terça-feira, 30 de março de 2010

S.A.R., DOM DUARTE DE BRAGANÇA NO PROGRAMA "PERGUNTAS PROIBIDAS"


Conforme foi anunciado, no dia 18.03.2010 no programa "Perguntas Proibidas" S.A.R., Dom Duarte de Bragança apresenta uma panorâmica de grandes questões nacionais em entrevista a Mendo Castro Henriques, Presidente do IDP-Instituto da Democracia Portuguesa.



Para Ouvir:       1ª PARTE        2ª PARTE

S.A.R. O SENHOR DOM DUARTE NO CONGRESSO MARQUÊS DE SÁ DA BANDEIRA

SAR O SENHOR DOM DUARTE DE BRAGANÇA criticou o governo português pelas medidas que tem tomado para enfrentar a crise económica. D. Duarte de Bragança participou no primeiro congresso Marquês de Sá da Bandeira. Neste evento, o membro da Família Real acusou os políticos de fomentarem a perda de confiança nas instituições e de embarcarem em obras "faraónicas", referindo-se à construção de barragens e aeroportos. Em jeito de conclusão Dom Duarte mostrou-se disponível para fazer parte da solução para a crise económica. A jornalista Raquel Morão Lopes traz-nos as principais declarações.
 

O QUE SIGNIFICA SER MONÁRQUICO HOJE, CEM ANOS DEPOIS DO OCULTAMENTO DO REINO DE PORTVGAL? (PARTE I)


Reconhecer o Senhor Dom Duarte Pio João Miguel Gabriel Rafael de Bragança, Príncipe Real de PORTVGAL e XXIV.º Duque de Bragança, como Herdeiro Legítimo do Trono de PORTVGAL e, logo, Legítimo Chefe do Estado (pendente da aclamação das Cortes). Não questionar a Sua legitimidade dinástica e não contemporizar com faltas de lealdade para com a Sua Casa e a Sua (Nossa) Causa Real.

Ser intransigentemente fiel à Sereníssima Casa Real e Ducal de Bragança e ao Presidente da CAVSA REAL, na falta de herdeiro manifesto e legítimo de El-Rei Dom Sebastião, O Desejado (enquanto a Sereníssima Casa Real e Ducal de Bragança for intransigentemente fiel à Tradição dos Senhores Reis de PORTVGAL, bem entendido).

Ser intransigemente leal para com a CAVSA REAL, único organismo reconhecido pelo Príncipe Real de Portugal como legítimo representante e promotor das pretensões dinásticas da Sereníssima Casa Real e Ducal de Bragança.

Não tolerar dissensões, louletanas, mariapianas, poidimanianas e outras. Não tolerar o PPM. Extinga-se rapidamente. A Monarquia não tem partido(s). Não pactuar com a utilização abusiva da designação da CAVSA REAL por grupos dissidentes. Não manifestar complacência institucional e pessoal para com a proliferação de grupúsculos dissidentes e desviantes. Não tolerar a promoção pública de divisões entre os Monárquicos e a fragmentação dos mesmos em grupúsculos, facções ou tendências intolerantes, irracionais e canibalistas.

A divisão dos Portugueses e dos Monárquicos em facções ideológicas irracionais estilhaçou, esgotou e matou o ânimo colectivo de PORTVGAL no século XIX, precipitando-nos no caos republicanista, numa guerra mundial com a qual nada tínhamos a ver, numa ditadura que nos isolou e atrasou e no pântano partidocrático em que estamos atolados.

Dissidentes monarquistas e republicanistas mancharam as suas mãos com sangue real (sangue português) em 1908. Em verdade se diga e reconheça que a dissidência, a inépcia, a desorientação e indiferença monarquistas, mais do que o republicanismo jacobino, burguês e estrangeirado, mataram o Reino em 1910.

Nas eleições municipais de 1 de Novembro de 1908 o partido republicano português ganhou, entre outras, a Câmara de Lisboa, elegendo aí todos os seus candidatos e alcançando posição proeminente no quadro político e institucional da época. A este respeito escreveu S.M. o Rei Dom Manuel II ao primeiro ministro:

«O que era necessário é que os monárquicos trabalhassem; há 40 000 recenseados aproxidamente em Lisboa, os republicanos têm nesta eleição 9 000 e tantos votos; o que fazem os restantes 30 000 votantes?»

