terça-feira, 28 de dezembro de 2010

PARA QUE UM PRESIDENTE? QUEREMOS É UM REI, O NOSSO REI!


VENCIDOS DA VIDA


Na Visão de 21 de Dezembro, o drMário Soares escreveu um artigo em que se manifestou irritado com oscomentadores que apontam o descalabro da situação portuguesa actual.

É certo que qualquer pessoamedianamente inteligente e sensata preconizava este estado há pelo menos vinteanos, mas todos preferiam ignorar. Concordo que hoje, não se podendo maisesconder os factos, proliferam como cogumelos nos media os profetas dadesgraça.

Mas a irritação de Mário Soaresdá-lhe azo a trazer à memória o rei Dom Carlos, a que chama de “mal casado comuma francesa” e acusando-o de desprezar o povo, ao qual se terá um dia referidocomo a “piolheira”. 

Quanta maldade!...

A Monarquia, enfraquecida pelainapta classe política parlamentar e por uma crise internacional  verdadeiramente agressiva para Portugal,cedeu facilmente a um pequeno grupo de republicanos que, no meio do desânimo,prometiam riqueza e prosperidade, acusando o rei e o regime de todos os males,usando para isso da calúnia e benificiando do terrorismo da carbonária.

Mário Soares voltou a mostrar asgarras do jacobinismo republicano, denunciando que, afinal, o queverdadeiramente o irrita não são os comentadores mas sim verificar que cem anosapós a República falhou.

ABMeneses
Real Associação de Viseu

RESPOSTA DO NOSSO ASSOCIADO RUI MONTEIRO

A nossa Sociedade no meio de tantos avanços costuma de alguma forma relegar para segundo plano as pessoas mais idosas que em tempos idos eram consideradas as mais sábias ficando no topo da hierarquia social desde as metrópoles mas principalmente no meio rural. Ver um artigo como este do meu camarada Mário Soares faz-me pensar se é justo ou não o lugar de esquecimento em que a Sociedade actual coloca os mais “sábios”, como todos sabemos a verdade que Mário Soares fala no seu artigo só a vê quem a quer, ou melhor, quer ele que vejamos só a parte dele que lhe interessa da questão.  Mário Soares ao referir-se aos “Vencidos da Vida” coloca D.Carlos numa posição distante dos mesmos, talvez pelo peso da sua idade ? ou talvez porque a memória de Mário Soares já falha ?

D.Carlos foi muito influenciado pelos “vencidos da vida” que refere pois tinham-se tornado um círculo influente junto do príncipe herdeiro antes da morte de D.Luís I, assim como depois de D.Carlos tomar o trono. Nesse contexto, Eça de Queiroz escreveu na Revista de Portugal logo que o príncipe subiu ao trono: O Rei surge como a única força que no País ainda vive e opera. Mas tal nesse tempo como hoje aqueles que são contra o sistema normalmente são marginalizados pela Brigada do Reumático.

D.Carlos I podia ser “mal casado com uma francesa” mas não enganou o povo como o Presidente Teixeira Gomes que se não resvalasse para a pedofilia andava lá perigosamente perto como por exemplo se pode ler AQUI . Aliás os republicanos de hoje são em certa medida iguais aos de 1910, quando é para atacar sem argumentos atacam pela baixeza da retórica.

Segundo o camarada Mário Soares “o movimento republicano teve sempre, assim, um cunho acentuadamente patriótico”, isso não se põe em causa mas é curioso como a questão colonial que fazia parte do discurso republicano foi completamente esquecida das Comemorações do Centenário. Não nos podemos esquecer das raízes da questão do mapa ?cor-de-rosa, o incidente de Serpa Pinto que provocou o que veio a seguir tinha em grande parte já sido alimentado pelos desejos de Cecil Rhodes que queria construir um caminho de ferro que fosse do Cairo até à Cidade do Cabo para transportar ? diamantes. Ora como D.Carlos, ou melhor o Governo Progressista de Luciano de Castro, poderia alguma vez negar o Ultimato à Inglaterra e entrar em Guerra com a maior potência militar do séc.XIX ? Não é este um acto patriótico de salvar a Pátria da desgraça ? Coisa que os republicanos não fizeram quando em 1916 a República participou na I Grande Guerra onde morreram 75 000 militares do CEP em nome da recuperação do prestígio perdido por Portugal se tornar uma República ?

Acredito que o Povo Português pode ter um futuro e que ao contrário do que alguns da “Brigada do Reumático” dizem Portugal ainda tem futuro, por acreditar que Portugal tem futuro D.Duarte de Bragança deslocou-se ao Brasil e está a mediar um possível acordo entre Brasil e Portugal respeitante à aquisição de títulos de dívida por parte dos Brasileiros. Como Monárquico Democrata sinto imenso orgulho por ver que o Herdeiro do Trono de Portugal mais uma vez está a SERVIR o seu país e não se está a SERVIR dele como se pode ver aqui e  pelo telegrama de Dilma Roussef a D.Duarte. Sim Portugal tem Futuro, nós monárquicos que acreditamos numa Monarquia Constitucional nunca colocamos e nunca vamos colocar a nossa Independência em Causa.

