quinta-feira, 8 de julho de 2010

"MAIS EUROPA" SIGNIFICA MENOS PORTUGAL.

A “ESCOLA” GEOPOLÍTICA PORTUGUESA E A U.E.

de: João José Brandão Ferreira
13/06/10
Em Portugal temos muita dificuldade em racionalizar conceitos, por isso raro os enunciamos.

Nós não discutimos a vida, limitamo-nos a vivê-la. Não nos preocupamos com fins nem com princípios. Resolvemos a coisa entre uns pires de caracóis e uma imperial fresquinha. Pelo meio exalamos frases de profundo sentido como “a vida são dois dias”; “ele é que a sabe toda”; “essa é que é essa”, etc. E há sempre um que atira, “olha-me aquela gaja”. Bom, até este último arrobo de marialvismo, parece ter os dias contados…

Será que fomos sempre assim? Que eventos históricos nos moldaram?

No princípio do século XV, estando as fronteiras estabilizadas, a crise político/dinástica resolvida, o estado forte e a nação “formatada” e unida, pôs-se a questão da consolidação/expansão do país. Uma era corolário da outra e vice-versa.

Confrontados com a realidade geopolítica - que configura até hoje e sempre, uma ditadura geográfica – a elite política portuguesa decidiu atacar Ceuta. Um lote apreciável de razões ditou a ida. A alternativa seria progredir pela Andaluzia em direcção a Granada, mas tal foi considerado perigoso, pois aquele território era considerado zona de expansão natural de Castela e nós dificilmente nos aguentaríamos com tal poder, que sempre foi superior ao nosso. Para equilibrar as coisas foi-se mantendo a Aliança Inglesa (estabelecida em 1373) … até hoje.

Com o pé em Ceuta foi-se, naturalmente, costa abaixo e mar adentro.

Com a Europa do Centro, Sul e Norte, nomeadamente as zonas costeiras, mantinhamos um progressivo comércio desde o século XII e também uma estreita ligação à Borgonha – donde nos tinha vindo o Conde Henrique, os monges de Cister e o apoio de S. Bernardo de Claraval, para a Reconquista, a implementação da Ordem do Templo e para a própria independência.

Estas relações com a Borgonha tiveram notável incremento quando a Infanta Isabel, filha de D. João I casou com o Duque da Borgonha, em 1430. Também, no século XV, se tentou estreitar os laços com o Imperador da Alemanha, não só por razões de comércio (e troca de saberes) mas,outrosim, para obter apoios político/diplomáticos que nos defendessem da França e dos poderes peninsulares.

Ora estas duas vertentes, ir para o Centro da Europa ou para o Sul, Atlântico e Norte de África, vieram a focalizar-se em dois príncipes da Casa Real Portuguesa: D. Pedro, o das sete partidas e D. Henrique, o navegador.

Em termos modernos pode dizer-se que estes dois homens deram origem a dois conceitos ou duas escolas de geopolítica portuguesas que em termos sucintos se podem enunciar da seguinte maneira: D. Pedro privilegiava as relações com a Europa culta e mais rica (ele tinha visitado os principais reinos europeus durante três anos…), embora não se opusesse à exploração do Atlântico, sobretudo o central. Opunha-se, no entanto a um grande esforço no norte de África, onde não vislumbrava uma mais valia em termos de custo/eficácia.

D. Henrique, não se opunha às relações com a Europa, sobretudo em termos de comercio,embora defendesse a neutralidade nas disputas europeias, mas estava muito empenhado na luta do norte de África, que encarava como a continuação da Cruzada e nas navegações costa africana abaixo e na colonização dos arquipélagos atlânticos. A isto não seria estranho, por certo, o facto de ser administrador da Ordem de Cristo e dever ter em conta os seus objectivos político-religiosos. Foi assim que o plano para se chegar ao Reino de Prestes João e à Índia começou a tomar forma.

As coisas foram-se naturalmente ajustando e a conquista de Marrocos veio a revelar-se impossível, tendo ficado isso claro no reinado de D. João III, embora a última praça, Mazagão, só tivesse sido evacuada (e com oposição!), em 1769. Neste âmbito teve D. Pedro razão.

Uma ligação mais forte à Europa veio a revelar-se, também, infrutífera, sobretudo depois da França ter “engolido” o ducado da Borgonha e a “concorrência” tivesse feito gorar a nossa presença em termos de feitorias comerciais. A Reforma virou as potências protestantes e calvinistas, contra nós, o que foi agravado pela perseguição aos judeus e, finalmente, a coroa dual Filipina tornou-nos inimigos dos inimigos de Espanha. E aqui se goraram as ideias do Infante D. Pedro...

