segunda-feira, 17 de maio de 2010

S.A. O INFANTE DOM DINIS, FUTURO DUQUE DO PORTO RECEBENDO A SAGRADA COMUNHÃO DAS MÃOS DE SUA SANTIDADE O PAPA BENTO XVI NA MISSA DOS ALIADOS

(Fonte: Revista Caras)

A "CRISE" PORTUGUESA, SOMOS NÓS

A crise portuguesa somos nós.
Crise é hoje a palavra terrível, que todos pronunciam.
Mas o que é a crise, que crise? Conceito abstracto ou concreto?
Em Portugal ela ainda há bem pouco tempo era negada. Não convinha falar dela por motivos eleitorais.
Aparece subitamente vinda do exterior, gerada por uns vagos especuladores financeiros.
Apelidaram esta “crise” de internacional ou global. Politicamente ela é apresentada como a mãe de todas as outras, que entretanto iam chegando à luz do dia. A crise de emprego, a crise das empresas, a crise social, a crise financeira, a crise económica, a crise de valores.
Com a chegada de todas estas crises, tudo vale para impedir a crise maior, essa terrível crise política que seria a mais dramática de todas.
A “crise” é justificação, é desresponsabilização…é qualquer coisa que aconteceu fora de todas as previsões, que sobre nós se abateu e que teremos de ultrapassar. Ela encobre os erros, justifica a incapacidade e irresponsabilidade política.
Os portugueses aceitam resignados a sua apresentação. Basta a repetição “politicamente correcta”, que é a “crise” que nos impõe os sacrifícios, que origina o desemprego ou as falências, que todos teremos de aceitar essa malfadada circunstância, que nos caiu em cima como se de uma calamidade se tratasse.
A “crise” que nos caiu em cima, sem culpa de ninguém, é uma razão com tal consistência, que não vale a pena saber o que é, nem como veio, nem indagar das razões ou das responsabilidades.
Resta-nos chorar, talvez rezar e pedir a Deus que nos ajude.
Este conformismo nacional é o verdadeiro drama.
A “crise” está em cada um de nós e em todos.
O conformismo e a resignação, é afinal a essência da “crise nacional”.
Todos estamos disponíveis para aceitar as imposições de sacrifícios e quebra de direitos, como se de uma penitência se tratasse.
Penitência sobre pecados que não cometemos, que não quisemos que fossem cometidos e como tal tem apenas o significado de uma resignação. Um sinal de cobardia colectiva e de total submissão, que será inevitavelmente interpretado como apoio ou conivência.
Porém enquanto muitos sofrem e choram …. Alguns outros, a ela são indiferentes e dela continuarão a beneficiar. Porque não são responsabilizados, porque preservam os seus privilégios e o seu poder, porque podem continuar a esconder afinal a verdadeira face da crise portuguesa, porque ficam a salvo do julgamento sobre as suas responsabilidades.
Os pecadores conseguem assim a sua absolvição, condenando todo um povo, que por ser nobre não quer ainda acreditar, nesta violação dramática do mais elementar sentido da política, que é servir a população.
Muitos dos conscientes e até dos revoltados, acreditam na justiça das circunstâncias.
Também eles se mantêm em silêncio na expectativa de que toda a mentira se transforme numa situação de tal forma insustentável, que origine a sua queda final pelo abismo, para onde se conduziu este regime e este sistema político.
Outra forma de conformismo, mais grave ainda porque consciente.
A “crise” portuguesa somos nós e só a nossa atitude patriótica a pode resolver.
Esta é uma gravíssima crise, talvez a mais grave de toda a nossa História.

José J. Lima Monteiro Andrade
(Fonte: Blogue "Desafio de Mudança")

domingo, 16 de maio de 2010

A MONARQUIA SOCIALISTA DE DOM MANUEL II

Não a antiga que, enredada em preconceitos e laços de toda a ordem deixou-se maniatar e morrer sem se defender, mas uma Monarquia livre, uma Monarquia … “Socialista”! Os extremos tocam-se. Vossa Magestade, segundo a sua Religião, é socialista, mas socialista “prático”, que produz o Bem e não o “utópico que produz amanhã a anarquia (?).” Amar o próximo como a nós próprios, digo, mesmo, é um dos seus mandamentos e, portanto, “deve deixar vir a mim os pequenos”.

