domingo, 23 de janeiro de 2011

VIOLETAS DUQUESA DE BRAGANÇA

Violetas Duquesa de Bragança
Com o Alto Patrocínio de Sua Alteza Real a Excelentíssima Senhora Dona Isabel de Herédia de Bragança, Duquesa de Bragança, realizou-se nos dias 26, 27 e 28 de Fevereiro de 2007 o VIII Congresso Internacional sobre Violetas, na Escola Superior Agrária de Beja, com os Objectivos de desenvolver o cultivo de violetas em Portugal, apresentar novas variedades de violetas, propor metodologias para o combate a pragas e a doenças das violetas e incrementar os estudos de cultura científica relativos às violetas.
 SS.AA.RR., Os Duques de Bragança visitam a Escola Superior Agrária de Beja.
SS.AA.RR., Os Duques de Bragança visitam o Museu Botânico, quando se deslocaram à Escola Superior Agrária de Beja para presidirem à cerimónia de entrega dos prémios relativos ao II Concurso Internacional de Violetas.
Durante o VIII Congresso Internacional de Violetas foi apresentado o cultivar “Duquesa de Bragança", em homenagem à Duquesa de Bragança. Este novo cultivar foi criado por Nathalie Casbas, curadora da Colecção Nacional Francesa de Violetas.


Entrega de prémios
S.A.R., A Senhora Duquesa de Bragança assina o Livro de Honra
Mais fotos AQUI
Jornal "Expresso" de 17-03-2005
(Clique na imagem para ampliar)

MENOS DE METADE DOS PORTUGUESES VOTOU

Abstenções = 53,38%
Brancos = 4,26%
Nulos = 1,93%

São estes 59,57% de desdenhosos do sistema, os brilhantes resultados obtidos pela centenária. Há quem teça loas ao "grande sucesso" e como sempre, aí estão as desculpas para uma derrota que é clara e que a todos os candidatos partidários atinge. O "novo cartão de eleitor", os "problemas do recenseamento" - como se fosse a primeira vez que Portugal vai às urnas -, o "frio glacial", o "sol de inverno", a "irresponsável preguiça" e outras casualidades mais, aparecem como a trilha de atalho para um estrondoso fracasso. Uma campanha miserável feito por e para gente de discutível dimensão, para um país caído no mais profundo descontentamento que desta forma ignorou todos os apelos. Esta derrota do Esquema é tão mais visível, quando se avizinha um futuro próximo cheio de incertezas e eivado de perigos. Portugal muito bem fez em ignorar os apelos dos seus cangalheiros, sejam eles nulidades vociferantes ou semi-mudos situacionistas por conta própria. O "grande homem, previdente e consciencioso salvador da Pátria", é "reeleito" por 25% do eleitorado. É esta, a representatividade republicana.

Ninguém, a não ser os monárquicos, fez ouvir a sua voz em constantes apelos à não participação. Mesmo assim, muitos de nós houve que se decidiram pela ficção da participação cívica, sendo nítida e perfeitamente escusada, a sua presença nas três primeiras candidaturas.

Muitos conseguiram aquilo que se pretendia, lançando um pacífico aviso aos que querem e mandam. Há cem anos, os precursores dos vencidos de hoje, utilizavam outro tipo de métodos, condenando uma instituição à indelével mácula original. Hoje, a nódoa vê-se como nunca.

Não haverá 4ª República presidencialista. O sistema habilmente armadilhado, prosseguirá o seu caminho para a total insignificância. De facto, quem venceu fomos nós. Os da campanha pelo basta!


publicado por Nuno Castelo-Branco

 
Cavaco Silva, no seu discurso de vitória, já não se assumiu como "Presidente de TODOS os Portugueses" - que não é, mas sim como Presidente de "Portugal inteiro". Uma frase simples mas com muito significado político na noite em que perdeu metade do País.




Um ganhou (Cavaco) mas foi como se tivesse perdido tão semelhante foi a sua votação com os números da abstenção. O candidato do outro (Alegre) não ganhou quaisquer votos face à sua anterior candidatura presidencial. Cavaco e Sócrates perderam. O Regime afundou-se.


Portugueses decretam "expulsão" do Regime!

