sábado, 6 de novembro de 2010

O PATRIOTISMO | A DEMOCRACIA | OS "HERÓIS"

No Reino da Noruega, país que em 2009, segundo o respectivo relatório anual das Nações Unidas, foi qualificado como o mais desenvolvido do mundo em Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), teve, em 1920, por intermédio de um filho seu, o escritor Knut Hamsun, um “nobél” da Literatura. Nunca deixando de sublinhar as antigas rivalidades entre os reinos da Suécia e da Noruega, a verdade é que o autor de “Fome”, obra considerada por muitos uma obra-prima e «romance fundador da literatura moderna», recebe a célebre distinção da Real Academia Sueca.
Porém, este autor no pós-guerra foi julgado por traição à Pátria, pela sua ligação ao nazismo, sendo que desse facto resultou a consequência de ainda hoje não existir, no Reino da Noruega, nenhuma rua com o seu nome. Face a uma decisão de Tribunal, provada e transitada em julgado, parece-me justo e realista a sanção infligida sobre o escritor, por quebra com princípios elementares de um Estado de Direito, o do Patriotismo e o da Democracia. Ajuizou bem o Tribunal, procedeu bem a Nação não reconhecendo, até hoje, Hamsun como herói nacional, não obstante o seu génio e excepcionalidade no mundo da literatura moderna (visto que foi além do ser apenas mais um “Nobél”).

Sem prejuízo do exposto, no nosso modernaço Portugal republicano, também tivemos um “Nobél” da literatura. Nada que fosse da dimensão de Hamsun ou trouxesse a sua inovação (à parte de uma técnica de escrita que gerou polémica, visto que para uns escrevia com erros e para outros era “inovação e génio”). Mas os dois tinham algo em comum. Ambos simpatizavam com regimes, como direi…pouquíssimo democráticos. Um pela ex e extinta Alemanha Nazi, o outro pelo regime cubano, ainda vigente, de Fidel Castro. Ambos, ao seu modo, e pelas formas sobejamente conhecidas desdenharam as suas pátrias. Consequências?! Num caso já foi supra exposto! No outro, o do “Nobél” Saramago, as “consequências” foram: alvíssaras, prémios, honras, idolatria, e, sobretudo, uma recepção aquando do seu enterro, no país que deixou e desdenhou, no contexto da habitual tese do iberismo, inserida na sólida génese republicana, com honras de Estado…só tendo faltado a este o presidente da república, que muitos, ainda assim, criticaram, mas que não deixou de enviar um alto dignitário e representante ao “evento nacional”.
Finalizando, neste País plantado à beira Atlântico, já começo a não ficar chocado, o que já de si é gravíssimo, para uma consciência colectiva de cidadania que se quer sã, quando assisto a fenómenos como o de Aquilino Ribeiro e, neste ano, de Saramago.
Felizmente, para todos nós, há quem não se resigne e exponha a verdade nua e crua, e sem rodeios, e talvez por isso já começa a ser alvo de reconhecimentos, que poucos anos atrás, eram impensáveis.

PPA

Fonte: Incúria da Loja

HOJE É DIA DE SÃO NUNO DE SANTA MARIA

O novo Santo Carmelita de nacionalidade Portuguesa, nasceu recebendo o nome de Nuno Álvares Pereira em 24 de Junho de 1360, filho natural de D. Álvaro Gonçalves Pereira (Prior da Ordem de S. João do Hospital), e de Iria Gonçalves do Carvalhal, sendo legitimado pelo Rei D. Pedro, quando tinha apenas a idade de um ano. Já adolescente, na idade de treze anos, entrou na corte de D. Fernando, sucessor de D. Pedro e armado cavaleiro e escolhido para escudeiro da Rainha, D. Leonor Teles. Nuno gostava de ler as novelas da cavalaria, e tomou para seu modelo o cavaleiro Galaaz, predisposto a uma vida de castidade. No entanto, acabou por ceder á vontade dos pais, contraindo matrimónio com uma senhora, D. Leonor de Alvim, já viúva, do casamento resultando três filhos, sobrevivendo apenas Dona Beatriz, ou Dona Brites.