José Lobo Vasconcelos, Ajudante de Campo de D.Manuel II


Carta de José Lobo de Vasconcelos a D.Manuel II

Senhor Dom Manuel:

Há muito que tenho vontade de escrever a Vossa Magestade porque sei quanto nos é agradável ter notícias, mesmo insignificantes, de quem nos é caro. Vossa Magestade, apesar do que deve ter sofrido, ainda, com certeza, ama a sua Pátria; mas o respeito que tenho pelo nosso Chefe, pelo meu Rei, impedia-me de o fazer e, se não fosse o bilhete que Vossa Magestade se dignou enviar-me, e implicitamente me autoriza a fazê-lo, nunca o faria.

Se no que vou escrever Vossa Magestade, porventura, encontrar alguma coisa que pareça menos respeitosa, atribua-o à minha inabilidade e nunca a falta de respeito. Conheço Vossa Magestade desde criança, sei que o cumprimento dos seus deveres foi sempre considerado por Vossa Magestade como o seu principal dever, por ele sacrificando tudo.

Calculo, por conseguinte, quantas vezes terá pensado se o cumpria ou não, e quanto lhe terá custado se algumas dúvidas se levantaram no seu espírito.

O que sucedeu tinha que suceder!

Os políticos, com que Vossa Magestade tinha de governar, segundo a Carta, que tinha jurado manter e seguir, eram completamente incapazes de O ajudarem, uns por falta de competência e sem os conhecimentos indispensáveis, (eram quasi imbecis)! Outros, a ambição desmedida cegava-os de modo que não viram que cavavam a honra da Pátria e a sua própria. E assim se formaram a série de ministérios que, não podendo vencer as dificuldades que lhe apresentavam, torneavam-nas e em pouco viam-se de tal modo encurralados (?) que, à mais pequena dificuldade nova que aparecesse, abandonavam as suas pastas, e o que é mais extraordinário, iam para a oposição, raivosos, e tentavam levantar novos obstáculos aos que lhes sucediam, para estes não resolverem o que eles não tinham sabido, ou podido, resolver, não se importando de sacrificar Aquele a quem deviam o seu poder.

Daqui a política portuguesa nunca ter uma orientação certa, determinada, umas vezes era conservadora, outras avançada, e outras um misto que ninguém percebia, o que, reflectindo-se no País, pô-lo no estado de indiferentismo em que o veio a encontrar o 5 de Outubro. A revolução não foi conta Vossa Magestade, foi contra os seus políticos, que foram os que ajudaram a fazer, protegendo os comícios, jornais insidiosos, em que se atacavam o mais vigorosamente o princípio da autoridade, premiando os que se revoltavam, consentindo que nas escolas oficiais se fizesse propaganda contra as instituições, dando lugares rendosos aos que se salientavam nessa propaganda, etc. e os políticos não tinham dúvida em se ligar com os revoltosos, se deles precisassem para derrubar ministérios, etc.

Nestas condições que poderia Vossa Majestade fazer? Nada, a não ser que quisesse por de parte a Carta e governar por si, mas, para isso precisava apoiar-se nas classes conservadoras, mas essas não o poderiam dar em Portugal.

A Aristocracia que tinha os seus membros ligados intimamente à Monarquia, não podia já servir de apoio. É certo que existem indivíduos que são verdadeiros aristocratas, mas são poucos, e não chegavam para formar uma classe útil ao fim a que se destinava.

Vossa Magestade deve ter reparado no sorriso peculiar com que os aristocratas antigos têm quando falam dos modernos.

A classe Eclesiástica essencialmente conservadora, não podia servir de apoio apesar da enorme força que tem no País, mas de que ela não sabe dispor porque é, de todas, a mais desunida.

Os padres seculares, a quem em geral falta a instrução e a educação necessária foram transformados pelos políticos em galopins eleitorais, (é claro que há excepções), os párocos· só pela política alcançavam as suas freguesias, por isso eram políticos, tanto como os verdadeiros políticos. Os das ordens religiosas, que se tinham a pouco e pouco, e cautelosamente, estabelecido, de novo, no País, olhavam os seculares como uma coisa aparte, e daí a rivalidade que, cada vez, mais enfraquecia essa classe. A importância desta classe que, à primeira vista parece menos própria para servir de apoio a um Chefe de Estado, estava, principalmente, na educação que era obrigada a dar ao povo, e que oficialmente estava unicamente entregue aos párocos e aos professores de instrução primária e sob este ponto a sua influência podia ser enorme. Vossa Magestade lembra-se do pequeno do Guardão (?) Que saudades tive ao lembrar-me desse dia. Mas a maior parte não podia dar o que não tinham.

