quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

PORQUE SOU MONÁRQUICO?

Não tenho palácios, nem títulos, nem anéis, nem pergaminhos. Entro na fila dos plebeus puros.

Se tivesse títulos, não os exibiria mas, também, não os enjeitaria.

Além disso, não sou contra ninguém. Do meu lado, como em todos os lados, há quem justifique aplausos e há quem mereça comiseração.

Um dia perguntaram à Amália se ela era monárquica ou republicana. E ela, com a intuição, a inteligência e a graça que a caracterizavam, respondeu; sou um bocadinho mais monárquica.

Por que republicanos somos todos, é, exactamente, esse bocadinho que me faz, também, ser monárquico. Republicanos no sentido de defensores da liberdade, da igualdade e da fraternidade, princípios que o cristianismo formulou, a revolução francesa adoptou como divisa e a carta dos direitos do homem propõe a todo o Universo, somos todos!

Essa ideia peregrina de absolutismos, de castas, de privilégios, de “sangue azul” que, ainda hoje, aqui ou ali aparece apensa à monarquia, nunca foi minha e creio que, a sério, já não é de ninguém.

Sou monárquico pelo bocadinho que a monarquia acrescenta à república.

É que os nossos reis nasceram com a Pátria e a Pátria com eles. No caso português, Pátria e Rei fazem parte do mesmo acontecimento fundador. Ambos são, por isso, inerência e factor da identidade portuguesa. Os “genes fundadores” pertencem a ambos.

Pátria e Monarquia arrancam dos mesmos alicerces e a seiva que lhes entrou por raízes comuns percorre-os e alimenta-os conferindo-lhes uma espécie de consanguinidade.

Os Reis são um permanente carimbo de Pátria.

Sei que foi com reis que fomos grandes.

Sei que um Rei não divide porque, sendo tão indiscutível com a Pátria, pertence a todos como ela.

Sei que o Rei é um símbolo com marca de perenidade.

E a simbologia, não sendo uma realidade substantiva é muito mais que uma fantasia alienante.

Os símbolos dão, alimentam e orientam convicções e por isso, devem ser permanentes. Os símbolos não se mudam.

Os hinos nacionais, as bandeiras das pátrias, não mudam ao sabor dos ventos e dos votos.

O Rei anda mais ligado à noção de Pátria, entidade indiscutível e perpétua, o Presidente da República anda mais perto da noção de Estado, entidade variável no conceito, na organização, no conteúdo.

Quantos Presidentes da República tivemos desde 1917?

Só depois do 25 de Abril foram seis! Alguém viu no Dr. Manuel de Arriaga ou no Dr. Teófilo Braga ou no Marechal Spínola ou no General Costa Gomes um símbolo de Portugal?

Quando muito um símbolo do poder.

Pode alguém comparar o que representa para Portugal D. Afonso Henriques ou D. Diniz ou D. João II ou D. Manuel I ou D. Pedro IV, com algum dos Presidentes da República que já tivemos? Nem poder natural, nem simbologia.

Podem ter cumprido o seu papel de forma inteligente, profícua, digna, mas são cidadãos sem vínculo natural e definitivo à Pátria, cidadãos que passaram e as Pátrias não passam.

O Rei, por ter um percurso histórico paralelo ao da Pátria identifica-se com ela e, por isso, dela recebe e a ela dá carácter.

Mais do que o representante, um Rei é um símbolo; um Presidente da República é, apenas, um representante temporário.

Enquanto que o Presidente da República emana de arranjos ocasionais e sempre fluidos de partidos, sempre de uma só parte dos portugueses, o Rei arranca de um tronco que nos contém e que foi a coluna vertebral da história.

Os presidentes da República andam, como os governos, ao gosto das votações e das políticas. Não permanecem. Um Rei sucede a outro numa linha de continuidade que o torna, mais coerentemente, um símbolo. Pode mudar a pessoa do Rei, mas a sucessão é natural, imediata, fácil, incontroversa, como uma lei da natureza. Muda a pessoa, mas permanece a ligação orgânica, genética às origens, a um sentimento, a uma educação, a uma relação quase familiar, aos sucessos de uma longa história em que foram protagonistas.

