sábado, 20 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Carta do Tenente-Coronel Joaquim Mouzinho de Albuquerque ao Príncipe Real D. Luís Filipe
Meu Senhor:
Joaquim Mouzinho
(Fonte: Arautos del Rei)
Quando Vossa Alteza chegou à idade em que a superintendência da sua educação tinha que ser entregue a um homem, houve por bem El-Rei nomear-me Aio do Príncipe Real. Foi Sua Majestade buscar-me às fileiras do Exército. Não escolheu por certo o militar de mais valor, mas simplesmente aquele a quem uma série de acasos felizes mais ensejo dera de provar que sabia, custasse o que custasse, obedecer ao que lhe era ordenado e que também sabia, doesse a quem doesse, fazer cumprir as ordens que dava.
Não por certo a Vossa Alteza como filho e como súbdito, e menos a mim como soldado, compete apreciar e criticar as determinações de El-Rei. A Vossa Alteza como a mim, deu Sua Majestade uma ordem, a ambos nós cumpre obedecer-lhe e nada mais. Mas para bem lhe obedecer não basta ver-lhe a letra, é necessário estudá-la, descortinar-lhe o espírito. Escolhendo um soldado para vosso Aio, que fez El-Rei? Subordinou a educação de Vossa Alteza ao estado em que se acha o País. Nesta época de dissolução, em que tão afrouxados estão os laços da disciplina, entendeu Sua Majestade que Portugal precisava mais que tudo de quem tivesse vontade firme para mandar, força para se fazer obedecer. E como ninguém pode ensinar o que não sabe, o que não tem praticado, foi El-Rei procurar o vosso Aio à classe única em que se encontra quem obedeça sem reticências e mande sem hesitações.
Por esse motivo, o primeiro dos meus deveres é fazer de Vossa Alteza um soldado. É Vossa Alteza Príncipe, há de ser Rei; ora, Príncipe e Rei que não comece por ser soldado, é menos que nada, é um ente híbrido cuja existência se não justifica. Há poucos anos andava pela Europa, num exílio vagabundo de judeu errante, um Imperador que num momento de crise esqueceu que o seu título vinha do latim "Imperator", epíteto com que se saudavam os vencedores, e que se não vence sem desembainhar a espada -- sine sanguine victoria non est. Por um erro igual já subiu um Rei ao cadafalso e outros foram despedidos do trono para o exílio sempre doloroso e humilhante. Príncipe que não fôr soldado de coração, fraco Rei pode vir a ser.
O que foram na verdade os Reis primitivos? Guerreiros audaciosos que os companheiros de armas levantaram nos escudos acima das suas cabeças. E o que foi o maior dentre os Reis, aquele cujo nome ribomba como um trovão na história deste século? Um militar ambicioso que, elevado ao Império pelos seus soldados, não se deu por contente enquanto não pôs o pavês que o levantara em cima das costas dos outros Reis da Europa que lhe serviram de pés ao trono. E entretanto, a despeito da sua incomparável grandeza de ânimo, a despeito das qualidades únicas de mando com que a Providência o dotara, talvez para castigo de muitos, por certo para exemplo de todos, caíu esse colosso e o grande Imperador foi derrubado por esses mesmos que tanta vez vencera. Faltava-lhe a tradição da Monarquia, da linhagem Real, que cimenta e consagra a autoridade dos Reis legítimos.
Mas nessas mesmas linhagens Reais só foram grandes os que souberam lançar mão da espada sempre que lhes foi necessário. Por isso, repito, primeiro que tudo tem Vossa Alteza que ser soldado.
Aprenderá a sê-lo na história de seus avós. Este Reino é obra de soldados. Destacou-o da Espanha, conquistou-o palmo a palmo, um príncipe aventureiro que passou a vida com a espada segura entre os dentes, escalando muralhas pela calada da noite, expondo-se à morte a cada momento, tão queimado do sol, tão curtido dos vendavais como o ínfimo dos peões que o seguia. Firmou-lhe a independência o Rei de "Boa Memória", que tantas noites dormiu com as armas vestidas e a espada à cabeceira, bem distante dos regalos dos Paços Reais. E para a formação de vossa Casa concorreu com o ele o mais branco dos seus guerreiros, que simbolizou e resumiu em si quanto havia de nobre e puro na História Medieval, um herói e um santo. Mais tarde o Príncipe Perfeito, depois de haver mostrado que sabia terçar lanças em combate com o melhor dos cavaleiros, depois de haver abatido de vez todas as cabeças que se erguiam por demais altivas perante a Corôa Real, deu pela força da sua vontade de ferro um impulso de tal ordem às nossas naus, que foram ter ao Cabo da Boa Esperança, abrindo a Portugal o caminho por onde chegou ao apogeu da glória. Soldados, se lhes pode bem chamar a estes, porque tiveram o desapego da vida, a força do mando, a obediência cega àquilo que acima de tudo deve imperar nos Reis -- a ideia fixa e pertinaz da glorificação do seu nome e da grandeza do Reino onde Deus os fez os primeiros de entre os homens.
