segunda-feira, 24 de maio de 2010

PORTUGAL DE HOJE E A UNIÃO EUROPEIA DE AMANHÃ

A Europa precisa de salvar o euro como moeda forte. Este é o grande objectivo e a grande prioridade da política europeia.
Para que assim seja, todos os países da zona euro, têm de ter contas públicas sem derrapagens e controladas. Esta é a ordem política essencial da União Europeia.
O controlo do deficit e a sua aproximação para níveis da ordem dos 3% do PIB como limite é a imposição a que Portugal está obrigado, para poder continuar a manter os níveis do custo de seu endividamento e para continuar a aspirar na obtenção de novos empréstimos.
Mas o endividamento externo português e a estagnação do desenvolvimento económico, constituem os dois mais graves problemas nacionais.
A redução do deficit das contas públicas portuguesas é assim uma imposição de Bruxelas, que nos irá viabilizar a persistência do erro, que é continuar a recorrer aos empréstimos externos para pagar as despesas correntes do Estado.
A persistência neste erro, tem como consequência lógica o adiamento das reformas essenciais do sistema de Ensino público, da Justiça, do Estado providência, que são factores determinantes para o desenvolvimento económico e para a diminuição da despesa corrente do Estado.
Os aumentos de impostos que agora já são anunciados e as quebras de rendimentos subsequentes, irão penalizar ainda mais o consumo privado, a inexistência de poupança nacional e como tal penalizar ainda mais a nossa tendência de estagnação económica.
Dependentes a sermos os meninos bem comportados desta União disciplinada pelo rigor alemão, também somos simultaneamente induzidos a fazer-lhes o favor de continuar a obter e a pagar o dinheiro que os seus bancos nos facultam e assim promover o seu desenvolvimento e enriquecimento.
O nosso empobrecimento progressivo, é o nosso contributo para o seu enriquecimento.
O nosso desenvolvimento não lhes interessa minimamente, pois não contam com o nosso mercado para vender os seus produtos ou serviços.
A noção actual de solidariedade europeia é exclusivamente financeira e não de natureza económica e do bem-estar dos povos dos países que a integram.
Esta é uma profunda alteração da política da União, consequência directa do Tratado de Lisboa, onde países como Portugal perderam claramente a sua capacidade negocial e de influência política.
Este primado financeiro da política da União, terá o reverso da medalha inevitável no acentuar das disparidades do desenvolvimento dos países periféricos e a consequente revitalização das suas dinâmicas nacionalistas.
Ao alargamento precipitado da União, seguir-se-á o processo do seu desmembramento.
Políticas governamentais como a portuguesa são de tal forma insustentáveis em termos económicos e financeiros, que serão insuportáveis para o rigor financeiro que vai ser exigível à moeda única e na actual concepção europeia isso vai ser determinante nas escolhas de quais os países que têm condições para o assegurar.
A delicadeza deste gravíssimo problema, não pode levar a que Portugal mantenha a cabeça debaixo da areia e não o encare com realismo e antecipação.
Estamos a correr um risco demasiado elevado.
Não é tanto o que muitos pressentem de que a União tem os dias contados, pela sua incapacidade de subsistência face à globalização dos mercados. É que essa luta da União, vai originar critérios políticos de rigor orçamental muito apertados, para os quais Portugal, não tem qualquer hipótese de resposta, precisamente pela sua concepção de Estado. Um Estado que consome mais de 50% do Produto Interno do país.
O despesismo português, a macrocefalia do Estado, a nossa escassa produtividade empresarial, não são problemas que se resolvam com a celeridade que a crise da União imporá como exigência de adaptação, muito menos com o sistema político que temos.
Aos portugueses exige-se encarar a realidade e encontrar alternativas por antecipação.
Este debate público terá de começar a ser feito.
Não pelos mesmos que com mais ou menos responsabilidades continuam amarrados a preconceitos e a ideias fixas, mas pela massa critica competente e consciente, que por descrença neste sistema, tem sido marginalizada do debate nacional.
É a hora de surgir a terreiro a competência e a nova ideia.

