terça-feira, 2 de março de 2010

"Regime, Regimes - República ou Monarquia"


No próximo dia 5 de Março, sexta-feira,  pelas 10.30h irá realizar-se em Alcobaça, no auditório da Escola Secundária Dona Inês de Castro, um debate com o tema "Regime, Regimes - República ou Monarquia" com a presença do Dr. Paulo Falcão Tavares em representação da CASA REAL PORTUGUESA.


(Fonte: Blogue da Real Associação do Ribatejo)

SERENATA DEDICADA AOS DUQUES DE BRAGANÇA



(Fontes: Facebook e YouTube)

APELO A CAVACO SILVA

Nas anuais celebrações da data nacional, os portugueses escutam sempre infindáveis listas de nomes galardoados com as mais diversas condecorações. Se alguns as devem aos serviços prestados a quem as outorga, outros, mais raros e relevantes, merecem-nas pelo mérito. Ao serviço do seu semelhante, porfiaram na labuta, encontrando soluções aparentemente impossíveis e resolvendo problemas, aos quais uma comunidade desinteressada jamais quis emprestar o mínimo esforço, fosse ele a mão amiga que ajuda a construir vidas, ou a voz que admoesta e abala as consciências.

Dª Maria Adelaide de Bragança, a Infanta Dª Adelaide, é uma figura notável do século XX português. Nascida no exílio e nele tendo vivido três décadas, consiste num daqueles típicos casos de incúria a que as instituições nacionais votam os nossos maiores. Fosse ela inglesa, americana ou alemã, seria um símbolo vivo e orgulho da sua nação.

Durante a II Guerra Mundial, quando ardiam cidades inteiras sob tapetes de bombas de fósforo, a enfermeira e assistente social Dª Adelaide de Bragança, acorria em auxílio dos feridos e moribundos. Não temendo os grandes perigos, abnegadamente salvou vidas, tratou os atingidos e consolou as mágoas de tantos outros que num ápice viram volatilizar-se as vidas de entes queridos. Como era tão frequente entre a aristocracia residente no Reich alemão, envolveu-se nos grupos de oposição interna e por isso foi condenada à morte, acusada pela Gestapo de conspiração. Salva in extremis por intervenção do governo português, foi rapidamente deportada, iniciando um novo capítulo da sua vida e estabelecendo-se em Portugal, a pátria que até então lhe fora interditada.

Em Portugal, país solidamente agarrado a preconceitos vários e a um imobilismo social que faz invejar civilizações antigas, interessou-se pela protecção à infância, no momento em que nos países mais desenvolvidos, há muito tinham desaparecido os velhos conceitos que a consideravam como coisa de escasso interesse ou estado meramente evolutivo dos homens e mulheres do porvir. Mães desvalidas, crianças abandonadas ou sem recursos, foram recolhidas, vestidas, alimentadas e educadas, num espantoso exercício de cidadania que envergonharia os mais histriónicos oradores de uma república que nunca o foi. Jamais pediu para si qualquer benesse ou reconhecimento oficial e entre os mais simples, sempre encontrou os mais fortes esteios da sua obra. Dª Adelaide não é uma mulher de chás, tômbolas, espectáculos ou rifas de sorteios que contentam as consciências de muitos alegados beneméritos. Pegou na massa suja, esfarrapada e incómoda, dando-lhe aquela dignidade que é atributo inseparável da condição humana.

Não duvidamos do distanciamento que o actual Presidente da República decerto sentirá perante muitos dos aspectos comemorativos oficialistas do Centenário da República. Quando do 1º de Fevereiro de 2008, a atitude do prof. Cavaco Silva resgatou, embora parcialmente, a honra de um Estado aviltado por uma decisão tomada por uma Assembleia da República cega e surda, mas como sempre prolixa em considerações anacrónicas acerca de um acto que antes de tudo, seria de reparação e reconciliação entre os portugueses.

Cavaco Silva está bem a tempo de uma vez mais, manifestar uma atitude que enobreça o seu mandato, enfrentando as pequenas misérias de certas vaidades pessoais de muitos e a defesa de interesses particulares de outros tantos.

Grande precursora da Assistência Social no nosso país, a rainha Dª Amélia foi a impulsionadora de valiosas instituições que hoje abnegadamente trabalham na protecção da sociedade. A Infanta Dª Adelaide seguiu sempre o exemplo da sua madrinha de baptismo, a rainha que de França chegou a Portugal, desejosa de entre nós estabelecer aquelas novidades próprias de uma modernidade que tardava. Insurgiu-se contra a inaceitável inevitabilidade da pobreza num pais que apenas dela toma conhecimento e se interessa em momentos de sobressalto.

Dª Adelaide de Bragança é afinal a história de um século, onde também as mulheres portuguesas tiveram de se impor pelo valor, coragem e dedicação a uma outra república que afinal sempre fomos.

Em qualquer país da Europa, a Infanta Dª Adelaide seria uma heroína nacional, capaz de ombrear com a velha rainha-mãe que na varanda de Buckingham abria os braços a um povo reconhecido.