Dona Leonor veio a falecer em Janeiro de 1388, dando a Nuno Alvares Pereira as condições, por ele fortemente desejadas, para uma vida de perfeita castidade. Entretanto, adestrado nas artes de guerra, salientou-se, pela coragem e argúcia em diversos episódios bélicos, anteriores à crise dinástica de 1383-1385, crise essa determinada pelos problemas da sucessão régia, derivados da morte do rei D. Fernando. Diversos eram os pretendentes mas nenhum agradava ao povo, porque, de uma forma ou de outra, Portugal teria um castelhano por Rei, e, por isso, a preferência era dada a um filho bastardo de D. Pedro I, D. João, Mestre da Ordem de Aviz, que encontrou em Nuno o seu principal colaborador, e estratega, contra a sujeição do Reino a Castela em defesa da íntegra independência portuguesa. No triénio de 1383 a 1385 os seus sucessos de guerreiro foram ímpares, sendo nomeado Condestável do Reino. Em face das suas virtudes heróicas e religiosas, desde muito cedo recebeu do povo o título de Santo Condestável.

Sendo um guerreiro, não foi por vocação bélica, mas por defesa de valores que ele considerava primaciais: por um lado, o amor á Pátria e a lealdade ao monarca escolhido pelo povo, D. João I, por outro lado, o espírito da cruzada, face à posição de Castela, que optara pela obediência ao papa de Avinhão (durante o Grande Cisma do Ocidente), enquanto Portugal se manteve leal a Roma, de onde ter direito ao título de Nação Fidelíssima. Por conseguinte, a gesta heróica do Condestável teve em vista, de forma especial, a unidade da Igreja na obediência romana.

As virtudes militares não o levaram a esquecer as virtudes cardeais, sobretudo a caridade. São muitos os testemunhos coevos sobre a caridade que praticava com os adversários, não os considerando inimigos, mas apenas opositores. No final de várias batalhas, ele mesmo ordenava os seus militares que tratassem dos mortos e sobretudo dos adversários feridos em combate, aos quais protegia da espontânea revolta popular. Isto é: fez a guerra em nome da paz.

Ainda guerreiro, era conhecido por ser um homem de fé e de oração, raro iniciando uma peleja sem antes se recolher em oração, sem pressa de combate.

Em reconhecimento dos serviços prestados ao País e ao Reino, foi largamente premiado pelo Rei D. João I com a oferta de muitos bens, sobretudo terras e povoações, com direito a foros e outras benesses, tornando-se o homem mais rico de Portugal a seguir ao Rei.

À medida que os deveres bélicos o deixavam mais livre, e já coberto de glórias, iniciou uma nova fase de vida, em 1393, partilhando com os seus companheiros de armas algumas das numerosas terras que lhe tinham sido doadas. Preconizando para si mesmo uma vida de oração e de contemplação, iniciou, em 1389, numa das colinas de Lisboa, a construção de um convento, com Igreja de estilo gótico que chegou a ser tida como a mais bela da cidade.

Deu ao Convento o nome de Nossa Senhora do Vencimento, em acção de graças pelas suas vitórias e, poucos anos depois (decerto 1397), escolheu para habitantes do novo Convento os frades Carmelitas que, nessa época, só dispunham de uma comunidade, em Moura, no Sul de Portugal.

Para Governo e sustento da nova comunidade de Lisboa, que veio a ser a mais importante, fez a doação de um valioso património, reservando-se o direito de ser ele a administrar esse património, enquanto vivo fosse. Em 1423, celebrando-se o I Capítulo Provincial dos Carmelitas portugueses, D. Nuno fez a doação definitiva da igreja e convento de Lisboa à Ordem do Carmo, nela professando como donato, recusando mesmo o título de Frei, gostando de ser chamado Nuno, simplesmente Nuno.

Desprendido dos bens materiais, desejou realizar três intenções: mendigar o sustento pelas ruas da cidade, não consentir outro título que não fosse Nuno, e sair de Portugal para viver onde fosse desconhecido. Não foi preciso sair, porquanto D. João e D. Duarte lhe estabeleceram uma pensão para seu sustento, pensão essa que, ao fim e ao cabo, Nuno de Santa Maria distribuía pelos pobres e necessitados que á porta do convento se aglomeravam, ganhando, entre o povo, o título de Pai dos Pobres.