O repto do jovem Monarca permanece actual: o que é necessário é que o Monárquicos trabalhem.

Nada mais se lhes pede.

O que é o mesmo que dizer que TUDO se lhes pede e TUDO lhes será exigido, em prol da Restauração.

Viva o Rei!

Por António Emiliano no Facebook

segunda-feira, 29 de março de 2010

INTERVENÇÃO DO DEPUTADO PEDRO QUARTIN GRAÇA, NO PARLAMENTO

























O CAMINHO QUE TODOS CONHECEM... A SOLUÇÃO QUE NÃO QUEREM VER


Todos sabem que Portugal tem de mudar o seu Regime Político.Todos sentem que a democracia está adulterada e cada vez mais reduzida no seu sentido.Todos conhecem as soluções de mudança, que são exigíveis, para recuperar a sociedade portuguesa.Que temos um peso da Administração pública insustentável, que teremos de privatizar os serviços.Que temos um sistema eleitoral, que beneficia a irresponsabilidade política e a mediocridade.Que temos um Regime, que é permissivo ao compadrio e à dependência dos interesses partidários, pessoais e dos interesses estrangeiros. Permissivo à corrupção e aos conluios dos interesses, que não garante a independência e autonomia dos poderes legislativo, governativo e judicial.Todos sabem que a crise não é apenas económica, mas uma crise de valores e da sociedade.Todos conhecem as soluções para o desenvolvimento económico, mas persiste-se em soluções insustentáveis.Comprometem-se gerações futuras, hipoteca-se um país, através de projectos grandiosos, que não temos condições nem de pagar, nem de beneficiar ou usufruir.Todos sabem que nenhum país sobreviverá, apenas com projectos de investimento públicos.Que nenhuma retoma económica e social será possível, apenas com uma politica de fomento de serviços, sem uma actividade produtiva dinâmica.Todos sabem que o estímulo empresarial individual, é a base essencial da recuperação, mas persiste-se no seu aniquilamento. Todos sabem que o ensino público é a garantia do nosso futuro, mas é precisamente aí que prolifera a maior das desgraças e o declínio da formação académica é uma triste realidade.Não está na falta de consciência dos políticos, o seu pecado. Pois todos conhecem a realidade e as consequências dos seus erros.O problema está em que esses políticos, apenas podem dizer e agir, de acordo com o que é fácil e á agradável de ouvir.Porque esses políticos são frágeis e apenas se conduzem pela suas carreiras e por consequência numa perspectiva de curto prazo.Porque esses políticos não pagam nunca a factura dos seus erros…nem da sua falta de coragem para encarara a realidade.Porque esses políticos são instrumentalizados e influenciados por grandes outros lobies estrangeiros.Porque não há uma cultura social de exigência, que os obrigue a seguir a premissa do Serviço Público.Não há essa cultura de exigência, porque ela não é conveniente.Todos sabemos isso e a isso somos permissivos.Um Presidente da República, dependente e reconhecido, pois foi eleito através de acordos partidários e a quem presentearam com um final de carreira política de prestígio, não tem assim nenhuma condição para fazer na sociedade este trabalho essencial e determinante, que é o de promover a exigência da sociedade civil, para com os que estão na política e no serviço público.Um Presidente da República, apenas tem de ser reconhecido para com aqueles que o homenagearam e nunca irá também pagar a factura dos seus erros.Preserva-se um sistema que não premeia o mérito na sociedade, nem o orgulho dos portugueses.A descrença está generalizada, não há motivação, cada um carpe mágoas e faz acusações, sem a ilusão da mudança possível.Como é possível então, que nem todos vejam o óbvio.Só com um Regime, em que o Chefe de Estado, não seja temporário ou provisório, que assuma o pagamento das facturas e com isso comprometa também seus filhos e toda a sua família, poderemos aspirar a que se volte a falar verdade.Só com um Chefe de Estado, que una todos no respeito pela nossa História e pela nossa Identidade como povo, poderemos aspirar a travar o caminho da dissolução.Só com um Chefe de Estado, que permanentemente enalteça as nossas potencialidades e os nossos desígnios de futuro, o poderemos construir.Só com um Chefe de Estado, livre de compromissos partidários e autónomo dos jogos e lutas político partidárias, poderemos aspirar à mudança e a que os políticos encarem com coragem e determinação a realidade.Tal como dizia Alexandre Herculano…podem correr agora com o Rei, mas um dia terão de voltar a chama-loTal como dizia Fernando Pessoa …é a Hora..

