domingo, 28 de março de 2010

TAILÂNDIA: UMA PODEROSA MONARQUIA CONSTITUCIONAL

Há alguns anos, encontrava-me em serviço naquele país do sudeste asiático. Em plena época da monção, todo o vale do Menão - corruptela portuguesa do rio Mae Nam, ou Chao Phraya -, foi inundado por uma massa de água de proporções bíblicas. Enquanto cidadezinhas de província, aldeias e quintas eram irremediavelmente isoladas como ilhas num oceano, o sítio histórico de Ayuthaya, bem no epicentro do desastre, assistia a uma devastação sem precedentes desde que a cidade caíra diante da fúria de ferro e fogo birmanês.

Aflitiva era a situação da população rural. Sem caminhos de fuga, totalmente dependente do fornecimento de víveres a partir dos grandes centros distribuidores, ficou reduzida à total impotência, esfaimada e temerosa do prosseguimento da intempérie. Pior, as quintas produtoras de bens de consumo de primeira necessidade, viram a labuta de meses desaparecer sob o lodaçal, enquanto outras, destinadas à produção de peles de crocodilos, não puderam impedir uma maciça fuga dos répteis que galgaram as cercas, em direcção ao grande rio e à miríade de canais que pontilham o mapa do velho Sião. Subitamente, deixámos de ver as crianças a exibirem as suas técnicas de mergulho à frente do Wat Phra Keaw - o Grande Palácio - , sempre à cata das moedas com que os turistas recompensavam as prodigiosas habilidades acrobáticas. Era o medo pelo choraké, o grande lagarto de dentes afiados. Alguns foram capturados, enquanto outros iniciavam uma nova vida nos klongs situados nas imediações do grande centro urbano. Era o regresso do medo de outros tempos, em que as gentes olhavam a natureza e os seus bichos como a parte integrante das suas vidas, quando não os carrascos que as cerceavam sem apelo, num necessário forçar do equilíbrio.

A capital dos então oito milhões de habitantes, também via as suas grandes thanon e soi transformadas em braços de rio, desaparecendo quase por completo o caótico, ruidoso e por vezes insuportável tráfego rodoviário. Contra todos os avisados conselhos, era com grande satisfação que caminhei de calções e chinelos, por locais onde a água facilmente ultrapassava a altura dos joelhos. Como visitante, tudo aquilo nada mais era senão um complemtento à aventura asiática, remetendo-me para outros horizontes perdidos pelo tempo. Gostava da sensação e a civilização do ocaso do triste século XX parecia desaparecer e dar lugar aos barquinhos a remos, canoas e outras embarcações profusamente decoradas com ramagens, flores e laços votivos dedicados às divindades. Naquele momento, todos viam a vantagem que os antepassados encontraram na vida embarcada, nas casas sobre palafitas e imunes aos caprichos das marés.

Decorridos quatro dias, a apreensão substituiu o negligente prazer pelo inaudito. As imagens que os canais de televisão mostravam, eram terríveis. Centenas de milhar de pessoas apenas sobreviviam refugiadas com os seus preciosos animais, amontoando-se nos telhados das suas casas e quintas, ou em montículos de terra no meio de um deserto de água, onde os esverdeados dos limos apenas alternavam com o avermelhado castanho da terra ensopada. Uma população sem comida e sempre fustigada por bátegas de água que teimavam em não partir para outras paragens, a ameaça da fome e do surto de doenças, atemorizou o país inteiro. O governo do 1º ministro Barnharn Silapaarcha não teve qualquer capacidade de resposta global, limitando-se a pequenas medidas paliativas, evacuando algumas localidades. Helicópteros distribuíam sacas de arroz, sem que isso significasse algo mais, senão uma patética tentativa de auto-satisfação pelo "dever cumprido" na assistência aos aflitos. O problema era vasto e de quase impossível resolução, enquanto as águas não fossem gradualmente baixando.

O descontentamento generalizou-se e os ataques desferidos na imprensa e na tv contra o governo, ameaçavam a tradicional pacatez da sociedade tailandesa, pouco dada a violências que se verificam noutros países da região.