A monarquia portuguesa é uma instituição que vem do início e com a qual convivemos    durante tantos séculos, tem alicerces cavados com a mesma fundura e que seguiram os mesmos sacrifícios dos que foram feitos para criar a Pátria e, por isso , identifica-se com ela.

O Rei é um órgão de uma soberania contínua. Agora, que a Pátria Portuguesa perdeu muita da sua independência, são necessários elementos que liguem o que fomos ao que queremos ser, num querer alimentado por valores eternos.

A ideia peregrina de que somos todos iguais e, por isso, todos temos o direito de poder aspirar a ser Presidente da República é pouco mais que infantil. A probabilidade de alguém via a ser Presidente da República seria, em Portugal, de 0.000 00001% se todos tivessem acesso a essa hipótese longínqua e demagógica. Mas não! De acordo com a nossa Constituição, só os nascidos em território nacional e maiores de 35 anos poderão candidatar-se e, além disso, qual foi o Presidente da República Portuguesa que não foi um político activo emanado das forças políticas organizadas, dos partidos? Quantos são os portugueses nessas condições? Onde é que está a igualdade de oportunidades?

Argumento ridículo.

Fala-se, também, do preço que a monarquia custaria ao País. Quantos Presidentes da República vivem, hoje, à custa do erário público? Vivem e Deus os conserve vivos e felizes durante muitos anos! Mas, vencimentos altos, carros, chauffeurs, staff, a multiplicar por quatro!

O outro argumento republicano recorrente é o de que a lei da hereditariedade pode oferecer-nos um mentecapto, um tarado, um energúmeno, um marcado pela natureza. Ninguém nega uma eventualidade possível. Tivemos, numa história de oito séculos, dois casos: D. Afonso VI e D. Maria I. Contudo, ambas as situações foram ultrapassadas com a normalidade que a história regista. E de quantos casos temos notícia de monstros que, por via não hereditária, chegaram à chefia dos Estados e dos Governos, alguns mesmo pela via do sufrágio universal. Não é um exercício teórico. Não é preciso recuar muito no tempo para encontrar dos mais desgraçados, dramáticos, tenebrosos exemplos de loucura que a história regista. Foi por esta via que os republicanos Ceaucescu, Karadsik e os mais emblemáticos chefes dos nossos dias, Hitler e Estaline, chegaram onde chegaram e fizeram o que fizeram!

Não! Esqueçam, também esse argumento.

Acresce que a implantação da grande maioria das repúblicas ficou ligada a actos de violência extrema: foi preciso matar e matou-se: assim morreram Luís XVI e Maria Antonieta, em França, D. Carlos e o Príncipe Real D. Luís Filipe em Portugal, toda a família de Nicolau II na Rússia. E eu sou contra a violência.

Há, ainda, outro motivo que também conta muito para mim. É que meu Pai comparava, muitas vezes, aquilo que viveu durante os últimos dezasseis anos de Monarquia, com o que passou durante os dezasseis primeiros da República. Eu ouvi-o sempre com a atenção de um filho e, além disso, não posso deixar de comparar, hoje, o que se passa nas monarquias do norte da Europa com o que se vive nas repúblicas do sul,

Finalmente, haverá quem conceba que o vínculo místico que liga um Povo ao sei Rei, ilustrado neste poema imortal de Fernando Pessoa possa, alguma vez estabelecer-se com um Presidente da República?

Aqui ao leme sou mais do que eu;
Sou um Povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo
Manda a vontade que me ata ao leme,
De El-Rei D. João II.

É por tudo isto que também sou um bocadinho mais monárquico


Serafim Guimarães, 5 de Outubro de 2010
Fonte: Sítio da Real Associação do Porto

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

PPM: ABSTENÇÃO PROVA NECESSIDADE DE REFERENDAR O REGIME REPUBLICANO

O Partido Popular Monárquico (PPM) afirmou hoje à Lusa que "a elevada taxa de abstenção nas presidenciais e a campanha negativa feita pela maioria dos candidatos, demonstra que o atual regime republicano necessita de ser referendado".

O vice-presidente do PPM, Manuel Beninger, defendeu que só assim será possível aos portugueses "escolher entre um sistema monárquico ou um sistema republicano de chefia do Estado".

"O facto de a maioria dos portugueses não ter votado, põe em causa a credibilidade do sistema republicano de chefia do Estado", realçou.