Militante do Partido Socialista por Aveiro
Rui Monteiro


Os 'vencidos da vida' de hoje

Quarta feira, 22 de Dez de 2010
Irritam-me os portugueses que se comprazem em dizer mal de Portugal. Tudo é negro no nosso país e tudo vai ser pior. Esta moda, snob, vem desde os "vencidos da vida", uma tertúlia chique, criada em finais do século XIX, por reputados intelectuais, escritores e aristocratas, como Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão, Oliveira Martins, Carlos Mayer, Guerra Junqueiro, António Cândido, marquês de Soveral, conde de Ficalho, Lobo d'Ávila e outros mais, que marcaram a sociedade portuguesa da época, com o seu aristocrático pessimismo e a necessidade que sentiam de idolatrar a França e a cultura francesa.

O rei D. Carlos era também um apaixonado da França, que visitava regularmente. Era, aliás, mal casado com uma francesa, a rainha D. Amélia de Orleães, e quando ia a Paris, "respirar civilização", comprazia-se, à partida, a dizer aos seus acompanhantes: lá vamos voltar para "a nossa piolheira". Foi esse desprezo por Portugal e pelo Povo Português - sobretudo após a cedência ao ultimato inglês - que conduziu ao 31 de Janeiro, a primeira Revolução Republicana (frustrada) que teve lugar no Porto, e depois ao regicídio e ao 5 de Outubro.

O movimento republicano teve sempre, assim, um cunho acentuadamente patriótico, desde a celebração do tricentenário de Camões, em 1890, que levou, em 1916, a República a participar na I Grande Guerra, essencialmente para defesa das nossas colónias, ameaçadas pelos apetites de expansão de Inglaterra e da Alemanha, com origem no mapa ?cor-de-rosa e na Conferência de Berlim.Vem isto a propósito da irritação - e da tristeza - que me provocam as diatribes de muitos comentadores encartados e economicistas que só veem os números - e não as pessoas, que são o que conta - quando nos procuram convencer que "Portugal está falido, vai deixar de ser um país independente" e outras diatribes sem sentido. Até porque não nos dizem nunca o principal, isto é: como vamos sair da crise que nos afeta, vinda da União Europeia...

A verdade é que a maioria dos portugueses, das nossas elites, não conhece o que se passa em Portugal e os progressos incomparáveis que fizemos desde o 25 de Abril. Desprezam os progressos materiais - que são incontestáveis - e o salto imenso que demos, quanto ao prestígio de Portugal no mundo, ao sucesso internacional da Revolução dos Cravos e a influência que teve em todos os continentes, bem como o patamar em que hoje os portugueses estão, em todos os domínios: Ciência, Artes, Tecnologia, Investigação, Cultura, Informática e até no Desporto...

Pertenço ao Júri do Prémio Pessoa e todos os anos, na reclusão do Hotel de Seteais, em Sintra, tenho o gosto de estudar e trocar impressões com os meus colegas, sobre os inúmeros candidatos que nos dão a escolher, em todos os domínios do conhecimento. É impressionante e reconfortante. Este ano, atribuímos o prémio a uma prof.ª, médica, investigadora chefe de um Centro que funciona na Faculdade de Medicina de Lisboa, com dezenas de investigadores doutorados, em Portugal e no estrangeiro, que estudam os mecanismos básicos nas células humanas. Trata-se de um Centro de excelência, de grande prestígio internacional, obviamente nos meios científicos da especialidade.A prof.ª que dirige o Centro e à qual foi atribuído o prémio chama-se Maria Carmo Fonseca. É uma cientista altamente reputada e reconhecida nos meios científicos. Discreta, portuguesa dos sete costados, com uns olhos glaucos, que revelam a sua extraordinária inteligência. É um exemplo - um simples exemplo - do Portugal livre em que vivemos, em que se fazem descobertas e estudos, admirados por todo o mundo, que os derrotistas, que todos os dias entram pelas nossas casas, pelas televisões, não conhecem, porque nada sabem das pessoas - o capital mais precioso - e só se ocupam dos dinheiros e das taxas dos juros, que todos os dias sobem ou descem, na economia virtual em que persistimos em viver... <

S.A.R., DOM DUARTE VISITA AS CAVES DA RAPOSEIRA

Aproveitando a sua presença no tradicional Jantar dos Conjurados, promovido pela Real Associação de Trás-os-Montes e Alto Douro, que este ano decorreu na cidade de Lamego, Dom Duarte de Bragança aproveitou a oportunidade para visitar as Caves da Raposeira, as mais antigas de Portugal. A Raposeira, a produzir espumantes desde 1898, sob a batuta do Prof. Orlando Lourenço, continua a manter uma posição sólida no mercado nacional, não passando despercebida esta imagem ao Duque de Bragança que nesta sua visita destacou a “Raposeira como uma marca nacional pelo reconhecimento da qualidade dos seus espumantes”.