Que venha qualquer outra coisa porque o que existe já não serve. É este o recado muito claro e dado de forma expressiva pelos Portugueses hoje nas Eleições Presidenciais. Com Portugal "partido ao meio", o Regime, esse, foi humilhado como nunca antes havia acontecido na história da democracia portuguesa. Só com grande descaramento é que o Presidente Cavaco, ora reeeleito, se pode arvorar de o ser "de todos os Portugueses". É-o apenas de uma facção, cada vez menor e cada vez mais descontente. Agora é necessário que se retirem consequências do resultado hoje manifestado nas urnas sob pena de, se tal não acontecer, coisas muito graves se poderem vir a verificar a curto prazo na sociedade democrática portuguesa.

Fonte : Blogue "Estado Sentido"

sábado, 22 de janeiro de 2011

S.A.R. O SENHOR DOM DUARTE PROMOVE CAMPANHA DE RECOLHA DE FUNDOS PARA APOIO AS VÍTIMAS NO BRASIL

O chefe da Casa Real Portuguesa, Duarte Pio de Bragança, decidiu promover uma linha de ajuda às vítimas das chuvas no Brasil, através de uma conta cujas contribuições serão entregues à Caritas brasileira, escreve a Lusa.

A conta foi aberta pela Fundação D. Manuel II, presidida por Duarte Pio, e começou já a receber ajudas: «Pequenas ajudas, mas é isso que conta. São muitas ajudas de cinco, dez, cinquenta euros, que estão a chegar e que têm um impacto psicológico no Brasil muito importante, além da ajuda material, que sempre é útil», disse o duque de Bragança, em declarações à Lusa.

Centenas de milhar de pessoas «perderam tudo o que tinham. Houve uma quantidade enorme de casas que desapareceram ou então que o seu conteúdo foi todo arrastado pelas águas», afirmou.

O chefe da Casa Real Portuguesa tem uma ligação particularmente forte ao Brasil: não só é filho de mãe brasileira, como tem «imensos primos», pelo ramo Orléans e Bragança, que residem na região afectada. «Alguns até tiveram problemas com estas inundações. Houve uma casa, de um dos primos, que foi inundada em Petrópolis», indicou.

A conta pretende responder ao maior desastre natural de sempre no Brasil e Duarte Pio acrescenta-lhe outras razões: «Sinto e sei que os brasileiros dão muita importância ao apoio de Portugal, não por uma questão de dinheiro, mas por uma questão de afectividade, de uma ligação de fraternidade histórica que dura há quinhentos anos».

A conta foi aberta na Caixa Agrícola Terras de Viriato, de Viseu, e contou com o apoio da própria instituição bancária. Tem o número de identificação bancária (NIB) 0045 30804024155096270 e, «enquanto for necessário, enquanto continuar a chegar a ajuda, estará activa», garante o duque de Bragança.

Duarte Pio tem a intenção de se deslocar pessoalmente ao Brasil para fazer a entrega das doações. «Tenho a intenção de entregar [o montante angariado], se valer a pena, se for uma quantia interessante, em nome de todos os portugueses, diretamente à Caritas brasileira», afirmou.

As chuvas intensas que na semana passada atingiram o Estado brasileiro do Rio de Janeiro, provocando inundações e deslizamentos de terras, causaram a morte a pelo menos 785 pessoas. Outras 400 permanecem desaparecidas.

Ainda segundo dados oficiais, pelo menos 6.050 pessoas perderam as suas casas e outras 7.780 ficaram desalojadas.

MUNICÍPIOS VÃO ANALIZAR CRIAÇÃO DO “CAMINHO DE D. NUNO”

O caminho que D. Nuno Álvares Pereira percorreu antes de travar a “batalha real”, em Aljubarrota, foi o tema da conferência que ontem (13 Janeiro) decorreu nos Paços do Concelho de Ourém e que contou com a presença de representantes dos municípios vizinhos de Batalha e Porto de Mós e do CEPAE – Centro de Património da Estremadura. Na ocasião, foi decidido agendar uma reunião técnica entre os vários municípios, o CEPAE, a Universidade Sénior e o coronel Victor Portugal Valente dos Santos, com vista a equacionar a hipótese de operacionalização do caminho de D. Nuno. A sua sinalização e a realização de actividades de animação e divulgação são algumas das propostas a debater.

