sexta-feira, 6 de agosto de 2010

PAULO VALLADA: UM GRANDE "TRIPEIRO" - MONÁRQUICO

PAULO VALLADA. Presidente da Câmara portuense, um homem de todos respeitado. Monárquico convicto, sempre na primeira linha do nosso combate de ideias. Agora e sempre connosco. O Monarquia do Norte entrevistou-o em Setembro de 1999. Recordamos essa conversa:

P. Que faz mais sentido: Rei de Portugal ou dos portugueses?

R. Rei dos Portugueses. O Estado precede a Nação. Num aglomerado de famílias, uma comunidade escolhe um, de entre eles, que se impõe por mérito próprio e aclama-o - é o Príncipe. Foi assim com o Condado Portucalense.. Depois, é seguir a nossa história durante 800 anos.

P. Qual a diferença principal entre um rei e um presidente da república?

R. O Rei traz consigo o mito da perpetuação da Pátria, pela sensibilidade do afecto familiar, pelo desprendimento das várias correntes de opinião, livremente formadas nos partidos e movimentos democráticos, pela liturgia do Estado na representatividade da comunidade nacional. Tem uma função suprapartidária. É o primeiro defensor da constituição - a Lei Fundamental.. É a imagem viva do nosso passado comum - a memória de referência. É a imagem do nosso presente. É o juiz Provedor da Lei num processo de equidade. é a imagem do nosso futuro, como garante dos valores e dos princípios comuns a todos os portugueses.

P. Qual a função mais importante de um Rei?

R. Cumprir e fazer cumprir a Lei Fundamental - a Constituição. Num sentido ético-cultural a unidade fundamental, na sociedade, é o Casal, transmissor de vida. No imaginário da vida colectiva é a Casa Real. Dá a imagem de uma Pátria unida por afectos, interesses e poderes. A Pátria dos Portugueses existe em todo o mundo. O mito é a Casa Real. O Rei é a autoridade, a Rainha é a arte da tolerância, no afecto, e os Filhos a esperança de todos nós.

As palavras de Paulo Vallada são como ele próprio - sempre vivas, imemoriais.

João Afonso Machado
(Fonte: Centenário da República )

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

OS PORTUGUESES SÃO MONÁRQUICOS

O Herdeiro ao trono português, Dom Duarte Pio, lembra que a República nunca foi avalizada pelo povo. E não perdoa alguns republicanos, que, na sua opinião, querem limpar da História o papel da Casa de Bragança.

O que significa hoje o 1º de Dezembro para os portugueses?

- Nas grandes cidades, significa provavelmente mais um feriado. Mas continua a ser importante que se celebre o dia da Independência Nacional. Este dia é sobretudo pretexto para isso.

Os monárquicos dizem que a República não tem aval popular. Defende um referendo?

- Se houver um número significativo de assinaturas (cerca de 10 mil pessoas) pedindo uma alteração do artigo 288 da Constituição, que indica que a forma de governo seja obrigatoriamente republicana, o referendo deveria ir avante. Este artigo é algo de aberrante e até perigoso e insulta metade dos países da UE, que são Monarquias. Também insulta os portugueses, considerando-os intelectualmente menores. Deixam-nos escolher o Governo mas não entre um Presidente da República e um Rei Se esse referendo for avante, deverá então ser feito um esclarecimento público e a pergunta deverá ser elaborada de forma isenta.

Se os portugueses dissessem sim à Monarquia em referendo, como é que ela poderia ser restaurada?

- Não poderia ser uma opção dramática. O povo deveria ser informado das vantagens e desvantagens deste sistema. Os monárquicos são contra uma Chefia de Estado política. Eles querem uma pessoa que simbolize todo o povo, e não uma parte, que possa servir de juiz e árbitro nas grandes questões nacionais. O assunto tem de ser visto à luz da realidade e não da História.

Existe o preconceito de que os monárquicos estão muito ligados à nobreza e sangue azul...