O rei Bhumibol Adulyadej, tomou então a raríssima iniciativa de pedir a autorização parlamentar para se dirigir ao país. Monarca constitucional com os poderes materiais limitados desde 1932, dificilmente faz ouvir a sua voz nas contendas políticas que dividem as forças partidárias, sempre voláteis e ciosas da defesa dos seus interesses. Desta vez, a majestade apresentou-se à população durante o horário nobre das notícias e diante de um grande mapa de toda a região central do país, deu a sua opinião acerca dos procedimentos urgentes. Sugeriu a convocação das Forças Armadas para os serviços de engenharia imprescindíveis à abertura de canais de escoamento de água e mostrou qual a direcção que os esforços deviam tomar, tendo em atenção as cotas dos rios e afluentes, depressões no terreno e valas de retenção. O que ninguém esperava era a resposta maciça, impressionante e voluntária que a população deu ao apelo do rei. Centenas de milhar colaboraram com os soldados, sem qualquer tipo de enquadramento de "Partido". Sem rutilantes bandeiras, sem hinos de louvor à impiedosa e brutal sageza de Grandes Timoneiros. Nem um policia ou um único comissário que zelasse pela correcção processual e metódica da "Ideia", mas apenas uma enorme manifestação de trabalho em prol do bem e do interesse geral.

Em três dias os rios recolheram aos seus leitos e as avenidas de Bangkok voltaram à sua habitual cacofonia de buzinas, acelerações de motocicletas, tuk-tuk e ao impecável serviço de transportes públicos.

Bhumibol Aduliadej estava no trono já há mais de meio século e conhecia cada quilómetro do seu reino, desde as mais recônditas vilas do nordeste, até às frescas províncias do velho reino tributário do Lana Thai, a noroeste. Conhece as turbulentes províncias do sul muçulmano, assim como as paradisíacas estancias balneárias que cobrem toda a costa do Golfo do Sião e do mar de Andamão. Ao longo de décadas sentara-se no chão poeirento e falara com as populações rurais e da montanha, inteirando-se dos seus problemas e recolhendo in situ as mais diversas experiências e recomendações que dirigia ao governo central. Era o rei fotógrafo que compilava milhares de imagens e enchia cadernos com anotações. Distribuiu ou criou iniciativas reais de aproveitamento de recursos e viabilizou actividades que se consideravam em vias de extinção. Escolas, centros de saúde, quintas agrícolas experimentais, centros de artesãos que preservam o património artístico, projectos de drenagem e irrigação. A defesa da floresta, a protecção da vida selvagem e o sempre lancinante alerta quanto à depredação que a apressada e lucrativa urbanização imposta por uma megalópole em que a capital se tornou, eram escutadas como fazendo parte das suas normais atribuições de tradicional Senhor da Terra, título honorífico que lhe chegara pelo desfiar de séculos de passadas grandezas.

Aquele momento de dilúvio, consistiu numa súbita tomada de consciência por parte milhões que desesperavam pela ineficácia da acção daqueles em que ciclicamente depositavam o seu sufrágio. O poder transitório e materializado pelo texto constitucional, se satisfaz o princípio do "poder do povo para o povo", não conseguiu na hora da verdade e das grandes decisões, esconder a evidência da existência de um outro, apenas moral, simbólico e de teórica união das mais díspares gentes que formal o país. O poder real era afinal aquele para o qual todos se voltaram na hora da suprema necessidade colectiva. Sem prepotência ou arremedos de liderança despótica, pediu a autorização ao povo - as instituições representativas - para falar ao próprio povo. Pairando acima dos interesses materiais dos grupos económicos e mantendo bem firme a tradição filosófica que mantém a coerência da sociedade conformada em Estado, é também o defensor a quem acorrem todas as minorias, sejam elas étnicas ou religiosas.

É um dos derradeiros, senão o último dos dirigentes mundiais de outros tempos. O seu poder não se cabouca nos biliões proporcionados por uma praça financeira, ou nas baionetas de milhões de soldados em pé de guerra. A bem conhecida honestidade e total assunção do dever, é a sólida base sobre a qual se ergue a generalizada confiança da Tailândia.

Embora não me agradem tiradas encomiásticas e muito menos ainda, panegíricos destinados a personalidades vivas, neste caso há que reconhecer a evidência: grande homem é Rama IX, cujo nome Bhumibol (lê-se Pumipon) significa Força da Terra, enquanto Adulyadej (lê-se Aduniadet) o torna em Poder Incomparável, naquelas sugestões que só uma Ásia milenar consegue fazer perdurar como atributos históricos de uma filosofia tornada como religiosa norma de conduta geral.

