segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

SALA SECRETA

Durante quase 200 anos esteve longe do olhar do público mas agora renasce completamente restaurada. A antiga Sala da Música do Palácio da Ajuda surge com a sua designação original: Sala D. João VI.
D. Maria Pia forrou as paredes a seda para evitar a sua deterioração. Agora descobre- -se o que ficou por baixo. Quando o pano subiu ficámos esmagados. O motivo foi uma pintura original de Arcângelo Foschini (1825) ocultada por baixo de várias camadas de seda - e até por uma de viscose - que retrata a chegada de D. João VI a Portugal, depois do exílio de 14 anos no Brasil. Escondida durante mais de um século e meio pela pomposa Sala da Música, concebida pela Rainha D. Maria Pia, a pintura conheceu a luz do dia o ano passado pela mão da directora do Museu do Palácio da Ajuda, Isabel Godinho, que com a iniciativa 'Uma Sala, Um Mecenas' conseguiu reunir fundos para o restauro integral do espaço. «Começámos pelas paredes e tectos, mas no final vamos também recuperar o chão. É um projecto que tem vindo a crescer progressivamente e não sabemos o que ainda nos reserva». Para já foi retirado o lambril que ocultava uma pintura de rodapé que seguiu para o Museu de Artes Decorativas de Paris para ser estudada. Por cá, a espanhola Rocio Ozores tenta reproduzir os ornamentos destruídos nos segmentos de parede em que faltam. Por toda a sala, especialistas em conservação e restauro dão o seu contributo à mais recente descoberta da Ajuda. «Todos os dias é uma surpresa. Hoje por exemplo encontrei este kitchen soap usado pelos criados para lavarem a loiça», comenta Isabel Godinho que ao fim de quase três décadas à frente do palácio continua a surpreender-se com o que o espaço ainda esconde. «Aqui, por exemplo, estava tudo rematado a lambril em madeira que só existia para fazer pandã com a galeria dos músicos». A ideia foi da Rainha Maria Pia que ao ver as paredes em tão mau estado resolveu forrar todo o espaço a seda vermelha e amarelo ouro, por ser a solução mais simples. E assim continuou por quase duas décadas. Agora é tempo de descobrir o que esteve oculto durante todo este tempo.
O trabalho é minucioso. Enquanto Rocio trata das pinturas, há quem esteja a substituir os fios de cobre do enorme candelabro do centro da sala. Depois, cada peça é colocada uma a uma e enxugada a secador de cabelo para evitar a oxidação do metal. Desvendado o trabalho mais meticuloso, João Vaz, responsável pelo núcleo de pintura do edifício, entusiasma-se a falar do quadro de mestre Foschini: «D. João VI foi para o Brasil em 1807 mas mandava directivas para os pintores da Ajuda. Com alguma frequência eles reuniam-se com o responsável da obra e discutiam quais as peças atribuídas a cada um. Ao Foschini calhou esta».
De acordo com a pintura, D. JoãoVI tinha gosto apurado. Uma das primeiras recomendações foi que aludisse ao Concílio dos Deuses, menção essa que se encontra no tecto da sala. O monarca referia ainda que a pintura deveria ser uma alegoria do seu regresso. O mestre deu-lhe ouvidos, mas o rei acabou por chegar quatro anos antes da pintura ser acabada, pelo que o que seria uma alegoria, acabou por representar os factos de 1821. Na Primavera desse ano, D. João VI deixou o Brasil e regressou a Lisboa acompanhado pela família. No quadro revê-se essa imagem, devidamente ilustrada pelos cânones da altura: «Na praia está Lísia - Lisboa - e o velho Tejo. E por cima, a voar, a felicidade eterna...»
Texto por Patrícia Cintra, Fotografias de José Sérgio - 12-12-2010
SOL
Palácio Nacional da Ajuda
Largo da Ajuda, Lisboa
TEL. 213 637 095
das 10H às 17H
Encerra à 4.ª
www.pnajuda.imc-ip.pt

S.A.R. O SENHOR DOM DUARTE, ENTREVISTADO NA TVI24 POR MANUEL LUÍS GOUCHA

domingo, 19 de dezembro de 2010

ISTO É A REPÚBLICA...