Chegou o tempo da reparação. Reparação aos vilipendiados por décadas de calúnias que conduziram ao Crime de 1908. Reparação a quem chegou a Portugal para servir um povo que adoptou como seu e de quem foi estrénua defensora durante toda a vida, esquecendo ofensas e perdoando os verdugos dos seus entes queridos. Reparação aos proscritos de 1910 e aos milhares que nas prisões sofreram sevícias às mãos da brutalidade prepotente dos transitórios senhores de um momento funesto. Reparação a tantos homens e mulheres que viveram fazendo o bem aos seus semelhantes e que desceram ao túmulo sem que deles se conheça o nome.

A Infanta Dª Adelaide tem hoje 98 anos e é uma Grande de Portugal. Pouco lhe importam as grandezas dos luxos que deleitam os simples de espírito ou aquelas outras que provêem de uma história familiar milenar. Pouco lhe importaram os vestidos, as festas ou os diamantes. A Infanta está imbuída daquela grandeza que só o materialmente desinteressado sentido do servir pode atribuir.

Os monárquicos de Portugal - sem qualquer dúvida os derradeiros patriotas -, receberiam como um sinal de reconciliação, o reconhecimento oficial desta senhora que foi - ela sim -, uma verdadeira Princesa do Povo. Neste país, não existe republicana que se compare a Dª Adelaide.

Têm ultimamente surgido artigos e reportagens que procuram dar a conhecer a Portugal, uma vida plena de trabalho e dedicação á coisa pública. Mas agora, as palavras devem ser seguidas por actos que só podem enobrecer quem os praticar.

No próximo 10 de Junho contamos ver a Senhora Infanta receber em nome do povo português, uma manifestação inequívoca de reconhecimento. O tempo urge.

Nuno Castelo-Branco

(Fonte: Blogue Estado Sentido)

segunda-feira, 1 de março de 2010

UMA GRANDE DE PORTUGAL


As mais extraordinárias obras são por vezes desconhecidas da imensa maioria, para quem apenas é notícia aquilo que a imprensa entende divulgar. As obras de assistência social são hoje geralmente aceites como da atribuição desse ente que flutua acima das nossas mortais consciências e que se convenciona denominar como Estado. Esta mirífica entidade do éter, é afinal a soma de todos os portugueses e esta é uma clara verdade que não queremos reconhecer, devido ao muito luso e atávico costume do desinteresse pela coisa pública. Esquecemos facilmente associações beneméritas – algumas velhas de séculos – e que preencheram o imenso vazio que as mentalidades de outrora votavam a de dezenas de gerações que permaneceram na desafortunada base da pirâmide social.
Outra injustiça a apontar, consistirá sem dúvida, no progressivo e intencional desprestigiar de termos que encontram a sua razão mais profunda naquilo que de essencial deverá ter o cristianismo que conformou a Europa que conseguimos ser: a Caridade, hoje olhada como princípio anacrónico nos países do Sul, mas que noutras paragens onde o desenvolvimento humano é a essencial condição para a paz social, consiste num elo fundamental da educação geral, cobrindo intransponíveis lacunas e erguendo bem alto, a verdadeira solidariedade que se traduz num trabalho permanente e sempre no sentido da formação das gentes. Deverá ser essa então, a grande função de uma Igreja que se ainda impressiona pelo aparato de Te Deums e de cerimoniais herdados de milenares e já desaparecidas civilizações, encontra a sua quase exclusiva razão de ser na protecção, resgate e emancipação dos mais desprotegidos.

Ao longo da nossa História, muitas foram as personalidades que se interessaram verdadeiramente pelo outro, sem que isso obedecesse às normais e aceites regras impostas pelo preceituado social vigente. Quantas vezes anonimamente dedicaram as suas vidas a quem menos podia, enfrentando a mofa e o preconceito, removendo colossais escolhos para a prossecução de uma obra e crendo num futuro melhor e mais justo?

Dª Maria Adelaide de Bragança é um destes exemplos desconhecidos para a imensa maioria dos portugueses. Residente na Outra Banda, em Murfacém (Trafaria), tem um percurso de vida que no século XX português só pode encontrar paralelo na grandiosa obra benemérita – e também na maior parte das vezes no mais rigoroso anonimato – da rainha D. Amélia.

Nasceu a 31 de janeiro de 1912, em S. Jean de Luz (França), quando a Lei do Banimento impedia a presença de membros da Casa de Bragança em solo português. Viveu a juventude na Áustria, trabalhando como assistente social e enfermeira. Durante a II Guerra Mundial percorria a cidade durante os bombardeamentos nocturnos, prestando o auxílio às vítimas. Membro do subterrâneo movimento de resistência anti-nazi, foi detida e condenada à morte, pelo tribunal fortemente controlado pela Gestapo e apenas a intervenção de Salazar junto de Berlim, permitiu a sua libertação, sob a protecção do Estado português, alegando a sua condição de Património Nacional. Imediatamente deportada para Suíça, ali permaneceu junto do seu exilado irmão D. Duarte Nuno, Duque de Bragança.

