domingo, 14 de fevereiro de 2010

BASTA DESTE REGIME!

Estamos prestes a viver um momento histórico, se os portugueses quiserem e finalmente abrirem os olhos quanto a este regime corrupto que há 100 anos corrói a Pátria e dizerem basta a esta república de interesses que só gera caos e mau estar na nossa sociedade. Está na hora dos portugueses começarem a pensar numa alternativa a este regime falido e amoral que tanto nos atormenta com escândalos, instabilidade, perseguições e atentados à liberdade…

Vamos pensar na Monarquia como forma patriota de inspirar Portugal a ser um país moderno e verdadeiramente democrático para o século XXI e não a Sodoma de corrupção, falta de valores e amor-próprio, stress constante em que somos obrigados a viver… Chega de conformismo. Está nas nossas mãos o futuro… Não o sonhemos apenas… Criemo-lo.

Artur de Oliveira

(Fonte: PDR-Projecto Democracia Real)

sábado, 13 de fevereiro de 2010

CARTA AO DIRECTOR DO PÚBLICO - "MONÁRQUICO PORQUE?"

Não é estranho de forma alguma ainda hoje passados 100 anos da implantação pouco democrática da república que existam pelo menos mais de 20% da população portuguesa monárquica convictamente segundo estudo do CESOP (2002). Estudos da OCDE de 2008 indicam que os países onde há mais Justiça Social e menos distância entre os ricos e os pobres sejam precisamente os países europeus monárquicos, estranho também não é ouvir que país que tem a melhor qualidade de vida seja a Dinamarca que é uma monarquia.

Será que o facto de ter um Chefe de Estado apolítico como um Rei que não tem direito de veto sobre legislação criada em sede parlamentar ou governativa não faz a diferença ? De certo que nesses países não se houve falar em escutas ao chefe de estado, não se ouve falar em partidos a indicarem candidatos para eleições não-partidárias e nunca o Chefe de Estado é partidário como é o nosso caso quando algum se recandidata e é apoiado partidariamente. Nesses países a corte é só uma, as contas das casas reais são contadas até ao último cêntimo e que eu saiba a casa real de Espanha gasta menos do que a casa civil portuguesa que gasta 16 milhões de euros anuais dos nossos impostos. Os Chefes de Estado em muitos desses países não andam em jactos do Estado porque muitos preferem as linhas aéreas que o comum cidadão usa, não usam Falcons. Mas cá no nosso país como somos muito ricos não sustentamos uma Corte mas sim quatro cortes que são as dos presidentes da república portuguesa desde 1974 : salários, reformas vitalícias, seguranças, motoristas e secretárias particulares … espero não me ter esquecido mais. Contrariamente ao que muitos portugueses pensam o Chefe da Casa Real D.Duarte de Bragança não recebe um cêntimo do Estado.

Um Chefe de Estado Imparcial apolítico já demonstrou que faz a diferença basta ver o caso da Bélgica com quedas sucessivas de governos durante vários meses onde o Rei dos Belgas foi o pilar do equilíbrio político ao tentar encontrar um consenso para bem dos Belgas. Se isso acontecer cá, temos problemas porque primeiro durante os primeiros 6 meses de governo não podem haver novamente eleições e nem o mesmo pode ser feito nos últimos seis meses de mandato do presidente da republica. E aqui eu pergunto para-se o país ? carrega-se no botão “pause” ? O País que é a nossa Pátria merece melhor !

Durante 100 anos a república tomou várias formas e feitios lembrando um autêntico camaleão, desde presidentes da república que eram eleitos pelo parlamento até uma ditadura de 48 anos encabeçada por Salazar. Agora já se fala numa 4 república onde poderá eventualmente o chefe de estado passar a ser eleito pelo parlamento e não pelos portugueses, ou seja a partidarização total da eleição do Chefe de Estado e acabasse de vez com o argumento do povo que se diz republicano porque pode votar e escolher o Chefe de Estado. Afinal que mais formulas vão inventar para algo que nasceu torto e que nunca mais se endireita ?

