domingo, 5 de setembro de 2010

O REI E A MONARQUIA EM PORTUGAL (Texto da Causa Real de 1995)

O REI E A MONARQUIA COMO ELEMENTOS FUNDAMENTAIS

O Rei constitui um símbolo de unidade nacional e elemento de agregação, não só para os portugueses residentes no território nacional, mas também para todos os que se encontram espalhados pelo Mundo, podendo falar-se – mais do que de um Rei de Portugal, de um “Rei dos Portugueses”.

Com a evolução no sentido duma progressiva diminuição do controle dos Estados sobre os seus territórios, o Rei e a Monarquia constituem elementos imprescindíveis.

Cada vez mais, só o Rei poderá naturalmente representar o povo português, não tanto na governação ou no exercício do poder do Estado, mas sobretudo num sentido humanizado e personalizado de permanente representação da Nação, sem o que Portugal ficará diminuído face a outros parceiros europeus que beneficiam da Monarquia.

O REI E A FAMÍLIA REAL

O Rei é o Chefe da Casa de Bragança, sendo esta a representação visível da comunidade portuguesa e continuadora da sua dinastia histórica.

O Rei e a Família Real simbolizam, assegura e potenciam a livre afirmação da identidade do povo português enquanto tal e nas suas diversidades, bem como o exercício dos seus direitos, liberdades e garantias.

O Rei e a Família Real têm obrigações específicas, devendo colocar os interesses nacionais acima dos seus interesses particulares.

PRINCÍPIOS DA MONARQUIA

A Monarquia caracteriza-se pela circunstância de o Rei, chefe natural e hereditário da Nação, ser também o Chefe do Estado, e baseia-se nos seguintes princípios:

• A Monarquia tem a sua legitimidade na livre vontade da comunidade nacional e existe para a servir.

• O Rei está acima de quaisquer grupos, partidos políticos ou interesses particulares,simbolizando e garantindo a continuidade e independência da Nação e a unidade do Estado.

• A Monarquia é independente do sistema de governo.

• Existem no Estado diversos órgãos de poder, cabendo ao Rei, entre outras funções, o exercício do poder arbitral e moderador, garantia do funcionamento harmonioso das instituições.

FUNCIONAMENTO DA MONARQUIA

Em Monarquia, o funcionamento da Instituição Real faz-se de acordo com as leis fundamentais, estabelecidas pelos representantes da comunidade nacional.

As leis fundamentais regulamentarão em detalhe, entre outros, os seguintes aspectos:

a) Direitos e obrigações do Rei como Chefe de Estado

• O Rei representa o Estado perante a Nação e perante a comunidade internacional

• O Rei é detentor dos poderes específicos que lhe forem atribuídos pela comunidade nacional e pelos órgãos legítimos do Estado

• O Rei arbitra entre os diversos órgãos do Estado

b) Restrições ao poder do Rei

• O Rei só adquire o estatuto inerente à sua função após a aclamação pelos representantes da comunidade nacional.

• O exercício da Chefia do Estado é fiscalizado pelos competentes órgãos de poder.

• Existe uma separação clara entre o património público, pertencente à Nação, o património particular, pertencente à Família Real e os bens e meios colocados ao serviço desta pelo Estado.

c) Titularidade da Chefia do Estado

• A sucessão na Chefia do Estado processa-se de acordo com o princípio hereditário e no respeito pelas regras da nacionalidade, da legitimidade, da representação e da primogenitura.

• O casamento dos membros da Família Real até determinado grau de parentesco é matéria de interesse público, podendo ser causas de perda dos seus direitos dinásticos.

• O Rei pode renunciar aos seus direitos e obrigações, pode abdicar ou pode anda perder os seus poderes por impedimento temporário ou definitivo.

• Nos casos de impedimento do Rei ou de menoridade do herdeiro da Coroa, haverá lugar a uma Regência.

BENEFÍCIOS DA INSTITUIÇÃO REAL

A existência da Instituição Real traz para o país vantagens evidentes, sendo de destacar as seguintes:

• O Rei e a Família Real constituem um elemento de agregação para todos os portugueses, incluindo os que se encontram espalhados pelo Mundo e seus descendentes.

• O Rei personifica e simboliza a soberania da Nação, assim como o passado colectivo e a herança cultural dos portugueses

• O Rei representa, para além do Estado, a Nação, assegurando a sua identidade no quadro internacional.

