segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A HORA DA ACLAMAÇÃO

DIA DE NATAL PELO PADRE GONÇALO PORTOCARRERO DE ALMADA


DIA DE NATAL*
Diálogo entre o Pai Natal e oMenino Jesus

Foi numa esquina qualquer que se encontraramo Pai Natal e o Menino Jesus. Enquanto aquele se preparava para trepar umprédio, com o seu saco às costas, este último, recém-nascido, descia à terra eoferecia-se inerme, num pobre estandarte, que cobria uma mísera janela.
- Quem és tu, Menino – disse o velho – e quefazes por aqui?! É a primeira vez que te vejo!
- Sou Jesus de Nazaré e ando há vinte séculosà procura de uma casa que me receba e, como há dois mil anos em Belém, não háquem me dê pousada.
- Pois não é de estranhar! Não vês que vensquase nu?! Porque não trazes roupas quentes, como as que eu tenho, para meproteger do frio do inverno?
- O calor com que me aqueço é o fogo do meuamor e o afecto dos que me amam.
- Eu trago muitos presentes, para osdistribuir pelas casas das redondezas. E tu, que andas por aqui a fazer?
- Eu sou rico, mas fiz-me pobre, para ospobres enriquecer com a minha pobreza. Eu próprio sou o presente de quem meacolher. Não vim ensinar os homens a ter, mas a ser, porque quanto maisdespojada é a vida humana, maior é aos olhos do Criador.
- E de onde vens e como vieste até aqui? Euvenho da Lapónia, lá para as bandas do pólo norte.
- Eu venho do céu, de onde é o meu Paieterno, e vim ao mundo pelo sim de uma virgem, que me concebeu do EspíritoSanto.
- Que coisa estranha! Nunca ouvi falar deninguém que tenha nascido de uma virgem e assim tenha vindo ao mundo! E nãotens nenhum animal que te transporte para tão longa viagem, como eu tenho estasrenas?
- Um burrinho foi a minha companhia em Belém,e foi também o meu trono real, na entrada triunfal em Jerusalém.
- Um burro?! Não é grande coisa, para tronode um rei…
- O meu reino não é deste mundo e a suaentrada é tão estreita que os meus cortesãos, para lá entrarem, se têm quefazer pequeninos, porque destes é o meu reino.
- E que coisas ofereces? Que tesouros tenspara dar? Que prometes?
- Trago a felicidade, mas escondida na cruzde cada dia; trago o céu, mas oculto no pó da terra; trago a alegria e a paz,mas no reverso das labutas do próprio dever; trago a eternidade, mas no tempogasto ao serviço dos outros; trago o amor, mas como flor e fruto da entregasacrificada.
- Pois eu trago as coisas que me pediram:jogos e brinquedos para os miúdos e, para os graúdos, saúde, prazer, riqueza epoder. Mas, por mais que lhes dê, nunca estão satisfeitos!
- A quem me dou, quer-me sempre mais nacaridade que tem aos outros, porque é nos outros que eu quero que me amem amim.
- Mais um enigma! De facto, somos muitodiferentes, mas pelo menos numa coisa nos parecemos: ambos estamos sós, nestanoite de consoada!
- Eu nunca estou só, porque onde estou, estásempre o meu Pai e onde eu e o Pai estamos, está também o Amor que nós somos eestão aqueles que me amam.
- Bom, a conversa está demorada e ainda tenhomuitas casas para assaltar, pela lareira, como manda a praxe.
- Eu estou à porta e bato e só entrarei nacasa de quem liberrimamente me abrir a porta do seu coração e aí cearei e fareia minha morada.
- Pois sim, mas eu vou andando que já estouvelho e cansado …
- Eu acabo de nascer e quem, mesmo sendovelho, renascer comigo, será como uma fonte de água viva a jorrar para a vidaeterna.
O velho Pai Natal, resmungando, subiu aotelhado do luxuoso prédio, atirou-se pela chaminé abaixo e desapareceu.
Foi então que a janela onde estava o estandartese abriu e uma pobre velhinha de rosto enrugado, como um antigo pergaminho,beijou o reverso da imagem do Deus Menino, que estremeceu de emoção. A seguir,encostou a vidraça, apagou a luz e, muito de mansinho, adormeceu. Depois, oMenino Jesus, sem a acordar, pegou nela ao colo e, fazendo do seu pendão umtapete mágico, levou-a consigo para o Céu.   
P. Gonçalo Portocarrero deAlmada
* Os primeiros cristãos chamavam diesnatalis, ou seja, natal, ao dia da sua morte, porque entendiam que esse erao dia do seu nascimento para a verdadeira vida.