O mar tornou-se assim a nossa janela de liberdade e oportunidade e os nossos “impérios” asiático, primeiro, brasileiro, depois e africano, por último, fizeram o resto. Quer isto dizer que os assuntos europeus nos foram alheios? De modo nenhum. Dali nunca mais veio boa vizinhança nem qualquer apoio que não quisesse trocar um chouriço por um porco. E sempre que o nosso país se encontrou no caminho dos interesses das grandes potências europeias, viemos a sofrer com isso. A Guerra da Sucessão de Espanha, a Guerra dos Sete Anos e as Guerras Napoleónicas, são disso exemplo eloquente. Ou seja, sempre que nos envolvemos nas querelas europeias, saímos a perder.

Esta dualidade das “escolas geopolíticas”, mantêm-se com nuances e diferenças de enfoque, até hoje.

Os leitores farão o favor de pensar quantos portugueses têm, hoje em dia, alguma noção disto, e entre estes quantos políticos no activo, entende as subtilezas de Pedro e de Henrique.

*****

No passado dia 12 de Junho, comemorou-se em Lisboa e Madrid, com alguma pompa e circunstância, os 25 anos da adesão de ambos os países à então Comunidade Económica Europeia (CEE).

Não vejo grandes razões para festas e, ao contrário do que parece ser uma quase globalidade de encómios, eu encontro um lote não despiciendo de erros, maus caminhos e futuro cinzento, para não dizer outra coisa. Muito sucintamente:

Portugal entrou (e quis entrar) para a CEE de qualquer maneira, sem estar preparado e numa posição fraca; depois quis fazê-lo juntamente com a Espanha o que considero um erro político/estratégico; fê-lo, ainda por cima, mandando-se de cabeça, sem salvaguardar interesses, ou prudência no baixar das defesas; pior ainda, mergulhou na CEE como se isso se tratasse de um objectivo permanente histórico – que não deve ser – em vez de considerar ser um objectivo actual importante e, por isso, transitório, que é o aconselhável. Isto é importante? Direi que é fundamental e tal implica um tipo de postura muito diferente um do outro.

A seguir embandeirou-se em arco e foi um fartar vilanagem: com os fundos estruturais, de apoio, etc., a correrem com uma facilidade nunca vista, perdeu-se a cabeça e desatou tudo a gastar a esmo ao passo que se permitiam todos os desatinos. E mais importante, foi-se sempre adiando as reformas estruturais; a definição de objectivos estratégicos e o estabelecimento de áreas prioritárias de investimento. Ao passo que, alegremente, se ia destruindo a agricultura, a pesca, a indústria e se colocavam as pequenas e médias empresas com a corda na garganta.

A especulação ganhou asas. E apostou-se no cimento, esquecendo-se que parte deste transformado em estradas ia servir os exportadores estrangeiros (nomeadamente espanhóis e franceses, que são os mais próximos) a colocarem os seus produtos cá mais rápido, logo, mais barato, ajudando assim a acabar com o que ia sobrevivendo. A “integração” com o mercado espanhol, do modo como é feito, é um crime de lesa pátria pois vai provocar umas novas Cortes de Tomar de 1581, sem ser preciso o recurso às armas… Ninguém apresentou, entretanto, contas do que foi realizado.

Em súmula, encontramo-nos hoje, depois de 20 anos a viver acima das nossas possibilidades, com dinheiro “emprestado”, completamente endividados e com o aparelho produtivo em frangalhos; o estado (por via dos partidos) pesadíssimo e … sem mais valias para o futuro! Acresce que agora a crise atinge todos os países da UE, por causa de práticas especulativas indecentes, típicas do mais puro capitalismo selvagem e que ninguém diz ter-se apercebido. É caso para dizer: belas competencias!

Ou será que tudo isto foi acelerado e feito de propósito, para agora se fugir para a frente e tentar impôr medidas mais escravizadoras da população e diluidoras das nações europeias a que os mais esclarecidos comentadores e políticos apelidam de “aprofundamento da Europa” ou “mais Europa”?

Não deve ser por acaso, que os poderes instituídos, fogem como o diabo da cruz – eles até querem acabar com a cruz… - em explicar e consultar os seus povos, sobre as principais medidas que têm sido implementadas.

Que se comemora então nos 25 anos de adesão à CEE? A democracia? Mas ela não foi instituída em 1974, perdão, 75? Precisamos de supervisão?; para vivermos em segurança?, mas quem tem garantido a segurança na Europa nos últimos 65 anos tem sido a NATO e o chapéu-de-chuva nuclear dos EUA, não a UE! Aliás, esta, aparentemente, nem se quer defender e, no momento, está incapaz de o fazer. Será por vivermos em paz? é certo que na Europa há paz desde 1945, embora com uma “cortina de ferro” a dividi-la durante 50 anos, até se “inventar” a guerra na ex-Jugoslávia. Mas a paz é ilusória, não só porque andam centenas de milhares de tropas espalhadas pelo mundo a tentar “apagar fogos”, como a situação no continente é contingente a muitos factores. É por se ter aberto as fronteiras e deixado invadir os paises da UE, por hordas de emigrantes inventando-se um multiculturalismo de fachada, pois não é sentido nem realizável? E o que se ganhou com isso? Não está à vista, que estamos no limiar de uma vasta explosão social contra este estado de coisas?