BENEFÍCIOS DA MONARQUIA

A Monarquia é um elemento fundamental na organização do Estado, trazendo consigo inúmeros benefícios:

• Permite ter um Chefe de Estado independente do apoio de interesses ou grupos de pressão políticos, económicos ou de qualquer outra natureza.

• Permite que a Chefia do Estado seja exercida por uma pessoa com preparação prévia e adequada para o efeito.

• Constitui obstáculo à formação de regimes ditatoriais, dado basear-se na moderação e no equilíbrio entre os diversos órgãos de poder.

• Favorece a estabilidade política, por o Rei constituir um factor de unidade na diversidade e de garantia de continuidade.

• Constitui uma forma de organização política mais económica do que a República, uma vez que elimina os elevados custos das eleições presidenciais e as despesas com regalias atribuídos a antigos Chefes de Estado.

(Fonte: Real Associação do Porto)

HISTORIADOR FILIPE RIBEIRO DE MENESES LANÇA NOVA BIOGRAFIA DE SALAZAR

A restauração da monarquia em Portugal durante o Estado Novo foi travada pela divisão dos monárquicos, pelas ´muitas correntes ideológicas´ a que o regime tinha de atender mas também pelo próprio Salazar, que ´não podia admitir tal coisa´.
A tese é defendida, em declarações à agência Lusa, pelo historiador português Filipe Ribeiro de Meneses, autor da obra ´Salazar´, a mais recente biografia do político português António Oliveira Salazar, cuja edição portuguesa chegará às livrarias na próxima semana.
Para o investigador da University of Ireland, a tese de que foi Salazar quem comprometeu a possibilidade de restauração da monarquia é alimentada pela ideia de ´que Portugal poderia ter seguido o exemplo espanhol´.
´Em Espanha, Francisco Franco pôde — muito lentamente, e controlando de perto o ritmo dos acontecimentos — restaurar a monarquia. Fê-lo, porém, após a guerra civil de Espanha, durante a qual o republicanismo espanhol foi destroçado. Franco tinha apenas de gerir a oposição de certos elementos falangistas à ideia monárquica e controlar o desejo de protagonismo do herdeiro ao trono, o príncipe D. Juan´, disse.
No caso de Portugal, porém, ´a situação era bem diferente´.
´O Estado Novo, saído da Ditadura Militar iniciada em 1926, continha — como a própria Ditadura — muitas correntes ideológicas. Os monárquicos (também eles divididos) eram uma facção importante, mas minoritária. Salazar precisava de manter a ilusão da possibilidade do regresso da monarquia, através de gestos simbólicos´, referiu.
O regresso dos restos mortais de D. Manuel II e, mais tarde, de D. Miguel, a importância prestada à família de D. Duarte Nuno a partir dos Centenários de 1940 foram gestos destinados a ´garantir o apoio´ da facção monárquica.
Mas Salazar ´não podia ferir directamente a opinião republicana maioritária´ — ´em Espanha o Exército era monárquico; em Portugal não o era´, observou.
´Por outras palavras, a restauração da monarquia não estava ao alcance de Salazar, mesmo se a quisesse efectuar — mas ele não podia admitir tal coisa´, comentou.
Ao longo de cerca de 800 páginas, o historiador português retrata outros aspectos da vida do homem cuja figura se confunde com o próprio Estado Novo.
Da investigação, que foi lançada no final do ano passado nos Estados Unidos em primeira mão, resulta ainda a não existência da ´menor indicação de que Salazar tenha hesitado quanto ao caminho a seguir em relação ao Ultramar´.
´Houve reformas administrativas, claro está, abriram-se as colónias ao investimento estrangeiro e deu-se a criação do Espaço Económico Português: mas a palavra de ordem era resistir. Havia condições, julgou Salazar, para isso: podia-se incluir a guerra colonial no contexto da Guerra Fria, desenvolvendo-se assim um discurso de defesa do Mundo Ocidental, mesmo que contra a vontade deste´, argumentou o historiador.
A ´posição de força´ em que o regime estava foi, no entanto, sobrestimada por Salazar, ´ignorando as consequências de um possível (ou provável, no entender do resto do mundo) fracasso´.
O investigador português considerou ainda que Salazar se absteve de apontar um sucessor porque a escolha ´de um favorito´ apontaria ´o fim da sua carreira política´.
´Mesmo assim o Estado Novo resiste, e tem estabilidade suficiente para resolver o problema da sucessão, escolhendo-se alguém tido como o mais capaz de todos os candidatos´, apontou Filipe de Meneses, considerando que nenhum sucessor teria conseguido fazer evoluir um regime que perdeu a capacidade de se adaptar e ´cristalizou´ – vulnerabilizando-se – com a guerra colonial. 