Jose Andrade
(Fonte: Blogue Lusa Monarquia)

domingo, 28 de março de 2010

TAILÂNDIA: UMA PODEROSA MONARQUIA CONSTITUCIONAL

Há alguns anos, encontrava-me em serviço naquele país do sudeste asiático. Em plena época da monção, todo o vale do Menão - corruptela portuguesa do rio Mae Nam, ou Chao Phraya -, foi inundado por uma massa de água de proporções bíblicas. Enquanto cidadezinhas de província, aldeias e quintas eram irremediavelmente isoladas como ilhas num oceano, o sítio histórico de Ayuthaya, bem no epicentro do desastre, assistia a uma devastação sem precedentes desde que a cidade caíra diante da fúria de ferro e fogo birmanês.

Aflitiva era a situação da população rural. Sem caminhos de fuga, totalmente dependente do fornecimento de víveres a partir dos grandes centros distribuidores, ficou reduzida à total impotência, esfaimada e temerosa do prosseguimento da intempérie. Pior, as quintas produtoras de bens de consumo de primeira necessidade, viram a labuta de meses desaparecer sob o lodaçal, enquanto outras, destinadas à produção de peles de crocodilos, não puderam impedir uma maciça fuga dos répteis que galgaram as cercas, em direcção ao grande rio e à miríade de canais que pontilham o mapa do velho Sião. Subitamente, deixámos de ver as crianças a exibirem as suas técnicas de mergulho à frente do Wat Phra Keaw - o Grande Palácio - , sempre à cata das moedas com que os turistas recompensavam as prodigiosas habilidades acrobáticas. Era o medo pelo choraké, o grande lagarto de dentes afiados. Alguns foram capturados, enquanto outros iniciavam uma nova vida nos klongs situados nas imediações do grande centro urbano. Era o regresso do medo de outros tempos, em que as gentes olhavam a natureza e os seus bichos como a parte integrante das suas vidas, quando não os carrascos que as cerceavam sem apelo, num necessário forçar do equilíbrio.

A capital dos então oito milhões de habitantes, também via as suas grandes thanon e soi transformadas em braços de rio, desaparecendo quase por completo o caótico, ruidoso e por vezes insuportável tráfego rodoviário. Contra todos os avisados conselhos, era com grande satisfação que caminhei de calções e chinelos, por locais onde a água facilmente ultrapassava a altura dos joelhos. Como visitante, tudo aquilo nada mais era senão um complemtento à aventura asiática, remetendo-me para outros horizontes perdidos pelo tempo. Gostava da sensação e a civilização do ocaso do triste século XX parecia desaparecer e dar lugar aos barquinhos a remos, canoas e outras embarcações profusamente decoradas com ramagens, flores e laços votivos dedicados às divindades. Naquele momento, todos viam a vantagem que os antepassados encontraram na vida embarcada, nas casas sobre palafitas e imunes aos caprichos das marés.

Decorridos quatro dias, a apreensão substituiu o negligente prazer pelo inaudito. As imagens que os canais de televisão mostravam, eram terríveis. Centenas de milhar de pessoas apenas sobreviviam refugiadas com os seus preciosos animais, amontoando-se nos telhados das suas casas e quintas, ou em montículos de terra no meio de um deserto de água, onde os esverdeados dos limos apenas alternavam com o avermelhado castanho da terra ensopada. Uma população sem comida e sempre fustigada por bátegas de água que teimavam em não partir para outras paragens, a ameaça da fome e do surto de doenças, atemorizou o país inteiro. O governo do 1º ministro Barnharn Silapaarcha não teve qualquer capacidade de resposta global, limitando-se a pequenas medidas paliativas, evacuando algumas localidades. Helicópteros distribuíam sacas de arroz, sem que isso significasse algo mais, senão uma patética tentativa de auto-satisfação pelo "dever cumprido" na assistência aos aflitos. O problema era vasto e de quase impossível resolução, enquanto as águas não fossem gradualmente baixando.

