quinta-feira, 6 de maio de 2010

CARTA DE UM REPUBLICANO DESESPERADO A UM MONÁRQUICO BEM-INTENCIONADO

«Meu caro Pimenta de Castro. Vejo-me violentado a intervir novamente nesta amaldiçoada barafunda política, em que as paixões sectaristas e a intolerância dos velhos costumes têm envolvido esta nossa querida Pátria. Se não se acode desde já com firmeza e prontidão ao incêndio em que as facções estão ardendo há muito tempo, como desejando reduzir tudo à podridão e à miséria, estamos perdidos. Isto não são frases; é uma inevitável realidade!

Careço de ti e de forma que sem ti poderá caducar para sempre o remédio a dar-se ao grande mal.

Em duas palavras: preciso de um governo extra-partidário, com o acordo, se não de todos os partidos (e talvez se consiga), ao menos por quase unanimidade para atalhar ao antagonismo que pretendem introduzir entre a República e o Exército.

Deste governo serás o presidente e ministro do interior e será ministro dos estrangeiros o Freire de Andrade, ou ouro de igual valor. Os mais serão escolhidos pelos três partidos militantes, conforme ajustassem entre si, quanddo se possa conseguir, com a cláusula expressa de ficar interdito entre eles a politica partidária até às eleições gerais. O teu austero e belo nome servirá para garantir a genuidade do sufrágio, a conciliação e a paz na república e no Exército.

Esta ideia que, há um mês atrás, era repelida pelos políticos militantes, hoje dizem-me, e eu creio, será aceite pela força das circunstâncias.

Eu que ansiava por me ir embora, conservo-me no teu lado até ao fim da chefatura (e que grande sacrifício não faço em ficar?!). É necessário que outro tanto te suceda.

Tem paciência: somos dois velhos que nos vemos obrigados a dar alento aos novos. Por tudo, te peço que neste momento, tão angustioso para mim e tão grave para a Nação, não te esquives; não venhas com evasivas.

Peço-te, em nome da República e da Pátria, que não me abandones. Será curto o nosso cativeiro, e, ao fim dele, seemos compensados com a paz da nossa consciência, por havermos servido de algum bem à Pátira gloriosa onde nascemos.

Belém, 23 de Janeiro de 1915. Manuel de Arriaga».

Desta carta do 1º Presidente da República ao Gen. Pimenta de Castro, seu amigo, surgiria aquilo a que os "democráticos" de Afonso Costa chamaram a "ditadura Pimenta de Castro". E logo a 15 de Maio seguinte, uma sangrenta revolução (200 mortos e 1000 em Lisboa), põe permo ao Governo formado de acordo com os ditâmes de Manuel de Arriaga.

Este é vitíma de uma tentativa de assassinato e salva-o a intervenção do Ministro inglês «não se metam com o Velho», terá dito!), ameaçando com o não reconhecimento da República pela Sociedade das Nações. Ainda assim, é obrigado a resignar ao cargo, e de Arriaga nunca mais a política portuguesa soube nada.

Pimenta de Castro foi preso, na sequência da revolta, e deportado para os Açores.

Publicada por João Afonso Machado
(Fonte: Blogue "Centenário da República")

quarta-feira, 5 de maio de 2010

HOJE: LANÇAMENTO DO LIVRO MEMÓRIA DAS “INVASÕES FRANCESAS” EM PORTUGAL

Trata-se de uma tese de doutoramento transformada em livro com uma linguagem muito compreensível. Relata toda a história das Invasões Francesas com uma perspectiva inovadora e fala da Memória que ficou em muitas famílias portuguesas. Assim, tem um conjunto de entrevistas a personalidades francesas e portuguesas como o Príncipe Charles Napoleón, Dom Duarte de Bragança, Marquês da Fronteira, Nuno Morais de Sarmento, e outros.


CONVITE

A Ésquilo, Edições e Multimédia e a Fundação das Casas de Fronteira e Alorna têm o prazer de convidar V. Ex.ª a assistir ao lançamento da obra «Memória das Invasões Francesas – Uma Perspectiva Inovadora no Bicentenário da Guerra Peninsular», da autoria da Professora Doutora Tereza Caillaux de Almeida, que terá lugar no próximo dia 6 de Maio, quinta-feira, pelas 18h30, na Sala das Batalhas do Palácio da Fronteira, Largo de S. Domingos de Benfica, 1, em Lisboa.

A sessão será aberta por D. Fernando de Mascarenhas, Marquês da Fronteira, e a apresentação da obra estará a cargo de Louis-Napoléon Bonaparte-Wyse, descendente da família de Napoleão Bonaparte, e do Prof. Doutor António Pedro Vicente, Professor Catedrático da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa (UNL).

Esta obra consiste na edição adaptada em livro da tese de doutoramento defendida pela autora, na Universidade de Paris-Nanterre, em 2008.