(Fonte: Jornal Público de 09.12.2010)

"AS MULHERES E A REPÚBLICA" POR S.A.R. A SENHORA DONA ISABEL DE BRAGANÇA

(Discurso proferido por S.A.R. a Duquesa de Bragança no Encontro Anual da AACDN - Porto, 1 a 3 de Outubro de 2010)

Existe uma tentação comum a quase todas as comemorações de efemérides que tende a marcar a realidade à luz desse acontecimento, como se todas as coisas passassem a acontecer em função da data que queremos assinalar e dos seus ideais.

É o que se passa, um pouco, com as comemorações do Centenário da República em Portugal. Na ânsia – legítima - de exaltar os ideais republicanos, parece que estamos perante uma verdadeira refundação do Estado português ou perante a estreia absoluta dos mais elementares direitos de cidadania.

Fala-se na inauguração de certas liberdades mas basta um olhar mais atento e esclarecido para verificar que, por exemplo, onde antes de 1910 havia liberdade de imprensa, passou a haver encerramentos e ataques a jornais monárquicos ou mesmo republicanos de sinal adverso; onde antes de 1910 havia um sistema multipartidário, que incluía um partido republicano, passou a haver um sistema de partido único, com lideranças de legitimidade revolucionária. O mesmo se pode dizer sobre a liberdade religiosa e a liberdade sindical que também era praticada na Monarquia Constitucional e deixou de o ser depois de 5 de Outubro de 1910.

Mesmo uma das bandeiras da República que tem sido valorizada este ano, que pode e deve ser reconhecida pela história – como a escola pública – deve ser referida a par da razia que foi dada com o encerramento das múltiplas escolas que pertenciam às congregações religiosas, entretanto extintas e perseguidas pelo novo regime. Refiro-me em especial à expulsão dos Jesuítas que tinham estabelecimentos de ensino por todo o País que foram expulsos sem solução alternativa.
As consequências no Ultramar foram ainda mais graves com expulsão das missões católicas.

É, assim, importante que estas datas sejam aproveitadas para aprofundar o estudo e a procura da realidade histórica e não tanto para reforçar alguns estereótipos que a propaganda dos regimes subsequentes sempre produz. Esta lucidez é-nos pedida quando estudamos os assuntos e, sobretudo, quando - como agora - sobre eles partilhamos reflexões.

No caso da situação das Mulheres na sociedade, sabemos que ela não se alterou pela via revolucionária a não ser na possibilidade do divórcio – assunto que afecta igualmente homens e mulheres. As mulheres não passaram a ter direito ao voto, ou salário igual, ou quaisquer direitos laborais referentes à condição da maternidade.

Assim, a condição feminina não se alterou favoravelmente em Portugal por via da Revolução de 5 de Outubro, pelo contrário, viu-se seriamente prejudicada em relação à evolução verificada em outros países Ocidentais pelo facto de 64 anos deste século republicano terem sido tomados por regimes revolucionários e ditatoriais que em nada beneficiaram as liberdades cívicas das mulheres ou a sua condição social.

Na verdade, nem a I República, nem a II República, consagraram, por exemplo, o direito ao voto extensível a todas as mulheres, tal como foi acontecendo em outros países do Ocidente na mesma época. Esta diferença significativa anda a par da descriminação que se verificou também na lei laboral que foi evoluindo mais depressa e melhor na maioria dos países do Ocidente.

O atraso na evolução da condição feminina em Portugal prende-se, também, com outros factores internacionais, sociológicos e económicos, para além dos de raiz eminentemente política que referi. Mas a verdade é que o atraso na sociedade e uma certa clausura na economia são consequências directas desses primeiros 64 anos da República.