José J. Lima Monteiro Andrade
(Fonte: Blogue "Desafio de Mudança")

domingo, 23 de maio de 2010

A PONTE

A forma como um país recebe o Papa, pode aferir muito da sua cultura.

A visita do Santo Padre só pode constituir o expoente máximo da vida nacional. Não se me passa, sequer, perspectivar o Papa, como chefe de Estado. O Papa é o Papa. O sucessor de Pedro. O Sumo Pontífice. E a palavra "Pontífice" diz tudo. Como afirmou um dia o senhor D. José da Cruz Policarpo, Cardeal Patriarca de Lisboa, aquando da eleição do Papa, nós acreditamos que, naquele momento, há a presença e a intervenção do Espírito Santo. Esta é a suprema dignidade que muitos não sentem e muitos simplesmente desconhecem. O Santo Padre, não é só um chefe de Estado, não é só o Bispo de Roma, mas sim o Sumo Pontífice. E a Ponte leva-nos a Cristo.

Assim não foi para muitos, Sua Santidade, o Papa Bento XVI. Não foi para muitas pessoas nem para muitas empresas. Impunha-se uma clareza total na permissão de todos poderem acompanhar, fosse essa a vontade, a visita do Santo Padre. E a ausência daquele prisma, de suprema dignidade, levou aos mais tristes e profundamente lamentáveis comentários sobre a sua Pessoa e sobre a sua visita.

Para muitos era só um “homem”. Para muitos que apoiam o despesismo fútil do Estado, do partidarismo e do clientelismo, já consideraram dispendiosa a visita do Santo Padre! Do nazismo à pedofilia, de tudo se versou…

Muitos portugueses desconhecem que Portugal se fundou na Missão Cristã e cuja nacionalidade foi avalizada pela Santa Sé.

A este gratuito e jacobino ataque ao Papa e à Igreja, eu respondo com a minha mais profunda repulsa e nojo. Pois, na verdade, aquilo que o Estado, recebendo para isso, é obrigado a fazer e não faz, fá-lo a Igreja.

Mas, na generalidade, vi uma calorosa recepção ao Papa. Não seria de admirar que o nosso Primeiro-Ministro não soubesse sequer o tratamento cerimonial adequado ao Papa, dirigindo-se ao mesmo da forma de “Eminência”, considerando as matérias morais que tenta despachar, foi, contudo, pleno de fé, que o Povo, e assim Portugal, o recebeu.

O Papa percebeu que foi acolhido por um País católico. As ruas e praças encheram-se de gente. A juventude esteve com ele. E vi a felicidade na sua face. Tendo sido testemunha da nossa fé, o Papa deixou-nos, ao mesmo tempo, uma mensagem de esperança e de sentido de vida. E quão oportuna é esta mensagem num período em que os políticos agravam a economia e destroçam a moralidade social.

Sobre todos os insistentes e intemporais ataques à Igreja, Portugal saberá exclamar bem alto e bem firme:

Viva o Papa! Viva o Papa! Viva o Papa!

Publicada por Mário Neves
Vice-Presidente da Real Associação da Beira Litoral
(Fonte: Blogue "Fidelíssimo")

S.A.R. O SENHOR DOM DUARTE DE BRAGANÇA EXPULSO DE ANGOLA EM 1972


Foto: em Angola, 1972

(...) Achava errada a forma como as Forças Armadas estavam a ser conduzidas. Fui expulso de Angola em 1972, porque organizei uma lista de candidatos da oposição ao Parlamento português. Muitos dos meus apoiantes eram africanos negros. Se ganhássemos as eleições, teríamos um grupo de deputados na Assembleia Nacional que discordaria do Governo, mas seria contra a independência.

FOI EXPULSO POR CAUSA DISSO?

Dom Duarte: Sim, porque o Governo de Marcelo Caetano estava a preparar um golpe de independência em Angola, apoiado pelos EUA e a África do Sul, para obter uma independência tipo Rodésia…

A SUA LISTA PODERIA TER GANHO?