Obrigado pela atenção

Rui Monteiro, Matemático

(fonte: Blogue Causa Monárquica)

HENRIQUE DE PAIVA COUCEIRO: UMA VIDA DE HONRA E GLÓRIA

Faz 65 anos que morreu uma das figuras maiores da nossa História Contemporânea, o comandante Paiva Couceiro, que entregou a alma ao criador a 11 de Fevereiro de 1944.

Resumir a vida deste militar e governador ultramarino é quase impossível, dada a dimensão da sua vida e o brilho e luminosidade da sua obra modelar. Um exemplo de heroísmo, tenacidade e virtudes cívicas.

Henrique Mitchell de Paiva Cabral Couceiro nasceu em S. Mamede, freguesia da cidade de Lisboa, a 30 de Dezembro de 1861, filho do general José Joaquim de Paiva Cabral Couceiro e de D. Helena Isabel Teresa Armstrong Mitchell.

Casou a 21 de Novembro de 1896, em Lisboa, com D. Júlia Maria do Carmo de Noronha (1873+1941), filha primogénita e herdeira do dr. D. Miguel Aleixo António do Carmo de Noronha (1850+1932), 3.º Conde de Paraty, e de sua mulher D. Isabel de Sousa Mourão e Vasconcelos (1849+1936).

Como militar assentou praça no Regimento de Cavalaria Lanceiros d’El-Rei (1879) e cobriu-se de glória, pela acção notável em Humpata, Angola (1889), na campanha militar de Angola (1889-1891), na campanha de Melilla, no Marrocos espanhol (1893) e nos combates de Marracuene e Magul, Moçambique (1895), em coragem enaltecida.

Foi formado com o Curso de Artilharia da Escola do Exército (1881-1884); alferes (1881); segundo-tenente de Artilharia (1884); primeiro-tenente (1889); comandante de Cavalaria da Humpata, Angola (1889-1891); cavaleiro da Ordem de Torre e Espada (1890); oficial da Ordem de Torre e Espada (1891); Medalha de Prata para distinção ao mérito, filantropia e generosidade (1892); condecorado com a Cruz de 1.ª Classe do Mérito Militar de Espanha (1893); ajudante do comando do Grupo de Baterias de Artilharia a Cavalo (1894); ajudante-de-campo do Comissário Régio de Moçambique (1894-1895); cavaleiro da Real Ordem Militar de S. Bento de Avis (1895); capitão de Artilharia (1895); ajudante-de-campo honorário do Rei Dom Carlos (1895); proclamado «benemérito da Pátria» (1896); comendador da Ordem de Torre e Espada (1896); conselheiro do Conselho de Sua Majestade; condecorado com a Medalha Militar de Ouro do Valor Militar (1896); condecorado com a Medalha Militar de Prata de Comportamento Exemplar; condecorado com a Medalha de Prata da Rainha D. Amélia (1896); deputado da Nação (1906-1907); vogal da Comissão Parlamentar do Ultramar (1906); vogal da Comissão Parlamentar de Administração Pública (1906-1907); vogal da Comissão Parlamentar da Guerra (1906-1907); Governador-Geral de Angola (1907-1909); demitido do Exército (1911); comandante das Incursões Monárquicas de 1911 e 1912; Presidente da Junta Governativa do Reino, na Monarquia do Norte (1919); escritor.

Monárquico convicto, foi anti-republicano de gema e anti-salazarista, sendo perseguido pelo Estado Novo, em atropelo das garantias das liberdades cívicas, tratado como um reles vigarista, esquecida a sua imensa folha de serviços prestados à Pátria.

Ousou afrontar o tirânico Salazar, que, de forma iníqua e arbitrária, o mandou expulsar do País em 1935 e prendê-lo e deportá-lo novamente em 1937, por discordar da política ultramarina do Presidente do Conselho e do Estado Novo.

Numa altura em que Paiva Couceiro tinha já 76 anos de idade foi posto na fronteira sem quaisquer documentos, a sofrer as agruras do exílio! Incomodava sempre porque era um homem de brio, dignidade, de raro carácter, um idealista romântico, audaz e tenaz, em cujas veias latejava um elevado conceito de Honra.

Um homem sincero e notável, acima de tudo um Homem de acção e um Homem da Nação. Não curvava a cabeça alva e digna perante o tirano “Botas”, como paladino da Pátria, eivado de predicados indispensáveis.

