18h pelo secretário de Estado da Cultura, Elísio Summavielle, na Torre do Tombo, na Cidade Universitária, em Lisboa, e estará patente até 12 de Julho.
 
Lusa/SOL - Jornal SOL
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El-Rei fotógrafo na Torre do Tombo

A exposição “Dom Carlos I, fotógrafo amador” patente na Torre do Tombo, em Lisboa, até Julho integra 46 fotografias, a maioria assinadas e legendadas pelo próprio monarca, mas também fotografias tiradas pela Rainha, Sua Mulher, Dona Amélia, e os Filhos, o Príncipe Real Dom Luís Filipe e o Infante Dom Manuel (futuro Dom Manuel II, último a ocupar o Trono Português).
 
A exposição das imagens esteve patente, recorde-se, o Verão passado no Paço Ducal dos Bragança, em Vila Viçosa e pertencem à Fundação da Casa de Bragança. Podemos ver as campanhas oceanográficas do soberano, touradas de canastra, regatas em Paço de Arcos, a armação do atum no Algarve, e membros da Família Real, assim como os banhos em Cascais e o iate Amélia.
 
Dom Carlos herdou dos Pais, Dom Luís e Dona Maria Pia o gosto pelas inovações num século onde tudo era novo em termos de mecanismos. Curioso, observador, o Rei integrava-se no devir social do seu tempo e seguia todas as inovações.
 
Em Lisboa a exposição é enriquecida com a exibição do documentário “Dom Carlos, Oceanógrafo” (1997), de Jorge Marecos Duarte e Sérgio Tréfaut, com narração, Luís Miguel Cintra, que utiliza fotografias tiradas por Sua Majestade.
 
Outra mais valia desta mostra é a área documental em que será mostrado pela primeira vez ao público o pergaminho de 60X80 cm relativo ao auto de juramento da Constituição Portuguesa da época por Dom Carlos, e assinado nas Cortes (Parlamento) por todos os dignitários.
 
Os visitantes poderão ver ainda a certidão de nascimento de Dom Carlos e o contrato de casamento celebrado com a Princesa Amélia de Orleans.
 
Uma mostra que, segundo nota da Torre do Tombo pretende “estabelecer uma ponte entre a arte fotográfica praticada pelo soberano e o testemunho da sua própria vida e do seu tempo”.
 
A mostra é inaugurada pelas 18:00 com a presença de Elísio Summavielle, secretário de Estado da Cultura.
 

DEFENDER A MONARQUIA É UMA COISA, DEFENDER UMA IDEOLOGIA É OUTRA!


Muitas vezes vemos em redes sociais, ou eventos monárquicos variados, a tendência para misturar a defesa da Monarquia com ideologias político-partidárias e muitas vezes ao se misturar tais pensamento, corre-se o risco de ter uma atitude fracturante e que, quer se goste ou não, não ajuda a Monarquia.

Ninguém é dono da verdade. Ninguém é perfeito. Ninguém é dono de princípios. Os princípios já cá estavam, antes de existirmos. Ou os adaptámos, ou os melhorámos, mas a raíz já cá estava.

Então:

Como defender a Monarquia sem ter uma atitude fracturante?

Como defender uma Ideologia Político-Partidária, sem prejudicar a luta Monárquica?

Não sou eu obviamente que vou dar a Regra de Ouro. Mas vou apenas dar a minha opinião.

Na defesa da Monarquia, é fundamental que seja definida, de uma vez por todas, em Portugal, que tipo de Monarquia os Monárquicos defendem para Portugal? Acredito, e aliás é óbvio, que a grande maioria defende uma Monarquia Parlamentar e Democrática.

Assim sendo, é fundamental, haver material empírico que explique claramente o que é uma Monarquia Parlamentar e Democrática? Não se pode defender a Monarquia apenas e só com base na História de Portugal. A defesa da Monarquia deve ser feita com base em conhecimento teórico e empírico, em termos Políticos, relativamente ao funcionamento e vantagens dos regimes Monárquicos Europeus.

