domingo, 26 de dezembro de 2010

MAESTRO IVO CRUZ FALA DA SUA LIGAÇÃO COM A FAMÍLIA REAL PORTUGUESA




Vídeo: PortugalInvicta
 
Manuel Ivo Soares Cardoso Cruz (Lisboa, 18 de Maio de 1935) é um maestro e compositor, antigo director da orquestra do Teatro Nacional de São Carlos, de Lisboa. Também se destacou como docente e como investigador na área da musicologia histórica portuguesa. É filho do maestro Ivo Cruz.

Nasceu em Lisboa, filho do compositor e professor de música Manuel Ivo Cruz (1901-1985) e de Maria Adelaide Burnay Soares Cardoso[1]. Realizou os seu estudos primários e secundários em Lisboa, ingressando seguidamente na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde se licenciou em Ciências Histórico-Filosóficas. Entretanto, estudou composição, dirigindo em 1954 o seu primeiro concerto, ao tempo ainda sendo estudante de letras.
Terminados os seus estudos em Lisboa, foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian na frequência do curso de direcção de orquestra do Universität Mozarteum da Universidade de Salzburgo (Universität Salzburg), Áustria, cujo curso concluiu com distinção. Terminados os seus estudos foi nomeado director musical da Orquestra Filarmónica de Lisboa e passou a dirigir diversos programas de divulgação musical, com destaque para os transmitidos na Radiotelevisão Portuguesa (RTP) e na Emissora Nacional, com cuja orquestra sinfónica passou a colaborar regularmente. Dedicou-se à música operática, tenso participado na realização de diversas temporadas no Teatro da Trindade e no Teatro Nacional de São Carlos, ambos em Lisboa, da Ópera de Câmara do Real Teatro de Queluz e ainda no Círculo Portuense de Ópera, de que foi presidente e director artístico. Como maestro convidado participou ainda em diversos concertos e óperas realizados em diversos países, entre os quais Alemanha, Espanha, Brasil, Estados Unidos da América, Rússia e Venezuela. Também se dedicou à investigação e ao ensino, criando cursos, nos quais leccionou, entre os quais os Cursos Internacionais da Costa do Estoril, e realizando inúmeras conferências e colóquios. Também leccionou no Conservatório Superior de Música de Gaia[2]. No campo da investigação dedicou-se à musicologia histórica, estudando as raízes da música portuguesa, da qual recolheu um apreciável repertório. Para divulgar esse acervo, publicou diversas colectâneas nalgumas das mais reputadas editoras portuguesas e internacionais. No ano de 1969 foi distinguido com o Prémio Moreira e Sá, concedido pelo Orfeão Portuense. Mais tarde foi premiado por diversas instituições e agraciado com o título de Oficial de Mérito Cultural e Artístico da França e coma Ordem do Rio Branco, do Brasil. Em Portugal foi feito grande oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Foi ainda eleito membro de diversas instituições académicas dedicadas à música e à cultura, entre as quais a Academia Brasil-Europa de Ciência da Cultura e da Ciência[3], o Instituto de Estudos Culturais do Mundo de Língua Portuguesa[4] e a Sociedade Brasileira de Musicologia.
Ao comemorar o cinquentenário da sua carreira artística, em 2004, foi agraciado pela Câmara Municipal do Porto com o grau ouro da Medalha Municipal de Mérito daquela cidade.
Foi deputado municipal na Assembleia Municipal de Lisboa (1990-1993)[5], eleito nas listas do Partido Popular Monárquico.
Wikipédia
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No dia 03 de Junho de 2009, às 11h, na Sala de Orquestra, no Campus Foz, decorreu no Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa a cerimónia protocolar de doação do espólio Musical do Maestro Manuel Ivo Cruz. Ao longo dos 50 anos de carreira como chefe de Orquestra, o Maestro Manuel Ivo Cruz, já dirigiu a maior parte das obras que se inscrevem no reportório da música sinfónica. É porventura o Maestro português que mais ópera dirigiu, quer em quantidade mas principalmente em diversidade.(...)

sábado, 25 de dezembro de 2010

DIRECTORA DO PALÁCIO D'AJUDA QUER TRASLADAR RAINHA MARIA PIA PARA PORTUGAL

Lisboa, 18 dez (Lusa) - A diretora do Palácio Nacional da Ajuda, Isabel Silveira Godinho, quer que o corpo da Rainha Maria Pia venha para Portugal "e seja sepultado junto da sua família, o marido e os filhos", afirmou em entrevista à Lusa.
 
