sábado, 28 de agosto de 2010

REVISÃO CONSTITUCIONAL - UMA OCASIÃO QUE NÃO PODE SER PERDIDA

Os poucos republicanos convictos da imprescindibilidade do regime para a manutenção da democracia e o alcance do progresso, tentam colar aos que defendem o regresso ao regime que durante quase oito séculos presidiu aos destinos de Portugal evoluindo e adaptando-se aos tempos, o rótulo de passadistas, retrógrados, defensores de privilégios e outros epítetos semelhantes.

São quase sempre os mesmos que neste ano do centenário da República, falam dos primeiros anos do regime imposto revolucionariamente em 1910, como de um paradigma, mesmo de um paraíso perdido, onde a onda avassaladora da liberdade, da paz social, das novas conquistas civilizacionais, se impôs pela bondade das suas ideias e realizações. Tem sido esse o tom das conferências, palestras, publicações e exposições que, um pouco por todo o país, o Estado, as autarquias e algumas escolas e universidades têm realizado, no afã de agradar às clientelas nuns casos, aos poderes públicos noutros.

João Mattos e Silva
Presidente da Real Associação de Lisboa

(Fonte: Causa Monárquica )

A REPÚBLICA HOMENAGEIA AMÉLIA DE ORLEÃES?

Na Rotunda, a rainha

Diz a notícia batráquio, que ..."aproveitando as Comemorações do Centenário da República", realizar-se-á uma série de eventos culturais em toda a capital. Orquestras de jazz, disc jockeys, dança e cinema, preencherão um mês inteiro. Não podemos deixar de "parabenizar" - é assim que deveremos passar a falar, não é? - quem se lembrou de entreter os numerosos turistas que acorrem a uma cidade em completa decadência. Esburacada, com os seus prédios a ameaçarem substituição por monturos informes de reles betão, deserta e com fachadas cheias de letreiros pois "Era", "vende-se", temível "projecto aprovado" e outras malandrices do estilo, Lisboa precisa de oferecer entretenimento, nem que seja para simular pertencer ao mais badalado espaço europeu. Na verdade, esta cidade cada vez mais se parece com a sua prima além Mediterrâneo, a Argel das esplendorosas construções de traço francês, vidros estilhaçados, trapeiras que se afundam nas telhas partidas, fachadas que mostram cinco ou seis camadas de tinta às três pancadas, alumínios que substituíram as persianas de madeira, estuques esboroados e gradeamentos enrubescidos pela ferrugem do tempo. É o progresso que temos.

Concordamos com a ideia de aproveitar as noites amenas do estio, onde uns jogos de luz emprestarão algum brilho a cenários de alvenaria cheios de mazelas que o impenitente sol não deixa esconder. O que se torna um absurdo é a inclusão destas iniciativas, no âmbito das comemorações da famigerada república. Não contentes com degraus estilo Burbbery's, uma estátua equestre com carradas de lixo e um "cais de pedra quase desaparecido no Terreiro do Paço, agora servem-se da república para entreter os viandantes mais incautos. Para mais, atrevem-se a invocar as "mulheres" da dita cuja, para prestarem louvaminhisses que estranhariam às mesmas. É que enquanto na monárquica e aliada Inglaterra, as milhares de activistas que seguiam Emmeline Pankhurst acabaram por conseguir a igualdade que lhes era negada, no Portugal republicano tivemos as mulheres sujeitas à discriminação milenar e pior ainda, com princípios impiedosamente propagados em cartilhas, jornais de leitura em casa de pasto, legislação vexatória e oratória vibrante de machismo que roçava a misoginia e outras certezas próprias de sifilíticos machotes sorvedores de vinhaças no café Gelo. Os linotipistas ao serviço das folhas de Afonso Costa, lá iam compondo umas linhas destinadas a ensinar os seus bons "chefes de família" e tanto sucesso obtiveram, que aquela "república calma, de ordem e de tranquilo progresso" que sucedeu ao período revolucionário, integraria plenamente na ideologia oficial, todo o precioso legado de quem estabeleceu as regras da prioridade, da hierarquia. De facto, a partir de 1910, deixou de haver lugar à possibilidade de uma mulher ascender à chefia do Estado, quanto mais, tornar-se, por imposição desse cargo, comandante supremo das forças armadas... Era só o que mais faltava, voltar Portugal inteiro a ter de deixar um ser inferior, destinado à mudança de fraldas, panos do pó, panelas, vassouras e agulhas de coser, passar à frente de homens que ainda por cima, abriam alas em respeitosa reverência. Nem pensar nisso, nunca mais. O mulherio devia seguir por outro caminho e voltar à batinha doméstica, porque a outra, aquela que dizia o que bem entendia ser a verdade, fazia lembrar aqueles ominosos tempos, em que os homens eram pela regra, obrigados a sujeitar-se a costumes bem diferentes.