Grande erro que muitas vezes é cometido no meio Monárquico. Os Países Nórdicos, muitas vezes citados, e cuja maioria são Monarquia Parlamentares, e que cujo grau de desenvolvimento humano (etc.) é claramente superior ao da República Portuguesa e outras repúblicas. Tal facto, não é apenas por causa da Monarquia. Mas sim, devido aos princípios éticos e morais que estão claramente implantados nessas sociedades, que como se sabe, são Protestantes Luteranas. E como se sabe, ou se deveria saber, o Protestantismo Luterano (neste caso concreto), favorece o livre mercado que acaba por favorecer o desenvolvimento económico e o nível de vida das populações e por outro lado, garante uma ética e moral que as restantes sociedades europeias nunca conseguirão atingir, nomeadamente os Países Católicos, como Portugal, Espanha, Itália… Como se sabe, ou como se deveria saber, a Igreja Católica condenou durante muitos anos, a livre concorrência, o livre mercado, o Capitalismo no seu todo. Aliás, por graça, costumo dizer que só mais anti-capitalista que a Igreja Católica, só mesmo o Comunismo…

O que não quer dizer, obviamente, que hoje, em pleno século XXI, 400 anos depois da Reforma Protestante, Portugal, numa perspectiva completamente diferente da de outros tempos, não se possa desenvolver com uma maioria da sociedade Católica.

Eu não quero estender muito mais a corda relativamente à Religião. Só quis afirmar, que dada a realidade portuguesa, apontar os Países Nórdicos como  um exemplo a seguir, só deverá ser sublinhada a forma como funcionam as Monarquias a nível Institucional. Não podemos criar falsas expectativas ao nosso Povo. Numa situação de crise como a que estamos a viver, então, é absolutamente condenável, porque por muito que queiramos que a Economia Portuguesa cresça, que a Sociedade Portuguesa viva melhor, o nível de  prosperidade e o desenvolvimento desses países é demasiado elevado para pensarmos que a médio prazo a Monarquia Portuguesa pudesse lá chegar.

Devemos separar as águas!

Neste ponto precisamente. Devemos saber informar os Portugueses das vantagens da Monarquia, enquanto Instituição Representativa do Estado. Devemos separar a defesa da Monarquia das ideologias fracturantes político-partidárias que fazem parte da natural competição democrática.

Por outras palavras, entendo que por um lado devemos defender a Monarquia enquanto Instituição Representativa do Estado, mas por outro lado, de acordo com as ideologias de cada um, juntarmos-nos a um Partido Político, seja ele de esquerda ou direita, e lutar pela ideologia que defendemos, lutar por Causas.

Assim, ser-se Monárquico não me obriga a ser do CDS-PP, nem do PSD, nem do PPM, nem de outro partido qualquer. Ser Monárquico permite-me saber defender Causas num Partido da esquerda à direita e ao mesmo tempo, por outro lado, defender o Rei e a Família Real e a Instituição Real por eles representada sempre que seja necessário.

Ao serviço das respublica, estará sempre o Rei.

Assim, defender uma ideologia político-partidária significa estar a defender os interesses de Portugal, a nível interno e externo representando um Partido Político, não importa qual.

O grande problema da divisão dos Monárquicos está precisamente neste ponto. Porque os Monárquicos ao longo destes últimos anos, pelo menos desde que me recorde, ao defenderem a Monarquia também têm estado a defender a Causa Pública. Quando se defende a Monarquia, é a Instituição que queremos que represente a Nação. Recordo que numa Monarquia Parlamentar e Democrática, o Rei reina e NÃO GOVERNA! Se assim é, porquê misturar a defesa da Instituição Monárquica com a defesa de Causas Públicas? Portanto, se o Rei não governa, não faz sentido, misturar as águas.

É um facto que existe em Portugal o PPM – Partido Popular Monárquico. O PPM é um bom exemplo para os Monárquicos que não se revejam no PPM mas que queiram estar noutro partido, o que é perfeitamente legítimo. O Partido Popular Monárquico, muito bem, tem defendido a Causa pública em autarquias e até na Assembleia Regional do Açores, cujo actual Líder – Paulo Estêvão, é Deputado. E só quando é chamado a intervir na defesa do Ideal Monárquico, é que intervém publicamente. Mas primeiro, pelo que me apercebi, procura defender a Causa pública, com o seu programa e valores.

