sábado, 30 de janeiro de 2010

COMUNICADO DE S.A.R. DOM DUARTE, DUQUE DE BRAGANÇA

Foi-me apresentada uma Petição relativa à realização de uma Convenção Monárquica; recebi-a com gosto, como sempre recebo todos os apelos de quem promove os valores e os interesses de Portugal.
Creio que é um contributo interessante e que comprova a existência de correntes de opinião preocupadas com esta temática, como tenho verificado nos encontros havidos durante as minhas deslocações por todo o país, a convite de Câmaras Municipais e outras instituições.

Creio que a Causa Real - a única organização política monárquica com legitimidade oficial, e por mim reconhecida como tal - encontrará aqui um estímulo para organizar, em tempo útil, jornadas de reflexão, abertas a todos quantos tenham verdadeira lealdade à Instituição Real, sobre uma transição democrática para a Monarquia, e que acolha uma inequívoca e maioritária expressão da vontade de todos os portugueses.

Sintra, 30 de Janeiro de 2010

Dom Duarte de Bragança

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O MEU PORTO AZUL E BRANCO

Tenho com a História uma relação intensa. Que não chegou para, na hora académica de decidir, a abraçar como opção de vida. Os tempos em que cursei na Universidade do Porto, não sugeriam cursos de fôlego tão curto e ambição tão incerta.

Mas cedo percebi que a História que sempre precisou do tempo, precisava ainda de tempo, para fazer um caminho de rigor e de isenção que está na base da sua própria essência. Uma história que não seja credível não é legítima e, por isso, merece aplauso a evolução registada, desde então, nos instrumentos de pesquisa e nos métodos de análise que acabaram por dar à História o rigor e a integridade que a fundamentam.

O pecado original da História é que é feita de protagonistas e, por isso, também de uma determinada forma de ver e de contar. Que sendo a primeira e tantas vezes feita na primeira pessoa, é mais fácil de ser manipulada e amplificada.

Só o tempo e uma nova “exegética” impostas pela técnica e pelo método permitem que a História se recoloque no seu “âmago” principal que é a Verdade. Mas mesmo assim este trabalho de conciliação com a Verdade é um trabalho condicionado pelo tempo e, normalmente, confinado ao espaço académico e interpretativo, o único onde vale a pena validar e guardar as coisas do tempo.

Para nós que absorvemos apenas as representações mais frívolas da História, ficam muitas vezes apenas a memória dos seus protagonistas e a incerteza das suas manipulações.

Pediram-me para Vos falar da Revolução de 31 de Janeiro. Não de um 31 de Janeiro qualquer. Mas daquele que em breve ocorrerá, em pleno centenário da República.

Conhecia já o “embuste histórico” e por isso não precisei de tempo de pesquisa apreciável para rememoriar os factos dessa altura. Socorri-me do insuspeito historiador Rui Ramos na notável biografia que faz do Rei Dom Carlos I.

A verdade mais crua é que a revolução de 31 Janeiro de 1891 se limitou, pelo lado civil, a uma luta interna despoletada no seio do partido republicano e, pelo lado militar, à reacção a uma lei publicada a 17 de Janeiro que dificultava aos sargentos a promoção a oficiais.

O “Ultimato” e o “ódio ao inglês” foram, consabidamente, o pretexto jacobino e patriótico para uma acção que ocorre, como reconheceram os próprios republicanos, num tempo em que se vivia no País uma “completa tranquilidade” e numa cidade onde os republicanos tinham tão pouca expressão que, poucos anos antes, tinham registado o marginal resultado de 600 votos!!

O facto é que o Congresso Republicano realizado a 5 do mesmo mês de Janeiro tinha apeado do poder o “evolucionista” José Elias Garcia e colocado na liderança do partido os “revolucionários” Manuel de Arriaga e Homem Cristo. José Elias, como sublinha Rui Ramos, resolveu “apanhar os revolucionários no seu próprio jogo, animando uma conspiração chefiada por um maçon, Manuel Alves da Veiga e por um jornalista de escândalos, Henrique Santos Cardoso”.