Segundo Beninger, há "um número cada vez maior de cidadãos, que se questiona sobre a possibilidade e as vantagens de uma Monarquia Democrática, tal como existe em muitos países europeus".

Beninger reiterou a "exigência de alteração da Constituição no sentido de dar aos portugueses a liberdade e o direito de poderem escolher, através de referendo nacional, qual o sistema de chefia do Estado que preferem, se o Monárquico se o Republicano".

"A campanha negra protagonizada por três candidatos contra o professor Cavaco Silva, prova que o regime democrático se vem degradando, levando a que os eleitores se afastem da vida cívica e política", lamentou.

Fonte: Diário Digital

BALANÇO DO PPM DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

A MONARQUIA É TAMBÉM O MAIS POÉTICO DOS REGIMES (ARTIGO DE OPINIÃO)

Nos tempos de submissão á tirania do vil metal - quintessência do culto economicista que somos obrigados a praticar - dir-se-á que não há lugar para os poetas e seus devaneios.

A verdade, porém, é que é nos picos das carências e na angústia das incertezas que mais necessária ou mesmo imperiosa se torna a dulcificação pelo sonho.

Vive-se com menos pão e pior roupa, havendo fartura de sol e de luar.

Os amanhãs cantantes da promessa bolchevista viraram relâmpagos incendiários.

As faixas que haviam de substituir as coroas e as tiaras deram em tarjas de sepulcro.

Os nossos republicanos cujo plano de acção se concretizava - eles o disseram - bebendo o sangue do ultimo rei pela caveira do ultimo bispo ou enforcando o ultimo rei nas tripas do ultimo papa, geraram décadas de sanguinolenta balbúrdia.

Em Ourique, o nosso primeiro monarca desbaratou, semeando a morte nos seus arraiais, o terrível Almoleimar e os quinze emires, seus vassalos ou aliados, que o acompanhavam.

E todavia, Ourique, porque obra de um rei, tornou-se numa inesgotável fonte do mais puro lirismo.

Centenas de poetas tem glosado o tema, apesar disso sempre virgem, e alguns dos nossos melhores sonetos - género em que batemos o pai Petrarca - terminam evocando-o.

Nova manhã de Ourique se anuncia...

Vai despontar outra manhã de Ourique.

A matéria poética revela-se superabundante no longo historial das dinastias e precedendo mesmo a nacionalidade.

QUANDO NASCEU AO PÉ DO VERDE PINO
AINDA PORTUGAL, SE NÃO ME ILUDO,
ERA UM CONDADO INCERTO E PEQUENINO
SEM QUINAS NEM CASTELOS SOBRE O ESCUDO

Depois, tornou-se império

TEM DA AFRICA OS MARITIMOS ASSENTOS
E NA ASIA MAIS QUE TODOS SOBERANO
NA QUARTA PARTE NOVA OS CAMPOS ARA
E SE MAIS MUNDOS HOUVERA LÁ CHEGARA,

MAS

BARAO PORTUGALES DA RECONQUISTA
HOMEM RUDE DO SENHOR INFANTE
O MESMO SONHO A VIDA NOS EMBALA

QUALQUER QUE SEJA A ALMA EM QUE SE ASSISTA
GUERREIRO, TROVADOR OU MAREANTE
FOI SEMPRE A POESIA A NOSSA FALA,

E é efectivamente a um soneto aliás do autor destes dois tercetos e em formoso ditirambo a Almacave que vamos buscar a inspiração para o nosso tema de hoje

Começaremos por transcreve-lo na íntegra, incarnando um daqueles circunstantes à embora mítica assembleia

ELES O AFIRMAM COM ASPECTO GRAVE
ELES O AFIRMAM COM PROFUNDA VOZ
E UM CORO IMENSO REBOOU NA NAVE
O REI É LIVRE E LIVRES SOMOS NÓS

O REI É LIVRE - E O GRITO DE ALMACAVE
NÃO FOI SOMENTE O GRITO DOS AVÓS
POR MAIS QUE O TEMPO EM NOSSAS VEIAS CAVE
NUNCA DESATA ESTES ANTIGOS NÓS

O REI É LIVRE. E COM SEU ELMO ERGUIDO
É PORTUGAL TORNADO CORPO E ALMA
NA SUCESSÃO DO TEMPO INDEFINIDO.