- Os dois grandes fantasmas que pairam sobre a Monarquia são os de que com a implantação deste sistema, a aristocracia triunfava e a democracia retrocederia. Quanto ao primeiro caso, basta ver que a presença da nobreza nas monarquias europeias é bastante moderada, em muitos casos não diferindo muito de certas repúblicas. Até há Monarquias onde os nobres são proibidos, como é o caso do Japão. No segundo caso, quero dizer que os Reis também são eleitos (e eventualmente destituídos) pelo povo, porque só se tornam monarcas depois de aprovados no Parlamento. Já os Presidentes, são teóricamente eleitos pelo povo mas são escolhidos e apoiados pelos partidos. Considero que o povo português é monárquico, uma vez que quer estabilidade na Chefia de Estado.

A República sente-se desconfortável com a Monarquia?

- Sim. A Causa Monárquica incomoda alguns republicanos. O facto de não ter sido convidado para integrar a comitiva oficial que se deslocou a Timor aquando da sua independência, pode ser disso ilustrativo. Creio que tive um papel algo importante em todo o processo timorense. Mas não faz nenhum sentido este receio.

Em que monarquia europeia se revê?

- Todas elas têm a mesma essência, apesar das diferenças. No fundo, o rei deve ter uma relação estreita com o seu povo, quase familiar, e reforçar os laços com a lusofonia.

A República está em crise?

- Hoje, todos dizem que não temos tradições, arquitectura, agricultura e moeda. Está-se a criar a ideia que Portugal já não existe como país e é apenas uma sub-região da Europa. Isto é muito perigoso.

Sousa Lara defendeu que a Família Real representa os contos de fadas e por isso a população se sente atraída por ela. Quer comentar?

- Existe uma dimensão um tanto mística sobre a Família Real. Um exemplo: uma recepção aqui com o Príncipe do Mónaco é mais concorrida do que com a do presidente mais poderoso da Europa.

Mas essa curiosidade em saber tudo sobre a Família Real também tem o seu lado negativo...

-A Família Real britânica tem sido perseguida por magnatas de Imprensa, como Robert Murdoch, porque ele deseja vir a ser um dia presidente. Curiosamente, por mais escândalos que saiam nos tablóides britânicos, a reputação da Rainha, D. Isabel II continua imaculada. As campanhas contra o Príncipe Carlos devem-se ao facto de ele ter defendido os pobres, abalando os interesses instalados.

Em Portugal, este tipo de fenómeno seria de todo impossível em relação a um hipotético Rei?

- Não. Mas tento preservar a privacidade dos nossos três filhos que estão numa fase crucial do crescimento. Não quero que eles sejam apontados na escola só porque são meus filhos.

Como interpreta este cenário internacional de terrorismo?

- Os países ricos têm patrocinado guerras e governos ditatoriais em África e na Ásia, agindo segundo os seus interesses. O terrorismo é criminoso e cobarde, mas há quem pense que é a arma dos pobres.

Concorda com uma possível invasão norte-americana no Iraque?

- Porque é que o Iraque tem receio em mostrar as suas instalações nucleares? O país de Saddam já provou que é capaz de atacar terceiros com as suas armas poderosas. É preciso acabar com este perigo mundial.

O "caso Prestíge" demonstrou que os dois países ibéricos ainda têm um grande caminho a percorrer ao nível da colaboração.

- Este caso do petroleiro vem provar que tal acontece. Os dois países podem estreitar relações, desde que respeitem a sua independência.

(Fonte: Correio da Manhã: 01-12-2001)

O EMBAIXADOR IMPERIAL

No Expresso do passado fim de semana e no meio dos trastes do costume, o prático saquinho de plástico reservava-nos uma extensa e interessante separata, focando as já seculares relações luso-japonesas que dentro de três décadas comemoração o V Centenário. Este será um século de celebrações luso-asiáticas - a desconfiada Índias, as receptivas Tailândia, Indonésia, Ceilão, Malásia, Birmânia, e China - e se existisse a mínima intenção em se aproveitar esta oportunidade única, muitos proventos Portugal retiraria de um património que de tão esquecido ou negligenciado, pertence apenas aos poucos que por ele se interessam. Em poucas palavras, a um punhado de académicos, alguns dos quais persistem em manter esta memória e inestimável contributo para aquilo que o Ocidente ainda é.