No Jantar dos Conjurados, aberto a todas as pessoas que pugnam ou têm simpatia pelo Ideal Monárquico e também a todos aqueles que simplesmente querem associar-se à evocação de uma data marcante da História portuguesa que assinala o 370º aniversário da Restauração da Independência de Portugal, não faltou o tradicional “brinde à Pátria” com espumante Raposeira.

MAGNÍFICO VÍDEO: MONARQUIA VS REPÚBLICA EM PORTUGAL


(Para obter legendas em Português clique em CC)
(Fonte: Canal de CronicasPeregrinacao no YouTube)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A HORA DA ACLAMAÇÃO

DIA DE NATAL PELO PADRE GONÇALO PORTOCARRERO DE ALMADA


DIA DE NATAL*
Diálogo entre o Pai Natal e oMenino Jesus

Foi numa esquina qualquer que se encontraramo Pai Natal e o Menino Jesus. Enquanto aquele se preparava para trepar umprédio, com o seu saco às costas, este último, recém-nascido, descia à terra eoferecia-se inerme, num pobre estandarte, que cobria uma mísera janela.
- Quem és tu, Menino – disse o velho – e quefazes por aqui?! É a primeira vez que te vejo!
- Sou Jesus de Nazaré e ando há vinte séculosà procura de uma casa que me receba e, como há dois mil anos em Belém, não háquem me dê pousada.
- Pois não é de estranhar! Não vês que vensquase nu?! Porque não trazes roupas quentes, como as que eu tenho, para meproteger do frio do inverno?
- O calor com que me aqueço é o fogo do meuamor e o afecto dos que me amam.
- Eu trago muitos presentes, para osdistribuir pelas casas das redondezas. E tu, que andas por aqui a fazer?
- Eu sou rico, mas fiz-me pobre, para ospobres enriquecer com a minha pobreza. Eu próprio sou o presente de quem meacolher. Não vim ensinar os homens a ter, mas a ser, porque quanto maisdespojada é a vida humana, maior é aos olhos do Criador.
- E de onde vens e como vieste até aqui? Euvenho da Lapónia, lá para as bandas do pólo norte.
- Eu venho do céu, de onde é o meu Paieterno, e vim ao mundo pelo sim de uma virgem, que me concebeu do EspíritoSanto.
- Que coisa estranha! Nunca ouvi falar deninguém que tenha nascido de uma virgem e assim tenha vindo ao mundo! E nãotens nenhum animal que te transporte para tão longa viagem, como eu tenho estasrenas?
- Um burrinho foi a minha companhia em Belém,e foi também o meu trono real, na entrada triunfal em Jerusalém.
- Um burro?! Não é grande coisa, para tronode um rei…
- O meu reino não é deste mundo e a suaentrada é tão estreita que os meus cortesãos, para lá entrarem, se têm quefazer pequeninos, porque destes é o meu reino.
- E que coisas ofereces? Que tesouros tenspara dar? Que prometes?
- Trago a felicidade, mas escondida na cruzde cada dia; trago o céu, mas oculto no pó da terra; trago a alegria e a paz,mas no reverso das labutas do próprio dever; trago a eternidade, mas no tempogasto ao serviço dos outros; trago o amor, mas como flor e fruto da entregasacrificada.
- Pois eu trago as coisas que me pediram:jogos e brinquedos para os miúdos e, para os graúdos, saúde, prazer, riqueza epoder. Mas, por mais que lhes dê, nunca estão satisfeitos!
- A quem me dou, quer-me sempre mais nacaridade que tem aos outros, porque é nos outros que eu quero que me amem amim.
- Mais um enigma! De facto, somos muitodiferentes, mas pelo menos numa coisa nos parecemos: ambos estamos sós, nestanoite de consoada!
- Eu nunca estou só, porque onde estou, estásempre o meu Pai e onde eu e o Pai estamos, está também o Amor que nós somos eestão aqueles que me amam.
- Bom, a conversa está demorada e ainda tenhomuitas casas para assaltar, pela lareira, como manda a praxe.
- Eu estou à porta e bato e só entrarei nacasa de quem liberrimamente me abrir a porta do seu coração e aí cearei e fareia minha morada.
- Pois sim, mas eu vou andando que já estouvelho e cansado …
- Eu acabo de nascer e quem, mesmo sendovelho, renascer comigo, será como uma fonte de água viva a jorrar para a vidaeterna.
O velho Pai Natal, resmungando, subiu aotelhado do luxuoso prédio, atirou-se pela chaminé abaixo e desapareceu.
Foi então que a janela onde estava o estandartese abriu e uma pobre velhinha de rosto enrugado, como um antigo pergaminho,beijou o reverso da imagem do Deus Menino, que estremeceu de emoção. A seguir,encostou a vidraça, apagou a luz e, muito de mansinho, adormeceu. Depois, oMenino Jesus, sem a acordar, pegou nela ao colo e, fazendo do seu pendão umtapete mágico, levou-a consigo para o Céu.   
P. Gonçalo Portocarrero deAlmada
* Os primeiros cristãos chamavam diesnatalis, ou seja, natal, ao dia da sua morte, porque entendiam que esse erao dia do seu nascimento para a verdadeira vida.