sábado, 3 de julho de 2010

HOMENAGEM AO REI D. MANUEL II. BANDEIRA DO REINO DE PORTUGAL HASTEADA NOS CASTELOS DE ALMOUROL E ABRANTES. VIVA S.A.R. DOM DUARTE! VIVA PORTUGAL!

DONA ISABEL, A RAINHA SANTA DE PORTUGAL

Isabel de Aragão (Saragoça, 1271 - Estremoz, 4 de julho de 1336), foi uma infanta aragonesa e, de 1282 até 1325, rainha consorte de Portugal. Passou à história com a fama de santa, tendo sido beatificada e, posteriormente, canonizada. Ficou popularmente conhecida como "Rainha Santa Isabel" ou, – "A Rainha Santa". D. Isabel era a filha mais velha do rei Pedro III de Aragão com Constança da Sicília. Por via materna, era descendente de Frederico II, Sacro Imperador Romano-Germânico, pois o seu avô materno era Manfredo de Hohhenstauffen, rei da Sicília, filho de Frederico II.

Teve cinco irmãos, entre os quais os reis aragoneses Afonso III e Jaime II, para além de outro monarca reinante, Frederico II da Sicília. Para além disso, sua tia materna foi Santa Isabel da Hungria, também considerada santa pela Igreja Católica. D. Dinis tinha 19 anos quando subiu ao trono e, pensando em casamento, convinha-lhe Isabel de Aragão. D. Dinis enviou, por isso, uma embaixada a Pedro de Aragão em 1280. Quando lá chegaram, estavam ainda à espera de resposta enviados dos Reis de França e de Inglaterra, cada um desejoso de casar com Isabel um dos seus filhos. Aragão preferiu entre os pretendentes aquele que já era rei.A 11 de fevereiro de 1288 com 17 anos, Isabel casou-se, por procuração com o soberano português Dom Dinis em Barcelona, tendo celebrado a boda ao passar a fronteira da Beira, em Trancoso, em 26 de junho do mesmo ano. Por esse motivo, o rei acrescentou essa vila ao dote que habitualmente era entregue às rainhas (a chamada Casa das Rainhas, conjunto de senhorios a partir dos quais as consortes dos reis portugueses colhiam as prendas destinadas à manutenção da sua pessoa.

Em 1281 D. Isabel de Aragão recebeu como dote as vilas de Abrantes, Óbidos, Alenquer, e Porto de Mós. Posteriormente deteve ainda os castelos de Vila Viçosa, Monforte, Sintra, Ourém, Feira, Gaia, Lamoso, Nóbrega, Santo Estêvão de Chaves, Monforte de Rio Livre, Portel e Montalegre, para além de rendas em numerário e das vilas de Leiria e Arruda (1300), Torres Novas (1304) e Atouguia da Baleia (1307). Eram ainda seus os reguengos de Gondomar, Rebordões, Codões, para além de uma quinta em Torres Vedras e da lezíria da Atalaia.

Do seu casamento com o Rei D. Dinis teve 2 filhos:

Constança (3 de janeiro de 1290 - 18 de Novembro de 1313), que casou em 1302 com o Rei Fernando IV de Castela.

D. Afonso IV (8 de Fevereiro de 1291 - 28 de Maio de 1357), sucessor do pai no trono de Portugal.

Rainha. Na década de 1320, o Infante Dom Afonso, Herdeiro do Trono, sentiu a sua posição ameaçada pelo favor que o Rei Dom Dinis demonstrava para com um seu filho bastardo, Afonso Sanches. O futuro Dom Afonso IV declarou abertamente a intenção de batalhar contra o seu pai, o que quase se concretizaria na chamada peleja de Alvalade. No entanto, a intervenção da Rainha conseguiu serenar os ânimos – pela paz assinada em 1325 nessa mesma povoação dos arredores de Lisboa, foi evitado um conflito armado que teria instabilizado o reino. Dom Dinis morreu em 1325 e, pouco depois da sua morte, Isabel recolheu-se no então Convento de Santa Clara-a-Velha em Coimbra, vestindo o hábito da Ordem das Clarissas mas não fazendo votos (o que lhe permitia manter a sua fortuna usada para a caridade). Só voltaria a sair dele uma vez, pouco antes da morte, em 1336. Nessa altura, Afonso declarou guerra ao seu sobrinho, o rei D. Afonso XI de Castela, filho da Infanta Constança de Portugal e portanto neto materno de Isabel, pelos maus tratos que este infligia à sua esposa D. Maria, filha do Rei português. Não obstante a sua idade avançada e a sua doença, a Rainha Santa Isabel dirigiu-se a Estremoz, cavalgando na sua mula por dias e dias, onde mais uma vez se colocou entre dois exércitos e evitou a guerra. No entanto, a paz chegaria somente 4 anos mais tarde, com a intervenção da própria Maria de Portugal, por um tratado assinado em Sevilha em 1339.