A classe Militar era de todas a que mais facilmente poderia servir de apoio eficaz mas os monárquicos tiveram a habilidade de a estragarem, de modo que serviu, ainda que vergonhosamente, para fazer cair a Instituição, e creia Vossa Magestade, que a maioria dos militares eram e são monárquicos; os militares só obedecem de boa vontade, a quem possa e saiba vestir uma farda, a quem seja militar como eles.

A Aristocracia que tinha sofrido já golpes profundos antes da era áurea das nossas conquistas, pode restabelecer-se com essas conquistas em todo o mundo; em Alcacer Quibir e com o domínio espanhol, sofreu novos golpes mas a restauração e as campanhas que se seguiram para assegurar a independência de Portugal, de novo se levantou, de modo tal que, o Marquês de Pombal entendeu que precisava ( de) novo golpe. Deste curou-se, mas mal, pela reacção a seu favor que a crueldade do Pombal levantou em todo o País. Com os tristes acontecimentos do princípio do século passado tomou a descer no conceito público, mas a guerra peninsular a maneira como alguns aristocratas procederam tomaram a eleva-la mais longe do que tinha sido;.Com a mudança do absolutismo para o regime constitucional sofreu um golpe mortal, mas ia vivendo porque um ou outro dos seus membros conseguia distinguir-se na guerra, na política, nas ciências; o golpe de misericórdia foi-lhe dado porém, com a abolição dos morgadios.

Os aristocratas não perceberam a mudança profunda que essa abolição trazia à sociedade portuguesa, não educou, com raras excepções, os seus filhos de modo a puderem resistir a essa mudança e daí uma derrocada que lhes fez abrir os olhos e ver as suas consequências mas já sem as poderem remediar.

O Comércio e a Indústria também não podiam formar uma classe que oferecesse um apoio seguro. É verdade que os seus interesses estão ligados à paz, sossego e à ordem, mas os principais comerciantes, banqueiros e industriais são estrangeiros, e os portugueses que existem com raras excepções procuram passar à aristocracia com as comendas e benevolencias que o dinheiro merece, mas sempre considerados como intrusos.

Mas os oficiais estavam divididos em duas classes, os militares propriamente ditos que eram os que comandavam tropas, e os pseudo-militares que eram os que aproveitavam a farda para obterem lugares rendosos, ou pelo menos cómodos, e que iam às unidades: só quando a lei das promoções a isso os obrigava, e como isso se dava em dois postos de mais importância para a disciplina e instrução das tropas, capitão e coronel, pode-se calcular o mal que iam fazer nos dois anos que eram obrigados a fazer serviço, e como os outros lhe obedeciam. Vestiam fardas mas não eram militares como eles; alguns limitavam-se a comparecer no quartel e a assinarem papéis que os outros lhed apresentavam, estes eram inúteis, não eram muito prejudiciais, mas uns outros que pretendiam mostrar o seu espírito militar e em tudo se intrometiam, em tudo queriam mandar, sem nada saberem por mais que tivessem lido, esses só não eram prejudiciais quando os outros vendo a sua incapacidade se insubordinavam mansamente e faziam o serviço, como era indispensável, não se importando com o que eles diziam e deste modo dava-se o paradoxo que se só não era prejudicial quando promovia a insubordinação!

Isto juntamente com a falta de meios para o serviço a fazer e a convicção que os militares tinham que debaixo das ordens dos pseudo-militares fariam sempre má figura; talvez explique a figura vergonhosa que o exército fez e tem feito deste Outubro.

Desculpe Vossa Magestade esta comprida carta, mas, no seu País, desde que implantaram a liberdade, esta desenvolveu-se de tal modo que passou (?) do infinito e mudou de sinal, de modo que, se a sociedade do livre pensamento chegar a radiografar o nosso pensamento nem esse teremos livre e passará a sociedade de “escravo pensamento”; manifestá-lo, isso já não deixam, e, por isso é muito dificil, além de várias outras razões, encontrar pessoas com quem se possa falar: é essa a razão porque espero que Vossa Magestade me perdoe.