Nem tudo está mal, é certo. O nível de vida material aumentou, embora o espiritual tenha diminuído; a cultura melhorou (o analfabetismo encartado, também); a facilidade de circulação, o aumento do turismo, a assistência social, tiveram notáveis melhorias, etc.

Mas no seu todo, a Europa está velha, com uma demografia negativa, sem liderança, sem os seus esteios tradicionais e minada pelo relativismo moral.

Sinceramente não percebo muito bem o que se quis comemorar.

Mas sei uma coisa: aquilo que querem dizer com “mais Europa”, é o fim de Portugal. Não era isso, seguramente, o que o Infante D. Pedro divisava e que todos os portugueses conscientes, devem tentar impedir.

Publicada por José J. Lima Monteiro Andrade
(Fonte: Blogue "Desafio de Mudança")

quarta-feira, 7 de julho de 2010

DIA DE CHAVES, 8 DE JULHO



Foi um momento inesquecível. Agora mesmo, no programa “Portugal Directo“, da RTP1. A reportagem deslocou-se a Chaves, onde decorrem as festas da cidade, especialmente interessada nas comemorações do Centenário da República. A entrevistadora, excitadíssima, chega-se a um cavalheiro de meia-idade, a querer saber da heroicidade dos flavienses na História do Regime. Por quê o «8 de Julho», o «dia da Cidade»?

O entrevistado, que por acaso se chamava Estevão Rei, não sabia. E justificou-se – ele somente fazia parte da Comissão de Festas; para essas coisas da História estava ali o Sr. Pissarra Bravo.

Para quem também não saiba, 8 de Julho foi a data, em 1912, em que a 2ª Incursão Monárquica foi sustada, após demorado e árduo combate em que os republicanos, entricheirados dentro da cidade de Chaves, lograram impôr às tropas monárquicas um número significativo de “baixas” e a total exaustão, à mingua de água, víveres e munições.

Disso mesmo falou o Sr. Pissarra Bravo. Começando logo por declarar que dificilmente encontraria motivo e dia mais triste para celebrizar e celebrar a sua terra.

«Foi uma guerra civil, irmãos contra irmãos. Um meu bisavô, republicano, nesse dia combateu contra outro meu bisavô, monárquico!»

A entrevistadora principiava a baralhar… Prosseguia o entrevistado:

«Isto não tem nada a ver com monarquias e republicas. As monarquias europeias são as mais cuidadosas defensoras da república».

A entrevistadora, com cara de quem ignora o latim, embasbacava…

«E olhe, eu prefiro mil vezes um D. Juan Carlos que se vira para o outro e lhe diz “por que no te callas?” do que um presidente que diz que não concorda com uma lei mas tem medo de a vetar»…

Pois, pois, – a entrevistadora, desnorteada, tirou a palavra ao Sr. Bravo, antes que ele proclamasse a Monarquia em Chaves, para glória de um seu bisavô e redenção do outro, e chamou a correr outro cavalheiro, mais novo, o responsável por um ciclo de filmes moderno integrado nos ditos festejos.

E enquanto escrevo estas palavras, o “Portugal Directo” ainda permanece lá para aquelas bandas nordestinas. Agora a discorrer sobre o presunto e os pasteis de Chaves, naturalmente.

Publicada por João Afonso Machado
(Fonte: Centenário da república")

A FORÇA DO DISCURSO POLÍTICO E A ESTRATÉGIA MONÁRQUICA

A reimplantação da Monarquia e do Reino de Portugal é a restituição da Liberdade e da afirmação da sua Identidade ao povo português.

O projecto monárquico português, credível e entusiasmante só pode ser divulgado, através do discurso e da atitude, da recuperação da liberdade e representação democrática dos portugueses e da sociedade, na gestão do seu presente e na projecção do seu futuro.

O discurso monárquico terá de ser alternativo ao regime e ao actual sistema de oligarquia partidária, para ser motivante e de esperança perante a actual descrença e descontentamento.

Não é motivante o discurso da mudança da alínea b) do art.º 288 da Constituição.

Não é sequer motivante o discurso do referendo face ao Regime.

Não é motivante a apresentação das monarquias europeias como vantagem política.

Estou a falar da motivação da população portuguesa e não estou a ajuizar sobre as vantagens ou desvantagens sobre a divulgação dessas questões.

Estou a referir-me apenas à força e ao impacto desse discurso e não sobre a sua consistência.