NÃO ESQUEÇAMOS ESTAS PALAVRAS


PRÓXIMAS ACTIVIDADES DA REAL ASSOCIAÇÃO DE VISEU: EM DESTAQUE A PALESTRA DO NOSSO ASSOCIADO RUI MONTEIRO


domingo, 26 de dezembro de 2010

S.A.R. O SENHOR DOM DUARTE: "PORTUGAL NÃO PODE CAIR NO DESÂNIMO"

 (Fonte: Causa Monárquica)

HÁ QUE CONTAR A HISTÓRIA DA DEVOLUÇÃO DOS BENS À FAMÍLIA REAL

No ano do centenário da República, Isabel Silveira Godinho afirmou que a República “vilipendiou e disse muito mal da Família Real, como lhe competia, mas portou-se muito bem ao devolver todos os bens de carácter pessoal”. “A República portou-se muito bem ao devolver os livros, as jóias pessoais, as pratas, os móveis, os tapetes, os fatos, à sua custa, e é uma história que este palácio vai ter de contar um dia”, disse a responsável. Após a proclamação da República, o Paço da Ajuda, residência da Rainha Pia que, depois de enviuvar, “passou apenas a ocupar o piso térreo”, foi selado.
“Uma comissão que integrava um representante da soberana fez um exaustivo inventário, desde pentes e móveis às pratas e jóias”, disse.
Trata-se de uma listagem curiosa em que a cada sala corresponde uma letra do alfabeto “e quando se esgotou o alfabeto, repetiram-se as letras, sendo cada uma acompanhada de sinais diacríticos, A’; A’’ e por aí fora”, explicou.
Dentro de cada sala “cada objecto foi numerado e referenciado” e ainda hoje serve “como um thesaurus”, rematou.
No próximo ano cumpre-se o centenário da morte da Rainha Maria Pia (1847-1911), e o PNA prepara várias iniciativas com base em várias linhas de investigação.
A responsável afirmou que “o palácio deve muito ao empenho da Rainha que era uma mulher fora da sua época”.
As críticas republicanas aos gastos da Mulher de Dom Luís e Mãe de Dom Carlos, permitem que hoje o Palácio possua “riquíssimas colecções não só na qualidade e género como na quantidade”.
A responsável projecta “fazer um dia” uma exposição em que se mostra as quantidades existentes de objectos de quotidiano que há no PNA.
“A riqueza de uma casa afere-se também pela quantidade e é extraordinária. Não há dezenas de marcadores vermeil, há mais de uma centena, por exemplo”, disse.
Referindo-se à Rainha, Isabel Silveira Godinho que dirige o PNA há 30 anos, afirmou que esta “sabia o que comprava, e a ela se deve muito da riqueza das actuais colecções”.
A responsável afirmou que o assassinato do filho e do neto (Dom Carlos e Dom Luís Filipe) abalou muito Maria Pia.
Referindo-se à citada demência da Rainha que o dramaturgo António Patrício na peça “O Fim” ilustra com a régia personagem a regar as flores do tapete do quarto, a directora do PNA argumentou: “julgo que não, mas é claro todos temos uns dias mais negros que outros”.
“É natural que tivesse um desgosto grande. Ninguém pode ficar impávida e serena perante uma desgraça colossal como aquela foi [o assassinato do filho e do neto em Fevereiro de 1908]”, disse.
“E a barbaridade como aquilo aconteceu – continuou - ninguém fica na mesma. A Rainha sofreu, tanto que ela que era uma personagem que sempre gostou de estar em público e de aparecer, e tinha uma pose real, nem precisava de usar jóias, nasceu de facto para ser Rainha, desistiu de estar em cena”.
(ES) - 18-12-2010
Fonte: Jornal HARDMUSICA