O embaixador imperial concedeu uma importante entrevista, na qual focou os tradicionais pontos de contacto entre os dois países e sobretudo, a grande influência cultural que teima em vingar num Japão nostálgico de um passado sempre evocado.

As glórias da modernidade conquistada por uma administração competente e sob a orientação de um soberano de excepção, fizeram do Império do Sol Nascente, uma grande potência que sacudiu o torpor de séculos de isolacionismo que poderiam ter transformado o país, em mais uma colónia do avassalador imperialismo europeu que em oitocentos alastrava por todo o Extremo Oriente. O império consolidou a sua independência, abriu-se ao mundo, contratou técnicos e deu uma especial atenção à formação de quadros, libertando-se de preconceitos locais que viam o estrangeiro como uma ameaça à segurança de uma velha comunidade de enraizadas convicções e princípios. Seis décadas decorridas após a revolução Meiji, os couraçados japoneses já haviam vencido a frota russa em Tsushima, tinham perseguido os navios do Kaiser pelo Pacífico fora e substituído a Alemanha como presença em valiosos territórios na China, nas concessões internacionais que mais não eram, senão arremedos de possíveis futuros Hong-Kongs. Culminou esta ascensão, com a simbólica presença da frota japonesa nos portos da Indochina Francesa, onde risonhos vietnamitas respondiam às imprecações escandalizadas dos seus gálicos senhores coloniais, dizendo que ..."os japoneses são duros ocupantes, mas aqueles porta-aviões e couraçados foram construídos na Ásia e pertencem a gente igual a nós".

A parte substancial do discurso do diplomata, deverá ser entendida nas evidentes sugestões enviadas às eternamente distraídas, euro-obcecadas ou ignorantes autoridades portuguesas. O senhor embaixador diz aquilo que há muito tempo os monárquicos têm defendido, mas sem qualquer tipo de sucesso junto do poder instituído. Os governos portugueses olham demasiadamente para a Europa Central, um espaço que nos é estranho e pouco favorável. Portugal é um país europeu, mas as suas verdadeiras oportunidades de crescimento, encontram-se precisamente naquele património adquirido ao longo de séculos de persistente labuta daqueles que tendo governado o país, deixaram à iniciativa dos mais ousados, o estabelecimento de entrepostos comerciais que conseguiram irradiar uma cultura que decisivamente contribuiria para o progresso em paragens tão distantes e díspares como a África dos dois oceanos, a América do Sul e a Ásia.

Quase podemos sentir o desdém contido, em certeiros comentários que sugerem a hipótese que persiste em perder-se, de um Portugal que nas devidas proporções ..."poderia ser o Japão da Europa". A extraordinária posição geográfica no centro do grande comércio mundial que liga o Atlântico a todos os outros oceanos do planeta, uma língua que tende a expandir-se a par do inglês e do espanhol, uma situação climatérica privilegiada e uma população nada avessa à curiosidade e ao conhecimento do outro. O embaixador diz aquilo que no seu país é interiorizado como uma quase absoluta verdade histórica: Portugal não é a "mesma coisa". Os japoneses respeitosamente reverenciam os contactos estabelecidos com holandeses, espanhóis e ingleses, mas no caso de Portugal, esse respeito vai muito além da sua proverbial cortesia. Entra-lhes pela casa adentro, permanece nas páginas dos seus livros de história, come-se à mesa, continua em palavras do quotidiano e por mais paradoxal isso nos possa parecer, significa o progresso de um momento inesquecível. É isso mesmo que hoje os faz desfilar pelas ruas de uma Lisboa calcinada pelo sol de verão, procurando nas nossas fachadas, os elos nunca perdidos com aquele velho reino que tanto lhes deu e que decerto gostariam ver reerguer-se e figurar entre os maiores.