Afastado do estrépito das batalhas, procurando no essencial a justiça e, no resto, o amor, a sua figura faz-nos lembrar Elias e a sua espada de fogo, em defesa do Deus único e verdadeiro. A piedade, a resolução, a confiança, a fé viva, o zelo, a oração poderosa e a contemplação, já se acham na pessoa do cavaleiro, destinado a tornar-se um Galaaz, não da guerra, mas do Carmelo, procurando combater o bom combate (2 Tm., 4,7). O herói revela-se a caminho da santidade, confirmando a regra de que o verdadeiro herói é o Santo. Já antes de professar na Ordem do Carmo, que preferiu em vista do seu altíssimo culto por Maria, Mãe de Jesus, Nuno dera provas de pureza e de castidade, de silêncio e de oração, praticando as virtudes teologais e cardeais, em prova da renúncia à sedução do mundo. Todavia, os carismas que se tornam mais palpáveis são os do despojamento e da pobreza. Desprende-se de toda a propriedade material, torna-se pobre e vive como pobre para os pobres. Assim o viu o autor da Crónica do Condestável: “apartou-se a servir a Deus em estado de pobre”. Uma opção de radical significado, algo fundamentada na dialéctica pobreza/riqueza, em que assumiu serem, os pobres, o tesouro dos ricos.

Frequentando os sacramentos, o seu cordial amor pela Virgem do Monte Carmelo levou-o a promover o culto mariano, mediante a devoção pelo significado do Escapulário. Com efeito, começou por convidar pessoas do seu conhecimento, tanto nobres como pobres, a reunirem-se para a prática devocional do Escapulário, dando origem à primeira Confraria de Leigos em Lisboa, chamada “Confraria do Bentinho”, origem da futura Ordem Terceira Secular. Foi, portanto, um pró cere militante, ou mesmo fundador, do movimento do laicado carmelita.

Três ideais distintos definem o perfil de São Nuno: a imitação de Galaaz, em defesa das causas nobres, da justiça e da paz; o amor à terra dos seus, a Pátria; e, por fim, a absoluta imersão na vida religiosa, sempre motivada por uma razão transcendente, resumida no ideal do serviço de Deus. Beatificado em 1918, pelo Papa Bento XV, é agora canonizado pelo Santo Padre Bento XVI, deste modo se confirmando tanto a antiguidade do culto como o provado exercício das virtudes heróicas.

Modelo para a Juventude, servo dos pobres, o seu exemplo desafia os tempos modernos para ser imitado, ao menos na essencial prática, a caridade activa, expressa na Obra intitulada “Caldeirão do Beato Nuno”, destinada a auxiliar os mais necessitados. A canonização servirá, não só para dispor a sua imagem nos altares, mas também, e sobretudo, para um novo desafio, porventura a expressar na associação de toda a Família Carmelita, (abrangendo as Ordens, os sodalícios das Ordens Terceiras e as Confrarias Populares), associação essa destinada a bem fazer a favor dos pobres, incluindo os muitos dos povos lusófonos em busca de saúde e do modo de vida. Ou seja: renovar a opção pelos pobres e sedentos de pão, de caridade e de justiça.

Jesué Pinharanda Gomes

SÃO NUNO DE SANTA MARIA, ROGAI POR NÓS E PELA NOSSA PÁTRIA!


sexta-feira, 5 de novembro de 2010

POSSE DA DIRECÇÃO DO NÚCLEO DA COSTA DO ESTORIL

Tomou posse no dia 29 de Outubro a primeira direcção do Núcleo da Costa do Estoril da Real Associação de Lisboa, que abrange os concelhos de Cascais e Oeiras, presidida pelo Engº José Paulo Serra Pinto.
Perante várias dezenas de pessoas, associados da R.A.L. , simpatizantes, membros da Direcção da Real Associação e dirigentes locais do PPM, os novos membros da Direcção assinaram o acto de posse, presidido pelo Presidente da Real Associação. No uso da palavra, João Mattos e Silva, depois de referenciar a política de descentralização e aproximação aos monárquicos nos vários concelhos, disse que o trabalho de esclarecimento dos portugueses “ tem de ser como que um apostolado: pelo exemplo, pelas acções, pela palavra. Junto dos que nos rodeiam. Nas famílias, nos grupos humanos onde nos inserimos, nos locais de trabalho, nas escolas, nas associações, nos clubes a que pertencemos. Trabalho que não é fácil, que não dá resultados imediatos, que é, essencialmente, o lançar da semente à terra para que, quando o tempo da colheita chegar e estou certo de que vai chegar mais cedo do que muitos julgam, se possa fazer a colheita.”.
Seguiu-se um jantar que reuniu mais de oitenta monárquicos.