Acabaram-se com os puxões de orelhas a ministros que faziam ouvidos de mercador às imprecações de uma Amélia de Orleães, escandalizada pela fábrica de gás construída diante da Torre de Belém. Acabaram-se de vez com as retiradas estratégicas diante da colossal figura da majestade, quando esta perseguia conselheiros e deputados, exigindo a tomada de medidas e a outorga de projectos e verbas que zelassem pela saúde pública, instituíssem sanatórios, hospitais, institutos de investigação científica, lactários, cozinhas de assistência, berçários e programas de formação da juventude. Nada de chapéus espampanantes com penas de avestruz, rendas, leques e sedas cor de rosa à la mode de Paris, ou muito menos ainda, primazias de primeira fila. Nunca mais queriam ter pela frente Marias Segundas que se atreviam a colocar ministros na ordem e apontavam com o indicador para o articulado da Carta, ou Marias Pias que ameaçaram militares golpistas com pelotões de fuzilamento. Sobretudo, não admitiriam mais as mulheres que liam e se imiscuíam na vida pública, tinham opinião e discordavam, não podendo por isso mesmo, ter qualquer tipo de relevo. Visibilidade ou primazia institucional, então, jamais.

Para os fulanotes de chapéus de coco, bengala, bigodinhos retorcidos e pêras à caceteiro do republicanismo, o símbolo de muitas mulheres foi durante décadas, aquela que um dia desembracou numa Santa Apolónia apinhada de um povo desejoso de ver o futuro que chegava. Aquele porvir que trazia o interesse pela ciência e pelas questões que procuravam mitigar os abusos do laisser faire da sociedade liberal. Essa mesmo que gostava de pintar ao ar livre, que se atrevia a ler "indecências estrangeiras", ia ao teatro sem o marido, discutia os grandes temas como uma igual entre os intelectuais e que ousava fotografar, tratando ela própria, das coisas técnicas da nova arte.

Amélia de Orleães era para os rufiões do PRP, ..."a mulher de hoje, sobretudo aquela que vegeta nas cidades onde há cheiros de civilização, não é a mulher como devia ser, nem tão pouco parece aproximar-se da devida meta, é uma mulher manequim, chapa aonde os holofotes das. casas de modas de Paris e de Londres projectam as linhas caprichosas dos seus figurinos complicados. E’ uma mulher falsificada, pretensiosa, entalada em rígidas lâminas de aço, e aumentando sensivelmente o seu peso real com alguns quilos de algodão que lhes retocam as deficiências do físico." Este textozinho consiste numa amálgama daquilo que o PRP fazia distribuir pelas ruas da capital, quando à rainha se referia e a primeira imagem que imediatamente surge, é a do retrato pintado por Corcus, pendurado na parede de honra do Museu dos Coches. Daí o ódio por quem saía à rua sozinha com os filhos, ia às compras na Baixa, cavalgava solitária no Jardim do Campo Grande, ia às touradas no Campo Pequeno, discutia os temas da actualidade, atrevia-se à política, enfrentava sapiências genuínas ou duvidosas e trocava correspondência com vultos eminentes da ciência e das artes. Não podia ser, aquela mulher significava a subversão da ordem aceite.

Muito bem faz a escabiótica comissão oficial do Centenário da República - a república de 1926-74 incluída -, quando sem o querer, homenageia quem jamais se sujeitaria ao estatuto de inferioridade a que o regime condenou as mulheres portuguesas, a partir daí votadas à condição subalterna de madames Carmona, donas Gertrudes e pouco mais, porque das outras, as senhoras Bernardino ou Almeida, não reza a história. Muito menos ainda, os figurinos da moda.

De facto, quando se fala em república de início do século, apenas um nome permanece na mente de todos: o da corajosa, gigantesca, teimosa, inteligente e risonha Amélia. Um ícone sem rival.

publicado por Nuno Castelo-Branco
(Fonte: Blogue "Estado Sentido")

HISTÓRIA ESSENCIAL DE PORTUGAL DO PROFESSOR JOSÉ HERMANO SARAIVA (VOLUME 5)

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

HOJE FAZ UM ANO QUE FALECEU UMA GRANDE MONÁRQUICA: CLAUDETTE ALBINO.


