domingo, 27 de fevereiro de 2011

PARA QUEM AINDA NÃO VIU, A NÃO PERDER!

ANTÓNIO BARRETO, O CONVERTIDO

Fonte: Jornal "O Diabo"

UM PEQUENO ALMOÇO DE PRIMOS NA YORK HOUSE, EM LISBOA

 
Encontra-se de passagem por Lisboa, S.A.I.R., Dom Bertrand de Orleans e Bragança, Príncipe Imperial do Brasil. É o terceiro dos doze filhos do Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança.
 
A Família Imperial do Brasil descende da filha mais velha do último Imperador do Brasil, Dom Pedro II (filho de Dom Pedro IV de Portugal e I do Brasil. Foi casada com Dom Gastão d'Orleans, neto de Luís Filipe, Rei dos franceses. Era avó de S.A.R., Dona Maria Francisca, mãe de S.A.R., Dom Duarte Pio de Bragança.
 
Facebook - 27-02-2012

SONHOS E REALIDADES NA REVOLTA ÁRABE

A situação política nos países árabes da margem sul do mediterrâneo é explosiva: para os seus governos, quase todos ditaduras, para os seus povos, que sofrem uma nova onda de violência da repressão, para o equilíbrio geo-estratégico da região, já anteriormente periclitante, para Israel que se vê cada vez mais isolado e ameaçado, para a Europa e os EUA, uns vizinhos, outros aliados de regimes que agora se desmoronam como baralho de cartas, desde sempre viciadas.
Na Europa, e também nisso somos muito europeus, alguns políticos e a comunicação social praticamente toda, embandeiraram em arco com a revolta dos povos contra os seus governos, dizendo que clamam pela democracia e pela liberdade e que se revêem no modelo ocidental, que lhes vai chegando pela internet, pelas redes sociais e pelos mais modernos meios de comunicação, como os telefones portáteis, que usaram para convocar as manifestações pacíficas que, depois, degeneraram em violentas, depois da violência dos poderes ameaçados no seu combate. Apressada asserção, julgo eu. Esquecem-se ou ignoram ou querem fazer valer os seus ideais e valores sobre a realidade, que o fundamentalismo islâmico está em muitos casos visível por detrás da justa revolta dos povos oprimidos e que sem essa opressão – quer seja de chiitas sobre sunitas, quer seja laica - têm o campo aberto para impor regimes teocráticos. Não aprenderam nada com o derrube da monarquia persa, que não sendo um regime democrático de modelo ocidental era bem mais democrático e ocidental do que o dos ayatollhas que se lhe seguiu, com o aplauso geral e o apoio, mais ou menos disfarçado, de França e EUA.
É evidente que as ditaduras nesses países é, aos meus olhos de democrata ocidental, intolerável. É evidente, também, que o apoio dos países europeus e dos EUA a esses regimes por razões estratégicas e a sua condenação, agora, pelas mesmíssimas razões e na esperança de que o que se lhe seguir não se volte contra eles, é igualmente intolerável. Como também é intolerável que se não procure ver e compreender que, neste caso concreto, como noutros de outras latitudes, o modelo de democracia ocidental não é exportável para aplicação imediata, que há que contar com a cultura dos seus povos, com o percurso histórico que, devido a vários factores, entre os quais os religiosos, têm vindo a percorrer e que querer impor um modelo político – por mais desejável que aos nossos olhos seja – é um erro crasso que custará ao Ocidente mais do que muitos, porque irrealistas, poderão supor.
É curioso, nesta revolta que grassa nos países árabes, constatar que todas essas abomináveis ditaduras substituíram monarquias com o beneplácito ocidental, em nome da liberdade que nunca veio a existir depois e que, nas monarquias árabes, com excepção do Barhein e da Arábia Saudita (onde ainda não se registaram movimentos de revolta) e que são monarquias absolutas, as reivindicações não tiveram como objecto os regimes, mas os governos e as suas políticas, salvaguardando a figura dos seus reis. Se o Ocidente não quiser meter a cabeça na areia, especialmente os EUA que sempre apoiaram o derrube das monarquias com a única excepção do Japão e que é na Ásia a única democracia moderna, e não conseguir perceber o seu significado, esperemos que em nome da utopia não assistamos ao fim das monarquias jordana e marroquina e ao início de regimes teocráticos islâmicos, sem liberdade e uma terrível ameaça para o Ocidente e sobretudo para a Europa aqui tão perto.
Confundir os desejos e as ideologias – por mais belos e justos que possam parecer – com as realidades, é um erro que se paga caro.