De uma forma cortês, o embaixador imperial desferiu um tremendo ataque a uma política ruinosa, estúpida e incompetente, que tem privado Portugal do seu verdadeiro lugar no mundo.

Em retribuição pelos missionários, militares e comerciantes que há quinhentos anos chegaram ao Japão, não poderá o único Tenno discretamente enviar-nos uma completa e multidisciplinar missão composta por Nakamuras, Konoyes, Suzukis, Oshimas ou Umezus, que contribuam decisivamente para o quebrar das grilhetas que nos prendem a este pelourinho e deixa Portugal à mercê de todas as intempéries?

publicado por Nuno Castelo-Branco
(Fonte: Blogue "Estado Sentido")

JANTAR MENSAL DE AGOSTO SERÁ NO DIA 13 EM LOCAL AINDA A DESIGNAR

Avisa-se a todos os associados, simpatizantes monárquicos e convivas em geral, que costumam ou têm intenção de participar no Jantar Mensal de Agosto da Real Associação da Beira Litoral, que, por motivo de força maior, o Jantar deste mês realizar-se-á na Sexta-feira que vem (dia 13), em local que brevemente anunciaremos. Se este facto causar algum incómodo a alguém, pedimos imensa desculpa.

Nessa ocasião será anunciado o programa das comemorações do 1º Aniversário da criação da Real Associação da Beira Litoral, em Setembro, que incluirá uma visita ao Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota e a nossa participação nas Comemorações dos 200 Anos da Batalha do Buçaco!

ESTEJAM ATENTOS! VIVA AVEIRO! VIVA O REI! VIVA PORTUGAL!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

ENTREVISTA DE S.A.R. A SENHORA D. ISABEL, DUQUESA DE BRAGANÇA, EM 2003

"Sintra é um estado de alma"

A mulher do Duque de Bragança não se sente uma notável em Sintra e confessa a sua admiração pela capacidade da Vila em resistir à invasão do betão Isabel Herédia assume-se como sintrense e tradicionalista. Vive os problemas da comunidade em obras de caridade em que participa activamente e apela à utilização dos transportes públicos para resolver o problema das acessibilidades. Monárquica "racional", não hesita em falar das grandes questões nacionais. Considera que Portugal viveu acima das suas possibilidades e aponta a Educação como a prioridade.

-Gosta de viver em Sintra ou sente saudades de Lisboa? E as crianças?

SAR-Os meus filhos são claramente saloios, todos eles. E eu já me sinto muito sintrense. Sintra proporciona uma qualidade de vida que já não é possível encontrar em Lisboa porque manteve as características de vivência de uma vila. Uma vida que se caracteriza pela vizinhança afável e por uma proximidade maior entre as pessoas.

-O que mais a atrai em Sintra?

SAR-Sintra é um estado de alma, não é? Aprecio muito o facto de aqui se ter preservado uma certa tradição, nomeadamente a nível arquitectónico, que já se perdeu noutras terras de Portugal, infelizmente. As pessoas também são fantásticas, muito simpáticas e naturais. As relações humanas são mais intensas porque há menos pressa. Sempre que posso evito sair de cá e até instalei o escritório em casa...

-A que actividades se dedica neste momento?

SAR-Fundamentalmente estou a ajudar o meu marido a desenvolver a rendibilidade do seu património. Uma tarefa muito absorvente e que me motiva bastante. Depois, continuo a ajudar em várias obras de caridade, através da Congregação de São Vicente de Paulo, que tento não descurar.

-O que faz falta a Sintra?

SAR-Acima de tudo tem de ser resolvido o problema dos acessos rodoviários e incentivar as pessoas a usar os transportes públicos. Não devemos ser "escravos" do carro. Sempre que tenho de ir a Lisboa sozinha vou de comboio e só quando vou com as crianças é que uso o automóvel.Outro problema que detecto em Sintra é o da pobreza envergonhada. Há muita gente a passar necessidades, sem dinheiro para comer ou para medicamentos. Mas houve também grandes avanços nos últimos anos. O Centro Olga Cadaval veio trazer uma dinâmica muito grande à vida cultural de Sintra.