Para não ser injusto nem ingrato, não deve Vossa Alteza lembrar-se somente dos felizes porque nem só eles foram soldados. Houve um Rei de Portugal que, não podendo ser vencedor, soube morrer herói. Não tendo alcançado a vitória ambicionada, procurou a morte gloriosa. "A liberdade Real só se perde com a vida", foram as últimas palavras que se lhe ouviram e do cativeiro infamante salvou-o a morte, única libertadora invencível porque não há algemas que prendam um morto. Errou, é certo, mas a morte de valente, expiatória e heróica, redime os maiores erros. Bem merece ele o nome de soldado, bem estudada e meditada deve ser a sua História, porque pelo estudo e pela meditação se formam as almas e a alma de um Príncipe para tudo deve estar temperada, até para as maiores desgraças.
Soldado também e como poucos, foi D. Pedro IV. Trabalhou e combateu como soldado e teve a audácia precisa nos lances decisivos, a resignação estóica nas mais dolorosas crises, a presença de espírito nas situações mais difíceis, a decisão rápida e pronta para aproveitar as vitórias. E tanto se lhe enraizaram na alma os brios de soldado que, quando se viu insultado, apupado sem poder desembainhar a espada que tão bem o houvera servido, estalou de dor. As chufas com que o populacho cobarde e ingrato lhe pretendeu enlamear a farda, foram-lhe direitas ao coração, mataram-no.
Estude Vossa Alteza a História desses seus Avós. Leia-a, relei-a, medite-a, estude-a, meta-a bem na cabeça e no coração. Na convivência deles aprenderá Vossa Alteza a ser como eles, forte, justo, simples e verdadeiro. E bem compenetrado do que eles fizeram, conhecendo-lhes a vida dia a dia, sentirá Vossa Alteza que deles vem, que é um deles. Assim sonhará com futuros de glória que se assemelhem a esse passado de grandeza, e sonhar assim é uma felicidade e uma força. Triste do homem que só cuida do presente, que só preza a intimidade dos vivos. Pobre daquele que precisa adormecer para sonhar com o futuro. No olhar saudoso para o que já passou, no imaginar o que há de vir se vai formando a alma, se lhe vão apurando as qualidades, desenvolvendo a força. E chegada a ocasião de as aproveitar, de as pôr em acção, cai-se-lhe em cima como o milhafre sobre a presa e não se deixa escapar. A ciência da vida assemelha-se à arte da guerra, em que numa e noutra é mais preciso que tudo aproveitar as ocasiões e para o fazer é necessário o exercício constante, a trenagem; ora, o estudo e a meditação constituem a trenagem do espírito.
Nasceu Vossa Alteza numa época bem desgraçada para este País. Foi talvez um favor de Deus porque mais na desventura que na felicidade se prova a força do carácter. Em todo o caso é bem certo, meu Senhor, que a vossa história tem sido muito triste porque, convença-se bem Vossa Alteza, os Príncipes não têm biografia, a sua história é, tem de ser a do seu povo. Nessa história, entretanto, há algumas páginas que Vossa Alteza pode ler sem que lhe corem as faces de vergonha, sem que lhe subam aos olhos lágrimas esprimidas do coração triturado de humilhações. Essas poucas páginas brilhantes e consoladoras que há na história do Portugal contemporâneo, escrevêmo-las nós, os soldados, lá pelos sertões da África, com as pontas das baionetas e das lanças a escorrerem sangue. Alguma coisa sofremos, é certo; corremos perigos, passámos fomes e sedes e não poucos prostraram em terra para sempre as fadigas e as doenças. Tudo suportámos de boa mente porque servíamos El-Rei e a Pátria, e para outra coisa não anda neste mundo quem tem a honra de vestir uma farda! Por isso, nós também merecemos o nome de soldados; é esse o nosso maior orgulho.
Tudo é pequeno neste nosso Portugal de hoje! O mar já não é curral das nossas naus, mas sim pastagem de couraçados estranhos; foram-se-nos mais de três partes do Império de além-mar e Deus sabe que dolorosas surpresas nos reserva o futuro. Não tiveram, portanto, as guerras em que agora temos andado, o brilho épico dos feitos dos nossos maiores. Mas no campo restrito em que operámos, com os poucos recursos de que dispúnhamos, não fizémos menos nem pior do que outros bem mais ricos e poderosos.