O descontentamento generalizou-se e os ataques desferidos na imprensa e na tv contra o governo, ameaçavam a tradicional pacatez da sociedade tailandesa, pouco dada a violências que se verificam noutros países da região.

O rei Bhumibol Adulyadej, tomou então a raríssima iniciativa de pedir a autorização parlamentar para se dirigir ao país. Monarca constitucional com os poderes materiais limitados desde 1932, dificilmente faz ouvir a sua voz nas contendas políticas que dividem as forças partidárias, sempre voláteis e ciosas da defesa dos seus interesses. Desta vez, a majestade apresentou-se à população durante o horário nobre das notícias e diante de um grande mapa de toda a região central do país, deu a sua opinião acerca dos procedimentos urgentes. Sugeriu a convocação das Forças Armadas para os serviços de engenharia imprescindíveis à abertura de canais de escoamento de água e mostrou qual a direcção que os esforços deviam tomar, tendo em atenção as cotas dos rios e afluentes, depressões no terreno e valas de retenção. O que ninguém esperava era a resposta maciça, impressionante e voluntária que a população deu ao apelo do rei. Centenas de milhar colaboraram com os soldados, sem qualquer tipo de enquadramento de "Partido". Sem rutilantes bandeiras, sem hinos de louvor à impiedosa e brutal sageza de Grandes Timoneiros. Nem um policia ou um único comissário que zelasse pela correcção processual e metódica da "Ideia", mas apenas uma enorme manifestação de trabalho em prol do bem e do interesse geral.

Em três dias os rios recolheram aos seus leitos e as avenidas de Bangkok voltaram à sua habitual cacofonia de buzinas, acelerações de motocicletas, tuk-tuk e ao impecável serviço de transportes públicos.

Bhumibol Aduliadej estava no trono já há mais de meio século e conhecia cada quilómetro do seu reino, desde as mais recônditas vilas do nordeste, até às frescas províncias do velho reino tributário do Lana Thai, a noroeste. Conhece as turbulentes províncias do sul muçulmano, assim como as paradisíacas estancias balneárias que cobrem toda a costa do Golfo do Sião e do mar de Andamão. Ao longo de décadas sentara-se no chão poeirento e falara com as populações rurais e da montanha, inteirando-se dos seus problemas e recolhendo in situ as mais diversas experiências e recomendações que dirigia ao governo central. Era o rei fotógrafo que compilava milhares de imagens e enchia cadernos com anotações. Distribuiu ou criou iniciativas reais de aproveitamento de recursos e viabilizou actividades que se consideravam em vias de extinção. Escolas, centros de saúde, quintas agrícolas experimentais, centros de artesãos que preservam o património artístico, projectos de drenagem e irrigação. A defesa da floresta, a protecção da vida selvagem e o sempre lancinante alerta quanto à depredação que a apressada e lucrativa urbanização imposta por uma megalópole em que a capital se tornou, eram escutadas como fazendo parte das suas normais atribuições de tradicional Senhor da Terra, título honorífico que lhe chegara pelo desfiar de séculos de passadas grandezas.

Aquele momento de dilúvio, consistiu numa súbita tomada de consciência por parte milhões que desesperavam pela ineficácia da acção daqueles em que ciclicamente depositavam o seu sufrágio. O poder transitório e materializado pelo texto constitucional, se satisfaz o princípio do "poder do povo para o povo", não conseguiu na hora da verdade e das grandes decisões, esconder a evidência da existência de um outro, apenas moral, simbólico e de teórica união das mais díspares gentes que formal o país. O poder real era afinal aquele para o qual todos se voltaram na hora da suprema necessidade colectiva. Sem prepotência ou arremedos de liderança despótica, pediu a autorização ao povo - as instituições representativas - para falar ao próprio povo. Pairando acima dos interesses materiais dos grupos económicos e mantendo bem firme a tradição filosófica que mantém a coerência da sociedade conformada em Estado, é também o defensor a quem acorrem todas as minorias, sejam elas étnicas ou religiosas.