Lembrei-me agora duma coisa que muitas vezes me aconteceu quando estudava Cálculo: enchia a pedra com grande trabalho para chegar ao fim com o cálculo errado! Começava a emendar, perdia muito tempo sem conseguir nada, e, por fim resolvia apagar tudo e começava de novo .. , Se Vossa Magestade voltar à sua Pátria encontrará a “pedra” limpa sem ter tido o trabalho de a apagar; outros se encarregaram de o fazer, e poderá começar a resolução do seu problema. Muitas vezes à segunda tentativa acertava, (principalmente se tinha descansado) a apagar (?) e a recomeçar o cálculo.

Quando começar a resolver o seu problema não se esqueça da “Produtora”, escute-a.

Tinha esperanças, e ainda hoje tenho, nessa classe composta, em grande parte, do que antigamente se chamava “povo” e de membros de todas as outras a que me referi, que se dedicam ao trabalho e que, para seguir a moda da “democracia portuguesa”, chamarei “Produtora”, Essa sim que é conservadora, sabe quanto lhe custa o trabalho e por isso ama o produto do seu trabalho; quer guarda-lo e o defende até à última. Precisa de paz, sossego e ordem para continuar a trabalhar, e ainda de orientações certas e determinadas, e que só a permanência do Chefe Supremo lhe pode dar, e, por conseguinte, ,e ainda que muitos o não digam, querem a Monarquia. Não a antiga que, enredada em preconceitos e laços de toda a ordem deixou-se maniatar e morrer sem se defender, mas uma Monarquia livre, uma Monarquia … “Socialista”! Os extremos tocam-se. Vossa Magestade, segundo a sua Religião, é socialista, mas socialista “prático”, que produz o Bem e não o “utópico que produz amanhã a anarquia (?).” Amar o próximo como a nós próprios, digo, mesmo, é um dos seus mandamentos e, portanto, “deve deixar vir a mim os pequenos”.

Tenho pena de não escrever em latim, mas, por causa da “liberdade” que estou gozando desde que Vossa Magestade saiu de Portugal tenho receio que me apanhem a carta, me chamem jesuíta, e, por enquanto, ainda não estou a disposto a oferecer o meu corpo para servir de Judas no sábado … 40 dias depois de sábado gordo; toda a cautela é pouca.

Vossa Magestade foi “socialista”, foi propagandista. O que foi a sua estada no Porto, e a sua viagem ao Norte, senão verdadeira propaganda, com visitas a fábricas, oficinas, e mais estâncias de trabalho, com as visitas a hospitais, e casas de caridade destinadas a receber os proletários que adoeciam ou se inutilizavam no trabalho. E, para não haver dúvidas, Vossa Magestade nos seus discursos exortava ao trabalho dizendo que “amava os trabalhadores e que se achava bem entre eles”. Sei qual o fim mas fosse qual fosse o que é facto é que Vossa Magestade reconheceu o valor dos que trabalham e quis animá-los a continuar, ensinando-lhes que a salvação da Pátria estava neles!

A Produtora correspondeu ao seu apelo, e todos pediam que Vossa Magestade visitasse as suas estâncias de trabalho e, aí, manifestavam, de todos os modos, a gratidão a Vossa Magestade; não digo que a vaidade e rivalidades não influíssem mas isso não obsta que eles reconhecessem o poder de Vossa Magestade, em quem depositavam toda a sua esperança. A isto chamo “monarquia socialista”.

Se os políticos não estivessem cegos, e vissem aonde o caminho para Vossa Magestade começava a trilhar, e procurassem trazer para Portugal o que noutras nações mais adiantadas, há muito fora concedidavesta classe talvez o que sucedeu não houvesse sucedido …

Vossa Magestade não teve culpa, apesar dos seus 19 anos e de não conhecer o mundo, indicou-lhes bem o caminho a seguir. É mais um motivo para não deixar dominar o espírito pelas dúvidas a que acima me referi.

Se isto não bastar pense na maioria do Pais, a que não está estragada pela falsa instrução e educação ou que não está cega pela ambição desmedida, e pensa como a Produtora pensa…

Lembra-se na volta da Carregosa (?), um homem chegou-se ao pé de Vossa Magestade perguntando-lhe se era o Rei, e, quando teve a certeza, disse-lhe: “Vossa Magestade é que é o verdadeiro patriota, vem até aos pobres para conhecer as suas necessidades, não corno os que estão em Lisboa (políticos) que só se lembram de nós para pedirem votos. Se digo isto não é para pedir esmola, que eu com estas mãos calejadas (e mostrou as mãos) bastam para sustentar minha mulher e 5 filhos, mas para que façam caso de mim” e levantou um “viva ao verdadeiro Patriota” (?).