Dom Duarte: Sim. E o impacto internacional teria sido incrível, porque se veria que o verdadeiro movimento de oposição em Angola não são os guerrilheiros independentistas. Querem justiça, desenvolvimento, progresso. A independência, logo se veria. O MPLA e a UNITA achavam que Angola não estava ainda preparada para a independência. Precisavam de mais tempo.

OS MOVIMENTOS DE LIBERTAÇÃO TERIAM DESISTIDO DA LUTA?

Dom Duarte: Não. Mas tive apoios discretos deles. Se o nosso movimento tivesse tido êxito e a evolução política de Angola tivesse sido positiva, talvez se tivesse chegado a um acordo com esses movimentos. Tornar-se-iam partidos políticos, iriam a eleições…

E EM PORTUGAL NÃO TERIA HAVIDO 25 DE ABRIL.

Dom Duarte: Exactamente. Não teria sido preciso.
(...)

Excertos da entrevista ao Jornal Público - Dezembro de 2008

A RAIZ DE PORTUGAL

Portugal é um território onde foi plantada uma forte raiz.
Ventos gelados e as mais diversas intempéries,
Têm definhado o brotar da mais bela flor do mundo,
Uma forte raiz a quem se nega, o surgimento da arvore florida.
Muitos de nós nunca viram essa maravilhosa flor,
Nunca sentiram o seu perfume, nunca puderam apreciar a sua beleza.
Já muitos de nós dela não se lembram, já dela não falam a seus filhos.
Quem pode ter paixão pelo que se esquece e pelo que nunca sentiu?
Esta é a terrível arma do esquecimento, que impede a nossa paixão.
Uma violação da natureza, um pecado capital,
Traição dos insensíveis à beleza, ao sentimento, renegados sem coração.
Que renegam a si próprios a essência humana e obrigam outros a essa condição.
Traição ao humanismo, ao heroísmo dos antepassados e ao futuro dos seus filhos.
Vis traidores que apenas olham para seu umbigo asqueroso.
Ignorantes e pequenos, tão senhores do seu egoísmo, esqueceram-se de pensar.
A raiz é secular, é profunda e forte, foi plantada num solo sagrado.
Tão forte que bastará uma pequena clareira de sol aberto, para que o seu vigor se expresse.
Esse dia de Primavera chegará breve, bastará seu anúncio pelos que têm essa lembrança.
O povo está saturado do vento frio, das tormentas e anseia pelo sol.
Nesse dia todos jubilarão de alegria a ver a árvore a crescer e a ramificar.
O espanto daqueles que nunca a tinham visto, será transformado em sentimento,
Os que dela estavam esquecidos, reconhecerão a verdade dos convictos apaixonados.
Fugirão para longe para sempre desterrados os apátridas sem valor, nem sentimento.
A flor mais bela do Mundo, estará livre para se mostrar.
A Alma do povo ressuscitada motivará de novo o orgulho, a honra e a glória.
Portugal voltará a afirmar-se no Mundo com todo o seu esplendor.
Porque os portugueses voltaram a ver, a sentir e poder exprimir, a sua condição e a sua paixão.

José J. Lima Monteiro Andrade
(Fonte: Blogue "Acção Monárquica")

sábado, 22 de maio de 2010

SS.AA.RR. OS DUQUES DE BRAGANÇA APOIAM A SELECÇÃO NACIONAL

"Quando Portugal joga com o estrangeiro fico muito entusiasmado e espero que na África do Sul possa acontecer algo bom." 

 S.A.R. o Duque de Bragança. ("in" revista NS' de 15/05/2010)


FORÇA PORTUGAL!!!