-E a Portugal?

SAR-Nos últimos tempos vivemos acima das nossas possibilidades. Perdurou uma espécie de novo riquismo que só podia dar mau resultado. Mas se tivesse poder para mudar alguma coisa era na Educação que eu apostava.

-É monárquica por convicção ou por casamento?

SAR-(risos) Sabe, os meus pais são monárquicos "racionais" e cresci a pensar que a figura de um monarca, enquanto entidade acima dos partidos, só poderia aumentar a coesão nacional, como acontece noutros países europeus, por exemplo. Mantenho essa ideia, até porque o facto de pertencer à família real implica mais deveres e obrigações do que benesses.

-Por que é que o seu marido não tem uma maior participação política?

SAR-Penso que o meu marido sofre de preconceitos anti-monárquicos primários que muita gente, infelizmente, ainda gosta de ostentar em alguns sectores da sociedade. Mas é o país que perde por ele não ter um papel mais activo. O meu marido é um apaixonado por Portugal e poderia ter um papel importante na divulgação do nosso país. Pouca gente sabe mas ele foi determinante para a criação de uma biblioteca portuguesa na índia, por exemplo.

"As Cidades e as Serra" magazine cultural de Sintra nº 6 de Março de 2003
(Fonte: Facebook)

A LONGA CELEBRAÇÃO DA DESORDEM E DA BANCARROTA

Historiadores de direita e esquerda (Manuel Braga da Cruz, Vasco Pulido Valente, Fernando Rosas, António Costa Pinto, Rui Ramos, entre muitos) descreveram já pormenorizadamente a realidade da I República: um estado lastimável e pernicioso de coisas, um regime não democrático onde em nenhuma eleição votaram mais de 10 000 pessoas, conhecido por torturar padres, enviar os seus caceteiros contra opositores ou meros discordantes, gastador e perdulário, que meteu o país numa Guerra Mundial, versado no assassínio de governantes e presidentes, sem crédito interno e internacional, golpista e desordeiro, e que conduziu o país à bancarrota.

Pinheiro Chagas chegou a advertir, olhando a I República à sua volta, que «isto vai parar direitinho às mãos dos militares.» Foi, seguindo-se uma ditadura. Fernando Rosas já identificou nesses negros dias a existência de uma «ânsia de normalidade entre a classe média», ou seja, a maioria dos Portugueses, por oposição aos golpes diários, à desordem generalizada e à falência. Uma ânsia que foi respondida: a oferta de Salazar de «viver habitualmente» teve geral acolhimento.

Acontece, no entanto, que um grupo de dinossauros maçónicos e socialistas resolveu celebrar este ano e prolongadamente o centenário da República (e distribuir entre si os cargos em comissões e eventos correlativos), de pés assentes naquilo que o mesmo Rosas chama uma «visão hagiográfica da História». Não celebram a República como mais que discutível progresso em relação à Monarquia. Não, o que eles celebram é mesmo a I República.

Eis, portanto, o que se passa, descarada, impenitente e reiteradamente, durante todo este ano, culminando a desvergonha em Outubro: um grupelho que se apropriou de vários milhões de euros dos nossos impostos celebra um regime torcionário e indigno que levou o país à bancarrota e foi causa próxima de uma ditadura. Certamente, vêem-se ao espelho.

José Mendonça da Cruz
em "Corta Fitas"

terça-feira, 3 de agosto de 2010

MARAVILHA FATAL DA NOSSA IDADE: EVOCAÇÃO DO 4 DE AGOSTO DE 1578

El-Rei Dom Sebastião, o Desejado, «maravilha fatal da nossa idade».