VAMOS HOMENAGER A SUA MEMÓRIA VISITANDO A EXPOSIÇÃO RETROSPECTIVA DA SUA OBRA.
HOJE É O ÚLTIMO DIA DA EXPOSIÇÃO!

AVEIRO - DE VILA A CIDADE. POR CLAUDETTE ALBINO (1939-2009)

Aveiro nos princípios do séc. XVIII, vendo-se o lado norte da muralha. Painel de azulejos existente na estação do caminho de ferro de Aveiro.

A partir do séc. X, encontramos escritos que referem Aveiro como... "terras in Alavarium e salinas...", o que está descrito na doação que Mumadona Dias fez ao Mosteiro de Guimarães em 959. Esta primeira referência relaciona Aveiro com a exploração de salinas. A origem do nome Aveiro tem sido muito discutida e tem sido defendida de várias formas por diferentes autores. Defendemos que Aveiro foi construída pelos Romanos, que lhe terão chamado Avaricum ou Avarico nome que os Romanos deram também à cidade da Gália, com canais semelhantes aos de Aveiro, a actual Bruges. Foi construída depois da destruição de Talábriga pelos Mauritanos, que assolaram e destruíram as povoações costeiras abaixo do rio Douro. Em memória, figura nas armas de Aveiro uma águia parda com a coroa imperial, emblema que os imperadores romanos usavam no seu estandarte. No séc. XI aparecem as formas de Aaveiro e Aavero, sendo Aveiro definida como vila neste mesmo século.

Todo o labor em torno do sal adquiriu enorme importância na zona, o que se deduz do interesse que havia por parte dos senhores empenhados na sua exploração e aproveitamento (Silva, 1991: 96 - 104).

A exploração do sal e do barro deve ter sido factor determinante no povoamento da região, assim como a sua situação junto à foz do rio "Vácua" e ao mar. Columella (60 d. C.) dizia que para que uma «villa» tivesse condições ideais devia situar-se junto ao mar ou a rio navegável. A verdade é que houve um interesse sentido, desde muito cedo, pelos iniciadores das dinastias condais, que aqui tiveram propriedades. Nos princípios do séc. XII, existem alienações de propriedades nos arredores de Aveiro, levadas a cabo por dona Teresa e D. Henrique, o que indica que a região de Aveiro era domínio dos Condes Portucalenses (Azevedo, 1958). Em 1187, o rei D. Sancho I fez doação da "villa que vocatur Aaveiro" a sua irmã dona Urraca Afonso (T.T., Chancelaria de D. Dinis, livro 5: 69-69 v.). Saiu depois a vila do património régio, mas D. Dinis fez com que a ele voltasse por a ter readquirido quando se encontrava na posse do Mosteiro do Lorvão (Silva, 1991: 66 - 69).

No tempo ainda de D. Dinis, fins do séc. XIII, é criado em Aveiro um banco de comércio destinado a apoiar as relações mercantis. D. Afonso IV decretou reformas de carácter administrativo e judicial, que tinham por objectivo fortalecer o poder real e combater os grandes senhorios. Com o objectivo de controlar o poder senhorial, ordenou a reorganização geral da administração. A lei pragmática, promulgada por este monarca, visava limitar os gastos, definindo o número de trajos que cada um podia fazer por ano, de forma a tabelar e estabilizar os preços dos bens de luxo. Em meados do séc. XIV, a peste negra assolou a região de Aveiro, mas a recessão então sentida foi anulada com directivas para povoar as terras abandonadas, seguindo-se uma grande vitalidade económica e o sucesso da política de fomento depois da crise.

Canal Central de Aveiro, nos meados do século XX.

Aveiro vive com o senhorio régio do séc. XIV uma época de fomento, de produção de sal e de comércio do mesmo, assim como de objectos de barro e outros produtos, servida por estradas e pelo mar, pelo que foi um centro quase que exclusivamente comercial, pouco dedicado à vida agrícola e à pastorícia. Assim, via-se obrigada a recorrer à importação dos bens essenciais, tornando-se numa vila poderosa e assim continuando no séc. XV.

Aveiro na década de 1950, vendo-se a zona central da cidade.