Força de uma terra que se resume no corpo de todos os tailandeses e no incomparável poder de uma vontade que se manifesta sempre que convocada por quem de razão e de direito chama à responsabilidade.

Jamais teve veleidades imperialistas e quis expandir fronteiras ou ameaçar vizinhos. Não é um potentado que se exibe nos palcos cerimoniais do mundo, nem faz valer a sua presença em conferênciais ou cimeiras internacionais, raramente saindo das fronteiras do seu reino. É conhecido como um homem discreto e escrupuloso cumpridor de protocolos de antanho, agradando ás massas orgulhosas de uma pageantry que tem origem num passado que jamais se submeteu a qualquer tipo de colonização ou ditame de ocupantes, fossem eles brancos, indianos ou pardos. Amado como homem bom que jamais deixou ser, eis a síntese de uma vida já ocotogenária.

Os governos, os chefes de clã e de interesses e os Partidos, vão e vêem nas marés da moda, do contexto internacional e dos acasos decorrentes da crise que alterna com a prosperidade económica e financeira. De uma coisa estão todos os tailandeses certos, enverguem eles as camisetas vermelhas, amarelas ou si-chompu (rosa): o rei fica e parece ser sempre o mesmo, pouco importando o numeral.

Bhumibol Adulyadej, merece bem o cognome que há muito os mais humildes lhe atribuíram: o Grande.


Publicada por Nuno Castelo-Branco
(Fonte: Blogue "Estado Sentido")

ALEXANDRE HERCULANO, UM GRANDE MONÁRQUICO

A Mentira histórica, tenta salvar a Mentira política.

Um destacável de hoje (28/03/2010) do Jornal de Notícias faz toda uma homenagem a Alexandre Herculano, pois comemora-se o bicentenário do seu nascimento.

Tenta-se colar o pensamento de Alexandre Herculano, ao idealismo republicano e associar esta comemoração à do centenário da República.

Não há já escrúpulos perante o respeito que nos deve merecer uma dos mais brilhantes romancistas e historiadores portugueses.

Com a mentira tenta-se salvar a mentira.

Alexandre Herculano é apresentado como um defensor do ideal republicano, num texto assinado por Claudia Luis, em que se deturpa grosseiramente, o pensamento político do nosso grande historiador, romancista, poeta e político.

Alexandre Herculano, que foi instrutor do D. Pedro V, que foi determinante para a consistência ideológica e política, desse extraordinário jovem Rei de Portugal.

Alexandre Herculano, que foi um dos grandes investigadores históricos portugueses.

Alexandre Herculano, que chorou que nem uma criança no funeral do seu Rei e aluno.

Alexandre Herculano que deixou como seu testamento, a mensagem histórica aos portugueses….” Se correrem com os Reis hoje, terão de voltar a chama-los”.

Alexandre Herculano que foi um dos maiores lutadores pela verdade e pela liberdade de expressão, é agora violentado na sua ideologia e nas suas convicções, através da mentira que apenas pretende salvar o culto da actual mentira.

 Alexandre Herculano era um democrata, mas era monárquico e defensor do Reino de Portugal.

O que se pretende agora é tentar preservar a mentira, de que Republica é sinónimo de democracia.

Não foi democracia a 1ª Republica, não foi democracia a 2ª Republica, a actual Republica é um simulacro de democracia formal, uma mentira formal, que se tenta salvar com a mentira histórica, ofendendo o idealismo de figuras grandes da nossa literatura e da nossa história..

São os portugueses ofendidos por este tipo der sobranceria de algumas pessoas que por motivações políticas, não têm escrúpulos de ofender a memória de Homens grandes, e não têm vergonha de deturpar toda a sua luta empenhada na defesa dos seus idealismos políticos.

A verdade é que vivemos numa Oligarquia partidária, a verdade é que hoje somos um país totalmente dependente, em que os supostos representantes do povo, já não o representam porque são submissos às dependências externas e ao sistema financeiro que governa todo o mundo.

A democracia foi condenada, é a verdade que se pretende esconder, através de toda esta mentira.

Os Homens e Mulheres livres já não têm condições de serem ouvidos e escutados.

A mentira tem assim o privilégio de poder ser divulgada e de ser exclusiva da informação que é dada aos portugueses.

Tudo está controlado, pela promiscuidade entre o mundo das finanças internacional e os políticos dependentes, dos países dependentes.