A conferência “O Caminho de D. Nuno” constituiu uma iniciativa conjunta da Universidade Sénior e da Câmara Municipal de Ourém, tendo sido proferida pelo coronel Victor Portugal Valente dos Santos, director emérito do Museu e Campo Militar de S. Jorge.

Na sessão de abertura, o Dr. José Alho salientou a importância desta “troca de saberes”, destacando a presença dos municípios vizinhos. Sobre as acções que a autarquia tem levado a efeito no âmbito da preservação do património, concretamente em relação à Capela de S. Sebastião, local intimamente relacionado com a passagem de D. Nuno por Ourém, adiantou que a autarquia vai levar a cabo uma intervenção de consolidação da ruína, de forma a lhe dar “mais dignidade e respeito”, para que “as próximas gerações possam ter contacto com esta presença histórica”.

Fonte: AUREN

MAIS UMA OPINIÃO: O VOTO MONÁRQUICO

Nós, monárquicos, só votaremos na terceira volta das eleições; ou seja, naquelas eleições em que livremente pudermos escolher entre a forma republicana e monárquica de regime.
 
Nós, monárquicos, não fazemos favores nem amparamos ambições usurpadoras de uma chefia de Estado imparcial, independente, acima de partidos e ideologias, longe de clientelas e adversa, por instinto e natureza, às vaidades tolas e aos carreirismos chupistas.
 
Nós, monárquicos, queremos um Rei que presida às repúblicas que fazem Portugal, que dispense CV e publicidade enganosa.
 
Nós, monárquicos, somos monárquicos porque não queremos esta república, pelo que votar naqueles que alimentam a ilusão republicana constituiu a mais rematada contradição. Os 700 ou 800 mil monárquicos de verdade [e não só de palavras] às urnas só acudirão empurrados pela falácia do mal menor. O mal menor é sempre mal, pelo que a única maneira de não sujar as mãos e a consciência colaborando algo que nos repugna - que é mau para Portugal - é ficar em casa, não participar na encenação e não falar sobre, não comentar, não exprimir a mais leve e inocente opinião sobre esta "eleições". Domingo, não votar. Segunda-feira, falar sobre o estado do tempo, os saldos ou os planos para o almoço.
 
 
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Os monárquicos mais uma vez estão completamente divididos! Uns vão-se abster, outros vão votar em branco, e outros vão protestar nas urnas com o VOTO ÚTIL - EU QUERO UM REI! Ainda há aqueles que vão votar em presidentes republicanos!!!
 
Claro, na segunda-feira, falaremos então sobre o estado do tempo, os saldos e os planos para o almoço... Assim, não iremos a lado nenhum, vamos todos ver a Monarquia por um canudo e os monárquicos irão ter o que merecem!!!!

VÁ VOTAR! É TEMPO DE AGIR!

Caros Amigos
 
Hoje é dia de REFLECTIR amanhã é dia de AGIR!
 
Já pensou no que seria se nas eleições de amanhã a abstenção em vez de uns prováveis 45% não passasse dos 25% e em contraponto os votos Brancos ou Nulos passassem dos 2,84%,das últimas eleições Presidências para mais de 20%?
 
Já imaginou o seria se um terço dos 3.500.000 de Portugueses que não votam resolvesse AGIR em vez de não participar?
 
Já imaginou o que seria se quem nos governa (ou desgoverna) sentisse nas urnas que havia 1 .000.000 de novos eleitores com vontade de mudar este rumo sem rumo em que o nosso País se encontra?
 
Pense em Si, pense nos seus Filhos, pense nos seus Netos, pense nos seus Amigos, pense nos seus colegas de trabalho e não se esqueça de pensar no seu País. Se verdadeiramente o fizer estou certo que vai-se convencer e vai convencer quem lhe está próximo a amanhã ir VOTAR.
 
Vou tentar dar uma ajuda no seu convencimento, apresentando-lhe diversas hipóteses de voto na esperança que encontre uma que o incentive a AGIR:
 
VOTO NORMAL – “ OK tu serves”. Fácil, basta colocar uma cruzinha dentro do quadradinho em frente á fotografia do candidato em que sua opinião melhor assumirá as funções de Presidente.
 