"Maria Pia é a única Rainha que está sepultada no estrangeiro. Ela era uma grande patriota, uma grande portuguesa por isso é que a quero trazer para Portugal", disse a responsável que já em 2005 encetou contactos para a trasladação.
 
A Rainha Maria Pia, falecida 05 de julho de 1911 em Stupinigi (arredores da cidade italiana de Turim), encontra-se sepultada no panteão dos Sabóia na Basílica de Superga, em Itália.
 
"Gostaria muito que o Governo me ajudasse, pois só o Governo pode fazer um funeral de Estado que é devido a uma Rainha por protocolo", esclareceu.
 
"Gostava - prosseguiu - que o Governo se sensibilizasse para o centenário da morte de uma grande portuguesa que está enterrada em Soperga e que pediu que a enterrassem com a cabeça virada para Portugal, isto quer dizer alguma coisa, os seu estão cá".
 
Para a diretora do Palácio, "Maria Pia preferia morrer ou sofrer na pele a República do que ir para o exílio. Se lhe tivessem dito isso, teria recusado. A Rainha embarcou na Ericeira convencida que ia para o Porto".
 
A data de Julho seria a ideal, "gostaria que o corpo da Rainha chegasse e pudesse ir para São Vicente de Fora, fosse rezada uma missa bonita com Te Deum, e com tudo a que ela tem direito".
 
Esta não é a primeira vez que Isabel Silveira Godinho faz esforços para trazer o corpo da soberana, mas em Janeiro irá reunir-se com a Presidência da República para que se reiniciem as diligências.
 
Em 2005 foi tentado e "tudo ia nesse sentido, O Chefe da Casa Real Portuguesa, Dom Duarte de Bragança escreveu as cartas necessárias, a família Sabóia autorizou a trasladação, estava tudo tratado, havia até um orçamento que não era nada exagerado", contou.
 
"Gostava que pudesse vir de barco pois foi de barco que viajou de Itália para casar em Portugal com o Rei Dom Luís", acrescentou.
 
Para Isabel Silveira Godinho não se justifica quaisquer fantasmas à centenária república. "Já passou tempo suficiente para a república estar bem consolidada e não haver qualquer medo, [não há receio] pelo facto da Rainha vir para Portugal poder abalar o que quer que fosse na sociedade portuguesa", sublinhou. Um sentimento bem diverso daquele que a Rainha suscitou quando chegou a Portugal em 1862. "Ela chegou e marcou logo uma posição. Qualquer pessoa que sai da normalidade ou se gosta muito ou se detesta", disse.
 
Maria Pia de Sabóia chegou a Portugal com 14 anos, "vinda de uma corte onde se vivia a glória da vitória, pois o seu pai [Victor Manuel II] foi o unificador da Itália".
 
A jovem Princesa "vinha com uma alegria e maneira de viver que contrastava com a corte portuguesa que estava enlutada pela morte de Dom Pedro V no ano anterior".
 
NL. - Lusa/fim
 

A PROPÓSITO DOS CANDIDATOS A BELÉM...

«O homem político lisonjeia, mente, difama, atraiçoa. Na política portuguesa raros dão um passo que o não conquistem por algum destes vícios. Toda a gente o sabe. As eleições fazem-se ou pela compra da consciência a dinheiro, ou pela promessa, pela lisonja, pelo dolo, pela mentira. Não há integridade nem limpeza de carácter que resista à influência degradante e sordidíssima de uma campanha eleitoral. Em presença do eleitor, nas conversações, nos comícios e na imprensa, para desvanecer atritos, para abater dificuldades, para minar resistências, o candidato, de concessão em concessão, de recuamento em recuamento, de curva em curva, de cortesia em cortesia, desdiz todas as suas opiniões, desmente todos os seus propósitos, falseia todas as suas convicções, renega todas as suas crenças. A campanha eleitoral é uma navegação pestilencial pelo cano de esgoto de todas as imundícies da conveniência, do egoísmo e da ambição. Tal tribuno que hoje bate nos peitos com o punho cerrado, fazendo saltar pelos olhos chispas de valor e deitando pela boca os mais estrondosos borbotões de independência, escumas da raiva cívica e patriótica foi para esse lugar de rojo pela lama, com os joelhos no chão, babando-se em condescendências asquerosas e em risos nojentos.»