A mentira prevalece, a subjugação dos povos, das sociedades, dos países, aos interesses financeiros é a consequência de sonhos ilusórios, que se instalaram e que se promovem numa campanha permanente, que a toda a hora nos invade a própria privacidade dos nossos lares.

A mentira que não tem escrúpulos, é desumana e destruidora das sociedades, uniformizadora dos costumes e das vivencias, que serve apenas o interesse de uma elite mundial.

Resta como esperança, a persistência dos Homens e Mulheres livres, que numa luta pela verdade e pela recuperação do humanismo, consigam pela sua persistência, preservar uma reserva de valores nas sociedades, que permita e ocasione o ressuscitar da consciência dos povos, perante as graves crises sociais e políticas, que são inevitáveis.

Estes Homens e Mulheres livres, os que apontam que uma sociedade com um passado e com uma história tem direitos e que esses direitos constituem o sentido de país e de uma Nação, podem estar hoje silenciados, mas são a reserva humana da verdade.

Portugal ainda tem sentido, a sociedade portuguesa ainda tem direitos, os portugueses voltarão a ter o direito de decidir sobre o seu futuro e a governar em Portugal.

José J. Lima Monteiro Andrade
(Fonte: Blogue Desafio de Mudança)

«Olhamos impassivelmente para as doutrinas republicanas, como olhamos para as monárquicas. Não elevamos nenhuma a altura de dogma. Não nos cega o fanatismo, nem perguntamos qual delas tem mais popularidade. É já tempo de examinar friamente, e de discutir com placidez, qual dos dois princípios pode ser mais fecundo para assegurar a liberdade e, depois da liberdade, a ordem e a civilização material destas sociedades da Europa, moralmente velhas e gastas. Persuadidos de que a monarquia, convenientemente modificada na sua acção, resolverá melhor o problema, preferimo-la sem nos irritarmos contra os seus adversários; sem os injuriarmos, sem acusar as suas intenções, recurso covarde de quem desconfia da solidez das próprias doutrinas. A nossos olhos a monarquia existe pelo povo, e para o povo, e não por Deus e para Deus. A existência de um poder público, de um nexo social, é o que se estriba no céu, porque a sociabilidade é uma lei humanitária. A revelação divina confirmou este facto achado também no mundo pela filosofia política. “Por mim”, disse a voz do Senhor, “reinam os reis, e os legisladores promulgam o que é justo”. A sabedoria suprema supôs a autoridade na terra: não curou de que fosse só um que a exercesse, ou que fossem muitos. Aprendamos a tolerância política nas divinas páginas da Bíblia.»

HERCULANO, Alexandre – Opúsculos. Tomo I. Questões públicas: política. Lisboa: Livraria Bertrand, 1983, pp. 267-268
(Fonte: Centenário da República)


  • Nome: Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo
  • Nascimento: 28-3-1810, Lisboa
  • Morte: 18-9-1877, Vale de Lobos, Santarém
Poeta, romancista, historiador e ensaísta português, Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo nasceu a 28 de Março de 1810, em Lisboa, e morreu a 18 de Setembro de 1877, em Santarém.

A sua obra, em toda a extensão e diversidade, ostenta uma profunda coerência, obedecendo a um programa romântico-liberal que norteou não apenas o seu trabalho mas também a sua vida.

Nascido numa família modesta, estudou Humanidades na Congregação do Oratório, onde se iniciou também na leitura meditada da Bíblia, o que viria a marcar a sua mundividência. Impedido por dificuldades económicas e familiares de frequentar a Universidade, preparou-se para ingressar no funcionalismo, frequentando um curso prático de Comércio e estudando Diplomática na Torre do Tombo, onde aprendeu os rudimentos da investigação histórica. Por esta altura, com 18 anos, já se manifestava a sua vocação literária: aprendeu o francês e o alemão, fez leituras de românticos estrangeiros e iniciou-se nas tertúlias literárias da marquesa de Alorna, que viria a reconhecer como uma das suas mentoras. Em 1831, envolvido numa conspiração contra o regime miguelista, foi obrigado a exilar-se, primeiro em Inglaterra (Plymouth) e depois em França (Rennes).