O que importa no discurso político é a sua capacidade de entendimento ao maior número possível de portugueses, de mobilizar o interesse colectivo e o seu entusiasmo.

A receptividade dos portugueses perante a mensagem monárquica dependerá da capacidade de sermos capazes de lhes oferecer uma esperança que assegure o futuro e salvaguarde o seu sonho de liberdade, democracia e estabilidade.

Monarquia é Liberdade, o Rei é Livre e Livres seremos todos nós.

Nesta mensagem essencial da doutrina monárquica não pode haver qualquer indício de suspeição, colocada através de atitudes dos protagonistas da mensagem monárquica.

O Rei é Livre, Isento, Independente e Imparcial… o Herdeiro Real terá de ser a imagem fiel e indiscutível dessas premissas doutrinárias e por esse facto terá de se assumir como o Herdeiro que reconhece e confia em todas as afirmações monárquicas.

O Herdeiro está ao serviço de Portugal, ouve e motiva todos os portugueses e por consequência todos os monárquicos, está acima das suas disputas ideológicas e estratégicas, dos seus grupos ou organizações… liberta-os porque não condiciona ou impõe a sua atitude, os seus direitos ou as suas opiniões… UNE todos, porque reconhece em todos a sua liberdade de pensamento, de atitude, de expressão e de afirmação.

Os monárquicos são Homens e Mulheres livres, que tem de se apresentar coerentes, com esse seu estatuto e por esse facto a sua unidade de acção e de estratégia, não pode nunca ser consequência de pressões de qualquer natureza, muito menos de rejeição de afirmações individuais ou colectivas.

Não há lugar a “súbditos” numa monarquia moderna, haverá sim Homens e Mulheres livres, todos iguais perante a lei, seguros e confiantes nos seus direitos, que confiam no Rei a garantia suprema da sua liberdade.

Há evidentes diferenças de estratégia na acção dos monárquicos.

Diferenças que terão de ser respeitadas por todos e a unidade monárquica, nunca poderá ser alcançada por qualquer atitude de rejeição, de preferência ou de exclusividade.

Só totalmente libertados, libertos de acusações sem fundamento, libertos de pressões inibitórias, libertos de conotações e espartilhos, de interesses e ansiedades pessoais, de complexos, de tentativas de silenciamento ou neutralização, da presunção de privilégios, de direitos presuntivos, de obrigações de fidelidade pessoal, dos “rótulos” redutores… poderemos afirmar em liberdade a nossa profunda e sincera convicção monárquica.

Seremos então Livres, no discurso de Liberdade e Credíveis porque ao discurso associamos a atitude monárquica correcta.

No nosso Rei acreditamos, porque Ele está ao Serviço de todos nós, de Portugal e essa é a sua condição de Herdeiro ao Trono.

O nosso Rei, que libertará os portugueses e Portugal, não defenderá nenhum direito pessoal, não é um Pretendente, não é o chefe de uma tendência, grupo ou facção, mas sim o Herdeiro do sentido de Portugal, em quem os portugueses reconhecem ter condições exclusivas, de unir todos no projecto colectivo de restaurar Portugal pela Monarquia.

Só quando os monárquicos e em particular as suas principais Referências entenderem que este sentido profundo de liberdade está perfeitamente assimilado e confirmado no íntimo dos portugueses poderemos finalmente ser ouvidos, escutados, entendidos e apreciados.

Só então passaremos a ser credíveis… porque associamos o discurso à doutrina, o discurso à atitude.

O Rei moderno não governa, não tem ideologia política, não tem partido….é livre e independente, motiva a participação cívica e política, é imparcial na sua arbitragem da liberdade que reconhece e defende para todos os portugueses.

O Herdeiro Real moderno, não aponta caminhos de militância monárquica, não tem preferências por grupos, organizações ou estratégias, unifica através da sua disponibilidade para Servir e Unir os portugueses.

Motiva todas as expressões e afirmações monárquicas, porque acredita que a solução monárquica é a salvadora do sentido de Portugal. Porque acredita na sua própria convicção e na sua condição de responsabilidade de ser o Herdeiro unificador do espírito, dos princípios e da coerência doutrinária.

Ser monárquico, não deve, nem pode ser interpretado, resultado de aparências ou realidades, como uma diferenciação social, de grupo ou de seita.

Ser monárquico, é hoje apenas uma designação de militância por um objectivo político.

Esse objectivo será alcançado, se não persistirmos em ser uma “ simples bolha autónoma” da sociedade portuguesa… o objectivo só será viável, quando entendermos todos, que esse objectivo passa primeiro pela conquista pela razão e pelo coração, de todos os portugueses para a monarquia.