Agora, ser-se Monárquico, não obriga necessariamente ninguém a ser militante do PPM. Só deve ser militante do PPM quem além de defender a Monarquia se reveja nos princípios, valores e programa do Partido.

Assim, muitos Monárquicos estão filiados no CDS-PP. Consideram-se ideologicamente, Democratas Cristãos.

Outros estão filiados no PSD. Consideram-se ideologicamente, Sociais-Democratas.

Outros ainda estão filiados no PS. Consideram-se ideologicamente Socialistas.

É legitimamente plausível que qualquer que seja o Cidadão Português Monárquico, se reveja verdadeiramente na ideologia político-partidária que vota ou que adere, se tornando militante de um determinado partido político.Nunca deixará de ser Monárquico se for socialista ou se for bloquista, ou se for nacionalista, ou democrata-cristão.

Pelo que, defender a Monarquia é uma coisa. Defender uma Ideologia é outra! Para bem da defesa da Instituição Real, saibamos separar as águas.

Publicado por David Garcia em PDR-Projecto Democracia Real

JOSÉ MANUEL FERNANDES: PORTUGAL NEEDS ITS SLEEPING KING NOW MORE THAN EVER

Jose Manuel Fernandes
José Manuel Fernandes
guardian.co.uk, Friday 25 March 2011 22.00 GMT

The discussions had barely started on Wednesday night when the then prime minister, José Sócrates, made an abrupt exit from a crucial meeting at the Portuguese parliament, running down the stairs of the building in order to escape the reporters waiting for him at the bottom. Like everyone else in the country, the press had wanted to know why he was so disrespectful towards the representatives of the nation. The TV images of this hasty escape have already become iconic: after having his austerity package rejected, Sócrates soon announced his resignation, plunging Portugal – and Europe – deep into political crisis.

On the streets, Sócrates’s resignation was greeted with a sigh of relief. For many, the prime minister has come to embody the ills of our country and the sins of our political leaders. On 12 March, Portugal saw the largest national demonstrations in decades, when a Facebook appeal led to hundreds of thousands of people marching peacefully in Lisbon and Porto against rising unemployment and the shrinking of wages and pensions. There’s a distinct feeling of hopelessness in the air: never before has Portugal had so many unemployed. People have been leaving the country in droves, and as usual it is those we need most, the young with the best qualifications, who are at the front of the queue.

The national debt is at its highest in more than a century. The last time the country saw anything resembling economic growth was back in 2000. Everywhere there is a fear that, after a lost decade, there might come yet another. Portugal appears to be undergoing a process of economic decay. Many worry that the country will fail in its ambition to catch up with the most developed nations in Europe.

Deep down, Portugal feels it has been playing catch-up for the last two centuries. After the loss of Brazil in 1820, and the failure to follow up on the promise of the industrial revolution, intellectuals began to speak of an “under-developed” Portugal – to contrast with the developed country of the previous centuries. It was around the same time that we saw the rise of “Sebastianismo” in Portuguese culture – that is, the longing for the reawakening of a national saviour figure, as the last ruler of the “golden dynasty”, King Sebastian, had been, a sentiment kept alive by writers such as the 20th-century poet Fernando Pessoa.

For a while it looked as if the sleeping king had indeed returned. After entering the European union in 1986, several years of strong economic growth created a vision of a new and developed Portugal. That turned out to be an illusion.

Sócrates never promised to be anything like a new King Sebastian – the WikiLeaks cables paint a portrait of a leader who doesn’t like sharing power and hates negotiations. But he appeared to many at least a more pleasant option than his opponents. In the 2009 election campaign, Sócrates’s Socialist party faced a centre-right PSD party headed by an ex-finance minister known for her austerity measures, and had accordingly based their campaign on promises of increased public spending. It worked, but only just: Portugal entered the sovereign debt crisis with the only minority government in Europe.

The dust of the electoral fray had hardly settled when the Portuguese were confronted with a reality quite different from the one presented by Sócrates. The 2009 budget deficit, reported to Brussels in September as 5.6%, turned out to be 9.3%. Political moves such as the Socialist party’s decision to increase public servants’ pay and benefits had backfired.

In 2010 the government was forced to implement measures contrary to the populist promises made in the election campaign. The country endured the failure of successive plans for stability and growth, each time overtaken by a darker reality than that recognised by Sócrates. Offers of collaboration from the opposition were shunned – the picture that emerged was of a politician who is only satisfied when he sees his opponents kneeling in surrender.

