domingo, 2 de janeiro de 2011

QUANDO O REGIME ESQUECE OS DIREITOS DAS MULHERES

Carolina Beatriz Ângelo

Nascida na Guarda em 1877, médica, cirurgiã, activista política, membro da Liga das Mulheres Repúblicanas, foi a primeira mulher em Portugal a exercer o direito de voto. A exposição foi seleccionada e aprovada pela Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República – CNCCR, e fará parte integrante do conjunto de iniciativas promovidas por esta comissão.

Ora temos de ter em conta que esta mulher ousou votar nas primeiras eleições republicanas a 28 de Maio de 1912 aproveitando as indefinições existentes no enunciado da Lei.  Aproveitou uma cláusula da Constituição de 1911 onde só podiam votar “chefes de família” não especificando o sexo. Na sequência da controvérsia, é aprovada pelo senado em 1913 a Lei Eleitoral da República (nº 3 de 3 de Julho) onde pela primeira vez num texto legislativo se determina expressamente o sexo dos cidadãos eleitores masculinos.

O mais caricato no meio disto tudo é a Comissão do Centenário comemorar um dos mais flagrantes golpes da república contra os direitos das mulheres, já não chegam os cartões de Natal com a república ou até mesmo os spots publicitários da CNE a fazer propaganda ao Centenário. No meio deste nevoeiro de  hipocrisia o Povo cada vez mais tem noção do que está realmente em jogo, não é a república mas sim Portugal que foi esquecido.

Fontes AQUI e aqui

Local : Museu da Guarda, Entre 24-06-2010 e 31-12-2010
Publicado no blogue "Esquerda Monárquica"

PALÁCIO D'AJUDA MOSTRA REALEZA EM MONTE CARLO

A exposição intitula-se “Fastes et Grandeur des Cours en Europe” ("Fausto e Grandeza nas Cortes Europeias") e decorrerá de 11 de Julho a 11 de Setembro próximos no Espaço Ravel, em Monte Carlo, Principado do Mónaco, comissariada por Catherine Arminjon, conservadora-geral do Património da França.
“Nesta exposição participam várias Casas Reais europeias e de Portugal escolheram o Palácio da Ajuda”, que foi residência real até 1910, disse a directora.
“As nossas colecções, além de serem todas verdadeiras, na medida em que tudo pertenceu e foi escolha da Casa Real e não há acrescentos de bom ou mau gosto, são de excelente qualidade”, sublinhou a responsável.
Para a excelência das colecções do Palácio contribuíram muito as compras da Rainha Maria Pia (mulher de Dom Luís) que “não só adquiriu objectos e peças em todas as partes por onde viajou – França, Itália, Alemanha – como por catálogo”.
Por catálogo, a Rainha adquiriu “uma extraordinária colecção de pratas americanas, que espantou o próprio Presidente [Ronald] Reagan quando esteve cá”, contou Isabel Silveira Godinho.

Por outro lado, a directora do Palácio salientou que a Rainha tinha um gosto "para os artistas contemporâneos mais arrojados da época".

Relativamente às colecções do Palácio a responsável referiu ainda várias peças de mobiliário, pinturas e tapeçarias do século XVIII, além da baixela Germain.
Isabel Silveira Godinho afirmou à Lusa que deverá ser montado em Monte Carlo “um ambiente da corte portuguesa com a maior pompa e circunstância”.
“Vamos mostrar um Portugal rico com a pompa que uma corte no século XIX exigia”, acrescentou.
A directora do PNA afirmou que “há condições para criar este ambiente” e pretende que “a nossa exposição fique no olho do visitante”.
A responsável adiantou que “já houve um primeiro encontro, com um pedido muito alargado e exigente que estão agora a reformular”.

Questionada sobre as normas de segurança, a directora afirmou serem as máximas e as que jamais viu. “É um edifício específico para estes acontecimentos e que tem as condições máximas de segurança que jamais vi”, declarou Isabel Silveira Godinho.
O Fórum Grimaldi apresenta esta exposição como uma “volta à Europa inédita que faz luz sobre soberanos como os Imperadores da Áustria, Francisco José e Sissi, os Reis da Espanha Filipe V e Isabel Farnésio, o Imperador Napoleão e Josefina, assim como a corte monegasca até ao reinado de Rainier III (1949-2005), entre outros.
O Palácio Real da Ajuda foi idealizado por D. João VI que do Rio de Janeiro enviou sugestões para a decoração. Porém, Isabel Silveira Godinho afirmou que foi o casal real Dom Luís e Dona Maria Pia aquele que “moldou o palácio e o tornou a sua marca”.