João Mattos e Silva in Diário Digital (23-Fev-2011)

A REPÚBLICA EXPLICADA ÀS CRIANÇAS

A monarquia é uma forma de regime em que o chefe de Estado é um rei ou uma rainha. Ao contrário do regime republicano, o rei não é eleito, e a representação do país está numa pessoa cujos antepassados participaram na construção e na História do país. Por isso não são estranhos ao povo e como os príncipes criados para reinar não precisam de ter uma carreira política, conhecemo-los desde a infância, até à idade adulta, quando assumem o cargo de Chefe de Estado.

Já viste o que seria se tivesses de escolher os teus pais, ou os teus pais dissessem: eu tenho o direito a escolher o filho que quero? Passa-se o mesmo em República. O nosso Chefe de Estado, em vez de ser alguém que conhecemos e gostamos desde pequenino, é apenas um político que quer um emprego. Representa o país durante 5 ou 10 anos e depois vai-se embora...

A nossa monarquia durou 771 anos como sabes, pois em 1910 um golpe de estado expulsou o rei D. Manuel II, a sua mãe e a sua avó para fora do país. Isso foi bom ou foi mau? Deve caber a ti estudares para compreenderes as alterações dessa época, mas gostava de te explicar que a República instaurada em 5 de Outubro de 1910 não veio trazer a democracia a Portugal. Nessa altura o nosso país já tinha liberdade. As pessoas podiam votar e a Imprensa publicava todas as críticas que queria.

Ao contrário do que a propaganda republicana tem dito, a democracia foi introduzida em Portugal em 1834, suspensa algumas vezes até 1926  e neste ano definitivamente implantada o que deu origem a uma das mais longas ditaduras de sempre, em todo o mundo! Foi o Estado Novo ou Segunda República, que durou de 1933 até 1974! Neste ano a Democracia voltou a Portugal, pela Revolução de 25 de Abril, como decerto já ouviste falar.

Em 771 anos tivemos 33 monarcas, o que perfaz uma média de cerca de 22 anos por reinado. Compreendes a importância desta estabilidade? Em 100 anos de República, de 1910 a 2010 tivemos 19 presidentes, o que se traduz numa média de 5 anos por mandato...  alguns deles conflituosos, pois o presidente procura fazer os possíveis para agradar aos eleitores e ao partido ou partidos que o apoiam. Não está ali simplesmente para representar o país, mas para se representar a si mesmo e a quem vota nele...

Também tivemos algumas rainhas e regentes, mais ainda não tivemos nenhuma mulher presidente da República!

Mas, então, perguntarás, se a monarquia tinha vantagens, porque terminou? Bem, como tens visto na televisão, em relação às revoluções no estrangeiro, nem sempre estas revoluções são populares. Muitas vezes, um grupo pequeno, bem relacionado e que recorra à violência pode derrubar regimes. Foi o que aconteceu em Portugal. Os republicanos estavam em menor número, mas:

- aproveitaram-se do desgaste partidário, ocasionado pela alternância constante entre 2 partidos no poder;

- aproveitaram-se das ideias nacionalistas de pátria e de herói para fazer passar a sua mensagem;

- fizeram ataques ferozes ao Rei D. Carlos e à sua família, espalhando boatos e criando uma imagem negativa da monarquia que diziam despesista e ostensiva;

- recorreram à violência através de uma organização terrorista e chamada Carbonária que assassinou o Rei e o seu filho, de 21 anos, D. Luís Filipe, em 1908 (foi o Regicídio) e através de uma organização secreta que ainda hoje existe, a Maçonaria, conseguiram controlar o exército e alguns políticos;

-e, finalmente, como o país, infelizmente, ainda era constituído essencialmente por pessoas iletradas, culturalmente pouco informadas, facilmente o Partido Republicano pode controlar os cidadãos, com mensagens demagógicas e inflamadas. (É por isso que deves estudar e questionar tudo para seres um adulto com consciência cívica!)