O SANGUE O DIZ E O SANGUE NÃO ENGANA
QUE VER O REI NA SUA FORÇA CALMA
É VER A PATRIA COM FIGURA HUMANA

Nesta simbiose entre o rei de elmo erguido e o corpo e alma da Pátria é que se consubstanciam a força e a poesia da instituição monárquica

(Texto enviado por Manuel Leal Freire, monárquico e ilustre advogado da cidade do Porto, que interpreta, em prosa e verso, como ninguém a cultura portuguesa).
 

ILLEGITIMATE!



When it comes to shallow journalism, The Age is always an exemplary model, because it never fails when you need it to demonstrate this thesis. Today’s headline President wins outright in Portugal just stated, that the incumbent Anibal Cavaco Silva “grabbed more than the 50 per cent of the vote needed to win outright”. The Socialist Manuel Alegre came second with 19.75 per cent.

Was that it? Another triumph of republican democracy? You could think so if you just read The Age.

The Portuguese media tell a complete different story. In reality the Portuguese Monarchists were jubilant, because they had called for a boycott of the presidential elections, which proved to be successful. Only 46.62 per cent of those entitled to vote bothered to go to the polls: 5,139,583 out of 9,631,222 registered voters stayed away from the polling booths. Among the 4,490,147 voters, 4.26 per cent or 191,170 cast a blank vote another 86,545 or 1.93 per cent cast an invalid vote. In the end, a mere 40.4 per cent wanted to have a say in who should be Portugal's president - 59.6 per cent could not care less about the republic's highest representative.

So, let’s examine The Age’s news item: Mr Cavaco Silva won outright? He received 2,230,240 votes, which represent only 23.16 per cent of the electorate. Compared with the last presidential election in 2006 Mr Cavaco Silva lost 526,372 vote. His main rival, the Socialist Manuel Alegre did not fare much better: He lost 294,591 votes (down from 1,126,612 to 832,021) compared to 2006.

Portuguese Monarchists were delighted about the result of this presidential election: “Portuguese say NO to the republic" (PORTUGUESES DIZEM NÃO À REPÚBLICA) was one of the headlines.

Before the elections, the Portuguese had been called to “de-republic” Portugal (NESTE DOMINGO, VAMOS DESREPUBLICANIZAR PORTUGAL) and Monarchists were shown how to vote invalid by writing in “I want a King!



So, what The Age loved to call an outright win may be the beginning of the long end of the Portuguese republic. Long live the King! Viva o Rei! Viva Portugal Real!

 

Fonte: Blogue "Radical Royalist"

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

PORTUGUESES DIZEM NÃO À REPÚBLICA

Mais de metade dos portugueses recenseados não exerceram o seu direito de voto nas eleições presidenciais e a esta elevada percentagem podemos ainda somar aqueles que optaram por protestar contra o actual Modelo de Estado através do voto branco ou nulo. Concordando que nem todos aqueles que se abstiveram são anti-republicanos também é verdade que muitos há que na impossibilidade de poder escolher a Monarquia optam por votar naquele que entendem ser um mal menor.
Estes resultados não deixam dúvidas, Portugal é um país tradicionalmente Monárquico e foi assim que prosperou durante oito séculos, e se não fosse um acto terrorista e cobarde ocorrido há pouco mais de 100 anos e que apenas visava defender interesses daqueles que estiveram por trás deste horrendo crime, estaria certamente hoje a par de outras nações ocidentais que não abandonaram a Monarquia. 
É pena, que só quando o pão falta na mesa é que os portugueses se preocupem verdadeiramente no que falhou e o resultado de hoje foi também reflexo dessa dura realidade.
Após esta grande manifestação nacional ficou ainda mais clara a ilegitimidade da república e ninguém se poderá continuar a auto-aclamar democrata enquanto não defender a alteração do Artigo 288 alinea b da Constituição e permitir que os Portugueses possam finalmente decidir entre este modelo ultra-dispendioso que não funciona ou recuperar um modelo que nos permite voltar a acreditar verdadeiramente no nosso país. Ainda vamos a tempo. Viva Portugal Real.