A HISTÓRIA DA MINHA VIDA

(Arquivo de Ricardo Gomes da Silva)
(Fonte: Blogue "Família Real Portuguesa")

EL-REI DOM MANUEL II EM ESPINHO, NA INAUGURAÇÃO DA LINHA FÉRREA DO VALE DO VOUGA

Faz no próximo dia 23 de Novembro cento e dois  anos que o último rei de Portugal, elrei D. Manuel II visitou Espinho. Integrada numa vasta visita ao Norte do país, D. Manuel II visitou Espinho tendo como principal objectivo a inauguração da linha férrea do Vale do Vouga, no entanto, el-Rei não deixou passar a oportunidade de visitar a Real Fabrica de Conservas Brandão Gomes & Cª., e também de se inteirar dos prejuízos decorrentes das invasões do mar ocorridas nesse longínquo ano de 1908.

Os Republicanos, o Regicídio e a Subida ao Trono do Infante D. Manuel

Corria o ano de 1908 quando o infante D. Manuel assumia os destinos do reino em resultado do regicídio que a 1 de Fevereiro de 1908 vitimou seu pai, o Rei D. Carlos, e o seu irmão, o Príncipe Herdeiro D. Luís Filipe. Assumindo o destino do país com a tenra idade de 18 anos, e em tão trágicas e conturbadas condições, não esqueçamos que os republicanos à muito ameaçavam a monarquia portuguesa, testemunho disso foi o 31 de Janeiro de 1905, onde por momentos chegou a ser declarada a implantação da República na cidade do Porto, de facto, se inclusivamente analisarmos o próprio momento do regicídio, perpetrado por
Manuel Buíça, e Alfredo Costa, acérrimos republicanos, poderemos conjecturar, sem nunca o poder provar é certo, que a implantação da República só não terá ocorrido nesse momento, porque, provavelmente, muitos e ilustres republicanos não aprovaram, nem queriam que a implantação da República em Portugal estivesse tão directamente ligada a um atentado. A este propósito, é conveniente recordar por exemplo as palavras do primeiro Prémio Nobel português, o Prof. Dr. Egas Moniz, republicano convicto, que inclusivamente fora preso a 28 de Janeiro de 1908, na sequencia de mais um movimento revolucionário, que visava implantar a República, a propósito deste assunto, o Prof. Dr. Egas Moniz proferiu no Parlamento em 15 de Julho de 1908, um discurso do qual apresentamos um pequeno excerto “A noite de 28 de Janeiro fez abortar o movimento que havia fatalmente de produzir-se, apesar das prisões feitas, se um acontecimento inteiramente imprevisto não viesse transformar, por completo, a vida política portuguesa. Refiro-me ao atentado de 1 de Fevereiro. Com êle nada tem, nem poderia ter, o movimento revolucionário. Foi um fenómeno esporádico e imprevisto que, mesmo no ardor de luta revolucionária, seria condenável. Basta recordar que o movimento revolucionário se produziu na noite de 28 de Janeiro, em que dei entrada no cárcere dos Lóios, quando a Familia Real estava longe de Lisboa e se dizia que só tarde regressaria a Portugal.

(…) Foi assim que no Terreiro do Paço dois populares praticaram, a tiros de carabina e de revólver, o atentado de que resultou a morte do Rei e do Príncipe Real.”(1). De facto, como disse atrás, não podendo provar o porquê da não ocorrência de um movimento republicano aproveitando a morte do Rei e do Príncipe Herdeiro, estas palavras de Egas Moniz são elucidativas da visão de um dos mais importantes republicanos e rostos políticos de então, convém recordar, que para além de uma notável carreira na investigação cientifica que culminou com a atribuição do Prémio Nobel, Egas Moniz teve uma importantíssima intervenção na vida política no antes e no pós 5 de Outubro de 1910. Para além da hipótese explicativa formulada atrás, o facto de poder evidentemente surgir uma vaga de fundo por parte da população, solidária com os monarcas, (em especial com o jovem infante D. Manuel) e sobretudo não compactuantes com tão extremo acto, terá também contribuído para refrear os ânimos daqueles que queriam instaurar o regime republicano nesse momento, poder-se-á inclusive especular, se o regicídio, não terá tido o efeito contrario de ter adiado por mais tempo a implantação da República, essa ideia, fica aliás, subentendida no discurso de Egas Moniz.