VOTO em BRANCO – “Meus caros atenção que eu existo”. Mais fácil ainda, basta dobrar o boletim de voto em quatro e colocar dentro da urna.
 
VOTO de PROTESTO – “Meus caros atenção que eu existo e estou bastante zangado”. Risque o boletim de voto, em função da mensagem que quiser dar. Se só quiser dizer que está zangado sugiro que o risque com uma grande cruz. Se quiser sugerir alternativas sugiro um “Viva Portugal” ou “Viva o Rei”. Se quiser ser jocoso por exemplo “ O Tio Patinhas ou os irmãos Metralha para a Presidência” acho que vai bem. Em suma pode protestar da forma que melhor o entender, apenas sugiro que não insulte ninguém.
 
VOTO TERRORISTA – “Meus caros atenção que eu existo e estou revoltado”. Não vou sugerir que pratique algum acto violento, porque de todo a violência não resolve nada, lembrei-me que se em vez de riscarmos o boletim de voto o rasgarmos em quatro e o colocarmos dentro da urna a confusão na contagem é capaz de vir a ser alguma...Confesso que nem sei se um acto deste tipo poderá ser considerado ilícito, portanto passível de processo criminal pelo que sugiro que se alguém o pretender praticar se informe previamente das suas possíveis consequências.
 
“Use o seu Voto” diz a Comissão Nacional de Eleições.
 
Pois bem faça-o mesmo!
 
Melhores Cumprimentos
 
Paulo Corte-Real Correia Alves

NÃO VOTAREI

A direita parlamentar e a sua congénere da esquerda, têm como dado estabelecido, a posse da vontade dos eleitores que pensam serem ovelhas contadas de uma manada que pouco varia de eleição para eleição. Assim, para "a esquerda", existe a superstição de os monárquicos serem todos "da direita", mesmo aqueles que se opondo veementemente aos projectos políticos do PSD e do CDS, passam a ser considerados como exotismos que confirmam a regra. No amplo campo que se tornou conhecido como AD, a questão não se coloca, porque intimamente quase todos sabem pertencer a uma massa que mesmo se reclamando de republicana, um dia a ser chamada a referendo, optará de forma esmagadora, pela Monarquia.

Não voltando à desnecessária explicação do porquê da vantagem da Monarquia sobre a República, o que está em causa é a legitimidade de uma forma de representação que ao longo das últimas décadas, tem procurado emular, ou pelo menos aproximar-se, daquilo que os portugueses pensam ser um Chefe de Estado: uma entidade que paira acima de partidos ou grupos de interesses, aquela figura que pode buscar as raízes na lenda de Salomão. Esse é o princípio implícito da Monarquia. Evoluiu ao longo de mais de um milénio e baseou a sua força na representatividade adequada a cada momento das sociedades em constante mutação. Representativa foi a Monarquia da Fundação, como representativa foi durante a reafirmação da Independência em 1385, assim continuando a ser durante o longo período da Expansão e da consolidação imperial. A Restauração de 1640 foi obra de uma praticamente unânime vontade nacional, num ímpeto magnífico que significou para os portugueses de hoje, a manutenção de um património que está bem presente no mundo. Sem essa Restauração não existiria o Brasil e muito menos ainda, o importante conjunto dos países africanos de expressão portuguesa, assim como há muito se teria eclipsado a língua, amalgamada nos interesses mais vastos do poderoso e rotineiramente vigilante vizinho.