É um dos derradeiros, senão o último dos dirigentes mundiais de outros tempos. O seu poder não se cabouca nos biliões proporcionados por uma praça financeira, ou nas baionetas de milhões de soldados em pé de guerra. A bem conhecida honestidade e total assunção do dever, é a sólida base sobre a qual se ergue a generalizada confiança da Tailândia.

Embora não me agradem tiradas encomiásticas e muito menos ainda, panegíricos destinados a personalidades vivas, neste caso há que reconhecer a evidência: grande homem é Rama IX, cujo nome Bhumibol (lê-se Pumipon) significa Força da Terra, enquanto Adulyadej (lê-se Aduniadet) o torna em Poder Incomparável, naquelas sugestões que só uma Ásia milenar consegue fazer perdurar como atributos históricos de uma filosofia tornada como religiosa norma de conduta geral.

Força de uma terra que se resume no corpo de todos os tailandeses e no incomparável poder de uma vontade que se manifesta sempre que convocada por quem de razão e de direito chama à responsabilidade.

Jamais teve veleidades imperialistas e quis expandir fronteiras ou ameaçar vizinhos. Não é um potentado que se exibe nos palcos cerimoniais do mundo, nem faz valer a sua presença em conferênciais ou cimeiras internacionais, raramente saindo das fronteiras do seu reino. É conhecido como um homem discreto e escrupuloso cumpridor de protocolos de antanho, agradando ás massas orgulhosas de uma pageantry que tem origem num passado que jamais se submeteu a qualquer tipo de colonização ou ditame de ocupantes, fossem eles brancos, indianos ou pardos. Amado como homem bom que jamais deixou ser, eis a síntese de uma vida já ocotogenária.

Os governos, os chefes de clã e de interesses e os Partidos, vão e vêem nas marés da moda, do contexto internacional e dos acasos decorrentes da crise que alterna com a prosperidade económica e financeira. De uma coisa estão todos os tailandeses certos, enverguem eles as camisetas vermelhas, amarelas ou si-chompu (rosa): o rei fica e parece ser sempre o mesmo, pouco importando o numeral.

Bhumibol Adulyadej, merece bem o cognome que há muito os mais humildes lhe atribuíram: o Grande.


Publicada por Nuno Castelo-Branco
(Fonte: Blogue "Estado Sentido")

ALEXANDRE HERCULANO, UM GRANDE MONÁRQUICO

A Mentira histórica, tenta salvar a Mentira política.

Um destacável de hoje (28/03/2010) do Jornal de Notícias faz toda uma homenagem a Alexandre Herculano, pois comemora-se o bicentenário do seu nascimento.

Tenta-se colar o pensamento de Alexandre Herculano, ao idealismo republicano e associar esta comemoração à do centenário da República.

Não há já escrúpulos perante o respeito que nos deve merecer uma dos mais brilhantes romancistas e historiadores portugueses.

Com a mentira tenta-se salvar a mentira.

Alexandre Herculano é apresentado como um defensor do ideal republicano, num texto assinado por Claudia Luis, em que se deturpa grosseiramente, o pensamento político do nosso grande historiador, romancista, poeta e político.

Alexandre Herculano, que foi instrutor do D. Pedro V, que foi determinante para a consistência ideológica e política, desse extraordinário jovem Rei de Portugal.

Alexandre Herculano, que foi um dos grandes investigadores históricos portugueses.

Alexandre Herculano, que chorou que nem uma criança no funeral do seu Rei e aluno.

Alexandre Herculano que deixou como seu testamento, a mensagem histórica aos portugueses….” Se correrem com os Reis hoje, terão de voltar a chama-los”.

Alexandre Herculano que foi um dos maiores lutadores pela verdade e pela liberdade de expressão, é agora violentado na sua ideologia e nas suas convicções, através da mentira que apenas pretende salvar o culto da actual mentira.

 Alexandre Herculano era um democrata, mas era monárquico e defensor do Reino de Portugal.

O que se pretende agora é tentar preservar a mentira, de que Republica é sinónimo de democracia.

Não foi democracia a 1ª Republica, não foi democracia a 2ª Republica, a actual Republica é um simulacro de democracia formal, uma mentira formal, que se tenta salvar com a mentira histórica, ofendendo o idealismo de figuras grandes da nossa literatura e da nossa história..