Livro: As Farpas de Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

NA VELHICE AINDA DARÃO FRUTOS

Depois da minha última crónica, li uma entrevista de Dom Duarte Pio de Bragança em que este dizia que "daqui a pouco vamos ter a lei da liberdade da eutanásia com a interrupção da velhice. Quando uma velhice é incómoda, quando fica cara, quando é traumatizante para a família, ter aquele avô que custa caro, que incomoda toda a gente, que já está completamente tonto, não se pode interromper a sua velhice sem pedir a opinião do próprio".
O Herdeiro da Casa Real colocou o dedo numa ferida que se tende a manifestar num futuro próximo, uma vez que à discussão e aprovação do testamento vital se seguirá com a maior das probabilidades a discussão sobre a eutanásia, sem que as pessoas sejam devidamente esclarecidas do que está em causa, ou que lhes seja dito que os contornos desta figura transcendem na maior parte dos casos a situação daqueles que estão gravemente enfermos. Corremos assim o risco de se vir a sujeitar muitas pessoas de idade avançada a pressões inqualificáveis, já que tendo elas plena consciência do abandono em que se encontram, se sentem, ao mesmo tempo, um peso para a família, podendo vir a sentir-se coagidas pela sociedade a deixarem de viver.
Ora, não se pode construir uma sociedade justa sem cuidar dos direitos e interesses dos mais velhos cada vez mais numerosos. É certo que, por norma, os mais velhos não falam das suas fraquezas. Não o fazem porque não querem incomodar as suas famílias, atarefadas com as aflições do dia-a-dia, concentradas nas exigências crescentes dos mais novos. Evitam dizer-lhes que lhes falta o aquecimento no Inverno, o dinheiro para os remédios, as pernas para subir as escadas de casa, os braços para se lavarem. Receiam dar parte fraca, porque não querem constituir sobrecarga, e porque não querem ser engaiolados nas antecâmaras onde todos os dias contarão os sobreviventes pela manhã, até que a sua hora chegue.
São razões de justiça e caridade que impedem uma sociedade de ignorar os mais velhos, mas também o interesse de todos nós que chegaremos um dia a esse estágio de vida. Por outro lado, uma sociedade que não trata bem os mais velhos comete um terrível desperdício. Eles fazem falta à formação dos mais novos, não só pela elementar razão que não têm de lidar só com o que é bom, bonito e agradável na vida, mas também porque, normalmente, são repositório de saber, de conselhos e de experiência de vida. E, numa altura em que houve a alteração do padrão familiar que descrevi na minha última crónica, em que as crianças vão perdendo as referências e em que os pais não têm disponibilidade para lhes conceder uma parte razoável do seu tempo e para lhes proporcionar a educação que só se pode receber em casa, um avô, uma avó ou uma tia, poderiam compensar muitas dessas ausências e faltas. Afinal, era assim no passado, quando éramos crianças, quando os velhos se integravam sem custos no agregado familiar e nos faziam companhia e nós também lhes fazíamos companhia. E, a meu ver, não há razões para que não volte a ser assim.
Não se pode exigir que seja o Estado a mudar todos os nossos comportamentos mas convém que as suas políticas e as suas leis promovam valores e práticas justas. E, nesta matéria, é incompreensível que um agregado familiar possa deduzir, no IRS, as despesas que um dos seus membros seniores paga a um lar, mas não tenha qualquer benefício, nem sequer a possibilidade de fazer uma dedução equivalente, no caso de optar por cuidar dessa pessoa em sua casa, onde é suposta encontrar melhores cuidados e carinho, e onde pode ser, também, da maior utilidade.
Rui Moreira, 18-12-2010 - Jornal de Notícias

MENSAGEM DE SUA EXCELÊNCIA REVERENDÍSSIMA O BISPO DO PORTO

HERÓIS DO MAR

Navio-Escola Sagres
Um episódio comovente no quingentésimo aniversário (1510-2010) da Conquista e Fundação de Goa, por Afonso de Albuquerque

Inexplicavelmente impedidos de visitar o Navio-Escola Sagres, ancorado no porto de Mormugão, em Goa, os pescadores e habitantes daquela cidade, saudosos da secular presença portuguesa em terras da Índia, organizaram um festivo e colorido cortejo de traineiras e barcos para saudar calorosamente o emblemático navio das velas da Cruz de Cristo e a sua tripulação. Foi um episódio comovente, que atesta bem o apreço que tinham por Portugal os povos das nossas Províncias Ultramarinas, mesmo as mais longínquas. Leia o impressionante relato do jornalista Joaquim Magalhães de Castro.

Estou a bordo do navio-escola Sagres rumo a Lisboa nesta fase final da sua viagem à volta do mundo, e hoje tenho uma bela história para vos contar - que no espaço de uma hora me deixou com pele de galinha várias vezes e veio reforçar a minha convicção quanto à cada vez mais urgente necessidade de afirmarmos a nossa portugalidade no mundo, sem qualquer tipo de complexos.