O facto de Portugal não ter entrado na II Guerra Mundial tornou mais lenta a entrada de mulheres no mercado de trabalho e retardou, ainda mais, o processo de industrialização que vinha do século anterior e que recebeu um forte impulso na Europa que entrou na Guerra.

O controlo da natalidade, associado por muitos à condição feminina, também teve um impacto mais lento numa sociedade fechada, pouco permeável à divulgação deste tipo de informação. Esta clausura, permitida pelas duas Repúblicas, teve múltiplos efeitos. Também a instrução geral para Mulheres ou a sua entrada no Ensino Superior são realidades tardias para as portuguesas.

Enfim, se a pergunta é: o que fez a República pelas Mulheres, ou: como estariam as Mulheres se tivéssemos continuado em Monarquia, a resposta é, (fugindo a qualquer maniqueísmo ou «bola de cristal depois da hora»): as democracias europeias favoreceram mais cedo e melhor os direitos cívicos das Mulheres e as suas condições sociais. E as Democracias europeias eram, nessa época, maioritariamente monarquias.

A esta luz, não será difícil supor que a diferença dos regimes teria feito diferença à condição das Mulheres portuguesas. Mas nunca saberemos a resposta porque a História nos fez correr por outro caminho.

Entretanto, não posso deixar de mencionar que, ao longo da história de Portugal, o papel das rainhas foi muito importante e as suas intervenções políticas, humanitárias e culturais foram significativas.

Assim:

1 - As duas únicas chefes de Estado femininas que houve até agora foram rainhas – D. Maria I e D. Maria II.

Particularmente notáveis foram:

- A rainha Santa Isabel, mulher de D. Dinis, que moderou graves conflitos internos evitando a guerra civil e se celebrizou na assistência aos pobres;

- A rainha D. Filipa de Lencastre, mulher de D. João I, que sempre esteve por trás do engrandecimento do País durante esse reinado e foi mãe da “ínclita geração”;

- A rainha D. Leonor, mulher de D. João II, que fundou as misericórdias, que ainda hoje são tão importantes na solidariedade social;

- A rainha D. Catarina, mulher de D. João III, que assegurou eficazmente a regência do País em circunstâncias difíceis, durante parte da menoridade de seu neto D. Sebastião;

- A rainha D. Luísa de Gusmão que contribuiu com o seu ânimo para a causa da Restauração e assegurou a regência do Reino com grande eficácia na menoridade de D. Afonso VI;

- A rainha D. Catarina de Bragança, rainha de Inglaterra e filhe de D.João IV, que também foi regente de Portugal na doença de seu irmão o rei D. Pedro II;

- A rainha D. Amélia, a quem se deve o impulso e a presidência do Instituto Ultramarino e da Assistência Nacional aos Tuberculosos, duas das mais notáveis instituições de saúde pública e solidariedade social criadas na Monarquia Constitucional.

Agora que se comemoram os 100 anos do regime republicano, quando penso no papel das primeiras-damas, só consigo lembrar-me da notável acção social desenvolvida por duas: A Dra. Maria de Jesus Barroso Soares e a Dra. Manuela Eanes.

Muitas mulheres portuguesas estiveram presentes, desde tempos antigos, mas com mais evidência no séc. XIX e princípio do séc. XX, nos vários sectores importantes da actividade pública.

A título exemplificativo apontem-se algumas:

Política

Uma das mais influentes figuras da Maria da Fonte, revolução que produziu profundos efeitos na vida política nacional, começando pela queda do governo dos Cabrais, foi Maria Angelina, uma mulher minhota que deu o nome ao movimento.
A primeira mulher a votar em Portugal foi Carlota Ângelo em 1911; mas a disposição legal de que se socorreu para exercer esse direito era idêntica à da lei eleitoral no tempo da Monarquia; ela, por outro lado era já médica, formada em tempo da Monarquia.

Empresariado

Distinguiu-se no século XIX D. Antónia Ferreira, a célebre “Ferreirinha”, grande e dinâmica empresária numa actividade importante e exportadora como era o sector do vinho do Porto.