Morte. Isabel faleceu, tocada pela peste, em Estremoz, a 4 de julho de 1336, tendo deixado expresso em seu testamento o desejo de ser sepultada no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, onde em 1995 foi iniciada uma escavação arqueológica, após ter estado por 400 anos parcialmente submerso pelo rio Mondego.

Segundo uma história hagiográfica(*), sendo a viagem demorada, havia o receio de o cadáver entrar em decomposição acelerada pelo calor que se fazia, e conta-se que a meio da viagem debaixo de um calor abrasador o ataúde começou a abrir fendas, pelas quais elas escorria um líquido, que todos supuseram provir da decomposição cadavérica. Qual não foi, porém a surpresa quando notaram que em vez do mau cheiro esperado, saía um aroma suavíssimo do ataúde. O seu esposo Dom Dinis repousa no Mosteiro de São Dinis em Odivelas. Isabel foi uma Rainha muito piedosa, passando grande parte do seu tempo em oração e ajuda aos pobres. Por isso mesmo, ainda em vida começou a gozar da reputação de Santa, tendo esta fama aumentado após a sua morte. Foi beatificada pelo Papa Leão X em 1516, vindo a ser canonizada, por especial pedido da dinastia Filipina, que colocou grande empenho na sua santificação, pelo Papa Urbano VIII em 1625.

É reverenciada a 4 de Julho, data do seu falecimento. Com a invasão progressiva do convento de Santa Clara-a-Velha de Coimbra pelas águas do rio Mondego, houve necessidade de construir o novo convento de Santa-Clara-a-Nova no século XVII, para onde se procedeu à transladação do corpo da Rainha Santa. O seu corpo encontra-se incorrupto no túmulo de prata e cristal, mandado fazer depois da transladação para Santa Clara-a-Nova. No século XVII, a rainha D. Luísa de Gusmão, regente em nome de seu filho D. Afonso VI, transformou em capela o quarto em que a Rainha Santa Isabel havia falecido no castelo de Estremoz. Actualmente, inúmeras escolas e igrejas ostentam o seu nome em sua homenagem. É Padroeira da cidade de Coimbra, cujo feriado municipal coincide com o dia da sua memória (4 de Julho).

(Fonte: Reinos encantados e Blogue "Família Real Portuguesa")




S.A.R. a Senhora Dona Isabel de Bragança é Grã-Mestra da Real Ordem de Santa Isabel, costumando agraciar novas damas da Ordem na festa da Rainha Santa Isabel (no dia 4 de Julho dos anos pares), em Coimbra.

HISTÓRIA ESSENCIAL DE PORTUGAL DO PROFESSOR JOSÉ HERMANO SARAIVA (VOLUME I)













































































































A INSUSTENTABILIDADE POLÍTICA. A MENTIRA PRESERVA A ILUSÃO.

Portugal viveu momentos de euforia em que rápida e facilmente se generalizaram conceitos ilusórios.
O Estado providência criou a ilusão social de uma garantia de nível de vida e da dispensabilidade de esforço, também da contenção, como forma de salvaguardar o usufruto de benefícios e de sonhos naturais.
O sentido de poupança foi desaparecendo da mentalidade familiar.
As ansiedades de consumismo cresceram a um ritmo acelerado e como resposta passou a doutrina oficial, do Estado, das Empresas e das Famílias, o recurso ao crédito.
Todos passamos a gastar mais do que os rendimentos que auferíamos e acima das possibilidades.
As Famílias não poupavam e recorriam ao crédito bancário, facilitado e fortemente publicitado.
As Empresas perante as facilidades recorriam ao crédito, não apenas para investimento avaliado, mas também para despesas correntes.
O Estado recorria ao crédito para garantir a ilusão do Estado Providência e da obra pública.
Os Bancos nacionais, recorriam ao crédito externo, porque a poupança nacional era insuficiente para satisfazer a procura, resultado das suas fortes campanhas publicitárias, num negócio florescente, que toda esta ansiedade consumista, promovida oficialmente proporcionava.
Os Bancos internacionais, aplaudiram e fomentaram esta dinâmica de endividamento nacional generalizado deste país liderado por provincianos, cujas ansiedades havia que aproveitar.
Três questões fundamentais colocam-se hoje aos partidos e dirigentes políticos:

- O reconhecimento da insustentabilidade de tudo isto, não pode afectar a confiança dos portugueses no regime e no sistema político.
- Como eliminar a ilusão consumista e do Estado providência, sem originar a tomada de consciência colectiva de que o sonho, vai passar a pesadelo.
- Como conseguir que uma sociedade cada vez mais empobrecida, contribua para aumentar as receitas do Estado, evitando a consciencialização colectiva de que tudo isto não é resultado de uma crise, mas sim um erro crónico, grosseiro e insustentável.