É nesta conjectura política agravada por um descontentamento geral decorrente do reinado de seu pai que como vimos culminou de tão trágica forma, que o jovem D. Manuel é solenemente aclamado rei na Assembleia de Cortes de 6 de Maio de 1908, ficando conhecido para a história como D. Manuel II, “ O Desventurado”.

(1) In MONIZ, Egas. Um ano de Politica, Portugal-Brasil Limitada Sociedade Editora, Lisboa, 1919.

El-Rei D. Manuel II e a Visita ao Norte do País

Aclamado Rei em Maio de 1908, perante os deputados da nação e jurando cumprir a Carta Constitucional é passados poucos meses da assunção do trono português, que a casa real, comunica a vinda de S. M. el-Rei D. Manuel II ao norte do país: “Segundo uma communicação recebida hontem, S. M. el-Rei D. Manuel vem para o Porto no domingo, 8 de Novembro, em comboio especial, desembarcando na estação de Campanhã, ás duas da tarde.”. (“Comercio do Porto”, 31 de Outubro de 1908, pág.1).

A visita real de D. Manuel II ao norte do país, deverá ser explicada e entendida sob a égide de uma multiplicidade de factores, em primeiro lugar, estará a necessidade de serenar o pais em torno da casa real, não nos podemos esquecer que os republicanos estavam a ganhar terreno e ameaçavam um golpe de estado a qualquer momento, desta forma, esta visita serviria como uma acção de charme junto do povo, não esquecendo também o facto da primeira tentativa de revolução republicana ter acontecido, como já vimos, no Porto a 31 de Janeiro de 1905, em segundo lugar, era urgente que o rei aproveita-se o período de complacência que lhe era devotado neste período, para ganhar o apoio do povo e dos organismos públicos, em terceiro lugar, estaria o facto anunciado como sendo o verdadeiro motivo da visita, a necessidade do monarca recém-chegado ao trono, conhecer o seu reino, e de se dar a conhecer aos seus súbditos: “Esta viagem no actual momento historico tem uma singular significação. D´ella devemos esperar que resulte para o juvenil soberano uma lição fecunda, d´essas que os preceptores dos príncipes não pódem substituir por prelecções as mais sábias. El-rei vai, finalmente, conhecer o seu povo, tratar e lidar com elle, escutar outras vozes differentes das que diariamente lhe fallam. Desemparedado do seu paço. O monarcha vai começar a viver. A sua magistratura póde afoitamente dizer-se que principia só agora a exercer-se. O rei vai percorrer o seu reino, visitando o seu povo.”. (“Comercio do Porto”, 8 de Novembro de 1908)

Entre 8 de Novembro de 1908, dia da partida de Lisboa e de desembarque na cidade do Porto, e dia 4 de Dezembro de 1908, dia do regresso à capital do país, o monarca visitou inúmeras cidades, respondendo ás inúmeras solicitações, toda a gente queria ver e ser vista pelo rei.