Depois de instaurada a República, sucederam-se imensos atropelos à liberdade que o novo regime tinha prometido. Pessoas foram perseguidas por serem católicas, monárquicas ou simplesmente por não colaborarem com o novo regime. E os próprios republicanos lutaram entre si para conquistar e aguentar o poder. Em 1914 a república levou milhares de jovens a entrar na I Grande Guerra. Muitos morreram e o país desmoralizava perante uma crise económica, social e política. Todos os dias havia atentados em Lisboa, o governo caía, os presidentes demitiam-se ou eram demitidos por golpes de estado. Entre 1911 e 1926 houve quase 50 governos!

Porém, a monarquia sempre foi uma alternativa democrática em Portugal, tanto durante a Primeira República, como durante o Estado Novo e mesmo hoje.

A Europa, como deves saber é praticamente constituída por Monarquias Constitucionais, como Portugal o era antes de 1910. Monarquias Constitucionais e (ou) Parlamentares são aquelas em que o rei não governa (para isso existe o Primeiro-Ministro e o seu Conselho de Ministros que nós elegemos), cabendo-lhe apenas a representação e a regulação das instituições do seu país. Por isso países desenvolvidos como a Noruega, Suécia, Dinamarca, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, e aqui ao lado Espanha são monarquias. E fora da Europa encontramos muitas mais: Japão, Marrocos, Jordânia, etc. o Reino Unido, por exemplo, e a Comonwealth que estende pelo Canadá e pela Austrália, entre outros países, cuja chefe de Estado é a rainha Isabel II.

Não há regimes perfeitos. Nem pessoas. Acima de tudo deves procurar saber o que melhor serve a tua nação e pensar por ti. Não grites Viva a República! sem perguntares a quem to manda fazer, se existe uma alternativa e se essa alternativa é melhor ou pior. Acima de tudo sê um cidadão informado pois só assim podes construir um país melhor e contribuir para um futuro mais sorridente a quem viver em Portugal nos próximos anos. E que estes anos sejam mais pacíficos e prósperos do que foram os últimos 100. 

Nuno Resende
Fonte: Obliviário

sábado, 26 de fevereiro de 2011

"UMA QUESTÃO FALSEADA" POR MÁRIO SARAIVA (*)