Deixou uma impressão indelével nas páginas da nossa História, uma luz que cintilava uma coragem sublimada.

(fonte: Blogue Escavar em ruínas - http://escavar-em-ruinas.blogs.sapo.pt/)


PAIVA COUCEIRO E A CONTRA-REVOLUÇÃO MONÁRQUICA (1910-1919)

A contra-revolução monárquica sucedeu quase de imediato à proclamação da República, em 5 de Outubro de 1910 e teve como objectivo primordial organizar um movimento politico-militar capaz de derrubar as instituições do novo regime e restaurar a situação vigente até àquela data. A história da I República é pontuada, desde os seus alvores, por um esforço contra-revolucionário levado a cabo por sectores descontentes com as medidas decretadas pelos governos republicanos e que, incluindo o clero e forças politicas conservadoras e radicais, tinham nos monárquicos de diversas tendências (dos integralistas aos monárquico-constitucionais...) os seus mentores mais salientes e inconformados. O chefe carismático da contra-revolução monárquica foi sem dúvida Henrique de Paiva Couceiro, um dos poucos realistas que resistiu em armas à revolução republicana e que, refugiado político na Galiza, comandou duas frustradas incursões no norte do País, em 1911 e 1912. No início de 1919, conseguiu subverter as instituições da parte do território continental que ia do Minho à linha do Vouga, restaurando a monarquia durante 25 dias. Em nome do Rei e estrategicamente, restaurou a Carta Constitucional de 1826. Contudo, o seu objectivo maior era o regresso à Monarquia Integral, medieval, católica e corporativa. Foi fugaz a experiência da Monarquia do Norte, durante a qual uma Junta Governativa presidida por Couceiro revogou toda a legislação republicana promulgada desde 5 de Outubro de 1910, restaurou a bandeira e o hino monárquicos e legislou intensa e infrutiferamente. A sublevação monárquica de 1919 haveria de abortar, ao não lograr obter apoios fundamentais que poderiam garantir a sua sobrevivência. O malogro da breve experiência monárquica era inevitável. Porém a ideia e a expectativa da restauração realista mantiveram-se até à emergência do Estado Novo, acabando o “monárquico de coração”, Oliveira Salazar, por ser o carrasco de quantos ainda sonhavam no regresso ao 4 de Outubro de 1910...

ARTUR FERREIRA COIMBRA
BRAGA, 2000

(fonte: Blogue A Monarquia do Norte)

SUGESTÃO DE LEITURA

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

COM PAPAS E BOLOS

No ano em que o regime republicano vê comemorados os cem anos da sua implantação revolucionária, com festividades que vão custar dez milhões de euros, que já começaram a ser gastos com a prodigalidade costumada para favorecer amigos e companheiros políticos, as águas agitam-se entre os republicanos por causa das eleições presidenciais, que só ocorrerão no próximo ano.

A chefia do Estado para a República, é não um órgão de soberania que representa a estabilidade do poder democrático, garante o funcionamento normal e adequado das instituições, arbitra a conflitualidade decorrente da disputa democrática pela ascensão ao poder político, se posiciona institucionalmente acima das forças partidárias, dos interesses de grupos políticos, económicos e sociais, representa a Nação e o Estado internamente e nas relações internacionais. A chefia do Estado, em República, é um palco de luta de política de uma parte do eleitorado contra outra, de uma maioria conjuntural com outras maiorias conjunturais, de apoio a forças vencedoras da mesma área política de onde provém, de criação de dificuldades ou mesmo de bloqueio às que não comungam da sua visão ideológica e política.

Daí advém, naturalmente, a importância que as forças políticas atribuem à eleição presidencial, a tal ponto que a um ano de distância do acto eleitoral, há já candidatos que se posicionam, discursos de sibilino ataque ao presidente que ainda é, manobras de bastidores que se desenvolvem, artigos que se escrevem sobre factos de há muitos meses para implicar opositores a um provável candidato, oratórias de lindíssimo recorte literário mas ocas de sentido real. Sem o menor respeito institucional pelo Chefe do Estado ainda em funções, a luta para disputar o seu alto cargo na hierarquia do Estado já começou.