A Visita a Espinho


Foi no dia 23 de Novembro de 1908 que el-Rei D. Manuel II visitou Espinho. Foi de manhã que el-Rei chegou a Espinho sendo esperado por todas as autoridades, presente esteve também o Bispo-Conde de Coimbra, D. Manuel Luiz Coelho da Silva. Á chegada o Presidente da Câmara, Henrique Pinto Alves Brandão, saudou el-Rei em nome de Espinho. A presença de Henrique Brandão, como Presidente da Câmara na recepção ao Rei, teve um carácter um pouco caricato, uma vez que ainda nessa manhã tinha sido empossado um novo Presidente de Câmara, Dr. António Augusto de Castro Soares, que legitimamente deveria ter estado presente nesta recepção: “A Camara d`Espinho, ultimamente eleita, devia tomar posse, como de facto tomou, na segunda-feira 23, dia da visita régia.(…) Apesar dìsto, fora da lei, a vereação cessante fez as honras da recepção.”. (“Gazeta de Espinho”, 29 de Novembro de 1908)
De seguida falou, em nome da Comissão Fomentadora dos Melhoramentos de Espinho, Manuel Ribeiro Nunes, que solicitou ao Rei a protecção para os pescadores de Espinho, vítimas das invasões do mar. El-Rei agradeceu a recepção, e prometeu interessar-se pela situação dos pescadores. Seguidamente, organizou-se um cortejo até a Fábrica Brandão Gomes, fazendo parte deste cortejo o Bispo do Porto, D. António Barroso: “Organizou-se emtão um cortejo, em que tomaram parte, em automóveis e trens, as pessoas da comitiva de el-rei e muitos outros cavalheiros, entre os quaes o exe.mo bispo do Porto, D. António Barroso, que se fizera acompanhar do capelão do paço episcopal, ver. Benjamim dos Santos Ferreira Neves, seguindo todos em direção á Fábrica de Conservas dos snrs. Brandão, Gomes & C.ª”. (“Comércio do Porto”, 24 de Novembro 1908, p.2)
Nesse cortejo estavam também integrados os alunos do Seminário Internato dos Carvalhos, que quiseram agradecer a visita de el-Rei a Espinho: “A essas saudações associaram-se também os alumnos do Seminário dos Carvalhos, em número de 10, acompanhados do seu vice-reitor monsenhor Nunes, professores e prefeitos, que levantaram calorosos vivas a el-rei, á rainha, á família real, á pátria e á monarchia, etc.”. (“Comércio do Porto”, 24 de Novembro 1908, p.2)
Na Real Fábrica de Conservas Brandão Gomes & C.ª, tomou a palavra o sócio Gerente Augusto de Oliveira Gomes, que saudou o Rei. De seguida, o Rei efectuou uma visita á Fábrica na qual se mostrou extremamente interessado por tudo quanto viu pedindo inclusive esclarecimentos: “Á sua passagem por varias secções, el-rei deteve-se a examinar o trabalho dos operários, fallando com alguns e sendo-lhe fornecidos amplos esclarecimnetos pelos referidos proprietários.”. (“Comércio do Porto”, 24 de Novembro 1908, p.2)
A Banda de Música da Fabrica, composta por operários, interpretou à passagem do Rei pelas instalações da fábrica o Hino Nacional: “Ao passar pela secção dos soldadores, os operários que fazem parte da banda de musica da fabrica, cessaram o trabalho e executaram o hymno nacional, como já antes haviam feito.”. (“Comércio do Porto”, 24 de Novembro 1908, p.2)
De seguida e após a saída da Fábrica, el-Rei D. Manuel II dirigiu-se com a restante comitiva à praia, onde viu com os próprios olhos os estragos produzidos pelos avanços do mar, no extremo da Rua Bandeira Coelho: “Sahindo dàlli, el-rei, acompanhado da sua comitiva, dirigiu-se à praia, sendo-lhe mostrados, no extremo da rua Bandeira Coelho, os estragos produzidos pelo mar, especialmente ao norte.”. (“Comércio do Porto”, 24 de Novembro 1908, p.2)
Após essa breve paragem junto á praia, el-Rei e os convidados dirigiram-se para a Assembleia de Espinho, onde foi servido, no salão nobre, um banquete: “D`alli, dirigiu-se o soberano para o edifício da Assembleia, que estava exterior e interiormente, ornamentada a capricho pelo hábil armador snr. Alberto Pereira.”. (“Comércio do Porto”, 24 de Novembro 1908, p.2)

A Ementa e os Convidados do Banquete Real

MENU
Consomé a Ia Royale
Patés de foie-gras a Ia Périgord
Coeur de filet a Ia gastronome
Chaud-froid de perdreaux a Ia diplomate
Pintades rôties au cresson
Salade russe