A temática política do século XIX, muito nefasta em vários aspectos, inventou o antagonismo, Monarquia-República, tão infundamentado como pernicioso, e que a incompreensão contemporânea ainda vem a sustentar. Ilusório antagonismo que talvez só por si tenha sido o causador de dramáticos acontecimentos na vida nacional.
Em rigor, Monarquia e República não têm significados opostos e nem sequer são inconciliáveis. De acordo com os conceitos tradicionais, precisamente a República existia dentro da Monarquia; fazia parte dela.
República (Res publica - a Coisa pública - a Coisa do Povo) tem um sentido definido que a etimologia própria e o seu uso histórico não permitem confundir. Apenas que a República tinha então por regedor e defensor um Monarca. Lembremo-lo no caso de algumas demonstrativas citações.
Na Crónica del-Rei D. Fernando diz Duarte Nunes de Leão: «... em cortes q para isso ajuntou fez algüas leis mui utiles aa republica, & naquelles tempos mui necessárias.»
Damião de Góis põe na voz de D. Afonso V, ao armar cavaleiro seu filho D. João após a conquista de Arzila, as seguintes palavras: «... he bem q saibais q cavallaria há virtude misturada cõ poder hõrroso, segundo natureza mui necessário pera cõ elle poer paz na terra, quãdo cobiça ou tyrania, com desejo de regnar, inquietã hos Regnos, respublicas & pessoas particulares.»
O próprio D. João II, numa notável carta ao rei de França, abria-a com estas judiciosas considerações: «obrigação é do bom Príncipe e prudente, não somente galardoar seus vassalos com honras, cargos e dignidades merecidas, mas castigar com rigor, severidade e justiça aos que são prejudiciais em sua república, para que os bons com o exemplo do prémio sejam melhores e os maus ou com castigo se emendem, ou com as maldades pereçam.»
Nos Apontamentos dos Prelados tomados um ano depois das Cortes de 1582, expunha-se: «Porque he em tão grande damno deste Reyno, e prejuizo da Republica fazerem-se tantas uniões, annexações, desmembrações perpetuas como se fazem,. ..»
D. Sebastião escreveu numa das Máximas que traçou para orientação do seu reinado: «Gavar os homens, e cavalleiros que tiveram bons procedimentos, diante de gente, e os que tiverem préstimo para a República e mostrar aborrecimento às cousas a ella prejudicaes.»
Em Junho de 1580 a Faculdade de Teologia de Alcalá, consultada por Filipe II sobre a sucessão ao trono de Portugal, pronunciava-se nos seguintes termos: «si alguno opusiesse que la republica de Portugal és perfecta. ..»
Na Justa Aclamação exarou o Doutor Vaz de Gouveia: «O poder dos reis está originariamente nos povos e nas repúblicas, que delas o recebem por forma imediata.»
Depois da Restauração é, por exemplo, D. Luísa de Gusmão, regente, a usar a costumada forma: «Hei por serviço ,de Deus e meu, e beneficio da Republica.»
Julgamos desnecessário alongar, através dos tempos, as citações comprovativas.
A quem tenha lido alguns textos da história a palavra República não choca os sentimentos realistas que possua, antes surpreende que esta se tenha arvorado em contraposição ao de Monarquia, e que não houvesse protesto contra tal equívoco antes de ele começar a fazer carreira.
Aí pelos anos vinte António Sardinha ainda achou oportunidade de afirmar: «o adjectivo republicano pode caber-nos, na verdade, desde que lhe precisemos o sentido.» Igual ,pensamento exprimira Maurras: «a palavra República tem um sentido razoável, mesmo depois do restabelecimento da Monarquia ela poderá continuar a usar-se na interpretação que indicava o âmbito dos negócios públicos.»
Mais nos nossos dias depõe o mestre integralista há pouco falecido - Pequito Rebello: «Chame a República o Rei e com isso não se suicide! Porque - e por Deus atentai que isto é uma verdade profunda - a Monarquia é também uma República. Quero eu dizer que na Monarquia, além do seu automatismo que naturalmente assegura o interesse nacional pelo órgão dinástico - e no que é propriamente Monarquia - pode nela também haver o livre esforço cívico de cada um dos portugueses para aperfeiçoar ao máximo a vida social no sentido do bem comum.»
Pequito Rebello termina assim o seu apelo: «Essa Monarquia nova seria o verdadeiro Portugal. E continuaria sempre a presidir-lhe o lema antigo: Glória de Deus! Serviço do Rei! Bem da República!»
Concluindo podemos assentar em que a diferença entre um soi-disant republicano e um de nós é fundamentalmente esta: ele quer para a República um Presidente periodicamente eleito; nós queremos que a República remate pela chefatura dinástica de um Rei.
Não cabem aqui os argumentos de uma e de outra opção, e talvez até sejam dispensáveis ante a desastrosa experiência de mais esta desordenada e conturbada República de Presidentes, que arruina o país, depois de ter desfeito a Nação.
Do Governo da República pelo Rei é o título feliz e sugestivo de um livro escrito em 1496, dedicado ao futuro D. Manuel I. Pensemos no que este título diz e fiquemos nisto: à República Portuguesa todos pertencemos hoje, como pertenceram os nossos antepassados no antigo reino de Portugal. Simplesmente uns são presidentistas, enquanto que nós outros somos realistas.
Mas precisemos um pouco as ideias.
Se o ofício real é, sobretudo, o de reger e coordenar a administração da República em vista ao bem comum em harmonia social, tal função pressupõe uma república ordenada e orientada nesse mesmo sentido do interesse da comunidade nacional. República não corresponde obrigatoriamente a democratismo.
É de excluir, portanto, a hipótese de um género de regime republicano desordenado, conflituoso e desastroso como o de 1910-26, ou como o actual, legítimo sucessor e cópia fiel daquele.
Tendo estas duas Repúblicas como fundamento o exclusivismo partidocrático originário de uma luta constante, inspirada pode dizer-se que apenas pela ambição do Poder, e resultante numa instabilidade governativa impeditiva de um bom governo, não se coadunariam com a função da Realeza.
Há-de ver-se também que o exercício da Realeza se não conforma com um regime autocrático como o foi o da 2ª República.
O Rei é por dever e por conveniência própria - isto é muito importante - o garante das liberdades do seu Povo. Daí que não possa tolerar autocracias sempre negadoras dessas liberdades populares. E dizemos liberdades populares, mas não arruaceiras, criminosas, ilegais. Mas sim liberdades do Povo organizado através das suas associações representativas, que são os organismos vitais da sociedade, isto é numa representação autêntica do país que trabalha, que pensa, que quer a tranquilidade justa e necessária ao progresso e ao bem-estar de todos. É aí que se encontra o lugar dos «Corpos Intermédios» que são o meio de defesa das pessoas perante os órgãos superiores do Estado.
Como a República, para merecer o adjectivo de nacional, não pode limitar-se a olhar só ao presente, mas tem de prover ao futuro, só pode encontrar no Rei dinástico, dada a vitaliciedade de funções e a sucessão hereditária, a chefatura coerente.
Diremos que para uma má República, qualquer Presidente de facção está conforme; que para uma boa República é o Rei o magistrado indicado, porque alia à chefia do Estado a representação da Nação na sucessão do tempo.
(In Mário Saraiva, Sob o Nevoeiro, Lisboa, 1987)