A que devemos este resultado? A que no homem do povo em Portugal ainda se encontram as qualidades de soldado: a resignação, a coragem fria e disciplinada, a confiança nos superiores e, mais que tudo, a subordinação. E é preciso que Vossa Alteza, soldado por dever e direito de nascimento, se possua bem da ideia de que a subordinação é a primeira de entre as virtudes militares. Já a tenho ouvido alcunhar de renúncia da vontade. Ora, ninguém como o soldado carece de força de vontade, porque mais que em coisa alguma se demonstra ela na prática da obediência. Renunciar ao capricho, ao egoísmo, à indolência, a tudo quanto o vulgar dos homens mais aprecia e estima, ter por único fim servir bem, por único enlevo a glória, por único móvel a honra e a dignidade, não é renúncia da vontade. E se nós que somos soldados somente desde o dia em que nos alistámos e podemos voltar à classe civil de onde saímos, precisamos para tudo de muito querer e saber querer, quanto mais um Príncipe para quem nascer foi assentar praça e que só pode ter baixa para a sepultura!
De vontade e vontade de ferro precisará Vossa Alteza no duro mister para que Deus o destinou. Houve Reis, meu Senhor, que para desgraça dos seus povos adormeceram no trono em cujos degraus haviam nascido e nesse dormir esqueceram a missão que lhes cumpria desempenhar. No fim do século passado, o povo francês sacudiu-os de forma tal que os deveria ter acordado para sempre e, desde então, Príncipe que dormitasse no trono acordava no exílio. Assim deve ser. Castiga-se a sentinela que se deixa vencer pelo sono e o Rei é uma sentinela permanente que não tem folga porque, nomeado por Deus, só Ele o pode mandar render e então envia-lhe a morte a chamá-lo ao descanso. Enquanto vive tem o Rei de conservar os olhos sempre bem abertos, vendo tudo, olhando por todos. Nele reside o amparo dos desprotegidos, o descanso dos velhos, a esperança dos novos; dele fiam os ricos a sua fazenda, os pobres o seu pão e todos nós a honra do país em que nascemos, que é a honra de todos nós!
Para semelhante posto só pode ir quem tenha alma de soldado. Porque ser soldado não é arrastar a espada, passar revistas, comandar exercícios, deslumbrar as multidões com os doirados da farda. Ser soldado é dedicar-se por completo à causa pública, trabalhar sempre para os outros. E para se convencer, olhe Vossa Alteza para o soldado em campanha. Porventura vê-o só a marchar e a combater? Cava trincheiras, levanta parapeitos, barracas e quartéis, atrela-se às viaturas, remenda a farda, cozinha o rancho e o que tem de seu trá-lo às costas, na mochila. Desde os misteres mais humildes até ao mais sublime, avançar de cara alegre direito à morte, tudo faz porque todo o trabalho despido de interesse pessoal entra nos deveres da profissão. Trabalho gratuito, sempre, porque o vencimento do millitar, seja pré, soldo ou lista civil, nunca é remuneração do serviço, por não haver dinheiro que pague o sacrifício da vida.
É assim que, por mais que espíritos desorientados tenham querido obliterar as tradições de honra do Exército, a profissão entre todas nobre, foi, é e há de ser sempre a militar porque nela se envolve tudo que exige a anulação do interesse individual perante o da colectividade. É por isso que ninguém como o Rei tem de se esquecer de si para pensar em todos, por isso que ninguém como Ele tem de levar a abnegação ao maior extremo, ninguém como ele precisa de ser soldado na acepção mais lata e sublime desta palavra, soldado pronto da recruta em todas as armas, instruído em todos os serviços, desde o de cavalaria que, numa galopada desenfreada através de uma saraivada de balas, vai completar com a carga a derrota do inimigo, até ao do maqueiro que vai buscar os feridos à linha de fogo, ao enfermeiro que deles cuida na ambulância. Tão bom Rei, tão bom soldado foi D. Pedro V nos hospitais, como outros nos campos de batalha, porque a coragem e a abnegação são sempre grandes e nobres, seja onde fôr que se exerçam, e tudo que é grande e nobre é próprio de Rei e de soldado.
Não faltará ensejo a Vossa Alteza de revelar aquelas qualidades. Não lhe escassearão por certo provações e cuidados, revezes que trazem o desconforto ao espírito, lances dolorosos que desconsolam da vida. Para todos eles carece Vossa Alteza de estar preparado, temperado pela educação, pelo estudo dos bons exemplos, pela firme vontade de vir a ser um Príncipe digno desse nome e do da sua Casa. E para ser Príncipe é preciso primeiro que tudo ser Homem.