Casada com o médico holandês Nicolaas van Uden, estabeleceu-se em Portugal em 1949 e iniciou a sua actividade de âmbito social na zona da Trafaria e Monte de Caparica. Dedicou-se à protecção às crianças das áreas degradas, recolhendo-as sob os auspícios da Fundação D. Nuno Álvares Pereira (em Porto Brandão), à qual presidia. Durante anos criticou desassombradamente a 2ª República pelo seu pendor repressivo e pelo caótico estado de pobreza a que votava uma grande parte da população portuguesa. Era uma visita bem conhecida dos mercados, onde sempre podia contar com o precioso auxílio das vendedoras de géneros que jamais regateavam aqueles bens essenciais à subsistência dos numerosos protegidos da Infanta.

Ainda vive e aos 98 anos permanece num rigoroso anonimato, mas sempre interessada no dever para com o próximo e no abnegado cumprimento da missão entre nós pioneiramente iniciada pela sua madrinha de baptismo, a rainha Dª Amélia.

Nas memórias de Álvaro Lins, o embaixador do Brasil em Lisboa, para sempre ficou conhecida como a Infanta Vermelha. Dª Adelaide bem merece ser considerada como uma Grande de Portugal.

Nuno Castelo-Branco
 
(Fonte: http://www.aventar.eu/2010/02/27/uma-grande-de-portugal/)



UMA PRINCESA RADICAL

Ontem, por ocasião duma pequena entrevista para o próximo número do Correio Real, desloquei-me com o nosso ilustre presidente João Mattos e Silva à outra banda onde tivemos o privilégio de privar por umas horas com uma verdadeira Princesa, tão ou mais encantada que as dos romances e do cinema: falo de D. Maria Adelaide de Bragança, infanta de Portugal, que por insólita conjugação de duas paternidades muito tardias e da sua provecta idade, é hoje uma neta viva do rei D. Miguel, esse mesmo do absolutismo e do tradicionalismo, da guerra civil de 1828 – 1834.

D. Maria Adelaide nasceu em 1912 no exílio, em St. Jean de Luz, cresceu e viveu na Áustria aventuras e desventuras de pasmar: habitando no olho do furacão, após a I Grande Guerra coabitou com os ocupantes comunistas da quinta em que vivia, dos quais recorda dos seus esbeltos cavalos e boinas vermelhas. Mais tarde, durante a ocupação nazi, foi presa pela Gestapo por várias semanas em Viena onde como enfermeira se juntara à resistência e acudia os feridos entre bombardeamentos. Foi nestas correrias e aflições que veio conhecer um estudante de medicina de seu nome Nicolaas van Uden com quem casou.

Regressada a Portugal em 1948 após a revogação da lei do banimento, a Infanta veio residir perto da Trafaria, onde criou a Fundação D. Nuno Álvares Pereira, instituição de apoio a mães pobres em fim de gravidez e crianças abandonadas, dedicando fervorosamente a sua vida aos mais desfavorecidos.

Longe das fugazes ribaltas e feiras de vaidades, a Senhora D. Maria Adelaide, afilhada de baptismo de D. Amélia e D. Manuel II, além de constituir um precioso testemunho vivo, directo e indirecto, da História dos últimos duzentos anos, é um verdadeiro exemplo de profunda Nobreza aliada a uma invulgar bravura e irreverência.

João Távora

(Fonte: Blogue da Real Associação de Lisboa)


Dona Maria Adelaide Manuela Amélia Micaela Rafaela de Bragança
(Leiam a mais recente entrevista a Dona Adelaide nas páginas 8 e 9 do Correio Real nº 2)

VIVA A REPÚBLICA???



(Fonte: Blogue PDR-Projecto Democracia Real)

CHEFE HÉLIO LOUREIRO: SOBRE A MONARQUIA

"Sou monárquico convicto, não por tradição familiar, mas pela certeza de que a restauração monárquica traria uma nova esperança para Portugal. A meu ver, um chefe de Estado deve estar acima dos partidos e sem outro pensamento que não o dos portugueses e de Portugal.
Garante supremo da portugalidade, o rei e a família real representam o passado e a memória de um país que não deve perder-se nem dividir-se de cinco em cinco anos em eleições para a escolha do Chefe de Estado.
Fiel à Casa Real Portuguesa, na Alteza Real o Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança, tenho a certeza de que um regime monárquico poderia expressar melhor as convicções dos portugueses; um povo que nunca foi consultado na mudança de regime, ao qual foi imposta a vontade não livre e democrática de uma nação, mas de uma capital que via no fim do regime monárquico o princípio da união ibérica. Uma mudança que deu início a páginas de crimes sangrentos e bárbaros massacres que levaram ao sofrimento dos portugueses, com um regime totalitário parido pelo regime instalado e para cujo fim foram precisos 48 anos.
Ser monárquico hoje não é ser saudosista nem conservador. É pensar com os olhos postos nas monarquias europeias e ver o futuro e o respeito que Portugal teria se tivesse uma monarquia parlamentar, em que o povo poderia ser livre em toda a essência da palavra".