Na madrugada de sábado, 31 de Janeiro, cerca de metade da guarnição militar do Porto sai para a Rua, sem conseguir encontrar quem os chefiasse, porque até o general reformado Correia da Silva, apalavrado para a chefia da rebelião, acabou por não comparecer.

Às 7h00 da manhã a desorganizada rebelião proclamava a República na Câmara Municipal do Porto e às 11h00 da mesma manhã …. todos tinham fugido ou estavam presos!!!

Foi esta a verdade crua de uma “epopeia” que perdurou enganosamente no tempo e que ainda hoje se usa para enaltecer não sabemos muito bem o quê?

A falta de relevância desta caótica rebelião, de motivações equívocas, está demonstrada na própria forma como foram sancionados os prevaricadores, a maioria incautos soldados que foram julgados a bordo de 3 barcos de guerra, no meio dos vómitos dos juízes, que declararam sentenças “preparadas como simples pretexto para futuros perdões e amnistias”.

A revolução de 31 de Janeiro foi, no corpo e no espírito, tão atabalhoadamente caricata que um dos civis que participou e ajudou na “conjura”, o conhecido jornalista João Chagas, acabaria por confessar publicamente que o golpe”não foi um erro político, mas um erro de gramática”.

Quem não gostou que apesar da irrelevância do episódio o Pais “branqueasse” uma vez mais as diatribes republicanas e a sua vocação manipuladora, foi Eça de Queiroz que, de Paris, logo vaticinou que “o Governo há-de apenas tomar umas meias-medidas, inspiradas por uma meia- -coragem e executadas com uma meia-prontidão”.

Assim foi de facto a Revolução e não aquela que é comemorada por meia dúzia de maduros, provavelmente convictos de que celebram alguma coisa importante ou libertadora. Não foi o caso desta Revolução cujos factos não aproveitaram ao País, e cuja memória ajudou a que se continuasse a “viciar” a História.

Alguns dos civis ditos inspiradores da revolta, mas que deveriam ser mais propriamente conotados como conspiradores dentro do seu próprio partido e contra o seu próprio Directório, dão hoje nome às Ruas da cidade do Porto.

Talvez porque mais tarde participaram na Revolução lisboeta de 5 de Outubro que se alicerça no ignominioso assassinato do Rei Dom Carlos perpetrado, também em Lisboa, a 1 de Fevereiro de 1908 e cujas verdadeiras motivações e equívocos, a história tratará ainda de aclarar.

Mas nunca foi o Porto o inspirador ou o ponto de partida da revolta republicana e, muito menos, dos actos desses seus (?) concidadãos, exemplares decaídos de uma partidocracia em acelerada degenerescência, responsável pela profunda crise económica e social que levaria ao fim da monarquia, mas que só pararia, muitas dezenas de desordens e de governos (republicanos) depois, com a prolongada ditadura (também republicana) de António Oliveira Salazar.

Para a parte frívola da História ficou a toponímia das ruas da cidade a celebrar injustamente gente pequena, enganosamente glorificada pela insondável e misteriosa “ética republicana”.

Eu, que tive o meu primeiro escritório na denominada R. 31 de Janeiro, insistia em que me visitassem na R. de Santo António, a designação anterior desta bonita e íngreme Rua da Baixa do Porto, evocativa da memória de Fernando de Bolhões, Santo da Igreja que antes de ser de Lisboa ou de Pádua, é uma das figuras maiores de Portugal e dos Portugueses que o Porto tão justamente homenageava.

O que o Porto pode e deve comemorar, isso sim, é a revolução que contra o estado de miséria social e moral do País ocorreu, a partir da cidade invicta, em 1919 e que ficou conhecida por “Monarquia do Norte”.

O Porto e o Norte inteiros restauraram, nove anos depois, a Monarquia em Portugal e só porque Lisboa, dominada “in extremis” pela maçonaria internacional, faltou ao compromisso seguro da acolher e propagar a Revolta é que hoje vivemos em República.

Mesmo assim, durante 7 dias desse ano de 1919, a Monarquia prevaleceu como regime nas instituições do Porto e do Norte de Portugal, que deveria estar dispensado de comemorar, até pela questão matemática do decurso ininterrupto do tempo, o tal centenário da república.