À ilusão consumista pretende-se dar uma resposta também ela totalmente ilusória.
A resposta às três questões vai ser dada através de restrições graves ao crédito ao consumo e por limitações, o mais disfarçadamente que for possível, ao Estado providência.
A mentira suporta a ilusão, mas a ilusão tem um tempo curto para se preservar.
A necessidade do Estado continuar a recorrer ao crédito externo para manter esta ilusão, vai acelerar cada vez mais a consciencialização da sociedade portuguesa da insustentabilidade deste processo louco.
O agravamento das penalizações e a exigência de novas contribuições, irá fazer aumentar não apenas a tomada de consciência da realidade, mas também o número dos revoltados que passarão a exigir responsabilidades aos políticos e aos agentes da falácia.
O fenómeno político de hoje é ainda caracterizado pela penalização do actual partido do governo e actual Primeiro-Ministro. O descontentamento ainda se irá transferir para uma ténue esperança no novo líder do PSD.
O adiamento está assim assegurado, mas poucos são os que acreditam na mudança, rumo à sustentabilidade.
Um país que não acredita, não tem qualquer hipótese de encontrar o rumo do desenvolvimento e do futuro.
Também é impossível a qualquer governo e a qualquer líder, governar uma sociedade descrente.
Solução? Ela só poderá surgir como resposta á generalizada indignação.
Só a expressão do descontentamento, poderá originar novas propostas, respostas e a apresentação de soluções.
Antes, a sociedade portuguesa terá de se libertar de toda a mentira, que politicamente correcta, no sentido de preservar o sistema e o regime, impede a liberdade de pensar e tomar consciência e em consequência a resposta política alternativa.
Porém o tempo ditará os comportamentos. A camuflagem da realidade, é cada vez mais difícil de manter e a surpresa negativa é sempre geradora da radicalização.
A mentira que pretende justificar o actual sistema e a ilusão da sua sustentabilidade, é também esse rastilho perigoso, pois favorece a receptividade aos radicalismos e às doutrinas políticas do passado.

José J. Lima Monteiro Andrade
(Fonte: Blogue "Desafio de Mudança")

MORRER É SÓ NÃO SER VISTO


Na passagem do 6º Aniversário da morte de Sophia de Mello Breyner Andersen, deixamos aqui uma crónica publicada o ano passado pela sua prima Maria José Nogueira Pinto.

Quando aparecia, trazia sempre um livro. Eu era criança mas recordo-a, nítida e precisa, por causa dos livros. Eram escritos por ela e isso, só por si, tornava-a distinta de todas as outras pessoas. Um dia deu-me A Fada Oriana e na primeira página, a mais branca e despojada, escreveu o meu nome e assinou o seu, numa caligrafia aérea.

Passaram já cinco anos sobre a morte de Sophia de Mello Breyner Andersen e este meu escrito mais não é que uma breve evocação, atar as pontas soltas da memória, desembaciar o tempo, lembrar através dela, ainda e também, a pesada contabilidade de outros mortos, de um tempo mais longínquo, em que a sua pressentida escrita depurada e a sua geografia poética ainda a não tinham transformado num bem comum e universal.

Os Natais, as festas de família mais íntimas, os nascimentos e as mortes, traziam Sophia de volta à nossa casa do Campo Grande, onde vivera algum tempo da sua juventude. Cresci a ouvir as histórias dessa época, em que a bisavó acompanhava pela rádio o relato da guerra, com um grande mapa aberto sobre a mesa e pequenas bandeirolas representando as forças em conflito. Na nossa família, marcada por fortes figuras femininas, a sua passagem deixou um rasto lendário que cheguei a atribuir ao gosto fantasioso que nos foi caracterizando e à tendência efabuladora com que cada geração se entretém a compor o presente. Quando Maria Cacho, a costureira alentejana, me dizia " a menina parece a sua tia que uma vez, quando o namorado tocou à porta, abalou para a rua com os alfinetes e tudo!" eu não acreditava completamente. A propósito de guarda-chuvas contava-se sempre a mesma história: no dia em que se apresentou pela primeira vez na Faculdade de Letras chovia muito. A minha bisavó emprestou-lhe um chapéu mas, como Sophia fosse muito distraída, encheu-a de recomendações para o não perder. Quando chegou à faculdade procurou a pessoa que lhe pareceu mais idónea - um senhor de uma certa idade -, dirigiu-se a ele e disse-lhe: "Faz o favor de me guardar o meu guarda-chuva?" O senhor em causa era o mesmíssimo reitor…

Também se sabe com precisão em que quarto se fechava para ouvir o silêncio e da janela olhar o jardim. Creio que aí terá escrito aquele poema que começa assim: "Atravessei o jardim solitário e sem lua…". O nosso jardim era especialíssimo, misturando uma megalomania inocente de buxos franceses com devaneios românticos de parterre de amores--perfeitos, suficientemente grande, labiríntico e misterioso para permitir todo o tipo de evasões. Segundo a tradição oral esse foi um tempo de oiro, de festas e tertúlias, amizades fraternas e cumplicidades que resistiram às muitas voltas da vida.