Aveiro tem ainda hoje, na sua parte central, estrutura de vila da idade média com a rua direita, que ia então, da porta da vila à porta da ribeira, passando ao lado da Praça do Município, onde ficava a Igreja de S. Miguel, no local onde se encontra hoje a estátua de José Estevão, e em frente da qual estava e ainda se encontra o edifício do Município, que então era também cadeia. Em 1423, D. João I possuía umas casas na rua Direita, tendo então passado carta de aforamento em relação a algumas (T. T. Chancelaria de D. João I, livro 4: 79). Quer os reis da 1ª dinastia, quer os reis da 2ª dinastia estiveram sempre ligados a Aveiro, por si ou através de familiares, não permitindo que os senhores aqui tivessem poder. Aveiro só teve Conventos a partir do séc. XV, tendo sido autorizada a fundação do primeiro, o Convento Dominicano de Nossa Senhora da Misericórdia, em 1423, tendo sido D. Pedro, filho de D. João I, a colocar por sua mão a primeira pedra que deu início à construção (Arquivo da Misericórdia). Em 1456, os religiosos deste convento foram isentos do pagamento de sisa, dízima ou portagem de bestas, madeiras e outras coisas. Outros conventos foram surgindo: Convento Franciscano da Madre de Deus, Convento de Jesus, Convento Franciscano de Santo António, Convento do Carmo, Convento das Carmelitas, cuja cerca foi construída no espaço que tinha sido ocupado até ao séc. XV por dezassete casas da Comuna dos Judeus de Aveiro. De todos estes conventos somente continua a existir o do Carmo. No Convento de Jesus está hoje implantado o Museu Nacional de Aveiro. O Convento da Misericórdia existe hoje como Casa da Misericórdia, ao lado da qual está a igreja do mesmo nome. Dos restantes ficaram as igrejas.

Protecção especial de D. Afonso V e de D. João II teve o Convento de Jesus, onde viveu a Infanta D. Joana com seus escravos e seu sobrinho D. Jorge de Lencastre.

Sempre sob protecção real, Aveiro foi crescendo. Se até 1572 teve como Igreja Matriz a de S. Miguel e uma única freguesia, nesse ano de 1572, com 11.365 pessoas de comunhão, foi dividida em quatro freguesias, a de S. Miguel, as de Vera-Cruz e S. Gonçalo, na Vila Nova, zona de pescadores e marnotos, e a do Espírito Santo, para cimo de vila, já fora das muralhas. A freguesia de S. Miguel compreendia a parte mais nobre da vila, quase toda muralhada, a mais rica e a mais distinta. Dentro desta freguesia ficavam as casas dos Sousas, dos Távoras, Pizarros, Amarais e outras. Dentro desta freguesia ficavam ainda o recolhimento de S. Bernardino, a Igreja da Misericórdia, a Albergaria de S. Brás, a Capela dos Santos Mártires, a do Passo, a de Sto. António, o Tribunal e outras repartições administrativas (Quadros, Apontamentos Históricos).

D. Sebastião, em 1577, ordenou ao provedor da comarca de Coimbra que se deslocasse a Aveiro e verificasse como os pescadores pagavam o dízimo do pescado a Francisco Tavares, e se informasse se recebiam por isso algum vexame ou se pagavam mais do que o que deviam. O clero, aqui em Aveiro, também não teve poder. Os conventos aqui existentes eram quase todos de ordens mendicantes. O facto de o poder senhorial e o poder clerical não se terem feito sentir em Aveiro, de o sal e a sua exploração ter forma contratual especial e ter sido fonte de riqueza, de a agricultura não ter tido em Aveiro um primeiro lugar na economia da vila e depois na economia da cidade, conduziram a que os habitantes de Aveiro adquirissem uma postura de liberdade, que souberam manter mesmo em momentos difíceis da nossa história.

Em 1759, por alvará de 11 de Abril, D. José I "considerando a situação natural da povoação e circunstâncias que concorriam na vila de Aveiro e nos seus habitantes, e folgando pelos ditos respeitos, e por outros que inclinaram a sua real benignidade, houve por bem elevar a dita vila de Aveiro, notável por mercê filipina, à dignificante categoria de cidade" (Arquivo C.M.A., I: 25).

Em 1807 a Procissão de Santa Joana, Padroeira da cidade de Aveiro, foi considerada real; e passou a participar nela o Senado da Câmara (T. T. Chancelaria de D. João VI, 11: 9). A Câmara ainda hoje participa nesta procissão, com outras instituições da terra, nomeadamente a Universidade.

Em 25 de Julho de 1835, foi nomeado primeiro governador civil de Aveiro o oficial da marinha, José Joaquim Lopes de Lima (Arquivo, XXXV, : 53), que, em 11 de Outubro do mesmo ano, mandou publicar um alvará, reduzindo a duas as quatro freguesias da cidade: a freguesia da Vera Cruz e a freguesia de Nossa Senhora da Glória (Quadros, Apontamentos Históricos) tendo, neste mesmo ano, sido demolida a Igreja de S. Miguel.