Entremets
Glace a Ia crême, aux noisets pratinées

Dessert
Gelée au rnarasquin, charlotte russe au café, fruits et bonbons divers, patisserie sortie

Vins
Collares, Aguieira, Madère, Porto, Moêt et Chandon, Anadia Café


A direita do Rei sentaram-se: Presidente do Conselho, Bispo do Porto, Ministro das Obras Públicas, Presidente da Câmara Municipal de Espinho, Conde de Paçô Vieira, Conde de Tarouca. Á esquerda: Ministro da Justiça, Ministro da Guerra, Bispo-Conde de Coimbra, Conde de Águeda, D. Fernando de Serpa, Conde de Castelo de Paiva. Os restantes convivas, em número de 140, achavam-se sentados indistinctamente á mesa, que tinha forma de U.” (“Comércio do Porto”, 24 de Novembro 1908, p.2)
Finalmente, após o banquete, o Rei e toda a comitiva dirigiram-se para a Estação do Caminho de Ferro do Vale do Vouga, para fazer a inauguração do troço da linha de Espinho até Oliveira de Azeméis: “Após o almoço na Assembleia de Espinho, S. M., el-rei embarcou no comboio especial da nova linha férrea do Valle do Vouga, que ia ser inaugurada.”. (“Comércio do Porto”, 24 de Novembro 1908, p.2)
O comboio era constituido por: maquina n.º 12, duas carruagens de 1ª classe, um salão para convidados, e salão real. Todo o material foi oriundo dos Caminhos de Ferro de Vila Real, em virtude de não ter chegado o material encomendado no estrangeiro: “Era constituído pela machina n.º12, duas carruagens de 1.º classe, um salão de convidados e o salão real, tudo de Villa Real, visto ainda não terem chegado as carruages que a Companhia do Valle do Vouga encomendou no estrangeiro.”. (“Comércio do Porto”, 24 de Novembro 1908, p.2)
O comboio prosseguiu para Oliveira de Azeméis, intercalado por paragens durante o percurso para as populações aclamaram o Rei de Portugal. Inaugurado solenemente a 23 de Novembro, o Caminho de Ferro do Vale do Vouga, só a partir de 21 de Dezembro de 1908 entraria em funcionamento.

Toda a visita de el-Rei ao norte do país foi documentada fotograficamente pelos mais sonantes fotógrafos da altura, em Espinho, esse registo fotográfico* foi levado a cabo por Aurélio da Paz dos Reis, o pai do cinema em Portugal, que curiosamente era membro da maçonaria e estivera implicado na tentativa revolucionária do 31 de Janeiro de 1905 no Porto, essas fotografias são estereoscópicas, e terão sido encomendadas a Aurélio da Paz dos Reis pela Fábrica Brandão Gomes & C.ª. Nessas fotografias é possível testemunhar o ambiente festivo e o entusiasmo vivido pela população, destaque especial para a Real Fábrica de Conservas Brandão Gomes & Cª, que se achava profusamente engalanada, (tanto no exterior como no seu interior), para receber o Rei: “Tanto a estação do caminho de ferro como as ruas do percurso – Avenida Serpa Pinto, ruas Bandeira Coelho e do Cruzeiro, Bairro da Rainha D. Maria Pia e largo da fábrica, recentemente construído – achavam-se vistosamente ornamentados, primando pela originalidade e pittoresco das orações.”. (“Comércio do Porto”, 24 de Novembro 1908, p.2)

E foi assim, a visita de el-Rei D. Manuel II a Espinho…

Tiago Castro

Bibliografia:

- “Gazeta de Espinho” , 29 de Novembro de 1908.
- “Comércio do Porto”, 31 de Outubro de 1908.
- “Comércio do Porto”, 8 de Novembro de 1908 a 4 de Dezembro de 1908.
- V/Autores Livro d'ouro da primeira viagem de S. M. El-Rei de Portugal D. Manuel II ao norte de Portugal em 1908, Foz do Douro: Carlos Pereira Cardoso, 1909.

(Fonte: Câmara Municipal de Espinho)