Se para descanso de seu espírito vaticinasse a Vossa Alteza um futuro risonho de despreocupações e gozos, faltaria por completo ao meu dever. Ao escolher-me para vosso Aio, disse-me El-Rei: "Faze dele um homem e lembra-te que há de ser Rei". Proporcionando a Vossa Alteza o conhecimento do que fizeram em África os seus mais leais servidores, apontando-lhe com seu exemplo, procurando temperar-lhe a alma para as mais duras provas por que pode vir a passar, não faço mais que cumprir as ordens de El-Rei e procurar, como tenho sempre feito, corresponder à confiança de Sua Majestade. A Vossa Alteza cumpre realizar as esperanças de seu Augusto Pai e nosso Rei, as esperanças de todos os Portugueses.
Que Deus o guie e proteja nesse difícil e glorioso caminho, é o mais ardente voto do Seu Aio muito dedicado
Joaquim Mouzinho
(Fonte: Arautos del Rei)
MOUZINHO DE ALBUQUERQUE
"[...] Oficial de Cavalaria animado de sopro heróico, como o foram os da sua geração militar, tinha ganho as esporas nas campanhas de pacificação em África, onde lhe fora dado aperceber-se do futuro de grandeza destinado a Portugal. Nessas ardentes plagas, em contacto com etnias hostis e sujeito ao impiedoso clima, Mouzinho embalou a alma de soldado e compreendeu que o País não se reduzia às estreitas dimensões da Metrópole. Um destino radioso abria-se à Nação portuguesa nos territórios de África, que se impunha pacificar em proveito dos brancos e nativos, numa onda de crescente progresso material e de aproximação humana.
"A esse escol da juventude pertenceu o vencedor de Chaimite e Macontene, que viveu o sonho de um Portugal euro-ultramarino em vias de realização, ideal partilhado por todos os seus companheiros de armas.
"Na definição de Marcello Caetano, o Tenente-Coronel Mouzinho de Albuquerque tinha assim a grandeza "de um grande construtor imperial". Em 25 de Fevereiro de 1896 viu-se elevado a Governador-Geral da Província de Moçambique, com poderes de comissário régio. Ali executou uma obra de administração pública equiparável à do seu prestígio militar, buscando resolver os problemas sociais, financeiros, económicos e culturais da Província.
No fim de 1897 era chamado a Lisboa para contactar com o Governo. A sua fama de soldado e de político enchia a Metrópole, e se para a opinião pública era motivo de admiração, para a baixa política tinha de traduzir-se em malévolos despeitos. O Decreto de 7 de Julho de 1898, assinado pelo ministro Dias Costa, reduzia-lhe os poderes de comissário régio, o que o levou de imediato a pedir a exoneração. Criticando duramente os políticos, "que não fazem bem nenhum à Monarquia", Mouzinho voltava de Moçambique com a esperança de ainda poder ser útil ao regime: "Se é que ainda há futuro em Portugal! Receio muito que não."
"Com o apoio dos seus conselheiros, D. Carlos recompensaria o herói nomeando-o preceptor e aio do príncipe D. Luis Filipe, funções que exerceu com a maior dedicação. É conhecida a carta que dirigiu ao pupilo em fins de 1898, com experientes conselhos sobre a nobreza da arte de reinar. [...] Impunha-se dar ao príncipe a consciência da realeza":
JOAQUIM VERíSSIMO SERRÃO, História de Portugal, Editorial Verbo, 1987, Vol.X, págs. 99, 100.
(Fonte: Wikipedia)
Joaquim Augusto Mouzinho de Albuquerque, nasceu a 12 de Novembro de 1855 na Quinta da Várzea, concelho da Batalha, Leiria, filho de José Diogo Mascarenhas Mouzinho de Albuquerque e de Maria Emília Pereira da Silva e Bourbon, descendentes de uma família da nobreza local. Era neto de Luís da Silva Mouzinho de Albuquerque.
Destinado a seguir a carreira militar, depois de estudos preparatórios, Mouzinho de Albuquerque assentou praça como voluntário no Regimento de Cavalaria n.º 4, frequentando na Escola Politécnica os cursos preparatórios para ingresso na Escola do Exército. Seguidamente ingressou no Colégio Militar da Luz, terminando o curso na Escola do Exército em 1878, sendo promovido a alferes.
No ano seguinte matriculou-se nas Faculdades de Matemática e Filosofia da Universidade de Coimbra, tendo aí casado com sua prima, D. Maria José Mascarenhas de Mendonça Gaivão. Em 1882, Mouzinho de Albuquerque adoeceu, facto que o impediu de frequentar o 4.º ano da Universidade e o obrigou a regressar a Lisboa, onde permaneceu dois anos em inactividade. No ano de 1884 foi promovido a tenente e nomeado regente de estudos no Colégio Militar.
