sábado, 17 de julho de 2010
O INFANTE D. AFONSO, UM PRÍNCIPE (PRECOCEMENTE) REPUBLICANO
Príncipe Real D. Carlos e o Infante D. Afonso, Palácio Real da Ajuda, 1869.
Fotografia assinada por Laurent quando esteve em Lisboa e cujo original se encontra no Palácio Nacional da Ajuda. Inv. F643
Filho segundo do Rei D. Luís e de D. Maria Pia, embora submisso e dócil, de quanto em vez tinha os seus espontâneos rasgos de moderno contestatário frente à autoridade real.
Viva a República! Viva a República! Eram estes os inflamados gritos que se ouviam na sala do Palácio de Sintra, onde o Rei D. Luís despachava, às quintas-feiras, os assuntos de Estado.
A Família Real, por costume, aí estanciava no Verão.
Aos Príncipes, contudo, não era permitido quebrar a rotina de disciplina e estudo, mantida sob a férrea vigilância de D. Maria Pia, porque para se ser REI era e É PRECISO uma preparação constante, a todos os níveis.
NADA É DEIXADO AO ACASO. REINAR é saber DEFENDER o INTERESSE de PORTUGAL e dos Portugueses.
O barulho e os gritos dando vivas à república intrigaram, mais do que alarmaram, o Rei e os ministros. Mandado um dos ajudantes inquirir da origem de semelhante desatino, o enigma logo é desvendado - o autor da revolução no paço, era, nem mais nem menos que o Infante D. Afonso, que fechado no quarto, de castigo a mando da mãe por não saber as lições, gritava a plenos pulmões o seu descontentamento contra a imposição real. O Rei voltando-se para os ministros, sorrindo disse:“ Fecharam-no e dá vivas à República… Ora aqui está um príncipe democrático!…”
Infante D. Afonso de Bragança.
Albumina Cartão Cabinet feita a partir de um negativo em vidro de colódio húmido, ca. 1869. Autor J. Laurent
Isabel da Veiga Cabral
(Fonte: Real Associação do Médio Tejo)
sexta-feira, 16 de julho de 2010
JOSÉ LUIS NUNES - FUNDADOR DO PARTIDO SOCIALISTA
A partir de 1995, e durante alguns anos, coordenei o boletim «Monarquia do Norte», da Real Associação do Porto. Entre os mais temas, havia sempre lugar para a entrevista. Em Junho de 1996 coube a vez ao Dr. José Luis Nunes, advogado e fundador do Partido Socialista. Um Senhor que cativava pela sua extrema educação, e que infelizmente já não se encontra entre nós.
A primeira questão a que respondeu foi esta, aquando do nascimento do primogénito da Casa Real Portuguesa:
«Em sua opinião, que significado tem para Portugal o nascimento do Príncipe Dom Afonso?»
Disse o sempre lembrado Advogado:
«Em primeiro lugar, importa salientar o facto em si, e a felicidade que o evento trouxe à família Real, o que não deve ser secundarizado.
No plano institucional, é a continuação da Dinastia que fica garantida, pondo assim termo a quaisquer querelas».
Palavras simples de um português fiel ás suas convicções ideológicas que não confundia com opções de regime. E não temia revelar o seu pensamento.
João Afonso Machado
(Fonte: Centenário da República )
É HOJE: GRANDE "ARRUADA MONÁRQUICA" PELAS RUAS DO PORTO
Hora: 15:30 - 18:30
Local: Concentração na Praça da Batalha (Porto)
Este desfile terá Concentração pelas 15.30 na Praça da Batalha no Porto, depois desceremos a Rua 31 de Janeiro, subiremos a Rua dos Clérigos, no Jardim da Cordoaria ocorrerão algumas intervenções monárquicas, de seguida desceremos a Rua de Ceuta e a nossa arruada terminará no Grande Hotel do Porto, onde terá início uma distribuição de boletins monárquicos. Não faltem!
Ou então podem aceder a: http://www.facebook.com/home.php?#!/event.php?eid=128658617171554&ref=mf
quinta-feira, 15 de julho de 2010
PALÁCIO DA BREJOEIRA - MONÇÃO - PORTUGAL
Foi erguido no final do século XVIII, mas as obras se prolongaram até 1834. Rodeada de frondosa mata e encantadores jardins com magnólias e japoneiras, a construção pertenceu primeiro a Luís Pereira Velho de Moscoso, nascido em 1767. As obras continuaram ...sob a direcção do seu segundo filho, Simão (1805-1881). Por volta de 1901, o palácio foi vendido a Pedro Maria da Fonseca Araújo, Presidente da Associação Comercial do Porto, que realizou as maiores obras de restauração. Em 1937, foi novamente vendido a Francisco de Oliveira Pais, de Lisboa. Nos anos 60, devido a falência de Oliveira Pais, o Palácio da Brejoeira foi adquirido pelo companheiro de sua filha, Feliciano dos Anjos Pereira, o qual, além de plantar mais vinha na propriedade, construiu uma adega moderna e, em 1977, lançou para o mercado com grande sucesso uma marca própria, o vinho Alvarinho "Palácio da Brejoeira". Actualmente, é propriedade de D. Maria Hermínia Silva d'Oliveira Paes, em partes iguais com os herdeiros de seu marido Feliciano. Não se conhecem provas evidentes de identificação do arquitecto, mas o palácio tem sido atribuído a Carlos Amarante, nessa altura um dos mais importantes arquitectos no norte de Portugal. Em estilo neo-clássico, apresenta quatro fachadas limitadas por quatro torreões, e no seu interior encontram-se faustosos salões com valiosas pinturas e frescos e distinta decoração, bem como uma capela e um teatro. Por ser uma residência privada, é proibida a entrada de visitantes ao palácio.