The final straw came when the government was forced, after a technical visit to Portugal by the European commission and the Central Bank committee, to introduce new austerity measures. Relations had deteriorated beyond repair, not just between Sócrates and the current PSD leader, Pedro Passos Coelho, but also between prime minister, parliament and the president of the republic.

The Portuguese now live in a climate of decaying politics and growing disregard for the rules of democracy. Not only did half the voters abstain in the presidential elections in January, a serious flaw in the registration system also meant that thousands who wanted to vote couldn’t. No single politician has claimed responsibility for this. This month the press revealed the payment of ¤72,000 in extra fees to a minister’s wife against the advice of the civil service. Again, no one resigned.

Now the more obvious historical parallel is not the golden era, but 1890, when Portugal became the first European country to go bankrupt. As every Portuguese citizen knows, the political turmoil that followed only came to an end in 1926, with a military coup and the rise of António de Oliveira Salazar’s far-right party.

UMA HOMENAGEM SENTIDA: "ATÉ SEMPRE AVÔ - JOÃO HENRIQUE FERREIRA DE PAIVA"

Neste momento que escrevo estas palavras mais um herói português deixou este mundo. Um homem que nasceu em Lisboa no Bairro Alto, mais propriamente na Rua da Atalaia no ano de 1916. Muitas foram as histórias me contou desde que comecei a ter consciência da minha existência e a dos outros claro, desde trabalhar na embaixada inglesa e de ter sido colega de Fernando Peça numa rádio para depois ter percorrido o país desde escrivão até Chefe de Secretaria do Ministério da Justiça … Foi Comandante de Bombeiros das corporações de Serpa, Albergaria-a-Velha e Valpaços. Uma pessoa teimosa que nunca desistia do que acreditava, durante uns tempos iludido por Salazar mas no fim de vida admirador da verticalidade de Manuel Alegre e um Democrata … um Monárquico até ao fim de vida. Viu o seu genro falecer mas viu-me dar-lhe alegrias das quais tinha orgulho, desde acabar a Licenciatura com muito sofrimento até chegar a ser respeitado como fotógrafo com prémios e trabalhos publicados.

Não esquecerei as muitas conversas que tive com ele, fico de consciência tranquila porque no Verão de 2009 consegui dizer-lhe que tinha sido para mim um herói e uma inspiração porque se não fosse ele nunca teria acabado a minha licenciatura. Foi um segundo pai para mim tanto nos primeiros anos de vida como depois de o meu pai falecer, consegui realizar o meu desejo de lhe dizer o que sentia antes de me despedir dele.

Recuperou de uma doença fulminante e nem mesmo os médicos acreditavam, o pior já tínhamos visto. Tinha orgulho no neto que tinha abraçado a Causa Monárquica, a Causa dele e do pai dele. Tinha orgulho de saber que tanto do sangue dele havia em mim, o amor pela fotografia, o amor pela Causa Pública e pela leitura. Tive tempo de ir à casa onde ele nasceu, recebi dele os livros mais preciosos da colecção dele, viveu muito e com Honra e Dignidade. Foi um homem que marcou o tempo dele pelas terras onde passou. Morreu de um dia para o outro, sem sofrer em paz.

Duas corporações de Bombeiros foram ao funeral (Albergaria-a-Velha e S.Pedro do Sul) a bandeira da Corporação da qual foi comandante foi no caixão. O povo da região fez-lhe uma justa homenagem e nós os primos e netos levámos em punho o caixão até à última morada honrando a memória dele.

Vai em Paz e que Deus te acompanhe para sempre …

Rui Paiva Monteiro
Webmater Causa Monárquica
Conselho de Fóruns
Coordenador do IDP – Redes digitais

A Real Associação da Beira Litoral associa-se a esta singela homenagem ao Grande Herói Português que foi o Avô do nosso associado Rui Monteiro, deixando ao Rui e à família enlutada os nossos sentimentos nesta hora tão difícil. Por diversas vezes testemunhamos o Amor e a admiração que o Rui nutre  e nutrirá sempre pelo seu Avô. Coragem Rui, estamos consigo e precisamos de si.