Lembra-se do carreiro na descida do Pessegueiro, quando se perguntou porque não arranjavam a estrada, dizer “os comilões de Lisboa gastam o dinheiro todo~ não querem saber de nós; para aqui é que eles deviam vir para saberem quanto custa a ganhar a vida” (?).

Lembra-se do pequeno de Guardão (?) dizer: “Se não fosse o Rei todos nos roubavam” (?).

Eu várias vezes tenho ouvido a trabalhadores do campo e já, até, a professores primários dizer: “Se queriam a república nomeassem D. Manuel presidente”! Mostra ignorância, mas mostra que o povo português não é, como muitos diziam a Vossa Magestade, e que a revolução não foi feita contra Vossa Magestade, nem por sua culpa.

Guarda, 11 de Setembro de 1911

José Lobo
•General de Artilharia
•Ajudante de Campo dos reis D. Carlos e D. Manuel II

Carta de D.Manuel II a José Lobo Vasconcelos

Albcorn
Richmond
Surrey, Março 1911

Meu bom e querido José

Fez-me bem a sua carta. É sempre uma consolação para quem muito tem sofrido o ver que se lhe faz justiça.Pobre palavra tão desconhecida em tão pobre paiz- A sua carta fez-me saudades.! Saudades dos bons tempos em que fallava consigo e que tão bem me compreendia. Quiz fazer muito para o meu querido paiz- Como apoio só encontrei o terreno a fugir-me debaixo dos pés. Amava com Verdadeiro amor a minha terra. O meu lindo torrão de terra: queria faze-la feliz, educá-la, civilizá-la, discipliná-la.

Fui Vencido por aqueles que queriam o contrário, e pode calcular quanto sofro ao ver a minha pátria numa tão triste agonia. A doença é gravíssima. O paiz está atacado de dois males. Interno e externo.Se o interno não se cura o externo destrói o interno e o Paiz – morre! Esta é a triste verdade. Esperanças tenho em Deus que o velho Portugal há de compreender o monumental erro cometido e a monarchia ha de voltar com gente nova, para então se desenvol ver a produção. Bem razão deve ter quando falla n’ella; e o meu bom José Lobo sabe o amor que lhe tinha. Sabe que era a base da minha vida – o DEVER . Ninguém queria semelhante base; Ninguém dos que então podiam fazer alguma coisa amava o dever e o trabalho. O lema da minha vida que adoptei no Porto o era; eu amo os que trabalham.Sempre quia proteger e auxiliar as classes trabalhadoras. Que luctas tive! Quiz fazer casas baratas, quiz fazer inquéritos ao operariado, quiz fazer Credito agrícola; etc. Que lucta meu Deus! Quando tinha metade feito cahea o ministerio e tudo se sumia: era preciso recomeçar: Lembra-se meu bom José das nossas conversas do Bussaeo? Se se lembra, deve também lembrar das minhas ideias. Se um dia (como tanto espero e desejo) voltar a Portugal hei de tratar de as pôr em pratica.- Pelo que sei tudo ahi está o peor possível; permitta Deus que se possa endireitar. Meu querido José escreva-me sempre que puder, mas escreva-me cartas comprodas – à sua vontade. Desabafe comigo; eu não sou do “livre pensamento” .Dê-me notícia de tudo que souber sorbetudo da Productora: e da tropa !!!

Minha Mãe e todos mandam-lhe mil lembranças. Peço-lhe para dar muitos recados a todos os seus e aos amigos que vir.

Aceite meu bom e querido José com saudade e ternura um grande abraço d’este seu sincero e dedicado amigo.