Com a extinção dos concelhos de Esgueira e Aradas, ambos em Novembro de 1836 (Arquivo, XXXV: 56), aquelas povoações foram incorporadas no Município de Aveiro: a primeira, na freguesia da Vera Cruz; e a segunda, na freguesia de Nossa Senhora da Glória.

O Concelho de Aveiro tem hoje uma população residente elevada, que está dividida pelas freguesias de Aradas, Cacia , Eirol , Eixo, Esgueira, Nossa Senhora da Glória, Nariz, Nossa Senhora de Fátima, Oliveirinha, Requeixo, Santa Joana, S. Bernardo, S. Jacinto e Vera Cruz. Destas freguesias só duas são consideradas urbanas: Vera Cruz e Glória, não sendo nenhuma delas a que tem mais população residente. Para além da população residente, Aveiro tem uma população migratória que tem vindo a aumentar pelas seguintes razões: o crescimento industrial, a Universidade e, mais recentemente, a área de serviços.

Claudette Albino
(Fonte: Alternativas - BOLETIM CULTURAL E RECREATIVO DO S.E.U.C. - J. ESTÊVÃO)

A HERANÇA REAL TEM SIDO BEM APROVEITADA PARA PROMOVER SINTRA

A Família Real Portuguesa, seja agora no presente como também no tempo da monarquia, sempre teve uma forte ligação a Sintra, onde reside D. Duarte de Bragança. Assim sendo, Jornal de Sintra entrevistou D. Duarte acerca de questões relacionadas com a sua vivência no concelho.

Jornal de Sintra – Gostaríamos de saber quais os pontos marcantes em que Sintra interveio na história da monarquia portuguesa e como esta viu e vê os sintrenses.

D. Duarte de Bragança – A Família Real Portuguesa sempre gostou de estar em Sintra devido à simpatia dos seus habitantes e à maravilhosa beleza desta vila. Esta herança “real” tem sido bem aproveitada para promover o concelho. Congratulo-me com a Câmara Municipal pelo valoroso esforço de protecção do seu património monumental e paisagístico.

JS – Como habitante no concelho de Sintra, quais são as suas actuais preocupações?

DDB – Infelizmente em tempos anteriores, mas ainda recentes, algumas barbaridades foram cometidas que comprometeram gravemente a beleza da nossa paisagem, nomeadamente a construção desordenada de “caixotes” próximos do Palácio de Queluz e de outros junto ao Palácio da Vila. A autorização para grandes urbanizações no concelho terão trazido recursos financeiros à Câmara Municipal mas transformaram Sintra num concelho dormitório de Lisboa, o que causou imensos problemas. Felizmente os actuais autarcas têm consciência deste problema e determinação para lhe fazer frente, sendo essa a sua maior virtude. Em Sintra é mais importante saber dizer “não” do que fazer muitas coisas frequentemente inúteis, com o dinheiro dos contribuintes, como acontece em muitos outros concelhos.

JS – Quer acrescentar alguma coisa que considere de interesse para os sintrenses?

DDB – A vila de Sintra é hoje Património da Humanidade reconhecido pela Unesco, mas se não soubermos corrigir alguns erros cometidos e impedir outros, podemos facilmente perder esta classificação. Seria importante apoiarmos as actividades dos movimentos cívicos como a Associação de Defesa do Património de Sintra que luta há anos pela salvaguarda da nossa memória e da beleza da nossa terra. Só com muitos associados é que estes movimentos podem ter verdadeira influência. Temos que ser lógicos e coerentes: se gostamos de Sintra temos que contribuir para a sua preservação de todos os modos possíveis. Há evidentemente um outro problema que me preocupa e que é a necessidade de apoiar e integrar social e culturalmente a juventude que cresce em certos bairros chamados sociais e onde se está a desenvolver um espírito de gueto com consequências perigosas para o futuro. As leis portuguesas foram escritas com a preocupação humanitária de proteger os marginalizados mas na verdade acabam por estimular os comportamentos marginais ao desautorizarem a acção da justiça e das forças de segurança. Temos que exigir de quem votamos uma atitude mais justa e inteligente.

David Garcia
(Fonte: Jornal de Sintra)

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

ENTREVISTA A S.A.R., DOM DUARTE AO NOTÍCIAS MAGAZINE

Suplemento do Jornal de Notícias - Notícias Magazine de 05 de Março de 2006
(Clique nas imagens para ampliar)

(Fonte: Blogue "Família Real Portuguesa")