Sinopse

A autora, Tereza Caillaux de Almeida, natural de Lisboa, é professora de estudos portugueses na Universidade d’Aix-en-Provence. Memória das ‘Invasões Francesas’ em Portugal é o resultado de um longo trabalho de investigação realizado de Norte a Sul de Portugal. Trata-se, em primeiro lugar, da sua tese de doutoramento apresentada na Universidade de Paris-Nanterre, em 2008 e tendo recebido a mais alta distinção em vigor. Foram estudados os vestígos das campanhas napoleónicas na memória colectiva portuguesa em vários domínios tais como a pintura, a literatura, o ensino, a historiografia, as comemorações e, sobretudo, o discurso oral através de entrevistas de mais de duzentas pessoas entre as quais os descendentes dos principais actores deste conflito. O levantamento e a análise dos elementos observados, relativos a este período histórico, revelaram uma memória problemática, tanto em França como em Portugal. E, embora se focasse essencialmente a memória portuguesa, foi necessário estabelecer um diálogo entre as duas culturas para se compreender o fundo do problema. Delinearam-se, igualmente, certas características da memória portuguesa até hoje a qual apresenta, inesperadamente, valores, crenças e mitos multisseculares. Resulta deste trabalho um álbum – quase um roteiro – sobre as «Invasões Francesas» em Portugal como ainda não tinha sido feito. A riqueza iconográfica, a descoberta de uma documentação original e inédita – nomeadamente a da colecção da Casa das Gaeiras –, as histórias contadas por centenas de entrevistados tornam esta obra, à partida científica, num ‘passeio’ pelo Portugal ligado a este período histórico – e é-o quase todo. Cada qual reconhecerá a sua região, o seu testemunho ou o de alguém que lhe é próximo. Temas específicos, que só eram conhecidos a nível local, adquirem aqui, ao serem tratados numa análise conjunta, a sua devida dimensão nacional.

Memória das ‘Invasões Francesas’ de Tereza Caillaux de Almeida
(Fonte: blogue Familia Real Portuguesa)

COMUNICADO DA COMISSÃO COORDENADORA DA ACÇÃO MONÁRQUICA

A actual crise financeira nacional, exigiria uma postura exemplar do Governo e Administração Pública de contenção do despesismo do Estado.

O Programa de Estabilidade e Crescimento, é uma primeira exigência de sacrifícios aos portugueses, que afecta particularmente a classe média. Os primeiros sacrifícios pedem-se a quem tem menos responsabilidades pela situação de uma inaceitável dívida pública e pelo deficit das contas do Estado.

O Estado não dá qualquer sinal de contenção do seu sentido despesista.

Persiste-se na política das grandes obras públicas, particularmente em algumas de muito duvidoso interesse nacional e com efeitos muito limitados no desenvolvimento económico e na dinamização do mercado laboral. Em particular o TGV Lisboa – Madrid, novas auto-estradas e novas Pontes de travessia do Tejo.

O deficit das contas públicas só poderá ser alcançado com a redução drástica da despesa corrente do Estado, mas o Governo e a Oposição insistem em manter uma Administração Publica plena de desperdício e inoperacionalidade, com inúmeros apêndices de Fundações, Comissões e Organismos, cujo principal objectivo é o de manter clientelas partidárias bem remuneradas e toda uma rede de influência e promiscuidade entre a sociedade empresarial e o Estado.

O Estado está assim apenas a adiar soluções e a transmitir a toda a população um sentimento de revolta muito perigoso.

Nenhum dos graves problemas nacionais é encarado com seriedade e com uma postura de racionalidade pelos actuais partidos, que sustentam o regime e o sistema político.

- Não é encarada com rigor a contenção da dívida pública. Prossegue-se a ilusão de viver acima das possibilidades, gastando muito mais do que se produz.

- Não é encarada com rigor a contenção da dívida nacional geral.

- Não existe uma política consistente de contenção do deficit das contas e sobretudo de contenção da despesa corrente do Estado.

- Não são encarados os bloqueios ao desenvolvimento económico… Justiça; Educação e Competitividade.

Os actuais partidos dominantes do regime republicano estão assim a condenar Portugal a uma gravíssima situação de adiamento de soluções inevitáveis que só podem vir a ocasionar no futuro próximo uma revolta generalizada de consequências imprevisíveis.

A total dependência nacional perante o euro, associada a esta incapacidade de encarar com rigor a realidade, só pode vir a ocasionar a “ ditadura da matemática”, ou seja a imposição tardia de medidas radicais, impostas pela exigência do rigor das contas públicas e por medidas políticas de neutralização do descontentamento e revolta da população a quem foi sonegada a verdade.

Impõem-se assim este alerta público face à gravidade da situação e a reivindicação das responsabilidades deste regime e deste sistema político, que através da dominância de atitudes de provincianismo e de benefícios de mordomias dos seus políticos, estão a destruir todo um sonho dos portugueses e a assassinar a democracia.

Portugal recuperará o seu sentido histórico e encontrará de novo o seu projecto de futuro, pela libertação dos portugueses.

Quando voltarem a ser os portugueses a assumir o poder de decisão em Portugal.

Quando os portugueses voltarem a ter a liberdade de governar o seu país.

