terça-feira, 6 de julho de 2010

OVOS-MOLES DE AVEIRO: O PRIMEIRO PRODUTO DE PASTELARIA CERTIFICADO EM PORTUGAL PELA COMISSÃO EUROPEIA


A receita secular do doce tradicional da pastelaria aveirense (transmitida pelas freiras dominicanas, franciscanas e carmelitas dos vários conventos existentes em Aveiro até ao século XIX), é desde o dia 1 de Julho - o primeiro produto de pastelaria certificado em Portugal. Com a denominação de Indicação Geográfica Protegida, por decisão da Comissão Europeia, os Ovos-Moles de Aveiro passaram a figurar lista de produtos agrícolas e alimentares a ser vendido com um "selo de qualidade". Comercializada inicialmente em barricas de madeira pintadas com barcos moliceiros e outros motivos da Ria de Aveiro, os ovos moles apresentam-se também no mercado em barricas de cerâmica, apostando numa nova imagem.
(Fonte: Pensar Real, Pensar Portugal)

Ovos-Moles de Aveiro
 
"Ovos-moles" é um doce típico da cidade de Aveiro.

Trata-se de um doce regional, tradicional da pastelaria aveirense, cuja fórmula e método de produção original se deve às freiras dos vários conventos aqui existentes até ao século XIX - dominicanas, franciscanas a carmelitas. Extintos os conventos, o fabrico dos ovos moles manteve-se, graças a senhoras educadas pelas referidas freiras. Desde o início da linha de caminho de ferro Porto-Lisboa que é tradicional a sua venda durante a paragem dos comboios na estação de Aveiro, feita por mulheres usando trajes regionais.

A «massa de doce de ovos» é comercializada em barricas de madeira pintadas exteriormente com barcos moliceiros e outros motivos da Ria de Aveiro. Também se apresenta em tacinhas de cerâmica e ainda envolvida em hóstia (massa especial de farinha de trigo), moldada nas mais diversas formas de elementos marinhos, como ameijoas, peixes, bateiras, conchas e búzios, que são passados por uma calda de açúcar para os tornar opacos e dar mais consistência.

A massa do doce de ovos usada, embora consistente, é muito cremosa e obtida exclusivamente através de açúcar em ponto e gemas de ovos muito frescos, na sua confecção, não deve ser mexida em círculo (para não ficar estriada), mas aproximando e afastando a colher do operador.

Às gemas de ovos, depois de cuidadosamente desclaradas e misturadas, junta-se cerca de metade do peso de açúcar em ponto, de «estrada» a «bola rija», já frio. Mexendo sempre para o mesmo lado com a colher de pau, evitando os círculos, leva-se ao lume até se ver o fundo da caçarola de cobre.

(Fonte: Wikipedia)

segunda-feira, 5 de julho de 2010

ACTUALIDADE DO PENSAMENTO DO REI D. PEDRO V

” Soluções que ainda hoje serão fundamentais para a continuação de Portugal…

Diz o Corcunda. Refere-se a estes pensamentos de D. Pedro V, que, abusivamente transcrevo do saudoso blogue Santos da Casa:

( a única coisa que me poderá desculpar, será o facto de o seu autor os ter disponibilizado na caixa de comentários )


Actualidade do pensamento do Rei D. Pedro V

OLIGARQUIA

«De que valem as medidas, se os grandes figurões são os primeiros que as infringem? Não creiam que eu não vejo o luxo de certas pessoas; não creiam que eu pense que esses luxos caem das núvens; não creiam que eu pense que a maior parte dos objectos de que usam pagaram os direitos legais. Creiam pelo contrário que sei donde lhes vem o luxo; que sei que vivem de contrabando; por que só os pequenos e os pobres hão-de sofrer o rigor das leis, que nãoforam feitas pelos figurões. Esses estão muito acima das ideias de moralidade; são coisas que os abaixam, deitam-nas aos pequenos, que devem gemer enquanto eles riem.»

MORAL

«O espírito utilitário do nosso século abaixa o nível das ideias do homem, e produz a infeudação do espírito à matéria.»

POLÍTICA

«Cumpre que as medidas administrativas de que o país carece possam satisfazer a uma condição essencialíssima, a necessidade de moralizar os serviços públicos, de dar à autoridade a respeitabilidade que lhe falta e sem a qual os administrados vêem no governo o pior dos impostos, imposto que se traduz na perda de tempo, de trabalho, e dos bens de fortuna.»