Julgo que este é um tempo em que o Porto e os portuenses se deviam confrontar com a sua História – valorizando aquilo que foram e são os seus ícones mais representativos e as marcas que melhor desenham o carácter profundo e íntegro da cidade e dos nela viveram e vivem.

Foi a verdadeira capital do Reino onde, no princípio, tudo aconteceu.

De onde o Império e a Nação se cumpriram.

Primeiro no território europeu e continental, sob a liderança arrebatadora de Afonso Henriques ou, mais tarde, na tranquila determinação de S. Nuno de Santa Maria.

Logo depois, veio a diáspora que o Infante Dom Henrique começou a preparar a partir do Porto e sempre ancorado no labor e na generosidade dos portuenses. Mais tarde, as Invasões Francesas e o Cerco do Porto, dão o vivo testemunho da mesma cidade intemerata, da mesma laboriosa verticalidade dos portuenses.

O Porto que não tem que comemorar a República deve, porém, reflectir sobre ela.

Do que nos trouxe de bom. Do que nos serviu e ainda serve?

Desde a primeira com 40 Governos em 16 anos e perseguições sociais e religiosas ironicamente feitas, como naquele “para além do muro”, em nome da liberdade. Passando pela segunda República que para restaurar a ordem e nos proteger da guerra, nos pôs mutilados do Mundo e, agora sim, órfãos da Liberdade. Até à terceira República que, depois de quase ter resvalado para o precipício comunista, se deixa hoje ensombrar na mesma degenerescência partidocrática, onde a ética e a responsabilidade se escapam às classes dirigentes, onde a politica perdeu o fundamento das ideias e o sentido último do serviço.

O Porto que não tem que comemorar a República deve pensar, se neste contexto complexo de integração e globalização, não faltarão a Portugal elementos firmes de agregação e identidade nacional, portadores de um relacionamento e notoriedade que sejam, simultaneamente, garantes da melhor representação internacional.

Se não faltarão a Portugal verdadeiros árbitros do funcionamento das instituições, realmente distantes do sistema partidário que devem respeitar e regular.

Se não faltarão a Portugal exemplos maiores de serviço, responsabilidade e de entrega à coisa Pública.

Eu que sou daltónico e futebolisticamente incorrecto deixo o desejo, em tempo de Ano Bom, que a reflexão sobre o 31 de Janeiro e o centenário da República permitam que o Porto e os Portuenses voltem a sentir que vale a pena, marcarem encontro com a História e ajudarem a vestir Portugal de azul e branco.


António de Souza-Cardoso

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

MISSA NO PORTO POR ALMA DO REI DOM CARLOS




A Real Associação do Porto informa que será celebrada, no próximo dia 1 de Fevereiro pelas 19h00 na Igreja dos Clérigos, uma Missa por alma do Rei Dom Carlos e do Príncipe Real Dom Luís Filipe, convidando todos os seus associados e simpatizantes a estarem presentes.

Esclarecimento da Casa Real a propósito das comemorações da república


"Tenho verificado que algumas pessoas ficaram perturbadas com o texto publicado pela Agência Lusa, após a conversa que tive com uma simpática jornalista durante o “Almoço dos Reis “ em Santarém.

Gostaria de lembrar que esse texto é um resumo da conversa e que necessariamente omitiu uma parte das minhas afirmações. Por isso talvez não se perceberá tão facilmente a sua ironia, em mostrar que a esperança actual da sociedade portuguesa não reside no ideal republicano cujos heróis foram homens dispostos a morrer por uma causa em que tudo correu mal.

Obviamente que nunca faria um elogio das actividades terroristas, sejam as da Carbonária no séc. dezanove ou as actuais! Por isso, e considerando que os militantes da Carbonária foram os mais dedicados, generosos e consequentes elementos da revolução de 1910, segundo historiadores republicanos (Prof. Fernando Rosas, etc.), as homenagens previstas para este ano deveriam principalmente ser-lhe dedicadas. O que deveria levantar problemas a quem condena o terrorismo. Esta a subtileza que a jornalista eventualmente não entendeu!