No exílio, aperfeiçoou o estudo da história, familiarizando-se com as obras de historiadores como Thierry e Thiers, e leu os que viriam a ser os seus modelos literários: Chateaubriand, Lamennais, Klopstock e Walter Scott. Em 1832, participou no desembarque das tropas liberais em Mindelo e na defesa do Porto, onde foi nomeado segundo-bibliotecário e encarregue de organizar os arquivos da biblioteca. Entre 1834 e 1835, publicou importantes artigos de teorização literária na revista Repositório Literário, do Porto, (posteriormente compilados nos Opúsculos). Em 1836, por discordâncias com o governo setembrista, demitiu-se do seu cargo de bibliotecário e publicou o folheto A Voz do Profeta. Em Lisboa, dirigiu a mais importante revista literária do Romantismo português, O Panorama, para que contribuiria com diversos artigos, narrativas e traduções, nem sempre assinados. Em 1839, aceitou o convite de D. Fernando para dirigir as bibliotecas reais da Ajuda e das Necessidades, prosseguindo os seus trabalhos de investigação histórica, que viriam a concretizar-se nos quatro volumes da História de Portugal, publicados no decurso das duas décadas seguintes. Foi precisamente por essa altura que se envolveu numa polémica com o clero, ao questionar o milagre de Ourique, polémica que daria origem aos opúsculos Eu e o Clero e Solemnia Verba. Eleito deputado pelo Partido Cartista em 1840, demitiu-se no ano seguinte, desiludido com a actividade parlamentar.

Voltou à política em 1851, fundou o jornal O País, mas logo se desiludiu com a Regeneração, manifestando o seu desagrado pela concepção meramente material de progresso de Fontes Pereira de Melo. Em 1853, fundou o jornal O Português, e dois anos depois foi nomeado vice-presidente da Academia Real das Ciências e incumbido pelos seus consórcios da recolha dos documentos históricos anteriores ao século XV - tarefa que viria a traduzir-se na publicação dos Portugaliae Monumenta Historica, iniciada em 1856. Neste mesmo ano tornou-se um dos fundadores do partido progressista histórico e em 1857 atacou a Concordata com a Santa Sé. Em 1858, recusou a cátedra de História no Curso Superior de Letras. Entre 1860 e 1865, envolveu-se em nova polémica com o clero, quando, ao participar na redacção do primeiro Código Civil Português, defendeu o casamento civil. Em 1865, fruto das suas reflexões, saíram os Estudos sobre o Casamento Civil. Em 1867, desgostoso com a morte precoce de D. Pedro V, rei em quem depositava muitas esperanças, e desiludido com a vida pública, retirou-se para a sua quinta em Vale de Lobos (comprada com o produto da venda das suas obras), onde se dedicaria quase exclusivamente à vida rural, casando com D. Maria Hermínia Meira, sua namorada da juventude.

Apesar deste novo e voluntário exílio, continuou a trabalhar nos Portugaliae Monumenta Historica, interveio em 1871 contra o encerramento das Conferências do Casino, orientou em 1872 a publicação do primeiro volume dos Opúsculos e manteve correspondência com várias figuras da vida política e literária. Morreu de pneumonia aos 67 anos, originando manifestações nacionais de luto.

(Fonte: Infopedia)

PRIMEIRAS IMAGENS DAS CELEBRAÇÕES DE ONTEM NA COMPORTA

Belíssimo dia na Comporta com a Família Real. O nosso Príncipe da Beira estava muito feliz com os jogos e outros entretimentos proporcionados pela Juventude Monárquica e encabeçados pelo Du Seabra Calado que como sempre é um óptimo "Public Relations".

Vai haver muitas fotos e o Du irá encarregar-se de as colocar aqui no facebook. Já estou a trabalhar nelas mas hoje fica aqui uma da entrega do prémio.
 
(Fonte: Maria Menezes no Facebook)




(Fonte: Juventude Monárquica de Lisboa)

sábado, 27 de março de 2010

LANÇAMENTO DA CAMPANHA DE SOLIDARIEDADE: REAL SOLIDÁRIA

































http://www.realsolidaria.com/

S.A.R. A SENHORA DONA ISABEL E O ESCUTISMO

Quem já esteve activamente no escutismo sabe bem que essa experiência perdura muitos anos e acompanha-nos ao longo de toda a vida. Para o ilustrar convidámos, nas comemorações dos 75 anos do CNE, vários antigos escuteiros, hoje individualidades da sociedade portuguesa, a responderem-nos a algumas perguntas relativas à ...sua experiência no Escutismo.

1. Porque é que foi Escuteiro?
2. O que é que o Escutismo trouxe à sua vida?
3. Do que se recorda mais da sua vivência no Escutismo?
4. Qual a mensagem que gostaria de deixar aos Escuteiros de hoje?