A REPUBLICANA CHAPELADA DO SR. MARCELO REBELO DE SOUSA: O VOTO OBRIGATÓRIO

Bem avisámos que esta eleição era passível de ser um teste à legitimidade da instituição. Não nos enganámos.

Após a vergonhosa derrota de ontem, os esquemáticos preparam já um pífio Tordesilhas, iniciando as sugestões para a introdução do voto obrigatório. O Sr. Marcelo Rebelo de Sousa, assim de forma mais ou menos desinteressada sugere o dislate e já se espera uma concordância por parte do PSD. No PS levantar-se-ão algumas vozes dissonantes como a praxe estrabelece, mas finalmente e para o bem da democracia, surgirá um projecto consensual que ditará a respectiva aprovação parlamentar.

Antes de ser um dever, o voto é um direito. A absurda obrigatoriedade, implica o reconhecimento da falta de credibilidade que atinge a generalidade dos agentes políticos, hoje mais que nunca, imensamente carentes de legitimidade. O dever decorre da lisura dos processos eleitorais que saem da Lei, onde o sistema electivo pode ou não adequar-se às necessidades da população. De facto parece ser aceite, a enorme discrepância existente entre o eleitor e o eleito, permitindo os caricatos episódios que têm pontilhado de má fama um Parlamento que deveria ser o supremo órgão de soberania. Estorietas de viagens, truques de residência para a obtenção de "ajudas de custo", subsídios imerecidos, abusivas ajudas de custo e o boyismo militante que sufoca a respeitabilidade dos parlamentares, como ou sem razão são motivo de contrariada chacota por parte do homem da rua, cada vez mais descontente com o rumo da coisa pública. A seu ver, o Parlamento resume-se a um bando de vulgares tagarelas de tasca de bairro e a uns tantos cartões de crédito, bilhetes de avião, comezainas, carros de luxo e hotéis pagos pelo erário público.

O falacioso argumento republicano da absoluta igualdade de oportunidades, foi esmagado nesta mesma campanha presidencial, onde o "pobrete e alegrete" candidato Coelho, detentor de mais de 4% dos votos, foi arredado de qualquer debate eleitoral com os seus contendores. Sem dinheiro, tempo de antena e igualdade de tratamento por parte da comunicação social, envergonhou o bem instalado sistema. A mentira e a hipocrisia, tornou-se num esquema mascarado por umas tantas gravatas ou fatiotas adquiridas na Avenida da Liberdade.

Os homens deste tipo de poder vivem mais um momento de ilusão, apontando e acusando de desleixo, um eleitorado que em primeiro lugar deverá servir os seus projectos pessoais - do presidente -, ou de grupo - o Partido -, invertendo a ordem natural das prioridades.

A "esquerda portuguesa" está ridiculamente estupefacta pelo calamitoso resultado ontem obtido, não tendo visto qualquer um dos seus candidatos - por mais que tentem lobrigá-lo como "companheiro", Nobre está longe, muito longe de pertencer à dita "esquerda portuguesa" - consagrados por um voto de compreensão que consolasse o desastre. Bem se dedicará a "esquerda portuguesa" a perorar acerca das excelências da infausta senhora centenária, porque bem poderá ir pensando num adiamento sine die do seu regresso à titularidade da chefia do Estado e a tudo o que ela promove e acarinha. Quando Cavaco Silva terminar o mandato que 23% dos eleitores lhe conferiram, estará já numa fase de aquecimento o Sr. Durão Barroso, terminada a sua apoteótica missão em Bruxelas. Não faltará sequer no currículo, a glória de ter "feito frente à Merkel" e o seu incomparável carisma que permitiu a "salvação da Europa". Esta é a melhor das hipóteses para a "esquerda portuguesa", porque a não ser assim, o Sr. Marcelo Rebelo de Sousa, com um triste e ansiosamente resignado sorriso, aceitará o penoso sacrifício.

Já obtido o sonhado bodo presidencial, os partidos da "direita portuguesa" tudo farão para o conservar ad eternum, nem que para isso aquiesçam com o espúrio voto obrigatório.

Já terá o Esquema cogitado na hipótese de uma maciça votação nula? Como reagiriam a algo que há muito merecem?

Nuno Castelo-Branco

ENTREVISTA DE S.A.R. O SENHOR DOM DUARTE HOJE NA RTPN

 
Gravação Vídeo de Duarte Petinga