(Fonte: Facebook)
O PASSADO DE PORTUGAL NO SEU FUTURO
Conversas com o Duque de Bragança - Prefácio
Conheci o Duque de Bragança no princípio dos anos 80, em circunstâncias ligadas, evidentemente, ao exercício da minha profissão. Estava preparada para defrontar uma espécie de exemplar de museu, uma personagem com uma aura de nostalgia pelos "bons velhos tempos", um discurso desactualizado, e provavelmente amargo. Mas quem me apareceu pela frente foi um homem desempoeirado, com um sorriso expontâneo e um grande sentido de humor, que é, como todos sabem, um dos mais seguros indicadores de inteligência. Fiquei com vontade de o conhecer melhor, e tempos depois pedi-lhe uma entrevista. De partida para o Norte, para a sua quinta em Santar, Dom Duarte sugeriu-me que o acompanhasse a Arouca, onde uma estátua da Rainha Santa Mafalda, "minha tia-avó" (dele), ia ser descerrada. Fazia calor, e durante a cerimónia, precedida de uma missa, aconteceram as mais diversas e hilariantes peripécias. Mas foi a primeira vez que ouvi chamar "Rei" ao Duque de Bragança, pelas pessoas da rua, que, nesse dia de festa, passeavam em ar de romaria. Confesso que estava mais preocupada, na altura, em saber se Sua Alteza ainda conservava a coroa e o ceptro, para lhe pedir que se deixasse fotografar assim, do que em desenterrar ultrapassadas teorias monárquicas. Foi a curiosidade, mais uma vez, que me levou a tentar perceber o seu discurso, que era sempre de um desarmante bom senso e de uma grande lucidez. A caminho de Santar perguntei-lhe se havia algum sentido no regresso da Monarquia; uma pergunta, reconheço, quase provocatória. Mas também foi essa, sei hoje, a primeira pedra na construção deste livro. Durante anos, em visitas curtas, ou mais demoradas, fui tomando apontamentos, gravando as nossas conversas. Sentia, em relação a tudo o que ele simbolizava — e simboliza —, a mesma mistura de sentimentos que sinto, passe o aparente absurdo da comparação, perante a Tourada: respeito e não entendo. Mas os sentimentos, que não passam pelo crivo da razão, intuíam, em ambos os casos, a força antiga do arquétipo.
Em Santar, a diferença entre o calor da sala aquecida pelo fogo de uma generosa salamandra e o quarto gelado onde um pequeno aquecedor eléctrico não afastava o frio que se introduzia dentro dos lençóis de linho, impediam-me de adormecer de imediato. Mas não era só isso. Como também não eram as lendas do fantasma que morava na capela mesmo ao lado do quarto de hóspedes, que me roubavam o sono. Acordada depois de horas de conversa, revia os meus velhos conceitos, revivia a História. Aos poucos ia tomando consciência de como naquele homem, o passado, pela voz misteriosa do sangue, estava presente num discurso absolutamente coerente. Um passado que me comovia e acordava o amor quase esquecido por aquela entidade a que de uma forma hoje quase banal chamamos Pátria.
Tudo o que Dom Duarte me dizia fazia sentido. Às vezes ficava irritada. Tomava apontamentos de forma anárquica, e meses mais tarde voltava à carga. É desconfortável desarrumar ideias que tomamos por valores absolutos. No ano passado, almocei com Dom Duarte Pio na sua casa de Sintra. Pedi-lhe autorização para escrever a sua biografia. A princípio resolvi meter tudo no mesmo "bolo": as nossas conversas sobre a Monarquia e a sua vida. Tudo. Depois percebi que fazia mais sentido começar por tornar públicas as reflexões do Duque de Bragança sobre a doutrina monárquica. Há mais de 60 anos que esse pensamento não era actualizado. Do modo que todo o mérito deste livro, se assim o reconhecerem os leitores, pertence a Dom Duarte. Para mim estas conversas, a que contraponho as perguntas vulgares que qualquer pessoa colocaria, foram uma lição. De História e de humildade. Oxalá ajude, a quem o ler, como me ajudou a mim. Conhecermo-nos a nós próprios, o desafio grego lançado há milhares de anos em Delfos, passa também por conhecermos de onde viemos. E esse é o papel da História.
Lisboa, Fevereiro de 1995
MANUELA GONZAGA
ÍNDICE
PREFÁCIO - 5
CAPÍTULO I
Uma espécie de Torre de Belém de fato e gravata - 7
CAPÍTULO II
Democracia com República Monarquia com Ditadura? - 37
CAPÍTULO III
Monárquicos democráticos versus nostálgicos do Estado Novo - 51
CAPÍTULO IV
Descolonização: tantos os problemas quantos os territórios - 67
CAPÍTULO V
Restauração: sem encargos para o erário - 77
(Fonte: Blogue "Família Real Portuguesa")
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