Dois anos depois, partiu para a Índia, ocupando um lugar na fiscalização do Caminho-de-Ferro de Mormugão, em Mormugão, e, em 1888, foi nomeado secretário-geral do governo do Estado da Índia. Em 1890, foi promovido a capitão e nomeado governador do distrito de Lourenço Marques, cargo que ocupou até 1892, altura em que regressou a Lisboa.
O ano de 1894 marca o regresso de Mouzinho de Albuquerque às colónias, desta vez comandando um esquadrão de Lanceiros que se iriam juntar às forças de expedição militar que tinha por objectivo dominar as rebeliões indígenas no sul de Moçambique.
Foi aí que Mouzinho de Albuquerque se destacou nas campanhas de África, nomeadamente a que levaria à prisão do chefe vátua Gungunhana em 28 de Dezembro de 1895, em Chaimite. A 11 de Novembro de 1895, as tropas comandadas por António Enes, entre as quais se encontrava Mouzinho, tomaram e incendiaram Manjacaze, a residência principal de Gungunhana, levando à fuga deste.
António Enes, então comissário régio em Moçambique, pediu reforços ao Governo português, mas perante a indecisão deste, decidiu dar por terminada a sua missão e regressar a Portugal. Em consequência, a 10 de Dezembro de 1895, Mouzinho de Albuquerque foi nomeado governador do distrito militar de Gaza, prosseguindo com a campanha iniciada no ano anterior, entendendo que só através da prisão ou morte de Ngungunhane, então já alcunhado o Leão de Gaza, a soberania portuguesa sobre os territórios do Império de Gaza poderia ser conseguida.
Após uma temerária marcha de três dias em direcção a Chaimite, as tropas conduzidas por Mouzinho cercaram a povoação, prendendo o chefe vátua e grande parte da sua família, forçando-o a entregar mil libras em ouro, oito diamantes, armas e munições e todo o gado e marfim de que dispunha. Contudo, os relatórios dos outros militares que participaram na campanha, em particular de Soares de Andrea, indicam que Mouzinho sabia da decisão de Ngungunhane de não oferecer resistência, o que de facto se verificou.
No dia 6 de Janeiro do ano seguinte, Gungunhana e os restantes prisioneiros foram entregues, oficialmente, em Lourenço Marques, por Mouzinho de Albuquerque ao governador-geral da colónia para, dias mais tarde, serem enviados para Lisboa por ordem expressa de Jacinto Cândido da Silva, então Ministro da Marinha e Ultramar.
Depois daquele êxito militar, que granjeou numerosas manifestações de apoio em Portugal e ampla cobertura na imprensa internacional, Mouzinho de Albuquerque foi nomeado governador-geral de Moçambique, a 13 de Março de 1896, tomando posse a 21 de Maio. A 27 de Novembro, do mesmo ano, foi nomeado Comissário Régio.
Depois de comandar, durante o ano de 1897, as campanhas de ocupação colonial de Naguema (3 de Março), Mocutumudo (6 de Março) e Macontene (21 de Julho), Mouzinho de Albuquerque partiu para Portugal, a 18 de Novembro, com o intuito de resolver, pessoalmente, com o governo de Lisboa questões relacionadas com a administração e o desenvolvimento económico da colónia de Moçambique, nomeadamente a concessão de um empréstimo que lhe permitisse proceder a algumas reformas.
Chegou a Portugal a 15 de Dezembro de 1897, tendo sido recebido de forma muito calorosa. Após algum tempo de repouso, viajou pela Europa (Inglaterra, França e Alemanha), onde foi orador convidado em diversas sociedades de geografia, em palestras que receberam grande cobertura pela imprensa.
A 22 de Abril de 1898, regressou a Moçambique sem levar qualquer resultado prático da sua presença na Metrópole, mas em Julho do ano de 1898, Mouzinho de Albuquerque recebe, finalmente a notícia de que tinha sido concedido o tão esperado empréstimo. No entanto, no mesmo dia, foi informado de que tinha sido decidido, a 7 de Julho, o fim das suas funções como Comissário Régio, o que o levou a apresentar, de imediato, a sua demissão, aceite pelo Presidente do Conselho, José Luciano de Castro, a 19 de Julho.
Mouzinho de Albuquerque voltou, então, a Lisboa sem ter realizado aquilo a que se tinha proposto, apesar de ter conseguido implementar algumas obras de fomento, bem como um importante impulso às receitas públicas, em boa parte através da imposição de pesados tributos sobre os povos locais, o que seria fonte de grandes conflitos e numerosas revoltas nos anos imediatos.