O Reino de Portugal, haverá de ser ressuscitado… temos hoje essa oportunidade histórica evidente… mas só a conseguiremos aproveitar se estivermos totalmente sintonizados com a vontade e ansiedade colectiva.

O actual descontentamento, é o sinal da falência do regime republicano, do actual sistema político e também da nossa actual dependência externa… saibamos então dar a resposta adequada ao momento histórico… afirmemo-nos no discurso, na atitude e no projecto político, como uma verdadeira alternativa credível e consistente, ao descontentamento, à resignação e à revolta.

Mobilizemos os inconformados, mas também os conformados e acomodados.

Da nossa coragem, frontalidade e motivação, depende a salvação do sentido de Portugal.

Todos seremos úteis e todos seremos sempre poucos, se todos entendermos que ser português é ser generoso e despido de interesses particulares e que é a Hora de se afirmarem todos os que se revêem, nesta identidade…

Livres e Libertados.

José J. Lima Monteiro Andrade
(Fonte: Blogue "Acção Monárquica")

84 ANOS SOBRE O 28 DE MAIO DE 1926

Completou-se no passado dia 28 de Maio de 2010 precisamente 84 anos quando um grupo de militares liderados pelo General Gomes da Costa desencadeou um Golpe de Estado que deu origem à implantação de um regime político que ficou conhecido para a História como o Regime do Estado Novo.

Os motivos corporativos , dentro de exército,que sustentaram o 25 de Abril já haviam feito carreira na década de 20 com os militares da Flandres a serem incluídos nos quadros de chefia.

Esse golpe teve lugar porque: primeiro a 1ª República deixara desde o primeiro momento o País mergulhado num caos político, económico e social; segundo porque as próprias elites politicas que se substituíam ao Rei e monárquicos, fiéis ao monarca, não se lhes equiparavam em qualidade e experiência.

As contas públicas de Portugal completamente desequilibradas desde o governo de Afonso Costa, os Governos que caiam uns atrás dos outros, a politização do exército e forças policiais, a par da perda de prestigio externo serviam de ingredientes para 16 anos de queda livre em direcção à pior noite da História de Portugal. A 1ª República ficou conhecida como um período em que se moveram perseguições sem quartel aos direitos cívicos, às liberdades politicas (o partido único teria o seu nascimento com o PRP em 1910) e à liberdade económica com uma moeda que desvalorizava de forma sustentada , empurrando milhares para um destino incerto fora do país, apenas para sobreviver.

Foi pois para pôr cobro ao deboche político, económico e social em que o País se encontrava mergulhado que um grupo de militares levou a cabo um Golpe de Estado no dia 28 de Maio de 1926, pelo menos assim se pensou até há pouco tempo. A óbvia grande adesão da população ao Golpe de Estado disfarçava o descontentamento e a falta de racionalidade que os milhões de estomagos vazios não permitiam antever, sobretudo entre os meios urbanos.

Contrariamente ao avanço monárquico sobre Lisboa de 1919, o povo agora aderia na mais pura das apatias , não com qualquer perspectiva de um futuro melhor, que o desnorte dos governos saídos do golpe depressa evidenciaram, mas porque a fome e a miséria não deixavam pensar.

Paiva Couceiro , sem o apoio do Rei, apresentava-se como instrumento de um plano maior, a falta de programa ou alternativa ao parlamentarismo facilmente anulava-se pela total abnegação a fim último de um golpe: a obtenção de Poder.Paiva Couceiro não o pretendia pois ao Rei caberia a palavra final, esta estória aprendeu bem o Franco (o de Espanha) a estabilidade que o Rei podia oferecer podia compensar largamente o risco de eleger um bando de assaltantes aos destinos da nação, lição que a Republica havia oferecido.

A falta de preparação e experiência que levou os militares do golpe de 26 a entregar um país inteiro às mãos de um professor universitário que à data apenas havia publicado um escrito e não mostrava o mínimo interesse em ocupar o cargo evidenciava a última paragem possível a um País que de Estado pouco já tinha, a clara evidência de um regime autoritário era agora um mal menor.Á falta de Rei substituia-se uma figura paternal.

Se o Regime do Estado Novo trouxe coisas positivas para o País cabe à História decidir e a cada geração auferir, mas que em nenhum momento houve Democracia é um facto.

Mas a esperança numa transição democrática, findo e estabilizado o ambiente social era uma ambição que rapidamente se esfumou. Apoiado entusiasticamente por monárquicos, e sendo ele próprio monárquico, depressa Oliveira Salazar desiludiu os monárquicos, quando ele próprio, depois de autorizar o regresso a Portugal da Família Real, que se encontrava exilada na Suíça, não teve a lucidez e o discernimento de optar pela transição democrática e trocar os militares de carreira que vinham ocupando o Palácio de Belém por um Rei, Dom Duarte de Bragança, sucedendo assim a Salazar no comando dos destinos de Portugal. Ao invés, Salazar permitiu que a República continuasse o seu fatídico percurso, já experimentado na década de 20 em direcção ao colapso, tendo a ousadia, o desplante e o despudor de nacionalizar e confiscar os bens da Casa de Bragança impossibilitando assim à Família Real os recursos necessários para possibilitar um avanço no percurso democrático no País.

