domingo, 15 de agosto de 2010

ANÁLISE POLÍTICA DE UM MONÁRQUICO: 100 ANOS DEPOIS

No blogue «Albergue Espanhol», Luis Naves tem publicado interessantes notícias de jornal, dos últimos meses de Monarquia.

Tenho-as comentado, sob o título: «Análise política de um Monárquico: 100 anos depois.»

Notícias de 2 de Julho. Normalidade. Sua Majestade o Rei D. Manuel II participa em banquete protocolar de homenagem ao Presidente da República da Argentina (obviamente eleito!), Saenz Peña, junto ao inenarrável e futuro (se já não o era em Julho 1910!) republicano, Teixeira de Sousa. A referência à Argentina como exemplo de República, não deixa de ter a sua graça. Se compararmos, 100 anos depois, a «brilhante» e «próspera» história da república argentina e de outros países da América Latina, com a que tiveram, no mesmo período de tempo, as «atrasadíssimas» nações europeias, que preferiram manter as suas velhas instituições de séculos – como a Dinamarca ou a Suécia, por exemplo -, percebemos, por fim, a «felicidade imensa», «exuberante» mesmo, que é poder escolher o Chefe de Estado. O que, como se sabe, nem sempre a nossa República permitiu, sequer.

Notícias de 3 de Julho. Normalidade. Os republicanos realizam um comício, que deve ter decorrido com a habitual liberdade democrática, que a Monarquia Constitucional a todos permitia, desde há muito. Se a fotografia que se vê é a do evento em causa, tenho as maiores reservas, que o comício tenha sido «gigantesco» como o jornal refere. Ou é de mim, ou ali não vejo «milhares de pessoas». Vejo, tão-só, umas 1000, no máximo. O habitual fraco resultado eleitoral do PRP., não pode espantar, seja quem for: ganhar eleições, nunca foi com os republicanos nacionais… Tem outra vez graça, 100 anos depois, recordar as palavras de Teófilo Braga, ao criticar a instabilidade política na Monarquia…! A I.ª República foi de uma «Estabilidade Alucinante»: 46 governos; 21 golpes de Estado; duas guerras (a mundial e a civil); 8 presidentes da república; bancarrota. Tudo isto, em apenas 16 anos de grande «Estabilidade…»

Notícias de 4 de Julho. Tragédias. Muitos crimes, de facto, ocorriam por esta altura. Suponho que os chefes do PRP. não tenham comprado o jornal neste dia. Se o tivessem feito, perceber-se-ia, de imediato, que a responsabilidade do sucedido, tinha sido, como não podia deixar de ser, da Família Real.

Notícias de 5 de Julho. Más condições de vida do proletariado. Já aqui antes referi a outro propósito, que o Rei D. Manuel II tentava chegar a acordo, com os sindicalistas de Azedo Gneco. Não o conseguiu fazer, infelizmente. Penso, desde sempre, que esteve neste fracasso, uma das causas principais, da queda do regime monárquico, em 5 de Outubro. A Monarquia precisava de criar, na órbita do poder, um verdadeiro «Partido Trabalhista», que substituísse um dos tradicionais e desgastados Partidos de governo e combatesse a demagogia republicana! As péssimas condições dos trabalhadores, apenas pioraram com a República.

Notícias de 6 de Julho. Crise na Agricultura. Fome e penúria no interior. Também não foi aqui, que a República resolveu alguma coisa. Pobres éramos em Monarquia; mais pobres ficámos com os republicanos no poder.

António Lemos Soares
(Fonte: PeAn e os "Cágados de pernas 'pró' ar" )

O FIM DOS IMPÉRIOS

Falou-se muita coisa contra o já desaparecido Império Austro-Húngaro e foi considerado um anacronismo que merecia ser desmantelado. Esta herança de outros tempos acabou por não resistir à força dos seus inimigos externos e dos nacionalismos, desmembrou-se em 1918.

No entanto isto é mais uma prova de que a História do Homem não evolui sempre no sentido da melhoria das suas condições de vida das populações. Trata-se muitas vezes de um processo de avanços e recuos.