Estas eleições não têm qualquer interesse directo para a resolução dos problemas que o país enfrenta. Ao contrário da sensação que tem perdurado ao longo de trinta anos, o presidente não governa, não dirige, não manda e apenas pode aconselhar quem esteja disposto a escutá-lo. Pior ainda, estes conselhos dirigem-se normalmente aos seus seguidores partidários, de quem aliás dependeu para a eleição. O presidente não pode modificar a Constituição. O presidente não se atreve a sugerir um novo sistema eleitoral que ameace a hegemonia dos "Partidos de lista". O presidente depende demasiadamente, dos apetites ou amuos de uma boa parte do poder económico-financeiro que em Portugal, surge sempre como parte integrante do jogo político e do peso que o Estado tem no conjunto da sociedade. Bem vista a situação, o presidente que nos apresentam como o possível salvador, é um rotundo nada. Pouco importam os nomes, pois o conteúdo dos poderes presidenciais indicam a exiguidade funcional do cargo. Paradoxalmente, essa exiguidade pode conferir alguma tranquilidade aos eleitos, eximindo-os aos olhos da opinião pública, das claras responsabilidades pela situação que o país atravessa desde a instauração do regime da Constituição de 1976. Uns tantos sonham com a assunção das atribuições do 1º ministro, por um presidente da República plenamente executivo. Na verdade, tudo se resume ao desaparecimento da figura do primeiro, ou melhor ainda, do empossamento da chefia do Estado por aquele que normalmente dirige o governo nas democracias ocidentais. A debilidade do cargo de 1º ministro em França - quase um pro forma -, é um bom exemplo do apagamento da presidência como símbolo da unidade do Estado e da imparcialidade perante o necessário jogo político-partidário. Em Portugal, temos um presidente que deseja ser simultaneamente 1º ministro e um 1º ministro - seja ele qual for - que deseja sempre ter em Belém, um instrumento funcional da política do governo. O breve primeiro mandato de Mário Soares satisfez a imensa maioria dos portugueses, pois condicionado como estava pela perspectiva da reeleição, decidiu-se quase estritamente, pelo exercício das suas funções representativas, embrenhando-se nas tranquilizadoras fainas da cultura e da obrigatória contemporização para com o Partido vencedor das eleições parlamentares, manifestando a possibilidade de uma imparcialidade que pouco depois se estilhaçava logo no início do segundo mandato. Passando sobre a dispendiosa, longa e patética inépcia do sr. Sampaio, Cavaco Silva procurou seguir os passos de Mário Soares, mas há que reconhecer no homem, poucas possibilidades de ombrear com quem possui uma experiente ousadia, feita de um sem fim de incoerências e bem doseada auto-promoção alicerçada durante os acontecimentos de 1974-75. Soares ainda vive desse curto período de há três décadas e poucos se recordarão do claro patrocínio da guerrilha que acabaria por vitimar o governo e a reputação daquele que foi o seu 1º ministro durante os seus dois mandatos. Cavaco não conseguiu copiar o exemplo e quando reagiu, fê-lo da pior forma, surgindo aos olhos da maioria, como um inconsequente desconfiado, mal-aconselhado manhoso e inábil. Se tinha alguma razão naquilo que alegava, isso jamais saberemos. Caiu ingloriamente na armadilha que pensou armar aos adversários e afundou-se no lodaçal de amizades tão questionáveis e perigosas como aquelas que Soares ostensivamente apadrinhou durante tantos anos. Falta-lhe a veemência, a habilidade para manobras de diversão e sobretudo, um escol de gente capaz de ocupar as necessárias posições de controlo da opinião pública. De forma desajeitada, querem fazer crer estar Portugal à beira da instauração do regime presidencial, quando isso apenas tornará mais nítido, o desejo do cavalheiro regressar ás funções executivas, fundindo dois cargos que pela nossa história constitucional, são inconfundíveis. Cavaco deverá compreender que deixou de ser 1º ministro há perto de dezasseis anos.

Vivendo em República, os portugueses querem um Chefe de Estado que seja parcimonioso, independente, comedido na análise da situação do país e que sobretudo, garanta a viabilidade de um projecto de independência nacional quase milenar. Em suma, alguém que se pareça com um Rei. Esta é uma missão impossível.

Nem Cavaco, nem Alegre ou Nobre, conseguirão alterar algo que permita Portugal desfazer-se de décadas de equívocos, más políticas, desbragado esbulho, prepotência e falta de regulação. É este, o grande problema que deveria ter sido discutido nesta, tal como noutras campanhas eleitorais para a presidência ou para o Parlamento.

O país não precisa nem quer um "endireita" solitário e todos sabemos ser tal hipótese impossível. Não vivemos no início do século XX, a realidade internacional é bem diversa e reduzido Portugal à sua mais modesta dimensão, não existe qualquer possibilidade para aventuras messiânicas.

Esta eleição não tem qualquer interesse, é inútil e um rematado engano à credulidade dos eleitores. Não voto e esta abstenção consiste num autêntico referendo. Oxalá seja expressiva.

Nuno Castelo-Branco