REALEZA

«Sabemos que os reis são homens como os outros, que eles têm desejos, paixões e defeitos; que eles têm os meios naturais de satisfazer a esses desejos, de ceder ao império dessas paixões, e de seguir a via errónea dos seus defeitos; mas devemos também lembrar-nos que existe para eles uma lei moral muito mais severa do que para os outros, porque quanto mais elevada é a posição tanto maior é a influência do exemplo.»

OPINIÃO PÚBLICA

«O erro tem sido o tomar por opinião pública os gritos de alguns poucos, e por tendências da nossa época os seus desvarios.»

INSTRUÇÃO

«Um dos fins, e certamente um dos mais importantes, que se devem procurar obter numa organização da instrução pública, é fechar a porta aos imbecis e extirpar os parasitas que não só são pouco económicos mas para ssim dizer embrutecem o Estado.»

«O problema da instrução contém-se quase todo no cuidado da composição do professorado »

Há já alguns meses que publiquei um postal com reflexões de D. Pedro Vtendo o mesmo suscitado o interesse e mesmo entusiasmo de alguns leitores. No seu blogue, prometi ao estimado JM que voltaria a reproduzir mais reflexões do infortunado esposo de D. Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen. Penitencio-me desta demora perante o fiel leitor boavisteiro e monárquico, com a certeza de que o que se segue não deixará de espantar pela sua actualidade.

Retomando então a obra de Augusto Reis Machado, “O Pensamento do Rei D. Pedro V” (Livraria Avelar Machado, Lisboa, 1941), do capítulo “Pensamento Político e Social” leiamos então o que o jovem soberano tinha a dizer sobre

«GOVERNANTES E GOVERNADOS

Os olhos já vão rompendo a núvem de poeira que se tem levantado diante deles; e o povo algum dia declarar-se-á solenemente contra o escárnio que há 20 anos todos os governos em Portugal dele têm feito. E fatal e tremendo será esse desagravo. Ainda é tempo de remediá-lo, mas não há tempo a perder.

Infelizmente, na nossa terra, conserva-se demasiadamente a lembrança da desordem e dos maus costumes, porque há cinquenta anos que Portugal está sem Governo, verdade que parece um pouco dura, e talvez mesmo que um pouco exagerada, mas que nem por isso deixa de ser uma verdade. Há cinquenta anos que não há autoridade, e que as coisas conservam um resto de ordem que vem do movimento imprimido pelas tradições, que não se podem destruir, e que o acaso, graças a Deus, tem querido prolongar até que as circunstâncias permitam restabelecer as coisas nos seus eixos, e fazer funcionar regularmente o mecanismo constitucional, que por falta de engenheiros, está muitíssimo deteriorado… É preciso um engenheiro hábil, quer ele se chame Rei ou Presidente, Assembleia Nacional ou Governo, porque seja qual for a forma de Governo para ele durar é preciso que governe uma pessoa moral.

Se os governos quiserem hoje ser úteis à sociedade, se eles não quiserem adiantar a época do terrível cataclismo que espera um estado de coisas factício em que o dolo e imoralidade e o ludíbrio do povo ocupa uma parte tão considerável, eles terão que olhar mais pelo povo que padecia em silêncio sem se queixar porque já nem mesmo se sabe queixar.

Para Portugal o mesmo sono forçado dura ainda e as imoralidades dos homens públicos contribuem para o prolongar. Nada há mais fatal que o cepticismo do povo.»

Adenda – na caixa de comentários desse post, diz um comentador:

” Mas este rei, a par de D. João II, foi do melhor que Portugal teve” – palavras para quê?

publicado por Cristina Ribeiro
(Fonte: Blogue "Estado Sentido")

QUAL É A COISA, QUAL É ELA, QUE ENTRA PELA PORTA E SAI PELA JANELA?