S.A.R., Dona Isabel de Bragança, Duquesa de Bragança

Fui Escuteira porque a minha irmã entrou para os Escuteiros e eu também quis entrar. Depois fomos para o Brasil e os meus pais acharam que devíamos continuar ligadas ao Movimento, continuei e gostei imenso.

O que o Escutismo trouxe à minha vida foi uma série de experiências a nível de participação, solidariedade e de trabalho em grupo. Também me ajudou a improvisar e desenvolver as minhas capacidades ao máximo, devido aos imprevistos com que deparava em acampamentos nos quais os tinha de solucionar rapidamente. Foi isto que o Escutismo me deu, e principalmente parte de solidariedade e do trabalho em conjunto que foi muito frutuosa no Brasil.

O que mais me recordo da minha experiência no Escutismo, é do meu primeiro Acampamento, que se realizou em São Paulo, com todas as Escuteiras desse Estado. Foi um grande Acampamento no qual me diverti bastante.

A mensagem que gostaria de deixar aos Escuteiros de hoje é de parabéns para todo o Movimento pela maneira como tem sido e pela forma como tem actuado. Sobretudo não se esqueçam que os Escuteiros são sempre um exemplo, não só para Portugal mas para o mundo inteiro.

http://www.cne-escutismo.pt/Default.aspx?tabid=402

(Fonte: Facebook)

sexta-feira, 26 de março de 2010

HOJE: FESTA DO 14º ANIVERSÁRIO DE S.A.R. DOM AFONSO, PRÍNCIPE DA BEIRA (OCORRIDO DIA 25)

BANDEIRA DE PORTUGAL HASTEADA EM LISBOA
PARA FESTEJAR O ANIVERSÁRIO DO PRÍNCIPE

DA REABILITAÇÃO DO IDEAL MONÁRQUICO, À REIMPLANTAÇÃO DA MONARQUIA

(Texto de reflexão para o III Encontro da Acção Monárquica, em Lisboa a 27MAR2010)

O casamento de D. Duarte de Bragança e o nascimento dos Infantes, originou um ressurgimento afectivo e também político, da ideia monárquica em Portugal.

Foram momentos marcantes de renascimento da afectividade natural de muitos milhares de portugueses, para com a Família Real e desse facto decorreu também uma mensagem de esperança, que entusiasmou muitos monárquicos e cativou muitos portugueses.

Momento seguinte, também muito marcante foi a forma como foi celebrado o centenário do Regicídio.

Foi um momento de reabilitação da extraordinária personalidade do Rei D. Carlos I e também de divulgação da verdade histórica, que a propaganda republicana sempre tinha escondido e negado aos portugueses.

Mas a realidade é que estes dois momentos altos da expressão monárquica, não tiveram sequência. Encontra-se nesta ausência de dinâmica monárquica, após estes momentos marcantes, a principal razão de uma desmotivação generalizada entre os monárquicos portugueses. Desmotivação que originou um sentimento que se expandiu a toda a sociedade, de que monarquia é um regime do passado e de resignação ao regime republicano.

Esta situação, desmotivou protagonistas, debilitou instituições monárquicas.

A actual situação de crise política, económica e social, é o resultado de um regime republicano que se estrangulou a si próprio numa Oligarquia partidária e não tem capacidade de mobilizar a vontade dos portugueses.

A consciencialização progressiva da responsabilidade do regime perante esta crise grave, faz ressurgir de novo o ideal monárquico e pode fazer ressuscitar o entusiasmo monárquico, que se acreditarem com convicção, terão perante o descontentamento generalizado, condições de mobilizar os portugueses através de uma mensagem de esperança.

Esta possibilidade, que tem de ser assumida como um dever patriótico por todos os monárquicos convictos, não é hoje apenas a reabilitação da nossa história, nem apenas da dignidade da Casa Real Portuguesa.

É isso, mas para ser mobilizadora e entusiasmante, tem de se afirmar como projecto político alternativo, coerente e consistente.

Ou seja, não basta estimular na sociedade portuguesa a afectividade pela Casa Real, não basta recuperar o sentido da nossa herança histórica, é também essencial que o projecto monárquico dê uma resposta política actual e moderna, aos problemas sociais, políticos e de que representa a verdadeira mensagem esperança de Portugal se reencontrar e de encontrar o seu futuro.