(Fonte: DN e Causa Monárquica)

sábado, 4 de setembro de 2010

II CONGRESSO - "OS MARES DA LUSOFONIA 2010"

Em Setembro de 2008, sob a égide da Fundação D. Manuel II, e no âmbito das iniciativas para assinalar o centésimo aniversário do falecimento do Rei D. Carlos, foi organizado um Congresso subordinado à temática "Os Mares da Lusofonia", reunindo, num espaço de debate alargado, personalidades de saberes multidisciplinares no âmbito das Ciências do Mar. Tendo este Congresso registado assinalável e reconhecido interesse, ficou estabelecido que se passaria a realizar de dois em dois anos, com a denominação de "Jornadas D. Carlos", se possível rotativamente, nos diversos países lusófonos.

Mantém-se como objectivo destas II Jornadas, de 2010, contribuir para o alargamento e para a disseminação dos conhecimentos científicos relativos ao uso dos espaços marítimos e encontrar áreas comuns de cooperação, que potenciem o desenvolvimento das "economias do mar" dos diversos países de expressão portuguesa. No passado, os oceanos foram parte importante no intercâmbio de culturas, pessoas e bens entre os países lusófonos. Hoje, e no futuro que se avizinha, as áreas marítimas sob jurisdição de cada um destes países são tão vastas, que cada país, por si só, terá dificuldade em explorar e tirar delas o usufruto que podem e devem proporcionar. O Mar representa assim para os Países Lusófonos um factor muito importante para as respectivas economias, e trabalhar em conjunto faz todo o sentido e tem a maior a oportunidade.

Pretende-se, assim, viabilizar em 21 e 22 de Outubro uma reflexão acerca da valia dos Mares e das Plataformas Continentais destes países nas vertentes estratégica e política, jurídica, ambiental, científica e tecnológica, e económica.

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OPINIÃO DE S.A.R., DOM DUARTE SOBRE O CONGRESSO

É com muita satisfação que a Fundação Dom Manuel II e eu pessoalmente acolhemos, promovemos e patrocinamos esta II Edição do Congresso dos Mares da Lusofonia.

O primeiro Congresso teve lugar no âmbito do Centenário da Morte do Rei Dom Carlos e graças ao excelente trabalho dos seus organizadores e às valiosas contribuições de todos quanto nele participaram, teve um reconhecido sucesso.

Face ao interesse geral manifestado e convicto da importância que o tema do Mar representa para todo o Universo Lusófono, sugeri que este Congresso se realizasse de dois em dois anos.

Na verdade, para todos os países lusófonos, o Mar tem uma importância primordial e crescente do ponto de vista económico, científico e da segurança e defesa. Foi também pelo Mar que os nossos povos se encontraram e a nossas culturas se enriqueceram e, felizmente, continuarão a enriquecer mutuamente.

No entanto, creio que um dos aspectos mais importantes na actualidade será aprendermos a utiliza-lo de um modo responsável pondo termo, rapidamente, às atitudes criminosas e irresponsáveis que levam à destruição da biodiversidade marítima, ou seja, da possibilidade de continuar a ser uma fundamental fonte de recursos para a Humanidade.

Torna-se urgente consciencializarmo-nos sobre a importância deste assunto e corrigirmos as más práticas que se têm verificado, das mais simples, como os milhões de sacos de plástico com que todos nós contribuímos para a sua poluição até aos desastres ecológicos que, em grande ritmo, se sucedem por todo o Mundo com consequências catastróficas, passando pelo modo criminoso como a pesca de arrasto de fundo vai destruindo os recursos piscícolas.

As instituições responsáveis, nacionais e internacionais, têm que ser mobilizadas para que os nossos netos possam ainda aproveitar destas benesses que a Natureza generosamente oferece ao Homem.

Estou convencido que este II Congresso dará uma boa contribuição neste sentido. Por isso, agradeço muito sinceramente a todos quantos se deslocarem de longe para connosco partilhar o seu conhecimento e o seu entusiasmo por esta causa.