Afonso Costa não é, como escreveu A.H. de Oliveira Marques, o mais querido e o mais odiado dos Portugueses. É, com certeza, uma das figuras mais ridículas e abjectas da História de Portugal, epítome do que constituiu a I República, ou seja, um regime de vale-tudo, de ameaças, de extorsões, de perseguições e ódios. Afonso Costa jamais foi querido. Foi sempre temido, odiado, repudiado e no fim respeitado, pois ser amado significava perder a força necessária à consolidação da sua obra. A República Portuguesa, sobretudo nos seus defeitos (sim, porque não podemos esconder-lhe algumas virtudes) foi da sua lavra. Desde a tentativa de erradicação da Igreja Católica, às sovas que deu ou mandou dar aos seus opositores, passando pelos pequenos furtos ou os grandes roubos em que esteve envolvido, sem qualquer pejo, embaraço ou vergonha. Como escreveu Fernando Pessoa: «Não podendo Afonso Costa fazer mais nada, é homem para mandar assassinar. Tudo depende do seu grau de indignação.». Ora, a indignação de Afonso Costa teve vários graus, tantos ou mais do que aqueles que subiu na hierarquia da Maçonaria que o acolhia com fraternidade. Aliás, a raiva deste paladino da República nunca foi elitista, faça-se-lhe justiça: tanto se dirigia a monárquicos como a republicanos, dependendo de quem se atrevia a fazer-lhe frente.

Político experimentado dos últimos anos do Rotativismo e da experiência do Franquismo, A. Costa sabia uma coisa: para governar um país como Portugal, a Democracia só podia vir depois. Mais, o primeiro passo para mandar nos portugueses, não é suspender o Parlamento, ou calar a Imprensa, é alimentar o mais possível o caciquismo e os clientelismos. Por isso, com uma mestria nem sequer igualada pelo seu sucessor das Finanças a partir de 1926, rodeou-se da família, criando uma Dinastia de Costas (a expressão aparece na sua correspondência), leal, forte, incorruptível (na qual a sua mulher teve um papel fundamental, mesmo apesar de às mulheres a República ter negado o direito ao voto), distribuiu benesses aos mais próximos, amigos ou inimigos, mantendo-os no bolso como qualquer bom gangster o faria.

Contudo, Costa tinha um lado medroso que faz dele esse político tão extraordinário e vivo da nossa História. Rodeava-se da púrria (adolescentes vadios e marginais a quem oferecia bombas e armas para assustar a população) e ele próprio manejava a pólvora como ninguém; por outro lado era incapaz de enfrentar um opositor num frente a frente. E tinha medo, muito medo, do próprio terror que lançara. Quando, em 1917, Sidónio o mandou ir prender ao Porto andou escondido em guarda-fatos e dali saiu apupado por uma fila de mulheres. Passou vexames inacreditáveis: viu a sua casa ser esbulhada de alguns dos objectos que ele tinha furtado nos Palácios Reais e um dia de Julho de 1915, seguindo num eléctrico atirou-se pela janela fora ao som e à vista de um clarão que pensava vir de uma bomba. Não fora um atentado, apenas um curto-circuito…estatelou-se no chão de onde foi levantado pelos transeuntes em estado grave e, durante meses e anos a fio, Lisboa transformou esta cena patética numa adivinha popular: Qual é coisa, qual é ela, que entra pela porta e sai pela janela?

Afonso Costa participou em negociatas e estranhos casos de favorecimento. Desapareceram processos durante o seu ministério na Justiça e não poucas vezes viu o Parlamento envolvê-lo na “roubalheira” de que fala Raul Brandão e na qual políticos e militares participavam. Em França um banqueiro virou-se para António Cabral, ex-ministro da Monarquia perguntando-lhe: - “Conhece um tal de Afonso Costa, em Portugal”. António Cabral disse que sim, que o conhecia bem… ao que o capitalista respondeu – “Pois deve ser um dos homens mais ricos do seu país, dada a quantia que possui na conta que por cá abriu…”

Nada o detia. Para além de manipular a legislação a seu favor (algo que facilmente podia fazer dado que controlava, a partir da proeminência do seu Partido Democrático, veja-se o Caso das Binubas, de que hoje ninguém fala…) executava malabarismos financeiros, como o que envolveu a sua mulher para quem fez desviar, sob a desculpa da caridade, meio milhão de francos, destinados à Comissão de Hospitalização da Cruzada das Mulheres Portuguezas, de que a D. Alzira Costa era presidente.

Claro está que no meio de governos maioritários, ditatoriais e não fiscalizados, no meio do clima de terror que Afonso Costa ajudara a criar e mantinha para sua segurança e a da própria República, os roubos não só eram frequentes, como absolutamente seguros (prova-o a “habilidade” de Alves dos Reis, em 1925). Nenhuma investigação sendo efectivamente aberta levaria a alguma condenação. Não deixa de ser curioso que às despesas e aos roubos que os republicanos faziam questão de apontar antes de 1910 tornaram-se frequentíssimos durante a os loucos anos da I República: armamento, fardas militares, promiscuidades várias com empresas estrangeiras, etc, etc.