FALECEU UM GRANDE MONÁRQUICO: MAESTRO MANUEL IVO CRUZ

Hoje, dia de Natal, um amigo partiu. Conhecia-o há mais de 30 anos. Ultimamente apenas sabia notícias suas pelo telefone ou através de pessoas amigas. Data do passado dia 5 de Outubro a sua última aparição pública nos Paços do Concelho de Guimarães. Monárquico por convicção e fiel correlegionário de SAR o Duque de Bragança, MANUEL IVO CRUZ, é dele quem falo, deixou-nos hoje. Já muito abatido pela doença, viveu contudo animado até ao fim.

Antigo director da orquestra do Teatro Nacional de São Carlos, de Lisboa, docente e investigador na área da musicologia histórica portuguesa, era filho do maestro Ivo Cruz. Nasceu em Lisboa e realizou os seu estudos primários e secundários na mesma cidade, ingressando, depois, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde se licenciou em Ciências Histórico-Filosóficas.

Estudou composição e foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian na frequência do curso de direcção de orquestra do Universität Mozarteum da Universidade de Salzburgo, Áustria, cujo curso concluiu com distinção. Terminados os seus estudos foi nomeado director musical da Orquestra Filarmónica de Lisboa e passou a dirigir diversos programas de divulgação musical, com destaque para os transmitidos na Radiotelevisão Portuguesa (RTP) e na Emissora Nacional, com cuja orquestra sinfónica passou a colaborar regularmente. Dedicou-se à música, com especial empenho à ópera, tendo participado na realização de diversas temporadas no Teatro da Trindade e no Teatro Nacional de São Carlos, ambos em Lisboa, da Ópera de Câmara do Real Teatro de Queluz e ainda no Círculo Portuense de Ópera, de que foi presidente e director artístico.

Distinguido com o Prémio Moreira e Sá e o título de Oficial de Mérito Cultural e Artístico da França, recebeu ainda a Ordem do Rio Branco, do Brasil. Em Portugal foi feito grande oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Foi ainda eleito membro de diversas instituições académicas dedicadas à música e à cultura, entre as quais a Academia Brasil-Europa de Ciência da Cultura e da Ciência, o Instituto de Estudos Culturais do Mundo de Língua Portuguesa e a Sociedade Brasileira de Musicologia. Ao comemorar o cinquentenário da sua carreira artística, em 2004, foi agraciado pela Câmara Municipal do Porto com o grau ouro da Medalha Municipal de Mérito daquela cidade.

O Manuel Ivo deixou-nos hoje. A sua memória ficará para sempre. Um beijo à Leonor, à Luísa e à Xuxu, ao seu irmão Duarte e aos seus filhos. Adeus Manuel Ivo.

Pedro Quartin Graça

A REAL ASSOCIAÇÃO DA BEIRA LITORAL ASSOCIA-SE A TODOS OS MONÁRQUICOS, NESTE MOMENTO DOLOROSO, MANIFESTANDO OS SEUS SENTIMENTOS À FAMÍLIA ENLUTADA. PORTUGAL PERDEU UM GRANDE ARTISTA E UM GRANDE HOMEM.

O corpo do Maestro Manuel Ivo Cruz está desde às 15 horas de hoje em Câmara ardente na Igreja da Lapa no Porto, de onde sairá amanhã o funeral para o Cemitério da Lapa pelas 10 horas da manhã.