Dom Duarte de Bragança

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SOBRE O CONGRESSO E LOCALIZAÇÃO


O Congresso será constituído por uma conferência de abertura, cinco painéis temáticos e uma conferência de encerramento evocativa de El Rei D. Carlos. As conferências terão uma duração de cerca de trinta minutos. Os painéis, cada um deles conduzido por um moderador, terão quatro a seis oradores, tendo cada intervenção uma duração máxima de quinze minutos. No final de cada painel poderá haver um curto período para esclarecimentos e debate. Em complemento de cada painel terá lugar uma reunião de trabalho, em formato "workshop", entre o moderador, os oradores de cada painel e outros especialistas, assistidos por elementos da "Comissão Organizadora", onde serão analisadas as intervenções efectuadas e outros textos relativos ao tema, recolhidos, por exemplo, através deste "site".

O objectivo será procurar áreas de convergência e sínteses conclusivas relativas às matérias abordadas. Os temas dos painéis, tendo como pano de fundo a Extensão da Plataforma Continental nos Mares da Lusofonia, serão os seguintes:

I- A extensão da plataforma continental; "ponto de situação"
II - Implicações politicas e de segurança
III - Aspectos jurídicos
IV - Ambiente, investigação cientifica e tecnologia
V - A valia económica do fundo do mar

Os objectivos do congresso passam por contribuir para o alargamento e para a disseminação dos conhecimentos científicos relativos ao uso dos espaços marítimos e encontrar áreas comuns de cooperação, que potenciem o desenvolvimento das “economias do mar” dos diversos países de expressão portuguesa. No passado os oceanos foram já parte importante no intercâmbio de culturas, pessoas e bens entre os países lusófonos; hoje, e no futuro que se avizinha, as áreas marítimas sob jurisdição de cada um destes países representam um factor extremamente importante para o seu desenvolvimento e para a sua economia. O conjunto das suas Zonas Económicas Exclusivas têm uma área de cerca de sete milhões de quilómetros quadrados e cobrem significativa porção do Oceano Atlântico e estendem-se pelos Oceanos Indico e Pacifico. São áreas imensas, que cada país, por si só, terá dificuldade em explorar e tirar o usufruto que elas podem e devem proporcionar. Mas, em conjunto, será possível contribuir para o alargamento e para a disseminação dos conhecimentos científicos e encontrar espaços comuns de cooperação. Com este Congresso pretendeu-se assim viabilizar uma reflexão acerca da valia dos mares dos países de expressão lusófona nas vertentes estratégica, ambiental e económica e ainda enquanto plataforma de aproximação e comunicação entre povos e culturas.

Quando - Este congresso decorrerá nos dias 21 e 22 de Outubro de 2010 e constituirá um evento significativo do mundo lusófono e a oportunidade de demonstrar os impactos directos que o mar tem nas economias e nos cidadãos.

Localização - O Congresso "Os Mares da Lusofonia" terá lugar no Centro Cultural de Cascais que encontra-se instalado na "Casa Cor-de-Rosa", antigo Convento de Nossa Senhora da Piedade, datado do século XVI, acolheu a ordem religiosa dos Carmelitas Descalços. O convento foi adquirido pelo Visconde da Gandarinha em meados do século XIX, que o doou à Câmara Municipal de Cascais. Em 1994 foram iniciadas obras de restauro do edifício no sentido de aí vir a instalar um centro cultural.Inaugurado em Maio de 2000, é hoje um espaço multidisciplinar, com excelentes áreas para a realização de exposições e agradáveis zonas de lazer.

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COMISSÃO DE HONRA

Em 21 e 22 de Outubro de 2010 será realizado novo encontro, que terá lugar no Centro Cultural de Cascais, cujo Município, bem como a CPLP, manifestaram todo o interesse em apoiar e colaborar nesta iniciativa.

Este evento, que será denominado II Jornadas D. Carlos - Mares da Lusofonia, tem o alto patrocínio do Senhor Dom Duarte de Bragança e os apoios da Fundação D. Manuel II, da Câmara Municipal de Cascais e do Secretariado Executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Uma Comissão de Honra, presidida pelo Prof. Dr. Adriano Moreira integra várias personalidades de destaque dos diversos países lusófonos. A Comissão Cientifica é presidida pelo Prof. Dr. Manuel Braga da Cruz e constituída por personalidades de reconhecido mérito e valia científica. Para a concepção e execução das Jornadas, a Fundação D. Manuel II nomeou uma Comissão de Organização, presidida pelo Sr. D. Nuno van Uden, da qual emana um Núcleo Executivo, chefiado pelo V/Alm. Alexandre da Fonseca, que assegura o estabelecimento de contactos e as necessárias actividades de coordenação.