Salazar num último acto de total incapacidade de análise capacitaria o pais para se tornar aquilo que durante toda a vida lutou, uma ditadura de Esquerda.

O resultado desse tremendo erro de Oliveira Salazar está bem à vista. O Regime do Estado Novo não sobrevive ao paternalismo do seu criador e cai de podre na madrugada de 25 de Abril de 1974 com um remake do 26 de maio de 1926. Depois da Revolução dos Cravos, veio a descolonização dita de exemplar (se foi um exemplo, foi-o pela negativa), o PREC, a reforma agrária, as nacionalizações. Portugal transformou-se num autêntico manicómio em auto gestão que só se salva com a entrada para a Comunidade Europeia (CEE) em 1986.

As opções entre os dois estadistas (Franco e Salazar) reflectiam a formação académica e o calibre intelectual que os dividia. A Franco faltava a certeza que Salazar tinha por certa e o ambiente politico não era semelhante em Portugal e Espanha.

A maior duração e coerência do Estado Novo desproviam o País de elites politicas e económicas capazes de entenderem os novos tempos e evitar o avanço das mesmas forças populares que sustentaram a implantação da República.Entre anarquistas bombistas e reaccionários ao País apenas restava uma administração central inócua entre os contestatários que alinhavam em qualquer partido que fosse anti-governo e a população em geral.

Que Salazar pela idade avançada já não pudesse distinguir o panorama politico europeu e mundial era um facto, mas torna-se estranho apresentar um país com se fosse governado por um homem só.

Se Salazar tivesse tido a argucia e a visão de Francisco Franco, que chamou a si a formação de Juan Carlos de Bourbon, e o preparou e educou para chefiar os destinos de Espanha após a sua morte (para o que contribuiu a renúncia à Coroa do Conde de Barcelona, filho do último Rei de Espanha, Afonso XIII e pai de Juan Carlos, sendo que o Conde de Barcelona era opositor político do regime de Francisco Franco), certamente que Portugal não teria passado pelo perigo real de se ter tornado um satélite da ex-URSS com óbvias implicações a nível internacional e graves responsabilidades por parte doa aliados da NATO que deixariam o flanco aberto ao contestarem a politica portuguesa em África.

Ao invés, Portugal teria de passar pelo risco maior de se eclipsar sob um conflito maior, só porque aos dirigentes e empresários faltaria a capacidade de ver a longo prazo o caminho que trilhavam.Se Salazar deixou o País na mão de burocratas e livre para se tornar uma republica socialista, só por pudor a um complexo à Monarquia também aos monárquicos lusos faltaria clarividência para observar que o Mundo mudara muito desde a carta Constitucional. Se hoje os monárquicos portugueses criticam Salazar é por miopia que também não olham para o próprio apoio que o actual Rei de Espanha teve daqueles que se diziam monárquicos fiéis ao Rei, apoio que faltou demasiadas vezes e durante demasiado tempo , sendo quase ausente após a revolução de 1974, a SAR D. Duarte Nuno, pese embora o maior labor dos poucos (escassos) que se mantiveram fiéis a SAR D. Duarte Nuno.

Embora a Espanha actualmente esteja a braços com uma grave crise económica, que se Francisco Franco não tem restaurado a Monarquia, a Espanha hoje já não existia enquanto País ( ter-se-ia desmembrado como se desmembrou a Jugoslávia ou a Checoslováquia) é um facto conhecido, tal como é o pior cenário para Portugal.

Resta saber se aqueles que ,hoje,se dizem fiéis ao Rei ou à República (ou por denominador comum à democracia) repetirão os erros da década de 70 deixando a frágil flor da Democracia desesperar ao esperando que alguém arrisque com um golpe militar , constitucional ou económico aquilo que a maioria diz querer, sem fazer.

As elites substituem-se, o Rei não e esse é um luxo que ainda vamos tendo como povo que ainda tem futuro.

(Fonte: Somos Portugueses )

GRANDE ARRUADA MONÁRQUICA PELAS RUAS DO PORTO

Este desfile, no dia 17 de Julho (sábado), terá Concentração pelas 15.30 na Praça da Batalha no Porto, depois desceremos a Rua 31 de Janeiro, subiremos a Rua dos Clérigos, no Jardim da Cordoaria ocorrerão algumas intervenções monárquicas, de seguida desceremos a Rua de Ceuta e a nossa arruada terminará no Grande Hotel do Porto, onde terá início uma distribuição de boletins monárquicos.