Manuel
(Fonte: Blogue "Esquerda Monárquica")

A INSOLVÊNCIA NACIONAL E A TRAIÇÃO A PORTUGAL E À DEMOCRACIA

Sócrates abandonou subitamente a sua persistência em levar por diante as grandes obras públicas.
A cimeira europeia a isso o obrigou.
Foi criado um Fundo europeu de sustentação do euro.
Foi criado um Governo Económico e Financeiro Europeu.
A partir de agora as Nações da zona euro, estão sujeitas às decisões da Eurocracia.
A soberania dos povos, a democracia passou a ficção.
A Europa determinou o fim da nossa Agricultura, das Pescas e estrangulou a pequena indústria e o pequeno Comercio.
A vocação nacional passou a ser os Serviços e o Turismo.
Uma vocação de servilismo perante os visitantes os interesses instalados.
Destruiu-se o nosso tecido económico base, a nossa sustentação e promoveu-se a nossa insolvência como País independente.
Tudo estrategicamente planeado, no sentido de deste pequeno quadrado secular, não ter condições de viabilidade e ser uma das extremidades bem amarradas ao centro do poder de uma Federação Europeia, que face ao progressivo cepticismo dos povos periféricos, os conduz nesse caminho através da obediência forçada pelas carências que lhe foram impostas.
Este sonho Europeu, que se alimentou na liberdade dos povos, na melhoria do seu bem estar e ansiedade natural da vivência em paz, condena-se a si próprio ao negar a participação das Nações, ao restringir o seu bem estar e a sua evolução económica e ao violentar os princípios democráticos que eram uma premissa do projecto.
Portugal, Grécia, Espanha e Irlanda, constituem o principal problema deste eixo Franco-Alemão dominante e dominador deste projecto europeu. Porque foram objecto de uma estratégia de dominação através de uma política indutora da sua insolvência económica, mas que constituem um enorme perigo para o sonho, pois todos eles são constituídos por povos com uma forte identificação e com uma secular existência como Nações, como uma história de lutas heróicas pela sua independência e sobretudo porque isto é a sua grande riqueza e potencialidade.
Portugal foi dominado pela traição e os traidores estão no poder ao serviço de quem lhes pagar melhor. Mercenários que usam a arma da mentira e da manipulação, usurpadores dos conceitos e dos valores.
Portugal não é pequeno, nem pobre e esta tem sido a mentira soberana que é usada como arma dos traidores.
A Europa quer ter a soberania total, sobre a nossa Plataforma Marítima Continental, porque sabe bem que aí estão reservas enormes de matérias primas e de energia, que lhe poderão dar no futuro próximo condições de desenvolvimento.
Portugal é hoje com a sua Plataforma Marítima Continental, o maior país da Europa e bastará perceber a razão pela qual este facto tem sido negado aos portugueses, para entender toda esta manobra europeia para nos retirar o sentido de Nação independente e soberana.
Portugal é uma Nação do mundo, porque tem mais de um terço da sua população nele inserida e porque tem laços culturais e fortes afinidades, que lhe garantem a sua sustentabilidade e o seu projecto de futuro.
Não tem qualquer sentido para os portugueses esta submissão à mentira e à traição.
Temos todas as condições para nos continuarmos a afirmar como Nação soberana e de voltarmos a dar uma lição de história à Europa.
Já o fizemos no passado e voltaremos a fazê-lo agora.
Temos um povo diferente, que sempre soube reagir em defesa da sua Pátria e na defesa dos seus direitos.
O engano dos traidores e dos seus instrutores é que este povo não foi anulado e o seu silêncio e a sua aparente resignação, não significa submissão.
Este povo aguarda as provas definitivas de toda esta traição.
A sua aparente apatia resulta de toda uma experiência histórica de sabedoria perante a oportunidade de acção.
Muitos dos mais conscientes, estão cada vez mais ansiosos e não compreendem esta atitude colectiva.
Desesperam pelo silêncio das lideranças expectáveis. Desesperam pela aparente resignação colectiva.
Mas o momento não é de acusação, pois é o momento de Acreditar.
Acreditar em Portugal, nos portugueses e na sua sabedoria.
Portugal não acabou, nem há-de acabar, não por vontade de alguns, mas pela vontade da maioria dos portugueses e pela sua Fé.