No dia 4 de Agosto de 2010 cumpre-se o 432.º aniversário da Batalha de Alcácer-Quibir (que teve lugar no Wed El-Mahzen perto de Ksar El-Kebir, em 1578). 4 + 3 + 2 = 9 = Ø

Tombou aí El-Rei Dom Sebastião, O Desejado, Galaaz da Pátria, vulto maior da nossa História. E com Ele tombou PORTVGAL. Se tivesse triunfado, teria sido aclamado (até hoje) como um dos maiores Reis de Portugal e da Europa. Mas tombou, vilmente traído de muitas e desvairadas formas. É, portanto, um monstro, um louco, uma aberração.

Praticamente tudo o que se diz e se ensina sobre Dom Sebastião é fantasia quando não mentira. Afinal a História é escrita pelos vencedores. E os vencedores em 1578 foram os castelhanos, como estava previsto e como foi maquinado. Os mouros — que ainda hoje celebram a “vitória” do 4 de Agosto (eu sei, estive lá na planície do El-Mahzen com 24 anos, a idade do Rei quando tombou e assisti às comemorações efusivas do 405.º aniversário da batalha) — não valiam muito, estavam divididos e foram de facto vencidos. Os seus chefes morreram na batalha. 4 + 0 + 5 = 9 = Ø.

A nós venceu-nos a irracionalidade, a pusilanimidade, a traição e a proverbial desorganização portuguesa (as riquezas descomunais de Vera Cruz e das Índias fizeram de nós, em pouco menos de um século, um Povo pouco audaz e pouco ágil).

Quem queira saber mais sobre este Rei trágico e exemplar leia e informe-se. Não é difícil. Os testemunhos fidedignos, coevos e dos nossos dias, abundam.

Quem queira ver o Desejado em efígie só tem de ir à estação de comboios do Rossio e olhar para o pórtico e para a pequena figura de menino apoiada no escudo de Portugal.

Quem queira ver a urna onde NÃO repousam os seus ossos (... si vera est fama ...) só tem de ir ao transepto dos Jerónimos.

Evocando este dia, que de tanta esperança foi para PORTVGAL, aqui ficam dois testemunhos do tempo:

Luiz Vaz de Camões, Os Lusiadas, Canto I
 
Estandarte carmim do Senhor Rei Dom Sebastião, o Desejado

6

E vós, ó bem nascida segurança
Da Lusitana antígua liberdade,
E não menos certíssima esperança
De aumento da pequena Cristandade;
Vós, ó novo temor da Maura lança,
Maravilha fatal da nossa idade,
Dada ao mundo por Deus, que todo o mande,
Para do mundo a Deus dar parte grande;

7

Vós, tenro e novo ramo florescente
De uma árvore de Cristo mais amada
Que nenhuma nascida no Ocidente,
Cesárea ou Cristianíssima chamada;
(Vede-o no vosso escudo, que presente
Vos amostra a vitória já passada,
Na qual vos deu por armas, e deixou
As que Ele para si na Cruz tomou)

8

Vós, poderoso Rei, cujo alto Império
O Sol, logo em nascendo, vê primeiro;
Vê-o também no meio do Hemisfério,
E quando desce o deixa derradeiro;
Vós, que esperamos jugo e vitupério
Do torpe Ismaelita cavaleiro,
Do Turco oriental, e do Gentio,
Que inda bebe o licor do santo rio;

9

Inclinai por um pouco a majestade,
Que nesse tenro gesto vos contemplo,
Que já se mostra qual na inteira idade,
Quando subindo ireis ao eterno templo;
Os olhos da real benignidade
Ponde no chão: vereis um novo exemplo
De amor dos pátrios feitos valerosos,
Em versos divulgado numerosos.

10

Vereis amor da pátria, não movido
De prémio vil, mas alto e quase eterno:
Que não é prémio vil ser conhecido
Por um pregão do ninho meu paterno.
Ouvi: vereis o nome engrandecido
Daqueles de quem sois senhor superno,
E julgareis qual é mais excelente,
Se ser do mundo Rei, se de tal gente.

11

Ouvi, que não vereis com vãs façanhas,
Fantásticas, fingidas, mentirosas,
Louvar os vossos, como nas estranhas
Musas, de engrandecer-se desejosas:
As verdadeiras vossas são tamanhas,
Que excedem as sonhadas, fabulosas;
Que excedem Rodamonte, e o vão Rugeiro,
E Orlando, inda que fora verdadeiro,

...