Para mais informações, consultar: http://www.maresdalusofonia.net/

(Fonte: Blogue "Família Real Portuguesa")

15 DE OUTUBRO DE 1942, PETRÓPOLIS (BRASIL): CASAMENTO DE S.A.R. O SENHOR DOM DUARTE NUNO DE BRAGANÇA COM A PRINCESA DONA MARIA FRANCISCA AMÉLIA VITÓRIA TERESA ISABEL DE ORLEANS E BRAGANÇA


Casamento precedido do Casamento Civil realizado na Embaixada de Portugal no Rio de Janeiro a 13 de Outubro

O chefe da Casa Real Portuguesa, neto de El- Rei D. Miguel. une-se a uma Princesa da Casa Imperial Brasileira, trineta do Imperador D. Pedro I. Este é um casamento que liga dois ramos da mesma família, separados há mais de um século. Duas Casas Reais divididas pelo Atlântico e pela história voltam a ter laços comuns. Ratifica-se um volte-face histórico, unindo as Casas Real de Portugal e Imperial do Brasil, após uma cisão separatista e uma terrível e sangrenta guerra civil.


Para melhor sublinhar os sinais de pacificação, a senhora D. Maria Francisca convida para sua madrinha a Rainha D. Amélia de Orleans e Bragança, a última sobrevivente da linha constitucional da Casa Real portuguesa. Fotógrafo: n/i! 338x170 mm l CEN


Os senhores Duques de Bragança, no seu cortejo nupcial, percorrem a nave da Igreja Catedral de São Pedro de Alcântara, em Petrópolis, próximo da cidade de Rio de Janeiro.


O casamento torna-se um acontecimento público e uma enorme multidão congestiona todo o exterior do templo, cuja primeira pedra fora colocada em 1876 pelo Imperador D. Pedro II, bisavô da noiva.


«E chegou o dia da cerimónia nupcial. Não conseguiu a chuva que abundantemente caiu, afastar os milhares de curiosos que desde pela manhã haviam tomado posição junto da Catedral e nas ruas que a circundam. Esta multidão aclamou entusiasticamente os Príncipes. A igreja apresentava um aspecto deslumbrante de luzes e de flores. Pendentes das duas colunas centrais que sustentam a abside, dois formosos painéis com as armas reais de Portugal e as armas imperiais brasileiras, Ao som de uma marcha nupcial o cortejo deu entrada no templo aonde se encontravam as individualidades de maior categoria do país irmão e da nossa colónia no Brasil. À frente o Eng.° José Cortês atrás do qual seguiam o Conde de Pombeiro, o Dr. Américo de Oliveira e Castro, o Conde da Covilhã, o Dr. Manuel Mota Maia, Sebatião de Carvalho Daun e Lorena (Pombal), o Dr. Orlando Guerreiro de Castro, Luís de Albuquerque d'Orey e o Dr. Mário Cardoso de Miranda.

Um pouco distanciados seguiam o Conde de Castro e o Barão de Saavedra e o Conselheiro Camelo Lampreia,

Finalmente a Princesa noiva que dava o braço a seu irmão, o Príncipe D. Pedro de Orleães e Bragança; o Senhor D. Duarte, que conduzia a Princesa D. Isabel, mãe da noiva, e a Senhora Infanta D. Filipa de Bragança, que tinha como braceiro o Príncipe D. João de Orleães, irmão da noiva; depois vinha a Princesa D. Teresa Maria de Orleães, irmã da noiva, que dava o braço ao Conde de Almada e Avranches. Fechavam o cortejo a Baronesa de Saavedra e D. Maria Luísa Maia Monteiro. Serviu de caudatário, o coronel Cândido Torres Guimarães.

Na capela-mor, tomaram os Noivos lugar sob um rico docel encimado pela Coroa Real Portuguesa, ficando os restantes Príncipes em cadeiras colocadas ao lado do Evangelho e junto do trono episcopal. Ao lado esquerdo, no cruzeiro, encontravam-se a esposa do Presidente Vargas, a esposa do Ministro das Relações Exteriores, Dr. Oswaldo Aranha, o Ministro Salgado Filho e os Prefeitos do Rio-de-Janeiro, Dr. Henrique Dodsworíh, e de Petrópolis, D.r. Mário Melo Franco.