No ano do centenário da implantação da República, um antigo Chefe do Estado, vem dizer que se comemoram cem anos do regime, mas que quarenta e oito anos desses cem não foram regime republicano mas ditadura. Plasmando no seu pensamento político o significado afrancesado de república, como o regime da separação de poderes e legitimidade da assunção do poder pelas maiorias eleitorais, ou seja, democracia, exclui os regimes de poder autocrático ou não democrático das repúblicas.

No ano do centenário da República que afinal não tem cem anos, um disponível candidato a candidato, vem invocar a ética republicana – capítulo da Ética não consagrado em nenhum manual didáctico – de um Presidente da República que abandonou as suas funções para se dedicar às letras e aos seus interesses e gostos estéticos, como paradigma do alto cargo a que se quer alcandorar.

No ano do centenário que não é da República que ainda é, esse putativo candidato irá formalizar a sua candidatura no dia 31 de Janeiro, invocando a primeira insurreição republicana. Insurreição que foi mal sucedida. Uma boa data, como se vê.

Neste ano comemorativo de uma revolução de há cem anos que ofereceu ao País dezasseis de balbúrdia, de perseguições à Igreja, de perseguições aos vencidos, de perseguições implacáveis às forças opositoras dos governos no poder, de censura, de polícia política, de uso das forças da ordem para a manutenção do poder, de má administração, de descalabro político e económico, quarenta e oito anos de ditadura militar primeiro, e poder autoritário depois, com o cerceamento da liberdade, com a censura, com as prisões arbitrárias por razões políticas, da polícia política, da repressão e quase trinta e cinco da III República que, corrigindo alguns defeitos dos outros períodos, assumiu ou ampliou outros aspectos negativos, como a falta de projecto nacional, a incompetência governativa, o compadrio político, as negociatas, a corrupção e falta de Justiça e as injustiças sociais.

Neste ano do centenário da República, há muito que comemorar, como se vê. E talvez os dez milhões de euros sejam, afinal, insuficientes, para tentar conseguir enganar com festanças e artifícios os que desses cem anos têm poucos ou nenhuns conhecimentos e memória e vêm nessas folganças uma forma de esquecer o presente sem se aperceberem que é uma mera consequência do passado. Como diz o ditado popular “com papas e bolos se enganam os tolos”.

João Mattos e Silva
(Presidente da Real Associação de Lisboa)

FRASES QUE DIZEM TUDO...

«(…)"abandonar o azul e branco, Portugal abandonara a sua história e que os povos que abandonam a sua história decaem e morrem" (…)» (O Herói, Henrique Mitchell de Paiva Couceiro)

"A República foi feita em Lisboa e o resto do País soube pelo telégrafo. O povo não teve nada a ver com isso" (verdade prestada por João Ferreira Rosa)

"Chegou a hora de acordar consciências e reunir vontades, combatendo a mentira, o desânimo, a resignação e o desinteresse" (S.A.R. Dom Duarte de Bragança)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

FESTEJAR O QUE?


Segundo a tradição aristotélica, a monarquia é a forma política em que o poder supremo do estado se concentra na vontade de uma só pessoa (rei ou príncipe). Quando a legitimidade era considerada como provinda de um direito divino sobrenatural, a soberania era exercida como um direito próprio. A monarquia patrimonial estabelece uma relação de preferência entre a família do monarca e o poder.

A monarquia feudal é caracterizada por uma limitação do poder do monarca, segundo a própria estrutura feudal do reino. O poder era entregue ao rei, com o acordo dos senhores feudais, e estava dependente da colaboração destes, sendo estabelecido segundo regras bem definidas e mútuas.

A monarquia absoluta designa os regimes em que o monarca exerce um poder sobre os seus súbditos, só limitado pelo direito natural, mas que, para além disso, iguala a sua vontade á lei e impõe sobre os seus domínios um poder em que o monarca figura como responsável final ou exclusivo.