Não faltem!

Contactos: Diogo de Campos - diogojrcampos@hotmail.com / 917994646

terça-feira, 6 de julho de 2010

ALBERGUE ESPANHOL - A VERDADEIRA CAUSA DA CRISE: A FALTA DE UMA MARIA PIA CONTRA OS MAIS PAPISTAS QUE O PAPA...

Nosso Portugalório, com a tradicional doença da hiper-identidade (Eduardo Lourenço dixit), quando entra em crise e reconhece o permanecente da decadência, logo procura, na noite dos séculos, a causa da coisa, entrando em sucessivas disputas pouco alcobacenses sobre a genealogia de quem nos fez deixar de ser…

Há os que discutem o regicídio: só a tiro, dizem aqueles a quem falta a esperança dos desesperados e nos lixaram, com o rei sublimado em Sidónio e João Franco “travestido” de Salazar. Por mim, que desembarcaria no Mindelo, prefiro um Viva D. Maria II, que se houvesse ginecologia cuidada, ainda poderia estar viva em 1910…

E mais digo: Viva D. Manuel II, que se usasse antibióticos para uma infecção de garganta, seria rei constitucional em 1945, com o apoio do próprio PCP. Salazar também poderia ser líder de um PDC que, eventualmente, ganharia eleições livres e sem PIDE… Entretanto lá concluiria o que nunca fez, uma dissertação de doutoramento, já que beneficiou da golpaça de uma passagem administrativa, concedida por um decreto republicano. Ou pediria ao generalíssimo Franco que lhe desse guarida numa boa universidade de “nuestros hermanos”…

Porque Salazar, que nos engessou a perna partida do défice, manteve as talas por décadas, mesmo quando a perna já estava curada (Agostinho da Silva dixit). Ainda por cima, porque detestava correntes de ar, optou por nos fechar as janelas e as portas à livre circulação.

Foi esse avô tirano que nos deus filhos de feitio oposto: do pai Mário dos desperdícios bochechais do distributivismo, aos tios ginasticados que continuaram o forrobodó, consertando as cercas e alcatroando os caminhos. Agora, os netos têm de pagar as dívidas e já não saibam cuidar da horta que lhes dava víveres e árvores da sabedoria…

Até chegam a D. António, que era prior, mas não patriarca, e que não foi contra os castelhanos, mas contra um dos rebentos daquele belga, casado com uma portuguesa, que acumulava coroas de quase tudo o que havia de ser CEE. Caiu na rasteira dos franceses e, não seguindo o conselho do comandante do porto de Setúbal, avoengo de D. Luís da Cunha, cometeu a patetice de não se instalar no Brasil…

A culpa é mesmo de D. António que fugiu para Paris, tal como o último rei para a protecção britânica. Só a italiana avó deste último, a quem chamavam louca, é que protestou… porque esta, se fosse para a Rotunda, até o Machado Santos lhe obedeceria!

Sou por D. Maria Pia que, quando foi a Roma com o filho Carlos, até teve uma recusa do papa quanto a uma recepção? Ela não era descendente daquele a quem chamaram VERDI (viva el-rei de Itália)? E Bragança com Sabóia deu Carlos…que o Herédia, por engano, desfez na esquina… Também acabou na Leva da Morte, ao descer para o Cais do Sodré…

José Adelino Maltez

PS: O presente texto foi inconstitucionalmente rejeitado, como guião de ópera bufa, pela oficiosa comissão oficial do centenário da República. Porque continha várias faltas de respeito ao conselho directivo que nos rege e ganha sempre as eleições, embora a proposta tenha sido assumida por uma declaração de voto da ala catolaica do cinco de Outubro, pelas várias insinuações maçónicas que o mesmo ocultava contra o ultramontanismo do papa-rei. Deixo uma sugestão para as comemorações, já assumida pelos meus camaradas do partido do norte: a reconstrução da ponte com o nome da grande rainha sabóia que engendrou os braganças marianos…

ILHAS GREGAS À VENDA PARA PAGAR DÍVIDA ... SERÃO AS ILHAS DOS AÇORES E MADEIRA AS PRÓXIMAS?

Uma hipótese impossível em Monarquia porque nenhum monarca, jamais autorizaria alienação de território nacional, tal como é feito pelas repúblicas onde a estabilidade partidária surge antes da integridade territorial.

Notícia sobre alienações para reduzir dívida irritam o Governo grego, mas não apagam as dúvidas sobre a veracidade futura desta hipótese.

O jornal britânico The Guardian publicou ontem uma história segundo a qual o Governo grego se prepara para vender ilhas mediterrânicas visando reduzir a sua dívida pública de 300 mil milhões de euros, mais de 110% do PIB. O artigo citava casos específicos de venda, nomeadamente uma zona na ilha de Mykonos e uma ilha chamada Nafsika, no mar Egeu, cujo preço, num negócio privado, seria de 15 milhões de euros.