São os portugueses ofendidos por este tipo der sobranceria de algumas pessoas que por motivações políticas, não têm escrúpulos de ofender a memória de Homens grandes, e não têm vergonha de deturpar toda a sua luta empenhada na defesa dos seus idealismos políticos.

A verdade é que vivemos numa Oligarquia partidária, a verdade é que hoje somos um país totalmente dependente, em que os supostos representantes do povo, já não o representam porque são submissos às dependências externas e ao sistema financeiro que governa todo o mundo.

A democracia foi condenada, é a verdade que se pretende esconder, através de toda esta mentira.

Os Homens e Mulheres livres já não têm condições de serem ouvidos e escutados.

A mentira tem assim o privilégio de poder ser divulgada e de ser exclusiva da informação que é dada aos portugueses.

Tudo está controlado, pela promiscuidade entre o mundo das finanças internacional e os políticos dependentes, dos países dependentes.

A mentira prevalece, a subjugação dos povos, das sociedades, dos países, aos interesses financeiros é a consequência de sonhos ilusórios, que se instalaram e que se promovem numa campanha permanente, que a toda a hora nos invade a própria privacidade dos nossos lares.

A mentira que não tem escrúpulos, é desumana e destruidora das sociedades, uniformizadora dos costumes e das vivencias, que serve apenas o interesse de uma elite mundial.

Resta como esperança, a persistência dos Homens e Mulheres livres, que numa luta pela verdade e pela recuperação do humanismo, consigam pela sua persistência, preservar uma reserva de valores nas sociedades, que permita e ocasione o ressuscitar da consciência dos povos, perante as graves crises sociais e políticas, que são inevitáveis.

Estes Homens e Mulheres livres, os que apontam que uma sociedade com um passado e com uma história tem direitos e que esses direitos constituem o sentido de país e de uma Nação, podem estar hoje silenciados, mas são a reserva humana da verdade.

Portugal ainda tem sentido, a sociedade portuguesa ainda tem direitos, os portugueses voltarão a ter o direito de decidir sobre o seu futuro e a governar em Portugal.

José J. Lima Monteiro Andrade
(Fonte: Blogue Desafio de Mudança)

«Olhamos impassivelmente para as doutrinas republicanas, como olhamos para as monárquicas. Não elevamos nenhuma a altura de dogma. Não nos cega o fanatismo, nem perguntamos qual delas tem mais popularidade. É já tempo de examinar friamente, e de discutir com placidez, qual dos dois princípios pode ser mais fecundo para assegurar a liberdade e, depois da liberdade, a ordem e a civilização material destas sociedades da Europa, moralmente velhas e gastas. Persuadidos de que a monarquia, convenientemente modificada na sua acção, resolverá melhor o problema, preferimo-la sem nos irritarmos contra os seus adversários; sem os injuriarmos, sem acusar as suas intenções, recurso covarde de quem desconfia da solidez das próprias doutrinas. A nossos olhos a monarquia existe pelo povo, e para o povo, e não por Deus e para Deus. A existência de um poder público, de um nexo social, é o que se estriba no céu, porque a sociabilidade é uma lei humanitária. A revelação divina confirmou este facto achado também no mundo pela filosofia política. “Por mim”, disse a voz do Senhor, “reinam os reis, e os legisladores promulgam o que é justo”. A sabedoria suprema supôs a autoridade na terra: não curou de que fosse só um que a exercesse, ou que fossem muitos. Aprendamos a tolerância política nas divinas páginas da Bíblia.»

HERCULANO, Alexandre – Opúsculos. Tomo I. Questões públicas: política. Lisboa: Livraria Bertrand, 1983, pp. 267-268
(Fonte: Centenário da República)


  • Nome: Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo
  • Nascimento: 28-3-1810, Lisboa
  • Morte: 18-9-1877, Vale de Lobos, Santarém
Poeta, romancista, historiador e ensaísta português, Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo nasceu a 28 de Março de 1810, em Lisboa, e morreu a 18 de Setembro de 1877, em Santarém.

A sua obra, em toda a extensão e diversidade, ostenta uma profunda coerência, obedecendo a um programa romântico-liberal que norteou não apenas o seu trabalho mas também a sua vida.