16 de Novembro, nove da manhã, uma hora antes da largada da Sagres do porto de Mormugão, Sul de Goa. Dezenas de embarcações de pesca engalanadas com balões, grinaldas de flores e bandeiras portuguesas, repletas de centenas de homens, mulheres e crianças, muitas delas envergando camisolas da selecção nacional, aproximaram-se dessa barca construída num estaleiro de Hamburgo em 1937 mas que a Cruz de Cristo faz nossa, e largaram a música, os panchões e a alegria que traziam com sentidos vivas a Portugal.

Essa manifestação espontânea apanhou de surpresa a tripulação que fazia os preparativos para a largada, concentrada na recolha das lonas de cobertura da ponte e do convés. Num repente, os marujos correram à amurada e corresponderam com acenos e fotografias a tão carinhosa manifestação de afecto.

Na companhia do comandante Pedro Proença Mendes, o recém-chegado cônsul de Portugal em Goa, António Sabido da Costa, também se mostrou atónito com a inesperada despedida dos homens do mar. "É impressionante!", exclamou. "E vê-se que é um sentimento genuíno." Concordei com o seu comentário, mas estava preparado para aquilo. Sabia que muitos goeses, impedidos de visitar a Sagres nos dois derradeiros dias da sua estada em Mormugão, sistematicamente barrados pelas forças policiais, tinham decidido agir por conta própria e fazer a ansiada visita, não por terra mas directamente por mar, numa pacifica abordagem a bombordo, primeiro, e depois a estibordo também.
Goa e Porto de MormugãoE lá estava, à proa de uma das maiores traineiras, de garrafa de cerveja na mão e uma camisola vermelha com a palavra Portugal, Simon Pereira, presidente da Associação dos Pescadores de Mormugão, responsável pela colorida iniciativa. Atrás dele, uma banda a preceito interpretava marchas populares, enquanto a aparelhagem de uma embarcação ali próxima atirava cá para fora, em altos decibéis, versões goesas de conhecidos temas populares da nacional canção.

Esta manifestação traduzia bem o sentir dos goeses, que nunca deixaram de ser portugueses. Numa das faixas exibidas bem alto podia ler-se "Viva Portugal. Nós amamos o Portugal. Boa viagem Sagres". Noutra: "Adeus Sagres. Viva Portugal. Goans love you."

A presença dos pescadores em festa foi a bofetada de luva branca nos denominados freedomfighters, promotores das manifestações anti-portuguesas dos dias anteriores. Curiosamente, um dos seus mais proeminentes dirigentes marcou presença na recepção oficial que a Sagres ofereceu à comunidade local, marcada pela ausência previamente anunciada do Ministro de Estado de Goa que, intimidado pelos protestos dos fundamentalistas locais, inventou uma viagem de trabalho a Deli para não estar presente. Foi uma recepção com direito a fado com pronúncia local, vinho moscatel, cerveja Sagres (claro!), presunto, queijo dos Açores, bacalhau e até uns deliciosos pastéis de nata, confeccionados na cozinha da barca.

Nessa tarde, ao regressar do porto, após as últimas compras na cidade, fui abordado por goeses que me pediram que os ajudasse a entrar. Um senhor de provecta idade, acompanhado de filhos e netos, protestava: "Somos portugueses, mas eles não nos deixam visitar o nosso navio. Acha isto possível?". Outro homem, também com muitas vivências para contar, limitou-se a entregar-me uma carta para que a fizesse chegar ao comandante da Sagres, com os seus "grandes parabéns a todos navegadores" e, em particular, ao "ilustre capitão, senhor Proença Mendes, por ter navegado com coragem, exactamente como o grande navegador e inventor do caminho marítimo para a índia de então, o afamado Vasco da Gama", não hesitando em intitular todos os portugueses, com aquela dose de exagero que só uma distância de séculos explica, como "verdadeiros heróis do mar".

in PÚBLICO, 04-12-2010
 
Imagens:
1) Navio-Escola Sagres, da Marinha Portuguesa
2) Mapa parcial de Goa, com o porto de Mormugão, cuja construção foi iniciada pelos portugueses em 1624.
 

É NATAL! É NATAL! FELIZ NATAL!

 A REAL ASSOCIAÇÃO DA BEIRA LITORAL DESEJA A TODOS OS SEUS ASSOCIADOS E AMIGOS, MONÁRQUICOS OU NÃO, UM SANTO E FELIZ NATAL.
QUE DEUS NOS PROTEJA A TODOS E GUARDE A FAMÍLIA REAL E O NOSSO PORTUGAL!