A monarquia absoluta ocidental tinha fortes limitações. Por um lado, obedecia às leis fundamentais do reino (sucessão masculina, leis regionais, legitimidade, princípios de regência e outros. Em Espanha, a monarquia absoluta nasceu com os reis católicos que conseguiram a unidade religiosa e territorial. Em Portugal a tendência para o mesmo sistema era já sensivel no reinado de D. João I, e tomou forma definitiva com D. João II. O seu sucessor, D. Manuel I, proveu-a de instrumentos burocráticos necessários para o seu exercício concreto.

A monarquia hereditária é a forma monárquica em que o soberano é estabelecido por sucessão hereditária. A ordem sucessória também pode apoiar-se no regime familiar da casa reinante (exemplos, a dinastia de Avis, Hohenzollen, Anôver), como na lei do reino (Espanha ou Reino Unido). As diversas regulamentações variam, sobretudo, quanto à sucessão feminina (exclusão das mulheres, igualdade destas como com os herdeiros masculinos pela ordem de nascimento e do grau de parentesco, transmissão ou não transmissão pelas mulheres do direito sucessório aos seus descendentes varões, etc.

A divisão das formas de governo estabelecidas por Aristóteles (monarquia, aristocracia e democracia, consoante o poder esteja, directa ou indirectamente, nas mãos de um, de vários ou de todos) carece hoje de validade, dada a complexidade que atingiu a moderna concepção de Estado. É o que se verifica no facto de tanto as monarquias como as repúblicas europeias disporem hoje de uma ordem democrática, ficando claro que não há contradição substancial entre monarquia e democracia.

O Governo português entendeu comemorar o centenário da fundação da república, como se todos os portugueses se sentissem felizes pelo facto de viver numa república. Neste primeiro século de vida republicana, ainda não foi dada aos portugueses a oportunidade de serem governados por outra forma de governo, porque a democrática república não o permite (artigo 288 da constituição). Assim, o Governo não salvaguarda o direito de qualquer cidadão português poder pensar de forma diferente.

Esta república foi-nos imposta com o assassinato do rei D. Carlos e do seu filho herdeiro do trono português, D. Luís Filipe. Os primeiros socialistas-republicanos, que governaram Portugal até 1926, distribuíram miséria, moral e social, e injustiças de toda a ordem. Levaram o país a uma pobreza profunda. As forças da ordem gladiavam-se nas ruas. Matava-se e roubava-se em cada esquina.

O resultado desta anarquia foi a chegada de Salazar ao poder e a ditadura que durante tantos anos impôs, com tudo de mal ou de bom que nos deu.

O 25 de Abril trouxe nova esperança aos portugueses. Apregoava-se aos quatro ventos a liberdade de pensamento. Depois de tantos anos de miséria e de repressão, o povo aderiu e colaborou com as forças armadas na criação de uma nova sociedade. Mas aos poucos, quase tudo volta ao passado. Os políticos impreparados, não sabem governar, mas governam-se. E lá voltamos nós à miséria moral, agora rotulada de modernidade!

Perante este cenário, o que é que os portugueses têm para festejar neste século de governos republicanos?

Luís Fernando de Azevedo

UMA CARTA ABERTA PARA MANUEL ALEGRE

Caro Camarada Manuel Alegre

É já com alguma saudade que o vejo sair do Parlamento de todos os Portugueses, sou um “puto” com 33 anos que cresceu a vê-lo nos debates políticos desde que me conheço … Graças a si e a muitos colegas seus eu já com 9 anos colava-me à televisão para ver os debates até altas horas da manhã, não se podia esperar grande construção do pensamento político com essa idade mas a sua geração era sem dúvida um dos faróis que iluminava o meu imaginário. Fui crescendo tomando conta da minha consciência política adolescente, fui vibrando com os seus discursos de rajada de G3, vibrava também com a “Picareta falante” como chamavam os PSD’s ao camarada António Guterres e por final e sem menos a presença do saudoso Carlos Candal amigo do meu pai que constantemente me inspirava nem que fosse e tão só com o seu Manifesto contra os pára-quedistas que invadiam a Normandia Aveirense.

Sim sou Aveirense, e com orgulho ! Orgulho pela tradição do pensamento Liberal que sempre acompanhou estas gentes, pela noção de algo que o seu valor não é mensurável … A Liberdade !