15

E enquanto eu estes canto, e a vós não posso,
Sublime Rei, que não me atrevo a tanto,
Tomai as rédeas vós do Reino vosso:
Dareis matéria a nunca ouvido canto.
Comecem a sentir o peso grosso
(Que pelo mundo todo faça espanto)
De exércitos e feitos singulares,
De África as terras, e do Oriente os marços,

16

Em vós os olhos tem o Mouro frio,
Em quem vê seu exício afigurado;
Só com vos ver o bárbaro Gentio
Mostra o pescoço ao jugo já inclinado;
Tethys todo o cerúleo senhorio
Tem para vós por dote aparelhado;
Que afeiçoada ao gesto belo e tenro,
Deseja de comprar-vos para genro.

17

Em vós se vêm da olímpica morada
Dos dois avós as almas cá famosas,
Uma na paz angélica dourada,
Outra pelas batalhas sanguinosas;
Em vós esperam ver-se renovada
Sua memória e obras valerosas;
E lá vos tem lugar, no fim da idade,
No templo da suprema Eternidade.

18

Mas enquanto este tempo passa lento
De regerdes os povos, que o desejam,
Dai vós favor ao novo atrevimento,
Para que estes meus versos vossos sejam;
E vereis ir cortando o salso argento
Os vossos Argonautas, por que vejam
Que são vistos de vós no mar irado,
E costumai-vos já a ser invocado.

Chronica de Elrei D. Sebastião, por Fr. Bernardo da Cruz; Publicada por A. Herculano, e o Dr. A. C. Payva, Lisboa: 1837; De uma falla que elrei fez aos seos, antes da batalha. capitulo LXIV, pp.250-5 — excerto

Dom Sebastiam por graça de Deos, Rey de Portugal, Apparecido et Prophetizado.

E certifico-vos que se me buscardes, vos hei-de apparecer diante de todos os esquadroens, e se me naõ achardes, entendei que andarei entre o imigos;

por isso, tende-me por companheiro fiel, que tanto hei-de aventurar minha pessoa na conservaçaõ das vossa vidas, como por honra da victoria.

Se eu morrer nesta batalha, tende-me por ditoso, pelo premio das almas que meu zelo merece, e a fama que espero deixar em maõ de barbaros infieis por honra da cruz:

huma só cousa podeis sentir de minha morte, que será perderdes hum rei amigo, obrigado a vos fazer mercês e honras por o amor com que me seguistes, e alegria com que estais offerecidos a morrer por amor de Deos e meu.

A Deos peço, com os olhos no ceo, nesta ultima hora hora de morrer, vos pague a todos esse zelo; porque, se eu vencer, todos no premio das mercês sentireis em mim o muito que vos amo.

...

Lux perpetua luceat ei.

4 do 8 de 1578 = 4 + 8 + 1 + 5 + 7 + 8 = 33; 3 + 3 = 6
El-Rei Dom Sebastião ocultou-se com 24 anos: 2 + 4 = 6
Nasceu em 20 do 1 de 1554 = 2 + 0 + 1 + 1 + 5 + 5 + 4 = 18; 1 + 8 = 9 = Ø
20 do 1 de 2010 = 2 + 0 + 1 + 2 + 0 + 1 + 0 = 6
4 do 8 de 2010 = 4 + 8 + 2 + 0 + 1 + 0 = 15; 1 + 5 = 6
1554 --> 1 + 5 + 5 + 4 = 15; 1 + 5 = 6
1578 --> 1 + 5 + 7 + 8 = 21; 2 + 1 = 3
6 + 3 = 9 = Ø, q.e.d.

Para o Tó Zé Maya, para o Paulo Borges, para o Pedro Ayres de Magalhães e para o Paulo Teixeira Pinto.

Haja Estirpe, haja Império!

Valete, fratres!

(Fonte: António Emiliano no Facebook)