(*) Mário António Caldas de Mello Saraiva (Guimarães, 12.5.1910- Vilar, Cadaval, 28.5.1998) foi uma personalidade plurifacetada - médico, desportista (tiro), pintor, etc. - vindo a notabilizar-se através de estudos nos domínios sebástico e pessoano, e de uma obra política e doutrinária onde verdadeiramente se iniciou o Neo-Integralismo. 

Mário Saraiva- filhodo Major José Augusto Saraiva, um dos oficiais do Exército compulsivamenteafastado de serviço por ter proclamado a «Monarquia do Norte» (1919) - foi destacadomembro da terceira geração do IntegralismoLusitano

Estudanteem Coimbra, fundou o jornal académico Paracelso, filiando-se, em 1932, noMovimento Nacional-Sindicalista liderado pelos integralistas Albertode Monsaraz e Francisco Rolão Preto. Depois daquele movimento ter sidoinfiltrado, desmantelado e, por fim, proibido por Salazar, Mário Saraivacontinuou a sua intervenção pública nos inícios dos anos 40, ao lado de MárioCardia que, no Jornal do Médico, fez, pela primeira vez em Portugal, a defesa deum Serviço Nacional de Saúde. 

Aestreia de Mário Saraiva como doutrinador monárquico deu-se em 1944 aopublicar Claro Dilema – Monarquia ou República?. De pronto saudado pelos Mestres integralistas Hipólito Raposo e Alberto de Monsaraz, será no final da década de 50 que se revelará como um dos máximosexpoentes entre as novas gerações daquela escola de pensamento, ao lado de,entre outros, Afonso Botelho, Rivera Martins de Carvalho, António JacintoFerreira, Henrique Barrilaro Ruas

Sem nunca deixar de exercer a profissão médica– pertenceu ao quadro de médicos civis da Força Aérea Portuguesa – Mário Saraivaparticipou activamente na campanha restauracionista de 1951, em torno do jornal O Debate (Lisboa, 1951-1974), vindo a terdestacado desempenho na defesa do ideário integralista lusitano em polémicacom alguns monárquicos apoiantes do salazarismo (A Voz, 1954-55).

Foi no início dos anos 60 que Mário Saraivacomeçou a desbravar os caminhos do Neo-Integralismo.Retirando do mestrado integralista a liçãode que a Monarquia da Carta fora deposta em 1910 porque se tinha transformadonum corpo estranho à Nação, dominada pelos políticos das oligarquias partidárias,Mário Saraiva  pugnava por umareinstauração do Trono a ser realizada no quadro de uma República restaurada,isto é, devolvida às matrizes municipalistas e orgânicas da tradição democráticaportuguesa. Entendendo a República (Res publica) como vivência dedireitos cívicos, de liberdade da Grei nos negócios da suagovernação, de autonomia político-administrativa do País, Mário Saraivaconsiderou que para esta ter um carácter verdadeiramente nacional, se exige uma suprema magistratura tambémnacional - independente na origem, como requisito da imparcialidade e dajustiça, e representativa da totalidade da Grei e da sua continuidade histórica. Apenas no Rei, personificação da Pátria, via Mário Saraiva o Chefe em condiçõesde exercer com independência e isenção a Suprema Magistratura da República,nos domínios Judicial, Diplomático e Militar. Adversário de todas as formas cesaristas de poder, fossem presidencialistas,parlamentares, referendárias ou mistas, para Mário Saraiva a Restauração de Portugal ter-se-ia de fazeratravés de uma Nova Democracia.