Ouvi-o a dizer à TSF que quando entrou há 34 anos no Parlamento de que lhe deram os discursos do meu conterrâneo José Estevão, o maior parlamentar da história do Constitucionalismo português … um Aveirense como eu. Mas deixo-lhe para já uma parte do seu pensamento político :

“a tendência da civilização moderna é a extinção de todas as aristocracias e a propagação da unidade social; e com esta tendência repugna o censo. Vou terminar. Uma só nação, um só rei é um só direito: eis aqui a minha monarquia. E quem a não quer assim, arrenego dele!” 6 de Fevereiro de 1840, José Estevão

Em 1996 filei-me no Partido Socialista pela mão do Filipe Neto Brandão também amigo do meu pai, queria participar na luta pelo Socialismo Democrático. Foi com uma certa tristeza de que me apercebi que dentro da JS e do PS havia uma autêntica feudalização da política, não se reconhecia o mérito mas sim outras coisas como defender uma sede em 1975 com uma G3 ou então sendo filho de um presidente de câmara do PS. A política para mim sempre foi um ideário, sempre me bati pela rectidão dos princípios … o principal que está muito fora de moda é a Palavra e contra a qual não sou capaz de a contrariar, é como um pedaço de carne que tiram de mim.

Liberdade sim ! Democracia sim ! Constitucionalismo sim ! República ? ….

Votei em si em 2005 contra Cavaco Silva, era a escolha lógica dentro do meu pensamento político. Não gostei da maneira como foi enxovalhado por Sócrates na noite das eleições quando o seu discurso foi interrompido pela amena “cavaqueira” prussiana de Sócrates ao fazer o seu discurso como secretário geral do PS, então as eleições presidenciais não são apartidárias ????? . Nessa noite deixei de votar em eleições para a presidência da república … vou lhe explicar o porquê :

Um presidente da república pressupõe-se imparcial e como tal a sua eleição não pode de alguma forma ser partidária. Isto tudo é muito lindo mas a realidade nunca se verifica. Sendo o Chefe de Estado o fiel da Balança Esquerda-Direita como é possível alguma vez existir imparcialidade ? O único presidente da república eleito de forma democrática que nunca teve militância política até à data da sua eleição era o sr. General Ramalho Eanes … mas 2/3 dos deputados aliaram-se para o calar e tiraram-lhe poderes, como por exemplo a escolha do CEMFA … devia ser o Comandante Supremo a fazê-lo não ? Eu acho que sim porque o governo ao fazê-lo está indirectamente a partidarizar as Forças Armadas. Há mais casos que nos fazem pensar se efectivamente entre uma 4ª República que está aí a chegar e uma Monarquia a primeira escolha seria a mais lógica …. Como será possível alguma vez um presidente da república ser imparcial politicamente sem militância política ? Como é possível fragilizar um Chefe de Estado como por exemplo com o caso BPN ? Sim Cavaco teve acções da SLN ! E negou tal facto ! Isso é impensável numa monarquia moderna constitucional como são os casos das europeias onde as contas dos monarcas são vistas à Lupa !

Mas há mais, como é que a nossa Pátria poderá ter estabilidade com um Chefe em Acções de Formação de 5 em 5 anos ? Se houver uma crise como houve na Bélgica com governos a demitirem-se sucessivamente vamos carregar no botão “stand-bye” e vamos para umas eleições presidenciais ? Não ! Se houve alguma coisa que manteve a estabilidade na Bélgica foi a continuidade poder na pessoa do Rei dos Belgas … Cavaco é presidente da República Portuguesa, não me parece ser presidente de todos os portugueses … até porque na sua eleição houve quase 40% de abstenção e se formos a ver só 28% da população portuguesa votou nele … sim é presidente de só 28% … no geral os monarcas europeus gozam de popularidades superiores à volta de 80% como Juan Carlos que foi eleito democraticamente Rei de Espanha quando a Constituição Democrática de 1978 foi a referendada e aprovada pelos Espanhóis …

A Democracia não se contrói exclusivamente em República ! Até porque há países ditos republicanos onde o Chefe de Estado é só unicamente eleitos pelo Parlamento, caso da Alemanha e Itália … já nem falo das monarquias comunistas ditatoriais de Cuba e da Coreia do Norte … mas adiante …