Rando Cameron na sua excelente obra "A Concise Economic History of the World", defende que não obstante os seus problemas internos, o Império Austro-Húngaro desempenhava um papel económico valioso na medida em que proporcionava uma vasta área de livre comércio que abarcava toda a bacia do Danúbio e que se inseria numa espécie de comunidade económica alemã que englobava toda a Europa central.

Esta situação permitiu um grande crescimento económico e apreciável bem estar para as suas populações. Após o fim da primeira guerra o plano do presidente americano (Woodrow Wilson) no sentido da autodeterminação das nações dominadas pelos alemães acabou com essa realidade político-económica (até ao conluio Franco-Alemão para a criação da CEE).

O nacionalismo económico dos novos países surgidos com os acordos de Versalhes, levou a que cada um deles busca-se a auto-suficiência produtiva de forma a prevenir que um novo domínio económico estrangeiro pudesse impedir a efectiva independência nacional.

Portanto a partir do inicio dos anos vinte, com o fim de defender os seus interesses nacionais, cada novo país (Checoslováquia, Jugoslávia, Polónia etc) criou fortes barreiras alfandegárias que contribuíram muito para limitar o comércio na Europa Central e dificultaram a recuperação no pós guerra. Isto terá sido uma das razões para a vitória dos partidos de extrema direita na região e para a segunda grande guerra mundial. O subdesenvolvimento económico da Europa de Leste e Balcãs liga-se fortemente ao fim abrupto do Império Austro-Húngaro.

Tudo isto tem especial interesse à luz da nossa própria História recente. No caso do Império Português o fenómeno tem sido muito similar. A independência das nossas colónias destruiu o espaço económico Português e não trouxe nenhum surto de desenvolvimento invejável para ninguém. Se excluíssemos tanto as guerras (com a destruição de vidas e infra-estruturas) como a acção das novas elites políticas corruptas e incapazes, qual seria actualmente o nível de desenvolvimento económico do Império Português?

(Fonte: Blogue "Estado Sentido") 

ASSUNÇÃO DA VIRGEM MARIA

A Igreja universal celebra HOJE, dia 15, a festa da Assunção da Virgem Maria ao Céu.

Esta é um dogma da Fé católica, definido por Pio XII a 1 de Novembro de 1950, mediante a Constituição apostólica “Magnificentissimus Deus”. Neste documento, o Papa refere as relações entre a Imaculada Conceição e a Assunção, as petições recebidas para a definição dogmática, a consulta feita ao Episcopado, a doutrina concorde com o Magistério da Igreja. Resume os testemunhos da crença na Assunção, a devoção dos fiéis e o testemunho dos Santos Padres, dos teólogos escolásticos desde os primórdios, passando depois pelo período áureo e atingindo a escolástica posterior e os tempos modernos. Pondera o fundamento escriturístico e a oportunidade da mesma, e logo pronuncia, declara e define ser dogma divinamente revelado que “a Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre foi assunta em corpo e alma à glória celestial”.

Este foi o culminar dum processo de séculos, durante os quais toda a Igreja e todos os cristãos dedicaram à Virgem Maria uma especial devoção e uma crença nos seus privilégios, em ordem a ser a Mãe de Deus.

O Catecismo da Igreja Católica explica que "a Assunção da Santíssima Virgem constitui uma participação singular na Ressurreição do seu Filho e uma antecipação da Ressurreição dos demais cristãos” (966).

A Assunção de Maria ocorre imediatamente depois de terminar a sua vida mortal e não pode ser situada no fim dos tempos, como sucederá com todos os homens, mas tem de considerar-se como um evento que já ocorreu.

A glorificação celeste do corpo de Maria é o elemento essencial do dogma da Assunção. Ensina que a Virgem, ao terminar a sua vida neste mundo, foi elevada ao céu em corpo e alma, com todas as qualidades e dons próprios da alma dos bem-aventurados e com todas as qualidades e dotes próprios dos corpos gloriosos. Trata-se, pois, da glorificação de Maria, na sua alma e no seu corpo, quer a incorruptibilidade e a imortalidade lhe tenham sido concedidas sem morte prévia, quer depois da morte, mediante a ressurreição.

A importância desta solenidade litúrgica em Portugal é tal que ainda hoje a República Portuguesa a reconhece como dia feriado.

(Fonte Ecclesia)

sábado, 14 de agosto de 2010