Através da figura de Afonso Costa é fácil entender as actuais comemorações do Centenário e como, a meio deste ano de 2010, os seus mandatários resolveram assumir a celebração dos primeiros anos da República, evitando assim o Estado Novo e, na 3.ª República, fugir à inevitável glorificação de uma certa “oposição” não socialista. É que a Primeira República, intolerante e exclusiva como hoje alguns dos seus admiradores é a melhor e talvez a única maneira de regressar às raízes e à autenticidade da República Portuguesa tal qual ela foi gizada.

Nuno Resende
(Fonte: Centenário da República)

VAI CUSTAR A TODOS...

(Fonte: Revista Flash)

domingo, 4 de julho de 2010

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 (Fonte: Real Associação de Lisboa)

XIII TOURADA REAL - ÉVORA

Dom Duarte congratula-se com Homenagem à Amália.

S.A.R., Dom Duarte de Bragança, redigiu o texto que divulgamos em primeira mão e onde se congratula com o facto de a empresa "Terra Brava" prestar homenagem à memória de Amália na próxima Tourada Real na (sexta-feira, 9 de Julho de 2010, às 22h00) que se realiza na Arena D'Evora:

"Assinala-se este ano os dez anos da sua morte, mas Portugal sempre recordará a sua memória e o legado cultural que nos deixou. Esta grande artista foi uma das maiores referências de uma das canções mais portuguesas e mais tradicionais de sempre. O Fado confunde-se com Amália e Amália com o Fado.

Não quero deixar passar esta data sem prestar o meu reconhecimento e admiração por esta figura ímpar de Portugal, com quem tive o prazer de conviver em várias ocasiões, nomeadamente, quando foi coroada 'Rainha do Fado'.

A XIII Tourada Real em Évora presta-lhe uma homenagem".

Dom Duarte de Bragança

Pedro Teixeira em

COMENTÁRIO AO ARTIGO: "A INSUSTENTABILIDADE POLÍTICA. A MENTIRA PRESERVA A ILUSÃO"

Li com interesse o seu depoimento. As razões que aponta para a crise que nos afecta – a existência do Estado Providência e, por isso, a ” dispensabilidade de esforço”; o consumismo desenfreado do Estado, das empresas, dos cidadãos com o consequente recurso ao crédito e ao endividamento – à luz da história passada e da análise do presente, são questionáveis.

Constitui o cabal exemplo de como, orquestrada por incompetentes analistas, políticos sem escrúpulos e sagazes banqueiros, a mensagem de responsabilização quer da sociedade como um todo, quer de um sistema – o Estado Providência, que cidadãos anónimos, a pulso e à custa de grandes lutas, construiu - passou a fazer parte do inconsciente colectivo de um povo.

Mais grave ainda é o desconhecimento da História – da nossa História passada e recente. Não existia o Estado Providência, o consumismo e outros aspectos referidos, mas essa era a situação de Portugal em 1906, quando D. Carlos dá posse ao governo de João Franco. O Rei no discurso da coroa, para responder ao descalabro em que se encontrava o País aponta medidas reformistas para : as finanças (agravamento das despesas públicas cujo deficit em 1903 era de 37627 contos); independência do poder judicial; “desenvolvimento moral” dos municípios; descentralização administrativa; o fim das gratificações, abonos e vencimentos não orçamentados; a responsabilidade ministerial…e terminava - “larga é a obra reformadora de que o País carece e difícil e árdua a tarefa a executar”.

Então o Rei, era o árbitro que hoje não encontramos no Presidente da República, a única diferença face ao que experimentamos hoje, e contra ele conjuraram os republicanos. A República instalada na governação do País de 1910 aos nossos dias, não alterou, excepto num pequeno período, os condicionalismos existentes. Pelo contrário, agravou-os, mais recentemente, estabelecendo uma aliança com os interesses internacionais, adoptando modelos sociais e económicos que são estranhos (diria até contra natura) ao continente Europeu e a Portugal, podendo incorrer no perigo real de hipotecar, assim, o futuro dos portugueses e comprometer a sobrevivência da nossa memória colectiva, a da continuação da nossa História. Aconselho-vos, eventuais leitores, para melhor entendimento destes modelos, a ver os filmes/documentário de Michael Moore “ Capitalism: A Love Story" e “SICKO”. Neste último há o importante depoimento de um pensador inglês sobre o Estado Providência …

Isabel da Veiga Cabral
(Vice-Presidente da Real do Médio Tejo)