Obras Sociais

Muitas mulheres portuguesas em tempo do constitucionalismo monárquico se distinguiram na implementação de obras sociais.
Apontem-se por exemplo a duquesa da Palmela e D. Júlia Brito e Cunha, com as chamadas cozinhas económicas, e o papel na solidariedade social de inúmeras instituições onde religiosas e leigas deram o seu contributo fundamental para a saúde e bem estar da população carenciada.

Educação

Não se pode esquecer o papel de colégios religiosos, em muitos dos quais tinham acção mulheres consagradas e leigas.
O primeiro liceu feminino, o Maria Pia, foi fundado em 1906, em 1910 já frequentavam os liceus cerca de mil raparigas.
As primeiras universitárias femininas de pleno direito aparecem na
década de 90 do séc. XIX. Domitila de Carvalho foi a 1ª a inscrever-se, e Elisa de Andrade a primeira a licenciar-se. Licenciaram-se mais de duas dezenas até 1910 (em farmácia, medicina, filosofia e matemática).

Ciência
Tem de ser lembrado o nome da historiadora, filóloga e literata D. Carolina Micaelis de Vasconcelos, cuja produção escrita teve já expressão de relevo em finais da Monarquia.

Literatura

Lembrem-se os nomes, em épocas mais antigas, de Paula Vicente, Públia Hortênsia de Castro, Antónia da Trindade, Antónia de S. Caetano, Bernarda Ferreira de Lacerda, Beatriz da Silva e Sousa e tantas outras; já nos sécs. XIX e XX, a Marquesa de Alorna, a Viscondessa de Balsemão, Maria Amália Vaz de Carvalho e Virgínia de Castro e Almeida.

Artes Plásticas

Mencionem-se, entre outros, os nomes antigos de Josefa de Óbidos, pintora, Paula de Sá, escultora, e da moderna Aurélia de Sousa, pintora.

Música

São incontornáveis as figuras de renome internacional de Luísa Todi, cantora, e de Guilhermina Suggia, violoncelista.

Teatro

Houve uma plêiade de actrizes em fins do séc. XIX e princípio do séc. XX, entre as quais são de incluir Rosa Damasceno, actriz Virgínia, Ângela Pinto, Adelina Abranches, Lucinda Simões e Palmira Bastos.