Foi nomeado, a 28 de Setembro de 1898, ajudante de campo efectivo do rei D. Carlos I de Portugal, oficial-mor da Casa Real e aio do príncipe D. Luís Filipe de Bragança. A sua posição crítica face à política e aos políticos da sua época e os rumores sobre a seu comportamento desumano durante as campanhas em África, levaram a que fosse progressivamente ostracizado e envolvido num crescente clima de intriga.
Incapaz de, pela sua própria formação militar rígida e pelo feitio orgulhoso, de resistir ao clima de intriga acerca do seu comportamento em África e à decadência em que a monarquia agonizava, Mouzinho de Albuquerque preparou minuciosamente a sua morte, suicidando-se no interior de um coupé, na Estrada das Laranjeiras no dia 8 de Janeiro de 1902.
(Fonte: Wikipedia)
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
SAR O SENHOR DOM DUARTE DE BRAGANÇA - FACEBOOK
«O regime republicano foi implantado pela força de um golpe militar apoiado pelos terroristas da época, a carbonária, nunca foi referendado e na minha opinião, não foi verdadeiramente assimilado pelos portugueses. Por isso a maioria quer um Presidente que seja como um Rei, independente e isento, o que é muito difícil. Durante a minha vida conheci excelentes presidentes, desde o Almirante Américo Thomaz até ao actual, mas a sua origem política e as forças que os apoiaram dificilmente são compatíveis com uma imagem de independência.» - S.A.R. D. Duarte de Bragança (Jornal "O Diabo" - 17/03/2009).
ÉTICA REPUBLICANA??
Cada vez mais se põe em causa a pertinência da republica, os métodos que a levaram a chegar ao poder e os seus postura nestes últimos 100 anos.
Por tudo isto, e quando os seus mais acérrimos apoiantes pensavam que estava definitivamente implantada, eis que surgem nas camadas mais jovens um conjunto de pessoas a pensar pela sua própria cabeça, que têm feito muita investigação à margem daquilo que o regime têm vindo a proclamar como a única verdade, fruto da sua estratégia de pensamento único.
Preocupados, eis que investem forte, e tendo em conta que se comemoram 100 anos de república, eis que a elite republicana decide investir forte em propaganda (10.000.000,00 €) em comemorações onde não faltam os discursos ocos de conteúdo e repleto de chavões, entre eles o cada vez mais patético "Ética Republicana".
Nós, como apenas nos fazemos valer de factos, contrapomos esses discursos e vamos conseguindo fazer valer a verdade à Sociedade.
A respeito da Ética Republicana, lembro-me de, há tempos, ter lido um excelente texto no Blog "Semiramis - Irrefexão Política Social e Económica".
Excelente texto que não poderia deixar de também o publicar aqui, cuja fonte do mesmo é: http://semiramis.weblog.com.pt/arquivo/2005/10/a_etica_republi_1.html
"A Ética Republicana
Tem-se falado ultimamente, e com insistência, na ética republicana. O PR, o mais prolixo produtor de banalidades do país, caracterizou-a, há dias. Confesso a minha ignorância – não sei o que é a ética republicana. Sei o que é Ética, quer do ponto de vista filosófico, quer do ponto de vista profissional (a deontologia, que sistematiza os deveres que um profissional deve respeitar no exercício da sua actividade). Também sei o que é uma república, embora tendo uma ideia nebulosa sobre a sua caracterização exacta, sabendo as formas que as repúblicas têm revestido no tempo (desde a Antiguidade Clássica) e no espaço (desde a Europa à África, passando pela América Latina e Ásia). Só não atino com o que seja a ética republicana.
Sampaio declarou que A ética republicana exige competência, devoção ao serviço público, transparência, disponibilidade para abandonar o cargo exercido a outros melhores, nos termos da lei. A ética republicana exige que o funcionário sirva a República e proíbe-o de se servir da República para promover os seus fins pessoais ou os de um determinado grupo. Todavia se ele retirasse a palavra “republicana” aquela sentença estava correcta. E se substituísse República por Estado, era uma afirmação universal. A ética da acção política exige aquilo que o PR afirmou. Estou plenamente de acordo.
Então porquê a inserção de “republicana”?
A resposta é simples. Entre os ícones que povoam o relicário mental de Sampaio (bem como do clã Soares e de outros herdeiros do jacobinismo político) resplandecem os egrégios vultos da 1ª República. Mas eu, contrariamente aos próceres socialistas, quando olho para aquelas figuras, apenas detecto ética no grupo Seara Nova e em mais meia dúzia de individualidades como Carlos da Maia, Cândido dos Reis … talvez um José Relvas, um Machado Santos ou um Teixeira Gomes. Havia alguns líderes republicanos probos e desinteressados, mas muitos eram de ética mais que duvidosa, cada vez mais duvidosa à medida que se subia no protagonismo político, e o mais evidente de todos, António Maria da Silva, era um perfeito gangster político.