Comissão Coordenadora da Acção Monárquica.
(Fonte: Blogue "Movimento Mulheres Monárquicas")

A SUPRAPARTIDÁRIA MENTIRA

Manuel Alegre anunciou a sua candidatura a presidente desta república. Anunciou – como todos os outros – a ladainha de pretender ser o presidente de "todos" os portugueses. Repetindo o que já há uns anos dissera, enalteceu o seu estatuto republicano e socialista com o aperitivo acrescido de pulvilhar o seu discurso com o aviso de que "não é neutro"! Enquanto os portugueses não se aperceberem que a eleição à presidência é uma eleição tão partidarizada como para o parlamento, vamos continuar a viver num regime cujo chefe de estado é um gestor de interesses e esquemas. Proferir que são "o presidente de todos os portugueses" é um arroto de hálito fétido.

Publicada por João Amorim
(Fonte: Blogue "Centenário da República")

terça-feira, 4 de maio de 2010

MONARQUIA E ELEIÇÃO DO CHEFE DE ESTADO

Uma matéria que alguns consideram ser, uma das maiores fragilidades de qualquer perspectiva monárquica, é o facto de os cidadãos não poderem votar, para determinar quem seja o Chefe de Estado.

Eu defendo, pelo contrário, que é uma das grandes vantagens da forma de regime monárquica.

Pergunto sempre: a «família»; um «tribunal»; o «país onde se nasce»; podem-se escolher? E na maioria dos casos, as pessoas não aceitam perfeitamente, estas instituições, que não votaram?

Numa Monarquia como a Portuguesa, a escolha do Rei dependia de duas coisas: uma linha sucessória a seguir sempre que possível (o que, felizmente, nem sempre aconteceu, como foi o caso das Cortes de Coimbra de 1385, que designaram D. João, Mestre de Aviz, como Rei de Portugal); um acto sinalagmático de aceitação do candidato ao trono, por parte da comunidade, representada em Cortes Gerais, para o efeito reunidas.

Mesmo assim, poder-se-ia referir um facto interessante: a origem remota da Monarquia Portuguesa reside na dos visigodos. Ora, como se sabe, a Monarquia de Toledo, era de tipo electivo. Isto significa que, a hereditariedade como critério de escolha do soberano, surgiu mais tarde e por uma questão de mera necessidade.

A necessidade de evitar conflitos bélicos, entre os vários candidatos ao trono.

No dias de hoje, é o que sucede, mutatis mutandis, nas Monarquias Constitucionais: permite-se a livre disputa dos Partidos políticos da República em quaisquer eleições a efectuar; evita-se a contenda eleitoral, quanto à escolha do Chefe de Estado da Nação.

(Fonte: Monsieur PeAn e os "Cágados de pernas 'pró' ar")

NOTÍCIA DO NOSSO JANTAR DE ABRIL, NA BAIRRADA

segunda-feira, 3 de maio de 2010

SEM REI NEM ROQUE

«Na República Portuguesa, começou por vigorar o princípio de que "o país é para todos, mas o Estado é para os republicanos". Mais do que o caracter electivo dos cargos de direcção política do Estado, o que defeniu a ideia de república, em Portugal depois de 1910, foi a reserva desses cargos e dos empregos públicos para os republicanos - e estes foram quase sempre, entre 1910 e 1926, os de um partido, o Partido Repúblicano Português (PRP).


(...) A Constituição de 1911 reduzira ao mínimo o presidente da República, de modo que nunca desempenhasse o papel político que o rei tivera: era eleito no parlamento, para quatro anos, sem direito a reeleição, e não podia dissolver o parlamento. Mas competia-lhe nomear o chefe do governo. (...) Arriaga aproveitou essa prerrogativa constitucional para confiar o governo a um velho general, Joaquim Pimenta de Castro. (...) Pimenta de que Castro manteve o parlamento encerrado e convocou eleições para Junho de 1915. Fora do governo, o PRP temeu desaparecer eleitoralmente. Os outros partidos tomaram alento. Surgiram até, sobretudo no Norte, centros monárquicos (cerca de 55), porque Pimenta fez saber que, com ele, a "república é para todos os portugueses". Pensou mesmo em instituir o sufrágio universal, o que acabou por também inquietar a direita republicana. António José de Almeida lembrou logo: "só republicanos verdadeiros podem conservar e defender a república». O PRP resolveu então tratar Pimenta de Castro como tratara João Franco em 1907: chamou-lhe "ditador" e tramou uma insurreição, usando civis armados e os seus partidários na marinha e na Guarda Republicana. O golpe de 14 de Maio foi muito mais sangrento do que o 5 de Outubro. O exército não mostrou zelo, mas os grupos armados de Machado dos Santos, ao lado do Governo, deram luta. Poderá ter havido (...) 200 mortos e 1000 feridos. Pimenta de Castro e Machado Santos foram presos, e Arriaga forçado a resignar. A violência anticlerical agravou-se: em Loures, foram assaltadas três igrejas, que tiveram as imagens queimadas na rua».

Excerto da História de Portugal coordenada por Rui Ramos
(Fonte: Real Associação de Lisboa)