Na tribuna do corpo diplomático tomaram lugar o Núncio de Sua Santidade, Mons. Aloísio Masella, o Embaixador dos E. U. A., Jefferson Caffery, a Embaixatriz de Inglaterra, Lady Grace Charles, o Embaixador do Peru, Jorge Prado, a Embaixatriz de Portugal, D. Alexandra Nobre de Melo, o Ministro da França, Conde de Saint-Quentin, o Ministro do Canadá, Jean Dery, o Ministro da Dinamarca, V. de Janestead, o Ministro da Suécia, Weidal, o Ministro da Polónia, Tadeu Showrouski, etc.

Foi celebrante, no impedimento do Cardeal Leme já acometido da doença que o havia de vitimar, o Bispo de Niterói, D. José Pereira Alves, acolitado pelo Arcipreste de Petrópolis, Mons, Francisco Gentil Costa e pelo Prior da Ermida Portuguesa de Nossa Senhora da Penha, Mons. Alves da Rocha,Comovidamente, o ilustre Prelado, depois de abençoar os Régios Noivos, dirigiu lhes estas palavras:

«Quisestes apenas uma festa íntima, mas essa festa resultou muito mais ampla do que numa união, num acto de fraternidade de duas estirpes ilustres, porque tocou os sentimentos fraternais de nossas duas pátrias.

Construístes um reino que é o mais feliz de todos — o da vossa família. Um reino de perpétua e humana ventura.

Já tivestes a bênção do nosso Santíssimo Padre, o Papa Pio XII. A bênção do Santo Padre será a garantia da vossa felicidade perpétua».

Com efeito, na véspera do seu casamento, o Duque de Bragança recebera este telegrama :

«Sua Alteza Real o Príncipe Duarte Duque de Bragança — Petrópolis.

Na ocasião do próximo casamento de Vossa Alteza Real com sua Alteza Maria Francisca de Orleães Bragança Sua Santidade envia-vos de todo o coração a bênção apostólica implorando a graça da protecção divina para o vosso lar

Cardeal Maglione»

Finda a cerimónia teve lugar uma recepção de gala no Palácio do Grão-Pará, tendo todos os convidados desfilado perante os Duques de Bragança, para assim apresentarem aos Augustos Noivos, as suas homenagens e felicitações. Depois desta recepção foi servido um lauto banquete, a que se seguiu a assinatura da acta da cerimónia que é do teor seguinte :

«Aos quinze dias do mes de Outubro do ano da graça de mil e novecentos e quarenta e dois, às onze e meia horas, na Igreja Catedral de São Pedro de Alcântara, nesta cidade de Petrópolis, depois de habilitados canonicamente, por palavras de presente na forma ritual, em presença do Eminentíssimo Senhor Cardeal Arcebispo Dom Sebastião Leme da Silveira Cintra e de transmitida a bênção apostólica aos Augustos Nubentes, enviada pelo nosso Santíssimo Padre gloriosamente reinante, perante Deus receberem em matrimónio Sua Alteza Real o Príncipe Senhor D. Duarte Nuno Fernando Maria Miguel Gabriel Rafael Francisco Xavier Raimundo António, Duque de Bragança, bailio e Grã-Cruz da Ordem Soberana de Malta, e Sua Alteza Imperial e Real a Princesa D. Maria Francisca Amélia Luísa Vitória Teresa Elisabeth de Orleães e Bragança; Ele português, com trinta e cinco anos de idade, nascido e baptizado no Castelo de Seebenstein a vinte e três de Setembro de mil novecentos e sete, filho legítimo de Sua Alteza Real o Duque D. Miguel de Bragança e de Sua Alteza Real a Princesa Dona Teresa de Lowenstein-Werthein-Rosemberg, Duquesa de Bragrança; Ela, brasileira, com vinte e oito anos de idade, nascida e baptizada no Castelo de Eu a 8 de Setembro de 1914, filha legítima de Sua Alteza Imperial e Real o Píncipe do Grão-Pará, Senhor D. Pedro de Alcântara Luís Filipe de Orleães e Bragança e de Sua Alteza Imperial e Real a Princesa D. Elisabeth de Orleães e Bragança.