É ética republicana reduzir, após o triunfo da república, o corpo eleitoral a metade do existente nos fins da monarquia, com receio das opiniões dos cavadores de enxada e dos analfabetos? É ética republicana dissolver os partidos existentes, após o triunfo da revolução (excepto o republicano)? É ética republicana pôr “cientistas” republicanos a medirem os crânios de padres jesuítas, para confirmar, “cientificamente” que eram degenerados e publicar fotografias dessas investigações nas revistas da época? É ética republicana Afonso Costa, quando ministro da Justiça, em 1911, ter provido nos melhores lugares o seu irmão, os seus dois cunhados, o seu sócio do cartório, o seu procurador, um amigo íntimo desde os tempos da juventude, etc.? É ética republicana organizar a carnificina da Noite Sangrenta e assassinar o 1º Ministro e destacadas figuras ligadas à implantação da república? É ética republicana criar um regime tutelado pelos arruaceiros, bombistas e rufias dos cafés e tabernas de Lisboa como elementos catalizadores do debate político? É ética republicana ter criado a Guarda Nacional Republicana, bem municiada de artilharia e armamento pesado, concentrada na zona de Lisboa e cujos efectivos passaram de 4575 homens em 1919 para 14 341 em 1921 (*), chefiados por oficiais «de confiança», com vencimentos superiores aos do exército, afim de ser a Guarda Pretoriana do regime? É ética republicana ser a própria república a criar uma Guarda Pretoriana, que na Roma antiga apenas foi criada após a queda da república? É ética republicana a corrupção e o caciquismo eleitorais do Partido Democrático?
Ou seja, ética republicana carece de significado, porque exigiria a definição prévia que tipo de república se tem em mente. Se se tiver em mente o modelo da 1ª República, não há apenas a ausência de significado, é uma contradição nos termos.
Sampaio não explicitou a que modelo de república se referia. Não foi certamente ao da 2ª República, porquanto um regime autoritário dificilmente pode ser um exemplo de virtudes e de ética. Certamente que, no estado do actual regime, Sampaio não se está a referir à 3ª República, de que ele se deve ter tornado um dos principais coveiros. Igualmente nada indica que se esteja a referir a um modelo abstracto, utópico e intemporal.
Assim sendo, tudo leva a supor que o modelo de república que Sampaio tem em mente, quando adjectiva daquela forma a ética, é o da 1ª República. E provavelmente está a contrapor esse arquétipo imaculado e paradigmático, às misérias da actual república a que ele preside.
Se é isso, está a dar um péssimo exemplo do que entende por ética, não certamente por malevolência, mas apenas porque vive de mitos. A ética republicana é um mito do relicário ideológico do jacobinismo: por muitos desmandos que pratique é, por convenção, o estado perfeito de governação.
(*) Na sequência da Noite Sangrenta de 19-10-1921, do horror público que provocou e da derrota posterior dos golpistas, a GNR foi desmantelada e muito reduzida nos seus efectivos e equipamento, tornando-se numa força de polícia rural."
Publicada por Bravura Lusitana
(Fonte: Blogue Monárquico Lusitano)
Sobre a candidatura do Dr. Fernando Nobre à Presidência da República
Verifico com alguma surpresa, que a anunciada candidatura do Dr. Fernando Nobre suscitou algum entusiasmo entre personalidades monárquicas.
Dizem-me até alguns, que o candidato terá essa simpatia ideológica.
Como sou monárquico e prezo a minha coerência, vejo numa eleição para a Presidência da República, o principal acto de sustentação do regime.
Para os republicanos também o é, pois uma eleição presidencial, é um acto periódico do povo avalisar o regime republicano. Um referendo periódico, como defendem.
Contrariamente a algumas teses que por aí se defendem, até acho que a actual Constituição da República portuguesa e a legislação eleitoral é muito democrática, uma vez que não impõe o voto obrigatório, como acontece em algumas outras Repúblicas.
Também não perfilho dessa ideia romântica, ingénua ou outra coisa, muito divulgada entre os monárquicos republicanos, de que mudando alíneas da actual Constituição se abram quaisquer portas para a alteração do regime.
A actual Constituição da Republica, não é, nem nunca será, a Constituição de Portugal, mas sim a que regula e preserva o actual regime.
Estes equívocos, são uma forma subtil de mascarar os serviços que muitos que se afirmam monárquicos prestam ao regime republicano. Muitos deles por manifesta ingenuidade, outros por subserviência e conveniência pessoal ou partidária.
Uma candidatura presidencial é assim, desde logo, um inequívoca afirmação do candidato de legitimação e lealdade para com o regime republicano.
Não pode ter outro sentido, pois caso contrário estriamos a considerar que esse candidato não era uma pessoa de bem, consideração que não faço para com o Dr. Fernando Nobre.