Fonte: Casa Real Portuguesa

A HISTÓRIA REPETE-SE, PORQUE OS POVOS PRESERVAM A SUA DIFERENCIAÇÃO E IDENTIDADE

A União Europeia exigiu o maior sufoco fiscal de que há memória aos portugueses…apenas o início de um processo que no curto prazo sofrerá mais agravamentos e muito mais sacrifícios.
Tudo se baseia numa premissa, que o debate entre Colbert e Mazarino, no tempo de Luis XIV, tão bem anuncia:
“Colbert: Para encontrar dinheiro, há um momento em que enganar [o contribuinte] já não é possível.Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é que é possível continuar a gastar quando já se está endividado até ao pescoço...
Mazarino: Se se é um simples mortal, claro está, quando se está coberto de dívidas, vai-se parar à prisão. Mas o Estado... o Estado, esse, é diferente!!!
Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se... Todos os Estados o fazem!
Colbert: Ah sim? O Senhor acha isso mesmo ? Contudo, precisamos de dinheiro. E como é que havemos de o obter se já criámos todos os impostos imagináveis?
Mazarino: Criam-se outros.
Colbert: Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.
Mazarino: Sim, é impossível.
Colbert: E então os ricos?
Mazarino: Os ricos também não. Eles não gastariam mais. Um rico que gasta faz viver centenas de pobres.
Colbert: Então como havemos de fazer?
Mazarino: Colbert! Tu pensas como um queijo, como um penico de um doente! Há uma quantidade enorme de gente entre os ricos e os pobres: os que trabalham sonhando em vir a enriquecer e temendo ficarem pobres.
É a esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais!
Esses, quanto mais lhes tirarmos mais eles trabalharão para compensarem o que lhes tirámos. É um reservatório inesgotável.”
Portugal tem um período histórico de sessenta anos, em que a ilusão de pertencer a um Império Europeu, retirou aos portugueses a soberania fiscal. Foi a 3ª Dinastia, em que verdade seja dita, nunca chegaram os Filipes a eliminar a nossa moeda nacional.
O povo português reagiu então, porque os impostos o empobreciam e não reconheciam que a sua aplicação fosse do interesse nacional.
A revolta das Maçarocas do Porto, as Alterações de Évora, alastradas a tumultos em todas as cidades, levaram ao ambiente que culminou com a acção dos Conjurados e a Restauração concretizada no 1º de Dezembro de 1640 e ainda hoje comemorada com um feriado nacional.
A mensagem do povo, assinada simbolicamente, por Manuelinho é elucidativa e motivou a revolta e a revolução.
“Senhor, vosso Portugal
de vossos pais estimado,
hoje, em miséria fatal,
está pobre e lastimoso;
e o governo rigoroso,
que tanto o tem perseguido,
lhe nega, sendo ofendido,
o alívio de ser queixoso.
Manuelinho”
Portugal, voltou então a ser um Reino independente e soberano. Logo nos apercebemos que tínhamos potencialidades que estavam esquecidas e nunca tinham sido aproveitadas.
Ontem, como hoje, vivemos um período de ilusão, que nos conduziu ao empobrecimento e ao sacrifício….mas reagimos e vencemos.
Para sustentar a guerra da Restauração que durou quase três décadas, o novo Rei lançou um novo Imposto…a Dízima, 10 % dos rendimentos de todos os portugueses.
Na História das Nações do Mundo, este imposto tem uma particularidade e uma diferenciação.
É entre todos o único, em que não há qualquer documento histórico, qualquer notícia, de contestação.
A História repete-se…a ilusão de 1580, a que muitos membros da Corte aderiram e propagandearam, levou ao esquecimento de valores, de sentimentos dos portugueses e à sua servidão e empobrecimento. A ilusão de 1985, conduziu-nos a uma situação idêntica.
Esquecemos o que somos e esquecemos as nossas potencialidades.
A União Europeia está num dilema, que é para nós um problema de transcendente importância e gravidade. O sistema da moeda única só sobrevirá com a uniformização fiscal ou tributária, ou seja a total eliminação da nossa soberania e independência.
Em 1985, foi a adesão à Comunidade Económica Europeia que contribuiu para a consolidação da democracia portuguesa…em 2011, a Moeda única e a precipitação do Federalismo Europeu irá matar por completo a democracia portuguesa.
É hora, de voltarmos a meditar profundamente na mensagem de Manuelinho.

José J. Lima Monteiro Andrade

sábado, 18 de dezembro de 2010

VITÓRIA REAL

Em política, não existem coincidências.

Desde há alguns dias, a comunicação social tem noticiado as declarações do Duque de Bragança, referindo-se à disposição do Brasil ajudar Portugal a combater a crise económica e financeira. Enquanto alguns ignoraram totalmente a hipótese, houve quem tivesse exercido o seu "direito de troça" e ainda ontem, o nosso colega Portugal dos Pequeninos - que acusa D. Duarte de ócio! - desferiu um dos seus habituais ataques, talvez maçado pela evidente vacuidade e circunspecto mutismo de um re-candidato a certas "cooperações estratégicas" entre-palácios.

Os noticiários dizem que o governo do ainda presidente Lula da Silva, parece disposto à ajuda e que o sr. Teixeira dos Santos foi pragmático, ouvindo in loco a notícia daquela possibilidade. A compra de títulos de dívida, consiste na primeira fase e se existir vontade e competência no trato, poderemos chegar muito longe. Bem vistas as coisas, o governo português beneficia da diplomacia paralela da Casa Real, sem que isso implique qualquer tipo de despesa para os contribuintes. Gostem ou não gostem os detractores, engulam a evidência e aproveitemos a oportunidade.