(ES) - 18-12-2010
Fonte: Jornal HARDMUSICA 

SUGESTÃO DE LEITURA (EM LÍNGUA FRANCESA)


À venda na FNAC!
(Fonte: Blogue "Um Passado, Um Presente e Um Futuro")

sábado, 1 de janeiro de 2011

Portugal 2011

Vivemos numa profunda crise de valores, substituídos agora pelo conceito de mais-valias, sobretudo económicas. Faltam as verdades profundamente inspiradoras, os caminhos que ocupam a vontade, as lutas que fazem valer uma vida. Não há ninguém que arrisque verdadeiramente algo em troca de um bem superior, pelo menos sem haver alguma contrapartida palpável. Vejo muita gente a servir-se do país, mas ninguém a servi-lo. A ideia de amor a Portugal apenas desagua em fervores desportivos e o patriotismo é um ideal troçado e ostracizado.

A nossa luta, pessoal e diária, não pode ser por uma série de causas difusas e dispersas, não podemos encher o nosso espírito e a nossa vontade de transformar o mundo com o vazio de iniciativas avulsas que não têm direcção nem sentido. É preciso congregar, unir e juntar, construir um ideal universal e duradouro. Claro que temos o direito de nos indignarmos e lutarmos contra os problemas da nossa sociedade, tais como o estado calamitoso da nossa economia, a ingerência dos dinheiros públicos, a primazia dos grupos de interesse nas grandes decisões nacionais, o tráfico de influências, a corrupção e tantos outras questões que fazem a ordem do dia na internet, blogues e redes sociais. Mas também aqui há um crescente e preocupante intensificação de lobbies que tentam controlar as discussões e a direcção do pensamento.

Recordo algumas lutas do recente século vinte, desde os ódios fratricidas da primeira guerra mundial até à luta pela liberdade e democracia na segunda, todos aqueles que se sacrificaram contra os opressores e aqueles que queriam tomar o poder pela força. E pergunto-me quantas revoluções serão precisas para as gentes do novo milénio entenderem que estão a ser novamente subjugadas como numa ditadura. Há novos poderes oligárquicos que se concentram, envenenam as oportunidades, acumulando riqueza e poderes. E num país pequeno como o nosso, têm acima de tudo medo de perdê-los para o vizinho do lado. E assim somos, cada vez mais, uma sociedade e um país à deriva.

É preciso reflectirmos e começarmos a pensar seriamente nisto.

CURIOSIDADES FUTEBOLÍSTICAS: TREINADOR DO FC PORTO COM RAÍZES EM CAMINHA


André Villas-Boas (n.1977), treinador do Futebol Clube do Porto, tem uma muito particular ligação a Caminha, já que é bisneto de José Gerardo Coelho Vieira Pinto do Vale Peixoto de Villas-Boas, 1º Visconde de Guilhomil, que foi no final do século XIX e princípio do século XX o chefe no concelho do Partido Progressista, uma das duas grandes forças partidárias do segundo rotativismo monárquico. 
 
De seu nome completo, Luís André de Pina Cabral e Villas-Boas, descende do filho mais novo do Visconde - o seu avô Gonçalo Manuel Coelho Vieira Pinto do Vale Peixoto e Sousa de Villas-Boas - e tem pois muitos parentes que mantêm fortes ligações a Caminha como acontece, entre outros, com os actuais proprietários da Casa de Esteiró (a casa do seu bisavô titular) e da Casa dos Pittas.

A este propósito, o Caminh@2000 solicitou a Paulo Torres Bento, professor e historiador, um breve registo biográfico do ilustre antepassado de André Villas-Boas
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José Gerardo de Villas-Boas,
Visconde de Guilhomil - uma nota biográfica

Paulo Torres Bento

José Gerardo Coelho Vieira Pinto do Vale Peixoto de Villas-Boas nasceu em Braga em 1863 e era filho segundo do barão de Paçô Vieira. Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra em 1885 e seguiu depois a magistratura, tendo exercido logo no início o cargo de procurador régio em Caminha. Casou em 1887 com Mariana Teodora Correia Moreira de Lima Barreto, época em que a família adquiriu ao visconde de Negrelos a Casa de Esteiró (Vilarelho) que outrora teria sido pavilhão de caça da família Pitta. Construída no século XVIII e rodeada de um frondoso parque - onde estão hoje duas das três árvores classificadas do concelho - era então conhecida por "Vila Teodora", lugar de reuniões e conspirações políticas, a partir da qual Villas-Boas, como chefe político local do Partido Progressista, fazia valer a sua influência e procurava colocar protegidos e apaniguados na presidência da Câmara de Caminha e nos demais lugares públicos da região.

O título de Visconde de Guilhomil foi-lhe concedido pelo rei D.Carlos em 1890, na mesma ocasião em que, respeitando o equilíbrio partidário, o monarca outorgou a António Joaquim de Sousa Rego (1821-1899), por mais de uma vez presidente da edilidade caminhense e figura tutelar do Partido Regenerador local, o título de Visconde de Sousa Rego.