AComissão Doutrinária da Causa Monárquica acolheu as suas teses, em 1970, aoadoptar oficialmente a obra Razões Reais. Naquela época, Mário Saraiva ocupava já um lugarde destaque como organizador das actividades em que velhos e novosintegralistas se achavam envolvidos. Fora um dos fundadores da RenovaçãoPortuguesa, e um dos mais destacados impulsionadores da ConvergênciaMonárquica, encontrando-se então na primeira linha da reactivação domovimento editorial monárquico integralista através da “Biblioteca doPensamento Político”, onde Luís de Almeida Braga publicou aquela queficaria como a sua última obra – Espadaao Sol (1969). 

Em 1978,recebeu de D. Duarte Pio João de Bragança a missão deconstituir e secretariar o seu Conselho Privado, cargo que manteve até àsua morte.  

Nosseus últimos anos de intervenção pública, Mário Saraiva veio a revelar-se um prolixo escritorna defesa do ideário monárquico. Apresentando à consideração pública as vantagens da supremamagistratura régia, denunciou o actual preceito constitucional queimpõe o modelo presidentista à Suprema Magistratura da República, ereivindicou o fim do monopólio da representação política por intermédio dospartidos político-ideológicos, tanto nos municípios, como na câmaralegislativa. A par dos seus estudos histórico-literários,fosse nas páginas da Consciência Nacional (que dirigiu), ou em jornais como O Dia, Correio da Manhã, etc.,  ouainda em livros, veio a produzir vasta bibliografia monárquica, parte delatraduzida em francês, espanhol e mesmo em cirílico. ASociedade Histórica da Independência atribuiu oprémio “Livro 1997” à sua obra Apontamentos– História, Literatura, Política


Obrasmais importantes: Claro Dilema,1944; Os Pilares da Democracia, 1949; Coordenadasdo Poder Real, 1961; Razões Reais, 1970; AVerdade e a Mentira,1970; ÀsPortas da Cidade - Crítica e Doutrina,1976; Outra Democracia, 1983; OCaso Clínico de Fernando Pessoa,1990; Em Tempo de Mudança, 1992; Pessoa,Ele Próprio - Novos Estudos Nosológicos e Patográficos,1992; Dom Sebastião na História e na Lenda, 1994;Frontalidade- Ideias, Figuras e Factos,1995; Apontamentos- História, Literatura, Política, 1997; Impressõese Memória, 1998; Ideário, 2000.

JoséManuel Quintas in "Unica Semper Avis"

DOM DUARTE PIO, DUKE OF BRAGANZA, SPONSORS FUNDRAISING TO SUPPORT FLOOD VICTIMS IN BRAZIL


DOM DUARTE PIO, DUKE OF BRAGANZA,
SPONSORS FUNDRAISING TO SUPPORT
FLOOD VICTIMS IN BRAZIL

February 16, 2011  

HRH Dom Duarte Pio II, Duke of Braganza, as President of the King Manuel II Foundation, is sponsoring a fundraising campaign to support the flood victims in Brazil. The purpose is to show the solidarity of the Portuguese people with the flood victims in the State of Rio de Janeiro.

Approximately a month ago, torrents of mud and water set off by heavy rains left a trail of destruction through the mountainous Serrana region near the city of Rio de Janeiro, toppling houses, buckling roads and burying entire families as they slept. The mudslides swept away the homes of rich and poor alike in and around Teresopolis and other towns, likely causing billions of dollars in damage. But the brunt of the disaster was borne by poorer rural residents in houses built in risky areas without formal planning permission. The death toll from Brazil's devastating flooding has topped 800, with hundreds more missing, in the country's deadliest natural disaster on record.  

The King Manuel II Foundation has opened an account (via Caritas Brazil) in order to transfer funds directly to the people in the affected areas in Brazil.

HRH Dom Duarte Pio has in fact stated that "500 years of friendship between Portugal and Brazil cannot leave us indifferent to this tragedy that has stricken our Brazilian brothers and sisters."

DONATION INFORMATION  

Account Information:

Crédito Agrícola - Terras de Viriato
Swift Number: 0045 3080 40241550962 70
Account Number: 40 241550962
Name of account: Apoio às vítimas inundações do Brasil

Contact:

Francisco de Mendia
91 978 03 60
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