Também a coerência monárquica de cada um de nós, tem de assumir uma atitude política consistente, perante o acto eleitoral para uma Presidência da República.
Uma eleição presidencial, é sempre um referendo periódico ao regime republicano.
Um Presidente da República só poderá ser empossado se a maioria do eleitorado participar nesse acto. Caso contrário nunca o Tribunal Constitucional poderia validar essa eleição.
Sendo isto tudo uma realidade, então qual é a única atitude de coerência monárquica possível?
A única em que me revejo em consciência é a abstenção a esse acto eleitoral.
Como poderíamos acreditar na coerência de d. Duarte de Bragança, se a sua atitude para com esse acto eleitoral, não fosse essa?
Quem pode acreditar na mensagem monárquica, sabendo que os defensores das virtudes de um Chefe de Estado não eleito, vão apoiar uma eleição presidencial?
A credibilidade depende da coerência…coerência no discurso e na atitude.
A candidatura do Dr. Fernando Nobre é assim uma sua afirmação republicana…que pode parecer ter o sentido útil pelo facto de ser autónoma e independente dos partidos dominantes, mas na realidade é uma afirmação de ingenuidade política e uma forma de confundir os portugueses monárquicos, que anseiam por vir a ter um Chefe de Estado livre e Independente, que só um Rei consegue ser.
É assim uma forma subtil de disfarce republicano, de uma mensagem consistente e coerente, como é a mensagem monárquica.
Também uma expressão de ingenuidade política, que só irá promover atrasos numa dinâmica afirmativa de alternativa à 3ª República.
Como contributo para o esclarecimento público de todos os monárquicos portugueses, sugiro a ponderação da frase que vem deste as Cortes de Lamego que afirmaram Portugal e o nosso primeiro Rei, D. Afonso Henriques.
(Só) O Rei é Livre e Livres somos nós.
Nos somos livres, nosso Rey he livre, nossas mãos nos libertarão.
José J. Lima Monteiro Andrade
(Extraído do blogue “Desafio de Mudança”, artigo do dia 18 de Fevereiro de 2010)
COM QUE DIREITO? As Perguntas que o povo nunca faz...
Com que direito uma geração (a de 1910), propôs para todo o sempre um regime político, sem nunca perguntar ao povo?
Com que direito e legitimidade é que promoveram e tornaram com carácter de perpetuidade a República?
Com que direito se arrogam os Republicanos como legítimos interpretes da Vontade nacional e do povo, quando o silenciam amordaçam e não lhe permite sequer pensar?
Com que direito, mataram um chefe de Estado e ficaram impunes até hoje, e o povo nunca teve uma resposta que sempre exigiu?
Com que direito sepultaram um regicida no Panteão Nacional, quando foi um dos mentores do atentado e homicídio de um legitimo chefe de estado Português?
Com que direito, adulteram a verdade histórica dos factos e dizem que o Rei tinha de ser deposto e não criaram alternativa válida, ou mesmo sequer uma alternativa?
Com que direito copiaram o regime monárquico de representatividade como sendo semi presidencialista, quando é quase uma cópia integral dos poderes do Rei constantes da Carta Constitucional de 1826?
Com que direito se diz que a República é democrática e a Monarquia não, quando durante o século XX, as ditaduras só ocorreram em Repúblicas?
Com que direito um presidente da República trabalha durante 5 anos nesse cargo e tem direito a uma reforma vitalícia, quando temos um Rei que trabalha muitas vezes até á sua morte sem direito a qualquer reforma?
Com que direito um presidente da República trabalha 5 anos e tem direito a uma reforma vitalícia principesca e o cidadão comum tem de trabalhar 65 anos ou mesmo 68 anos para ter direito a uma reforma miserável?
Com que direito é que promovem o silêncio com campanhas de censura, pelo silencio e calam o único e verdadeiro paladino do POVO, quem deveria ser Rei De Portugal?
Com que direito é que vedam ao povo a possibilidade de escolha, entre República e Monarquia?
Sem qualquer Direito ocorrem estes factos diariamente e o nosso Povo vê todos os dias a Pátria a ser delapidada, a ser alvo de chacota lá fora, a perder credibilidade nos mercados financeiros, tudo para manter esta República que está podre, caduca, disforme, e distanciada da Realidade.
Tudo porque somos todos os dias intoxicados com desinformação dos meios de comunicação.
HOJE EM DIA E CADA VEZ MAIS TER ESPÍRITO REVOLUCIONÁRIO E SER IRREVERENTE, É SER MONARQUICO.
Orlando Góis
Presidente da Real Associação do Ribatejo
(Fonte: Blogue da Real Associação do Ribatejo)
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