José J. Lima Monteiro Andrade
(Fonte: Blogue "Desafio de Mudança")

GRANDE ENTREVISTA DE S.A.R. O SENHOR DOM DUARTE, DUQUE DE BRAGANÇA

A REPÚBLICA VAI NUA

24 horas após ter dado esta entrevista, S.A.R. Dom Duarte foi recebido como um Rei em Figueira de Castelo Rodrigo num jantar medieval. Não é a única região portuguesa que reclama a sua presença nas suas terras e garante que a única câmara do Bloco de Esquerda e muitas autarquias comunistas o solicitam. No dia em que comemora o seu 65.° aniversário, a cinco dias de celebrar sessenta anos do fim do banimento da Família Real do território nacional, por decreto de Salazar, e em ano de centenário da implantação da República, o herdeiro dos Reis de Portugal comenta a situação do país, aponta soluções e assume que o regresso da Monarquia já foi uma ilusão maior do que se pensa.





(clique nas imagens para ampliar)
(Fonte: Blogue "Família Real Portuguesa")

sábado, 15 de maio de 2010

O EXEMPLO PRESIDENCIAL, ANÍBAL CAVACO SILVA


Actualmente recebe três pensões pagas pelo Estado:

4.152,00 - Banco de Portugal.

2.328 ,00 - Universidade Nova de Lisboa.

2.876,00 - Por ter sido primeiro-ministro.

9.356,00 - TOTAL ( 1 875 709 $ 60 )

Podendo acumulá-las com o vencimento de P. R.

Porque será que, o Expresso, o Público,
o Independente, o Correio da Manhã e o Diário de Notícias,
não abordaram este caso, mas trataram os outros
conhecidos, elevando-os quase à categoria de escândalos, será que
vão fazer o mesmo que fizeram com os outros ??

Não será por este e outros a razão da falência da Segurança Social ???
Só as reformas dos funcionários públicos é que causam tanto mal à economia deste país???

AINDA ALGUNS REPUBLICANOS DIZEM QUE A MONARQUIA É UM REGIME DE PRIVILÉGIOS! TENHAM VERGONHA! VIVA O REI!

(Fonte: Facebook)

AS RELAÇÕES ENTRE PORTUGAL E OS PAPAS


Primeiros contactos de Portugal com Roma datam do séc. XII

Os primeiros contactos de Portugal com Roma dão-se no século XII. Neste segundo milénio, o relacionamento faz-se a partir da instituição papado que se foi construindo através dos tempos. O enquadramento cronológico e a acção singular de cada papa, a partir dessa instituição, muito nos ajudarão a compreender as intervenções pontifícias em Portugal.

O primeiro papa que se liga a nós foi Lúcio II (1144-1145). Responde a um pedido de D. Afonso Henriques. Para trás fica-nos uma lista de 165 bispos de Roma; e de Lúcio II até ao pontificado de Bento XVI temos mais 100 papas. Importa referir que a instituição papal, para além da compreensão exegética, patrística, teológica e histórica, teve muito a ver com estímulos exteriores à própria Igreja.

Circunstâncias históricas guindaram-na a um alto patamar de autoridade religiosa, política e moral, e que têm persistido até aos nossos dias. Circunstâncias históricas contribuíram para isso.

No início do segundo milénio, famílias influentes e forças políticas procuraram instrumentalizar a sede de Pedro. Uma reforma oportuna conseguiu libertar o papado dessas forças adversas.

Desse processo reformador resultará uma monarquia papal, centralizada, independente e forte que acabará por tutelar toda a Europa. Decorrente desse estatuto, tacitamente aceite por todos os reinos então constituídos, pôde depor reis e imperadores, desvincular súbditos de príncipes ou outras autoridades de vida cristã discutível. Esse dinamismo singularizou-o e o colocou numa posição de charneira, capaz de arbitrar os altos destinos da Europa.

Com naturalidade, os vários reinos do ocidente, consolidados ou emergentes, aceitaram ou demandaram reconhecimento político em ordem a uma sólida independência.

É neste contexto que D. Afonso Henriques, após o tratado de Samora (1143), pede reconhecimento papal que lhe garantisse independência entre reinos vizinhos belicosos. A anuência romana foi cautelosa e faseada. Lúcio II reconhece-lhe apenas o título de Dux (chefe) duma terra ainda pouco definida.

Posteriormente, já no pontificado de Alexandre III, em 1179, por documento bulado, é-lhe reconhecido o título de rei. Os monarcas da primeira dinastia tiveram sérios problemas com o clero.

O período mais tenso deu-se no reinado de D. Sancho II. Inocêncio IV, que convocara o concílio I de Lyon para o ano de 1245, em pleno concílio, com a anuência dos padres conciliares, depõe o imperador Frederico II e, já no fim do concílio, depois de ouvir o parecer dos bispos portugueses, depõe o rei D. Sancho II.