O Governo grego desmentiu de imediato a reportagem. Em comunicado, Atenas considerou "enganadora" a informação sobre alienação de ilhas de propriedade pública e negou o interesse de investidores russos e chineses.

De acordo com o The Guardian a Grécia estaria disponível para vender ou alugar a longo prazo algumas das seis mil ilhas para poder pagar a dívida,

Segundo o jornal britânico, um terço da área da ilha de Mykonos, um dos principais destinos turísticos do país, estaria à venda.

Investidores, maioritariamente russos e chineses, estão interessados em propriedades da ilha de Rodes a pensar em futuros destinos no Mediterrâneo para os clientes cada vez mais abastados daqueles países.

Entre os supostos interessados está o magnata russo Roman Abramovich, o multimilionário proprietário do clube de futebol britânico Chelsea, apesar de um porta-voz ter negado qualquer investimento imediato.

Segundo o portal da Internet Private Islands, a ilha de Nafsika, no mar Jónico, está à venda por 15 milhões de euros.

Outras, no entanto, supostamente vendem-se por menos de dois milhões de euros, ou seja, por um preço inferior a uma casa nos bairros londrinos de Chelsea ou Mayfair, afirma o jornal.

Se a história do Guardian não parece relacionada com a crise financeira grega, o mesmo não se pode dizer da decisão de ontem, tomada pelo governo helénico, de avançar com a reforma do sistema de pensões. A iniciativa tem sido fortemente contestada pelos sindicatos, que tencionam organizar outra greve geral na terça-feira.

A nova lei prevê o congelamento das pensões até 2013 e aumento da idade mínima de reforma para 65 anos, bem como aumento do número de anos de contribuição. Serão fundidos diferentes sistemas de pensões e acabam os privilégios de reformas antecipadas para várias centenas de profissões.

«É algo que entristece. Vender ilhas ou zonas que pertencem ao povo grego devia ser o último recurso», afirmou Makis Perdikaris, director da Greek Island Properties.

«É uma vergonha que se tenha chegado a este extremo, mas pelo menos demonstra que a Grécia está decidida a tomar todas as medidas necessárias para tentar cumprir as suas obrigações», explicou ao jornal Gary Jenkins, analista da empresa Evolution Securies.

No entanto o Governo Grego depressa desmentiria a notícia.

A hipótese de venda de ilhas para pagar a dívida pública é um tema sensível na Grécia, sobretudo depois desta sugestão ter sido feita por dois deputados da direita alemã. Em Março, quando Atenas mergulhou na crise financeira, o cristão-democrata Josef Schlarmann (do partido de Angela Merkel) e o liberal Frank Schaeffler (na coligação do Governo) defenderam em público que o governo grego não se deveria limitar a medidas de austeridade para conter o défice, mas era também necessário que considerasse a venda de património turístico e histórico para conter a dívida pública.

Estas sugestões, feitas em tom irónico e reproduzidas pelos jornais alemães da direita, escandalizaram os gregos. Na altura, estava em causa um debate sobre a eventual ajuda alemã a um país em crise e os dois deputados alemães eram críticos da ideia de se financiar a Grécia, que tem cerca de seis mil ilhas, incluindo 227 sem habitantes. Na realidade, este país é um popular destino de turismo internacional e as ilhas são investimentos apetecíveis para milionários de todo o mundo. No mercado imobiliário, uma ilha no mar Egeu pode custar dois milhões de euros.

Em Maio, já depois da polémica com os deputados alemães, o governo introduziu medidas drásticas que provocaram forte agitação social. Com défice orçamental de 13,5% do PIB em 2009, Atenas aprovou um plano que prevê cortes de 30 mil milhões de euros em três anos, para atingir um défice de 3% do PIB em 2014.

A Grécia tem 2,6 milhões de pensionistas (23% da população) e deverá gastar 13% do PIB em 2020 com estes pagamentos. Segundo os peritos, e se nada fosse feito, em 2050 o sistema custaria 24% do produto. Outros dados estatísticos apontam para uma pensão média mensal de 720 euros, 14 vezes. Cada pensionista grego recebe na reforma, em média, 57% do salário que tinha.

O Governo de Georges Papandreou introduz a reforma das pensões no âmbito do acordo que fez em Maio com a UE e o Fundo Monetário Internacional. Este entendimento permitiu à Grécia aceder a um empréstimo de 110 mil milhões de euros. Ao explicar a reforma, o primeiro-ministro adiantou que ela é um teste sobre a "capacidade do Governo de ir além de aumentos de impostos e cortes na despesa e de introduzir reformas estruturais".

(Fonte: Somos Portugueses)