Logo após o casamentp, Sua Excelência Reverendíssima o Senhor D. José Pereira Alves, bispo diocesano, celebrou a missa «.Pró Sponso et Sponsa» recebendo Suas Altezas Reais as bênçãos nupciais e dirigindo-se após á Capela imperial, onde oraram perante os túmulos de Suas Majestades o Imperador e a Imperatriz,


Foram padrinhos, por parte do Augusto Noivo, Sua Alteza Real o Infante Dom Juan Carlos Teresa Silvedo Afonso de Bourbon, Príncipe das Astúrias, bailio e Grã-Cruz da Ordem soberana de Malta, Cavaleiro da Ordem do Tosão de Ouro, representado por Sua Excelência o Senhor D. Lourenço de Jesus Maria José Vaz de Almada, 4.° Conde de Almada e 16.° Conde de Abranches, e Sua Alteza Real a Senhora D. Filipa de Bragança, Infanta de Portugal; por parte da Augusta Noiva, Sua Majestade a Rainha viúva de Portugal, a Senhora D. Amélia, nascida Princesa de França, representada pelo antigo ministro de Sua Majestade Fidelíssima, Sua Excelência o Senhor Conselheiro João de Sá Camelo Lampreia, e Sua Alteza Real o Príncipe Henrique Roberto Ferdinando Maria de Orleães, Conde de Paris, representado por Sua Alteza Imperial e Real o Príncipe D. João Maria Filipe Gabriel de Orleães e Bragança.


E, para constar, eu, Monsenhor Francisco Gentil Costa, arcipreste, lavrei este termo que vai assinado pelo Reverendíssimo Prelado e Augustas Pessoas presentes e subscrito em três vias que serão arquivadas no arquivo paroquial, no arquivo da Casa Imperial e no arquivo da Casa de Bragança, sendo a segunda via entregue em mão de Sua Excelência o Senhor Coronel Cândido Torres Guimarães que nas cerimónias serviu de camarista de Sua Alteza Imperial Nubente, e a terceira a Sua Excelência o Senhor João António Gomes de Castro, 4.° Conde de Castro, que nas mesmas cerimónias serviu de camarista de Sua Alteza Real Nubente».

Esta memorável viagem ao Brasil, terminou a 28 de Outubro, data em que os Duques de Bragança, abandonaram a cidade brasileira do Natal, a mesma encantadora cidade que alguns meses antes tinha recebido tão gentilmente o Senhor D. Duarte.»

("O Duque de Bragança", Manuel Bettencourt e Galvão)

Foto do noivado


50 MEDIEVAL CASTLES & FORTRESSES FROM PORTUGAL

BANDEIRA MONÁRQUICA HASTEADA NO PONTO MAIS ALTO DE PORTUGAL

O presidente do PPM, Paulo Estêvão, iniciou esta sexta-feira de manhã a subida à Montanha do Pico, nos Açores, onde pretende desfraldar a bandeira da Monarquia Constitucional, depois de ultrapassados os constrangimentos meteorológicos que atrasaram a escalada.

Nesta subida, Paulo Estêvão está acompanhado pelo vice-presidente do partido, Gonçalo da Câmara Pereira, e por um grupo de jovens.

A comitiva monárquica tinha previsto iniciar a subida ao ponto mais alto de Portugal às 02:00, mas foi obrigada a atrasar a iniciativa depois de o Governo Regional dos Açores ter encerrado o acesso à Montanha do Pico, alegando “grande instabilidade meteorológica”.

Na sequência desta decisão, o PPM emitiu um comunicado em que manifestava estranheza, frisando que as condições meteorológicas permitiam a subida.

Contactada pela Lusa, fonte do Instituto de Meteorologia afirmou que o estado do tempo na Montanha do Pico durante a noite e madrugada se caracterizou pela ocorrência de aguaceiros e alguma nebulosidade.

Durante a manhã, segundo aquela fonte, há condições para a ocorrência de aguaceiros fracos, apontando para uma melhoria do estado do tempo a partir do final da manhã.

Para sábado, a previsão do tempo no Pico é de céu pouco nublado, com boas abertas.

O PPM pretende colocar a bandeira da Monarquia Constitucional no topo do Pico em homenagem ao “sistema político que criou a democracia portuguesa”, assinalando também os 65 anos do fim da II Guerra Mundial.

(Fonte: Causa Monárquica )