Nascido numa família modesta, estudou Humanidades na Congregação do Oratório, onde se iniciou também na leitura meditada da Bíblia, o que viria a marcar a sua mundividência. Impedido por dificuldades económicas e familiares de frequentar a Universidade, preparou-se para ingressar no funcionalismo, frequentando um curso prático de Comércio e estudando Diplomática na Torre do Tombo, onde aprendeu os rudimentos da investigação histórica. Por esta altura, com 18 anos, já se manifestava a sua vocação literária: aprendeu o francês e o alemão, fez leituras de românticos estrangeiros e iniciou-se nas tertúlias literárias da marquesa de Alorna, que viria a reconhecer como uma das suas mentoras. Em 1831, envolvido numa conspiração contra o regime miguelista, foi obrigado a exilar-se, primeiro em Inglaterra (Plymouth) e depois em França (Rennes).

No exílio, aperfeiçoou o estudo da história, familiarizando-se com as obras de historiadores como Thierry e Thiers, e leu os que viriam a ser os seus modelos literários: Chateaubriand, Lamennais, Klopstock e Walter Scott. Em 1832, participou no desembarque das tropas liberais em Mindelo e na defesa do Porto, onde foi nomeado segundo-bibliotecário e encarregue de organizar os arquivos da biblioteca. Entre 1834 e 1835, publicou importantes artigos de teorização literária na revista Repositório Literário, do Porto, (posteriormente compilados nos Opúsculos). Em 1836, por discordâncias com o governo setembrista, demitiu-se do seu cargo de bibliotecário e publicou o folheto A Voz do Profeta. Em Lisboa, dirigiu a mais importante revista literária do Romantismo português, O Panorama, para que contribuiria com diversos artigos, narrativas e traduções, nem sempre assinados. Em 1839, aceitou o convite de D. Fernando para dirigir as bibliotecas reais da Ajuda e das Necessidades, prosseguindo os seus trabalhos de investigação histórica, que viriam a concretizar-se nos quatro volumes da História de Portugal, publicados no decurso das duas décadas seguintes. Foi precisamente por essa altura que se envolveu numa polémica com o clero, ao questionar o milagre de Ourique, polémica que daria origem aos opúsculos Eu e o Clero e Solemnia Verba. Eleito deputado pelo Partido Cartista em 1840, demitiu-se no ano seguinte, desiludido com a actividade parlamentar.

Voltou à política em 1851, fundou o jornal O País, mas logo se desiludiu com a Regeneração, manifestando o seu desagrado pela concepção meramente material de progresso de Fontes Pereira de Melo. Em 1853, fundou o jornal O Português, e dois anos depois foi nomeado vice-presidente da Academia Real das Ciências e incumbido pelos seus consórcios da recolha dos documentos históricos anteriores ao século XV - tarefa que viria a traduzir-se na publicação dos Portugaliae Monumenta Historica, iniciada em 1856. Neste mesmo ano tornou-se um dos fundadores do partido progressista histórico e em 1857 atacou a Concordata com a Santa Sé. Em 1858, recusou a cátedra de História no Curso Superior de Letras. Entre 1860 e 1865, envolveu-se em nova polémica com o clero, quando, ao participar na redacção do primeiro Código Civil Português, defendeu o casamento civil. Em 1865, fruto das suas reflexões, saíram os Estudos sobre o Casamento Civil. Em 1867, desgostoso com a morte precoce de D. Pedro V, rei em quem depositava muitas esperanças, e desiludido com a vida pública, retirou-se para a sua quinta em Vale de Lobos (comprada com o produto da venda das suas obras), onde se dedicaria quase exclusivamente à vida rural, casando com D. Maria Hermínia Meira, sua namorada da juventude.

Apesar deste novo e voluntário exílio, continuou a trabalhar nos Portugaliae Monumenta Historica, interveio em 1871 contra o encerramento das Conferências do Casino, orientou em 1872 a publicação do primeiro volume dos Opúsculos e manteve correspondência com várias figuras da vida política e literária. Morreu de pneumonia aos 67 anos, originando manifestações nacionais de luto.

(Fonte: Infopedia)