Mais tarde, aproveitei todas as ocasiões em que estava com ela para repor as memórias, os factos, as cronologias. Mas foi após a morte da minha tia Maria, irmã da minha mãe, a propósito de um In Memoriam que então promovi, que ela me enviou um texto muito particular. A minha tia fora, a seu modo, uma mulher extraordinária e, juntamente com a minha mãe, eram as suas "primas do Campo Grande".

Escreveu assim: "Mais tarde, morei no Campo Grande…Foi um dos mundos da minha juventude. Um mundo de pessoas, coisas, acontecimentos, conversas, projectos (….) onde todas as pessoas, cada uma à sua maneira, estavam profundamente influenciadas pelo espírito do lugar, daquele lugar especial que era aquela casa."."Vivi-a quarto por quarto, canto por canto, janela por janela, espelho por espelho. O jardim, os loureiros cor-de-rosa, o tanque redondo, os narcisos da Primavera, o mirante. (…) E nas tardes de Verão sentávamo-nos nos degraus da escada em meia lua que liga a sala grande com o jardim e falávamos sem fim de todas as coisas visíveis e invisíveis do céu e da terra. "

Por aqui, tudo permanece igual. Se chego à janela vejo os loureiros e a escada de pedra em meia lua. São as pessoas, muitas, que já não vejo. Ficaram em todos os cantos e em todos os espelhos. Porque "morrer é só não ser visto."

Maria José Nogueira Pinto
(Fonte: José Tomaz de Mello Breyner no Facebook)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

DOM AFONSO HENRIQUES: CRIADA SOCIEDADE EM VISEU PARA PRESERVAR A MEMÓRIA DO FUNDADOR DE PORTUGAL

Pensar Real~Pensar Portugal, destaca a notícia sobre a criação da sociedade que defende que D. Afonso Henriques nasceu em Viseu, publicada pela Lusa. "A tese de que D. Afonso Henriques nasceu em Viseu surgiu, curiosamente, depois de, em 1990, ter sido posta em causa a “tradição” de que Guimarães foi o “berço” do fundador da nacionalidade, com o aparecimento da hipótese de Coimbra. Júlio Cruz, um dos sócios fundadores da Sociedade Histórica Afonso Henriques, disse aos jornalistas hoje é raro o historiador que não aceite a tese de Almeida Fernandes e, portanto, Viseu tem de assumir este seu filho dilecto”. “Para isso, foi criada esta associação que é, nem mais nem menos, o motor das actividades que levam a preservar a memória de Afonso Henriques”, justificou. Avançou que todos os anos haverá em Viseu encontros afonsinos (o primeiro a 20 de Novembro), para os quais “vão ser convidados quatro investigadores que tenham feito os últimos trabalhos sobre a vida e obra ou a época do D. Afonso Henriques”. No dia seguinte, haverá sempre uma visita a uma cidade afonsina (este ano Zamora) e será editada uma revista “que vai reproduzir os encontros e tudo o que houver de novo”. “Queremos aprofundar a vida e obra de D. Afonso Henriques. Se amanhã aparecer uma tese a dizer que foi noutro sítio tudo bem”, acrescentou. Júlio Cruz garantiu que o objectivo não é entrar em polémica com Guimarães.“Não queremos nada dos outros, mas não enjeitamos nada do que é de Viseu”, frisou, afirmando que “Guimarães é o berço da nacionalidade, mas o berço de Afonso Henriques é Viseu”. A constituição da Sociedade Histórica Afonso Henriques tinha sido um desafio deixado num congresso realizado no ano passado no âmbito das comemorações dos 900 anos do seu nascimento em Viseu. A cerimónia aconteceu ontem à tarde nos claustros da Sé, onde se encontra a única imagem de D. Afonso Henriques na cidade (retratado nuns azulejos num encontro com S. Teotónio).]


Publicada por Ricardo D'Abranches
(Fonte: Blogue "Pensar Real, Pensar Portugal")

PALÁCIO REAL DA AJUDA: ESTILO NEOCLÁSSICO