É verdade que eu afirmei respeitar as pessoas que são capazes de dar a vida em defesa dos seus ideais, mesmo quando esses ideais não coincidam com os meus. Não posso aceitar é que se gaste uma fortuna paga pelos nossos impostos a homenagear duvidosos ideais que redundaram em bombas e crimes que ajudaram a mergulhar o país numa crise política e social gravíssima.

Os que derrubaram a monarquia, perseguiram duramente não só os monárquicos, mas também a Igreja, os socialistas e sindicalistas, os movimentos operários, etc.

E para além de provocarem muitas mortes, ainda precipitaram a nossa juventude na Primeira Guerra Mundial, onde muitos milhares morreram ou ficaram estropiados, num conflito que não nos interessava e para o qual foram enviados sem preparação e equipamento adequado.

Em cem anos de república Portugal viveu mais de metade em regime de ditadura ou falsa democracia, para finalmente chegar à situação de atraso crónico em que nos encontramos hoje na opinião de técnicos responsáveis.

Será que estes resultados merecem que se gastem 10.000.000 de euros para os glorificar? Julgo que os portugueses deveriam ser consultados sobre a oportunidade destes gastos festivos. Foi isso que tentei explicar …

Dom Duarte"
 
Fonte: Sítio oficial da Casa Real Portuguesa

sábado, 23 de janeiro de 2010

O REGICÍDIO, CRIME HEDIONDO


Lembrando, no ano do centenário da república, o assassinato do Rei Dom Carlos e do Príncipe Real, percursor da implantação do regime republicano, a Real Associação de Lisboa manda celebrar Missa sufragando as suas alma no próximo dia 1 de Fevereiro pelas 19.00h, na Igreja da Encarnação, Largo das Duas Igrejas, ao Chiado.
A alteração do tradicional local da Missa e o facto de não haver romagem à Lápide que assinala na Praça do Comércio o local do Regicídio, deve-se às obras que decorrem tanto na Igreja de São Vicente de Fora e Panteão da Casa de Bragança como na referida Praça.
Convidam-se todos os Portugueses a estarem presentes nesta celebração em memória do Soberano e do Herdeiro da Coroa de Portugal, recordando e homenageando o seu sacrifício ao serviço de Portugal.

Fonte: Blogue Família Real Portuguesa

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

JOÃO CAMOSSA, UM GRANDE MONÁRQUICO


No próximo dia 26 de Janeiro, pelas 18h30, o Centro Nacional de Cultura vai fazer uma evocação à figura de João Camossa, um dos fundadores do Centro Nacional de Cultura, em 1945, e do Partido Popular Monárquico, em 1974. João Camossa foi um homem de rara integridade e carácter. Um homem ímpar, muitos me dizem! Nos últimos anos, o seu aspecto indigente e a sua introspecção e afastamento da “modernidade” foleira, que assolapa tudo, empurraram-no para um mundo de vago isolamento. Mas nem por isso perdia o génio e inteligência no discurso. E no afecto. Não era um homem simples. Nunca foi. Mas soube viver na humildade. E muito viveu da caridade. Todos o conheciam como monárquico e não menos ficavam espantados com a disparidade do discurso ante o aspecto formal, bom grado, nos seus inseparáveis sobretudos (mesmo de verão). Não era um monárquico de peruca de seda, nunca foi. Talvez por isso, nele, o contraste era um dos seus argumentos mais válidos – a sua veracidade. Ouvia-se pela sua voz.

No dia 26 de Janeiro – curiosamente 5 dias antes da comemoração do 31 de Janeiro que os Republicanos tanto gostam de recordar – o CNC vai homenagear um cidadão que fez mais pela república do que muitos dos seus pseudo-heróis. Eu conto lá estar, se Deus quiser, com algumas das pequeninas folhas que o meu querido primo João trazia sempre no bolso e gatafunhava e riscava com contas aritméticas infindáveis. O que eu tiver de escrever escreverei nos teus papeis, João, porventura algo para te dizer ou para entreter o nosso tempo. Porque o meu amor também passou a ter o tempo do teu sentimento.

Publicada por João Amorim, Centenário da República