A afirmação monárquica actual, não pode ser apenas a divulgação do simbolismo Real, uma referência afectiva essencial, mas manifestamente insuficiente.

A na ausência desta afirmação política, que deveremos encontrar a razão, para a inconsequência do dinamismo monárquico e para carência de convicção.

Nos portugueses está enraizada uma ideia falaciosa de que a eleição de um Presidente da República é uma garantia de democraticidade.

É evidente que não o é. Muito pelo contrário.

O argumento monárquico, do Rei livre, independente e imparcial, a única forma de garantia de associação da referência da história de um povo soberano e unificado, tem exemplos modernos auxiliares de demonstração, como a mais objectiva forma de garantia das liberdades e da democracia política.

Mas este argumento, tão importante, tão actual, tão necessário a Portugal, não tem condições de divulgação na sociedade portuguesa.

Poderemos continuar no debate monárquico, a tentar encontrar responsabilidades para esta limitação, na propaganda do regime, ou a encontrar responsáveis em atitudes de alguns monárquicos, mas isso não leva a nada.

Teremos de finalmente perceber, que não basta para os portugueses a mensagem discursiva genérica das vantagens da monarquia.

Um Presidente da República só é eleito, depois de se afirmar ao povo português através da sua mensagem política e social e do seu próprio carácter e experiência, que origine a confiança de uma parte significativa dos portugueses.

Esta verdade não pode ser negada pelos monárquicos.

O contraponto monárquico, é a afirmação de que o Rei, é melhor, é mais interessado, é mais empenhado, tem melhor preparação, estará muito mais responsabilizado.

Será desta afirmação do Herdeiro, numa atitude de intervenção permanente e consistente, que resultará a confiança popular indispensável.

O Rei moderno, não abdica da sua condição simbólica, nem do seu protagonismo político, mas é auxiliado na sua função por uma organização também ela credível, consubstanciando a indispensável noção de Instituição Real.

A credibilidade e viabilidade do projecto monárquico português, dependerá assim da capacidade de afirmação múltipla, de forma a alcançar a indispensável confiança do povo português.

Afirmação do Herdeiro e do seu discurso político.

Afirmação da Casa Real, como garantia essencial da responsabilidade histórica, que simboliza, e como garantia da responsabilização de todos os actos e decisões políticas, do seu Chefe.

Afirmação da Instituição Real, como garante das funções da Casa Real e do futuro Rei, Chefe de Estado.

Teremos de reconhecer, que há toda uma incipiente afirmação monárquica, e que é nesta verdade, que teremos de encontra a resposta capaz de mobilizar a vontade dos portugueses.

Os monárquicos estão dispersos, não estão eles próprios unificados, numa liderança essencial e motivadora.

A Acção Monárquica, tenta congregar uma massa crítica monárquica, capaz de ultrapassar a cultura do silêncio e promover o debate motivador que origine a consistência organizativa dos monárquicos e a dinâmica que tem hoje o sentido de oportunidade histórica e de obrigação patriótica.

Portugal precisa da afirmação do projecto monárquico, do protagonismo político e cívico dos monárquicos, da Liderança Monárquica unificadora e dinamizadora.

A Casa Real Portuguesa tem uma responsabilidade histórica a desempenhar.

Para colaborar na afirmação dessa responsabilidade, estão surgir cada vez mais expressões de vontade.

Estas vontades não podem ser desprezadas. Têm de ser acarinhadas e entusiasmadas.

Podem co-existir várias estratégias políticas para a acção monárquica, para a expressão do dinamismo monárquico, até para a viabilização da reimplantação da Monarquia.

Mas não é possível o seu sucesso, se não existir uma liderança unificadora, que assuma o discurso síntese do protagonismo monárquico.

Todas essas formas de participação política e cívica, têm de estar referenciadas e motivadas, num projecto, num discurso e numa atitude estimulante do Chefe da Casa Real Portuguesa.

O encontro desta liderança unificadora e estimulante, deste discurso síntese e que simultaneamente, seja de esperança para os portugueses, é assim a prioridade da nova atitude monárquica, como uma resposta objectiva e alternativa a uma Republica, que se mantém e se preserva, através do silêncio e da inacção monárquica.

José J. Lima Monteiro Andrade

Por Portugal.
Pela Casa Real Portuguesa.
A Comissão Coordenadora da Acção Monárquica