José Gerardo seguiria entretanto a sua carreira de magistrado, tendo servido como juiz em diversas comarcas do país até ser nomeado ajudante do procurador régio junto da relação do Porto - cidade onde tinha a sua residência habitual, na Foz do Douro. Em 1898, assume o lugar de secretário particular do Ministro da Justiça e seu próximo amigo, José Maria de Alpoim. A esta influente posição no governo progressista de José Luciano de Castro, logo corresponde a municipalidade caminhense da altura que, depois de algumas trocas toponímicas, atribuiu à Rua de S.João o nome de Rua Visconde de Guilhomil - assim permaneceria até 1919.

Confirmando a ascensão política, Villas-Boas é eleito deputado nas eleições de 1899 e em 1903, como presidente da comissão executiva da Exposição Agrícola do Porto, recebe no malogrado Palácio de Cristal a visita de D.Carlos. Reeleito deputado em 1905, pouco depois, na sequência da chamada "questão dos tabacos", acompanha José Maria de Alpoim na dissidência do partido progressista, nas vésperas da ditadura de João Franco e quando o regime monárquico, acossado pelos republicanos, caminha para o seu fim.

Antes disso, porém, Guilhomil contribui decisivamente para uma mudança política em Caminha que se viria a revelar premonitória do que logo sucederia no país e que, à escala local, acabou por corresponder ao papel desempenhado a nível nacional por José Maria de Alpoim. Em 1908, quando das eleições municipais, é na "Vila Teodora" que se forja a aliança entre os dissidentes alpoinistas e os progressistas oficiais - cujo chefe político distrital era o vianense Manuel Espregueira - que leva à cadeira da presidência da Câmara Municipal de Caminha o independente Damião José Lourenço Júnior, suspeito de simpatias republicanas - confirmadas depois do 5 de Outubro quando se manteve no cargo aderindo entusiasticamente ao novo regime.

O mesmo não sucedeu com José Gerardo de Villas-Boas, monárquico de fortes convicções. Abandona a vida pública e, de acordo com a memória familiar, a desilusão política terá mesmo contribuído para a sua prematura morte em 1913, aos 50 anos de idade, três anos somente após a proclamação da República. Com o seu falecimento, o título passou para o seu filho mais velho, José Rui Vieira Coelho Pinto de Sousa Peixoto, o 2º e último Visconde de Guilhomil, que se consorciaria em 1914 com Maria José de Menezes Pitta e Castro, casamento celebrado no oratório particular da Casa dos Pittas, na Rua da Corredoura, do qual resultaria uma única filha, razão da extinção do título.

Fontes consultadas: jornais Notícias de Caminha, Jornal Caminhense e O Caminhense (edições de 1907 a 1913); Actas da Câmara Municipal de Caminha (período abrangido); José Manuel Villas-Boas, Caderno de Memórias, 2003, Lisboa: Temas e Debates; Filipe Figueiredo, José Gerardo Coelho Vieira Pinto do Vale Peixoto de Villas-Boas, In Maria Filomena Mónica (coord.), Dicionário Biográfico Parlamentar (1834-1910), Vol.III, 2006, Lisboa: ICS/AR; página Web www.geneall.net. 

(Fonte Caminh@ 2000) 

NAVIO ESCOLA "SAGRES" CHEGOU A LISBOA

O navio-escola esteve 11 meses a viajar à volta do mundo, tendo sido recebido com entusiasmo em muitas partes do globo. O navio-escola “Sagres” chegou no dia 24 de Dezembro a Lisboa, por volta das 8h00. Os quase 200 elementos da guarnição regressam assim a casa mesmo a tempo do Natal, após quase um ano (11 meses) de volta ao mundo.
“Não há palavras suficientes para definir esta experiência. No mínimo, foi maravilhosa”, refere à Renascença o Tenente Fábio Eusébio, Relações Públicas do navio. De tudo, destaca “a participação na regata nos países sul-americanos, onde nos receberam com muito entusiasmo, também a ida a Timor, onde nos receberam com muito carinho e uma agradável surpresa na Tailândia, onde não pensei ser tão bem recebido. Foi dos países que melhor nos recebeu”. Apesar das boas experiências, o Tenente Fábio Eusébio reconhece que já desejava a chegada de dia 24 “há muito tempo”.
Chegado ao Tejo, a embarcação dirigiu-se para a base do Alfeite.
O “Sagres” é um dos mais emblemáticos da Marinha portuguesa. Partiu de Lisboa a 19 de Janeiro de 2009, passou por 30 portos e foi visitado por 30 mil pessoas nas muitas paragens que fez.
A sua chegada a Lisboa estava prevista para 23, mas teve de ser adiada por um dia devido às más condições do estado do mar.
Renascença - 24-12-2010
 
Imagem: Monarquia Constitucional de volta ao Reino de Portugal (Facebook)