A acção do cada vez mais nosso Rei, parece ter sido um factor de inegável relevo.

Estamos mesmo assim: gastamos quase 20.000.000 de Euros com Cavaco Silva - não contando com os outros três ex -, para que permaneça calado e ocasionalmente surja em cimeiras, como mero apêndice de S.M. João Carlos I de Espanha. O caríssimo ocioso residente de Belém, cada vez mais se parece com um sucedâneo do senhor Moralles e uns tantos outros de quem poucos sabem pronunciar o nome.

Definitivamente, chegámos a uma fase de transição e a par da cada vez mais estranha Europa, ressurgem outras possibilidades bem ao nosso gosto. Às montanhas com cumes nevados, os portugueses sempre preferiram praias bordejadas por coqueiros. Fazem bem.

Nuno Castelo-Branco

Fonte: Centenário da República

CUMPRIR PROMESSAS

É bom esclarecer este povo teimoso, que em Monarquia não sustentamos ex-Reis. Em Monarquia o Rei ou Rainha reinam até morrer ou abdicar e mesmo se abdicarem, vivem dos rendimentos das suas Famílias e não é o Estado que os sustentam! Era só… o que faltava!

Na republica das bananas, são os contribuintes que sustentando o Estado, também sustentam os vários ex-Presidentes, como actualmente Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio e proximamente, Cavaco Silva. Ambos com dois mandatos cada um! Façam as contas e vejam o que é melhor!

Vejam este vídeo:


Francamente, quero eu lá saber se ao chegar aos 35 anos posso ser Candidato a Presidente ou se posso eleger o Chefe de Estado. Quando uma República, como a Portuguesa é claramente e descaradamente mais cara que a Monarquia Espanhola, eu digo mas é Viva o Rei Dom Duarte! e a Monarquia Portuguesa! Qual republica qual quê… Em Monarquia também há Democracia e onde aliás, os Partidos que chegam ao Governo cumprem muito mais as promessas eleitorais do que em Portugal. No Reino Unido, só para terem uma noção a taxa de cumprimento de promessas eleitorais está acima dos 80%. Portugal estima-se que esteja à volta dos 40% – se estiver!
Alguma vez a República é credível?

Já agora aqui vai uma classificação relativa às taxas de cumprimento de promessas eleitorais:

1.º Reino Unido – 85% – Monarquia

2.º Suécia – 83% – Monarquia

3.º Nova Zelândia – 76% – Monarquia

4.º Estado Unidos – 65% – República

5.º Noruega – 60% – Monarquia

6.º França – 60% – República

7.º Itália – 58% – República

8.º Países Baixos – 57% – Monarquia

9.º Espanha – 55% – Monarquia

10.º República da Irlanda – 52% – República

11.º República Checa – 45% – República

Creio que o Exemplo de serviço que as Monarquias dão aos seus Cidadãos, gere, claramente confiança pública destes nas suas Instituições. Os Políticos, em termos gerais sabem bem qual é o seu dever e os Cidadãos também sabem qual é o seu Dever.

Quando os Políticos cumprindo o seu dever, respeitam os Direitos dos Cidadãos, o Pacto Social entre as instituições públicas e a nação, está selado na confiança. Quando tal não acontece, surgem tumultos e desconfianças que podem levar e gerar crises políticas sérias.

As Monarquias demonstram, neste sentido, serem os regimes mais estáveis onde o nível de confiança dos cidadãos nos políticos é maior. Isto aliás, até vem a propósito do Presidente Cavaco Silva, se mostrar preocupado com a falta de prestígio da nossa classe política. É necessário, tendo em conta a crise, os detentores de cargos políticos, fazerem bem as contas e olharem bem para as diferenças entre as Monarquias muito mais baratas e a República Portuguesa, cada vez mais cara, atrevo-me a dizer.

David Garcia 


Fonte: Um Passado, Um Presente e Um Futuro