E agora o que nos espera ? espera-nos governos sem a maioria absoluta, espera-nos o rotativismo do Partido Progressista como é o Partido Socialista e o Partido Regenerador como é o caso do PSD ! Onde já eu vi este filme ? … há 100 anos onde deitaram as culpas em dois mártires e caçaram-nos como animais no local onde os herdeiros ideológicos dos assassinos pretendem comemorar a sua ascensão ao poder … afinal já dizia José Relvas que “os outros já tinham comido durante muito tempo agora era a nossa vez”. Mas em 2006 a OCDE dizia num estudo que os países com mais Justiça Social são as Monarquias Europeias … Portugal era o 27 dessa lista … e nos 10 primeiros países com economias mais fortes 7 era monarquias …. Fala-se em casamentos de homossexuais … pois mas veja quais os países mais progressistas na Europa sobre essa matéria … São Monarquias e não Repúblicas …

Espera-nos uma crise, há fome, há desemprego exponencial e ninguém acredita mais no enjoo matinal do Sr. Silva em Belém e muito menos no cacete-te pirata Socratiano. Como militante Socialista convicto da Liberdade votei em branco nas eleições Europeias … podia faltar ao acto mas o dever que muitos portugueses ainda têm de aprender é a sua obrigação para com o Estado de votar … e votei … Branco.

Futuramente ou o PS muda radicalmente de rumo ou continuo a votar em branco, não rasgarei o cartão de militante porque se o Camarada Manuel Alegre não faz quem sou eu para o fazer ? mesmo o camarada sendo republicano e eu monárquico mas sobre isso acho que me entende porque de outra forma não teria escrito o seu livro “Alma” … é das poucas pessoas que deve entender melhor a bipolaridade Monarquia República. Estive para cortar o meu cartão de militante, o meu grito de revolta foi esta foto minha : http://olhares.aeiou.pt/ja_faltou_pouco__foto1989131.html

Sim sou Liberal de pensamento mas Monárquico como José Estevão, como seu filho Luis de Magalhães, como Passos de Manuel, como Antero de Quental … mas patriota até aos meus genes como Paiva Couceiro … Salazar dizia que Paiva Couceiro era comunista e o homem era um Patriota Monárquico de primeira gema … Ah e Monárquico como Aristides de Sousa Mendes … são todos proto-republicanos como Vital Moreia chamava a Passos Manuel ? Não … o seu busto está na Biblioteca da casa que deixa agora depois de 34 anos … José Estêvão está com a sua estátua ao lado no Jardim

Passos de Manuel na sua Declaração de Princípios dizia : “A Rainha é o chefe da nação toda. E antes de eu ser de esquerda já era da Pátria. A Pátria é a minha política.”

Sim é possível ser de Esquerda e Monárquico, é possível acreditar na Liberdade e na Democracia mas acima de tudo na igualdade ! Será isto uma incoerência ? Não porque não há igualdade na eleição de presidentes da república, o simples facto de poder votar na eleição do Chefe de Estado não faz de mim e nem de qualquer cidadão um presidente. Há lobby’s políticos, proto-religiosos e económicos que são os trampolim pelos quais não me rejo … e a esmagadora maioria do Povo também não … Logo Não Há Igualdade de Oportunidades ! Prefiro alguém que seja superior a isso tudo …

Por final em homenagem a si Camarada amigo deixo-te o que é teu :

Trova do vento que passa

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.
Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.
Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.
Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio — é tudo o que tem
quem vive na servidão.
Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.
E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.
Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.
Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).
Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.
E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.
Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.
E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.
Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste
em tempo de sevidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre

Talvez o futuro me indique quando deixar de votar em Branco … espero não ofender os meus companheiros monárquicos mas só espero que a consequência seja a sua eleição como Presidente NÃO da República Portuguesa mas SIM de todos os Portugueses enquanto não é possível um Rei de todos os Portugueses …

Adeus não … espero sim um Até já !

Abraço

Rui Monteiro
Militante nº 34035

(Fonte: Blogue Causa Monárquica 2009/07/25)