No século XV, com a epopeia marítima, vários foram os papas que se associaram aos empreendimentos portugueses. As bulas do século XV, dos papas Eugénio IV, Nicolau V, Calixto III e Alexandre VI, são prova do interesse pontifício pela política da expansão ultramarina portuguesa.

O recurso atempado a Roma para obter chancela pontifícia de garantia de posse dava segurança e legitimidade. Com D. Manuel I e D. João III Portugal “entra” decididamente na chancelaria pontifícia e no palácio papal.

Negociações difíceis se fizeram nesses dois reinados. Os papas Paulo III e Pio IV acreditaram ser possível mobilizar o reino de Portugal para as grandes causas que então moviam Roma: a luta contra a dissidência religiosa e a reforma da Igreja. D. João III e os seus dois irmãos cardeais, D. Afonso e D. Henrique, tiveram grande dificuldade em acompanhar a tenacidade e o dinamismo desses dois papas.

No século XVIII a relação com Roma será bastante instável. O racionalismo da Ilustração, sem eliminar o elemento religioso, pendia para uma compreensão secularizante do exercício do poder. Isso reflectiu-se nas relações com Roma.

O barroco imperante e transversal a várias retóricas teve particular impacto nas expressões de luxo e pompa, prestando-se por vezes à sacralização do ritual da corte e do poder. Vários papas foram pródigos na concessão de privilégios a Portugal.

A dignidade patriarcal e outros privilégios que a essa se seguiram, concedidos pelos papas Clemente XI e Clemente XII, prestigiaram de forma invulgar o reino de Portugal. Um pouco mais tarde, Clemente III, por convicções e temperamento, opor-se-á por anos seguidos às políticas do Marquês de Pombal; já o seu sucessor, Clemente XIV, contemporizou e se prestou a cedências que resultaram perniciosas para a Igreja.

O século XIX trouxe mudanças profundas. O papado teve sérias dificuldades em harmonizar-se com o mundo moderno. A partir dos anos trinta, vários papas conheceram por décadas desconforto e isolamento. As políticas liberais portuguesas também contribuíram para isso. Os papas deste período, mormente Gregório XVI, Pio IX e Leão XIII, embora discordando das políticas de Lisboa, demonstraram razoável apreço pelo povo português.

O início do século XX, com a vitória republicana em 1910, foi um período penoso para o papa Pio X. Os acontecimentos de Fátima chegaram ao Vaticano de forma demasiado lenta. A grande guerra em curso, o período turbulento que se seguiu, a ascensão de alguns regimes totalitários centrara os papas na problemática emergente. Pio XII, no fim da década de trinta, inicia um pontificado inteligente, organizado e atractivo.

Teve picos de proximidade a Portugal assinaláveis: estabeleceu uma concordata e um acordo missionário; enviou um legado “a latere” para a coroação de Nossa Senhora de Fátima em 1946 e canonizou S. João de Brito. Portugal anichava-se progressivamente na cidade de Roma, no Vaticano e no coração dos papas.

Os sucessores de Pio XII, praticamente todos com razoável conhecimento sobre Fátima, associar-se-ão aos acontecimentos mais marcantes da Cova da Iria e de Portugal. Paulo VI, que melindrara os políticos portugueses com a sua deslocação a Bombaim (1964), impávido e sereno, com dois gestos de deferência, demonstrou por Portugal estima e devoção à Virgem de Fátima. Em Novembro de 1964 concedeu ao Santuário de Fátima a Rosa de Ouro.

Em 1967, em voo directo de Roma a Monte Real, evitando os ruídos protocolares de Lisboa, deslocou-se como peregrino à Cova da Iria, num acto de devoção e de preito ao bom povo português. João Paulo II deslocou-se três vezes a Portugal, com mente e coração centrados em Fátima.

Com essas presenças pontifícias, o papado passou a colocar na sua agenda visitas habituais a Portugal e a Fátima. Dessas deslocações percepciona-se um alto apreço institucional e pessoal dos papas por Fátima e Portugal.

A viagem de Bento XVI  insere-se já numa tradição e numa inovação que, certamente, surpreenderá a Igreja de Portugal e os horizontes inabarcáveis do mundo da cultura.

Pe. David Sampaio Barbosa
(Fonte: Blogue "Causa Monárquica")