Fonte: Real Associação de Lisboa

S.A.R., A SENHORA DUQUESA DE BRAGANÇA NO PORTO COM O REALIZADOR MANOEL DE OLIVEIRA

S.A.R., A Senhora Dona Isabel e o Realizador Manoel de Oliveira, deslocaram-se ao Porto no dia 28 de Outubro passado, para darem mais uma vez apoio ao Projecto "Um lugar para o Joãozinho", projecto esse de elevada responsabilidade e solidariedade social, no sentido de angariação de fundos que permitam a construção do novo Hospital Pediátrico do Hospital de São João, no Porto.
 No pátio, com Manoel de Oliveira e Joãozinho
S.A.R., A Senhora Dona Isabel, Manoel de Oliveira e mulher, Sra. D. Isabel de Oliveira. Atrás, um belo quadro "Sagrado Desejo" da autora Maria Augusta Araújo.
De visita à Loja do Chá "Mùi Concept", com a Sra. D. Maria José Ramos, uma grande simpatizante da Família Real.
Com a dona da Loja do Chá, Sra. D. Thuytien, nora de Manoel de Oliveira, e Sra. D. Maria José Ruas.
(Clique nas imagens para ampliar)


quinta-feira, 4 de novembro de 2010

LIBERDADE DE EXPRESSÃO, REPÚBLICA E MONARQUIA

(Fonte: Real Associação do Médio Tejo)

FEIRA DE SÃO MARTINHO (DESDE 1571)

O lugar de Golegã outrora pertença da Vila de Santarém, foi elevado à categoria de Vila por carta de D. João III, datada de 3 de Novembro de 1534. Segundo vários autores, a Vila da Golegã teve origem no tempo de D. Afonso Henriques ou de D. Sancho I, quando uma mulher natural da Galiza e que residia em Santarém veio estabelecer-se com uma estalagem neste local. Que a Golegã já existia no século XV, parece não haver dúvidas, bem como depois de se haver estabelecido nela a dita Galega, ter passado a denominar-se Venda da Galega, Póvoa da Galega, Vila da Galega e mais tarde por corrupção de linguagem, "Golegã". A par da importância do lugar em que se situa, a região da Golegã detinha uma das maiores riquezas: um solo fértil: A fama das suas terras chamou muito povo a si, como grandes agricultores e criadores de cavalos. Dos tempos mais remotos vêm alusões à região, à Quinta da Cardiga que em 1169 foi dada por D. Afonso I à ordem do Templo para arroteamento e cultivo. De século para século foi a mesma sendo doada a outras ordens e, a partir do século XIX, comprada por diversos grandes agricultores. A partir de 1833, e com o apoio dado pelo Marquês de Pombal, a feira começou a tomar um importante cariz competitivo, realizando-se concursos hípicos e diversas competições de raças. Os melhores criadores de cavalos concentravam-se então na Golegã.
No século XIX, com base na valorização agrária da região, a Golegã voltou a ter grande importância para o que muito contribuíram as figuras de dois grandes agricultores e estadistas: Carlos Relvas, fidalgo da Casa Real, grande amigo do Rei, comendador, lavrador, artista, proprietário de diversos estabelecimentos agrícolas e de dois palácios (onde por várias vezes hospedou a Família Real). Em meados do século XVIII, teve o seu começo a Feira da Golegã, chamada até 1972 Feira de S. Martinho, data a partir da qual passou a denominar-se Feira Nacional do Cavalo. É a Feira Nacional do Cavalo a mais importante e mais castiça de todas as feiras que no seu género se realizam em Portugal e no mundo. Aqui se apresentam todos os criadores, com os seus belos exemplares, razão pela qual, se transaccionam na Golegã, os melhores puro-sangue, criados no País, que são vendidos para vários pontos do globo. A Golegã há muito que passou a ser a Capital do Cavalo. O dia de S. Martinho, de feira que foi, passou ao mais belo e único espectáculo equestre público que se realiza a nível gratuito entre nós. Ralies, Raids, Jogos Equestres, Campeonatos, Maratona de Carruagens, Exibições, são alguns dos mais belos espectáculos que na Golegã se realizam na sua apresentação do mais belo animal do mundo que é o cavalo. E para complemento da festa justificando o adágio popular que, "Pelo S. Martinho prova o Vinho", não faltarão a água-pé e as sempre apetecidas castanhas assadas.